Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 237
Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 237
Por que novas percepções nos trazem uma sensação familiar?
Os novos discernimentos parecem novos, mas quando examinamos a forma como são expressos, vemos que as palavras são as mesmas palavras familiares. Na sabedoria da Cabalá, aprendemos que toda a realidade consiste apenas nas dez Sefirot originais. Não há nada além disso. Os mundos e as almas estão dentro delas. Tudo existe nas dez Sefirot. A diferença reside na forma como esses novos discernimentos nos fazem sentir essas dez Sefirot, que é diferente e mais profunda. A profundidade de sua percepção consiste em 125 graus.
Ainda estamos antes do grau zero de realização. Além disso, mesmo antes de começarmos a alcançar as dez Sefirot, antes da barreira, existem etapas e discernimentos. No entanto, em princípio, o quadro é o mesmo, como aprendemos na Cabalá, que todos os mundos são construídos segundo o mesmo padrão: cinco Partzufim e dez Sefirot. Ou seja, tudo é igual e repetimos a mesma coisa. Uma criança de três ou quatro anos aprendendo a ler a Torá e um Cabalista como o Rabino Shimon leem a mesma Torá, mas cada um compreende diferentes camadas dela.
O que uma criança que lê a Torá diz à sua mãe? “Mamãe, olha, Abraão queria matar Isaac”. Era assim que ela entendia a Torá. Um Cabalista, porém, conhece a correção que a Torá descreve no caso de Abraão e Isaac, uma correção que transcende este mundo, e a alcança, a vê por meio de forças espirituais, por meio de uma visão eterna. Contudo, a expressão permanece a mesma, com as mesmas letras e palavras.
Quando começamos a estudar, descobrimos que a cada vez enxergamos algo novo no material de estudo. Imagine que os alunos estão em uma aula lendo um artigo com seu professor Cabalista. Depois, um dos alunos pergunta ao professor sobre o significado do texto. Como o Cabalista sabe algo além do que eles já sabem? Porque o Cabalista enxerga profundidades adicionais no artigo que estão ocultas aos olhos dos alunos. O Cabalista não consegue transmitir ao aluno o que sente, mas explica o que vê com outras palavras.
Para os estudantes, o artigo é revelado apenas até certo ponto. Para o Cabalista, revela camadas mais profundas, e há aqueles para quem nada será revelado. Eles lerão o artigo e não haverá resposta em seus corações porque ainda não possuem um vaso espiritual. Entre os estudantes, tal vaso já começa a se formar. Então, qual é a diferença entre o estudante e o Cabalista? A diferença é que, quando o Cabalista explica algo ao estudante, ele lhe oferece um pouco de iluminação da profundidade em que ele próprio reside, elevando-a ao nível em que o estudante se encontra. Em outras palavras, o Cabalista adiciona sua própria luz à luz circundante que o estudante desperta durante o estudo.
Um grupo também pode adicionar luz. Em um grupo, cada pessoa compreende com uma profundidade maior do que a de uma pessoa que não estuda a sabedoria da Cabalá. Portanto, quando estudam juntos com a intenção de compartilhar tudo uns com os outros, todas as luzes ao seu redor se unem e influenciam a todos. Disso podemos compreender o quanto o grupo é um poderoso amplificador de força espiritual.
Não importa que haja diferenças de conhecimento entre as pessoas do grupo, nem que haja um Cabalista entre eles e todos os outros saibam menos do que ele. As diferenças decorrem do fato de que cada pessoa possui um caráter único e uma essência singular. Mesmo assim, o Cabalista se beneficia dessa integração e dela recebe algo a mais. Há coisas que o Cabalista não conseguirá compreender sem a presença de certos amigos no grupo, cada um contribuindo com algo único.