Podemos Nos Corrigir?
Cada um de nós possui todos os tipos de qualidades. Algumas nos parecem boas, outras ruins; concordamos com algumas e discordamos de outras.
Muitas das nossas características são desconhecidas até para nós mesmos. Nós as descobrimos dentro de nós e ficamos horrorizados ou, pelo contrário, talvez nos sintamos satisfeitos com o que descobrimos. Temos qualidades que escondemos de nós mesmos; temos vergonha de que elas existam em nós, então as ocultamos no fundo do nosso ser.
Nós também nos apresentamos a nós mesmos de uma certa maneira. Uma revelação completa de nós mesmos poderia causar tanto sofrimento que uma pessoa simplesmente não seria capaz de continuar existindo. Portanto, nos mantemos constantemente em um estado falso, porém confortável.
Mas imaginemos o verdadeiro significado da nossa natureza; ficamos horrorizados; e depois? Seremos sequer capazes de nos corrigir?
Uma antiga oração diz: “Deus, conceda-me a força para mudar o que posso em minha vida. Conceda-me a coragem para aceitar o que está além do meu poder de mudar. E conceda-me a sabedoria para distinguir uma coisa da outra”.
Esta é uma maneira adequada e prática de encarar a vida. Diz respeito a uma pessoa comum: mostre-me o que posso fazer e saberei onde posso concentrar meus esforços; mostre-me o que não posso fazer — por que continuar insistindo se não posso mudar nada?
Em outras palavras, deixe-me ver isso e me dê forças para trabalhar no que posso mudar. Se eu soubesse exatamente o que posso mudar e o que não posso, e conseguisse lidar com essa diferença de forma inteligente, a vida já seria muito mais fácil.
Mas esta oração não fala apenas de uma vida pacífica e cotidiana. Fala do fato de que, apesar de tudo, precisamos nos corrigir completamente. Como podemos fazer isso?
Posso afirmar uma coisa: até que uma pessoa comece a sentir o Criador, antes do Machsom, não de forma explícita, mas como uma manifestação implícita do plano geral, o campo comum do amor que permeia e guia tudo, não há esperança ou possibilidade de que algo dentro dela mude.
Mas como podemos nos corrigir? Não podemos! Somente a manifestação do Criador pode nos ajudar: a revelação da luz, a sensação do mundo em que vivemos e a compreensão de que, por trás de tudo o que percebemos atualmente, existe uma força governante única, constante e benevolente. Até que a sintamos, não desejaremos nos tornar como ela. Mas, assim que a sentirmos, começaremos a nos corrigir nessa medida.
Aqui podemos tirar uma conclusão muito importante: uma pessoa nunca deve pensar que precisa se corrigir sozinha, porque isso é impossível. Ninguém espera que nos arranquemos pelos cabelos do pântano em que estamos presos. Somente na medida em que o Criador se revela a nós e nos atrai para Si é que somos corrigidos.
Portanto, esta é a única coisa em que devemos pensar e pela qual devemos nos esforçar. Mas não devemos nos esforçar por isso porque “será bom”. Devemos nos esforçar porque queremos nos assemelhar a Ele, porque desejamos ser como Ele em relação à humanidade e à criação.
Da Lição Diária de Cabalá, 24/09/26, Convenção de Sitrin, Sucot 2003