Textos na Categoria 'Congressos'

A “Queda Do Homem” Pré-Planejada

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que a Cabalá diz sobre o pecado original, e o que significa esta queda do homem?

Resposta: A Cabalá afirma que toda a história de Adão e Eva e sua queda é uma alegoria. Ela se refere aos acontecimentos que ocorreram nas Sefirot superiores antes da criação dessa realidade: o nosso universo e nós dentro dele.

Não há “pecado” em nada disso. Nós o chamamos assim porque caímos do nível espiritual em que fomos inicialmente criados para o nosso nível atual, neste mundo, através de todos os 125 níveis. Isso é chamado de “pecado”, mas não foi culpa nossa. Ele aconteceu em nossa raiz.

Mais tarde, quando nos desenvolvemos ao longo de milhares de anos no nível deste mundo, isso também não foi culpa nossa. Todo esse tempo, nós temos nos desenvolvido inconscientemente, sem saber como e onde nos desenvolvemos. O egoísmo nos empurrou para frente.

No entanto, agora é a primeira vez na história que alcançamos nossa liberdade de escolha. Ou nos desenvolveremos de forma consciente e nos corrigimos, porque vemos e sentimos um benefício e propósito nisso, ou problemas muito grandes virão e nos forçarão a fazê-lo através de muito sofrimento. Em outras palavras, neste momento, nós estamos numa encruzilhada. Nós podemos escolher o caminho do sofrimento ou o caminho de alcançar toda a realidade. Obviamente, há uma enorme diferença entre essas duas direções.

Em todo caso, nós devemos alcançar a correção completa do mundo antes do término dos 6.000 anos que começou com o primeiro homem (Adão). Portanto, nós temos aproximadamente 230 anos. Em outras palavras, todos nós devemos completar a correção e cada um deve adquirir uma alma. Então, todas essas almas se conectam em uma alma comum e sobem ao próximo nível.

Se nós seguirmos o caminho da consciência, à medida que alcançamos o universo e fazemos o trabalho por nós mesmos, seremos capazes de completar essa correção em vários anos, aqui e agora! Se não, continuaremos avançando, mas no mau caminho, o qual não durará mais de 230 anos.

Isso é determinado pela estrutura espiritual das seis Sefirot superiores: Hesed, Gevura, Tifferet, Netzah, Hod e Yesod . É por isso que devemos atingir a correção ao longo de 6.000 anos.

Da Palestra em Roma, 20/05/11

O Embrião Da Alma E O Seu Crescimento

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você pode explicar a ligação entre uma pessoa, a sua alma, e o Criador? Está a dizer que a pessoa não tem alma até a desenvolver?

Resposta: Todas as pessoas têm um ponto na alma, semelhante a uma gota de sêmen. Precisamos de força para a desenvolver. Tal como uma gota de sêmen se liga ao útero, recebe nutrição da mãe, e começa a crescer, nós também precisamos ligar-nos à sociedade e anular-nos em relação a um grupo adequado, como se fosse a barriga da mãe.

Se eu me anulasse, não seria um corpo estranho dentro do grupo, tal como uma gota de sêmen não é recebido como algo estranho. É por isso que o corpo não o rejeita, e o embrião pode crescer.

De forma semelhante, eu anulo-me perante o grupo e recebo a sua força. Então, o meu ponto espiritual, o começo da minha alma, começa a crescer. Neste crescimento, ele segue exactamente as mesmas fases do embrião dentro da mãe. Isto é explicado ao longo de milhares de páginas nos livros de Cabalá. Estas etapas da nossa alma são designadas em conformidade, tais como “concepção, aleitamento, maturação” (Ibur, Yenika, Mochin).

Se a pessoa não começa este processo, por outras palavras, se não revela a dimensão superior que existe fora dela de uma forma ou de outra através da sua ligação com os outros, então o seu corpo morre, e este ponto da alma permanece um mero ponto. Uma vez mais, veste-se num corpo e acompanha-o, dando-lhe a oportunidade para crescer.

Contudo, quando uma pessoa atinge, mesmo o mais pequeno, o primeiro degrau espiritual, ela sente-se já pertencer a outra dimensão, uma dimensão espiritual e eterna. É eterna porque o corpo pode morrer e decompor-se; a pessoa não mais se associa a ele, mas sim ao estado espiritual que atingiu.

Devemos atingir pelo menos o primeiro degrau. Então tornar-se-á mais simples avançar porque a pessoa começa a ver os passos que precisa de tomar.

Da Palestra em Roma 20/5/11

Quando A Crise Se Torna Insuportável

Dr. Michael LaitmanA crise que sentimos hoje é um indicador da nossa falta de unidade entre nós. Em essência, a crise deixa-nos ver que somos egoístas e individualistas completos que vivem num mundo global. E este é o problema. A Natureza está a revelar-nos a globalidade do mundo, mas a nossa natureza egoísta é completamente oposta a ela.

Esta diferença ou abismo entre as duas é sentida por nós como crise. É por isso que sentimos dor e confusão em tudo o que fazemos, e é a razão porque somos colhidos por doenças e infortúnios. Isto vem da falta de semelhança entre o nosso desejo egoísta e a Luz superior.

Por isso, temos de ver a crise actual como o ponto inicial da ascensão da humanidade para o estado especial do qual descendemos, de acordo com o programa contido na partícula informativa que nasceu pela Luz. Nós nascemos aqui, no nosso universo, e agora estamos a voltar a esse estado perfeito.

A parte da humanidade na qual o ponto no coração veio à superfície está a desenvolver-se com a ajuda de duas forças. Tudo o que precisamos são das condições correctas: o grupo, estudo, e o professor. A segunda parte da humanidade está a atravessar um processo de desenvolvimento e a atingir um estado de crise que se está a tornar insuportável. Aqui é quando surge uma questão: O que é que significa “insuportável”?

A sensação de sofrimento horrível pode levar a humanidade a guerras, aniquilações, e todo o tipo de problemas. É exactamente isto que está a acontecer: parte da população está a esquecer-se de tudo através de drogas, outros participam em terrorismo, e outros ainda não estão preocupados com nada – eles afundaram-se completamente no roubo. O egoísmo está a quebrar-se em todas as direcções. Devido à falta de satisfação interior as pessoas sentem que não sabem o que fazer com elas próprias.

Estes fenómenos negativos estão a expor toda a extensão de desespero e descrença que a humanidade sente hoje. E as pessoas não são as culpadas disto. Elas sentem uma pressão interior muito grande, que está a causar explosões de violência. Então o que pode ser feito para aliviar a sua situação?

Já falámos sobre a disseminação da ciência da Cabalá. Esta é a salvação. Se disseminarmos a sabedoria da ciência da Cabalá antes do ego das pessoas vir à superfície, então iremos salvar o mundo de grandes problemas. Por isso, tudo depende das pessoas com um ponto no coração.

Nada depende do mundo e não devemos esperar que seja feita qualquer acção por outras pessoas que não têm um ponto no coração. Elas não têm a força positiva que é capaz de subjugar os seus egos. Elas são apenas transportadoras de um enorme desejo egoísta, e apenas nos dão uma adição da sua insatisfação e dor.

Temos de processar este enorme desejo, sintonizá-lo, e juntos com ele aspirar à unidade. Temos de continuar a estudar e, em resposta, aumentar a disseminação, com ênfase especial na necessidade de nos unir. Somos aqueles que têm de unir em um o nosso desejo comum quebrado– o nosso vaso espiritual comum. Mesmo que ele esteja quebrado, contém partes que estão interligadas, apesar de elas terem qualidades de desejo completamente diferentes. Por isso, se todos os outros se juntarem a estes desejos interligados, eles ficarão também incluídos nesta ligação.

É assim que uma parte da humanidade constrói activamente uma ligação entre cada um, enquanto que a outra parte da humanidade participa no processo de forma passiva.

Da 2ª Lição de Convenção de Madrid 04/06/11

Entender O Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Na sabedoria da Cabalá, você fala sobre o ego do homem, sobre a união com todos, e sobre a necessidade de atingirmos o equilíbrio com a natureza. Mas como isso se relaciona com a conexão com Deus (Elohim)?

Resposta: Na sabedoria da Cabalá, nós falamos da natureza. De acordo com a Gematria (o valor numérico da palavra), “natureza” e “Elohim” são a mesma coisa. Ou seja, se falamos da força superior, da natureza, Deus ou o Criador, não importa como você quiser chamá-Lo, tudo à nossa volta é apenas uma manifestação dessa força.

Se nós falamos da força superior, qual é a diferença chamá-la de “Elohim” ou “natureza”? Ela é a força superior (realmente superior!) que cria e governa tudo, e nós queremos saber como nos conectar a ela, como revelá-la, entendê-la.

Assim, se eu saio de mim mesmo, do meu ego, e começo a revelar a realidade fora de mim, acima do meu ego, isso é chamado de entendimento, realização, revelação do Criador. Naturalmente, tudo isso ocorre dentro de mim e somente em relação a mim.

Aos poucos, eu organizo o meu desejo, minha estrutura espiritual, ou seja, a qualidade de doação e amor para com os outros: Keter, Hochma, Bina, Hesed, Gevurah, Tifferet, Netzach, Hod, Yesod e Malchut. De acordo com essa estrutura, eu conheço as conexões entre eles e, assim, revelo o Criador.

Elohim é também chamado de “Criador” (Boreh), das palavras hebraicas “venha” (Bo) e “veja” (Reh), porque temos que “vê-Lo”, alcançar o estado em que O entendemos, como se O víssemos pessoalmente. Nós fomos criados por Ele para essa finalidade.

Da Palestra em Roma, 20/05/11

O Que A União Nos Dá?

Dr. Michael LaitmanAs pessoas em quem o ponto no coração despertou esforçam-se pela unificação. Embora seja verdade que, quando estão apenas começando a estudar, elas não pensam na conexão, pois ainda não têm essa necessidade. Mas a ciência Cabalística ensina que, particularmente na conexão entre cada um, nós podemos nos elevar espiritualmente e atravessar a Machsom ( barreira espiritual), o renascimento da qualidade de doação dentro de nós.

Nós devemos nos unir acima da Machsom. Desde a Machsom até o estado em que todos alcançaremos a união plena, de zero a 100 por cento, nós temos que subir 125 níveis espirituais de união.

Todo este caminho, do momento em que entramos no grupo, começamos a estudar e tentamos nos conectar, é chamado de período de preparação. Os Cabalistas afirmam que este período pode durar de três a cinco anos e pode ser mais longo, pois é uma preparação muito importante: sem ele, as pessoas não entendem para onde estão se dirigindo.

A pessoa deve se preparar para a sensação do mundo espiritual, criar o ambiente adequado para si mesma, começar a sentí-lo, e avançar junto com ele. Em outras palavras, ela deve entender a necessidade da união com os outros.

Nós devemos nos unir novamente, tendo retornado ao estado em que estávamos habituados a estar no mundo do Infinito, onde estávamos unidos e preenchidos com a Luz superior. Mas, para isso, devemos domar o nosso desejo egoísta. Isso não é fácil e pode demorar anos ….

Da  Lição 2 da Convenção na Espanha, 03/06/11

O Nível Humano Não Encolhe

Dr. Michael LaitmanO Baal HaSulam disse que estava feliz por ter nascido numa geração onde era possível disseminar a sabedoria da Cabalá. A Cabalá nos ensina como combinar as duas forças (de doação e recepção) em uma, como adicioná-las uma na outra para que a soma (Σ) se torne um “humano”.

Esta é realmente uma ciência, uma sabedoria. Isto não é fácil, é difícil. Nós estamos acostumados a seguir a corrente e, de repente, surge uma outra força, levando-nos para algum lugar. Para onde?

A integração das duas forças conduz a um resultado único. No mundo que nós vemos e sentimos há formas das naturezas inanimada, vegetal e animal. Nós pertencemos ao nível animal e ainda não alcançamos nada mais elevado. O nível humano, que começamos a descobrir dentro de nós, é um nível espiritual que abre um novo mundo à nossa frente.

Na natureza, um nível dá vida a outro. Os animais se alimentam de plantas e as plantas absorvem a força da natureza inanimada. No entanto, o nível inanimado não sabe o que significa crescer, desenvolver-se, viver, consumir, excretar, e sentir o ambiente. O nível vegetal, por sua vez, não entende o que significa ser um animal, mover-se, gerar descendentes, e viver em grupos, sem falar das sutilezas da existência dos “animais desenvolvidos”, as pessoas que vivem uma vida muito complicada.

O nível inferior não é capaz de entender o superior; é um mundo completamente diferente. Por enquanto, nós existimos no nível animal e somos governados pelos nossos desejos. Nós não entendemos o que é o nível humano. É impossível mostrar ou demonstrá-lo, do mesmo modo que um animal não pode demonstrar a sua visão de mundo a uma planta.

Além disso, a pessoa que integrou as duas forças (o ponto do coração e o coração, o desejo de prazer e o desejo de doar) e ascendeu ao nível humano do desenvolvimento não pode transmitir a sua sensação para aqueles que ainda o alcançaram. É possível dizer uma coisa: ela sente acima de todas as limitações do corpo físico, porque subiu para um nível diferente. Ela existe em conexão com todos os níveis anteriores e se alimenta deles; no entanto, ela está no seu nível.

Ao ascender ao nível humano (esperamos que isso ocorra o mais rápido possível), nós também preservaremos a relação com este mundo, com todas as suas formas de vida . No entanto, além disso, teremos sensações e intenções completamente diferentes. Nós sentiremos a eternidade e a perfeição no primeiro nível espiritual.

Todo o nosso problema é que queremos receber o prazer, a Luz Superior, embora ela não possa existir em nós, e desaparece imediatamente devido a um “curto circuito”, quando o positivo e o negativo se anulam. Assim, nós devemos trabalhar corretamente na terceira linha, entre essas duas forças.

Nós criamos uma combinação correta: nós colocamos uma espécie de “resistência” (R) no meio, através da qual o positivo e o negativo funcionam corretamente. Isso nos dá os resultados de seu trabalho, e nós recebemos a força deles. Na linguagem da Cabalá, a resistência entre o ponto no coração e o egoísmo é chamada de “tela” (Masach). Neste lugar nós recebemos e sentimos uma nova vida no nível humano (Adão).

Então, nós ficamos livres da morte. Toda vez que eu quero receber a Luz, eu não consigo me adaptar a ela. O prazer com o desejo desaparece, e eu provo um pouco da morte. Eu não tenho mais nada para apreciar e caio em desespero. Eu não quero nada e  recuo. No final, a pessoa “seca totalmente” por causa deste trabalho, e vê que não é bem sucedida. Ela começa a “desaparecer”. As naturezas animal, vegetal e inanimada diminuem gradualmente nela até que ela morre.

No entanto, se entendermos como unir corretamente as forças de doação e recepção dentro de nós mesmos, o positivo e o negativo, atingiremos um sentido da vida no nível humano, uma vida eterna e perfeita.

Da  Lição 1 da Convenção na Espanha, 03/06/11

A Dança De Todos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Hoje nós teremos uma convenção para celebrar o feriado de Shavuot. Mas quando eu imagino o que vai acontecer lá, eu não quero ir para lá. Isso significa que eu tenho que subir acima da razão?

Resposta: As pessoas vão dançar lá, mas você não gosta de dançar. Haverá comida deliciosa lá, mas você não vai gostar. Haverá muitas crianças lá, e você não está muito animado com isso. Acontece que não há realmente nenhuma razão para você ir.

Ou você pode imaginar a situação de forma diferente: o que me importa a comida, os movimentos que as pessoas fazem com seus corpos, as músicas, as crianças gritando, e todas as pessoas que estão lá? Tudo isso é a forma externa do desejo que está sendo despertada pelo Criador. Ele reúne as pessoas que querem se aproximar Dele. Fora de toda a Malchut do mundo do Infinito, ele reuniu um grupo de desejos individuais, de modo a uni-los no futuro.

É por isso que Ele agora lhes dá essa necessidade. Eles nem sabem por que as coisas saíram desse jeito. Cada um tem suas próprias razões para vir e cada um imagina de forma diferente por que está lá. Mas eu vim para me juntar ao desejo do Criador, que está oculto neles.

Você pode se sentar calmamente no canto e tentar sempre manter a intenção de estar conectado o desejo deles. Eu não olho para os seus impulsos interiores, mas precisamente para o desejo que o Criador desperta neles. Isto é o que eu preciso. Esta necessidade é a minha alma. Afinal, eu tenho apenas um ponto no coração e tenho que juntar estes desejos a mim, os quais me darão o volume do vaso espiritual. Então, eu serei capaz de avançar.

No entanto, se eu não fizer uma conexão com eles, onde é que obterei o desejo, onde encontrarei minha alma? Onde eu receberei a revelação do Criador? Sozinho eu não tenho e não terei nada além do ponto inicial. Portanto, eu não deveria ir à convenção? Eu devo deixar a oportunidade passar?

Pergunta: Eu não posso assistir à transmissão na televisão e, assim, unir-me com o desejo das pessoas? É realmente necessário estar fisicamente presente?

Resposta: Isso depende do que torna mais fácil para eu ser permeado pelo desejo deles e sua erupção, e de quantos esforços farei para isso. Talvez se eu assistir de casa, receberei 50 quilos do desejo deles, mas se eu for lá, mesmo sentado no canto, experimentarei uma repulsa tão grande, que adquirirei apenas 2 quilos. No entanto, se eu me preparar com antecedência, se eu começar a dançar com eles, embora eu deteste fazer qualquer coisa assim, se eu mantiver a intenção dentro (Por que eu estou fazendo isso?), então será muito benéfico.

Todos nós trabalhamos acima do desejo, embora não falemos disso o tempo todo. Todo o trabalho espiritual é feito acima do desejo, de modo que a mente governará o coração.

Da 1ª parte da Lição Dária de Cabalá 06/06/11, Escritos do Rabash

Como Podemos Justificar O Criador?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós aprendemos na sabedoria da Cabalá que “não há outro além Dele”, e que o Criador é bom e perfeito. Mas se a pessoa que revelou isso se torna testemunha de um assassinato, como ela deve se sentir em relação a isso?

Resposta: Quando nós vemos o mal no nosso mundo, nós nos perguntamos: “Como é possível que o Criador seja bom e perfeito, o bem que faz o bem? Tudo o que a ciência da Cabalá diz se refere aos estados no nível acima da “Machsom” (a fronteira entre os mundos material e espiritual). A Bondade governa apenas nesses níveis. Ao obter a qualidade de doação, você começa a entender que o mundo é belo e o Criador é bondoso.

Abaixo deste limite, uma pessoa come a outra, literal e metaforicamente. Aqui, nós não devemos esperar boas ações; pelo contrário, todos nós vamos nos sentir cada vez pior, pois ela nos obriga a nos livrar do nosso ego.

Se nós nos acomdássemos, o Criador nos trataria com bondade, a vida seria boa, e nós permaneceríamos pequenos egoístas, apreciando as pequenas coisas. Só a infelicidade nos empurra para o desenvolvimento.

Quando você atravessa a fronteira entre os mundos material e espiritual, você se desenvolve mais por sua própria vontade. Você não precisa mais de problemas, porque você mesmo gera a força para o seu desenvolvimento.

Da Lição 1 da Convenção de Madrid, 03/06/11

Cabalá Para Os Tempos Modernos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você está familiarizado com os escritos do Cabalista Isaac, o Cego (rabino Yitzhak Saggi Neor, 1160-1235, Provença, França)?

Resposta: Nós estudamos três fontes principais da sabedoria da Cabalá: O Livro do Zohar, os escritos do ARI (principalmente seu livro “A Árvore da Vida”, e as obras do Baal HaSulam, o grande cabalista do século XX). O Baal Há Sulam nos transmitiu a sabedoria da Cabalá sob a forma mais adequada para sua publicação e disseminação ao mundo inteiro.

Dentre todos os grandes Cabalistas, começando com a Babilônia e até hoje, cada geração produziu vários outros Cabalistas. Mas alguns deles se ocultaram e outros escreveram muito pouco, já que até recentemente, apenas 30 anos atrás, para revelar uma parte da Cabalá, a pessoa tinha que receber uma permissão especial do Alto. Por isso, os Cabalistas raramente escreveram, e quando o faziam, era de uma forma secreta.

E só no século XX, quando chegou o momento da revelação da Cabalá às massas, de modo a corrigir o ego coletivo, o Baal HaSulam escreveu aquilo que foi autorizado a divulgar. Essa parte específica da Cabalá nós estamos oferecendo ao mundo.

Da Palestra em Roma, 20/05/11

A Cabalá Sem Um Traço De Misticismo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como é que os primeiros mestres da sabedoria da Cabalá receberam esse conhecimento? Onde está a sua origem? As pessoas pensam que a Cabalá é algo próximo da magia, e muitos mitos a cercam.

Resposta: Adão foi o primeiro Cabalista e viveu há 5772 anos. Ele foi o primeiro de toda a humanidade que descobriu que existe um sistema integral da natureza e é possível revelá-lo.

Pessoas viveram antes dele, mas ele foi o primeiro homem na história que questionou: “Para que eu vivo? Qual é o segredo da vida? Onde está a sua origem?”. Ele escreveu um livro sobre isso; ele chegou até nós e é chamado de O Anjo Secreto (Raziel HaMalach). Um anjo é uma força. O “anjo secreto” significa a “força oculta”. É um livro pequeno, com algumas dezenas de páginas.

O próximo livro foi escrito por Abraão há cerca de 3700 anos e é chamado de O Livro da Criação (Sefer Yetzirah). Pela primeira vez, de forma sistemática, este livro explica: as “Sefirot“, as 32 forças que descem até nós e estão conectadas entre si.

Ao mesmo tempo, vários Cabalistas escreveram juntos mais um livro Cabalístico, O Grande Midrash (Midrash HaGadol), que significa explicação, comentário. Muitos mais livros foram criados depois desse, até o surgimento do maior livro Cabalístico, O Livro do Zohar, escrito por volta de 2.000 anos atrás.

Depois disso, muitos livros foram escritos, até a época do Ari, que viveu no século XVI. O principal livro do Ari foi “A Árvore da Vida” (Etz Chaim), que fala sobre as Sefirot e os mundos e é cheio de desenhos e diagramas.

Do imenso número de livros que surgiram depois dele, os mais importantes para nós são os livros do Baal HaSulam, escritos no século XX.

Todos estes livros não eram conhecidos do público em geral. Eles eram mencionados apenas ocasionalmente, como se ocorresse uma “fuga de informação”. Isso formou uma aura misteriosa em torno da Cabalá, como se ela estivesse envolvida em misticismo, forças secretas, ajudasse a realizar milagres e prever o futuro através das cartas de Tarô. Na realidade, isso não tem qualquer relação com a Cabalá!

É claro que a Cabalá usa símbolos, diagramas, gráficos, desenhos, Gematria (o valor numérico das palavras). A Cabalá estuda a alma e suas fases de crescimento. Mas não há nada de místico nisso. Eu diria que é simplesmente a física da dimensão superior.

A Cabalá não está associada com a religião e as práticas místicas. É uma ciência para as pessoas que querem saber. Naturalmente, elas têm que trabalhar e corrigir-se. Eu gostaria de comparar isso com o ato de sintonizar o aparelho de rádio, o qual é cercado por muitas ondas de rádio de freqüências variadas. Se eu sintonizar o aparelho de rádio e criar a onda que corresponde à onda existente fora, eu recebo essa onda externa e posso ouvir o sinal.

A ciência da Cabalá nos ajuda a criar essas ondas dentro de nós, e começamos a sentir a força existente fora de nós, a perceber e estudá-la. Nós desenvolvemos os sentidos internos da audição e da visão. O sentido interno da audição é chamado de nível de Biná (Sefira Biná), e o sentido interno da visão é chamado de nível de Hochmá (Sefira Hochma).

Da Palestra em Roma , 20/05/11