Textos na Categoria 'Estudo Cabalístico'

O Fim Do Mundo Está Chegando?

laitman_928Pergunta: De acordo com a sabedoria da Cabalá, nós estamos no final do período de 6.000 anos de existência do nosso mundo; nós estamos no ano de 5775. Será que isso significa que daqui a 225 anos, chegará o fim do mundo? Será que tudo vai ser destruído?

Resposta: Sim, isso é o que está escrito. Mas o que significa que ele será destruído? Nosso mundo será perdido; ele vai desaparecer de nossos sentidos. Pois o que você está sentindo agora lhe parece como uma realidade em que você existe. É uma realidade que sentimos porque ela é criada dentro de nossos sentidos.

Nós, seres humanos, percebemos a realidade dessa forma, mas se você fosse vestido com outras características, se tivesse outros sentidos além da visão, audição, paladar, olfato e tato, descobriria a realidade de uma forma completamente diferente. Ou seja, a realidade que você percebe é muito subjetiva.

Assim, com a ajuda da sabedoria da Cabalá, você começa a mudar a si mesmo, que é chamado de correção de si mesmo; você começa a adquirir todos os tipos de novas características e habilidades, e assim começa a ver o mundo muito mais profundamente do que as pessoas comuns.

Nele você vê sistemas e forças que o ativam. À sua frente, as paredes do mundo estão aparentemente abertas e você vê por trás delas o imenso e surpreendente sistema de gestão e supervisão que é chamado de “reino do Criador” e descobre como essas forças gerem o mundo.

Em todos os seus livros, os Cabalistas explicam como funciona esse sistema. Em particular, o livro do Baal HaSulam, O Estudo das Dez Sefirot, que estudamos, explica como essas forças operam a nós e todos os mundos, e como entramos neste sistema e começamos a tomar o papel da gestão sobre nós mesmos.

Pergunta: Quando eles dizem que Abraão descobriu que há uma única força que maneja tudo, eles querem dizer que ele descobriu esse sistema que gerencia toda a realidade?

Resposta: Com certeza! Essa é a ideia principal. Você é chamado de Adão (Homem) de acordo com o estado futuro onde todo mundo se tornará semelhante (Domem) ao Criador.

Se assemelhar a Ele significa aprender, atingir, adquirir todo este sistema de gestão e supervisão, e tomar para si a gestão desse sistema no lugar do Criador. Sobre isso é dito: “E as crianças vão retornar ao seu Criador”. Isso significa que você vai entender, sentir e descobrir o mundo inteiro por si mesmo.

Todo o sofrimento atual, todos os problemas e toda a história do nosso mundo são projetados para obrigar a pessoa a descobrir e saber por que e de onde ela recebe esse sofrimento. Todo o sofrimento é apenas para nos empurrar para atingir o sistema de gestão e participar nele para transformar nossas vidas para melhor

Do Programa da Rádio Israelense 103FM, 09/08/15

Descobrir Os Segredos Da Vida

laitman_214Comentário: Parece-me que você precisa ser uma pessoa muito sábia para chegar a uma descoberta do sistema superior que gerencia o nosso mundo.

Resposta: Não, no Livro do Zohar, bem como nos escritos do Ari e do Baal HaSulam, está escrito que a sabedoria da Cabalá não exige quaisquer habilidades especiais ou talentos excepcionais, e cada pessoa pode alcançá-la.

Assim como você está ciente e alcança esta vida a partir daquilo que vê, você também descobre o sistema de gestão superior, começa a entender e a ver como ele funciona em torno de você, como as pessoas e você mesmo são ativados, e como você pode construir um mundo novo.

Esta visão dá à pessoa muitos poderes. Primeiro ela começa a se sentir eterna; sua vida não termina em poucas décadas. A pessoa começa a sentir a vida dentro da alma, e não dentro do corpo. Nossos corpos pertencem ao nível animal. Aqueles que pertencem aos níveis inanimado, vegetal e animal estão limitados ao seu tempo de vida.

No entanto, a pessoa que começa a se parecer com o que é superior, o Criador, entra num plano completamente diferente de sua existência chamado viver a vida da alma. Assim, ela começa a sentir a eternidade e plenitude em sua vida dentro da alma.

Para passar da vida corporal à vida da alma enquanto vivemos neste mundo –  ou seja, para começar a sentir o mundo de forma eterna e completa, compreendendo como se conduzir, ajudando os outros a também alcançar uma visão como essa – nós recebemos a sabedoria da Cabalá.

Pergunta: Você fala sobre a existência de um nível superior, mas junto com isso, será que a pessoa também começa a entender o nosso mundo? Afinal, as pessoas estão muito confusas hoje.

Resposta: Eu falei sobre isso mais de uma vez; em suma, os desejos corporais são o que motiva uma pessoa: desejos por comida, sexo e família, que também caracterizam os animais, e os desejos sociais por riqueza, respeito, educação. Estes são três tipos de desejos corporais e três tipos de desejos sociais.

Mas isso não basta, porque questões são despertadas em nós. Para que estamos vivendo? Por que estamos vivos? Qual o significado da vida? Qual é a sua finalidade? Qual é o seu segredo? Nós não podemos nos encerrar só nesta vida e dizer que não há nada mais. Eu vivo meus 70 anos e os preencho de acordo com as minhas ambições, e isso é tudo.

Nós temos nos desenvolvido. Especialmente em nossa geração, chegamos a questões que, se não encontramos uma solução para elas, não vamos querer viver e vamos nos afundar em desespero. De acordo com o processo do desenvolvimento da natureza que trabalha em nós e nos influencia, nós temos que descobrir o segredo da vida, sua finalidade e essência. Assim, a sabedoria da Cabalá foi revelada.

Se a questão pega uma pessoa – para além dos desejos por comida, sexo, família, riqueza, honra e conhecimento, que caracterizam este mundo – a questão que está além do nosso mundo, além de nossas vidas, e a pessoa sente que deve descobri-la, ela atinge a sabedoria da Cabalá.

Do Programa da Rádio Israelense 103FM, 09/08/15

Há Uma Razão Para Comemorar E Ser Feliz

Dr. Michael LaitmanPergunta: Todos os anos nós desejamos um bom ano uns aos outros, e no final do ano verifica-se que não fomos particularmente bem-sucedidos. De que forma nós erramos? Todos nós queremos que as coisas fiquem bem, mas não sabemos como fazer isso.

Resposta: Nós não entendemos que conforme a nossa aproximação mútua, estamos nos aproximando da força superior, a força boa e benéfica. A fórmula é muito simples: quanto mais perto estamos um do outro, mais perto ficamos do Criador.

Parece que não existe uma fórmula mais simples do que essa, mas não é possível realizá-la com forças humanas. Portanto, a sabedoria da Cabalá foi revelada para ajudar a fazer isso através da força superior. A força superior só ajudará a pessoa dessa maneira, e não em qualquer outra coisa. Ela só está esperando esse pedido de nós.

Pergunta: Se Adão já abriu o caminho para a boa vida 5.776 anos atrás, por que ele não o mostrou a todos? Por que foi necessário passar por todas as guerras, exílios, e problemas, pelos quais a humanidade já passou por milhares de anos?

Resposta: Adão ensinou seu método porque os Cabalistas em todas as gerações eram seguidores dos estudantes de Abraão. Até hoje, os Cabalistas estudam a descoberta de Adão, de modo que em cada geração detalhes cada vez mais novos foram adicionados ao estudo.

A Cabalá se desenvolve como qualquer outra ciência, e, por fim, nós recebemos o conhecimento sobre que tipo de mundo superior é encontrado acima de nós, como ele nos influencia e nos gere, e como é possível influenciá-lo de baixo para cima.

Nós esclarecemos que o mundo superior e o nosso mundo inferior estão completamente interligados, e dentro de nossas relações mútuas, descobrimos a força superior dirigindo estes dois mundos chamada Criador. A sabedoria da Cabalá lida com a descoberta da força superior e o estabelecimento de uma conexão mútua com ele.

O problema é que só podemos descobrir a força superior com a condição de que nos assemelhamos e nos tornemos equivalentes às suas características, como tudo em nossas vidas. Eu não vou ser capaz de compreender outra pessoa se ela estiver falando numa língua que é desconhecida para mim ou se fala de coisas que são compreendidos apenas por um profissional, ou temos tais perspectivas diferentes que não podemos nos comunicar.

Todos os nossos sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato) estão dispostos para absorver apenas o que nós estamos prontos para perceber na faixa de frequências de sua sensibilidade. Mas nós não temos nenhuma sensibilidade em relação ao mundo superior; ainda precisamos desenvolver isso dentro de nós. E é isso que a Cabalá nos ensina.

Portanto, há um nome para isso: Cabalá, da palavra hebraica “lekabel” (receber); é uma sabedoria sobre como receber, entender, compreender e sentir o mundo superior. Adão nos deixou esse conhecimento, e todos os Cabalistas que vieram depois dele desenvolveram a sua descoberta cada vez mais e adicionaram a ela, semelhante à forma como a física se desenvolve de geração em geração.

Como resultado, hoje há uma ciência desenvolvida, única e poderosa em nossas mãos que explica como devemos descobrir a essência da vida e sua finalidade de forma prática, ou seja, para implementá-la. Os Cabalistas do passado escreveram sobre a nossa geração, apontando para ela como a “Geração do Messias”, isto é, aqueles que poderiam atrair toda a sabedoria e usá-la, finalmente alcançando e conhecendo o propósito da nossa existência na face desta Terra.

A humanidade alcançou um estado onde deve responder a essa questão, caso contrário, nossa situação será impossível. A Cabalá abre todas as possibilidades dentro de nós, por isso temos uma razão para celebrar o ano novo e ser feliz; nós apenas precisamos usar corretamente o presente que recebemos de Adam HaRishon (O Primeiro Homem), Adão.

Do Programa da Rádio Israelense 103FM, 06/09/15

A Sabedoria Da Cabalá Não É Uma Religião

Pergunta: Você recebe uma série de críticas sobre a sua posição de que a Cabalá não é uma religião e não tem conexão com o judaísmo. Por favor, me explique por que os grandes cabalistas que viveram em nossos tempos, Baal HaSulam e Rabash, eram judeus ortodoxos e em nenhum modo afirmaram que Deus é apenas a natureza e não uma personalidade.

Resposta: Baal HaSulam explicou isso da melhor forma em seu artigo, “A Essência da Religião e Seu Propósito”. Nós sabemos mais do Ramchal (Moshe Chaim Luzzatto) sobre a sabedoria da Cabalá para as pessoas que não são judeus. E toda a sabedoria da Cabalá fala apenas sobre desenvolvimento do amor pelos outros, e religião fala sobre a realização de corpórea Mitzvot (mandamentos).

A definição da sabedoria da Cabalá é: Um sistema de revelar o Criador aos seres criados neste mundo. A religião não aspira a alcançar o mesmo objetivo (revelação do Criador através do amor aos outros) como a Cabalá. Assim, não é a mesma coisa.

Assim, a sua proposta de que Deus é uma personalidade, simplesmente, faz-me pensar que talvez você seja um adorador de ídolos.

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Nós Podemos Aprender A Ver O Futuro?

laitman_928Pergunta: Eu realmente me identifico com a sua explicação sobre o lugar do homem na natureza, que, como resultado de sua evolução egoísta, torna-se inferior e mais miserável do que todas as outras criaturas. Às vezes eu olho para o meu cão e invejo a sua vida. Ele não está preocupado com dúvidas e não tem problemas. Seu único problema é o que comer agora.

No passado, quando a humanidade estava lutando para sobreviver, ela não se perguntava sobre o sentido da vida. Agora, quando chegamos a uma relativa riqueza e não temos que lutar pelo nosso pão de cada dia, a questão de “Por que precisamos de todo esse jogo chamado vida?”, de repente vem à tona.

Acontece que toda a nossa sabedoria, nossa evolução e nosso cérebro são inúteis, porque não nos fornecem a resposta a essa pergunta básica: qual deve ser a próxima fase de nossa evolução? Nós podemos ver o nosso futuro?

Resposta: Se há uma dúvida, um desejo não realizado, uma deficiência, de ver o futuro, então nós provavelmente podemos encontrar uma resposta. Houve pessoas em nossa história que podiam prever o futuro. Curiosamente, existe o futuro! A questão é se podemos nos conectar a ele.

Se nós evoluímos de acordo com o plano da natureza, então, aparentemente, podemos descobrir, ler, entender e senti-lo. Afinal de contas, ele já existe na natureza sob a forma de forças equilibradas. Os astrofísicos que estudam a vida no espaço também dizem que o universo inteiro é um pensamento. Os cientistas que exploram a natureza são bastante materialistas, e, ao mesmo tempo, afirmam que existimos num campo de pensamento.

O software da evolução que nos opera está incorporado na natureza. Nós somos o produto do software, e evoluímos de acordo com este cenário. Este software gerencia o equilíbrio entre as forças da natureza. Como resultado deste equilíbrio, partículas elementares têm se conectado em objetos e corpos, e é assim que todo o nosso universo evoluiu desde o Big Bang até hoje.

Como podemos descobrir esta camada oculta da natureza? Nós sabemos que a lei principal, e, de fato, a única lei da natureza que determina todos os nossos sentimentos, nossa compreensão e nossas percepções, é a lei da equivalência de forma. De acordo com essa lei, se eu sinto alguma coisa, isso acontece somente porque esse atributo existe em mim de alguma forma.

Se eu vejo uma cor amarela ou branca, se eu ouço sons e sinto sabores, isso significa que eu consigo discernir algo em meus sentidos, o que significa que essas forças, esses atributos, assim como o fenômeno que eu percebo, existem dentro de mim. Esta é realmente a razão de eu poder sentir esse fenômeno. Uma coisa determina a outra; meu modelo interno coincide com a imagem externa.

Nós podemos ver isso em crianças que não percebem muitos fenômenos em torno delas até que explicamos esses fenômenos a elas, damos jogos adequados, e as ajudamos a ver, sentir e gostar das coisas. Isto significa que a pessoa pode desenvolver internamente o sentimento do futuro desconhecido.

Nós podemos descobrir o futuro se primeiro explorarmos a natureza que está acima de nós. Se o universo inteiro é um grande software, como num computador, e o que nos afeta é este pensamento único, ideia única, nós devemos aprender a nos familiarizar com ele e aprender sobre seus planos com relação a nós. Como podemos nos conectar a ele? Quais sentidos, aromas, sensores ou pensamento nós precisamos? Como devemos preparar nossos corações e mentes, ou seja, nossos desejos e pensamentos, a fim de sentir o futuro?

Aqui, nós encontramos um problema muito sério. Afinal, a natureza, sendo o pensamento superior que nos sustenta e controla, é totalmente integral, redonda e mutuamente conectada. Ela não se quebra em componentes separados (natureza inanimada, vegetal e animal e o homem) ou em cores e sons distintos. Na natureza, tudo está conectado num todo que está ligado internamente.

Como resultado da evolução da humanidade neste planeta, ela gradualmente descobre a conexão entre as pessoas, que é cada vez mais forte. Isto apesar do fato de que nós não queremos nos conectar, e cada um de nós prefere se sentar sozinho e sem ninguém para perturbá-lo. Mas isso não funciona, e cada dia descobrimos a nossa interdependência cada vez maior.

Mesmo as diferentes áreas científicas estão se tornando integradas hoje. As mesmas leis, as mesmas relações, operam em todos os lugares, mas de uma maneira um pouco diferente, e como resultado, nós as dividimos em leis que atuam em corpos sólidos, líquidos, gases e plasma. Na verdade, não há diferenças na natureza. Nós somos os únicos que a dividimos em diferentes áreas (biologia, zoologia, mecânica, eletricidade) e estudamos cada área separadamente. Nós simplesmente não conseguimos perceber tudo como um todo, como uma forma integral.

Nós dividimos a natureza em diferentes áreas, de modo que sejamos capazes de entendê-la um pouco. No entanto, já existem muitas tendências que conectam várias áreas, como a minha primeira profissão, a biocibernética. Nós criamos ciências cada vez mais interdisciplinares, uma vez que percebemos que, na realidade, tudo é unificado.

Nos tempos antigos, quando a ciência não estava tão desenvolvida, os cientistas tinham conhecimento universal em todas as áreas, como Leonardo Da Vinci, por exemplo. Cada um desses grandes homens era um gênio em filosofia porque a filosofia incluía todo o conhecimento sobre a natureza. No entanto, mais tarde, nós desenvolvemos nosso conhecimento da natureza de tal forma que uma pessoa não consegue perceber tudo. Esta é a razão de dividirmos nosso conhecimento em diferentes áreas, mas, na verdade, é o mesmo sistema.

Portanto, nós devemos aprender, sentir, entender e conhecer o plano superior que nos opera quando que operarmos amanhã e nos muitos anos vindouros. Quando chegarmos a conhecê-lo, saberemos até o que vai acontecer conosco depois que morrermos. Afinal, a nossa consciência, nossos sentimentos e nosso conhecimento, não vão morrer junto com nosso corpo proteico quando ele deixa de existir. É uma questão totalmente diferente. Essas são forças que não desaparecem. Vamos aprender sobre a vida fora do corpo se nos tornarmos integrais como toda a natureza e nos familiarizarmos com o seu plano.

A fim de fazer isso, temos que desenvolver um sentido integral, para que todas as pessoas de todo o mundo e toda a natureza, se conectem num sistema unificado de modo que não haverá diferenças entre eles. Se eu construir minha percepção desta forma, vou sentir que eu e todas as outras as pessoas se conectam em um. De repente, vou sentir que vivo numa dimensão maior do que a que vivo hoje. Vou começar a sentir o plano da criação e as forças com as quais ele opera todos nós como um só.

Como resultado, você pode estar com medo de se perder e de se amarrar a outros, mas você deve saber que, na verdade, é graças a isso que vai começar a conhecer a si mesmo.

De KabTV “Uma Nova Vida” 23/02/14

A Criação De Um Bom Ano

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que devemos fazer para que este ano seja um verdadeiro ano novo para nós?

Resposta: É muito simples. A Torá diz: “Eu criei a inclinação ao mal”. E, de fato, toda a divisão e quebra do nosso mundo, todas as contradições e oposições, o ego e a falta de receptividade, a falta de compreensão, tudo que a humanidade já passou durante a sua história, é realmente ação do Criador. Assim, a pessoa tem que sair do seu próprio ego para entendê-Lo.

Pessoas fracas ou muito egoístas, que estão prontas para pisotear o mundo inteiro, não são atraídas a esse tipo de trabalho. Por outro lado, elas têm grandes egos, não fiam satisfeitas com este mundo, e este não lhes interessa. Elas querem controlar toda a criação, saber tudo o que acontece, e descobrir tudo de modo que não haverá nada que elas não saibam, sintam ou controlem.

A revelação de tal ego numa pessoa é de fato um dom do Criador. Isto significa que a pessoa está pronta para a realização e para pagar tudo o que tem que pagar, a fim de alcançar isso. Então, ela se encontra no grupo certo, onde pessoas como ela ficam junto.

Este grupo está sob a influência do método Cabalístico, onde as pessoas vêm e, no final, passam por estados muito sérios de resistência ao seu ego, elevando-se acima dele, e se conectando entre si. Elas aprendem todos os processos em si mesmas e sentem, descobrem, controlam, integram e fazem tudo que for necessário. Por fim, a imagem correta do mundo é formada dentro delas. Elas constroem o Criador na conexão entre elas, porque esta é a única maneira Dele poder ser revelado.

É impossível revela-Lo de outra forma que não seja por esta conexão, ou por essa plataforma sobre a qual Ele se revela. É uma força que requer matéria, a fim de revela-Lo dentro dela.

A eletricidade, por exemplo, pode ser revelada na forma de um mostrador se movendo, fios se aquecendo ou uma explosão. Só então poderemos dizer que há alguma força lá. É o mesmo com o Criador, que é simplesmente uma força sem matéria. Nós temos que fornecer a matéria, de modo que essa força pode ser revelada de acordo com leis físicas precisas.

Não há nada de irracional ou místico aqui. Não é religião, mas a ciência da Cabalá. Portanto, toda a nossa atenção e todos os nossos esforços estão focados em como criar as condições onde o Criador possa ser revelado. Nós precisamos reunir essa matéria com suas partes separadas, combinando os atributos de doação, garantia mútua e incorporação mútua para que a Luz apareça dentro dela.

Nós a esculpimos por um longo tempo e, de repente, nossa estátua ganha vida. Assim, um homem é criado do pó, da matéria inerte, e se torna um homem corrigido onde derramamos vida. Nós celebramos essa maravilhosa oportunidade que nos foi dada durante o Rosh Hashaná.

De KabTV “Feriado de Rosh Hashana” 06/08/15

Tradições E Significados Da Refeição De Rosh HaShanah

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que simboliza a comida que comemos em Rosh Hashaná?

Resposta: Em Rosh Hashaná, há uma Mitzvah (mandamento) para nós comermos a cabeça de um peixe para enfatizar nosso desejo de ser a cabeça e não a cauda. Isso significa que queremos encontrar um entendimento para toda a estrutura da criação, todo o projeto espiritual e não apenas para entender e reconhecer nossas ações, objetivos ou nosso papel em penetrar em toda sabedoria da criação, mas também para encontrar a força e a coragem para realizá-los dentro de nós mesmos.

A romã simboliza a correção dos 613 desejos egoístas em cada pessoa por aproximação, unidade e amor. As sementes da romã criam um fruto coletivo, comum. Cada um de nós é uma pequena semente, e nós precisamos nos unir, o que representa a conclusão do nosso trabalho espiritual coletivo comum, uma fruta em que todos os componentes estão conectados de forma correta.

A maçã é aquela parte que tomamos do pecado que aconteceu com a Árvore do Conhecimento. Nós a mergulhamos no mel para adoçar tudo o que está nos esperando à medida que continuamos avançando, para que as instruções e a ajuda que recebemos de cima sejam corretas e precisas. A correção do pecado da Árvore do Conhecimento é chamada molificação. Se uma pessoa coloca diante de si a mesma meta que existe na natureza e encontra harmonia dentro dela, já não pode haver nada na vida que seja ruim para ela. Ela sentirá constantemente uma ajuda mútua e harmoniosa da natureza que a rodeia.

Se pensarmos na unidade e na conexão entre nós, podemos equilibrar o clima na Terra e fazer tudo o que queremos, como prevenção de todo sofrimento e guerra. Mas antes de ensinarmos a humanidade a se conectar e unir, nós mesmos precisamos aprender isso. Estudar a sabedoria da Cabalá irá explicar a todos como isso é feito, e eu espero que nós atinjamos esta unidade.

Todos estes costumes são simplesmente externos em caráter. Mas, na verdade, é um feriado enorme, grande, do qual a atitude certa para com a vida começa verdadeiramente, porque a pessoa agora começa a se restaurar.

De Kab TV “Feriados. Rosh Hashaná” 06/08/15

Aqueles Que Pulam A Seção Do Tempo

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Um Discurso para a Conclusão do Zohar”: Uma exceção é o Rashbi e sua geração, os autores do Zohar, a quem foram concedidos todos 125  graus na integralidade, mesmo que tenha sido antes dos dias do Messias.

Daí, muitas vezes encontramos no Zohar que não haverá nenhuma geração como a do Rashbi até a geração do Rei Messias. Eis porque sua composição teve um impacto tão grande no mundo, já que os segredos da Torá nela ocupam o nível de todos os 125 graus.

Portanto, é dito no Zohar que O Livro de Zohar será revelado apenas no final dos dias, os dias do Messias.

E visto que O Zohar apareceu em nossa geração, é uma prova clara de que estamos já nos dias do Messias, no início dessa geração, sobre a qual foi dito, “porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor”.

No passado nós estudávamos muito pouco o Livro do Zohar. O caminho individual de uma pessoa, o seu desenvolvimento espiritual, o do grupo, e o caminho geral do desenvolvimento do mundo estão conectados, porque o individual e o geral são iguais. Não podíamos correr na frente e começar a estudar O Livro de Zohar até agora porque não éramos capazes de ouvi-lo, portanto por muitos anos nós mal tocamos no Livro do Zohar em nosso estudo.

Um momento especial tinha que vir e nosso impulso interior tinha que amadurecer. Há cerca de quatro anos eu senti de repente que tínhamos que fazer alguma coisa com O Livro, porque é impossível estudar uma fonte autêntica nos nossos tempos. Havia uma necessidade de simplificar O Livro do Zohar, para que uma pessoa comum fosse capaz de compreendê-lo, e então tivemos que remover muitos obstáculos que a pessoa encontra ao estudar este livro e também traduzi-lo para outras línguas.

Eu senti uma grande alegria em fazer este trabalho. Gradualmente, revisei todos os escritos do Livro do Zohar, dia-a-dia, volume após o volume, e gostei muito, sentindo que estava bebendo da fonte da vida. Muitas outras pessoas participaram deste projeto. Na verdade, podemos dizer que não era trabalho, mas um presente dos céus. Agora nós estamos contentes em trazer o resultado do nosso trabalho para todo o mundo: a primeira edição completa em hebraico e edições abreviadas em russo e inglês. O Livro do Zohar será publicado gradualmente em outras línguas para que todos tenham a oportunidade de estudá-lo conosco.

Nenhum outro livro foi escrito anteriormente por um grupo de Cabalistas como resultado da conexão da dezena. Além disso, nunca houve outro livro que fosse escrito em um tempo tão especial quando as pessoas estavam tanto no nível espiritual antes da destruição do Templo, e após a destruição. Isto significa que elas estavam exatamente no centro da quebra, entre as duas partes da quebra, e conseguiram conectá-la, ultrapassá-la e conectar suas duas partes.

Nunca houve Cabalistas que conseguiram atingir todos os 125 níveis, ou seja, atingir uma conexão completa com o Criador. Está é na verdade a razão porque o Livro do Zohar está em tão alto nível e pertence ao final da correção. Ele não foi escrito por um Cabalista, mas é o produto da conexão entre pessoas que alcançaram o Criador. Isto é muito importante. Então quando estudamos esse livro, ele nos leva de volta à essa conexão, à correção.

Todos os outros livros Cabalísticos foram escritos por pessoas que atingiram a espiritualidade, mas não como resultado da conexão entre pessoas em um grupo. Esta é a razão que nós queríamos trazer este livro para tão perto quanto possível. Se uma pessoa o ler, a Luz que vem através das almas elevadas que estão conectadas, começa a operar nela.

Esta Luz opera entre nós e aumenta a nossa sensibilidade à conexão. Ela opera quer queiramos ou não. Portanto, foi tão importante simplificar O Livro do Zohar e traduzi-lo em diferentes línguas. Este livro inclui tudo o que precisamos para nossa correção!

Da Semana Mundial do Zohar “Convenção Mundial do Zohar”, Lição 1

Um Cabalista Não É Um Cientista Comum

laitman_214Pergunta: Quem é Cabalista? O que ele vê que não vemos? O que sente que não sentimos? Será que ele tem poderes sobrenaturais? Como é que uma pessoa se torna um Cabalista? Você vai nos revelar todos os segredos da sabedoria da Cabalá?

Resposta: Um Cabalista é um cientista, só que não um cientista comum. Ele explora o mundo e quer atingir a raiz de tudo o que está acontecendo, descobrir e saber por que tudo é organizado de tal forma, de onde isso aparece e para onde tudo está indo.

É uma pessoa que tem uma necessidade interna de alcançar o mundo em que vive e descobrir o que esse mundo espera dele. É uma pessoa que nasce com uma pergunta que arde dentro dela e não a deixa descansar: Para que recebemos essa vida? Qual é o seu significado? Por que eu nasci? Hoje esta questão incomoda muitas pessoas, mas, no passado, foi uma herança do povo escolhido.

O primeiro Cabalista foi Adam HaRishon (O Primeiro Homem), uma pessoa que viveu 5.775 anos atrás. Adão descobriu o segredo da vida e escreveu um livro sobre isso. Certamente, as pessoas viviam muito antes dele, mas Adão é considerado o primeiro homem porque descobriu a essência interior da natureza e o poder oculto que está por trás de todas as forças externas e individuais que aparecem diante de nós.

Nós vivemos numa realidade em que parte dela é claramente revelada, enquanto que a outra parte está escondida. Cada vez nós revelamos outra parte da realidade, e por isso avançamos. Mas há uma realidade que sempre permanece oculta do nosso discernimento se não mudamos a nós mesmos.

A realidade oculta é imperceptível aos nossos sentidos; nós estamos limitados pelos cinco sentidos: visão, audição, paladar, olfato e tato, mas a realidade é muito mais extensa do que eles. Não sabemos nada de nada que não entra no alcance dos nossos sentidos.

Nós só estamos prontos para expandir um pouco o seu espectro: aumentar a visão com microscópios e telescópios, ouvir através de radar e telémetros; nós inventamos todos os tipos de instrumentos sensoriais. Mas, em princípio, estes são apenas pequenos acréscimos em nossos sentidos naturais para que os olhos vejam uma distância maior e os ouvidos ouçam melhor.

Em princípio, não podemos sequer imaginar que sentidos ainda não temos. O mundo é muito mais rico e diversificado, mas não sabemos nada sobre isso. Existem outras dimensões superiores, mais expansivas do que a realidade mundana habitual, e elas poderiam ser reveladas em nós, mas não estamos prontos para descobri-las.

O desenvolvimento da ciência leva a pessoa a uma linha; ela sente que deve haver algo além dos limites do nosso mundo. Mas onde está a sua porta, o caminho através do qual seria possível sair de nossa natureza e entrar em quaisquer dimensões que não temos consciência e não sentimos agora?

Suponha que todas as pessoas fossem cegas, então poderíamos conviver neste mundo sem visão, mesmo sem suspeitar que estivesse faltando alguma coisa. Da mesma forma, não suspeitamos que estamos perdendo um sentido muito importante, a sensação do Poder Superior geral que organiza e maneja tudo.

Nós não sentimos esse poder e a nossa conexão dentro dele; ele está oculto de nós, como se não existisse. Mas, na verdade, nós simplesmente não temos o desenvolvimento que possibilitará que o descubramos e alcancemos.

Do Programa da Rádio Israelense 103FM, 02/08/15

Se Eu Fosse Um Rothschild

Dr. Michael LaitmanOpinião (Rothschild Wealth Management): “A prosperidade econômica e o consumo são a medida para realizar o meu ‘eu’. O PIB (Produto Interno Bruto) per capita mede o estado da sociedade, e parece que nós criamos uma religião de consumo que temos alimentado através de um sistema de crédito.

“A crise financeira no ano de 2008 interrompeu o crescimento econômico: o desemprego de 50% entre os jovens na Europa, a crise iminente de pensão e outros problemas difíceis: todos pintam um futuro sombrio para os Europeus e Americanos. Este é o fim da economia de consumo.

“A juventude ocidental entrou numa economia cooperativa, uma economia de consumo comum, o comércio de escambo, a reciclagem. Sua fundação é a interação conjunta, as relações humanas.

“Quando o homem ocidental foi obrigado a entrar em conexão com os outros, enquanto trocava bens ou serviços, a partir da conexão com estranhos, ele começou a sentir benefício. A partir de relações bem estabelecidas há benefício econômico, ou seja, um benefício mensurável.

“Eu não estou tentando promover a economia coletiva, mas é útil como uma alocação de novos recursos econômicos e interação social entre as pessoas que não havia no mundo antes da crise. Isso é mais do que uma teoria do trabalho em grupo, de todos os tipos de dividendos baratos de relações corretas entre as pessoas, no âmbito do sistema econômico existente. Isto se refere à interação social (influência mútua) como um objetivo, como realização da pessoa, como um produto de permanente independência, tendo um benefício econômico independente.

“Se antes a autorrealização da pessoa e da cultura de consumo popular eram sinônimos, hoje há um elemento de interação social que é um novo componente, cujo peso na realização do homem Ocidental é grande. A economia Ocidental, onde o consumo pela classe média tem sido o seu volante central, está encontrando pela primeira vez mudanças nas ordens de preferência da nova geração. Nisto eles aprenderam a consumir menos ao substituir o benefício do consumo pelo benefício de relações entre as pessoas, a geração mais jovem de hoje está dando o primeiro passo para mudar o paradigma econômico”.

Meu Comentário: Os pensamentos são corretos porque as conclusões corretas sobre o que está acontecendo estão sendo feitas. Mas Lord Rothschild não vê que para além das mudanças do paradigma econômico da sociedade, há uma transição de um componente econômico para um componente social.

Perspectivas de longo alcance são mais compreensíveis apenas para alguém que aprende a sabedoria da Cabalá, o programa de correção do paradigma egoísta da sociedade para um altruísta. A sua realização só é possível através da criação de novas conexões entre pessoas sob a orientação dos Cabalistas. Lord Rothschild teria que concordar com isso.