O Que Está Escrito Nos Livros Cabalísticos

209Pergunta: Por que não é afirmado de forma clara e categórica que nossa obrigação como seres criados é alcançar a conexão plena através do princípio de “Ame o seu próximo como a si mesmo”?

Resposta: Todos os livros Cabalísticos falam sobre o desdobramento dos mundos, Partzufim e Sefirot de cima para baixo, ou sobre a correção individual de uma pessoa de baixo para cima, onde ela deve passar a odiar o desejo de receber para si mesma, aspirar à doação, perceber que é impossível alcançar a doação por conta própria e, então, voltar-se ao Criador para que Ele a ajude a transcender a recepção e alcançar a doação, encontrando assim seu propósito, missão e realização em doar a Ele.

Isso é descrito em grande detalhe. O que não é dito precisamente, no entanto, é que essa correção se concretiza por meio da conexão dentro do grupo, do trabalho em grupo, da doação ao próximo e da sensação de apoio e garantia mútua. Há apenas indícios isolados disso na Torá: “Ame o seu próximo como a si mesmo”. Mas como isso se conecta com o amor pelo Criador? “Não faça ao outro o que você não gostaria que fizessem a você”. Por que existimos em um mundo tão imenso em vez de simplesmente nos sentirmos diretamente conectados com o Criador? Por que precisamos deste mundo inteiro?

Tudo isso não está esclarecido nos livros; ou seja, a conexão entre o trabalho de uma pessoa em relação ao Criador e o trabalho dessa pessoa com o grupo não é esclarecido. Está escrito: “Do amor aos seres criados ao amor ao Criador”, mas isso não é declarado de forma clara e categórica o suficiente para que todos, religiosos e seculares, entendam que o problema reside precisamente em “Ame o seu próximo”.

Hoje, nos encontramos diante da necessidade de resolver precisamente esse problema para o qual a crise global nos impulsiona. Trata-se de uma crise social, e não econômica, resultante do fato de todos existirmos em uma sociedade egoísta que se autodestrói. Sua solução só será possível se compreendermos que temos a obrigação de buscar a união. Contudo, não conseguiremos alcançar essa união a menos que descubramos que existe apenas uma força capaz de nos auxiliar nesse processo.

Aqui, nos encontramos entre a vida e a morte. Precisaremos do Criador para sermos salvos da morte. É precisamente assim que Ele se revela. Portanto, o nosso tempo é verdadeiramente o tempo da vinda do Messias (Mashiach), isto é, a revelação do Criador aos seres criados, para que, por um lado, sejamos salvos da morte, mas, na verdade, para que possamos alcançar um mundo repleto de bondade e benevolência, um mundo que existe inteiramente em doação divina, na revelação do Criador ao único ser criado no qual todos se unem. Então, o Criador lhes é revelado.

Portanto, o que é especialmente importante é essa conexão entre o estado atual do mundo e a necessidade urgente da revelação do Criador na relação entre nós.

Embora as fontes da Cabalá não detalhem isso explicitamente (oferecendo apenas referências dispersas), devemos produzir artigos e materiais explicativos e descrever o processo de transição do “eu” para o grupo, do grupo para o mundo e do mundo para a espiritualidade — para o Criador e a força da doação que conectará tudo e preencherá toda a realidade, todos os seres criados e todo o vasto desejo.