Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 258

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 258

O que é o medo do outro mundo?

O medo do outro mundo é o medo do Criador. O medo está sempre presente em nós e nasce do vazio dos nossos vasos. Tememos não ser capazes de preencher nossos vasos vazios, ou nos preocupamos em não sermos capazes de preencher o Criador com nossos vasos. Se adquirirmos uma tela que nos permita não pensar em nós mesmos, mesmo quando estamos vazios, e nos deleitarmos na misericórdia (Hafetz Hesed) apesar do nosso vazio, sentir plenitude mesmo quando estamos vazios e nos deleitando na misericórdia, poderemos pensar em como preencher o Criador. Antes de adquirirmos essa tela, não conseguimos pensar nisso de forma alguma.

Disso podemos compreender que a correção deve ser gradual. No início, pensamos apenas em nós mesmos. Depois, examinamos até que ponto pensamos em nós mesmos e nos perguntamos se isso nos distancia da espiritualidade. Mesmo dentro do ato de pensar em nós mesmos, existem vários discernimentos, incluindo a questão de com o que queremos nos preencher neste mundo, se queremos nos preencher com pequenos ou grandes prazeres, se pensamos apenas em nós mesmos e não nos importamos com os outros a ponto de podermos matá-los ou extorquir algo deles, ou se já sabemos como levá-los em consideração, e assim por diante. Existem todos os tipos de estados e graus.

Depois, começamos a pensar: “Não vale a pena desfrutar deste mundo. Existe um outro mundo. Queremos desfrutar da espiritualidade.” Quando pensamos assim? Quando há algo de espiritual em nós, quando temos um ponto no coração. Quando esse ponto no coração começa a emergir, em vez dos prazeres deste mundo, queremos receber os prazeres do outro mundo. Então começa o tempo de preparação, durante o qual começamos, por assim dizer, a receber prazeres espirituais. Nós os desejamos. A luz circundante ilumina a existência de prazeres na espiritualidade, e também compreendemos algo da natureza generosa do Criador.

Quando a luz brilha, ela sempre dá algo de sua natureza doadora. Portanto, em Lo Lishma (Lo Lishma é quando buscamos prazeres do Criador, da espiritualidade), captamos algo da iluminação da luz circundante, algo de Lishma. A luz, seja interna ou externa, sempre brilha junto com o prazer e proporciona uma sensação de sua natureza.

Pela natureza da luz que captamos, pela graça de Kedusha, já começamos a sentir que existe algo mais e que seria bom se pudéssemos permanecer neste ponto da graça de Kedusha, sem todos os outros prazeres deste mundo. Por que seria bom? Porque a luz nos dá a sensação de ser a coisa mais sublime e de estarmos desapegados de inúmeros problemas e dificuldades. Enquanto isso, tudo ainda está em Lo Lishma, mas já existe a graça de Kedusha. Neste estágio também existem muitos estados, e depois vem o estado de Lishma.