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Quando a Escuridão e a Luz se Tornam uma Unidade


Tudo vem do Criador, a Força Superior. Ambas a Luz e a escuridão vêm d’Ele, como está escrito: “Ele que criou a Luz e a escuridão”. “Quando desejo revelá-lo, eu tenho que tomar essas duas forças e as unir corretamente. Agora mesmo elas parecem opostas uma a outra e eu não entendo como duas forças opostas podem vir da mesma fonte – por exemplo: bem e mal, luz e escuridão, impureza (Klipa) e santidade, que se encontram em luta constante.

Então, como é possível uni-las? No nosso mundo frequentemente vemos qualidades e ações que são diametralmente diferentes umas das outras – aquelas que são maravilhosas e boas, ou más, repulsivas e horríveis. Como é possível combiná-las e atribuir a elas uma mesma fonte – o Criador?

Na espiritualidade essas divisão e diferença entre as qualidades são muito maiores que no nosso mundo. Apesar disso, temos que construir um sistema interno que conecte essas forças opostas, porque assim é como elas realmente existem – em paz e harmonia, uma complementando a outra. Nenhuma delas pode existir sem a oura.

Ao construir esse sistema dentro de mim, eu começo a entender sua raiz, a ver de onde vem essa oposição e o que realmente está acontecendo. Nós ainda não entendemos isso. Isso não faz sentido para nós até que ganhamos a habilidade de construir a nós mesmos acima do Machsom, na espiritualidade. Até lá, nós podemos estar em um extremo ou em outro, ou separados dos dois, mas somos incapazes de estar em unidade e harmonia com duas forças opostas.

Ao trabalhar para unificar duas forças opostas em mim, eu construo um ponto de contato entre elas, um sistema onde elas se unem a despeito de serem opostas. Nenhuma anula a outra, como acontece no nosso mundo; ao contrário, elas duas alcançam total harmonia. O espaço que eu construo em mim é meu “eu”, minha alma, que é igual ao Criador.

O Criador é um, mas em relação a mim Ele se separa em duas forças – uma positiva e outra negativa, um mais e um menos. Eu conecto essas duas forças em mim em um único sistema, e acontece que esse sistema que eu construo entre o mais e o menos é completamente igual ao Criador.

Dessa maneira, eu alcanço o Criador através de Suas ações. Eu com isso construo em mim um ser humano que é semelhante ao Criador. Eu sou um no sistema de Malchut, e eu sou como o Criador no sistema de Keter. Todo nosso trabalho repousa no alcance dessa equivalência.

Uma Ponte Estreita para o Mundo Espiritual


O Livro do Zohar foi escrito por um grupo de grandes Cabalistas cuja envergadura jamais existira em toda a história. Eles criaram uma ponte de linguagem, informação, forças, sensações e Luz, conectando nossas sensações e a compreensão do mundo revelado, com a sensação e a compreensão do mundo oculto.

Quando nós estudamos O Livro do Zohar, escrito por eles, e tentamos entrar no estado que eles desejam nos transmitir, nós somos como um bebê que avidamente abre os olhos e a boca, a fim de absorver o que sua mãe está lhe dizendo. Ele não entende nada, mas simplesmente olha para ela e manifesta sua alegria através do movimento.

Nós devemos fazer esforços semelhantes para entendermos nossos professores. Para fazer isso, nós devemos nos conectar da mesma forma que os dez autores do O Livro do Zohar estão conectados. Mesmo que o leiamos sem qualquer explicação, começaremos gradualmente a sentir as novas reações e movimentos internos. Dentro de nós, num nível subconsciente e inconsciente, surgirá um novo reino ou mundo e se tornará mais habitual.

Nós chamamos as nossas lições de “Um Estudo do O Livro do Zohar“; porém, na realidade, este livro não é estudado, mas revelado, e a revelação acontece através de nossa aspiração e disposição de sentir o mundo oculto. A disposição deve ser expressa através da união entre nós, semelhante à união entre os autores deste livro. É a união de todos os pontos no coração – as aspirações em relação à equivalência com o Criador. É assim que os Cabalistas descrevem a condição necessária para a utilização correta do O Livro do Zohar.

No processo de leitura deste livro, eu forneço pequenos esclarecimentos, a fim de ajudá-los a “agarrar” o texto, semelhante às explicações de um adulto a uma criança durante um jogo.
Sempre que os Cabalistas escrevem sobre o O Livro do Zohar, eles não se referem a ele como O Livro do Zohar, mas simplesmente como O Livro. Isso expressa o seu desejo de mostrar que não há nenhum outro livro igual no mundo!

Uno, Único e Integral


Uma pergunta que recebi: Por que é tão difícil associar tudo o que acontece na vida com uma força – o Criador?

Minha Resposta: É impossível pensar no Criador toda vez que nos acontece algo, a menos que O sintamos através dos nossos sentidos, que estejamos conectados com esta fonte de Luz, que estejamos presentes Nele e Ele se manifeste em nós.

Nós reagimos a qualquer sensação ou pensamento que surge em nós buscanndo milhares de outras fontes que não o Criador, visto que nós não O percebemos como a única força que preenche tudo o que existe. Não importa se estamos falando de algo que aconteceu há 5000 anos atrás ou hoje. Por causa de nossa natureza egoísta, o ser humano é incapaz de permanecer conectado à idéia de uma única força governante, o Criador.

Nós existimos num estado de dualidade, visto que somos criados por dois opostos: a Luz e o vaso (Kli), a Luz e as trevas. A nossa percepção é composta por duas partes: desejo e sensação (reação), satisfação ou vazio dentro do desejo. Uma dessas partes (desejo) origina-se diretamente do Criador, e a outra (prazer) chega até nós indiretamente. O sofrimento não vem direto do Criador, e, portanto, nós não podemos associá-lo a Ele.

Assim, até que nós revelemos o Criador por meio de nossa mente e sentidos, a afirmação de que Ele é “Uno, único e Integral” é falsa para nós. Ninguém pode afirmar que existe apenas uma força que rege o universo, pois de acordo com a natureza humana, isso não é verdade. Somente quando a pessoa revela o Criador é que ela pode dizer que Ele é “Uno, Único e Integral”, pois ela pode sentir isso interiormente.

Não Sejamos Banidos Das Portas do Mundo Superior

laitman2O Zohar: Toda pessoa que anda por esse mundo sem ter alcançado os segredos da Torá, mesmo devido às boas ações, é banida das portas do Mundo Superior.

“Este mundo” é o que eu sinto agora, e “o mundo vindouro” (Olam Haba) é o meu próximo estado. Tudo se revela de acordo com os desejos da pessoa. Um desejo pode ser alterado de forma natural, por meio das Reshimot que o tornam mais egoísta, ou através do trabalho em grupo e da Luz Circundante.

Se eu não me corrijo, todas os portas para a sensação espiritual permanecerão fechadas para mim. Eu não posso sentir o mundo espiritual sem preparar os meus desejos e Kelim para isso, sem corrigir o egoísmo por doação. É assim que eu posso abrir os portões!

Toda pessoa que anda por esse mundo sem ter alcançado os segredos da Torá (o que só é possível com o estudo da Cabalá, a fim de receber a Luz em seus desejos corrigidos), mesmo devido às boas ações (a forma como as pessoas pensam neste mundo), é banida das portas do Mundo Superior (ou seja, essa pessoa não tem oportunidade de sentir e entrar no mundo eterno).

Na caminhada espiritual, isso acontece em cada passo dado, quando nós passamos de um estado ao outro. Você só consegue avançar revelando segredos – aquilo que está oculto de você agora. Tudo acontece dentro do seu desejo. O seu desejo ou sua sensação atuais são chamados de “este mundo”, e um desejo ou sensação mais corrigido são chamados de “o mundo vindouro”.