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O Adaptador Das Relações Familiares

Dr. Michael LaitmanPergunta: A primeira condição para se estabelecer uma conexão num casamento é a capacidade de sentir o outro. Como podemos desenvolver a capacidade de sentir o outro e seus desejos como meus?

Resposta: Se eu quero amor e uma atitude positiva entre duas pessoas para cobrir todos os nossos pecados mútuos, todas as más qualidades, eu preciso descobrir o que meu parceiro gosta, o que ele quer, e o que ele espera de mim.

Primeiro eu tenho que descobrir em mim a necessidade de doar ao outro. Então eu tenho que responder à pergunta: O que eu posso dar a ele, como posso fazê-lo feliz? Esta nova necessidade me obriga a verificar o que ele quer e o que ele espera.

Nós temos que discutir isso para que cada um seja capaz de se expressar livremente e revelar seus sentimentos a seu parceiro, seus desejos mais secretos e como cada um quer receber sinais de amor do seu parceiro. Cada um deve ajudar o outro a compreender a si mesmo para sentir e começar a viver no outro. Eles têm que sentir os desejos do outro como seus, como se as satisfações que eles fornecem a esses desejos estivessem em si mesmos.

O amor chama-se unidade, e é alcançado pela incorporação no outro. Eu subo acima dos meus desejos e aparentemente restrinjo-os, e não os utilizo para meu próprio prazer. Agora, em vez dos meus próprios desejos eu quero absorver os desejos do meu parceiro: O que ele quer, o que ele ama?

Eu quero sentir os desejos do outro dentro de mim, para que eles preencham o lugar onde meus próprios desejos estão. Isso significa que eu coloco os desejos do outro acima dos meus e suprimo os meus. Agora eu trabalho e invisto todas as minhas forças para que os desejos do outro se tornem parte de mim e comecem a viver em mim. Por isso, eu quero construir a sua imagem dentro de mim.

Eu calculo como eu posso doar a ele. Eu faço esses cálculos internamente, trabalhando com a imagem que foi criada dentro de mim, com todas as suas necessidades, desejos, anseios e esperanças. Tendo construído esta imagem em mim e trabalhado nela, agora eu sei como tratar o outro.

Nós fazemos todo esse trabalho mutuamente, discutindo coisas. Nós ajudamos um ao outro a perceber a imagem do outro, como se diz: “Cada um deve ajudar o seu amigo”. Assim, a pessoa começa a subir acima de sua própria natureza para a natureza do outro. Isso é chamado de “ajudar contrária”, já que ajudamos um ao outro a construir essas imagens dentro de nós: eu construo a imagem de minha esposa dentro de mim e ela constrói a imagem de seu marido. Agora, cada um inclui duas imagens dentro de si: a sua própria e a de seu parceiro.

Estas imagens constantemente mudam e se tornam mais claras, refletindo cada vez mais seus próprios atributos. Por fim chegamos a um estado em que sabemos como nos relacionar com o outro. Eu me conecto a ela através de sua imagem que está em mim e ela se conecta a mim através da minha imagem que está nela. Assim, nós alcançamos a conexão.

Os objetos espirituais (Partzufim) são dispostos de acordo com o mesmo princípio. Antes do Partzuf Galgata gerar o Partzuf AB, ele cria o Partzuf AB dentro dele. Se o Partzuf AB quer se conectar a Galgalta, ele faz isso através do Partzuf AB interno que está em Galgalta.

Isto significa que cada Partzuf tem que construir internamente algum tipo de adaptador, a fim se conectar ao outro Partzuf. Este adaptador reflete com precisão o Partzuf externo ao qual ele se conecta, mas é só no anterior. Em uma mãe há naturalmente a imagem da criança e assim ela entende intuitivamente como tratá-la.

Em termos fisiológicos, o útero é um adaptador que usa todas as reservas do corpo fornecendo tudo o que embrião precisa. Após o nascimento, há a fase de assistência e os cuidados externos com o bebê, mas isso é sempre realizado pela imagem da criança que está na mãe.

Diz-se que o homem foi criado “à imagem de Deus”, o que significa de acordo com o modelo especial da (imagem) superior que o pai e a mãe espirituais (o Partzuf Aba ve Ima) dão ao inferior. De acordo com a mesma equivalência de forma, é também possível conectar um ao outro; de outro modo não haverá nenhuma conexão.

É o mesmo em tecnologia: nós sempre temos que construir um adaptador, de modo que dois corpos diferentes se comuniquem. Numa parte deve haver uma saída que se adapta à entrada na outra parte. Se a entrada e a saída coincidem, os corpos podem se conectar.

Se entendermos como isso funciona e soubermos como estabelecer tal adaptador, sem dúvida alcançaremos a correta conexão mútua. Portanto, nós devemos constantemente continuar este trabalho, a fim de melhorar estes sistemas.

Da “Discussão sobre a Nova Vida”, 16/07/12

Modelo Das Relações Familiares

Dr. Michael LaitmanNós experimentamos a vida nas relações familiares em nossa conexão com o outro. Nós não estamos falando de coisas externas aqui, nem sobre eu e minha esposa, mas sobre como conectamos as imagens de nossos cônjuges que existem em cada um de nós com as imagens de nós que os nossos parceiros têm. Estas imagens recíprocas se unem na medida em que se tornam um todo no final. Nós estamos mudando o tempo todo, e por isso devemos continuar a trabalhar nestas imagens um do outro, desenvolvendo-as e desenvolvendo seu relacionamento.

Atualmente, nós já nos ligamos inconscientemente uns com os outros desta forma. Digamos que quando você está falando com seu chefe, você cria a imagem dele dentro de você, e com base nesta imagem, você escolhe o que dizer a ele. Apenas numa família nós queremos estar conscientes desta conexão para poder gerenciá-la e torná-la boa.

Na verdade, nós já estamos agindo desta forma. Adaptadores semelhantes trabalham na natureza, em tecnologias e biologia. Sem eles, seria impossível manter o elo entre nós. Mesmo se estivermos conectados de uma maneira errada, nossos laços ainda suportam a mesma forma.

Em outras palavras, eu tenho que criar uma imagem da minha esposa dentro de mim; reciprocamente, ela tem que me ajudar, criando a minha imagem dentro dela. Este é todo um processo, porque nenhum de nós sabe ou entende bem a si mesmo o suficiente e não entende seu parceiro. Nós temos que gradualmente discutir e esclarecer todas as questões potenciais que existem entre nós.

As mulheres geralmente se queixam que seus maridos não falam com elas, não prestam atenção a elas, e não mostram muito interesse nelas em geral. Todas as suas queixas podem ser imediatamente satisfeitas. As queixas das mulheres são verdadeiras e corretas, uma vez que correspondem às necessidades espirituais que existem da parte feminina, Nukva, em relação à parte masculina.

As imagens do nosso parceiro são compostas de seus desejos e aspirações, de seus hábitos, percepções, opiniões e atitudes. Nós temos que nos comportar como atores que desempenham papéis especiais, e para esta tarefa, nós entramos na imagem interna do personagem que atuamos. Seu corpo físico continua o mesmo, mas todo o seu mundo interior de pensamentos, desejos e hábitos se veste de uma nova maneira. É para isso que devemos nos esforçar.

E quando você se construir desta forma, você vai entender o mundo interno de seu parceiro. Você vai olhar para o mundo como se através dos olhos dele e perceber através de seus hábitos e suas qualidades naturais. Você vai começar a ver o mundo através deles, vai entender melhor o que ele espera de você, e ver claramente que tipo de ligação com eles você é capaz de fazer. Em outras palavras, vamos realizar uma pesquisa profunda do sistema que se opõe a nós, em vez fazer uma análise superficial; nós vamos perceber isso internamente, vestindo-nos nele. Nós vamos construir um tampão, um adaptador, entre nossos cônjuges e nós. As esposas vão fazer o mesmo em relação aos seus maridos. Geralmente, as mulheres lidam com isso com muito mais facilidade do que os homens, já que os homens são construídos mais primitivamente do que as mulheres; portanto, as mulheres entendem melhor os homens, e não o contrário. As esposas conhecem seus maridos muito melhor, já que é concedida às mulheres a capacidade de ver seus maridos da maneira correta pela natureza.

Da “Discussão sobre uma Nova Vida” 16/07/12

Impedir Que A Família Se Torne A Prisão Da Mulher

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como nós podemos organizar o tipo certo de interação dentro de uma unidade familiar para que a família não se torne literalmente a prisão de uma mulher?

Resposta: Quando a mulher sente que está num ambiente bom e adequado, ela não sente necessidade de sair de casa por semanas. Quando, além de ter artigos, materiais, aulas, palestras, teatro, e outros programas já adaptados à nova sociedade, ela sabe que seus filhos vão a uma instituição regular de ensino e voltam para casa ilesos, sem sinais de violência em seus corpos; quando ela sabe que seu marido trabalha e também estuda num grupo virtual; quando ela pode estar presente virtualmente em seus estudos e até mesmo mostrar isso às crianças; quando ao mesmo tempo, ela se comunica com outras mulheres sobre todos os assuntos integrais; quando as crianças também recebem educação e formação integral de acordo com o seu nível escolar, nesse caso, a mulher absorve tudo através disso, e isso basta para ela.

Também é necessário organizar piqueniques, passeios na natureza, e ter refeições juntos. No entanto, mesmo nestas refeições, homens e mulheres se sentam separadamente, mas lá, as mulheres têm a oportunidade de se comunicar, de sentir como pertencem a uma sociedade de grande porte. Em outras palavras, desta forma, nós precisamos dar às mulheres a oportunidade de fazer parte das coisas que os homens fazem.

Da Discussão sobre Formação Integral 04/03/12

Família: A Neutralidade Para Completar a Compreensão Mútua

Pergunta: Há dois tipos de família tradicional. O primeiro tipo é a chamada família, educada, agradável, sabe-se que é costume se conter; conter seus sentimentos, emoções e pensamentos : A fim de manter a paz na família, a pessoa não expressa tudo o que ela pensa. O outro tipo é uma família onde as pessoas expressam suas emoções, sentimentos e coisas com as quais elas não estão satisfeitas. A mulher constantemente aponta falhas do homem; ela bica e reclama o tempo todo.

Qual é a maneira certa de agir? As pessoas deveriam restringir-se ou não, expressar-se ou direcionar a energia do casal em direção a integralidade?

Resposta: Eu acho que essas questões devem ser resolvidas em um grupo. Um grupo de educação integral, que cuida da participação de uma pessoa em comunidades sociais também deve examinar essas questões. Em um grupo como este, as pessoas têm oportunidades diárias para corrigir suas atitudes e relacionamentos com as outras.

Eu acho que a resposta é muito simples. As pessoas devem se permitir ser mais honestas e se abrirem para a extensão de seu avanço na educação integral, e elas vão continuar a abrir-se, pois continuam a completar mutuamente uma à outra. Quando eu sinto que o meu parceiro não me completa, ele não me entende e eu ainda não o entendo. Eu não sei como me abrir. Eu não sei como agir nessas situações.

Continuamos um pouco neutros, mas assim que somos capazes de introduzir no nosso contato mútuo qualquer dos nossos recursos internos, tais como desejos, necessidades, pensamentos e hábitos – fazemos. É necessário fazer uma pessoa sentir que a interação integral é mais importante.

Assim se torna uma possibilidade em qualquer nível, você imediatamente incluí seus desejos, pensamentos, necessidades, fraquezas, e qualquer coisa nele. A principal coisa é dar-lhe o objetivo de unir, e o que é isso. Então, uma pessoa torna-se seu próprio psicólogo.

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De uma palestra sobre educação infantil Integral 3/5/12

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O Fim Do Mundo Familiar

Dr. Michael LaitmanUm período muito importante está começando agora; eu diria crucial. O mundo está em grande tumulto. Está se tornando cada vez mais claro que somos impotentes ante os golpes da natureza: humana ou ambiental. As pessoas não têm como compreender a verdadeira razão dos golpes ou como lidar com eles. A força superior gera todos esses eventos, mas não podemos dizer isso às pessoas. 

Assim, a Convenção na Carcóvia deve nos mostrar o nível de unidade que precisamos alcançar  a fim de superar a crise. O mundo, de qualquer forma, deve entender como seguir em frente. 

Afinal, estamos na iminência de estados difíceis, críticos, e eles serão revelados num ritmo acelerado. Cada dia vamos enfrentar um mundo novo, oposto àquele que conhecíamos no dia anterior, e que exige um novo entendimento e uma nova abordagem. 

O sentimento familiar irá desaparecer, e vamos sentir que estamos vivendo em um mundo desconhecido, que revela uma face nova e inesperada para mim a cada vez. Eu tento continuar, para trazer as coisas de volta à forma como elas costumavam ser, mas essas são tentativas fúteis. Isso foge de mim e chegam até mim num ângulo estranho, em diferentes relações, em notícias estranhas que eu não consigo entender ou digerir. O comportamento das pessoas muda e assim também suas reações ao que está acontecendo. Eu começo a sentir uma sensação de incerteza.

O que podemos dizer sobre os especialistas em economia, política, educação, etc.? Eles vão encontrar ainda maior desamparo e confusão em seus campos. 

Assim, nós somos o único sistema versado em toda a humanidade, que está na vanguarda e pode levar todos na direção certa. Na verdade, essa direção não é menos lógica do que as diferentes especulações que resultam da crise, a confusão e a total falta de compreensão do problema. Já entendemos a lógica espiritual aqui; nós já sentimos as mudanças em nós mesmos. 

Como é que nós apresentamos a mensagem ao mundo? Como podemos fazer disso um conhecimento comum? É um problema. Mas no momento que nossa mensagem for transmitida entre as massas, seu desejo vai se tornar muito mais suave e flexível, e vamos sentir uma responsabilidade maior que será conduzida por aqueles que nos rodeiam. Então vamos elevar “a oração coletiva” juntamente com eles. 

Então, precisamos disseminar, mas para cumprir nossa disseminação temos que nos unir e estar fortemente conectados. A fim de cuidar das pessoas, nós temos que ser fortes em qualidade, não em quantidade, como elas são. Nós temos que adquirir a mesma intensidade qualitativa como a intensidade quantitativa delas. Este é todo o problema. 

Pergunta: Como podemos explicar às pessoas a essência das atuais mudanças caóticas dos estados? 

Resposta: Todos já sentem isso, mas não conseguem digerir. Afinal, as pessoas estão vivendo suas vidas diárias; elas estão “apagando incêndios”, girando numa roda esperando pelo melhor. Esta é a sua vida e o futuro depende do quanto disseminarmos o método da correção. 

Minha preocupação não é se elas vão recebê-lo, mas se eu estarei pronto. Além do mais, nós temos que agir muito rapidamente. 

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá, 16/08/12, O Estudo das Dez Sefirot

Conselho De Família: Uma Discussão À Luz De Velas

Dr. Michael LaitmanPergunta: A pessoa deve compartilhar seus sentimentos sobre a vida familiar com o seu cônjuge?

Resposta: Sim, pois não deve haver divisão interna entre o marido e a esposa. Às vezes, nós ficamos envergonhados, e às vezes sequer queremos admitir algo para nós mesmos. No entanto, devemos falar uns com os outros como psicólogos. Nós ficamos completamente despidos e ficamos diante um do outro como a natureza nos fez.

Todos devem olhar para si e seu parceiro de lado. Como numa bancada de laboratório, nós revelamos o nosso mundo interior e discutimos tudo até o fim sem nenhum pudor, sem pensar no passado ou no futuro.

Afinal, nós queremos transformar tudo em unidade. Então, vamos colocar todos os problemas sobre a mesa:

  • O que há de ruim em nós? Que qualidades não queremos usar em sua forma atual? Nós fazemos uma análise crítica mútua.
  • O que há de bom em nós? O que queremos compartilhar com o outro? O que queremos desenvolver?

Juntos, vamos descobrir o que está errado com a nossa natureza feia, e, ao mesmo tempo, mostramos que estamos preparados para superar isso, e nos unimos de uma vez por todas. Nós nos odiamos quando se trata de crítica mútua, e mal conseguimos conviver com o outro devido à falta de esperança. Nós estamos em poder das crianças, dívidas e responsabilidades, e toleramos a vida familiar. No entanto, ao mesmo tempo, procuramos uma forma de melhorá-la.

Quando falamos, temos que entender a natureza humana, desejos por comida, sexo e família, assim como dinheiro, respeito, poder e conhecimento. Devemos entender que todos têm inveja e cobiça, assim como ambição e amor pelo poder ardendo dentro deles.

Nós discutimos o mundo interno de ambos, e depois o nosso mundo mútuo e compartilhado que devemos construir entre nós. Primeiro nós falamos sobre a natureza humana como um todo, de forma psicológica. Depois, vamos examinar quais dessas coisas comuns são inerentes a cada um de nós.

Nós falamos sobre nossas qualidades, desconfianças, impulsos, paixões, hábitos e outras coisas, sem vergonha ou medo. Eu nem sequer percebo que tenho algumas dessas qualidades, mas devo saber sobre elas. Eu preciso ao menos saber como elas se parecem aos olhos do meu parceiro de vida.

Então, eu digo tudo em voz alta: como não concordo com as coisas que existem dentro de mim, quais são as coisas que me faltam, e o que eu gostaria de esconder em vez de exibir. É como se eu estivesse numa bancada de laboratório, quando falo de mim mesmo, e junto com meu parceiro, examinamos as minhas qualidades e discutimos o parceiro da mesma maneira.

Isto permite que possamos nos abrir, sem permanecer confinados aos nossos limites. Nós nem exaltamos nem culpamos. Afirmamos fatos objetivamente como um médico faz, sem realizar avaliações estéticas durante um exame. Ele define um problema e o resolve. Grosso modo, ele me considera como um “pedaço de carne” que precisa ser corrigido, e também de forma imparcial, nota qualidades boas e más um no outro sem ser pessoal.

Por exemplo, minha esposa me diz: “Você é tão econômico. Eu não sabia que estava me casando com um pão-duro. Isso realmente me incomoda. Você pediu uma salada para nós dois quando comemoramos meu aniversário no restaurante. Passou-se dez anos desde então, e você não me levou mais a um restaurante. Você me acorda toda vez que sai da cama à noite, mesmo podendo ser mais cuidadoso. De manhã, você se levanta cinco minutos antes de sair de casa, e eu tenho que juntar todas as suas coisas em cinco minutos”.

Nós discutimos os problemas. Minha esposa me ajuda a perceber as coisas que são ruins em mim, e isso é uma grande coisa. No entanto, esta conversa não ocorre na forma de bate boca ou  exigências prejudiciais. É objetiva. É feita com amor ou, pelo menos, do ponto de vista de um médico que analisa um paciente.

Por exemplo, um psicólogo lhe escuta enquanto toma uma xícara de café com bolo, e depois, de forma semelhante, ele lhe explica as coisas que são ruins em você. Você o deixa com o coração partido, enquanto ele faz os comentários finais num caderno e derrama uma xícara de café por si mesmo. Isso é objetividade. Eu subo acima dos interesses pessoais e simplesmente digo ao meu parceiro o que vejo nele.

Eu vou dar o seguinte exemplo para compreendermos melhor esta abordagem. Eu estou começando uma nova posição onde tenho um estágio probatório de uma semana. Eu estou muito preocupado com este período de teste, porque dele depende a conquista do emprego, e agora a minha esposa, que me conhece por dentro e por fora, me fala sobre todas as minhas falhas, que eu tenho que tomar cuidado no trabalho, com amor e sem ofensa pessoal.

Mesmo que eu não goste de ouvir isso ou de vê-la listando os fatos, eu superarei meu ego e aceitarei seriamente suas palavras. Eu não as ignoro. Eu sou grato à minha esposa por esta preparação, à medida que compreendo minhas faltas.

Minha esposa me diz: “Não se esqueça de jogar fora o saco vazio quando fizer café. Não assue o nariz ruidosamente. Não peça esclarecimentos…”. Todos os pontos do seu “diagnóstico” me beneficiam. Ela é mais do que um médico; ela participa de meus problemas com amor e carinho.

No final, nós dois queremos alcançar a unidade, e é por isso que fazemos uma noite de diagnóstico. Por exemplo, quando eu voltar para casa do trabalho, abriremos uma garrafa de vinho e colocaremos algumas torradas e minha salada grega com queijo feta favorito na mesa. Nós até acenderemos uma vela para ambiente e teremos uma discussão pacífica

Da “Discussão sobre Nova Vida” 12/07/12

Lutar Pelo Recorde: O Obstáculo Das Relações Familiares

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu estou confuso com a sua sugestão em reprimir as críticas pessoais quanto aos outros. Tenho medo de que se eu não liberar isso vou explodir ou, no final, desenvolver uma úlcera.

Resposta: Mas por que a pessoa precisa olhar todos com um olhar crítico? Se essa avaliação negativa ocorre automaticamente, isso significa que a cada segundo você tem a oportunidade de subir acima de sua insatisfação cada vez mais alto, a fim de ver as virtudes nos outros em vez dos defeitos.

É como se você estivesse constantemente invertendo sua impressão inicial. Você vê como certo patife miserável está sendo impertinente e, de repente, você olha mais de perto e reconhece que é o seu próprio filho. Oh! Que erro eu cometi, pois pensei que era o filho do vizinho que estava se comportando mal. Quando eu vejo que é meu filho, eu só sou impressionado por suas travessuras.

Tente agir bem. Você não será capaz de conseguir nada sozinho, mas venha até nós para cursos e workshops. Você precisa estudar, treinar e obter o apoio do ambiente onde tal atitude é valorizada.

Então, você não vai acumular qualquer irritação dentro de você e desenvolver uma úlcera; pelo contrário, você vai sentir prazer! Você vai olhar em volta e não vai ver as deficiências em ninguém, visto que todas as falhas dos outros, que hoje lhe irritam, pertencem a você. Então você verá um mundo perfeito.

Pergunta: Mas eu só atingirei tal atitude no final. Como eu posso viver a fase de transição se não posso fazer qualquer observação crítica à minha esposa, porque ela é meu espelho? Eu devo transferir toda a negatividade para mim. Nem uma palavra durante todo o dia? Eu vou simplesmente explodir! É bem sabido que é muito melhor para as relações de saúde e família falar imediatamente o que está na mente e não ficar acumulando irritação dentro de si. Porém, eu devo ficar em silêncio?

Resposta: Você deve realizar um workshop contínuo entre ambos, para exercitar, assim como em cursos de relações familiares onde se ensina a falar um com o outro corretamente. Discutam como vocês se veem e este é um espelho, que mostra vocês mesmos. Falem sobre a influência do ambiente, o egoísmo humano. Se vocês discutirem isso continuamente e vivenciarem, fazendo exercícios, esclarecendo como vocês veem um ao outro e por que, então isso vai se tornar um hábito, que se tornará uma segunda natureza.

Tal atitude se tornará enraizada dentro de você, e para o ambiente irá ajudá-lo a não esquecer. Da mesma forma, você vai continuar isso em casa. Você nunca deixa o workshop. Você participa dele durante os cursos, para depois continuar para o resto de sua vida.

O workshop não é algo ocasional. É como uma dieta, que uma vez começada, você não pode parar. Se você parar, todos os seus esforços serão em vão. O objetivo do workshop é dar-nos um impulso para nos aprofundarmos um pouco mais num esclarecimento mais preciso. No entanto, nós nunca abandonamos a discussão, mas a continuamos. De workshop em workshop, nós só elevamos o registro cada vez mais alto.

Da Discussão Sobre a Nova Vida 12/07/12

A Imagem Externa De Uma Família Integral

Dr. Michael LaitmanPergunta: Há vários tipos de inter-relações familiares. Por exemplo, na Rússia, as famílias se reúnem em comunidades e passam muito tempo juntas, em virtude de interesses comuns e apoio mútuo. Enquanto no Ocidente, “minha família é meu castelo”, que se caracteriza pelo isolamento. Como serão as famílias integrais? Como elas se parecerão?

Resposta: Eu acho que a maior parte do tempo não vai ser gasto dentro do círculo familiar, mas numa comunicação maior, mais viva entre as pessoas, porque elas vão descobrir de repente uma grande fonte de energia nisso: revitalizando, edificando, melhorando constantemente, e apenas permitindo que a pessoa possa ser satisfeita por este mundo.

É por isso que as famílias integrais começarão a criar conexões integrais internas muito sérias entre si. Além disso, elas vão procurar pessoas semelhantes no espaço virtual.

Da “Discussão sobre Formação Integral” 07/08/12

Um Eco Por Toda A Vida

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que você desejaria para os jovens que vão ter uma família, de modo que eles possam construir relacionamentos felizes e positivos?

Resposta: A felicidade é baseada em um equilíbrio correto entre os desejos e sentimentos, razão e cálculo. Não podemos anular algo e construí-lo unilateralmente. Eis por que, a fim de entender este sistema, temos de compreender que uma pessoa inclui todo o universo, o cosmos. E a fim de comparar corretamente, para conectar duas pessoas, é preciso um computador especial, dando tantas opções que eu não posso imaginar que isso seja possível.

Mas o equilíbrio de dois desses sistemas complexos, cada um dos quais consiste de coração e mente que estão em união e em contradição um com o outro, só é possível se nós soubermos como isso funciona. E a natureza nos leva a ele.

Por isso, no processo de nosso desenvolvimento, nossa evolução, nós chegamos a um estado onde temos de estocar algum conhecimento. Isso não exigiria muito tempo: uma dúzia ou duas dúzias de classes, lições e vários exemplos, até que começássemos a sentir o que é um homem, como ele funciona, se move, como ele reage a tudo, do que ele é feito e como resolve conflitos para não os deixar crescer desagradavelmente. Tudo isso pode ser estudado. Só então eu aconselho a tomar uma decisão séria. É necessário olhar para o casamento como uma empresa séria, que pode ecoar por toda a vida. Assim, isso pode ser positivo ao invés de negativo.

Da “Discussão sobre Formação Integral” 07/07/12

Criando Uma Família Espiritual

Dr. Michael LaitmanPergunta: Será que a família constitui um sistema fechado? Como é possível usar corretamente a tensão que ela cria?

Resposta: Hoje em dia, a família sobe do nível animal ao nível humano. Se as pessoas compreenderem isso, elas precisarão criar um tipo completamente novo de família, que entra em contato entre si e cria uma célula familiar integral correta. Esta célula não é baseada nas conexões animais, nem no dinheiro compartilhado, nem nas crianças, já que para este propósito as instituições e os sistemas foram criados, o que, em princípio, se responsabilizam por isso.

Hoje, dentro de uma família, as pessoas não são capazes de permanecer juntas, já que os casais não estão mutuamente vinculados de alguma forma desde o seu nível comum interior. O nível anterior permanece muito atrás: nós já não somos materialmente dependentes uns dos outros, não temos que estar juntos; eu não estou ligado à família ou ao lar, nem às crianças, à religião, à minha aldeia, ou ao meu trabalho, etc. Hoje, a pessoa é livre: ela comprou um bilhete, voou para algum lugar e você nem sabe onde. Ela pode desaparecer até ao final da vida em algum canto do mundo. Quem sabe!

Em Moscou, há um programa de TV popular chamado “Eu estou procurando você”, onde as pessoas procuram umas às outras. Isto é, em princípio, o chamado dos tempos. As pessoas desaparecem, saem e nem sequer tentam dar notícia sobre si mesmas! Uma pessoa encontra algo completamente diferente, e é como se descobrisse uma nova vida.

Nós devemos entender que a família elevou-se do nível animal para o humano. Se nós estamos nesse nível, não há razão para eles estarem juntos, para contemporizar, para se conectar. Eles não vêem benefício ou lucro nisso e não vêem que forma de espiritualidade precisam criar entre si ou a forma de gerar filhos espirituais e não físicos, de modo a criar essa mesma célula que será chamada “família espiritual”, e não apenas uma célula que está ligada por causa da propriedade compartilhada, um apartamento, ou carro, etc. Se não trouxermos a pessoa a isso, não haverá uma família. Isto é totalmente certo!

Nós precisamos ensinar as pessoas a criar uma família espiritual agora, ou seja, estar mutuamente conectados no próximo nível, não no nível corporal, onde cada pessoa pode se dar bem por conta própria.

Da “Discussão sobre Formação Integral” 08/07/12