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Pratos Para Pessach

laitman_568_01Pergunta: De um ponto de vista espiritual, Pessach é a separação do governo do mal em mim, de meus motivos egoístas em relação aos outros. Muitas casas têm um gabinete especial, que detém um conjunto separado de pratos para a Pessach. O que simboliza esse costume de mudar todos os pratos para Pessach?

Resposta: Na verdade, um conjunto especial de pratos para Pessach é uma tendência moderna. Anteriormente, antes de Pessach as pessoas simplesmente faziam novos pratos – de argila, madeira ou pele animal.

Novos pratos simbolizam novos vasos, ou seja, nossos desejos, que nós usamos anteriormente para o nosso próprio benefício. Agora não podemos usá-los dessa maneira, mas apenas a fim de doar. Eu tenho que mudar o conjunto dos meus desejos em relação aos outros.

Pergunta: O que significa “um conjunto de pratos diários” que usamos ao longo do ano e “um conjunto de pratos para Pessach“?

Resposta: “Um conjunto de pratos diários” é um desejo egoísta de desfrutar em detrimento de outros, e então você reprime de usá-lo.

“Um conjunto de pratos para Pessach” representa, ao contrário, usar desejos altruístas para o benefício dos outros.

Você tem que substituir um conjunto pelo outro: usar seus desejos de amor ao próximo, de doação. Isso é chamado de “novos vasos”. Depois de utilizar estes novos vasos por uma semana, você pode começar a voltar a seus velhos vasos porque já sabe como corrigi-los, ou seja, usá-los da maneira correta.

De KabTV “Uma Nova Vida” 24/03/14

Entrevista-Relâmpago Com Um Cabalista

Dr. Michael LaitmanPergunta: Existe vida após a morte?

Resposta: Sim.

Pergunta: Por que os seres humanos usam apenas 3% do seu potencial intelectual?

Resposta: Porque os outros 97% são destinados à revelação espiritual.

Pergunta: Será que podemos mudar a nós mesmos?

Resposta: Não. Mas podemos fazê-lo com a ajuda da força superior.

Pergunta: Por que há tanta maldade e injustiça nesta vida?

Resposta: Nós somos os únicos que a trazem a este mundo.

Pergunta: Na sua opinião, o que é um israelense?

Resposta: “Israel” em hebraico significa direto ao Criador. Esta palavra significa qualquer pessoa que, com a ajuda da sabedoria da Cabalá, está orientada à força superior, ao “bom que faz o bem”.

Pergunta: O que lhe irrita mais?

Resposta: Qualquer coisa que se opõe à resposta que eu recém dei a sua última pergunta.

Pergunta: Será que um Ccabalista desfruta a comida, o sexo ou quaisquer outros prazeres deste mundo?

Resposta: Um Cabalista desfruta de tudo o que uma pessoa normal desfruta. Por que não?

Pergunta: Você observa as regras de trânsito?

Resposta: Sim.

Pergunta: Qual seria o único livro que você levaria com você se decidisse se retirar do mundo?

Resposta: O Shamati do Baal HaSulam.

Do Programa da Radio Israelense 103FM , 15/02/15

O Mundo Inteiro Está Dentro De Nós

Dr. Michael LaitmanA Torá aborda somente os seres humanos e fala sobre coisas que são internas para nós: o Criador, Moisés, pessoas, etc. Cada um de nós deve organizar esses elementos, porque não importa o que sentimos, nós sentimos dentro de nós.

Você pode continuar a dizer mil vezes que um copo existe fora de você. No entanto, como isso é possível, se você o percebe internamente? “Não! Eu o vejo em cima da mesa!” Portanto, isso significa que você sente tanto o copo como a mesa dentro de você.

Por conseguinte, tudo o que falamos, o mundo inteiro, está dentro de nós, incluindo o Criador.

Isso explica porque quando retratamos o Criador na Cabalá, a primeira coisa que desenhamos é o ponto (ponto) da letra “Yod” e só depois nós escrevemos “Yod Hey Hey Vav“, os quatro estágios de desenvolvimento do desejo que começam com este ponto. A quarta etapa é um desejo completo que parece tangível, sério e maduro para nós.

A última fase do desejo foi instigada desde o ponto inicial, semelhante a todo o universo que se originou de uma pequena centelha que continha energia suficiente para alimentar este mundo e cada um de nós até hoje. Nesse ponto minúsculo reside toda a informação e toda a matéria do universo.

É um ponto que instigou tudo o que apareceu como resultado de uma explosão e é o começo da letra “Yod“. É por isso que se diz na Torá que cada pessoa é um pequeno mundo que engloba tudo.

Não importa o que sentimos, isso está dentro de nós. É por isso que a ciência moderna, que tem avançado um bilhão de anos-luz, mais uma vez retoma a exploração dos seres humanos e se concentra em nosso potencial e nas particularidades de nossa percepção. Coisas que pareciam remotas e fora de nós devem de fato ser exploradas dentro de nós.

A falta de compreensão da maneira como nós percebemos as coisas externas nos impede um maior avanço e se opõe ao entendimento da essência da vida e da organização da nossa existência futura. Em um futuro próximo, todas as ciências vão acabar estudando Cabalá.

Vai se tornar óbvio para o mundo científico que sem essa sabedoria é impossível estabelecer uma base sólida que permita aos seres humanos se relacionar corretamente às nossas sensações, noções e cognição.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 08 /10/14

Reunindo-se Na Ponte Acima Do Ódio

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que é habitual ter uma refeição na noite de Pessach, quando toda a família se senta ao redor da mesa?

Resposta: Pessach é um feriado especial porque simboliza o nascimento da nação israelita. Ela diz que é somente após o êxodo do Egito que eles se tornam uma nação, e que não podemos ser chamados de uma nação enquanto estivermos separados e divididos, e a força egoísta nos despedaçar. É somente quando nós resistimos a essas forças estrangeiras e tentamos nos conectar que descobrimos a força de unidade que nos une, e que nos tornamos uma nação. Por isso, a nação de Israel hoje não é chamada de uma nação de acordo com a verdadeira definição Cabalística.

Comentário: Este estado de divisão foi muito fortemente revelado durante as eleições em Israel que terminaram há pouco tempo atrás e dividiram a nação em muitos partidos e movimentos. A divisão interna é cada vez mais crescente e profunda.

Resposta: Estas eleições foram muito prejudiciais para a nação, já que celebramos o fato de que temos conflitos e que nos odiamos. Durante a propaganda da eleição, nós enfatizamos essas diferenças e todos tentaram prejudicar um ao outro, tanto quanto podiam. Isso é terrivelmente prejudicial à nossa nação, embora seja chamado de democracia. Afinal, toda a base da nação israelita é a unidade acima de todos os obstáculos e diferenças.

Pergunta: Mas, o que devemos fazer se nossas opiniões diferem?

Resposta: Isso é uma coisa muito boa! Na verdade, é a conexão entre o positivo e negativo que gera energia. É bom que não compartilhemos as mesmas opiniões. Nós só devemos saber como nos conectar acima de todas as diferenças. Portanto, a conexão para a qual a sabedoria da Cabalá nos leva está longe de ser uma simples ideia. Nós temos que encontrar a força especial na natureza que nos ajudará a unir, apesar das nossas diferenças e oposições. As opiniões opostas permanecem, mas nós sabemos como fazer a paz entre nós acima delas de modo que o amor cobrirá todos os pecados. Este é um princípio muito profundo. Nós somos ambos pecadores, você e eu, mas construímos uma ponte sobre o ódio que sentimos em relação um ao outro.

O Livro do Zohar nos diz que os dez alunos do Rabi Shimon que se sentavam numa caverna e escreviam este livro se odiavam tanto quando começavam a estudar à meia-noite que queriam queimar um ao outro. Mas, na medida em que estudaram juntos e fizeram esforços para construir gradualmente a ponte acima do seu ódio ardente, chegaram à revelações espirituais sobre as quais eles nos dizem mais tarde, no Livro do Zohar. Essa ponte só pode ser construída acima das opiniões opostas.

Pergunta: Será que isso significa que sempre que temos disputas, sempre podemos construir uma ponte acima delas?

Resposta: Nós sempre podemos construir uma ponte acima de nossas disputas, e, além disso, é proibido pressionar uma pessoa para forçá-la a ceder e mudar de opinião. Quanto mais diferente a sua opinião é dos outros, melhor.

Pergunta: Então, o que vai construir a ponte entre nós?

Resposta: Por exemplo, nós podemos ter um sistema elétrico ou eletrônico que realmente funciona graças ao fato de que ele queima energia como resultado da diferença de potencial entre dois condutores elétricos que chegam até ele. Quando estamos num conflito e em frente um ao outro por causa de nossa natureza egoísta, e, ao mesmo tempo, nos conectamos acima dela, esses dois níveis criam uma realização espiritual dentro de nós. Nós alcançamos o mundo espiritual na lacuna potencial quando descobrimos não só o nosso atual mundo corporal, mas também o mundo superior. A conquista do mundo espiritual é chamada de alma.

Do Programa da Radio Israelense 103FM , 15/03/15

Como Um Feixe De Juncos —Pluralmente Falando, Parte 9

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 9: Pluralmente Falando

Afetando a Coesão Social Através do Ambiente Social

Quatro Fatores De Influência

No seu ensaio, “A Liberdade”, [i] Baal HaSulam discute extensamente a estrutura da psique humana, e no que nós precisamos nos concentrar para alcançar uma mudança duradoura nas nossas sociedades. Através de uma longa análise da ação recíproca entre a herança e o ambiente, Ashlag explica que quatro fatores se combinam para nos fazerem quem nós somos:

1. Genes;

2. A maneira como nossos genes se manifestam durante a vida

3. O ambiente direto, tal como família e amigos

4. O ambiente indireto, tal como a mídia, a economia ou os amigos dos amigos.

Uma vez que não escolhemos nossos pais, não conseguimos controlar o conjunto genético. Mas nossos genes são meramente o “nós potencial,” não o “nós real” que no final se manifesta quando somos adultos. O “nós” real consiste de todos os quatro fatores. Além do mais, os últimos dois, que se relacionam ao ambiente, afetam e mudam nossos genes para se adequarem ao ambiente.

Vamos examinar o seguinte exemplo maravilhoso de como o ambiente muda os genes, como é relatado por Swanne Gordon da Universidade da Califórnia num ensaio intitulado, “Evolução Pode Ocorrer em Menos De Dez Anos”, publicado no Science Daily. “Gordon e seus colegas estudaram guppies — peixes pequenos de água doce… Eles introduziram os guppies próximo ao Rio Damier, numa seção acima da cascata de barreira que excluía todos os predadores. Os guppies e seus descendentes também colonizaram a porção inferior do rio, abaixo da cascata de barreira que continha predadores naturais. Oito anos mais tarde…, os investigadores descobriram que os guppies no ambiente de baixa predação… haviam se adaptado a seu novo meio ao produzir maior ou menor descendência com cada ciclo de reprodução. Tal adaptação não foi vista nos guppies que colonizaram o ambiente de elevada predação… ‘Fêmeas de elevada predação investem mais recursos na atual reprodução porque uma elevada taxa de mortalidade, impulsionada pelos predadores, significa que estas fêmeas podem não ter outra chance de se reproduzir’, explicou Gordon. ‘Fêmeas de baixa predação, por outro lado, produzem embriões maiores porque bebês maiores são mais competitivos nos ambientes com recursos limitados, típicos de espaços de baixa predação. Além do mais, fêmeas de baixa predação produzem menos embriões não só porque têm embriões maiores, mas também porque investem menos recursos na atual reprodução’”. [ii]

O Dr. Lars Olov Bygren, um especialista de saúde preventiva, documentou um exemplo ainda mais surpreendente de como os genes mudam através dos efeitos ambientais. John Cloud da Time Magazine descreveu a pesquisa do Dr. Bygren sobre os efeitos a longo prazo que os anos de fome e fartura tiveram sobre os residentes da aldeia Sueca isolada de Norrbotten. Contudo, Dr. Bygren observou não só os efeitos das oscilações dietéticas tinham sobre as pessoas que as realizaram. Ele também examinou “se esse efeito podia começar ainda antes [ênfase acrescentada] da gravidez: Podiam as experiências dos pais no princípio de suas vidas de algum modo mudar os traços que eles passavam a seus descendentes?” [iii] “Era uma ideia herege”, escreve Sr. Cloud. “Afinal, tivemos um acordo prolongado com a biologia: sejam quais forem as escolhas que tomemos durante nossas vidas que arruínem nossa memória a curto-prazo ou nos tornem gordos ou acelerem a morte, elas não mudarão nossos genes — o nosso próprio DNA. Isso significava que quando todos tivéssemos filhos nossos, a lousa genética estaria limpa.

“Além disso, quaisquer efeitos da criação (ambiente) sobre a natureza de uma espécie (genes) não era suposto acontecer tão rapidamente. Charles Darwin, cujo Sobre a Origem das Espécies… nos ensinou que as mudanças evolucionárias tomam lugar durante muitas gerações e durante milhares de anos de seleção natural. Mas Bygren e outros cientistas agora haviam amassado a evidência histórica sugerindo que condições ambientais mais poderosas … conseguem de algum modo deixar uma impressão sobre o material genético em ovos e esperma. Estas impressões genéticas conseguem dar um curto-circuito na evolução e transmitir novos traços numa única geração”. [iv]

Baal HaSulam, regressando ao seu ensaio, “A Liberdade”, sugeriu um conceito muito semelhante que se alinha com os achados do Dr. Bygren. Na seção, “O Ambiente como um Fator”, ele escreve (ênfase acrescentada), “É verdade que o desejo não tem liberdade. Em vez disso, ele é operado pelos mencionados quatro fatores [Genes; como eles se manifestam, ambiente direto, ambiente indireto]. E a pessoa está obrigada a pensar e a examinar como eles sugerem, desprovida de qualquer força para criticar ou mudar”… [v]

Na seção subsequente, “A Necessidade de Escolher um Bom Ambiente”, Baal HaSulam acrescenta, “Como nós vimos, é uma coisa simples, e deve ser observada por todo e cada um de nos. Pois embora cada um tenha a sua própria origem, as forças são reveladas abertamente somente através do ambiente em que a pessoa se encontra”. [vi]

Isto pode soar determinista porque se somos completamente governados pelos nossos ambientes, pareceria que não teríamos livre arbítrio. Todavia, escreve Baal HaSulam, nós podemos e devemos escolher nosso ambiente muito cuidadosamente. Nas suas palavras, “Há liberdade para a vontade de inicialmente escolher tal ambiente … que concede à pessoa bons conceitos. Se ela não fizer isso, mas está disposta a entrar em qualquer meio que apareça…, esta pessoa está destinada a cair num mau ambiente… Como consequência, será forçada a conceitos imundos…” Tal pessoa, conclui ele, “certamente será punida, não devido aos seus maus pensamentos ou ações, nos quais não tem livre arbítrio, mas por não escolher estar num bom ambiente, pois nisso há definitivamente uma escolha. Desta forma, aquele que almeja continuamente escolher um ambiente melhor é digno de louvor e recompensa. Mas aqui, também, não é devido aos seus bons pensamentos e ações, …mas devido aos seus esforços para adquirir um bom ambiente, que traz … bons pensamentos”. [vii]

Desta forma, nós vemos que todos somos potencialmente demoníacos, da mesma forma que somos potencialmente angélicos. A escolha de agirmos de um extremo ou outro, ou qualquer mistura dos dois, não depende se escolhemos ser de uma maneira ou da outra, mas do ambiente social no qual nos colocamos, ou que formamos para nós mesmos.

Como pais, nós instintivamente alertamos nossos filhos a se afastarem de crianças maldosas no bairro, e de maus estudantes na escola. Assim, a consciência da influência do ambiente é inerente nos nossos genes parentais, por assim dizer. Agora devemos expandir essa consciência e perceber que não basta ver que nossos filhos andam com as crianças “certas”. Nós devemos começar a desenhar um novo paradigma de pensamento para nós mesmos, bem como para nossos filhos. É um paradigma no qual a responsabilidade mútua representa o papel principal, preocupação mútua e camaradagem assumem a ribalta, e o discurso público muda correspondentemente.

Em outras palavras, a máxima conhecida do Rabi Akiva, “Ama teu próximo como a ti mesmo” deve tomar forma e ser moldada como um modo de vida para a sociedade. Esse paradigma social é o DNA do nosso povo, nosso legado para o mundo, e é o que o mundo, até inconscientemente, espera que transmitamos.

Numa era de consecutivas e sobrepostas crises globais, o mundo está numa necessidade desesperada de uma corda salva-vidas, uma lasca de esperança. Nós Judeus somos os únicos que lhes podemos oferecer essa esperança, que é chamada “garantia mútua”. O próximo capítulo esboçará os conceitos básicos da implementação da garantia mútua como o paradigma social predominante.

[i] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam , “A Liberdade” (Israel: Instituto de Pesquisa Ashlag, 2009), 414.

[ii] “A Evolução Pode Ocorrer em Menos de Dez Anos”, Science Daily (15 de Junho de 2009), http://www.sciencedaily.com/releases/2009/06/090610185526.htm

[iii] John Nuvem, “Por que seu DNA não é o Seu Destino”, Time Magazine (06 de janeiro de 2010), url: http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,1952313, 00.html.

[iv] ibid.

[v] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam , “A Liberdade”, 419.

[vi] ibid.

[vii] ibid.

Um Escravo Não Consegue Entender Alguém Que Está Livre

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que Pessach, o êxodo da escravidão egípcia, é reminiscente de nascer de novo? A história começa com o conto do nascimento de Moisés e termina com as pragas do Egito, que são similares às contrações durante o parto. Após isso, eles cruzam o Mar Vermelho (“Mar Final” em hebraico), como se nascendo num mundo novo.

Resposta: A nova vida é concebida e cozida dentro da panela gigante chamada Egito. El aé formada a partir dos nossos discernimentos e tentativas de entender como lidar com a nossa natureza egoísta.

No final, nós percebemos que somos incapazes de resistir ao nosso egoísmo e não temos escolha a não ser fugir dele, ou seja, subir acima dele. Isso requer mudanças qualitativas: a substituição de todos os nossos hábitos, formas de relacionamento, bem como a educação anterior, que recebemos na Babilônia.

Quando começamos a nos unir usando o método de Abraão, adquirimos novos hábitos, uma nova atitude para com o outro, e uma nova perspectiva de vida, percebendo tudo através dos óculos da unidade.

Isso significa um novo nascimento, porque eu me transformar numa nova pessoa, aquela que aprendeu a olhar para si mesma, sua família, sua nação, o mundo, e toda a vida somente através da nossa unidade.

Se eu encontrasse o meu eu anterior, do jeito que eu era antes de ter passado pela formação de acordo com o método de Abraão e unido com os outros, então seriam duas pessoas diferentes que não se entenderiam. Uma delas é escrava e a outra é livre, independente de sua natureza egoísta. Isso porque ela adquiriu uma nova natureza, a natureza do amor em vez da natureza do ódio.

De KabTV “Um Programa Novo”

A Pessoa É Livre Ou Escrava De Sua Natureza?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu não me sinto escravizado; parece-me que eu sou um homem livre. Portanto, como a instrução no feriado de Pessach me representa como deixando a servidão do Egito a cada ano relevante para mim?

Resposta: Parece que somos livres porque não sentimos que dependemos uns dos outros. Tentamos organizar nossas vidas de modo a não estar associados a ninguém, então ninguém vai nos incomodar. Essa é a nossa natureza.

Por causa dessa independência, nós inventamos novos computadores e telefones celulares. Em cada casa há tantos eletrodomésticos que exigem o mínimo de ajuda de outras pessoas. Isso torna mais fácil para a nossa natureza egoísta, e eu levo a cabo as suas exigências: eu não toco em ninguém e tento não ter ninguém que me toque.

Mas, basicamente, todos nós estamos conectados e somos interdependentes. Torna-se claro que toda a natureza inanimada, vegetal e animal também constitui um sistema único integral onde tudo está conectado com o resto. Assim, a sabedoria da Cabalá nos adverte que dependemos um do outro e vamos ainda descobrir esta dependência no futuro.

Se não atingirmos a unidade, então vai ser muito ruim para nós. Nesse meio tempo, não sentimos a necessidade disso de forma alguma e como a sabedoria da Cabalá não foi revelada na escravidão das gerações anteriores, por milhares de anos ela esteve na clandestinidade. Nós não tínhamos necessidade dela, já que não estávamos prontos para descobrir que somos interdependentes.

Mas hoje o mundo inteiro sente esta dependência mútua. Na medida em que ele descobrir esta conexão negativa, ele vai se voltar ao povo judeu, pois só este povo possui o método que faz com que seja possível se unir acima de todas as diferenças.

Há uma grande demanda por esse método no mundo de hoje. Portanto, se não transmitirmos esse método a outras pessoas, vamos sentir uma pressão muito forte. O antissemitismo vai continuar a crescer e as nações do mundo vão trazer mais e mais reclamações contra o povo judeu, culpando-nos por todos os seus problemas.

Elas não querem saber exatamente a razão para o seu ódio em relação a nós, mas ele é derivado especificamente disso. Essa pressão pode ser expressa de diferentes maneiras, como podemos ver na atitude dos Estados Unidos em relação a Israel se deteriorando dia a dia.

Pergunta: Quando você olha para o mundo de hoje, você definiria o nosso estado como a escravidão?

Resposta: Certamente, estamos escravizados à nossa natureza. Eu estou sempre realizando os comandos da minha natureza interior e obedeço-os sem qualquer esclarecimento, crítica ou oposição. Eu simplesmente não estou preparado para ir contra ele.

Meu desejo egoísta exige que eu tenha êxito e obtenha benefício sem considerar qualquer outra pessoa. E se eu estou numa conexão integral com os outros, como eu não poderia levá-los em consideração? Eu me torno limitada em todas as minhas ações.

Pergunta: Portanto, o problema não está em eu fazer o bem, mas fazê-lo à custa dos outros?

Resposta: Eu não posso sequer ter êxito assim. Hoje nem mesmo uma nação inteira pode ter êxito se estiver isolada das outras. Todas estão descobrindo a necessidade de conexão com as demais, mas não podem fazer isso corretamente. Ninguém sabe como estabelecer boas conexões entre si: Estados Unidos, Rússia, China, Europa, judeus e árabes.

Ninguém pode ter êxito e sair em primeiro lugar, se isso não for feito através de uma conexão totalmente boa. Segue-se que o mais exitoso será aquele que com maior precisão levar as nossas conexões mútuas em conta e agir em conformidade. É isso que simboliza a saída da escravidão à liberdade. Todo mundo, toda a humanidade, deve aprender isso.

Do Programa da Radio Israelense 103FM , 15/03/15

Sintonizar-Se Com O Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Às vezes nós dizemos que o Criador está dentro de nós, outras vezes dizemos que Ele está na conexão entre nós. Como podemos ligar essas duas noções?

Resposta: Não há dilema aqui. Como o Criador pode ser encontrado? Como podemos considerar e avaliar a nós mesmos? O que nos faz nos consideramos bons ou maus, fortes ou fracos? Para isso, precisamos de uma ferramenta de medição externa, um padrão com o qual podemos medir a nós mesmos.

A fim de sermos capazes de medir a nós mesmos, devemos ver as propriedades dos que nos rodeiam e comparar nossas qualidades com a deles. Para nos direcionar corretamente, temos que manter inúmeras ligações: remotas e próximas, odiosas e benevolentes. Devemos lidar com os adversários e simpatizantes, ou seja, toda a humanidade.

Um alvo é insuficiente para atingir a meta. É essencial sintonizar-se em conexão com o Criador. Para isso, precisamos envolver os níveis inanimado, vegetal, animal e falante da natureza. Se conseguirmos definir corretamente nossas mentes e se o nosso comportamento for totalmente certo e positivo, com certeza iremos alcançar o Criador.

Todas essas propriedades estão dentro de nós. Nós só podemos alcançar o Criador nos relacionando positivamente com todos os quatro níveis da natureza, já que o Criador é a soma de bondade, amor e doação.

Pergunta: Quando você fala sobre auto-orientação positiva, eu imagino imediatamente a vastidão da humanidade, da natureza, das pedras, dos céus, e todo o cosmos. Será essa uma tarefa viável?

Resposta: Chegar a uma mentalidade correta é muito fácil. Você tem que convencer todas as suas propriedades internas (inanimada, vegetal, animal e falante), de que tudo o que o rodeia está saturado de amor mútuo e é a melhor maneira possível de existência. Se você tiver êxito, se você conseguir corrigir as propriedades que parecem externas a você, vai atingir o estado desejado.

Pergunta: Será que isso significa que eu deveria trabalhar com coisas ou pessoas que são hostis a mim?

Resposta: Seu inimigo demonstra mais claramente a você suas próprias imperfeições e propriedades negativas. Isso é chamado de ajuda contra você. Com sua ajuda, nós avançamos.

Pergunta: É dito na Torá: se alguém vem matá-lo, mate-o primeiro. Como devemos nos relacionar com isso?

Resposta: Assim que a pessoa encontra uma qualidade que é incapaz de superar, não importa o quanto tenta lidar com ela com amor, compreensão e um senso de unidade, e ainda falha em corrigi-la, é preciso matá-la. Esta é uma correção. Nós matamos nossa própria propriedade que é impossível melhorar quando ela se levanta contra nós.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 10/08/14

Pessach É Um Feriado Que Está Sempre Com Você

Laitman_115_04A fim de chegar ao estado de “Pessach“, nós devemos chegar a tal nível de desenvolvimento em que não somos capazes de trabalhar com o egoísmo; precisamos subir acima dele.

A explosão de egoísmo aconteceu pela primeira vez na Babilônia. Contra essa erupção que ocorreu quando a população não era grande, Abraão, um sacerdote da antiga Babilônia, descobriu o sistema de ascensão acima do egoísmo.

Vários milhares de pessoas aceitaram esse método, e foram junto com ele para a terra de Canaã, atual Israel. Abraão ensinou seus seguidores o que significava estar em amor mútuo, elevando-se acima do ego e constantemente passando por cima do próprio ego: Pessach (da palavra Pasach, “passar”).

O nosso ego está crescendo constantemente, e nós estamos crescendo acima dele, cobrindo-o com a lei do “… o amor cobre todas as transgressões”. As transgressões permanecem, mas, quanto maiores elas são – até o imenso ódio – um amor maior aparece entre nós.

Nós não escondemos nosso ódio, não nos envergonhamos disso, porque entendemos que se trata da natureza humana, e nossa tarefa é identificar na natureza a próxima força positiva que nos dará a oportunidade de cobrir o ódio com o amor.

Então, vamos estar em constante estado de elevação espiritual. No entanto, o ódio vai determinar a altura do amor com o qual nós o cobrimos.

Acontece que nós podemos continuar a crescer constantemente. Isto é, cada transição de fase para fase vai se tornar Pessach, o feriado que está sempre com você.

De KabTV “Conversas sobre Pessach“, 18/03/15

Montando O “Quebra-Cabeça” Da Criação

Dr. Michael LaitmanPergunta: Até onde eu entendo, uma pessoa deve descobrir algo eterno, a força superior, durante sua vida. Como se considera isso?

Resposta: Considera-se que a pessoa descobre uma rede que conecta todos nós juntos, o que significa os seres humanos e as coisas abaixo deles, os níveis inanimado, vegetal e animal da natureza, toda a realidade que é conhecida e desconhecida para nós, o sistemas e setores de toda a criação, a totalidade da natureza. Ela descobre como essa realidade existe de acordo com a lei única de equivalência de forma, reciprocidade, unidade, Arvut (garantia mútua) como um único sistema global. E a lei que opera dentro desse sistema chama-se Criador.

Essa é realmente uma descoberta científica e não há fé aqui, como há entre as religiões, ou curvar-se diante de uma força superior que nos domina, e isso é tudo. Pelo contrário, nós devemos reconhecer e alcançá-la.

Essa força superior que nos criou quer ser encontrada científica e conscientemente, para que possamos nos tornar seus parceiros na criação. O Criador deixa um trabalho para nós dentro desse imenso e poderoso sistema que nós descobrimos de modo que possamos conclui-lo por meio de nossos esforços.

Isto é semelhante à forma como damos um quebra-cabeça a uma criança. Nós montamos a imagem junto com ela, o que lhe possibilita adicionar essas ou outras peças à imagem. Assim, uma imagem completa emerge para nós.

O mesmo ocorre com o Criador; a força global da natureza nos deixa esse “quebra-cabeça” com poucos espaços vazios. À medida que os completamos, começamos a compreender a profundidade de toda a criação, a sua essência e eternidade. Essa é a coisa mais básica; nós nos elevamos acima da existência temporal e de nossa miséria até o nível da vida perfeita e infinita.

É exatamente o que a sabedoria da Cabalá nos ensina, como se tornar consciente e alcançar a força superior e se tornar parceiros com Ele.

Do Programa na Radio Israelense 103FM, 18/01/15