Existe Santidade Nos Atributos Do Mundo Material?
Todo o nosso trabalho é interno. Como podemos manifestá-lo? Apenas externamente. Naturalmente, organizar nosso trabalho interno requer certas ações externas. Afinal, reunir um grande grupo exige esforço neste mundo.
Buscamos deliberadamente oportunidades para passar mais tempo juntos, fortalecer nossos laços, descobrir atividades em comum e expressar exteriormente o que cada um de nós guarda dentro de si. Precisamos de alguma forma, alguma base, algum material para nos comunicarmos uns com os outros.
É por isso que precisamos desta tenda (a Sucá) com todas as suas características simbólicas: um teto que simboliza a tela (Masach), acima da qual entra a luz superior pelas aberturas. Todo esse simbolismo corresponde ao mundo superior. Mas, em princípio, a mesma coisa existiria sem uma Sucá.
Utilizamos diversos atributos externos para nos conectarmos uns com os outros. Como fazemos isso juntos, investindo esforços conjuntos, criamos assim a base sobre a qual construímos o Kli comum. Fazemos isso unicamente para criar unidade, adesão e conexão entre nós, começando no nível mais básico, o animal, e continuando para cima.
Se há algo sagrado ou sublime aqui, algo direcionado ao Criador, é porque investimos nossos desejos nisso. Fazemos isso não para construir uma bela Sucá, mas para gerar o esforço coletivo necessário e infundi-lo com nossos próprios desejos e aspirações.
Desejamos que nossa aspiração pelo plano superior se revele em última instância e evoque uma poderosa luz circundante. Caso contrário, não haverá santidade nisso.
Até mesmo o Templo de Jerusalém foi destruído assim que os discípulos do Rabino Akiva começaram a se odiar. O Rabino Akiva disse: “Ame o seu próximo como a si mesmo”; esta é uma lei fundamental. Mas, de repente, o egoísmo se alastrou dentro deles.
O fato é que eles haviam chegado a um estágio histórico específico em que o egoísmo deveria aumentar. Ele aumentou tão acentuadamente em todos os vinte e quatro mil discípulos do Rabino Akiva que, em vez de amor, eles imediatamente começaram a se relacionar uns com os outros de forma egoísta, o que significava que passaram a se odiar.
E o Templo foi imediatamente destruído. Do contrário, o que teria restado daqueles tijolos? Algum tipo de palácio? As pessoas teriam feito visitas guiadas pagas até lá? O que mais teria existido? Nada.
Em outras palavras, sem uma atitude interior, toda essa exterioridade não tem significado. Portanto, ela desaparece do nosso mundo, é destruída e se desvanece, porque sua raiz espiritual desaparece. Por essa razão, não há nada de sagrado nesta pequena cabana (Sucá) se seus pensamentos não estiverem voltados para o espiritual.
A lei é a lei. Ninguém pergunta sobre suas intenções. Uma pessoa pode dizer: “Eu gostaria; eu desejaria; eu tenho tais intenções”. O mundo não é julgado por nossas intenções, mas pelo grau de nossa correção interior.
Da Lição Diária de Cabalá de 24/09/26, Convenção de Sitrin, Sucot 2003