Receber As Tábuas E Sua Quebra

740.02O que significa adquirir a Torá (da palavra Horaah, instrução ou método)? Tudo se faz somente através da luz e dos vasos; não há nada mais. Quando se recebe a luz que pode gradualmente corrigir os vasos, é necessário que essa luz e os vasos não existam simplesmente como duas coisas opostas, mas que a luz primeiro penetre nos vasos e lhes transmita suas qualidades.

Isso ocorre depois que a luz superior chamada Moisés (da palavra “Limshoch” – atrair, puxar o egoísmo de baixo para cima, em direção à luz) desce. Moisés personifica a aspiração de todas as qualidades de uma pessoa de serem corrigidas e de atrair a luz superior para si. Ou seja, depois que Moisés atrai essa luz para si, visto que a alma inicialmente possui apenas uma única qualidade, o ponto no coração, a alma deve sofrer uma quebra.

Nós sabemos que toda conexão começa com a quebra dos Kelim (vasos). Posteriormente, as qualidades da luz penetram nas qualidades dos Kelim e estabelecem uma conexão entre elas. Somente depois, através de uma luz diferente, a luz da correção, as centelhas de luz que caíram no ego durante a quebra começam a alinhar o ego consigo mesmas e corrigi-lo.

Assim, a quebra dos Kelim deve ocorrer. Moisés recebe a Torá e desce com ela da montanha até as demais qualidades (o povo) enquanto elas confeccionam o bezerro de ouro. Moisés quebra simbolicamente as tábuas; isto é, a luz entra no vaso e a quebra acontece.

O processo de quebra dos Kelim já havia ocorrido no mundo de Nekudim e com Adam HaRishon. Agora, a mesma coisa está acontecendo. É um único e mesmo processo, sem o qual não haveria conexão entre a luz e os Kelim. A luz quebra esses vasos.

Isso ocorre no dia 17 de Tamuz. Moisés quebra as tábuas e a luz entra no vaso. Então, algum tempo se passa até o primeiro dia de Elul, um novo mês, seguido um mês depois, após a lua nova, pelo Ano Novo (Rosh Hashana).

Isso significa que Moisés sobe novamente ao Monte Sinai e recebe as segundas tábuas. Em outras palavras, a luz dentro do vaso é processada novamente, e torna-se possível, mais uma vez, elevar-se e pedir a luz da correção. Quando a luz da correção desce sobre uma pessoa, ela começa a se enxergar dentro dessa luz.

Mais uma vez, assim como da primeira vez, Moisés permanece em contato com a luz por 40 dias, no nível de Bina. Então ele desce, o que significa que a luz começa a passar para todas as qualidades restantes, para todo o povo.

A descida da luz para Malchut e sua completa oposição são celebradas entre nós como Yom Kippur. Através da quebra da alma, a pessoa começa a compreender que não possui uma única qualidade boa e que tudo precisa ser corrigido. Mas ela aprende isso porque, dentro de cada qualidade egoísta da alma, já existem centelhas de luz que caíram durante a quebra, quando a luz entrou pela primeira vez. Agora, uma segunda luz brilha, a luz da correção, semelhante às segundas tábuas.

Há uma diferença entre as primeiras e a segundas tábuas, assim como há uma diferença entre o Primeiro Templo e o Segundo Templo. Aqui, outra luz desce, a luz da correção. Ela não precisa mais quebrar os vasos, entrar neles e se misturar com eles. Em vez disso, deve brilhar de longe e corrigir gradualmente o vaso. Ela possui qualidades diferentes.

Da Lição Diária de Cabalá 25/09/26, Convenção de Sitrin, Sucot 2003