Textos na Categoria 'Zohar'

A Ponte Sobre O Abismo Do Ego

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu me separo de tudo que conheço e recebo a Luz da lição como se eu fosse uma tela branca e aprendesse tal qual uma criança?

Resposta: Os sábios dizem que ensinar uma criança é como escrever numa folha de papel em branco. É assim que começamos nossa jornada. A pessoa precisa sempre imaginar que seu desejo está diante de certo “campo” com outros desejos que parecem estranhos a ela. Ela tem que reunir todos esses desejos como um só.

Isso não significa que todos eles se fundirão num todo. Não, cada um deles existirá independentemente, mas as relações entre eles criarão perfeição e harmonia, semelhante àquelas entre as partes de um corpo sadio.

No estado inicial, no Infinito antes da quebra, todos nós éramos como um só corpo. Então, ele se desintegrou, porque o ego surgiu nele. Nós devemos preservar nosso ego individual, mas corrigí-lo. O isso quer dizer?

Cada parte se sente separada das outras e está distante do resto. Agora, por um lado, nós temos que preservar nossa individualidade e caráter, mas por outro lado, por sobre isso, temos que descobrir uma conexão como se o ego não existisse.  Ainda assim, eu não o anulo; ao invés, eu trabalho com ele para superar a lacuna.

Como resultado, o abismo permanece abaixo. Acima dele, eu construo uma ponte para todas as outras partes. Assim, nós recebemos a Luz completa de NRNHY (Nefesh, Ruach, Neshama, Haya, Yechida) ao invés da mínima Luz de Nefesh de Nefesh, que tínhamos no estado inicial.

O Criador nos criou como uma gota de sêmen. Depois, ao nos corrigir e retornar a Ele, nós usamos toda a “matéria” do nosso ego para crescer, a fim de nos tornar semelhantes ao Criador. Depois de tudo, o egoísmo se une a Ele em poder. Essa é “a ajuda igual a Ele”, o lado inverso do Criador. Porém, nós a transformamos no lado da face, ao corrigir o egoísmo que nos separa.

Todos se sentem como um, singular, e único, e todos usam sua individualidade para servir os outros, dirigí-la à nossa conexão mútua, à doação. Graças a isso, eu recebo uma conexão 620 vezes mais forte que meu egoísmo e experimento a Luz de NRNHY.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 23/11/10, O Zohar, Introdução, Artigo “A Noite da Noiva”

O Barco Das Nossas Intenções

Dr. Michael LaitmanPergunta: Durante a leitura do Zohar, se eu não consigo manter a intenção e não entendo porque ela é necessária, isso significa que eu estou “fazendo um furo no barco”?

Resposta: Em primeiro lugar, eu tenho que discernir se preciso do “barco”, e se pretendo conseguir algo ou não. O “barco” é a soma das nossas intenções, enquanto que os desejos sem a intenção não são nada além de um grande buraco. As intenções que nós podemos criar acima dos desejos constroem o “barco” para nós, o início (Rosh) de um nível, a tela e a Luz Refletida, o vaso espiritual (Kli). O Kli não é um desejo, mas a intenção acima dele.

Pergunta: Qual é a minha responsabilidade perante o grupo?

Resposta: Se eu estou tentando pensar na meta, eu assumo a responsabilidade por meus amigos, de que eles também estarão pensando nisso. Se eu estou protegendo o nosso “barco” com as minhas intenções e quero que a gente o construa como um completo Kli que tem tela e Luz Refletida, e se estou cuidando dele com todo o meu coração, de  modo que meus amigos também pensem constantemente nele, desse modo eu os mantenho na intenção.

Isto é o que é chamado de garantia. O que eu garanto? Eu garanto que eles não abandonarão a meta.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/11/10, O Zohar

Qualquer Um Pode Fazer Isso

Dr. Michael LaitmanPergunta: Um avarento pode alcançar a doação?

Resposta: Nenhuma pessoa é incapaz de mudar, desde que ela seja mentalmente sã. Todos nós somos “pecadores” e “transgressores”. É por isso que nós nos dirigimos à  sabedoria da Cabala: nós queremos que a Luz nos corrija, de modo que possamos merecê-la e nos tornemos semelhante a ela.

Não existe nada em uma pessoa que possa se tornar um obstáculo intransponível. A pessoa tem a oportunidade de corrigir-se, se evitar fugir e desprezar o trabalho espiritual.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/11/10, O Zohar, Introdução, “A Rosa”

Números Indicam Qualidade, Não Quantidade

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é “uma rosa com treze pétalas”?

Resposta: Na Cabalá, os números caracterizam um estado. Em geral, nós estudamos os estados do nosso desejo em relação ao Criador. Existem apenas dois jogadores neste jogo: o desejo de desfrutar e a Luz (o Criador). Os Cabalistas nos descrevem suas interrelações.

Existem diferentes maneiras de fazer isso. Uma das opções é a característica do número. Os números não designam um valor numérico, mas apontam para as características dos estados. Cada número traz uma essência interior específica e simboliza algo.

O número 13 indica adição, ou seja, as Sefirot HaGaT adicionais. Todos os outros números e seus valores numéricos (Gematria) são calculados de acordo com o mesmo princípio.

Em geral, não existem cores, distâncias, ruídos, ou formas na espiritualidade. O que quer que os Cabalistas nos descrevam, eles sempre apontam para o caráter da interação entre o desejo e a Luz. Tudo se resume a um único parâmetro: de que forma o desejo torna-se similar à Luz em todas as suas qualidades.

Cada desejo é composto por 10 Sefirot ou 613 partes. Assim, cada desejo pode ser considerado como certa totalidade ou volume; ele não é algo único, mas um conjunto de vários detalhes de percepção. Como resultado, nós atribuímos a ele um nome, o caracterizamos com certa luz, som e forma. Mas, no final, nós sempre comparamos o desejo com a Luz.

Da mesma forma, todos os objetos do nosso mundo, desde os sólidos até os gasosos, podem ser retratados sob a forma de ondas com certo comprimento, o que desenha imagens em nossa consciência.  

Da 1ª parte da Lição Diáriade Cabalá 29/11/10, O Zohar, Introdução, “A Rosa”

Você Verá Um Mundo Invertido….

Dr. Michael LaitmanNós existimos dentro de um sistema de forças, no único lugar que o Criador criou – Malchut do Infinito, que está em um estado completamente corrigido (Gmar Tikkun). Nós somos opostos a ele e estamos em ocultação, por trás de 125 níveis que ocultam de nós esse verdadeiro estado. Eu não sinto o verdadeiro estado em que me encontro, e devido à minha sensação, eu estou por trás de 125 níveis de ocultação, filtros que reduzem tudo, colocando-me dentro da névoa e da confusão.

Eu tenho que remover essas ocultações e fazê-lo de tal forma que as absorverei interiormente, transformando-as em revelações. Eu tenho que fazer isso com cada estado, cada véu, e cada nível.

Depois de passar por todas essas ocultações eu fico completamente oposto ao verdadeiro estado, devido à oposição das minhas qualidades interiores. No entanto, se eu pego essa ocultação e desejo ascender sobre ela com a ajuda da Luz, então toda a ocultação se transforma em conhecimento, sensação, revelação e realização.

É assim que nós avançamos da separação total (com exceção da centelha espiritual que desperta em nós) até o nível mais elevado. No entanto, a ocultação não se revela para mim dentro deste mundo. Eu tenho que abandonar completamente este mundo. Essas ocultações tornam-se reveladas entre eu e a Luz, ou entre eu e o Criador.

É por isso que os Cabalistas dizem: “Deixe este mundo em paz, não corrija-o! Ele não está sujeito à correção!”. Você tem que corrigir a sua atitude em relação ao Superior, o Criador. Você tem que transformar a perturbação que você percebe entre vocês em revelação. Esta perturbação é uma camada de matéria, o seu ego, separando vocês dois. É por isso que nós não corrigimos este mundo e, de fato, não temos que fazer nada com ele. Quanto mais você trabalhar na sua conexão com o Criador, mais a Luz brilhará para você e você verá um mundo diferente e invertido.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/11/10, O Zohar

As Perturbações Representam A Linguagem Do Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significa “estar acima das perturbações”?

Resposta: “Acima das perturbações” significa que eu as recebo, processo, mantenho, e permaneço acima delas, como se estivesse acima das ondas.

Eu não as elimino. Elas permanecem dentro de mim e, ao ascender acima delas, eu entro em contato com a Luz, o Criador, Aquele que me dá. Ele me dá essas perturbações de modo que acima delas eu possa me aproximar Dele.

As perturbações representam uma linguagem. O Criador desperta minhas qualidades interiores, que são opostas a Ele. Se eu ascender sobre essas qualidades opostas, eu entrarei em contato com Ele.

Por enquanto, esse contato não é sentido de forma plena, mas, através dele, eu começo a sentir Sua atitude. Eu começo a valorizar estas perturbações, porque elas me colocam em contato com o Criador. Sem elas eu nunca entraria em contato com Ele.

As perturbações me mostram o que nos separa, nos impedindo de entrar em contato uns com os outros. Se eu ascendê-las, eu supero o obstáculo e adquiro certa conexão com o Criador.

Portanto, nós devemos agradecer todas as perturbações; devemos processá-las de forma correta e tratá-las como um obstáculo que devemos superar para atingir a conexão com o Criador.

A qualidade que me separa do Criador torna-se a qualidade que nos conecta, se eu ascendo sobre ela. Embora isso pareça uma perturbação para mim, eu não o percebo como uma perturbação, mas como um meio para criar uma conexão com o Criador.

Se eu me anulo e desejo estar acima das perturbações, eu “nado” sobre elas como um pedaço de madeira sobre as ondas, estando constantemente em contato com o ar. Portanto, eu não elimino as perturbações, mas estou acima delas. Eu preciso delas para ascender sobre elas.

Da 2ª parte da Lição Diária de cabalá 29/11/10, O Zohar

Conserte Minha Alma!

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que nós podemos fazer para forçar a Luz Superior a nos elevar ao primeiro nível espiritual?

Resposta: Só existe uma resposta: continue tentando verificar: Você está realmente dirigindo-se à Luz Superior ou à sua fonte, o Criador? Você está juntando todos os elementos? Porque se você não estiver, então você está se desviando do caminho; você não está se dirigindo ao lugar certo e não está entrando no vaso quebrado (Kli) de sua alma, dizendo: “Por favor, conserte-a para mim aqui!”.

Suponha que você pegue um balde furado, vá a um ferreiro, e diga: “Olha, há um buraco aqui. Eu quero que você o conserte”. Então, de acordo com o seu pedido, ele vê o buraco e o fecha.

O mesmo acontece na espiritualidade. Você tem que levar seu vaso (desejo) com o local da quebra e dizer o que precisa ser feito, o que significa para você ser corrigido. Então a Luz certamente fará com que isso aconteça.

A Luz deve realizar isso; essa é a ação em si. O seu trabalho é preparar a intenção para esta ação. A Luz imediatamente cola, repara ou põe um remendo. Isso é feito pela Luz. Mas cabe a você fazer o resto.

Nos níveis espirituais superiores, você tem que levar o Kli sabendo exatamente a extensão da quebra e como ela pode ser corrigida. Nesse ponto, você toma o exemplo da correção do Superior; você concorda com ele total ou parcialmente. Você não analisa apenas a intenção, mas os tipos de correção.  

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/11/10, O Zohar

Os Quatro Exílios

Dr. Michael LaitmanOs quatro exílios descritos no Zohar são nossos “filósofos interiores”, que nos obrigam a trabalhar “dentro da razão”, no desejo de receber prazer, e seguir todos os seus comandos. Sair deles significa elevar-se acima da mente, acima do desejo, com a ajuda da Luz que Corrige.

Assim, se eu sinto que estou imerso em minha mente e sensações, e trabalho apenas dentro deles, será que eu estou ou não no exílio? Será que eu concordo com o meu estado? Talvez eu ainda ame a minha mente e sentimentos, tenha fé neles, estude, entenda e acumule mais conhecimento e sensações a cada dia?

Por um lado, isso é bom. No entanto, se a pessoa não percebe que tudo isso é um meio para alcançar a espiritualidade, isso é ruim, já que ela não faz nada por isso. Ela só obtém a falsa confiança de que um dia esta abordagem a levará à espiritualidade. Mas isso nunca acontecerá, pois a pessoa não estuda através da sua mente. Não importa o quanto você sabe, você não se aproximará nem um centímetro da espiritualidade.

Então o que devemos fazer? Devemos fazer uma análise. Isso se chama “e eles clamaram a partir deste trabalho”. A pessoa percebe que ao usar toda sua força durante os “sete anos de fartura”, ao alcançar dentro de sua mente e sentimentos, e compreender o que estava escrito em todos os artigos, ela não conseguiu nada. O texto impresso no papel ficou gravado em suas células cerebrais, mas isso é tudo que ela tem agora …

Então, ela faz outra análise: “Eu só preciso da Luz que Corrige! Tudo o que eu tenho dentro de mim e eu mesmo, tudo isso não tem nada a ver com espiritualidade”.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/11/10, O Zohar, Introdução, “Dentre Todos os Dábios das Nações do Mundo, Não Há Ninguém como Você”

No Caminho Espinhoso

Dr. Michael LaitmanO Zohar, Capítulo “A Rosa (Shoshana)”: Rabi Hizkiya começou [seu discurso]:”Está escrito: ‘Como uma rosa entre os espinhos’”. …

A rosa é Malchut e inclui todas as almas que desejam rejeitar o seu egoísmo e se unir. Isso só é possível com a ajuda da Luz que Corrigir. Toda pessoa que aspira atingir o Mundo Superior, para revelar o Criador, aspira essencialmente à unificação geral dentro de Malchut. Ela é o lugar onde o Criador se revela.

O Livro do Zohar fala sobre como este lugar é construído a partir dos desejos que são dirigidos à revelação, das aspirações espirituais de pessoas que estão prontas para se unir ao caminho em direção à meta. Nós entendemos que somos incapazes de fazer isso. No entanto, a Luz age dentro Malchut, dentro da “rosa”, apesar dos espinhos que se interpõem no caminho da união. Quem quiser revelar o Criador está disposto a conviver com esses “espinhos” e fazer o seu caminho através deles em direção à “rosa”.

É isso que os nossos esforços devem visar, a despeito do egoísmo que sempre nos afasta da meta. No entanto, nós devemos superar os espinhos em volta da rosa e unir todos os nossos desejos em um só.

Assim, nós atrairemos a Luz que Corrige e revelaremos o Superior.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/11/10, O Zohar

A Caverna De Machpelah: O Lugar Da Vida Espiritual

Dr. Michael LaitmanQuando nós nos desenvolvemos na linha média, devemos conectar a qualidade de doação (Bina, a linha direita) com a qualidade de recepção (Malchut, a linha de esquerda), corretamente. Sua união forma um Kli (vaso) chamado de “caverna”, e esta caverna é dupla (Machpelah). Na “terra” (Malchut) há espaço adequado para se viver, enquanto que a vida é Bina.

Mas antes que Bina possa entrar em Malchut, deve haver uma ação inversa: Malchut deve entrar em Bina, pois esta sabe como acomodar Malchut, para que Malchut saiba como exigir a participação de Bina.  Como resultado, forma-se a penetração recíproca de Malchut e Bina ou a “caverna dupla”, e ela é a base da correção geral do ser criado.

Uma vez que este é o lugar da correção, os antepassados, os desejos corrigidos pela intenção de doar, residem nele. Eles alcançaram a conexão correta de Bina e Malchut: recebem em Malchut e doam à Bina, isto é, trabalham com recepção e doação.

Mas o que fica enterrado? Nós enterramos a intenção de receber, que envolve o desejo como uma casca (Klipa), transformando-o em uma inclinação ao mal. Portanto, o enterro é considerado como o ato de correção.

Nós não tocamos desejos: quanto maior eles forem, melhor. Mas a cada grau, ou em cada geração, nós enterramos a “intenção de receber para a auto-gratificação” e nos tornamos corrigidos ao estabelecer o equilíbrio entre a recepção e doação.

Da Lição sobre a Porção Semanal da Torá 29/10/10