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Os Segredos Da Leitura Do Zohar

Dr. Michael LaitmanPergunta: É verdade que as pessoas dizem que quando olhamos para as letras do Livro do Zohar escrito em aramaico ele automaticamente nos conecta à Luz, apesar de não entendermos o idioma?

Resposta: Nada acontece automaticamente. Isso pode ser comparado a um bebê que nasce e vive neste mundo e que cresce porque cuidam dele, já que ele se anula perante os adultos. É um atributo inato, e, por isso, ele permite que os pais cuidem dele. Eles tomam conta dele, e ele cresce.

Se a pessoa se anula durante o estudo, na leitura do Livro do Zohar, ela está sob a influência e o cuidado dos amigos, mesmo que não entenda e não sinta nada, mas quer se colocar sob a influência das Luzes, dos amigos e da sociedade principal que ela lida. No entanto, ela precisa ter essa intenção. Mesmo que ela se esqueça disso, ela ainda precisa sentir que pertence.

Pergunta: Como podemos seguir o texto durante a leitura do Livro do Zohar e ao mesmo tempo manter a intenção correta?

Resposta:
O principal é a intenção, e o texto é importante na medida em que a pessoa pode atribui-lo à intenção correta. Aos poucos, ela começa a ver o significado correto das palavras nele: uma “criança”, “sábios”, Sefirot, Malchut e Bina. Ele vai ver isso. Sob a influência da Luz que Reforma, que age de forma muito lenta e gradual, pouco a pouco, a pessoa vai começar a sentir diferentes impressões. Ela vai sentir uma conexão com o que lê.

Pergunta: Qual deve ser a nossa abordagem durante a leitura do Livro do Zohar ou o que deve mudar nela para que a Luz nos influencie e mude?

Resposta: Nós temos que nos conectar. A pessoa deve sentir que está num grupo unido como uma tropa de elite, como num todo que é formado de partes separadas. Ela precisa sentir isso naturalmente. Caso contrário, suas intenções não são as intenções corretas.

Portanto, à medida que ela sente toda a realidade conectada nela, ela quer pertencer ao Criador junto com tudo isso, se conectar e aderir a Ele. Ela entende que isso acontece como resultado de sua mudança interior e espera por isso.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/02/13, O Zohar

Atrás Dos Horizontes Da Correção

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Um Discurso para a Conclusão do Zohar“: Mas na nossa geração nós fomos recompensados com o comentário Sulam (Escada), que é uma interpretação completa de todas as palavras do Zohar. Além disso, ele não apenas não deixa uma questão obscura em todo O Zohar sem interpretá-la, como os esclarecimentos são baseados numa análise simples, que qualquer aluno pode compreender.

É claro, isso não está se referindo ao “homem da rua” abrindo O Livro do Zohar e o Comentário Sulam e imediatamente compreendendo-os. O Livro do Zohar é escrito a partir de um nível da correção final; isso aconteceu apenas uma vez na história, no grupo do Rashbi. Outros Cabalistas não tiveram a oportunidade de atingir este nível de revelação, e apenas cerca de 10 por cento deles poderia entender um pouco o que é dito no livro.

A desigualdade entre as etapas da realização é comparável à disparidade entre os níveis vegetal e animal da natureza, ou entre um cão e um ser humano, ou entre o mundo “linear” e o mundo “redondo”; em outras palavras, é a diferença entre o mundo anterior, que vive em conformidade com simples leis egoístas, e o mundo novo que, atualmente, começa a emergir e age de acordo com as leis da unidade. Anteriormente, individualistas tinham êxito, e agora apenas aqueles que são capazes de se unir vão prosperar.

Todavia, mesmo que o mundo já tenha começado a se corrigir e aspirar pelo fim da correção, isso ainda acontece de forma linear; não importa que a “linha” inclua várias etapas, telas e os níveis de unidade própria, ainda não é a unidade, o sistema integral, que será alcançado na correção final. Nessa fase, a imagem vai ser bem diferente e eu não posso imaginar.

Hoje, nós pensamos no relacionamento e interesses mútuos de “um homem com um coração”, ou seja, na unidade de Israel, a Torá e o Criador, mas no que isso vai resultar, eu não sei. Como estamos nos aproximando do sistema verdadeiramente integrado do fim da correção, que difere daquele que os Cabalistas alcançaram ao longo dos últimos milênios por nossa união mútua, nós estamos começando a compreender que há leis que estão além das leis espirituais.

Não é simplesmente um canal de conexão, não é uma “linha” ou uma “largura” de um desejo que é coberto por uma tela e protegido pela Luz Refletida, nem são as Luzes de NRNHY ou as Sefirot KHBZON. Nessa fase, novas formas de conexão vão surgir. Possivelmente, por exemplo, todo mundo seria capaz de usar as telas dos outros.

De uma forma ou de outra, nós estamos falando de um salto qualitativo que ainda não está totalmente claro para nós. Assim, devemos pelo menos estar ciente desta diferença.

Neste mundo, todo mundo é um egoísta, mas nesta fase do nosso desenvolvimento nós estamos enfrentando a condição da unidade global. Se pudéssemos ver a imagem real em que estamos inseparavelmente interconectados e ligados, seria muito claro que cada um de nós é incapaz de fazer qualquer coisa até que estabeleçamos relações corretas com os outros. Mas quem tem o intelecto e sentimento apropriado? Quem tem nervos para lidar com isso? Quem é capaz de captar todos os detalhes e tolerar a inevitável tensão?

No final, cada um de nós permanece em seu próprio “canto”, sem ter qualquer energia para agir. Se eu dependesse de milhares de outras pessoas, a minha atual visão de mundo simplesmente me privaria de qualquer esperança; eu permaneceria imóvel. O mundo deixaria de se mover, congelando na imobilidade. Isso explica por que cada novo estado se revela em nós de forma progressiva e gradualmente nos obriga a nos corrigir, para que evitemos chegar a um impasse.

Assim ocorre na espiritualidade. Nós avançamos no mundo espiritual através das telas e da colaboração, como os Cabalistas do passado. No entanto, no fim da correção, um estado totalmente diferente estará nos aguardando. No caminho, nós expandimos o sistema integrado que gradualmente ganhamos, mas hoje, ele ainda não nos compromete com uma interdependência completa, que irá surgir como resultado. Este é o nível, a partir do qual O Livro do Zohar foi escrito, a partir do nível do fim da correção.

Portanto, se o Baal HaSulam recebeu a oportunidade de criar comentários sobre este livro, isso significa que ele atingiu o mesmo nível do Rashbi. Eu diria até mais do que isso, porque ele foi capaz de adaptar o comentário para aqueles que estão começando o caminho no nível deste mundo, que ainda não subiram na escada espiritual, nem mesmo perto do fim da correção. No entanto, essas pessoas ainda são sensíveis ao impacto de um sistema “redondo”, mesmo que ele seja apresentado a elas em sua forma material.

Baal HaSulam fala da necessidade de disseminar a sabedoria da Cabalá para todos. Isso significa que a nossa conexão com este mundo já criou uma conexão com os “círculos” através do “círculos” materiais do mundo global e através dos círculos espirituais mais elevados que fazem parte do nosso caminho para a correção. É por isso que estamos autorizados a revelar o método Cabalístico a todos, e as obras que foram escritas desde o mais alto nível.

Assim, com exceção dos livros do Baal HaSulam, não temos nada para disseminar. Não existem outros materiais que sejam apropriados para a geração, que está no início do caminho que conduz à correção final. “Os círculos” que pertencem a esse nível já estão ativos e brilham em todos nós e no mundo inteiro.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 07/02/13, “Um Discurso para a Conclusão do Zohar“

Pegue As Ferramentas E Não Espere Favores

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, artigo “Um Discurso para a Conclusão do Zohar“: E como O Zohar é revelado em nossa geração, esta é uma prova clara de que estamos no tempo do Messias, no início desta geração, sobre o qual é dito: “E a terra estará cheia do conhecimento do Criador”.

Baal HaSulam está escrevendo isso porque tudo é realizado pela Luz superior. E quando a Luz ilumina menos, a nação de Israel está no exílio. Se ela ilumina menos ainda, todos nós estamos em apuros até a perda da vida, ou seja, perdendo esta percepção da realidade. Por outro lado, quando a Luz ilumina mais, nós sentimos vitalidade e vivemos uma vida plena. Quando ela ilumina ainda mais, nós começamos a sentir a fonte da Luz e somos atraídos a ela.

Tudo vem da Luz, e ela precisamente “sacode” os vasos, os nossos desejos, mas, em nossa era, a sua doação está mudando. A revelação da sabedoria da Cabalá, o pensamento da criação e seu objetivo, os sistemas nos quais a humanidade existe, a natureza global com suas leis absolutas, que é o Criador, tudo isso trouxe grandes mudanças em nosso mundo. No último século, a Luz influenciou o mundo de tal maneira, que, como resultado, O Livro do Zohar foi revelado, o que significa que a maior fonte de correção foi revelada. Os autores do Zohar escreveram abertamente que, graças a este livro, o povo de Israel sairá do exílio. Portanto, é necessário ver o nosso tempo como o tempo da ascensão espiritual, e tudo depende apenas do uso correto da sabedoria da Cabalá.

De Cima não haverá concessões em relação ao que somos capazes de realizar. Mas, de um modo ou de outro, a revelação do O Livro do Zohar e a sabedoria da Cabalá, o trabalho que foi feito pelo Baal HaSulam, que revelou o método da Cabalá para esta geração, e as obras do Rabash, que descrevem as regras do trabalho espiritual , tudo isso estabeleceu uma base para nossa ascensão. As duas partes da sabedoria da Cabalá que foram preparadas pelos nossos professores foram necessariamente reveladas de modo que qualquer um que é despertado para a auto-realização no caminho ao objetivo da criação fosse capaz de realizá-lo.

Portanto, a nossa época é o início do período do Messias, ou seja, a fase da correção final.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/02/13, “ Um Discurso para a Conclusão do Zohar”

A Receita Para Uma Oração Especial

Dr. Michael LaitmanPergunta: Há momentos durante a leitura do Livro do Zohar em que é difícil perceber o texto e, depois, é mais fácil permanecer na intenção. Mas o que eu posso fazer num estado diferente, quando, durante meus estudos, eu sinto emoção e alegria?

Resposta: Nós passamos por vários estados até formarmos o pedido correto. Isso inclui uma série de elementos. É possível comparar isso com um delicioso prato que tem dezenas de ingredientes.

Nós não precisamos manter todos esses elementos em nossa cabeça, nossa mente, porque eles se acumulam e se alinham em nós, e o que foi construído está em você. Você não deve se preocupar com isso, você cuidar de outras coisas, como um chef que prepara um prato e sabe automaticamente o que acrescentar e o que precisa de sua atenção.

Visto que o nosso vaso (Kli) é um desejo, não razão, então um hábito se torna uma segunda natureza. Portanto, você não está preocupado com o que já está incluído no desejo, mas se eleva acima dele para outras preocupações mais avançadas.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/01/13, O Zohar

Descobrir O Zohar Dentro De Nós

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você diz que ao ler o Livro do Zohar nós temos que descobrir dentro de nós mesmos atributos espirituais que ele fala. Mas é difícil para eu pensar na conexão com os amigos ao mesmo tempo.

Resposta: Por enquanto não podemos identificar esses atributos espirituais dentro de nós, pois eles estão escondidos muito profundamente. Você às vezes fica tão bravo com alguém que você ama, por exemplo, a sua mulher, que você começa a odiá-la. Se nesse momento alguém lhe diz, “mas você a ama”, você vai ficar bravo e dizer: “Eu a amo?! Eu simplesmente a odeio”! O amor está escondido e o ódio é revelado. Às vezes é o contrário, algumas palavras suaves evocam o amor em você, e você a ama e está tudo ótimo. Então, onde está o ódio? É como se ele não existisse.

Da mesma forma, dentro de nós há todos os discernimentos espirituais sobre os quais O Livro do Zohar: Jacob, Torá, HBD, HGT, a linha do meio. Mas todos eles estão escondidos internamente, e não os identificamos no momento.

O principal é a intenção. Eu também fiz uma pergunta semelhante ao Rabash quando estudávamos esses “detalhes técnicos”, como Kruma de Avira ou Mochin de Avira, as 13 correções de Dikna, etc., no TES. Isso não me preocupava, eu não podia me relacionar com eles. Portanto, eu perguntava a ele se eu poderia pensar em mim durante esse tempo: Quem eu sou, o que sou, por que razão e por quê? Se eu deveria reprimir todos os esclarecimentos internos que surgem e pensar apenas no que está no livro. Rabash disse: “Não”. Se você se preocupa com a intenção correta agora e em como abordar a doação, então, pense nela.

Mais tarde, você vai ver que tudo que você pensa sobre os estados que atravessa, sobre o grupo, e sobre o Criador, e tudo o que está escrito no livro, trata-se realmente disso. De repente você vai sentir: “Uau, é sobre mim! Como Baal HaSulam e os autores do Livro do Zohar sabem que eu estaria pensando justamente sobre o que está escrito neste texto?”. Isso é o que vai acontecer.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/01/13, O Zohar

Um Livro Que Foi Escrito Onde As Épocas Se Cruzam

Pergunta: O que é especial sobre O Livro do Zohar ?

Resposta: Primeiramente, é especial, já que os cabalistas o escreveram.

Humanidade desceu das árvores e começou a evoluir até a primeira erupção do ego durante o tempo da antiga Babilônia. Em seguida, o método de correção foi revelado nesta primeira onda egoísta. Porque as pessoas não conseguiram superar o ego, tão grande por si só, eles começaram a procurar meios para fazê-lo e encontraram a sabedoria da Cabala que permite que uma pessoa a supere a inclinação para o mal através da conexão.

Aqueles que começaram a utilizar este método, a fim de corrigir-se são chamados de “Israel”, que significa Yashar-El “, direto para o superior” (ISRA-EL).

Enquanto isso, o ego continuou a crescer ainda mais e todas as outras nações continuaram como de costume.

Então o ego cresceu na nação de Israel e como resultado eles desceram para o Egito. Alguns foram um pouco mais abaixo, e outros receberam a Torá, a fim de superar a separação. Trata-se do mesmo método Cabalístico, e que a diferença é que agora é adaptada ao ego grande que foi revelado no Egipto, que já se encontra especificado e dividido em diferentes desejos estranhos que têm de ser corrigidos, em condições diferentes, em diferentes eventos, conexões, etc. A fim de passar por esse processo, precisamos de um método chamado de “Torá”.

O trabalho de Abraão na Babilônia era mais fácil, se podemos dizer: subir acima do ego ao Criador (Boreh) no amor e conexão e fazer o que é bom para os outros, para estranhos, uma vez que o ego não era especificado, então.

Abraão deu ao resto do mundo religiões (Dat).

Com isso, ele abriu dois caminhos, mas a diferença entre eles não era tão grande ainda. Sim, estes são dois atributos opostos, a fim de receber e de modo a doar, mas com uma diminuta “espessura” do desejo.

Por um lado, um grande ego chamado “Faraó” foi de fato revelado no Egito, e em cima dele tudo o que é em uma pessoa, tudo do que ele é feito internamente: atributos, discernimentos, pensamentos e desejos. Isto significa que, no tempo de Moisés (Moshe) a crise da alma despedaçada foi revelada (Neshamah), que era desconhecida antes. Este já é um nível totalmente diferente e assim, consequentemente, a Torá foi revelada.

Mais tarde, com o crescimento do ego, os filhos de Israel construíram o primeiro templo com a ajuda da Torá e com isso atingiram o seu fim de correção. Após a destruição do Templo, eles construíram o segundo templo e depois a longa descida começou.

Aqui, antes do final da descida, O Livro do Zohar foi escrito. Por um lado, grandes discernimentos do nível anterior ainda eram mantidos aqui, mas por outro lado, o último nível do ego começou a aparecer. Por conseguinte, os autores de O Zohar dependeram de todos os 125 graus em relação à destruição e no que diz respeito à realização.

É por isso que O Livro do Zohar é muito especial: Inclui toda a Luz que será revelada em nossos tempos no pano de fundo do maior ego que nos levará até ao fim completo da correção. O Livro do Zohar simboliza esse estado e diz -nos sobre todos os estados do fim da correção. Estes são os estados sobre os quais Rabi Elazar, filho de Rabi Shimon, fala especialmente.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala de 16/01/13 , Escritos do Rabash

Trabalhando Na Fazenda Do Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como a intenção correta pode ser alcançada?

Resposta: Para a intenção correta, primeiro você tem que se atar ao mundo inteiro, o que é um resultado de ações do Criador. Por este mundo, o Criador mostra Suas ações, de modo que através da correta relação com o mundo, você seja capaz de se aproximar Dele.

Suponha que eu seja o dono de uma grande fazenda onde tenho terras e cavalos. Eu levo você para trabalhar na fazenda, porque vejo que você me trata bem e vai ser um trabalhador leal ou até mesmo um escravo fiel. Acontece que eu verifico você não de acordo com a sua atitude em relação a mim, mas em relação a minha propriedade, de acordo com o modo que você cuida da minha casa, dos meus campos e jardins, ou seja, o “meu mundo”.

Da mesma forma, nós também viemos, e graças ao desejo que recebemos de Cima, queremos nos tornar trabalhadores do Criador. Enquanto esse desejo não despertou em nós, nós vivemos como os cavalos nesta fazenda. E aqueles a quem o Criador dá este desejo se tornam trabalhadores na fazenda. E há diferentes trabalhadores: há trabalhadores leais que são totalmente dedicados ao Criador, como escravos, e há trabalhadores que não são tão leais.

O Criador encontra a pessoa em quem o ponto no coração foi despertado que quer se aderir ao Criador, mas ela não pode ser elevada imediatamente à posição de ministro. Por isso, Ele dá à pessoa todos os tipos de oportunidades, empregos menores, através dos quais ela sobe muito lentamente. Essa oportunidade é dada exatamente para nós agora: pelas ações que nós realizamos em nós mesmos, podemos mostrar ao Criador o quanto queremos nos aproximar Dele, nos aderir a Ele, e viver com Ele num pensamento e intenção, numa ação.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/01/13, O Zohar

Um Caleidoscópio De Formas Espirituais

Dr. Michael LaitmanQuando nós nos movemos para nos corrigir, todas as nossas intenções devem ser orientadas para a unidade, e nenhuma delas pode ser de natureza pessoal. Nossos pontos no coração são a única coisa pessoal que temos. Com o que pode este ponto no coração se preocupar exceto em alcançar a unidade com o resto do nosso corpo coletivo, do qual ele acabará recebendo a espiritualidade?

É por isso que nossas tentativas em participar do nosso corpo coletivo nos revelam suas várias formas e características que lemos na Torá: Faraó, um anjo, Moisés, Abraão, Isaac, Jacó, e muitos outros. Quem são eles? São as imagens que toda a humanidade, o grupo, e o mundo adquirem conforme a sua realização.

O quadro descrito na Torá é a forma da alma geral que muda constantemente e se revela numa nova forma. No entanto, ela se revela apenas com a condição de que aspiremos continuamente à unidade. O Livro do Zohar fala sobre isso. Cada palavra e cada linha do Livro do Zohar representam uma revelação profunda e gradual, que continua até que ele se revela plenamente aos “os olhos de todo o Israel”. Não é por acaso que estas palavras são a frase final da Torá.

Nós só revelamos formas espirituais quando estamos conectados.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/01/13, O Zohar

Os Estágios Do Amor Aos Outros

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como acontecem as mudanças graduais, de modo que, no final, cheguemos a um estado em que o meu amigo se torne mais importante para mim do que eu? O que eu sinto em cada etapa?

Resposta: Esse tipo de mudança só acontece numa pessoa com a ajuda da Luz que Reforma. Grosso modo, ela pode ser dividida em quatro fases:

1. Nós não sentimos ninguém fora de nós; eles parecem tão “sem vida” para nós. Eles vivem em algum lugar perto de nós, mas não temos nada em comum com eles. Nós nos comunicamos com eles, os abraçamos, cantamos músicas com eles, mas ainda os consideramos como “marionetes” que existem ao nosso lado.

2. Mais tarde, conforme o nível de aflição que nós passamos, desencadeado por nossa preocupação de que não estamos avançando o suficiente, nós começamos a nos preocupar: “O que acontecerá comigo?”. Neste momento, nós continuamos sofrendo e nos esforçando, mas ainda não compreendemos as formas de nos conectar com os outros. Isso não “penetra” nossos ouvidos; são apenas palavras bonitas que eu ouvi um monte de vezes…

A realidade, o processo de aprendizagem, e tudo o que nós fazemos se torna cada vez mais importante para nós, embora nossas preocupações sobre as relações com nossos amigos ainda não sejam muito claras para nós. Nós ainda não sentimos que a nossa conexão nos leva para algum lugar. Parece-nos ser apenas uma espécie de “moralidade” e até mesmo nos faz lembrar os mandamentos religiosos.

3. Depois, nós começamos a negligenciar tudo o que nossos amigos fazem no grupo: conexões, danças, cantos. Não somos capazes de nos comportar dessa maneira. Aos nossos olhos, isso parece muito frívolo; nós concordamos em agir dessa forma só porque isso cria um ambiente bom e agradável e sabemos que temos que inspirar nossos amigos e ficar juntos. Assim, nós nos encontramos nas refeições em conjunto para nos conectar um pouco e talvez até mesmo atrair novas pessoas para nós. Isto é o que nós pensamos.

4. Neste ponto, nós reconhecemos que não importa o que fazemos; isso não funciona para nós. Nós começamos a perceber que neste momento outras pessoas parecem muito mais inteligentes aos nossos olhos. Nós começamos a pensar: “Como é que elas fazem isso?”. Nós começamos a reavaliar a nossa atitude e chegamos à conclusão de que a unidade é importante.

Sem dúvida, isso é o resultado do impacto da Luz, mais do que uma consequência das atividades mútuas entre os amigos. Embora, uma vez que ainda continuamos a participar de atividades conjuntas, a Luz Circundante desça sobre nós. Nós começamos a considerar útil as nossas atividades orientadas para a unidade, mas ainda achando que são puramente teóricas. Nós continuamos sempre falando sobre elas, continuamos lendo e ouvindo sobre o trabalho em grupo mais intensamente do que antes; anteriormente, nós sequer prestávamos atenção aos artigos que descrevem essas coisas. Nós pensávamos que o “Prefácio à Sabedoria da Cabalá”, “O Estudo das Dez Sefirot“, etc., valiam a leitura, mas o artigo “A Última Geração” nos lembrava ideias comunistas.

Aos poucos, sob a influência da Luz Circundante, nós começamos a perceber que temos que trabalhar contra os nossos egos e superá-los. Então, percebemos que superar o nosso egoísmo e se conectar com os nossos amigos é realmente a mesma coisa; é impossível alcançá-lo de forma diferente. É viável apenas enquanto estamos no grupo e exclusivamente através da conexão com os amigos.

Antes, nós nunca valorizávamos as ações externas e as negligenciávamos na medida em que desejávamos que nunca tivessem existido. “Por que temos que nos unir com os outros? ‘Amor ao próximo’ soa repugnante… Você já viu isso acontecer? O que você está falando? Fico envergonhado pelos livros de Cabalá falarem sobre coisas assim…”.

De repente, nós percebemos que o conteúdo interno de nossas ações é totalmente orientado à unidade, à incorporação de nossas partículas internas, em vez dos órgãos corporais. Nós continuamos negligenciando nossas conexões físicas. Se isso não nos leva a juntar os pontos no coração, nós continuamos a desprezar os “truques” e “slogans” como: “Vamos nos unir! Vamos sentar juntos à mesa e conversar!”.

Nós começamos a mudar nossa atitude em relação à unidade. De repente, percebemos que se trata de conectar “os pontos nos corações” com a ajuda da Luz que Reforma. É por isso que nós temos que ficar no grupo. É diferente de passar o tempo no bar, onde as pessoas se abraçam, cantam e se sentem bem. Aqui, nós também sentamos juntos, podemos beber e nos abraçar, embora a nossa intenção não seja a de unir nossos corpos ou alguns ideais terrenos egoístas, mas sim tentar aproximar os nossos pontos no coração e pedir que a Luz nos impacte e conecte juntos. A Luz nos influencia o suficiente conforme os nossos esforços mútuos e o nosso desejo de nos unir.

É assim que avançamos. Passar por estas etapas é essencial. Como resultado, nós ficamos confiantes de que a nossa presença no grupo e as atividades do grupo são necessárias para conectar os pontos no coração com a ajuda da Luz. A partir deste ponto, nós paramos de negligenciar a unidade. Nós já sabemos que a realização espiritual refere-se à unidade e o nosso avanço se torna mais evidente para nós. Ao mesmo tempo, descobrimos uma nova dificuldade no nosso caminho: Temos que descobrir a forma de separar o nosso “eu” do ponto que contribuímos para a unidade; temos que estar preocupados em dar à “externalidade” mais peso do que ao nosso “eu”. Para isso, nós também precisamos da Luz. No entanto, essa é a próxima fase, que também é composta de quatro subfases.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 07/01/13, O Zohar

Gematria É A Línguagem Das Emoções

Dr. Michael LaitmanO Zohar, “Naso“, item 180: A bênção dos sacerdotes. Que o Senhor te abençoe, que o Senhor ilumine, que o Senhor transmita… a bênção de seu Ha-Va-YaH, e eles também são os três nomes de Ha-Va-Ya-H na bênção dos sacerdotes que estão paralelos às três linhas, as três letras em Ha-Va-Ya-H no preenchimento de S”G (63) Yod, Hay,Vav,Hay. Que as três letras Yod de S”G, são as iniciais destes três Ha-Va-Ya-H.

Os Cabalistas têm um problema. Toda ciência em nosso mundo, como a física, química, biologia, zoologia e botânica, tem uma linguagem própria, mas não existe uma linguagem para as emoções, já que em nosso mundo não podemos avaliá-las, medi-las, pesá-las, ou dividi-las em diferentes tipos, etc.

Quando nós começamos a descobrir o desejo de receber e nele os diferentes tipos de sentimentos conforme o tamanho do desejo e o seu tipo, em três linhas, em todos os níveis de sua espessura, nós precisamos de uma linguagem para descrever a forma como fazê-lo.

Tomemos a escrita das notas musicais como exemplo; não é uma linguagem. Eu só desenho alguns símbolos que alguém tem que tocar e sentir, e ele pode compreender os sentimentos que eu queria transmitir, embora, para ele, possa ser outra coisa. Este é um problema muito grande.

Pela mesma razão, a psicologia e a psiquiatria não são consideradas ciências exatas, uma vez que são baseadas na pequena experiência que podemos acumular durante a nossa vida e não mais que isso. É porque não conseguimos medir sentimentos com nossos sentidos, colocá-los em tabelas e gráficos, de modo que esta seria uma regra de ferro.

Por isso, os Cabalistas inventaram o registro da realização espiritual usando a Gematria (valores numéricos de letras e palavras) e esta se tornou realmente uma linguagem muito lacônica que pode reunir muitos detalhes precisos, que pode ser transmitida de uma pessoa para outra. Isso está em contraste com as composições musicais, onde todos podem imaginar o que o compositor pensou, enquanto aqui, você não pode estar errado. Para desenvolver a Gematria, você tem que atingir e chegar ao mesmo lugar, ao mesmo fenômeno, estar incorporado na mesma alma que escreveu isso, e assim você sente o mesmo estado, já que está unido com a alma na adesão e pode ter certeza de que realmente recebeu a sua mensagem.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/01/13, O Zohar