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O Que Celebramos Em Pesach

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quem são os Egípcios e os filhos de Israel em termos do trabalho espiritual?

Resposta: A Torá fala de uma pessoa como de um objeto que inclui em si o mundo inteiro. Tudo está dentro da pessoa.

Os Egípcios em nós são forças egoístas; o povo de Israel são forças altruístas ou forças que querem ser altruístas, mas estão sob o comando dos Egípcios (egoísmo). O Faraó representa a totalidade do ego em que nós existimos.

O Criador é a força superior que controla o Faraó, Moisés e todos os outros. Sua tarefa é trazer toda a criação à equivalência de forma com Ele, ao altruísmo. Mas isso requer o reconhecimento do ego como um mal e a saída dele.

Moisés é a força que representa a parte do Criador que existe dentro da pessoa e que a puxa para a revelação e realização das qualidades espirituais superiores. Entre estas forças ocorrem interações quando a pessoa sente dentro de si quais de seus desejos são egoístas, quais são altruístas, quais deles necessitam de uma conexão com o Criador e quais se agarram ao Faraó.

Desta forma, ela os classifica internamente e, como resultado deste trabalho, entende o que realmente a impulsiona. Ela vê que está completamente sob o controle do Faraó. Para onde quer que se vire, em todos os lugares, ela descobre o Faraó escondido dentro dela.

Ela acha que já trabalha em prol da doação e amor ao próximo, que está acima de todos os desejos egoístas terrenos, mas ela ainda continua revelando-os dentro de si mesma. No final, ela não apenas se desespera, mas está convencida de que o Faraó a possui 100%.

Mas, ao mesmo tempo, um ponto especial chamado Moisés, que resiste ao Faraó, emerge dentro dela. Ela começa uma luta com o Faraó e condena-se às dez pragas do Egito que deve passar por cima do ego. Desta forma, a pessoa começa a entender que pode se livrar do ego. Mas como ela pode fazer isso? Não está claro ainda.

Com essa sensação ela entra em uma noite escura, onde, por um lado, não consegue ver e entender como a redenção acontece, mas, por outro lado, deseja-a apaixonadamente. Esta noite é chamada de noite da saída do Egito e nós a celebramos em Pesach.

Nova Vida # 715 – Os Filhos De Israel No Egito, Parte 1

Nova Vida # 715 – Os Filhos De Israel No Egito, Parte 1
Dr. Michael Laitman em conversa com Oren Levi e Nitzah Mazoz

Como o Egito representa o ego de uma pessoa? Como as figuras na história sobre o êxodo do Egito ilustram as forças que operam em uma pessoa, e qual é a analogia entre a escravidão do Egito e a crise que o mundo está passando hoje?

Resumo

A história do êxodo do Egito em seu sentido literário é bem conhecida em todo o mundo, por que não é clara? No entanto, se quisermos penetrar no significado profundo dessa história e compreender as forças que constroem as figuras nela, devemos nos afastar da simples descrição dos personagens da história. Nosso mundo é gerido da mesma forma que diferentes forças criam a exibição em uma tela de computador. A realidade é feita de duas forças: a força de doação e a força de recepção, o Criador e a criatura.

A mão do Criador transforma as imagens desde dentro, e também motiva Bátia a tirar Moisés do Nilo. Moisés simboliza uma força especial que deve corrigir todos os outros desejos que estão no atributo de recepção e levá-los para fora do Egito, que simboliza o ego. Moisés foi criado como um príncipe na casa do Faraó, o sistema egoísta do capitalismo saudável, onde todos se preocupam apenas consigo mesmo e tudo gira em torno do dinheiro.

Dinheiro (Kesef) representa a capacidade de cobrir (Kisuf) (mesma raiz, em hebraico), a capacidade de pagamento pela satisfação do meu desejo, enquanto o Egito simboliza o mesmo sonho que nós temos em nosso mundo hoje. Hoje, já não podemos gerir o nosso mundo desta maneira porque é contra o Criador, a qualidade de amor e doação, e por isso temos que avançar para um sistema onde cada um examina o que pode dar aos outros e não receber.

Quando os filhos de Israel fugiram do Egito, foi porque eles não queriam viver de acordo com seu desejo por dinheiro, de acordo com o desejo de receber, e sentiram que isso significava a morte para eles. A alternativa é viver no amor, não no orgulho, e é isso que Moisés representa.

De KabTV “Nova Vida # 715 – Os Filhos De Israel No Egito, Parte 1”, 14/04/16

The Jerusalem Post: “Pesach – Uma Chance De Passar Por Cima


Meu artigo “Pesach – Uma Chance De Passar Por Cima”*, foi publicado recentemente no The Jerusalem Post, uma fonte de notícias em inglês para os judeus.


“Pesach – Uma Chance De Passar Por Cima”

Logo, como fazemos todos os anos, vamos estar sentados mais uma vez em torno da mesa do Seder.

De acordo com o calendário judaico, Pesach é realmente o início do ano. Oficialmente, o ano começa em Rosh Hashanah, mas o calendário judaico tem também um nível mais profundo escondido, que descreve o nosso desenvolvimento interno, espiritual.

A nação judaica é especial. Ela não foi formada por um parentesco biológico ou proximidade geográfica, mas pela adesão a uma ideia: a ideia de unidade! Nós nos tornamos uma nação somente quando concordamos em viver “como um homem com um só coração”, e nos foi dada a tarefa de ser “uma luz para as nações” quando nos comprometemos a amar o nosso próximo como a nós mesmos. E Pesach é o lugar onde tudo começou.

Até o nascimento de Moisés, o povo de Israel era muito feliz no Egito. Eles eram prósperos e ricos, e desfrutavam as amenidades da vida de “panelas de carne” e “pão em abundância” (Êxodo, 16:3). Mas a satisfação material só pode nos levar para longe. É da natureza humana que, uma vez que temos o que queremos, começamos a querer algo mais, algo maior. Nesse ponto, começamos a buscar prazer na conexão humana.

Esse momento inicial é o nascimento de Moisés: a aspiração à fraternidade e conexão. Ele existiu desde o princípio, amadurecendo na casa do Faraó e desfrutando os prazeres materiais que a vida tem a oferecer até que teve seu preenchimento.

Nesse momento começa o exílio no Egito. O Faraó, o nosso egoísmo, não pode se render a essas ideias “nobres”, como fraternidade, conexão e responsabilidade mútua. Ele as odeia e despreza.

No entanto, quanto mais os filhos de Israel se desenvolviam como indivíduos e como sociedade, mais sentiam que a unidade era o próximo passo, e um cenário deveria acontecer. Os filhos de Israel passaram por um processo semelhante ao que acontece hoje, onde estamos percebendo que a nossa felicidade, saúde e bem-estar geral dependem da qualidade das nossas relações sociais. O Faraó não queria torturar os filhos de Israel; ele simplesmente queria que eles continuassem a atendê-lo, ou seja, ao ego, ao invés de seguir Moisés, isto é, visar à fraternidade e o cuidado mútuo. E quando eles não concordaram, ele se tornou o rei vicioso que conhecemos da história.

Nossos antepassados ​​insistiram em sua unidade e acabaram vencendo. Eles se uniram ao pé do Monte Sinai e receberam a lei, cuja essência o Santo SHLAH expressa com estas poucas palavras: “O amor é o mandamento onde se sustenta toda a Torá: ‘Ama o teu próximo como a ti mesmo'”. Os filhos de Israel cuidadosamente se limparam do chametz [fermento], o egocentrismo dentro deles, e passaram por cima do egoísmo para a fraternidade, até que se tornaram uma nação unida pela visão do amor ao próximo.

Hoje, na medida em que estamos acordando do sonho americano para a realidade de que não podemos basear nossa sociedade na concorrência e isolamento, estamos começando a nos sentir cada vez mais como os filhos de Israel no exílio. Até aqui o Egito foi bastante divertido, mas agora ele está se tornando hostil e parece cada vez mais como o exílio.

Agora é a hora de reacender nossa fraternidade e amor ao próximo e passar por cima mais uma vez. É o início de um novo ano, uma nova era em nossa sociedade. É hora de mudar para um novo paradigma de relações.

A cultura do “eu, eu, eu” se esgotou porque simplesmente não estamos felizes confinados a nossas conchas separadas. Para sermos felizes, nós, descendentes dos filhos de Israel, devemos nos mover como os nossos antepassados: ​​do egoísmo para a fraternidade e responsabilidade mútua.

Imagine a vida que teremos quando cuidarmos uns dos outros. Ninguém vai ter que lutar pelas provações da vida, porque todo mundo vai ajudar. Da mesma forma, vamos desfrutar ajudar os outros. E como cada um de nós contribui com seu próximo, nossos laços irão se fortalecer e criar um vínculo que irá construir uma sociedade baseada na amizade, calor e unidade. “Ama o teu próximo como a ti mesmo” deixará de ser um clichê, e vai se tornar o que sempre foi concebido para ser: a nossa realidade.

Recentemente, tem havido numerosas referências na imprensa à desunião da comunidade judaica. É um bom sinal. Isso mostra que estamos começando a ver a fragmentação e alienação como a raiz de nossos problemas. Sempre teremos diversidade, mas, ao invés de temê-la, devemos abraçá-la! Quanto mais diversificados formos, mais nossa fraternidade vai crescer, enquanto valorizamos a unidade acima de tudo.

E há outro bônus. Ao nos unirmos acima de nossas diferenças, vamos apresentar um modelo de uma comunidade próspera, que prospera por causa de sua diversidade, e não apesar dela. Isso é algo que o mundo de hoje precisa desesperadamente. Nós podemos oferecer isso. Nós tivemos isso quando saímos do Egito, e podemos reacendê-lo agora e compartilhá-lo com o mundo. Nisso nós podemos nos tornar “uma luz para as nações”, um farol de esperança para o mundo.

Nessa Pesach, vamos passar por cima da alienação à fraternidade, da indiferença à responsabilidade mútua. Em suma, vamos todos sair do Egito, juntos.

* Pesach em inglês é Passover, que significa “passar por cima” (nota do tradutor).

Por Que Não Comemos Chametz (Alimento Fermentado) Em Pesach

laitman_961Pergunta: Por que não podemos comer Chametz em Pesach (Pesach Judaica)?

Resposta: Porque Chametz simboliza a conexão entre a farinha e a água. A farinha simboliza o atributo do desejo egoísta e a água simboliza o atributo do desejo altruísta.

Assim, em Pesach, nós estamos na fase final da dominação do ego e começamos a sentir que o egoísmo nos controla em tudo já que não temos o atributo de Hassadim, o atributo de Hesed, o atributo da água, simbolizado pelo Matzá.

Matzá é a conexão entre a farinha e água. Eles são misturados por um período de tempo muito exato, por 18 minutos, de modo que a farinha não comece a subir. Se eles são misturados por muito tempo, temos que amassar constantemente a massa sem parar …

Este processo simboliza o nosso trabalho com o egoísmo, o processo em que temos que continuar a trabalhar com ele, dando-lhe novas formas repetidas vezes, movendo-se para o altruísmo. Então é possível.

Mas, em princípio, não é possível trabalhar com o Chametz por mais de 18 minutos, o que significa que a conexão deve ser mínima, tal como aparece no nosso egoísmo. O que é o altruísmo? Que nós queremos mostrar boas intenções em relação a alguém para que o ego se beneficie disso? O Matzá simboliza a falta de água, a falta de Hassadim, a falta de Hesed, em nossa atitude egoísta, e por isso que é chamado o “pão da pobreza”, o que significa a pobreza de um grande coração, na abertura entre as pessoas.

É costume comer Matzá na véspera de Pesach, porque é nesta noite que revelamos até que ponto não temos o atributo de amor e doação entre nós, o atributo de Bina, ou o atributo de Hesed. Nós estamos prontos para qualquer coisa, contanto que possamos sair desse estado egoísta, e por isso comemos Matzá na noite de nossa libertação do egoísmo.

De KabTV “Notícias com Michael Laitman” 13/04/16

Moisés

laitman_740_02O primeiro herói do feriado de Pesach é Moisés, o líder espiritual. Esta é uma qualidade especial dentro da pessoa que a leva ao êxodo do Egito.

Se não falarmos de Moisés como uma qualidade dentro da pessoa, mas como um personagem, então ele não era um líder nato. Moisés é uma pessoa que está fechada dentro de si, que quer alcançar, estar consciente do mundo ao redor, de suas características, dela mesma.

Moisés viveu no palácio do Faraó e usou todos os benefícios que lhe eram devidos como príncipe. No palácio eles o respeitavam e ele aprendeu a sabedoria egípcia, magia, tudo o que era usado no Egito em seu tempo na construção das pirâmides, na percepção do universo através da astronomia e tudo o que tinha sido desenvolvido naquela época. Moisés era um cientista e tudo isso era muito atraente, mas ele não estava conectado com os egípcios ou com o povo. Ele era simplesmente um príncipe.

Quando ele estava no exílio do Egito, o Criador pediu que ele voltasse ao Egito e ele obedeceu, mas sem qualquer intenção pessoal. Quando voltou ao Egito, ele foi ao seu avô, o Faraó, e sua madrasta, Batia, como um adversário, opondo-se a eles e dizendo ao Faraó: “Deixe o meu povo ir” (Êxodo 5:1). Mas Faraó se opôs a isso e argumentou, “Os filhos de Israel estão vivendo aqui com suas famílias e gado; eles gerenciam suas famílias e têm sido meus por algum tempo já. Eles não pretendem ir a qualquer lugar”. Imagine uma situação em que, aparentemente, exigíssemos do Presidente Obama, “Deixe os judeus ir a Israel”. E ele respondesse: “Não tenho a intenção de libertá-los; eu preciso deles para o desenvolvimento da economia, ciência e comércio. Tente se aproximar deles e ouça o que eles vão responder”.

Afinal de contas, os judeus estavam vivendo muito bem no Egito. Eles usavam todos os benefícios ainda mais do que os próprios egípcios. Por isso, foi impossível abordá-los de qualquer forma, mesmo do ponto de vista do Faraó e do ponto de vista dos próprios judeus. O povo de Israel era gordo, preguiçoso, e estava sob a influência de tradições, cultura, ciência, artes e entretenimento dos egípcios. Eles tinham tudo o que precisavam, incluindo enormes pastagens para seu gado. Pode-se dizer que eles viviam no melhor lugar no mundo.

No momento em que Moisés começou a pedir ao Faraó para libertar o povo de Israel do Egito, eles começaram a sentir o lado mau do Faraó: golpes, pressão, opressão, impostos, grandes perseguições e pogroms. Em geral, tudo o que temos visto ao longo da história dos judeus de repente começou a aparecer no Egito com o povo que tinha sido totalmente mimado em todos os sentidos! Assim, a atitude do Faraó para com Moisés tornou-se acentuadamente negativa. Apesar disso, Moisés foi ao Faraó de acordo com o comando do Criador e exigiu dele, “Deixe o meu povo ir!”.

Moisés estava com medo do Faraó e do Criador, e não sabia o que fazer. Ele tentou convencer o Criador de que ele estava com a língua presa e gaguejava, que não era um líder natural. Mas o Criador respondeu: “Eu sei quem escolher, então adiante!” E ele foi. Além disso, quando o Criador disse: “Vamos juntos. Eu vou endurecer tanto o coração do Faraó que será preferível irmos juntos”.

A sabedoria da Cabalá fala sobre as características mais profundas e íntimas de uma pessoa, que ela deve discernir dentro de si mesma, especificamente através da via do desenvolvimento espiritual em que uma pessoa começa a procurar dentro de si pelas características de Faraó, Moisés, Criador, povo de Israel, Egito e todo o resto das imagens na Torá.

Em última análise, ela atinge um estado de escuridão absoluta quando entende que não pode deixar o Egito, não quer deixá-lo, e não sabe que forças lhe possibilitarão fazer isso. Então, à noite, um poder imenso, uma tempestade, irrompe, relâmpagos e trovões no sentido espiritual. A pessoa está num pânico terrível! Mas ela corre atrás do Criador.

O êxodo do Egito acontece às pressas;  de onde e para onde é desconhecido. O que importa é que o Criador quer isso, e a pessoa realiza a Sua vontade.

Não há mais nada! O que importa é que o Criador quer e nós O seguimos, porque é impossível obter os nossos suportes usando nossos sentimentos ou conhecimento – nem através do coração ou da mente. Só a força superior mostra à pessoa onde ela deve ir. O Criador leva você por uma coluna de fogo ou nuvem, e você vai;  não pode ser de qualquer outra forma.

Para ser completamente purificado do Egito e levar tudo acima de sua razão e sentimento, você deve saltar no mar! O mar é um estado terrível no qual cabe à pessoa dar um passo totalmente contrário a todas as suas emoções e razão! Depois disso, nada resta do que era seu! Ela existe completamente pura. Neste estado ocorre um nascimento espiritual. Depois da completa purificação da memória física e emocional, começa uma nova vida.

De KabTV “Notícias com Michael Laitman” 11/04/16

Faraó

laitman_951Pergunta: O que o Faraó representa?

Resposta: O Faraó é uma força imensa. Eu não vou falar dele como uma personalidade porque de forma prática esse personagem realmente não existe. A sabedoria da Cabalá examina o Faraó como o imenso ego que é criado pelo Criador. Ele desenvolve e absorve tudo em seu egoísmo e está pronto para devorar o mundo inteiro.

Ele é insaciável e gradualmente se revela na medida em que a humanidade se desenvolve. Quanto mais nós nos esforçamos para fazer algo no mundo e conseguimos alguma coisa, mais ele devora, deixando-nos sem esperança de mudar o mundo para melhor ou um futuro feliz. Pelo contrário, o mundo só se torna cada vez pior.

Mais e mais pessoas estão insatisfeitas com a vida. Antes nós pensávamos que poderíamos se dar bem, mas hoje não pensamos. Hoje as pessoas não se sentem seguras nas aldeias mais distantes, nem economicamente ou a partir do aspecto da existência material. Agora as pessoas estão tão ligadas ao mundo inteiro que não podem se alimentar. Este é um paradoxo, mas o agricultor não pode se alimentar de sua própria terra.

O Faraó (egoísmo) engole isso, porque nos une tanto que não podemos ser independentes uns dos outros. Ele torna o nosso mundo integral, global e interconectado, uma pequena aldeia na qual todos nós dependemos uns dos outros. E aqui vemos que não podemos lidar com ele.

O egoísmo nos leva à necessidade de estarmos devidamente interconectados uns com os outros. Isso significa que o próprio Faraó, ao transformar nosso mundo para que ele se torne mutuamente conectado, nos leva a um estado onde o odiamos e, assim, transformamos o nosso mundo em um outro com boas conexões entre nós. Caso contrário, não seremos capazes de continuar vivendo. Mas o Faraó nos dirige continuamente contra a unidade. Assim, por um lado, mesmo que ele desperte em nós o desejo de unidade e atue de modo que não possamos viver sem fazer as conexões corretas entre nós, pois, caso contrário, não poderemos nos prover até mesmo com as coisas mais essenciais, e, por outro lado, ele não vai nos deixar unir. Este contraste resume o mérito do Faraó.

Portanto, ele é chamado de um “anjo do Criador”. Ele foi criado pelo Criador como o Jano de duas faces, onde de um lado ele nos obriga a se conectar e unir, e do outro lado não vai nos deixar se aproximar um do outro. Portanto, nós começamos a entender que não temos outra saída além de subir acima dele, escapando dele. Por isso, nós fugimoa dele. Isao significa que a fuga do Faraó, da nossa natureza, do nosso ego, é o Êxodo do Egito.

Isto não é fácil, porque ainda depende de nós descobrir tudo isso dentro de nós. Nosso tempo é único. Nós estamos agora descobrindo tudo o que o Criador preparou para nós na forma do Faraó. O Faraó está agora sendo revelado entre nós na forma do mundo global e integral, e, ao mesmo tempo, individualmente, ele não nos permite existir de acordo com esse mundo integral. Portanto, precisamos respeitar o Faraó, porque ele nos leva para fora do Egito.

De KabTV “Notícias com Michael Laitman” 12/04/16

As Dez Pragas Do Egito

Laitman_514_04Pergunta: O que são as “dez pragas do Egito”?

Resposta: O propósito da criação é ir ao próximo nível de existência, o mundo superior. Enquanto vivemos na Terra, temos que sentir o mundo superior, ver o sistema de gestão, o Criador de tudo o que existe neste mundo e que está escondido de nós hoje.

O egoísmo, que é a nossa base, a enorme força da natureza que devemos transcender, é quem nos “dirige”. Por um lado, o ego nos impulsiona para cima; por outro lado, ele não irá nos libertar. Afinal, se fosse para nos conduzir como de costume dentro de si mesmo através de todas as configurações e estruturas por meio das quais temos passado no curso da evolução – a era humana primitiva, a era da escravidão, a era feudal, a era capitalista, e a era socialista – não seria claro para onde iríamos continuar.

Mas o egoísmo coloca uma “parede” na nossa frente, não podemos avançar; assim, a fase atual é chamada de “a última fase do desenvolvimento humano na Terra”. Em outras palavras, o egoísmo está nos obrigando a nos tornarmos redondos, para se unir por um lado, mas por outro lado, ele não vai nos deixar unir. Portanto, a única solução que podemos alcançar é transcender o “Faraó” (egoísmo), acima do Egito, para o próximo nível de existência, o sistema superior de gestão.

É sobre isso que a sabedoria da Cabalá fala. Isto é o que temos que alcançar. As “Dez Pragas do Egito” existem para se separar completamente do egoísmo. Isto é porque o nosso egoísmo é formado de dez partes, que são as dez Sefirot: Keter, Hochma, Bina, Hesed, Guevurá, Netzah, Hod, Yesod e Malchut. Cada uma delas “retrata” para nós um tipo particular de existência dentro do ego.

Nós devemos nos libertar gradualmente destas dez Sefirot, destes dez modos de existência. Isso acontece quando começamos a ver que cada um deles é finito, incompleto, levando a um beco sem saída e sem nos dar esperança de continuar nossa existência dentro do ego.

A fase final de cada um destes dez níveis, dessas características, dessas partes do nosso ego, é as dez pragas do Egito. Depois delas, não é mais possível permanecer dentro do ego. Em vez disso, nós devemos nos levantar e fugir disso cegamente. No nível atual, não podemos ver o próximo nível. Assim, a fuga do Egito acontece à meia-noite, na escuridão total.

As dez pragas do Egito são, de fato, uma separação do nosso egoísmo, quando fugimos no escuro e não está claro para onde estamos indo. Mas o principal é que estamos fugindo dele! Assim, gradualmente, desenvolvemos diante de nós uma nova vida, um novo mundo, novas extensões eternas, infinitas e perfeitas.

Pergunta: É possível passar sem as pragas?

Resposta: Não. Na verdade, não é dor, mas introspecção, iluminação. As pragas passam sobre o nosso ego e nestes estados nós nos elevamos acima dele!

Comentário: Acontece que se eu me identifico com o ego, eu sinto as pragas. Mas se eu subo acima dele, ou seja, me identifico com Moisés que está me levando para a frente, eu não as sinto.

Resposta: É assim que funcionam as pragas. Elas obrigam a pessoa a subir acima delas, e ela deixa de sentir o ego. Se a pessoa é elevada acima disso, ela deixa de senti-lo. Então, uma nova vida descontraída começa.

Na verdade, as dez pragas não são realmente pragas. Elas são o presente mais elevado que o Criador dá a uma pessoa, empurrando-a para fora do egoísmo com força. Portanto, vamos lá, vamos fugir disso e ganhar um novo mundo!

De KabTV “Notícias com Michael Laitman” 12/04/16

Nova Vida # 713 – O Seder E O Nascimento Do Povo De Israel

Nova Vida # 713 – O Seder E O Nascimento Do Povo De Israel
Dr. Michael Laitman em conversa com Oren Levi e Yael Leshed-Harel

Resumo

Como a nossa situação atual como povo é análoga à situação dos filhos de Israel na história do Êxodo do Egito? Do que nós devemos ser libertados para se tornar um povo livre e por que o feriado de Pesach simboliza o nascimento do povo de Israel?

A noite do Seder simboliza o nascimento do povo de Israel, a saída do ventre que se tornou apertado e opressivo. Ainda hoje estamos vivendo em um mundo cheio de pressões que eles dizem vão nos fazer avançar ao nosso nascimento em um mundo novo. A noite do Seder é como um jogo de família, como um teatro, e nos conecta como povo. Na noite do Seder nós passamos por tudo o que foi dito a Abraão no “Brit Bein HaBatrim” (Pacto Entre as Partes) (Gênesis 15:7-21). Abraão queria saber o que iria levar a humanidade à conexão e amor, e o Criador respondeu-lhe com o exílio no Egito.

O Egito simboliza o desenvolvimento capitalista, a prosperidade, e os seus problemas. Como hoje, há uma abundância material em nosso mundo, mas sem satisfação espiritual. Por conseguinte, o transtorno de depressão se desenvolveu seguido pela fabricação de sedativos.

A Torá fala sobre o que parece ser situações externas para explicar situações internas. Assim que decidirmos que queremos fugir do Egito, dez pragas para o nosso ego são necessárias porque o ego é o que nos impede de estar conectados e sentir que somos um povo, em vez de ódio infundado e divisão. A destruição do Beit HaMikdash (Templo) foi resultado do ódio infundado, antes que surgirmos como uma nação. Por enquanto, somos uma reunião de exilados. Só a conexão e o amor entre nós podem nos transformar em um povo, porque a Luz sai especificamente da escuridão.

De KabTV “Nova Vida # 713 – O Seder E O Nascimento Do Povo De Israel”, 12/04/16

Nova Vida #155 – O Seder De Pesach, Parte 2

Vida Nova #155 – O Seder de Pesach, Parte 2

Dr. Michael Laitman, na conversa com Oren Levi e Nitzah Mazoz

Resumo

Como podemos viver uma vida melhor como indivíduos e como uma família Israelita? O que nós organizamos na Véspera do Seder? E o que podemos aprender com isso a fim de melhorar a nossa vida?

O que é o Seder: nós celebramos a descoberta de que há uma ordem na criação, um plano, um programa de desenvolvimento, uma meta sublime.

No início, nossos antepassados eram adoradores de ídolos. Terach, Abraão, Egito e a conexão com a força superior. Isso não é história. Nós celebramos a possibilidade de revelar a ordem para sair da escravidão e sermos liberados.

A humanidade é conduzida como um rebanho e não percebe a ordem (“Seder” também significa ordem em hebraico). Muito poucos entendem e realmente gerenciam a ordem. A conexão com o software interno que opera a natureza faz com que tudo avance e leva a uma vida boa.

Israel exige uma nova ordem social, mas não entende muito bem o que ela é. Este é exatamente o sentimento da escuridão. A nova ordem tem que ser compatível com o nível de desenvolvimento definido pela natureza.

Moisés entende o Seder, já que ele sabe como se conectar à força superior, e, portanto, é o único que pode fazer as pessoas avançar. Ele as faz sair do ego, ascendendo a uma conexão fraternal e descobrindo a força superior do amor e doação entre nós.

Nós descobrimos uma mente e coração comuns através da educação integral, aprendendo o sistema de conexões e através de workshops de conexão. Nós somos escravos da ordem social atual: trabalhar, comprar, gastar, estando em uma perseguição constante! Não somos ainda capazes de escapar dessa escravidão, mas já existe um sentimento de amargura interna.

Hoje existem duas tendências: crescentes problemas externos, crise multifacetada e angústia interior.

Não seremos capazes de levar uma vida boa, saudável e alegre sem mudar a sociedade. Nós precisamos nos conectar e sentir a garantia mútua entre nós. Nós somos escravos do sistema social que construímos, ao Faraó, que nos obriga a viver da maneira que vivemos.

Perguntas para pensar: O que me controla? O que me afeta?

Nós somos os escravos da sociedade, e, portanto, apenas a atualização dos nossos valores sociais vai ajudar cada um de nós. Há apenas uma mudança que nós temos que fazer: adicionar o amor de Israel à sociedade, para que nos sintamos como uma nação. Nós precisamos de um processo socioeducativo: se sentar juntos várias vezes por semana. Nós também podemos fazer isso através da mídia.

Lição # 1: Hoje o mundo é conectado e integral; toda a natureza está em um estado de complementação mútua. Só o homem perturba o equilíbrio no mundo já que consome muito mais do que precisa.

O que provoca catástrofes naturais, guerras e revoluções? Na verdade, nós é que somos os senhores da criação que somos os mais miseráveis. Por quê? Porque não conseguimos controlar o nosso ego. Há duas condições para gerenciar nosso ego: consumo racional e boa comunicação com os outros.

Como você se comunica corretamente com os outros? Você se eleva acima de toda crítica que sente em relação aos outros. Desta forma nós chegamos à paz, complementação mútua e uma vida realmente boa. Há uma abundância do mundo e a única coisa que nos falta é a conexão. Nós podemos alcançar isso nos educando para viver uma nova vida, juntos, não sob pressão ou coerção.

Um workshop para o Seder: imagine que você ascendeu todos os seus sentimentos egoístas e está se relacionando aos outros de forma diferente. Descreva a nova atitude em voz alta. Nós sentimos uma atmosfera nova entre nós.

De Kab TV “Nova Vida #155 – Feriados: O Seder Israelita, Parte 2,” 12/03/13

Nova Vida # 154: O Seder De Pesach, Parte 1

Nova Vida #154: O Seder de Pesach, Parte 1

Dr. Michael Laitman, na conversa com Oren Levi e Nitzah Mazoz

Resumo

Quais são os significados ocultos de Pesach e os símbolos na Hagadá e por que podemos manter a tradição de gerações e celebrar o Seder?

Nimrod simboliza o ego que entrou em erupção e separou as pessoas. Terach foi um defensor de Nimrod. Abraão, seu filho, estava contra ele. Ele percebeu que avançar de acordo com o ego é um erro. De acordo com o ego, uma pessoa que é mais bem-sucedida tem mais êxito. A forma oposta é conexão e relações mútuas.

O método de Abraão era para usar o ego da maneira oposta, que permite a uma pessoa conhecer a sua natureza. A pessoa começa a sentir a força que constrói os desejos egoístas nela e a descobrir o Criador.

Nimrod e Terach perceberam que Abraão estava arruinando as coisas para eles. Abraão saiu com milhares de seus seguidores. O grupo de Abraão mudou-se para a terra de Canaã. O ego cresceu e houve grandes disputas, mas eles tentaram se manter conectados acima delas. Ego e anti-ego: há um trabalho interminável que leva ao reconhecimento da origem da vida, de uma nova vida.

Os filhos de Jacó representam diferentes métodos de trabalho acima do ego. José representa o método mais avançado. Eles desceram para o Egito, onde há os sete anos de saciedade, depois o ego cresce e o método de José se esgota.

Esses períodos são chamados de “níveis no trabalho de uma pessoa acima de seu ego”, que são sua ajuda contra ele. Depois, há os sete anos de fome em que nasce um novo rei que não conhece José. O ego não tem mais nada a ganhar.

O novo ego chamado Faraó é muito cruel. Ele não nos deixa viver e nos conectar. Uma nova força chamada Moisés é revelada e diz: “Temos que lutar contra o Faraó”!

Nimrod é um nível do ego e, em contraste a ele, há método de Abraão. O Faraó é um nível do ego e, em contraste a ele, há o método de Moisés. Moisés é uma atualização especial. Nós precisamos da força que constantemente constrói um novo ego em nós, o Criador.

Os filhos de Israel precisam entender que o novo ego os está arruinando, e as dez pragas desenvolvem este reconhecimento. Eles alcançam o estado de escuridão, a necessidade e a incapacidade de se conectar. Nós nos afogamos no pântano… na noite do êxodo do Egito.

Nós não temos poder para nos conectar, mas temos o poder para escapar do Egito por uma pequena força chamada Moisés. Esta é uma jornada interna de desenvolvimento do método de conexão, o ego crescente e o encontro no Monte Sinai.

Os filhos de Israel começam a reconhecer Deus, a força da natureza que está em toda parte e desenvolve tudo. O Faraó é o ego mais astuto que exige a revelação do software interno que constrói o ego. No encontro no Monte Sinai, a montanha de ódio é revelada, o Faraó que está entre eles.

Pesach é quando começamos a ser uma nação que está conectada à força interna que constrói a nossa natureza, a força superior. A conexão que sentimos entre nós é chamada de alma geral, e então a noite do êxodo do Egito é considerada um nascimento.

Então, por que fazemos uma limpeza para Pesach? Nós nos limpamos do nosso ego. Hametz (alimento fermentado) é igual ao ego; Matza é a força da doação.

De KabTV “Nova Vida #154: O Seder de Pesach, Parte 1,” 12/03/13