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A Dezena É O Novo Eu

934A anulação e a subjugação são muito importantes no trabalho espiritual porque simbolizam a transição da autoridade do egoísmo para a autoridade da força de doação, amor e unidade com o Criador.

Existem duas autoridades: a inclinação ao bem e a inclinação ao mal; cada vez que mudamos de uma para a outra, caímos e subimos, de modo que em nossa conexão, em sua comparação, na avaliação de uma em relação a outra, nos encontramos.

Nosso lugar não é dentro da inclinação ao mal, mas também não é dentro da inclinação ao bem, porque nela desapareceríamos. Portanto, precisamos estar no meio para ser um indivíduo independente. Isso só é possível estando integrado na dezena. Na dezena, temos a oportunidade de afirmar nosso status, nos tornarmos seres humanos e adquirirmos independência e a imagem de Adão.

Pela garantia mútua entre nós, tornamo-nos semelhantes ao Criador, o estado em que temos o direito de ser chamados de seres humanos.

Portanto, à medida que a pessoa avança na espiritualidade, ela se sente cada vez menos confiante, cada vez mais duvidosa de sua compreensão e sentimentos. Em contraste com este mundo onde todos estão firmes em suas próprias opiniões, uma pessoa que anseia pela espiritualidade se sente confusa, desamparada, como uma criança perdida. Parece-lhe que está perdida no grande mundo e cortou sua conexão com a realidade.

Na verdade, são momentos felizes no caminho espiritual porque aos poucos começamos a ver que existimos no grupo, na dezena. Parece-me que o salvador veio e me tira do desamparo e do desespero, do vazio da minha mente e do meu coração.

Nesse estado de desespero, lembramos de repente que temos um grupo. É assim que o Criador está nos dando a direção certa, como se dissesse “Você quer ser homem, quer crescer? Por favor, aqui está sua próxima imagem, sua próxima forma”. Você se sente perdido agora, e isso é bom. O novo você é a dezena. Integre-se nela, dissolva-se nela e aí você se encontrará, sentirá o mundo.

Não há nada fora da dezena. Na medida em que você sentir seus amigos e entrar no estado correto, você entrará em um novo mundo, uma dimensão espiritual. Em nossa época, estamos passando por essa junção entre mundos, a fronteira entre o mundo anterior, antigo e individualista, e o mundo integral perfeito.

No mundo anterior, um único Cabalista poderia revelar a força superior, mas agora temos que nos conectar em dezenas. Caso contrário, não temos chance de revelar espiritualidade. Somente conectando-nos com os amigos encontramos um escudo, um volante e os meios corretos para avançar em direção à meta que aparece no final de um caminho suave. Todo o caminho passa por uma conexão cada vez maior na dezena. Assim, eu saio de um estado perdido e sem esperança.

Quando eu percebo que todo o meu progresso é feito apenas por meio da conexão no grupo, tudo fica claro para mim e um caminho reto se abre. Nada mais é necessário, a não ser conectar-se com os amigos a fim de sentir a confiança em nossa conexão que vem do Criador que está oculto lá. O Criador gradualmente se aproxima e se revela porque eu almejo a conexão.

É por isso que estou tão feliz com minha dependência da dezena, desse pequeno círculo. Todo o caminho fica muito simples: eu só preciso me anular perante a dezena e assim avançarei em direção à meta. A implementação é clara e está em minhas mãos.

Eu estava me sentindo desesperado, como uma criança perdida, um zero completo, e de repente descubro que tenho tudo, tudo está na minha frente. Não há nada além dos amigos, e vou encontrar tudo neles.

Se estou fora do grupo, sinto-me completamente desamparado, afogando-me no egoísmo e em perguntas que não têm respostas. Toda a confiança e alegria, felicidade e realização estão em minha conexão com a dezena. Só aí, na direção de dentro dela, encontro meu bom futuro.

Eu preciso do grupo porque é onde está minha alma. Todos os estados negativos surgem apenas da desconexão da dezena, e todos os estados positivos só podem estar em conexão com ela, de modo que eu não me imaginaria sem a dezena, como está escrito: “pois estou apaixonado”.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 01/01/21, “Anulação e Submissão”

“Eu Sou Perfeito! São Todos Os Outros Que São Terríveis ”(Linkedin)


Meu novo artigo no Linkedin: “Eu Sou Perfeito! São Todos Os Outros Que São Terríveis”

Veja o título; não é isso que todos nós pensamos? O mundo está em péssimas condições; veja o que aconteceu apenas neste ano: as pessoas se tornaram más, hostis, desconfiadas e contenciosas. Veja o que aconteceu com a eleição presidencial; veja o que está acontecendo com a Covid-19; olha o que está acontecendo nas ruas, entre negros e brancos, os super ricos e, enfim, todo mundo, entre policiais e civis, com desemprego e pacotes de estímulo, e a lista não tem fim. Para onde quer que você olhe, não encontrará nada de bom. A única exceção, é claro, sou eu. As pessoas são terríveis, mas eu? Não há nada de errado comigo. Não é isso que todos nós pensamos? E se todos pensamos assim, exceto, talvez, para muito poucos, é de admirar que nosso mundo seja o que é?

Podemos contar a nós mesmos um milhão de histórias sobre porque não podemos fazer nada pelo mundo, que pessoas ou países poderosos nos impedem de nos conectarmos ou que são os verdadeiros destruidores do mundo. Essas histórias podem ser verdadeiras, mas ainda temos que nos perguntar se fizemos o nosso melhor onde poderíamos fazer a diferença. Porque se não o fizermos, seremos culpados pelo mau estado do mundo.

Na sabedoria da Cabalá, vemos as coisas de maneira bem diferente: está escrito na Mishná (Sinédrio 4:5): “Cada pessoa deve dizer: ‘O mundo foi criado para mim’”. De acordo com o livro Likutei Moharan, “Segue-se que se o mundo inteiro foi criado para mim, eu tenho que olhar e mergulhar na correção do mundo em todos os momentos, satisfazer as necessidades do mundo e orar por eles.”

Em outras palavras, o fato de o mundo ser ruim não é porque outras pessoas sejam ruins e eu seja o único bom. Pelo contrário, é ruim porque tenho sido negligente em meu dever de “olhar e mergulhar na correção do mundo em todos os momentos, satisfazer as necessidades do mundo e orar por eles”. Ou seja, é ruim porque não estou fazendo meu trabalho; é minha culpa que as pessoas estejam sofrendo.

E quando você olha para o tipo de trabalho que temos que fazer para tornar o mundo um lugar melhor, você descobrirá que nosso único trabalho é fortalecer nossa coesão. Nada mais está errado com o mundo, exceto como nos relacionamos uns com os outros e com a natureza como um todo. A sabedoria da Cabalá vê cada pessoa como totalmente responsável perante o estado do mundo, sem exceção. Podemos contar a nós mesmos um milhão de histórias sobre porque não podemos fazer nada pelo mundo, que pessoas ou países poderosos nos impedem de nos conectarmos ou que são os verdadeiros destruidores do mundo. Essas histórias podem ser verdadeiras, mas ainda temos que nos perguntar se fizemos o nosso melhor onde poderíamos fazer a diferença. Porque se não o fizermos, seremos culpados pelo mau estado do mundo.

Se todos nós agíssemos com base nessa premissa, o mundo certamente seria um ótimo lugar, e nenhum magnata da mídia seria capaz de mudar isso para pior. A única coisa necessária para o aprimoramento de nosso mundo é nossa determinação em fazê-lo.

Feliz Ano Novo.

“Uma Quarta Eleição, E Sem Fim À Vista” (Times Of Israel)

Michael Laitman, no The Times of Israel: “A Quarta Eleição, E Sem Fim À Vista”

Ainda não nos recuperamos da torrente de três eleições gerais consecutivas e uma quarta já está em andamento. Além disso, de repente, todos pensam que podem ser melhores, senão o melhor, primeiro-ministro do Estado de Israel.

Mas se você me perguntar, essa atitude frívola em relação à tarefa de ser o primeiro-ministro de Israel indica um lapso de compreensão e falta de responsabilidade. Os egos das pessoas cresceram a ponto de quererem apenas governar, ser reis, mesmo que apenas por alguns minutos, e independentemente das consequências. Vejo uma semelhança distinta entre o que está acontecendo agora e o que aconteceu ao povo de Israel pouco antes da ruína do Segundo Templo e do exílio de Jerusalém. Naquela época, o Sumo Sacerdote comprava ou subornava para obter o título e servia por um período muito curto até ser retirado de lá e substituído por outro. Não havia mais santidade naquela instituição, apenas lutas pelo poder e o desejo de ser “rei por um dia”. Todos nós sabemos como terminou.

Isso não está acontecendo apenas em Israel. Em todo o mundo, não existem sistemas que preparem as pessoas para serem governadores. Como se pode esperar que uma pessoa saiba como governar um país sem preparação prévia? Qualquer trabalho exige aprendizado e preparação, mas o trabalho mais impactante do país não? Onde está o sentido dessa abordagem?

Anteriormente, nas monarquias, um príncipe nascia sabendo que um dia se tornaria rei. Desde o primeiro dia, ele aprendia o que isso significa, o que implica, como controlar os nobres, como liderar o exército e administrar um sistema de tributação que pudesse sustentar a monarquia e o monarca. Nesse sentido, a democracia é um sistema fracassado à revelia, pois permite que pessoas que nada sabem sobre governar proclamem que merecem governar com base apenas em sua palavra. Porque sabem que estão aqui hoje e amanhã partem, não sentem nenhuma responsabilidade. Elas afirmam trabalhar para o bem das pessoas quando tudo o que realmente querem é usar seu mandato no topo para ganhar o máximo possível para si mesmas.

Um rei, por outro lado, sente que a monarquia é sua, que seu reino é seu legado, que ele é o Estado. Na época das monarquias, um rei não era apenas um autocrata. As pessoas depositavam suas esperanças no rei. Um bom rei significava uma boa vida para todos. Um rei era respeitado não apenas por medo, mas também como um sinal de que o povo concordava com sua autoridade para administrar suas vidas e torná-las melhores. Compare isso com a obrigação que um Chefe de Estado eleito “democraticamente” sente em relação ao seu eleitorado, e você verá como nosso sistema é falho.

No entanto, o triste estado das democracias de hoje não significa que devemos restabelecer as monarquias. Os egos furiosos das pessoas, sem dúvida, farão com que abusem de seu poder absoluto. Uma olhada na Coreia do Norte ou na Venezuela demonstra o que acontece quando você dá poder irrestrito a indivíduos hoje.

A solução para o impasse em que os governos mundiais se encontram só pode ser encontrada na compreensão de nossa conexão, de nossa interdependência mútua. Enquanto não tivermos a compreensão de que o que fere a cada um de nós fere a todos, e o que ajuda cada um de nós ajuda a todos nós, não podemos fazer nada direito, muito menos governar corretamente.

Os antigos governantes de Israel eram o Sinédrio. Eram pessoas que se engajavam em primeiro lugar na conexão entre eles. Eles se sentavam em um semicírculo para que todos pudessem se ver e se comunicar uns com os outros. Somente as pessoas que alcançavam um certo nível de conexão entre si, um certo nível de cuidado com os outros, poderiam se tornar membros do Sinédrio. Essas pessoas eram os governadores da terra de Israel, pois tinham em mente o melhor interesse do povo, não o seu próprio.

Os governadores de hoje refletem o nível de conexão entre todos nós. Já que nós, na sociedade, estamos desconectados, e como nossos governantes vêm de entre nós, eles também estão desconectados do resto do povo e não se importam conosco. A única diferença entre eles e as outras pessoas é que eles desejam estar no poder e conseguiram nos convencer de que trabalhariam em nosso benefício. Mas se ninguém na sociedade trabalha para o benefício de ninguém, se o egoísmo é o traço que domina as relações humanas, e elas emergem das pessoas que agora governam, como podemos esperar que sejam tudo menos egoístas?

Por isso, se quisermos salvar o país, melhorar o governo e mudar a forma como os governantes se relacionam com seu eleitorado, devemos ensinar a nós mesmos e a toda a sociedade a viver de acordo com valores diferentes. Quando vivemos de acordo com valores de responsabilidade mútua, carinho e responsabilidade, assim será a natureza de nossos líderes. Até então, continuaremos o ciclo interminável de eleições até que tenhamos o suficiente, ou até terminarmos da maneira que nossos antepassados ​​terminaram 2.000 anos atrás.

“Como Você Se Sente Sobre O Universo?” (Quora)

Dr. Michael LaitmanMichael Laitman, no Quora: “Como Você Se Sente Sobre O Universo?”

O universo parece ser enorme, mas é na verdade minúsculo em comparação com o mundo que podemos descobrir se nos elevarmos acima dos limites impostos a nós por nossa natureza egoísta inata.

Se nos libertamos de nossa abordagem egoísta da vida, desenvolvendo um senso adicional de doação, entramos na percepção de uma realidade completamente nova existente fora de nós.

Nossos cinco sentidos inatos – visão, audição, tato, olfato, paladar – são sentidos de recepção. Eles extraem informações de uma fonte desconhecida para nós, e o que finalmente percebemos é uma imagem corporal extremamente estreita da realidade. E dentro dessa imagem estreita da realidade, percebemos um universo amplo e expansivo com um espaço insondável.

No entanto, nós percebemos essa imagem por meio de nossos cinco sentidos limitantes. A razão de perceber por meio de canais estreitos que limitam as informações que recebemos é para que desenvolvamos o desejo de romper os limites dessa percepção e, ao fazê-lo, descobrir uma realidade verdadeiramente mais ampla.

A questão então é: como podemos nos libertar de uma imagem tão limitada em que desejamos receber para nós mesmos a cada momento? A resposta é – desenvolvendo um novo sentido de doação. A obtenção de um novo sentido que sente a realidade não por meio da recepção, mas por meio da doação, nos permitirá sair de nossa esfera física de tempo, espaço e movimento e descobrir uma realidade muito mais expansiva do que o universo que percebemos atualmente.

O método para o desenvolvimento deste sentido adicional é chamado de “a sabedoria da Cabalá”. Ao aplicar este método, podemos desenvolver um novo sentido de doação e amor, que nos concede uma nova percepção do mundo espiritual eterno. Descobrimos então que existe outra realidade adjacente à nossa atual, mas ela se revela por meio de uma nova percepção e sensação de realidade: de nós mesmos para fora.

Portanto, está escrito que “Ame seu amigo como a si mesmo” é “uma grande regra da Torá”, porque aponta para a qualidade que precisamos desenvolver a fim de atingir um novo sentido de doação e amor. Ao passar por essa mudança de percepção, passamos a sentir o mundo espiritual e a força superior preenchendo a realidade.

Baseado em uma entrevista com o Cabalista Dr. Michael Laitman em um Programa de Rádio Israelense, 103FM, em 16 de agosto de 2015.
Escrito/editado por alunos do Cabalista Dr. Michael Laitman. Foto de Greg Rakozy no Unsplash.

O Efeito Do Feminismo

627.2Pergunta: Qual é a razão do feminismo ter dominado o mundo nos últimos dois séculos?

Resposta: O feminismo é resultado do fato de a mulher sentir necessidade de se desenvolver e participar do mundo. Ela realmente se desenvolveu para ser nada menos que os homens. Ela pode lidar com tudo talvez até melhor do que os homens.

Em geral, a competição entre os sexos é totalmente desnecessária. Em casa, nenhum de nós compete para ver quem será o melhor em organizar a vida e tudo mais. É claro para nós que uma mulher é capaz disso além de qualquer competição. Ela pode fazer em casa em meia hora um trabalho que um homem não vai conseguir fazer em um dia ou, ao contrário, vai estragar tudo. É assim que somos feitos.

Portanto, precisamos saber como e com o que podemos nos complementar adequadamente e, assim, construir relações uns com os outros, principalmente em nosso tempo em que já estamos começando a nos afastar do trabalho inútil, completamente desnecessário que ocupou nosso tempo. Filtraremos absolutamente tudo o que for desnecessário, para que apenas o trabalho mais necessário permaneça.

Então, precisaremos de talvez 20% de toda a população para lançar todo o sistema que vai servir as pessoas e o mundo. Todo o resto do tempo, estaremos apenas engajados em prover nossas necessidades internas e compreender como nos unir e alcançar a manifestação do mundo superior dentro de nós. Isso, eu acho, será muito especial e atraente para a nova geração.

De KabTV, “Expresso de Cabalá”, 12/07/20

“Sobre A Unidade Judaica E O Antissemitismo – Da Decadência À Revolta” (Times Of Israel)

Michael Laitman, no The Times of Israel: “Sobre A Unidade Judaica E O Antissemitismo – Da Decadência À Revolta”

No artigo anterior, descrevemos o que pode ser considerada a era de ouro dos judeus, os séculos IV e III a.C., quando havia relativa unidade e calma, e três vezes por ano, os povos das nações do mundo iam para Jerusalém para se inspirarem na unidade e fraternidade durante as peregrinações e diziam: “É conveniente se apegar apenas a esta nação”. Também escrevemos que aquela foi a época em que Ptolomeu II, rei do Egito, queria aprender a sabedoria judaica, então ele convidou setenta sábios de Jerusalém para lhe ensinar a Lei Judaica e traduzir os Cinco Livros de Moisés para o grego para que ele pudesse entendê-los. Ptolomeu ficou tão feliz com o que aprendeu que disse aos sábios que agora aprendeu como deveria governar seus súditos.

O rei Ptolomeu queria continuar aprendendo com os judeus e pediu permissão ao Sumo Sacerdote em Jerusalém, Eleazar, para solicitar que um ou dois deles viessem sempre que tivesse dúvidas sobre governar ou sobre a sabedoria judaica. Lamentavelmente, esse desejo nunca se materializou, e não por causa de Ptolomeu, mas porque os próprios judeus haviam mudado.

A singularidade do sistema judaico não reside no fato de que os judeus são sobre-humanos e podem superar seus egos. Não existe tal coisa. Em vez disso, a singularidade do Judaísmo genuíno e autêntico está em reconhecer que a natureza humana é egoísta, mas se elevando acima dela, como disse o Rei Salomão: “O ódio desperta contendas, e o amor cobrirá todos os crimes” (Pv 10:12).

Na época em que os judeus estavam no auge, seu ego subiu a tal nível que eles não conseguiram superá-lo. Como resultado, muitos deles começaram a evitar o caminho da unidade, o caminho de seus pais, e começaram a se inclinar para as culturas de seus países vizinhos, ou seja, o helenismo. A cultura helenística, com seus ginásios, anfiteatros, grandes estátuas e arquitetura impressionante, parecia mais atraente do que o judaísmo, que exigia que o indivíduo se esforçasse em amar os outros. Ao contrário de amar os outros, os gregos exaltavam a si mesmo, o indivíduo, e ofereciam deuses que eram muito mais humanos do que deuses, que apelavam para a crescente autoabsorção das pessoas.

O resultado desse declínio espiritual foi que, em vez de as nações aprenderem sobre a irmandade dos judeus, os judeus convidaram os gregos, inseriram a cultura helenística na terra de Israel, e a nação ficou cada vez mais dividida.

No ano 175 a.C., Seleuco IV Filopator, governante do Império Helenístico Selêucida – que era o soberano na terra de Israel e deu aos judeus total liberdade de adoração – faleceu. Seu sucessor foi Antíoco IV Epifânio. Inicialmente, Epifânio não tinha intenção de mudar o status quo na Judéia, e não tinha nenhum desejo de interferir na liberdade de culto dos judeus, mas alguns judeus tinham outros planos e, a partir daqui, as coisas rapidamente pioraram.

Na época em que Epifânio assumiu o poder, as cidades de Siquém, Marissa, Filadélfia (Amã) e Gamal já estavam helenizadas. “Um anel de tais cidades, fervilhando de gregos e semigregos, cercava os judeus de Samaria e Judá, que eram vistos como montanhosos, rurais e atrasados ​​… sobreviventes antigos, anacronismos, a serem logo varridos pela maré moderna irresistível de ideias helênicas e instituições”, escreve Paul Johnson em A História dos Judeus.

Vendo o que estava acontecendo ao seu redor, os judeus estabeleceram o que Johnson chamou de “partido reformista judeu que queria forçar o ritmo da helenização”. Assim como o movimento de reforma contemporâneo que começou na Alemanha se esforçou para despir o judaísmo dos costumes judaicos, ou pelo menos mitigá-los, e colocar o foco em sua ética, seus antepassados ​​se esforçaram para “reduzi-lo ao seu núcleo ético”, escreve ele.

Para acelerar a helenização da Judéia, o líder do movimento de reforma arquetípico, Jasão [hebraico: Yason], cujos objetivos e modus operandi não eram diferentes do judaísmo reformista de hoje, deu as mãos ao rei Antíoco Epifânio, que estava “ansioso para acelerar a helenização de seus domínios … porque ele pensou que aumentaria a arrecadação de impostos, já que estava cronicamente sem dinheiro para suas guerras”, de acordo com Johnson. Jasão pagou a Epifânio uma grande soma em dinheiro e, em troca, o último destituiu o sumo sacerdote em Jerusalém, Onias III, e entregou o cargo a Jasão.

Jason não perdeu tempo. Ele transformou Jerusalém em uma pólis, rebatizou-a de Antioquia e construiu um ginásio ao pé do Monte do Templo. Assim como o Movimento de Reforma fez na Alemanha assim que foi dada a emancipação no início da década de 1870, os reformadores da antiguidade aspiraram a adaptar o judaísmo à modernidade, finalalmente abandonando-o por completo. Eles abandonaram os antigos costumes judaicos relacionados ao Templo e pararam de circuncidar bebês do sexo masculino. Nas palavras de Flavius ​​Josefo, “eles deixaram de lado todos os costumes que pertenciam a seu próprio país e imitaram as práticas de outras nações”.

Ironicamente, em 170 a.C., Menelau fez a Jasão exatamente o que fizera a Onias III antes dele: pagou a Antíoco Epifânio uma grande soma em dinheiro que, por sua vez, o ungiu sumo sacerdote em Jerusalém.

Mas muito pior do que o abandono de seus costumes, quando os judeus se tornaram helenistas, eles também abandonaram sua unidade. Mesmo entre os helenistas, as lutas eclodiram entre partidários de Jasão e partidários de Menelau. O resto do povo, que preferia manter o espírito judaico que havia ganhado tanto respeito de Ptolomeu, não queria nenhum líder e estava se tornando cada vez mais rebelde.

Curiosamente, o próprio Epifânio não estava interessado em obliterar o judaísmo. Na verdade, era muito incomum para um governo grego pisotear outras religiões. De acordo com Johnson, “as evidências sugerem que a iniciativa veio dos reformistas judeus radicais, liderados por Menelau”.

Ainda assim, em 167 a.C., quando os helenistas tentaram colocar um ídolo no Templo de Modi’in, onde Matatias, o Asmoneu, era o sacerdote, a maré se voltou contra eles. Matatias, o Asmoneu, era bem conhecido, respeitado e muito inflexível quanto à sua piedade. Os helenistas queriam “obrigar os judeus a fazerem o que lhes foi ordenado e ordenar aos que ali estavam que oferecessem sacrifícios [aos ídolos]. Eles desejavam que Matatias, uma pessoa do maior caráter (…) começasse o sacrifício porque [então eles acreditavam] que seus concidadãos seguiriam seu exemplo”, escreve Josefo. “Matatias disse que não faria isso e que se todas as outras nações obedecessem aos comandos de Antíoco … nem ele nem seus filhos abandonariam o culto religioso de seu país”. Quando outro judeu entrou para o sacrifício em vez de Matatias, o sacerdote enfurecido “correu sobre [o judeu] com seus filhos, que tinham espadas com eles, e matou tanto o homem que sacrificava quanto Apeles, o general do rei, que os obrigou a sacrificar, com alguns de seus soldados”.

Em pouco tempo, milhares de judeus, frustrados com a conversão forçada ao helenismo feita sobre eles pelo próprio sumo sacerdote, juntaram-se a Matatias e rumaram para as montanhas do deserto de Judá. Matatias nomeou seu terceiro filho, Judas Macabeu, como comandante da milícia recém-formada e, do deserto, eles conduziram a brilhante campanha de guerrilha que agora conhecemos como Revolta Hasmoneu ou Revolta Macabea.

A revolta dos macabeus não teve como alvo o exército selêucida ou qualquer um dos exércitos vizinhos. Visava os judeus helenizados e se esforçava para intimidá-los e forçá-los a voltar ao judaísmo. Mas como os helenistas tinham o apoio do governo selêucida, eles se voltaram para Antíoco e pediram sua ajuda militar.

Um ano após o início da revolta, Mattathias faleceu. Antes de sua morte, ele convocou seus filhos e instruiu como eles deveriam continuar a luta. Mas, acima de tudo, ele lhes ordenou que mantivessem sua unidade de acordo com a antiga lei judaica: “Exorto-vos, especialmente, a concordar um com o outro, e em que excelência qualquer um de vocês excede o outro, a ceder a ele até agora e assim colher as vantagens das virtudes de cada um”, escreve Josefo.

É esse espírito de unidade e contribuição das forças de todos para o bem comum que rendeu aos Macabeus sua ilustre vitória sobre exércitos muito maiores, mais bem equipados e muito mais bem treinados do Império Selêucida. Após três anos de insurgência, Judá foi forte o suficiente para marchar sobre Jerusalém e retomá-la dos selêucidas. Então, finalmente, em 164 a.C., o sumo sacerdote Menelau foi forçado a buscar refúgio.

No entanto, a retomada de Jerusalém e a retomada da adoração no Templo não encerraram a guerra. Os judeus não apenas tiveram que lutar contra os selêucidas fora das muralhas, mas também tiveram problemas internos. “Durante o período de perseguição e revolta”, escreve o historiador Lawrence H. Schiffman, “os pagãos helenísticos na Terra de Israel se aliaram aos selêucidas e participaram das perseguições. Portanto, era natural que Judá agora se voltasse contra esses inimigos, bem como contra os judeus helenizantes que haviam causado as horríveis perseguições. Os helenizadores, muitos deles de origem aristocrática, lutaram ao lado dos selêucidas contra Judá.

Depois que Epifânio morreu em 164 a.C., seu filho Antíoco V Eupator assumiu o poder. Depois de colocar um longo cerco em Jerusalém, e quase a matarem de fome, os selêucidas de repente se viram sob a ameaça da Pérsia. Não tendo outra escolha, o rei ofereceu paz aos habitantes de Jerusalém sitiados, prometendo-lhes liberdade de culto e autogoverno. Os macabeus aceitaram a oferta de bom grado e os selêucidas recuaram rapidamente para lidar com o avanço dos persas. Eles, no entanto, levaram consigo o agora destituído Sumo Sacerdote Menelau, visto que “este homem foi a origem de todo o mal que os judeus lhes fizeram, persuadindo seu pai a obrigar os judeus a abandonarem a religião de seus pais”, conclui Josefo. Posteriormente, Antíoco V Eupator restaurou o acordo de liberdade religiosa que seu bisavô, Antíoco III, o Grande, teve com os judeus, e colocou o selo final na Revolta Hasmoneu quando ele executou Menelau.

A Pergunta Mais Correta

632.3Comentário:  Alguém escreveu para você: “Você elogia o vírus enquanto todo mundo sonha em encontrar uma vacina. Você parece estar rindo de todos quando diz que a vacina não vai ajudar. Por que você está fazendo isso? Você está nos privando de esperança”.

Minha Resposta: Não! Haverá uma vacina, e haverá outro vírus, e outra vacina, e outro vírus. Tudo vai acontecer.

Não sou proponente do seu sofrimento, defendo que o sofrimento seja avaliado por você corretamente e que o leve ao resultado certo, que você queira mudar a sua existência para que os vírus não existam de fato, porque você gera vírus pelo seu comportamento e atitude errada para com o mundo, a sociedade e as pessoas.

Portanto, a melhor coisa a fazer é perguntar a si mesmo: “Como posso tornar o mundo livre de vírus?” Boa sorte para nós nisso!

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman” 23/11/20

Água E Crocodilo: Misericórdia E Sabedoria

243.05E este monstro que vem na Keter dos Nilos gradualmente se fortalece nele, e nada e entra no mar – Malchut de Atzilut – onde ele governa e engole várias espécies de peixes, que são graus dentro do mar que são inferiores a ele. Ele os engole, eles se completam dentro dele, e ele retorna ao Nilo parado. E esses nove Nilos sobem em direção a ele para receber sua abundância, visto que eles recebem sua abundância do Nilo parado, sua Keter. E ao redor do Nilo existem vários tipos de árvores e grama. E este é o primeiro entre os Nilos, Keter. (Rabbi Shimon bar Yochai (Rashbi), Zohar Para Todos, Vol. 4, “Bo“, 41)

Nós estamos falando de dois estágios espirituais onde cada estágio se desenvolve um dentro do outro, como um embrião dentro da mãe. Por que a natureza organizou dessa forma?

Inicialmente, um pequeno estágio deve se desenvolver dentro de um grande estágio. Ele se anula completamente perante o grande estágio, e então tem o direito de se desenvolver. Ele se rende à vontade do estágio superior, e o estágio superior o desenvolve, como se o engolisse dentro de si, como uma mãe absorve uma gota de sêmen e começa a desenvolvê-la dentro de si.

Um grande crocodilo verde, simbolizando um enorme desejo, absorve pequenos desejos, os desenvolve em si mesmo e depois os libera. Um crocodilo é a personificação do governante do rio que desce do Jardim do Éden e atinge a terra.

Do nível mais alto de doação, amor e governo geral, chamado Bina, quatro rios descem, quatro correntes especiais de força que alcançam Malchut através de Zeir Anpin. Esses rios trazem a todos nós uma força vital. Eles são dominados pela propriedade da sabedoria, que é chamada de “crocodilo”.

A água é uma propriedade de misericórdia e doação. A propriedade da sabedoria flui nela, mas ambas as propriedades não se misturam e uma existe dentro da outra. Esta é uma característica muito interessante da água. Em Israel existe o Lago Kinneret (Lago Tiberíades), no qual o rio Jordão flui das montanhas.

Se você olhar de cima, verá como o rio corre dentro do lago e suas águas não se misturam. Els têm propriedades completamente diferentes.

É o mesmo aqui. Um grande crocodilo verde é uma propriedade da sabedoria que existe dentro da propriedade da misericórdia (na água). É nesta propriedade que o desejo de uma pessoa pode se desenvolver, mas dentro da água, dentro da propriedade da misericórdia! Ou seja, estamos falando sobre receber para doar.

De KabTV, “O Poder do Livro do Zohar“, nº 1

Desfrutando Um Do Outro

608.02O homem é criado no desejo de receber. Como esse desejo é transformado em receber para doar ao Criador para que eu me torne equivalente a Ele?

O fato é que um sentimento especial de antipatia pelo simples uso do meu desejo se forma em mim. Eu rejeito esse desejo de prazer próprio, afasto-o de mim. Eu quero restringi-lo, encurtá-lo de alguma forma para que mais tarde possa ser transformado em um desejo de receber, mas com a intenção de doar ao Criador.

Depois de me restringir, devo começar a sentir o Criador, e apenas na medida em que sinto que O estou preenchendo, eu me permito desfrutar. Portanto, a sensação do Criador surge dentro do meu prazer Dele. E acaba sendo um presente duplo de alguém que me ama. Portanto, é dito que os justos ganham o dobro.

Esse presente me dá prazer não duas vezes, mas bilhões de vezes mais porque sinto a atitude do meu amado nele e ao mesmo tempo sinto que também dou a Ele e desfruto o que Dele desfruto.

A circulação mútua de prazer leva a uma integração interna chamada adesão. Esse é o mais alto estado da criação em relação ao Criador.

De KabTV, “Cabalá – Ciência da Vida”, 01/03/18

O Desejo De Compreender O Sentido Da Vida

198Para realizar o plano da criação, para se aproximar do Criador, para revelá-Lo e estar junto com Ele em consentimento, prazer e conexão mútuos, a criação deve passar por várias ações.

A primeira é a compreensão de que a existência no simples egoísmo, quando recebemos do Criador apenas algo pequeno e terreno, nos limita. Esses são os pequenos prazeres por comida, sexo, família, riqueza, fama, conhecimento. E pronto.

Como resultado da evolução humana e social, chegamos a um estado em que esses preenchimentos não nos servem mais. Então há o anseio por algo mais, um desejo de realizar para que fomos criados.

É quando não podemos mais nos preencher e desfrutar dos prazeres egoístas terrenos que começamos a nos perguntar: “Qual é o sentido da minha vida? Para que eu existo?” Muitas pessoas hoje fazem essas perguntas. É por isso que a depressão é tão comum.

Mas, em princípio, nos faz pensar sobre o verdadeiro sentido da vida e entender que não consiste apenas em desfrutar dentro da própria estrutura da nossa vida. Há mais do que isso.

Esse desejo por algo mais surge em nós depois de termos passado por todos os períodos de desenvolvimento em nosso mundo e chegarmos ao fim de nosso desenvolvimento terreno.

De KabTV, “Cabalá – Ciência da Vida”, 01/03/18