Textos na Categoria 'Disseminação'

Numa Caverna Secreta No Círculo De Amigos

laitman_528_02Pergunta: Como nós preenchemos a nossa deficiência de chegar à ajuda mútua e à verdadeira conexão?

Resposta: A verdadeira conexão refere-se ao trabalho interno de uma pessoa e não apenas se reunir num só lugar para diferentes eventos. Nós não temos que ir ao deserto, a fim de se conectar, mas realmente fazemos onde quer que estejamos. O trabalho de se conectar é concentrado no coração de todos e passa por todos os corações.

Nós temos que sentir interesse mútuo, uma necessidade pelo outro. É de acordo com este anseio, de acordo com a necessidade de conexão, que a Luz Superior vai nos influenciar. E ela vai ser necessária para nós, porque não teremos êxito em nossa disseminação sem ela.

Cada um deve participar na disseminação, não importa quais os resultados, contanto que ele esteja incorporado no desejo das pessoas e se sinta comprometido com elas. Cada um deve trazer essas deficiências no grupo e, assim, vamos sentir uma grande necessidade de se conectar.

Pergunta: Como nós podemos conectar todos esses desejos numa oração geral que possa ser aceita pelo superior?

Resposta: O que importa não são os desejos do público, que nós sentimos, mas o fato de que não temos uma resposta para eles. Esta deficiência crua não processada por algo específico tem que ser trazida ao grupo. Como todos nós estamos ansiosamente sob a influência dessa deficiência, ela vai nos obrigar a conectar. Este é o trabalho no coração, a insegurança que você sente depois de uma ação de disseminação que irá forçá-lo a buscar a conexão na sociedade, onde você pode encontrar segurança, preenchimento, um lugar seguro para se esconder, e descansar um pouco de todas as suas preocupações e problemas. É como estar no útero, numa caverna secreta, escondido de todos. Onde fica esse lugar no grupo?

Você descobre que ele existe! Os seus amigos estão conectados lá e há espaço para você também. Você vai descobrir isso como na visão de Rabi Chiya, que viu o encontro das almas superiores. Você também vai ver o seu verdadeiro eu sentado no trono celestial falando com os amigos. Você vai ver este estado como a verdade absoluta, porque todos os níveis já existem em potencial. Incorpore-se no grupo, busque o seu lugar, e assim como o Rabi Chiya você vai descobrir que tudo é fácil e que você está sentado no meio dos amigos.

Pergunta: Há alguma dica que possa ajudá-lo a encontrar o que está procurando?

Resposta: Você está procurando a força da conexão, o vaso onde você pode sentir a Luz, o preenchimento. Falta-lhe o vaso, que é a conexão com os outros quando essas deficiências se conectam num desejo espiritual num nível superior, como toda a matéria inanimada que equivale a uma planta. Nós seremos recompensados com a Luz que é revelada. A Luz nos conecta e nós nos tornamos um desejo de receber num nível superior de qualidade. A força superior só espera a quantidade e a qualidade do nosso esforço, a nossa medida.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/05/14, Conversa sobre a Importância da Unidade

A Rede Que Vive E Respira

laitman_550Pergunta: Eu concordo que a salvação da nação de Israel está em nossa unidade, e eu estou tentando estabelecer boas relações com as pessoas em casa e no trabalho, mas vejo que mesmo os conflitos mais banais anulam imediatamente todos os meus esforços e levam à raiva e disputas.

Então, como eu posso alcançar esta unidade se não sou justo e facilmente explodo no momento em que alguém me corta na estrada?

Resposta: A sabedoria da Cabalá não é sobre as relações simples entre nós, mas sobre algo totalmente diferente. Ela ensina que se quisermos ver o mundo corretamente, devemos agir como se estivéssemos unidos, especialmente nesses casos, quando a raiva e insatisfação irrompem em nós.

Se há um conflito na estrada, no trabalho ou na família, e sabemos como trabalhar acima de todas essas interrupções, intensificando a conexão entre nós, a nossa unidade é estreitada por essa conexão e começamos a sentir como esse mundo é construído. Nós vemos como todos os elementos da natureza estão conectados, e começamos a ver e sentir que esta rede vive e respira.

Nós descobrimos que estamos todos nela, ligados por conexões sem fim, e que a distância entre nós não é vazia, mas sim como o ar cheio de ondas de rádio em todas as frequências ultra e infra. Nós descobrimos que estamos todos conectados e que esta conexão está em movimento contínuo, numa dinâmica especial.

Nós sentimos o fluxo da vida nessa conexão, e começamos a afetar a conexão entre nós e, consequentemente, o nosso destino. É porque o bom destino depende de nossas relações mútuas, e essa mudança está em nossas mãos. Então, não teremos que brigar com nossos vizinhos e seremos capazes de resolver todos os problemas pelas boas conexões entre a nação israelense.

Nós não teremos que depender das políticas de governos estrangeiros como Estados Unidos, Rússia e França. Nós podemos corrigir todo o mundo através do reforço e da intensificação da conexão entre a nação judaica. É disso que trata a sabedoria da Cabalá. Os judeus receberam essa oportunidade, e por isso é doloroso ver como estamos destruindo nossa própria vida e a vida de todo o mundo.

O mundo entende que a nação de Israel pode melhorar a vida de todos e que não o faz, e assim culpa os judeus por todos os seus problemas. Na verdade, a nação judaica é que pode afetar a rede de conexões entre todas as nações e tornar maravilhosa a vida de todos neste mundo.

Do Programa da Radio Israelense 103FM, 08/02/15

O Centauro Se Torna Um Homem

Dr. Michael LaitmanPergunta: É possível explicar a sabedoria da Cabalá na linguagem da sociologia moderna?

Resposta: Com o que mais a sabedoria da Cabalá está envolvida se não a sociologia? A sociologia é a ciência sobre a estrutura da sociedade. Mas a sabedoria da Cabalá também fala sobre como educar a sociedade para o próximo nível.

Nós, como o resto da natureza, nos desenvolvemos a partir dos níveis inanimado, vegetal e animal da natureza e atingimos o nível de uma besta que se parece com um homem, como o centauro com a cabeça de homem e o corpo de cavalo. Nós existimos numa forma como essa. Mas hoje a nossa cabeça trabalha para o corpo.

E nós temos que transformar a situação para que o corpo trabalhe para a cabeça, em prol de uma ideia. Isso já é outro nível, o nível de Adão (Homem), que não existe em nosso mundo. Em outras palavras, o corpo, toda a nossa vida bestial, deve ser orientada para elevar a cabeça, os ideais e as metas do próximo nível.

Nós chegamos a um estado onde o poder da natureza que nos move (o Criador) parou de empurrar a humanidade para frente. Ele já não nos obriga a avançar porque agora nós temos que avançar com as nossas próprias forças – subindo para a próxima fase, para o próximo nível. E no nível em que estamos agora há apenas um problema: quanto mais permanecermos nele, pior será.

Como temos nos desenvolvido, sempre temos preferido uma nova forma de sistema social. Ao longo da história da humanidade, criando novas formas deste sistema, nós gradualmente descobrimos suas deficiências, e, assim, começamos a sentir isso como intolerável, e, portanto, fazemos revoluções: ou pacífica, uma revolução psicológica, ou pela força, e é assim que temos avançado, gerando o próximo nível.

Nós fizemos tudo isso involuntariamente, impulsionados pela força da natureza (o Criador) que nos empurra para frente. Ele sempre nos mostrou a próxima fase. Mas isso não está acontecendo agora. A próxima etapa está diante de nós, mas ela não está clara para nós, porque é completamente diferente; é uma fase altruísta. Ela é descoberta como uma necessidade de conexão completa, uma dependência coletiva mútua entre nós, e nós não entendemos como fazer isso.

Agora nós estamos começando a entender a insignificância, a capacidade de destruição da nossa miserável e destrutiva situação – ela é madura. E se continuarmos a permanecer nela, só vamos aumentar o sofrimento. E o próximo estágio deve ser revelado de qualquer forma. Mas quanto sofrimento é necessário para alcançá-lo?! Portanto, nós precisamos disseminar, caso contrário, a humanidade vai afundar num sofrimento terrível.

É possível alcançar o próximo estado somente a partir de um desejo geral, e não com alguma decisão. Portanto, ao contrário das etapas anteriores, nós devemos continuar a nos desenvolver de forma consciente. Cabe a nós entender isso claramente.

Portanto, nós temos que disseminar, caso contrário, o mundo vai mergulhar em grandes problemas. Nós devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance, e vamos ver que isso funciona, apesar do fato de sermos poucos.

Da Lição Diária de Cabalá 24/04/14, Perguntas e Respostas com o Dr. Laitman

Ação De Disseminação Não É Fácil

laitman_254_02Pergunta: Por que muitos grupos de Cabalá não estudam artigos do Baal HaSulam, tais como a “Entrega da Torá”,”Arvut“, etc., mas se concentram no Talmud Eser Sefirot e O Livro do Zohar?

Resposta: É porque isso não os obriga a fazer nada. Ao estudar o TES ou O Livro do Zohar, eles não pensam no principal mandamento que é “Ama teu amigo como a ti mesmo”, que deve se espalhar por todo o Israel. Isso ocorre porque a nação de Israel, e mais tarde o mundo inteiro, precisa retornar à unidade geral, ao Criador.

Pergunta: Será que nós vemos ao menos algum movimento e progresso em direção a isso deles? Se, por exemplo, eu estou ocupado com os meus pensamentos mais corrigidos ao fazer algum mandamento físico, será que com isso eu corrijo a minha relação com os amigos ou a minha atitude para com o mundo?

Resposta: Com o meu ser ocupado apenas na correção pessoal, eu me torno um egoísta maior, porque sinto como se estivesse fazendo alguma coisa. E lembre-se, quando um homem é puxado para a disseminação, ele inicialmente sente uma enorme resistência a ela, até que começa a sentir que, exatamente nesta ação, se encontra a base da correção. Não temos outro caminho senão disseminar ao grande público, o que para nós é o principal. Como está escrito: “Quando o Messias virá? Quando a Torá for disseminada em toda a nação”.

Se nos colocarmos na ação de mandamentos rígidos com intenções sem entender seus significados internos, nós nos limitamos e nos restringimos tanto que nunca seríamos capazes de sair às pessoas com este método. Elas não receberiam de nós, nem nos compreenderiam; em vez disso, nos perceberiam como um culto ou apenas como pessoas religiosas que, além de tudo o resto, também estudam a sabedoria da Cabalá.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 14/05/15

Sentidos Do Grupo

laitman_938_04Nosso avanço no mundo moderno é diferente do que era no passado, visto que não há necessidade de lutar por alimentação, abrigo, cuidados de saúde, e assim por diante. Nós já organizamos as condições necessárias para a nossa existência física. Portanto, os golpes virão da conexão errada entre nós, da sociedade e das disputas nacionais.

Basicamente, as deficiências não serão mais físicas; não será uma sensação de fome ou desconforto, mas uma sensação de peso e vazio na vida, que as pessoas vão tentar suprimir com drogas e álcool. A vida vai se transformar numa direção completamente diferente, se não começarmos com a correta educação e formação.

O problema é que a pessoa não vê a meta a sua frente.

Pergunta: Quais objetivos estarão a nossa frente no novo mundo?

Resposta: Para ver isso, há a necessidade de um novo sentido: um sentido do “grupo”. Este sentido será descoberto como resultado da conexão entre as pessoas. Nós estamos entrando num estágio de desenvolvimento tal que não podemos ver qualquer meta adequada diante de nós, se não nos provermos com o grupo ou sentidos sociais.

Eu devo observar as coisas não através dos meus olhos, mas através dos olhos do grupo; devo ouvir não com os meus ouvidos, mas com os ouvidos do grupo. É necessário criar a imagem de uma pessoa formada de uma multidão de pessoas ansiando em se conectar juntas em algum tipo de todo. Eu começo a ver a vida, suas metas e os meios para atingi-las, através desta imagem coletiva. Tudo é somente através deste sentido coletivo.

Pergunta: Será que todas as metas pessoais permanecem para mim?

Resposta: A metas pessoais permanecerão apenas no caso de que estejam incluídas nas metas do grupo. Eu não posso realizá-las aparte dos outros. A meta pessoal só pode existir dentro do grupo e pode ser alcançada por meio da participação em grupo.

Pergunta: Mas o grupo não é composto por indivíduos?

Resposta: As pessoas individuais vão desaparecer dentro de um grupo que tem uma meta comum. É claro que todo mundo vai estar preocupado com o que é fundamental para sua existência: sua casa, sua família. No entanto, se nós estamos falando da meta da vida pela qual a sua alma anseia e pela qual ela direciona todos os seus pensamentos, aspirações e anseios, o objetivo será dentro do grupo.

Afinal, uma pessoa vai alcançar a vida numa dimensão mais elevada através do grupo. Ela vai começar a diferenciar entre a vida sentida pelo corpo físico e a vida que é sentida pela conexão com os outros, ou seja, através da alma. Esta é uma vida completamente diferente num nível totalmente diferente de existência, com outras metas, realizações, e poderes.

Assim como um gato não pode entender uma pessoa, neste momento também não somos capazes de compreender esta imagem comum que todos nós construímos juntos quando nos conectamos corretamente.

De KabTV “Uma Nova Vida” 29/04/14

A Confiável Arma Da Bondade

laitman_938_03Pergunta: Como nós podemos explicar ao público que podemos sentir a força que nos dá a sensação do sentido da vida na conexão entre nós?

Resposta: Nós sentimos o sentido da vida na conexão entre nós, onde a força superior da natureza é revelada. Toda a natureza é doação e, portanto, esta força de doação criou toda a criação.

Somente a força única da doação opera no universo, desde o Big Bang até o dia de hoje, e nós somos o seu resultado. Se aprendermos a conviver com essa força, viveremos uma vida boa.

É porque nós vemos que a vida é dedicada a reviver a matéria. Se soubéssemos como aderir a essa força, realmente nos tornaríamos eternos. Nós não simplesmente prolongaríamos a nossa vida como a medicina nos permite fazer nesses dias para viver até a idade de 200 anos, uma vez que isso não tem sentido.

Nós podemos alcançar a eterna existência com a condição de que nos aproximemos desta força de doação. Isso só é possível de acordo com as leis da física, com a condição de que nos equivalemos a ela e nos tornemos iguais a ela.

Só há um meio que podemos usar, a fim de nos assemelhar a ela, o qual está em contraste com a nossa natureza: começar a unir e conectar. Esta é a razão para a atual crise que nos obriga a unir. Mas podemos evitar o golpe, avançando e alcançando a unidade sem esperar que a força do mal se aproxime de nós.

O mesmo calor maravilhoso e agradável que sentimos quando nos conectamos durante o workshop não é apenas agradável, mas, na verdade, tem um grande poder que pode curar muitos problemas em nossa vida. Nós podemos sentir esse calor em toda parte: nas nossas relações com os outros, nas lojas, no trabalho, na família, na comunicação com as crianças.

Nós podemos trazer esse calor para as salas de aula nas escolas onde nossos filhos estudam, podemos trazê-lo para o trabalho, para a rua, para o governo e para o mundo inteiro, a fim de direcioná-lo para nós de uma forma amigável. Nós podemos trabalhar com essa força, usando-a como uma boa arma, como um remédio geral, que cura todas as doenças do mundo.

Nós podemos prometer às pessoas que vamos demonstrar como a força da conexão cura as nossas relações com as crianças na próxima vez que nos encontrarmos. Qualquer pessoa que tenha relações ruins com seus filhos vai querer melhorá-las. Quando os deixamos, nós lhes damos Reshimo de Hitlabshut (reminiscências), uma sensação de calor, por um lado, e por outro lado, Reshimo de Aviut (espessura), um pouco de fome e apetite para o nosso próximo encontro.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/05/14, Escritos do Rabash

Sem Nenhum Distúrbio, Não Precisamos Do Criador

laitman_239Pergunta: O que depende de nós?

Resposta: Somente a construção da deficiência correta depende de nós; enquanto que a Luz Superior encontra-se em repouso absoluto. Somente conforme o poder da deficiência de seus componentes é possível ver a Luz de acordo com sua intensidade e qualidade.

De acordo com quantos discernimentos existirem no âmbito da deficiência, nós veremos a Luz simples, a Luz de Nefesh — que se encontra em repouso (Nefīsha), sem movimento — ou a Luz de Ruach (vento) que já se move e encontra-se em movimento. Depois disso, nós descobrimos Ohr Neshama que já nos mostra a fonte de onde vem a Luz. Nós começamos a ver nela o desejo do Superior que é atribuído a nós.

Depois disso, vem a Luz de Haya que nos mostra como, com o nosso desejo forte, complexo e versátil, nós também podemos entrar em contato com a Luz Superior e começar a trabalhar com ela.

Em seguida, vem a última Luz, a Luz de Yechida, quando tudo está unificado por meio da doação mútua.

Pergunta: Qual é a diferença entre a intensidade da Luz e a qualidade da Luz?

Resposta: Intensidade e qualidade são dois componentes da intensidade da Luz. Semelhante a isto, em eletricidade, há a fonte de alimentação que é determinada de acordo com a tensão multiplicada pela corrente. Isto determina o quanto você pode produzir da fonte de alimentação, em outras palavras, a capacidade de operar e realizar o trabalho necessário.

A quantidade e a qualidade estão conectadas. Na Luz Superior, não há nenhuma diferença entre a quantidade e qualidade. É somente em referência aos receptores. Toda a substância do inanimado é igual a um vegetal. Segue-se que um vegetal é maior em qualidade, em contraste com toda a natureza inanimada, que é maior em quantidade.

Pergunta: Então, o que precisamos pedir?

Resposta: Nós temos que pedir apenas a deficiência. É bom que agora estejamos recebendo uma deficiência durante a disseminação. Não há nada mais valioso do que isso. Sentir-nos obrigados a todo o mundo é a melhor coisa. Esta é a mesma deficiência na qual descobrimos toda a realidade, todos os fenômenos do Criador.

Esta deficiência, nos obrigará a sentir o quanto nós necessitamos do Criador. Até hoje, não precisamos do Criador, mas, hoje, Ele se tornou uma necessidade para nós, como o ar, e portanto, não é por nada que está escrito, “Venha ao faraó!”, pois, sem o Faraó, não precisaríamos do Criador.

Da Lição Diária de Cabalá 25/05/14

O Morador, A Divindade E O Grupo

laitman_942Pergunta: O que significa isso: “Eu habito no meio do meu povo” (II Reis 4:13), e como isso está conectado ao nosso trabalho com o público em geral?

Resposta: “Eu habito no meio do meu povo” significa que nós descobrimos o Criador na Divindade, em todos os desejos que são acumulados no nível falante e que querem se parecer com o Criador. A divindade é o coletivo, a comunidade, toda a humanidade que reúne em si mesma a natureza inanimada, vegetal e animal e se torna um suporte, uma substância para o desejo, no qual o Criador, a Luz Superior, é revelado.

Nós estamos agora trabalhando de acordo com o seguinte esboço: Acima – o Criador; no meio – o grupo; e abaixo – a comunidade. Nós saímos para o público em geral, absorvemos suas deficiências, as transformamos em nossas deficiências, e as elevamos ao Criador. A resposta nos chega do Criador, MAD 1 (A Luz), e agora nós temos algo a transmitir ao público, MAD 2 (no esboço).

No entanto, após certo trabalho, nós chegamos a um estágio em que o grupo vai começar a trabalhar com o Criador que se encontra dentro do público. O vaso, a Divindade (Shechiná), este é o público; e a Luz, a parte interna do público, é o morador (Shochen), o Criador, que se encontra dentro da humanidade.

Primeiro de tudo, eu me corrijo em relação ao grupo, e depois eu devo imaginá-lo em sua forma aperfeiçoada, no mundo do Infinito, vendo-o como a Divindade. Se ele parece quebrado para mim, é apenas o grau da minha quebra. Portanto, eu tenho que aceitá-lo como fixo, e constantemente mudar-me para ver o grupo como mais e mais avançado, superior, espiritual, sagrado aos meus olhos, onde o Criador se revela cada vez mais. E quando eu estou na descida e o vejo egoisticamente, eu digo que sou eu quem está determinando isso e eles vão mudar para o meu bem; ou seja, eu não vou servi-los, mas sim eles vão me servir.

E quando nós cuidamos do público, e através dele (no centro do grupo) alcançamos o Criador, o público torna-se precioso para nós. O Criador é precioso para nós e o público é precioso. É assim que começamos a esclarecer as relações entre a Luz e o vaso. No vaso isso depende de que tipo de luz nós descobrimos nele e como sentimos que estamos dando satisfação ao Criador.

Nesta Luz nós descobrimos a identidade superior que vem a ser expressa através da natureza do mundo. O Criador não tem outra forma que não seja o que nós damos a Ele. Agora nós atribuímos a forma de zero a Ele, de modo que Ele não existe para nós. Na medida em que nós podemos dar-Lhe algum tipo de forma de doação dentro do vaso, Ele é revelado.

Por isso, é dito, “Eu habito no meio do meu povo”. Na próxima fase, o grupo vai ser como o nosso “ponto no coração”, e todo o trabalho será em descobrir a humanidade como o apoio correto para a descoberta completa da Luz Superior.

Esta fase virá por si mesma conforme o nosso desenvolvimento, mas a partir disso já é necessário entender o quão importante é a disseminação hoje. Nós não apenas fazemos algo bom para a comunidade; em vez disso, nós trabalhamos em nosso vaso espiritual para a descoberta do Criador.

Em nossos dias, nós precisamos de um grupo; um só indivíduo não é suficiente para isso. Houve um momento em que dois poderiam descobrir esta relação, trabalhando juntos. Cada um trabalhava fora de si mesmo dentro do contexto, e isso era o suficiente, como está escrito: “O mínimo de muitos é dois” (Yerushalmi Yoma 13a).

Mas agora até mesmo um grupo forte e avançado de um milhar de pessoas não pode descobrir o poder superior. O início da Divindade deve ser aqui, e assim a ênfase será cada vez mais na direção do público. E nós vamos descobrir muito rapidamente que o público não é apenas Israel, mas toda a humanidade.

O vaso vai começar a reagir. Toda a humanidade de repente começará a reagir em todo o mundo.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 26/05/14

Livros De Cabalá E Educação Integral

laitman_248_02Até hoje, várias editoras têm publicado 288 dos nossos livros sobre Cabalá e Educação Integral em 30 idiomas: inglês, russo, hebraico, espanhol, alemão, português, francês, turco, croata, finlandês, italiano, letão, búlgaro, árabe, chinês, persa, checo, georgiano, húngaro, estoniano, coreano, lituano, macedônio, norueguês, polonês, romeno, esloveno, sueco, tailandês e ucraniano.

A lista completa dos títulos pode ser encontrada aqui.

Família: Uma Massa De Concessões Mútuas

Laitman_095Pergunta: Se nós quisermos falar com o público em geral sobre o tema da família, por onde é preferível começar a conversa na aula introdutória?

Resposta: É preferível começar a conversa com uma explicação sobre a natureza dos homens e a natureza das mulheres, pois isso proporciona certo fundamento. Mas vale a pena abrir a explicação sobre a sua natureza à distância. Este é um assunto muito sério.

Primeiro de tudo, é preciso explicar que uma família não é construída no amor, mas no respeito mútuo, no complemento mútuo, na amizade e ajuda mútua, no anseio de compreender o outro, e a principal e mais importante coisa na qual a família é construída é a concessão mútua.

A verdadeira conexão entre um homem e uma mulher é construída na concessão mútua. De forma alguma nós vamos corrigir o parceiro; nós não tentamos falar sobre seus defeitos; pelo contrário, nós o aceitamos como ele é, e tentamos nos tornar alguém que o complementa.

Uma pessoa é uma entidade egoísta direcionada ao benefício pessoal dentro de si mesma. Quando alguém está ao lado dela e ela não pode explorá-lo em todos os momentos para o seu próprio benefício, é como se ela acumulasse cargas elétricas e, assim, centelhas começassem a “voar” entre eles, pois o outro é também um egoísta.

Será que nós podemos existir juntos em paz numa situação como esta? Por um período particular, quando o amor nos deslumbra, nós estamos cheios de felicidade e prontos para qualquer coisa. No entanto, quando isso passa e o véu do amor cai de nossos olhos, eu percebo que estou vivendo ao lado de um egoísta como eu, embora pensasse que tudo seria para mim e para o meu bem, e que as coisas seriam boas e agradáveis com a minha outra metade. No entanto, de repente, tudo é o oposto. Por isso, é necessário organizar tudo de maneira diferente, e não sob a influência da insanidade do amor que nos entorpece, mas com a sanidade do conhecimento.

Como nós podemos coexistir pacificamente? Então, gradualmente, nós levamos as pessoas a começar a discutir a relação complicada entre elas de forma neutra, discutindo apenas como fisiologia.

Elas não devem olhar para uma família em particular, mas geralmente esclarecer o que é uma família, o que é um ser humano, e isso as levará para longe de si mesmas, as levará para fora, uma vez que se houver um problema como este com todas, elas estão falando de um problema geral. Elas reduzem a tensão interna entre si e vão para a filosofia, onde falam de maneira geral e descobrem a natureza de um homem e uma mulher.

Elas são semelhantes em alguns aspectos e diferentes em outros. Elas são semelhantes na medida em que ambas são egoístas, e elas são diferentes em que o ego é expresso de um modo diferente em cada uma delas de acordo com cada um dos seus sistemas hormonais e psicológicos.

Depois disso, nós podemos ir ao próximo problema, o problema do casamento. O casamento é uma aliança; é uma aliança complementar: eu preciso dela e ela precisa de mim.

Quando nós entendermos isso, será claro para nós que a essência da nossa natureza é a recepção: eu sempre quero receber do parceiro. É assim que começamos a ensinar às pessoas os fundamentos da sabedoria da Cabalá.

Não há nenhuma provocação aqui! Eu quero roupas limpas, que o jantar esteja pronto, uma habitação arrumada. E o meu parceiro quer ver um homem na casa, um marido e um pai com tudo o que está envolvido nisso. É possível satisfazer as exigências do parceiro? Será que queremos fazer isso?

Visto que em geral nós dois estamos trabalhando, temos filhos, obrigações particulares depois do trabalho (banco, fazer compras, etc.), será que é objetivamente possível exigir do nosso parceiro o cumprimento de todas as nossas demandas?

Se nós vemos a lista de exigências mútuas, entendemos que, de fato, nunca nos conhecíamos. Eu não entendia o que ela queria de mim; afinal de contas, isso não é da minha natureza. Ela nunca me disse nada; em vez disso, esperava que eu achasse isso por mim mesmo.

É assim que mostramos às pessoas que o problema numa família é que somos egoístas: cada um de nós se senta e aguarda que o outro o satisfaço, mesmo quando ele não diz nada sobre isso. Assim, ele está constantemente ferido com antecipação de quando seu parceiro vai finalmente entende-lo.

Esta forma está completamente errada. Não vamos começar a nos aproximar de acordo com a lista de exigências: eu concedo – ela concede; eu faço algo por ela – ela faz algo por mim. Mesmo que vejamos as listas de cada um, não podemos nos prender a elas.

Vamos fazer isso de forma mais simples: nós começamos a conceder e a agradar um ao outro, nos transformamos em amigos que se ajudam mutuamente. Eu penso no que fazer por ela, ela pensa no que fazer por mim; nós começamos a jogar um jogo chamado “o método das concessões mútuas”. Este é um jogo, mas nós entramos nele. Cada um pensa em como dar ao parceiro o que ele agora gostaria de obter de mim.

Se nós nos comunicamos num formato como esse, começamos a educar e a internalizar dentro de nós esse hábito de conexão mútua, e, como resultado disso, algo chamado “amor mútuo” é criado entre nós. Este não é o mesmo amor onde nos beijamos à luz das estrelas, mas o amor que aparece numa base de concessões mútuas. Nós o construímos em nós mesmos e, depois, criamos algo compartilhado, não “ele” e “ela”, mas uma coisa chamada “família” ou “casal”.

A questão principal aqui é mostrar ao parceiro que mesmo que eu esteja fervendo de raiva e discordância com ele, eu faço um esforço para me voltar a ele calmamente, como se nada tivesse acontecido.

As concessões são realizadas subindo-se sobre o meu ego. Eu não escondo isso de forma a ensinar o outro, a dar-lhe um exemplo. E se um dos parceiros não está pronto para subir sobre si mesmo, o outro deve ajudá-lo.

A pessoa deve se transformar em alguém que inclui dentro de si pelo menos duas imagens. Uma imagem é que no presente momento eu estou odiando a minha outra metade. No entanto, por outro lado, apesar disso, eu me identifico com ela de forma correta, boa, suave, e, assim, ela vê que eu estou subindo sobre mim mesmo.

Nós temos que jogar com isso. Não temos outra opção para salvar a família. O ego tem crescido. Se não agora, então em mais alguns anos as pessoas não serão capazes de viver uma com a outra. Elas devem entrar nesta imagem e experimentá-la de modo que uma impressão disso vai permanecer nelas.

Depois disso nós lhes damos a lição de casa: até amanhã não digam uma palavra ruim ao outro, mas sim sorriam e obtenham prazer com a subida interior e a luta consigo mesmo.

Depois de tudo, todos obtêm prazer, primeiro por subjugar a si mesmos; e, segundo, com isso eles se conectam com outras pessoas, que lhes dão prazer adicional que eles não experimentaram antes. Em outras palavras, eles têm um componente espiritual aqui.

A família é uma massa que é criada seguindo as concessões mútuas, e como resultado, elas produzem uma conexão que é chamada de “amor”. O amor é criado somente quando entendemos como depende de nós completar um ao outro e tentar fazer isso.

O que significa “E amarás o teu amigo como a ti mesmo”? Eu tomo seus desejos e tento satisfazê-los. Ela toma os meus desejos e tenta me satisfazer.

Mas nós não falar com eles sobre isso; em vez disso, nós simplesmente os trazemos às concessões mútuas, às ações de acordo com a sabedoria da Cabalá no âmbito da família.

Aos poucos, a nossa antiga natureza desaparece em algum lugar lá dentro e sobre ela é construída uma camada de um novo relacionamento mútuo, que se torna a nossa realização comum, a posse, um tesouro da família. Depois disso, a partir dele o amor nasce. Isso é chamado de amor verdadeiro: “E amarás o teu amigo como a ti mesmo”.

De uma Palestra sobre a “Família” 28/05/14