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O Feriado Da Liberdade Dos Grilhões Do Ódio

Dr. Michael LaitmanNão muito tempo atrás, nós celebramos Purim e agora o feriado de Pessach já está se aproximando. Todos os feriados do povo de Israel simbolizam a unidade e a conexão que deve existir entre nós; eles são apenas indicados em seus diferentes níveis, sua diferente intensidade.

A ligação mais forte em toda a história de Israel é atingida em Purim. E a primeira vez que chegamos à conexão entre nós está em Pesach, o feriado da liberdade da escravidão do Egito.

A Liberdade é conhecida como a libertação do nosso ego, do ódio infundado em relação aos outros, da rejeição, dessas atitudes feias que são descobertos entre nós quando interrompemos uns aos outros na rua ou em qualquer outro caso em que os nossos interesses se chocam.

Quando conseguirmos reinar em nossa natureza má e alcançar a unidade, descobrimos que podemos corrigir todas as nossas vidas. Nós podemos diminuir o preço dos apartamentos e dos alimentos, nos dar bem nos relacionamentos familiares, transformar nossas cidades em cidades limpas, e acabar com a violência em nossas escolas.

Isso é chamado êxodo do Egito, o êxodo do exílio. Nós nos afogamos em nosso ego e não queremos ouvir mais nada. Mas, de repente, entendemos que é possível construir um bom relacionamento entre nós, chegar mais perto. Isso não é apenas possível, mas simplesmente necessário, porque é impossível continuar desse jeito.

Antes da última eleição, todos os partidos prometeram cuidar de nossas vidas em todas as áreas. Mas, na verdade, de acordo com a sabedoria da Cabalá, ninguém vai conseguir isso, a menos que se eleve acima de todas as diferenças e nos tornemos todos conectados acima delas. Está escrito em Provérbios 10:12: … o amor cobre todas as transgressões. Quando começarmos a nos unir, sem prestar atenção no benefício pessoal, essa nova forma de unidade começará a influenciar nossas vidas.

O feriado de Pessach e a história do êxodo do Egito são metáforas que indicam a saída das atitudes egoístas entre as pessoas e a formação de atitudes mais elevadas. Esta é a liberdade do nosso Faraó interior, do ego que nos domina. Se sairmos do seu controle e conseguimos amar os outros, isso é chamado de liberdade, redenção. Após o êxodo do Egito e vagando pelo deserto, o povo de Israel chega ao Monte Sinai e recebe a Torá. Eles são perguntados se estão prontos para se tornar como um homem com um coração, para viver em Arvut (garantia mútua), em unidade, em “E amarás o teu amigo como a ti mesmo”. Isso é chamado de salvação, pois dentro da nossa conexão e unidade descobrimos uma força única que está escondida na natureza.

Do Programa da Rádio Israelense 103FM, 15/03/15

Como Um Feixe De Juncos — Viver Num Mundo Integrado, Parte 4

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 10: Viver Num Mundo Integrado

Um Mundo Integrado Exige Educação Integral

Educação Integral Direcionada À Unidade

Estudar Cabalá é uma maravilhosa maneira de alcançar a unidade. Ela é um método construído especificamente para esse propósito. Contudo, a maioria das pessoas não tem um “ponto no coração” vigoroso que exija respostas. Portanto, é improvável que a maioria das pessoas queira se envolver nestes estudos. Todavia, a necessidade de estabelecer uma sociedade coesa é uma necessidade global, não uma necessidade pessoal, judaica, ou até relacionada a um país.

Dave Sherman, um líder em estratégia de negócios e perito em sustentabilidade descreveu o presente predicamento global no filme, Encruzilhada: Dores de Parto de uma Nova Visão Mundial (Crossroads: Labor Pains of a New Worldview): “O último Relatório de Riscos Globais, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, apresenta um surpreendente mapa de interligação de riscos. Ele revela claramente como todos os riscos globais estão inter-relacionados e entrelaçados, de modo que riscos econômicos, ecológicos, geopolíticos, sociais e tecnológicos são interdependentes. Uma crise em determinada área rapidamente conduzirá a uma crise em outras áreas. A interligação e complexidade deste mapa compararam, para nossa surpresa, o impacto e a velocidade das recentes crises financeiras, ilustrando a discórdia que existe entre todos os sistemas que construímos, e demonstra precisamente quão desconexos nos tornamos. Nossas tentativas de gerir estes sistemas são fragmentadas e simplistas, e não estão à altura dos desafios que hoje enfrentamos”. [i]

Para responder precisamente a esse contraste entre nossa própria desconexão e a interligação dos sistemas que construímos, precisamos desenvolver um pensamento interligado, uma percepção inclusiva do nosso mundo. A Educação Integral (EI), a anteriormente mencionada “educação direcionada à unidade”, responde precisamente a esses pontos.

O termo, “integral”, de acordo com Thomas J. Murray da Escola de Educação na Universidade de Massachusetts, “significa muitas coisas para muitas pessoas, e o mesmo é verdadeiro para a Educação Integral”. [ii] A percepção mais comum da EI, como descrita na Wikipedia, é que ela é “a filosofia e a prática da educação para toda a criança: corpo, emoções, mente, alma e espírito”. [iii]

Relacionar-se com toda a criança no processo de educação é certamente recomendado. Contudo, no mundo interligado de hoje, simplesmente não é suficiente. Como demonstramos no capítulo anterior, aprendemos primeiramente, senão somente, através do ambiente. Desta forma, o foco da educação deve estar em formar um ambiente que incite nossos valores escolhidos e informação para crianças e adultos de maneira igual.

Escola Para Adultos: Um Guia Para Os Perplexos

Além do nível falante (humano) da Natureza, todos os outros níveis (inanimado, vegetal e animal) operam em garantia mútua. A homeostase, como definida no Dicionário Webster, corresponde perfeitamente à descrição de garantia mutua em todos os níveis abaixo do falante: “Um estado relativamente estável de equilíbrio ou uma tendência para tal estado entre os diferentes, mas interdependentes, elementos ou grupos de elementos de um organismo, população ou grupo”. [iv]

Nossa presente sociedade, predominantemente capitalista, afasta-se do equilíbrio, zomba da tendência para ele, e tem pavor de interdependência. Na realidade, nós patrocinamos e lutamos pelo oposto. Louvamos concretizações individuais nos esportes, negócios, política e no ensino, e idolatramos aqueles no topo. Nós negligenciamos aqueles que contribuem para o bem estar do coletivo e apreciamos o individualismo e a independência.

Mas uma sociedade que funciona desta maneira não consegue durar muito tempo. Pense em corpos humanos. Se nossos corpos conduzissem a si mesmos pelos valores que predominam em nossa sociedade, não duraríamos além da diferenciação celular inicial na fase do embrião. Assim que as células começassem a formar diferentes órgãos, elas começariam a lutar umas com as outras pelos recursos e o embrião se desintegraria. A vida não seria possível se qualquer parte dela abraçasse os valores individualistas que acabamos de descrever. É porque a vida, isto é a Natureza, adere às regras da homeostase que nós podemos desenvolver e sustentar a nós mesmos, e evoluímos até ao ponto em que podemos ponderar a natureza e o propósito de nossa existência.

Certamente, não só os organismos, mas todo o nosso ecossistema planetário, até o cosmos, estão num estado de homeostase. Quando o equilíbrio se desmorona, logo problemas surgem. Um relatório revelador submetido ao Departamento de Educação Americano em outubro de 2003 por Irene Sanders e Judith McCabe demonstra claramente o que acontece quando desequilibramos um ecossistema do seu estado homeostático. “Em 1991, uma orca, baleia assassina, foi vista comendo uma lontra. As orcas e lontras normalmente coexistem pacificamente. Então, o que aconteceu? Os ecologistas descobriram que o sebastes e o arenque também estavam declinando. As orcas não comem esses peixes, mas focas e leões marinhos sim. E focas e leões marinhos são o que as orcas normalmente comem, e sua população também declinou. Portanto, privadas de suas focas e leões marinhos, as orcas começaram a se voltar às brincalhonas lontras marinhas para seu jantar”.

“Então as lontras desapareceram devido aos peixes, que elas nunca comeram em primeiro lugar, desapareceram. Agora, a onda se espalha. As lontras já não estão lá para comer os ouriços do mar, então a população de ouriços do mar explodiu. Mas os ouriços do mar vivem de florestas de algas do fundo do mar, então eles estão matando as algas. As algas foram o lar para os peixes que alimentam as gaivotas e águias. Como as orcas, as gaivotas podem encontrar outra comida, mas as águias não conseguem e estão em apuros”.

“Tudo isto começou com o declínio do sebastes e arenque. Por quê? Bem, os caçadores de baleias japoneses têm matado a variedade de baleias que comem os mesmos organismos microscópicos que alimentam o pollock [um tipo de peixe carnívoro]. Com mais peixe para comer, o pollock floresce. Eles por sua vez atacam o sebastes e arenque que eram comida para as focas e leões marinhos. Com o declínio na população de leões marinhos e focas, as orcas têm qe se voltar às lontras”. [v]

Pense como nos comportamos em relação aos outros. Nós somos competitivos, alienados, isolados uns dos outros, e aspiramos sobressair sobre os outros. Tenha em mente que esta não é a exceção, mas a regra, os valores que ensinamos aos nossos filhos como a maneira “certa” de ser. É por isso que uma escola adulta, um guia para o adulto perplexo, é necessária.

A maneira na qual esta escola vai operar deve variar de lugar para lugar e de país para país. Cada nação e país tem a sua própria mentalidade e cultura, um nível diferente de avanço tecnológico e de meios de comunicação, e tradições pelas quais as pessoas aprendem. Por esta razão, cada país, por vezes cada cidade, terá que desenvolver seu próprio método de instrução. Contudo, o conteúdo fundamental, os princípios que todos estes sistemas de educação adulta vão ensinar devem ser os mesmos. Caso contrário o resultado será disparidade no compromisso populacional com a responsabilidade mútua e a compreensão da sua importância nas nossas vidas.

Vamos examinar alguns dos princípios fundamentais que a educação rumo à responsabilidade mútua deve conter.

Mídia Pró-social

Nos Escritos de Baal HaSulam, Ashlag afirma, “O maior de todos os prazeres imagináveis é ser favorecido pelas pessoas. É vantajoso desperdiçar toda a nossa energia e prazeres corpóreos para obter certa quantia dessa coisa deliciosa. Este é o ímã que atraiu os maiores de todas as gerações, e pelo qual eles banalizaram a vida da carne”. [vi]

Desta forma, para alterar nosso comportamento social, nós devemos mudar o nosso meio social de um que promove a individualidade para um que promova a mutualidade. Falando de forma prática, nós podemos usar as mídias para demonstrar como o trabalho em grupo rende melhores resultados que o trabalho individual, e como a competição é prejudicial à nossa felicidade e saúde. Assim que percebemos que há uma recompensa maior na conduta cooperativa que no individualismo, será fácil colaborar e partilhar.

Em seu livro inspirador, A Sabedoria das Equipes: Criar a Organização de Alta-Performance, os autores Jon R. Katzenbach e Douglas K. Smith descrevem uma história de sucesso que vale a pena mencionar no contexto das vantagens do trabalho em equipe. A Burlington Northern Railroad era uma empresa bem sucedida de transportes, e é atualmente parte de uma grande corporação detida pela Berkshire Hathaway, que é controlada pelo investidor Warren Buffett. Em 1981, a Burlington Northern Railroad sofreu uma revolução por sete homens — Bill Greenwood, Mark Cane, Emmett Brady, Ken Hoepner, Dave Burns, Bill Dewitt, e Bill Berry — que usaram a desregulação Americana da indústria ferroviária para acelerar a entrega de fretes e minimizar o custo da entrega. É assim que Katzenbach e Smith descrevem o espírito com o qual eles levaram a cabo essa revolução: “Todas as verdadeiras equipes partilham um compromisso com seu propósito comum. Mas somente membros de equipe excepcionais… também se tornam profundamente dedicados uns aos outros. Os sete homens desenvolveram uma preocupação e compromisso tão profundos um pelo outro como sua dedicação à visão que estavam tentando concretizar. Eles procuraram o bem estar uns dos outros, apoiaram-se uns aos outros quando e como quer que fosse necessário e trabalharam constantemente uns com os outros para fazer o que fosse necessário fazer”. [vii]

Tal história podia ser um advogado poderoso para o caso a favor da unidade sobre a competição. O único problema é que no nosso mundo ultra competitivo, até a unidade é usada para ganhar alavanca pessoal para o grupo que a pratica (ou devemos dizer, que a comete, devido ao seu mau uso). No mundo interligado e interdependente de hoje, este tipo de unidade é insustentável.

Na nossa sociedade egocêntrica, a unidade durará somente enquanto for lucrativa para os indivíduos envolvidos. No capítulo anterior, na secção, “De Eu, a Nós, a Um”, descrevemos os efeitos doentios da competição. Ao mesmo tempo, reconhecemos que “com nosso presente conhecimento da natureza humana, não podemos evitar esta atitude competitiva e alienante porque ela vem de dentro de nós, uma ditadura do quarto nível falante do desejo, e não podemos parar a evolução dos desejos”.

Contudo, já dissemos que não precisamos impedir nossa evolução, só mudar para uma direção construtiva para todos. O meio mais instrumental para concretizar isto é através dos meios de comunicação de massa. Se desenvolvermos um conteúdo de mídia pró-social e nos bombardearmos com ele tanto quanto atualmente nos bombardeamos com anúncios e informativos que visam esgotar nossas contas bancárias, nos encontraremos vivendo numa sociedade muito diferente da atual.

Os meios domésticos contemporâneos das pessoas contêm uma grande dose de entretenimento das mídias, seja através da TV ou via a Internet. Uma publicação pelo Departamento de Educação Americano intitulada, “Guia das Mídias – Como Ajudar Seus Filhos No Começo da Adolescência”, afirmou, “É difícil compreender o mundo dos jovens adolescentes sem considerar o enorme impacto dos meios de comunicação de massa nas suas vidas. Eles competem com a família, amigos, escolas, e comunidades na sua habilidade de moldar os interesses, atitudes e valores dos jovens”. [viii] Lamentavelmente, a maioria dos interesses que a mídia molda é antissocial.

Por exemplo, uma publicação online da Universidade do Sistema de Saúde de Michigan declara que “Literalmente milhares de estudos desde os anos 1950 questionaram se há um elo entre a exposição à violência da mídia e o comportamento violento. Todos senão 18 responderam, ‘Sim’. …De acordo com a AAP (Academia Americana de Pediatras), ‘Extensiva evidência de pesquisas indica que a violência da mídia pode contribuir para o comportamento agressivo, dessensibilização à violência, pesadelos e medo de ser magoado’”. [ix]

Para compreender quanto a violência as jovens mentes absorvem, considere esta informação da publicação mencionada acima: “Uma criança mediana Americana verá 200.000 ações violentas e 16.000 assassinatos na TV pelos 18 anos de idade”. [x] Se este número não parece alarmante, considere que há 6.570 dias em dezoito anos. Isto significa que em média, pelos dezoito anos de idade uma criança terá sido exposta a um pouco mais de trinta ações de violência na TV, 2.4 das quais são assassinatos, todos os dias da sua jovem vida.

Na mesma nota, no seu livro, Desenvolvimento Durante a Vida: Uma Abordagem Psicológica, publicado em 2008, Barbara M. Newman, PhD e Philip R. Newman descrevem como a “Exposição a muitas horas de violência na televisão aumenta o repertório de comportamento violento das jovens crianças e aumenta a prevalência de sentimentos de cólera, pensamentos e ações. Estas crianças são apanhadas na fantasia violenta, participando da situação televisiva enquanto assistem”. [xi] Se nos recordarmos dos neurônios-espelho, e considerarmos quanto nós, e especialmente as crianças, aprendem por imitação, podemos imaginar que dano irreversível a violência lhes causa, e nós já estamos sentindo os efeitos desta educação enferma.

Desta forma, desenvolver mídias que sejam pró-sociais e de pró-responsabilidade mútua é imperativo para nossa sobrevivência enquanto sociedade habitável. Isso deve desempenhar um papel chave na mudança da atmosfera pública de alienação para camaradagem. As mídias nos fornecem praticamente tudo o que sabemos sobre o nosso mundo. Até a informação que recebemos de amigos e da família frequentemente chega via mídias — a versão moderna da parreira.

Mas as mídias não nos fornecem simplesmente informação. Também nos oferecem petiscos sobre pessoas que aprovamos ou desaprovamos, e nós formamos nossas visões baseadas no que vemos, escutamos ou lemos. Como seu poder sobre o público não tem rival, se as mídias mudarem para a convergência e a unidade, também mudarão a visão mundial da maioria das pessoas para esses valores.

Atualmente, as mídias se concentram em indivíduos bem sucedidos, magnatas da media, mega estrelas pop, e indivíduos ultra bem sucedidos que ganharam milhões nas costas dos seus rivais. Em tempos de crise, tais como depois do Furacão Sandy, ou durante inundações, as pessoas se unem em prol de se ajudarem. Em tais tempos estas histórias, que as mídias transmitem abundantemente, ajudam a levantar a moral e nos dão esperança de que o espírito humano não seja de todo mau. Mas, assim que o próximo item de notícias aparece, as mídias correm atrás dessa história e desaparecem, levando com elas a fé no espírito humano. Em vez disso, sensações de suspeita e alienação ressurgem no horário nobre.

Para instalar uma mudança duradoura e fundamental na nossa visão mundial, para nos fazer desejar a qualidade de doação, as mídias devem apresentar a imagem completa da realidade, e nos informar a sua estrutura interligada e interdependente. Para este fim, elas devem produzir programas que demonstrem como essa qualidade afeta todos os níveis da Natureza — inanimado, vegetal, animal e falante — e encorajar as pessoas a emulá-la com o objetivo de equalizar nossa sociedade com os traços da Natureza ou seja, mutualidade e homeostase. Em vez de programas de entrevistas que idolatram pessoas que têm sucesso, estes programas devem louvar pessoas que ajudaram outras a ter sucesso.

Se as mídias mostrarem pessoas se preocupando umas com as outras e as colocarem num pedestal principalmente porque suas ações coincidem com a lei da Natureza, a Lei da Doação, isso gradualmente mudará o desejo do público de egocêntrico para a camaradagem. As pessoas começarão a sentir que há ganho pessoal em ser altruísta, possivelmente muito mais do que o ganho onde há egoísmo, se é que há algum ganho nele.

Hoje, a mensagem predominante que as mídias devem retratar é, “Unidade é divertida, e ela também é boa para você, junte-se”! Há várias e amplas maneiras pelas quais podemos demonstrar que a unidade é uma dádiva.

Embora todo o cientista saiba que nenhum sistema na Natureza opera em isolamento, e que a interdependência é o nome do jogo, a maioria de nós está inconsciente disso. Quando virmos como cada órgão físico funciona para beneficiar o corpo inteiro, como as abelhas colaboram em colmeias, como um cardume de peixes nada em uníssono que pode ser confundido com um único peixe gigante, e como os chimpanzés ajudam outros chimpanzés, ou até humanos, sem qualquer recompensa em retorno, saberemos que a principal lei da Natureza é a da harmonia e coexistência.

As mídias devem nos mostrar tais exemplos muito mais frequentemente que o fazem. Quando percebermos que é assim que a Natureza funciona, espontaneamente examinaremos nossas sociedades e nos esforçaremos em emular essa harmonia entre nós. Se nossos pensamentos começarem a mudar nesta direção, eles criarão uma atmosfera diferente e introduzirão um espírito de esperança e força nas nossas vidas, até antes deles implementarem esse espírito na realidade, uma vez que estaremos alinhados com a força da vida da Natureza — o Criador.

Porque, tal como acabamos de afirmar, nosso maior prazer é o de ganhar a aprovação das pessoas, se outros aprovarem nossas ações e visões nos sentiremos bem acerca de nós mesmos. Se eles desaprovam o que fazemos ou dizemos, nos sentimos mal acerca de nós mesmos e tendemos a esconder ou modificar nossas ações para nos ajustarmos à norma social. Em outras palavras, como é tão importante para nós nos sentirmos bem conosco mesmos, as mídias estão numa posição única para mudar as ações e visões das pessoas.

Não surpreendentemente, os políticos são as pessoas mais dependentes de votos na sociedade, pois suas carreiras e a própria vivacidade dependem da sua popularidade. Se lhes mostrarmos que mudamos nossos valores, eles mudarão os seus para seguir nossa conduta. E uma das maneiras mais fáceis e mais eficazes de lhes contarmos o que valorizamos é mostrar-lhes o que queremos ver na TV! Se dermos elevadas classificações a programas que promovem unidade e camaradagem, os políticos irão se sintonizar nesse espírito e legislarão correspondentemente. Como os políticos querem manter sua posição, precisamos lhes mostrar isso, reter suas posições, eles têm que promover o que nós queremos que eles promovam: unidade.

Quando formos capazes de criar uma mídia que promova unidade e colaboração em vez da glorificação de celebridades, criaremos um meio que nos persuada que a unidade e a responsabilidade mútua são boas.

[i] Citado do filme, Crossroads: Labor Pains of a New Worldview, de Joseph Ohayon, publicado em 31 de dezembro de 2012, no Youtube, url: https://www.youtube.com/watch?v=5n1p9P5ee3c, 2: 53, desde o início.

[ii] Thomas J. Murray, Ed.D., “Qual é o Integral na Educação Integral? Da Pedagogia Progressiva à Pedagogia” Integral Review (Junho de 2009), Vol. 5, No. 1, p 96.

[iii] http://en.wikipedia.org/wiki/Integral_education.

[iv] http://www.merriam-webster.com/dictionary/homeostasis

[v] T. Irene Sanders e Judith McCabe, PhD, The Use of Complexity Science: a Survey of Federal Departments and Agencies, Private Foundations, Universities, and Independent Education and Research Centers, outubro de 2003, Washington Center for Complexity & Public Policy, Washington, DC. url: www.hcs.ucla.edu/DoEreport.pdf

[vii] Jon R Katzenbach & Douglas K Smith, The Wisdom of Teams: Creating the High-Performance Organization (US: Harvard Business School Press, January 1, 1992), 37-38.

[vi] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, 44.

[vii] Jon R Katzenbach e Douglas K Smith, The Wisdom of Teams: Creating the High-Performance Organization (US: Harvard Business School Press, January 1, 1992), 37-38.

[viii] U.S. Department of Education, “Media Guide—Helping Your Child Through Early Adolescence,” http://www2.ed.gov/parents/academic/help/adolescence/index.html

[ix] University of Michigan Health System, “Televisão e as Crianças”, http://www.med.umich.edu/yourchild/topics/tv.htm

[x] ibid.

[xi] Barbara M. Newman e Philip R. Newman, Development Through Life: A Psychosocial Approach (Belmont, CA: Wadsworth Cengage Learning, 2008), 250

Desenvolver Um Segundo Fôlego Para O Nosso Trabalho

Dr. Michael LaitmanNós devemos estar preocupados com o combustível para o avanço e a qualidade do trabalho, e não apenas correr atrás da quantidade. Caso contrário, isso levará a uma grande queda. Nós devemos nos sentar juntos e pensar num método para abordar as pessoas. No momento em que vocês começarem seriamente a cuidar do público em geral, vocês vão ter um segundo fôlego. Agora, vocês se sentem cansados depois de um longo prazo. Mesmo que vocês tenham grande sucesso, isso já não lhes excita e nem lhes dá o mesmo vigor que tinham antes. Vocês se acostumaram a ser bem sucedidos e não há nada de novo nisso. Tudo chega ao fim e vocês começaram a ficar doentes e cansados disso.

É como as quatro fases da Ohr Yashar (Luz Direta). Por que a primeira fase não pode durar para sempre? Porque depois que ela (Aleph-Lamed-Peh) termina, a segunda fase (Bet-Yod-Tav) começa. Depois que essa termina, a terceira fase começa.

A Luz influencia o desejo e muda-o constantemente. No final, ele se torna qualitativamente novo da recepção à doação, de Hochma à Bina. Assim, a mesma coisa vai acontecer com o nosso trabalho. É impossível utilizar o mesmo jogo até o fim da vida.

Quando as pessoas se apaixonam, elas juram que vão se amar até o final de suas vidas, mas é claro que o amor vai desaparecer antes de morrer, pois nós evoluímos rapidamente. Nos dias de hoje, o desenvolvimento é muito rápido, de modo que as pessoas se casam e se divorciam várias vezes em suas vidas.

Isso significa que cada estado vai acabar e não devemos esperar que isso aconteça. Com antecedência, nós devemos entender que embora a nossa disseminação seja produtiva, correta e boa, e que não possamos diminuir sua importância, ela já exige adições. Cabe a nós pensar na qualidade do trabalho, pois cada novo nível é alcançado através da melhoria da qualidade.

Isso significa que a conexão com as pessoas deve ser mais qualitativa. A próxima fase é precisamente a mesmo que a anterior, mas com um maior nível de conexão. Nós precisamos nos encontrar com as mesmas pessoas que já contatamos e começar a ensiná-las o método de correção. É necessário o envio de material explicativo a elas, ter workshops e noites de unificação com elas, e ensiná-las através dos canais de televisão e da Internet para mantê-las continuamente interessadas. É como se nós as matriculássemos numa escola, e agora cabe a nós começar a primeira série.

Como resultado, vamos nos tornar um canal que conecta as pessoas ao Criador. Nós ainda não estamos nessa conduta; em vez disso, temos alcançamos o primeiro ponto de contato.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/05/14, O Livro do Zohar

“Suas Fontes Se Estenderão Para Fora”

laitman_214Pergunta: Eu quero lhe fazer uma pergunta que provavelmente foi feita muitas vezes: quando é o Messias virá?

Resposta: De uma carta do Baal Shem Tov, “Keter Shem Tov”: “Quando eu subi lá, era impossível dizer e falar mesmo face a face, até que entrei no salão do Messias onde o Messias estuda com todos os Tanaim e os justos e também com sete pastores. E eu perguntei à boca do Messias, ‘Quando você virá’?”.

“E ele respondeu, ‘você deve saber quando seu estudo se tornar famoso e revelar-se em todo o mundo e suas fontes se estenderem para fora; tudo o que eu lhe ensinei e que você alcançou. E elas também serão capazes de executar singularidade e subir como você e todas as Klipot, cascas (o ego) forem aniquilados e será o tempo da misericórdia e redenção Celestial”.

Domesticar O Burro

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu faço para chegar ao ponto em que recebo corretamente cada sentimento a cada momento?

Resposta: A coisa mais importante é estar separado de si mesmo e tentar aderir emocional e mentalmente ao Elyon (Superior). Eu quero me ver como o Criador me vê.

Por que amamos as criancinhas? Porque elas se comportam de forma honesta e natural, sem hipocrisia. A criança quer algo, ela o agarra. Com ela, tudo é simples e aberto, ou seja, dentro de uma camada de comportamento: conforme ela se sente satisfeita com sua natureza, é a forma como ela age. Adultos fazem todos os tipos de cálculos, de modo que não podem tolerar a si mesmos ou a outros.

No entanto, quando olhamos para uma criança, nós imediatamente vemos o que a motiva e o que a dirige. Nós vemos a sua personalidade. Afinal, ela se comporta de maneira muito simples e no presente. Este é comportamento unidimensional, por trás do qual não há nada escondido. É assim que temos que olhar para nós mesmos do ponto de vista do Criador e como Ele me criou, me satisfaz, e altera os Reshimot (reminiscências) em mim em todos os momentos, graças aos quais eu sempre me descubro numa nova situação e num mundo em mudança.

O Reshimo define quem eu sou por dentro e como eu recebo o mundo. Eu devo constantemente realizar o Reshimo como se “Não houvesse outro além Dele”, o bom e que faz o bem. Em relação ao meu estado interior, o mundo exterior, e, em relação a tudo, a unidade da providência superior é revelada.

Se eu tento olhar para tudo o que está acontecendo através dos olhos do Criador, tanto quanto for possível, graças a isso eu começo a aprender e me tornar semelhante a Ele, como uma criança imitando um adulto. Aparentemente, a criança não recebe nenhum benefício disso, mas, apesar de tudo, ela quer ser como o adulto. Esta é também a forma como nós crescemos.

A principal coisa é dividir as duas camadas da pele: a que está conectada à carne e a camada exterior. Assim, nós adquirimos uma visão mais objetiva de nós mesmos de fora.

Todo o conselho é derivado daqui: aceitar a opinião do ambiente, a opinião do grupo, em vez de minha própria opinião, e aderir-se a um amigo e tornar o meu desejo como seu desejo. Dessa forma, nós gradualmente começamos a nos separar de nós mesmos e nos vemos de fora.

Eu peço que a Luz me influencie e me dê entendimento, sentimento e reconhecimento da necessidade de fazer alguma coisa comigo mesmo. Eu também quero mudar.

A besta se adere aos Reshimot que surgem dentro de si e percebe-os sem qualquer solicitação externa. Isso é chamado de comportamento natural instintivo no nível inanimado, vegetal e animal.

Se eu quero ficar longe deste comportamento e olhar para o que está acontecendo comigo de fora, eu começo a examinar meu comportamento e alterá-lo. Aqui, eu preciso da Luz que Reforma; preciso do grupo. Este é o ponto a partir do qual eu começo a me desenvolver no nível de Adão (homem/ser humano), o primeiro ponto a partir do qual Adão começa a crescer em mim acima do comportamento instintivo, bestial.

Pode ser que eu continue a agir sob a influência de meus instintos, porque não tenho nenhuma possibilidade de me livrar deles. No entanto, eu sempre tento me ver de fora, como uma pessoa que caminha ao lado de um cão e prende-o por uma coleira.

Nesse meio tempo, nós vemos que a besta governa a pessoa. No entanto, ela conscientemente deixa seu burro fazer isso para que, nesse meio tempo, ela possa ensiná-lo. Quando treinamos um animal selvagem, primeiro fazemos o que ele quer para que ele se acostume com a pessoa ao seu lado, e depois disso, somos capazes de montá-lo e gradualmente começar a cavalgá-lo.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/05/14, Escritos do Rabash

Não Briguem Em Vão

Dr. Michael LaitmanPergunta: Há facções entre o povo de Israel que estão envolvidas na separação das pessoas e demonização da nação, incluindo até mesmo os valores que compõem o consenso. Como nós lidamos com isso; como é possível alcançar a unidade em face disto?

Resposta: Nós não precisamos estar envolvidos com as pessoas e suas ações, mesmo que elas representem o governo. É dito em Provérbios 21:1: O coração do rei está na mão do Senhor… Mesmo que eles sejam aqueles que em nosso mundo são considerados conhecedores ou influentes, eles são, basicamente, apenas a execução das ações que lhes são impostas pela força superior. Cada um deles é apenas um fantoche.

Nós devemos nos voltar à força superior que os administra e não levar as pessoas em conta. Nós prestamos atenção neles só porque através disso estamos analisando se estamos ou não construindo corretamente a nossa relação com o Criador.

De acordo com isso, vamos examinar se estamos construindo correta ou incorretamente a nossa relação com o Criador. Além disso, o princípio de Êxodo 10: 1: Venha ao Faraó, porque endureci o seu coração… funciona aqui.

Portanto, aqui nós simplesmente precisamos trabalhar mais na unidade, conexão e disseminação.

Nós não temos nada no que trabalhar além da conexão dentro do grupo, a fim de influenciar o Criador. Não devemos nos relacionar com nada externo a menos que venha contra nós numa guerra. A guerra exige uma resposta e devemos influenciar tudo o resto através do Criador.

Nada influencia a pessoa diretamente. As disputas são inúteis. Discussões ajudam a esclarecer alguns pontos, de modo que eles sejam mais compreensíveis para todos. Isso é outro assunto, e para esse propósito eu estou pronto para falar com a pessoa, não para convencê-la, mas para levar a mensagem às outras pessoas.

Somente a Luz Superior pode corrigir. E por isso não temos necessidade de argumentos; eles não funcionam. Só podemos convencer alguém através do poder superior. O Criador gerencia tudo. A força superior, a Luz, influencia todos, e em cada momento organiza o estado atual do mundo entre as pessoas em todos os tipos de formas e relações.

Assim, conclui-se que é preciso voltar-se para a Luz Superior e não para o mundo. Nós também vemos que ninguém está disposto a influenciar ou convencer ninguém. Mesmo os líderes mundiais realmente descobrem sua insignificância no entendimento do que está acontecendo e de suas próprias habilidades. Eles estão discutindo como crianças na rua.

Ao contrário deles, nós podemos influenciar a força superior, e através disso, a correção do mundo. Esta é a nossa missão.

“Não há outro ao lado Dele”, e voltando-se para Ele, não há outro além de você. Se você quer organizar o mundo de forma bela e correta, e prepará-lo para a revelação do Criador, então você está correndo junto com a Luz na direção certa.

Pergunta: O que significa “influenciar o Elyon (superior)”?

Resposta: Significa criar todas as condições para que Ele seja revelado. Através disso eu Lhe dou satisfação. E essas condições estão trazendo os poderes de doação, Ohr Hassadim (Luz da Misericórdia) para este mundo. Afinal, o Criador é Ohr Hochma (Luz da Sabedoria), que após o Tzimtzum Aleph (primeira restrição) só pode ser revelada se a Ohr Hassadim precede-a. Isso é o que eu devo trazer para o mundo.

Da 5ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/05/14, Escritos do Baal HaSulam

O Fogo Perpétuo É Um Chamado À Ação

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar, “Tzav”, item 50: Ele não vai sair. É claro que o fogo da Torá não se extinguirá, uma vez que a transgressão não extingue a Torá, mas uma transgressão extingue uma Mitzva, e aquele que comete uma transgressão extingue uma Mitzva, o que é chamado de “uma vela”. Assim, a pessoa extingue sua vela de seu corpo, ou seja, a alma, da qual foi dito: “A alma do homem é a vela de Deus”.

Se uma pessoa peca na espiritualidade, ela pode extinguir o fogo da Mitzva (mandamento) como resultado. Mas seu ego e a Luz Circundante (Ohr Makif) ainda acarretarão o surgimento da vela, a conexão entre os atributos do Criador e os atributos da pessoa. Então o atributo da pessoa será gradualmente corrigido de acordo com o Criador.

Este estado é muitas vezes mencionado na Torá, como na história dos Macabeus, por exemplo, que tinham apenas um pequeno frasco de óleo que durou oito dias, embora, logicamente, ele deveria ter sido suficiente apenas para um dia. Isso significa que o fogo perpétuo simboliza o desejo permanente pela meta, a conexão contínua, a compreensão contínua, assim como o fogo perpétuo que é aceso em memória daqueles que já não estão entre nós.

Esta é a memória eterna, que deve ser um chamado à ação para nós. Nós temos que proteger este fogo em nós e estar em contato permanente entre a Luz Superior, o Criador, e o nosso desejo egoísta. É porque a Luz ilumina por causa do nosso desejo, que gradualmente diminui e serve como combustível para a Luz.

O Criador (a Luz) aparece somente quando podemos subir ao seu nível e nos transformarmos num fogo ardente. Até então não há um Criador e esta é a razão pela qual Ele é chamado de “venha e veja”, Bo-re.

Quando tentamos nos transformar no atributo de amor e doação, uma névoa sobe do óleo através do pavio e a vela é acesa Assim, a forma da vela não é apenas a forma do Criador, Seu atributo, mas também a forma da pessoa, a forma de Adão (homem/ser humano), que se assemelha ao Criador, já que agora eles combinam e estão em adesão.

Como resultado, o elemento que não queima por natureza começa a queimar. Sem ele não há fogo, mas ele só aparece quando anseia em alcançar a equivalência de forma com o Criador. A Luz realmente surge como resultado disso, porque sem ela, não há nível superior e nem mundo superior.

O mundo espiritual surge quando o criamos dentro de nós a partir dos materiais que temos. Primeiro é o grupo que anseia pela conexão, a fim de descobrir o atributo de amor e doação na conexão entre si. Se tal atributo desperta entre nós, então, como resultado da compressão entre nós, da pressão e do desejo de se conectar, existe uma ignição. Então, surge a Luz, que é a imagem do Criador que surge entre nós.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 27/11/13

Como Um Feixe De Juncos — Viver Num Mundo Integrado, Parte 3

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 10: Viver Num Mundo Integrado

Um Mundo Integrado Exige Educação Integral

Escola Para Adultos: Um Guia Para Os Perplexos

Além do nível falante (humano) da Natureza, todos os outros níveis (inanimado, vegetal e animal) operam em garantia mútua. A homeostase, como definida no Dicionário Webster, corresponde perfeitamente à descrição de garantia mutua em todos os níveis abaixo do falante: “Um estado relativamente estável de equilíbrio ou uma tendência para tal estado entre os diferentes, mas interdependentes, elementos ou grupos de elementos de um organismo, população ou grupo”. [i]

Nossa presente sociedade, predominantemente capitalista, afasta-se do equilíbrio, zomba da tendência para ele, e tem pavor de interdependência. Na realidade, nós patrocinamos e lutamos pelo oposto. Louvamos concretizações individuais nos esportes, negócios, política e no ensino, e idolatramos aqueles no topo. Nós negligenciamos aqueles que contribuem para o bem estar do coletivo e apreciamos o individualismo e a independência.

Mas uma sociedade que funciona desta maneira não consegue durar muito tempo. Pense em corpos humanos. Se nossos corpos conduzissem a si mesmos pelos valores que predominam em nossa sociedade, não duraríamos além da diferenciação celular inicial na fase do embrião. Assim que as células começassem a formar diferentes órgãos, elas começariam a lutar umas com as outras pelos recursos e o embrião se desintegraria. A vida não seria possível se qualquer parte dela abraçasse os valores individualistas que acabamos de descrever. É porque a vida, isto é a Natureza, adere às regras da homeostase que nós podemos desenvolver e sustentar a nós mesmos, e evoluímos até ao ponto em que podemos ponderar a natureza e o propósito de nossa existência.

Certamente, não só os organismos, mas todo o nosso ecossistema planetário, até o cosmos, estão num estado de homeostase. Quando o equilíbrio se desmorona, logo problemas surgem. Um relatório revelador submetido ao Departamento de Educação Americano em outubro de 2003 por Irene Sanders e Judith McCabe demonstra claramente o que acontece quando desequilibramos um ecossistema do seu estado homeostático. “Em 1991, uma orca, baleia assassina, foi vista comendo uma lontra. As orcas e lontras normalmente coexistem pacificamente. Então, o que aconteceu? Os ecologistas descobriram que o sebastes e o arenque também estavam declinando. As orcas não comem esses peixes, mas focas e leões marinhos sim. E focas e leões marinhos são o que as orcas normalmente comem, e sua população também declinou. Portanto, privadas de suas focas e leões marinhos, as orcas começaram a se voltar às brincalhonas lontras marinhas para seu jantar”.

“Então as lontras desapareceram devido aos peixes, que elas nunca comeram em primeiro lugar, desapareceram. Agora, a onda se espalha. As lontras já não estão lá para comer os ouriços do mar, então a população de ouriços do mar explodiu. Mas os ouriços do mar vivem de florestas de algas do fundo do mar, então eles estão matando as algas. As algas foram o lar para os peixes que alimentam as gaivotas e águias. Como as orcas, as gaivotas podem encontrar outra comida, mas as águias não conseguem e estão em apuros”.

“Tudo isto começou com o declínio do sebastes e arenque. Por quê? Bem, os caçadores de baleias japoneses têm matado a variedade de baleias que comem os mesmos organismos microscópicos que alimentam o pollock [um tipo de peixe carnívoro]. Com mais peixe para comer, o pollock floresce. Eles por sua vez atacam o sebastes e arenque que eram comida para as focas e leões marinhos. Com o declínio na população de leões marinhos e focas, as orcas têm qe se voltar às lontras”. [ii]

Pense como nos comportamos em relação aos outros. Nós somos competitivos, alienados, isolados uns dos outros, e aspiramos sobressair sobre os outros. Tenha em mente que esta não é a exceção, mas a regra, os valores que ensinamos aos nossos filhos como a maneira “certa” de ser. É por isso que uma escola adulta, um guia para o adulto perplexo, é necessária.

A maneira na qual esta escola vai operar deve variar de lugar para lugar e de país para país. Cada nação e país tem a sua própria mentalidade e cultura, um nível diferente de avanço tecnológico e de meios de comunicação, e tradições pelas quais as pessoas aprendem. Por esta razão, cada país, por vezes cada cidade, terá que desenvolver seu próprio método de instrução. Contudo, o conteúdo fundamental, os princípios que todos estes sistemas de educação adulta vão ensinar devem ser os mesmos. Caso contrário o resultado será disparidade no compromisso populacional com a responsabilidade mútua e a compreensão da sua importância nas nossas vidas.

Vamos examinar alguns dos princípios fundamentais que a educação rumo à responsabilidade mútua deve conter.

[i] http://www.merriam-webster.com/dictionary/homeostasis

[ii] T. Irene Sanders e Judith McCabe, PhD, O Uso da Ciência da Complexidade: uma Pesquisa de Departamentos e Agências federais, Fundações Privadas, Universidades, e e Centros de Pesquisa e Educação Independentes, outubro de 2003, Centro de Washington para Complexidade & Políticas Públicas, Washington, DC. url: www.hcs.ucla.edu/DoEreport.pdf

Unidade Fluindo Além Das Fronterias

laitman_944Pergunta: Qual é o papel da nação de Israel? É ser especialista em conexão e ensinar as nações do mundo, ou é se conectar primeiro e, portanto, ser um exemplo para todos? O que é mais importante?

Resposta: Nossa unidade está dentro das fronteiras de Israel. Esta é a coisa mais importante. Este é o lugar onde os exemplos e o método de conexão alcançará outros. Além disso, ele vai atrair a Luz que Reforma ao mundo inteiro.

Só nós podemos fazer isso. Se cumprirmos a conexão entre nós, mesmo sem disseminar nossa mensagem em todo o mundo, isso já vai trazer a correção do mundo inteiro. Dessa forma, nossos grupos disseminam em diferentes países, de modo que serão capazes de ascender, se conectar, e permitir que o Criador seja revelado neles. Isso, é claro, é feito junto conosco.

Portanto, se todos os grupos do mundo se reunissem em Israel, seria suficiente disseminarmos dentro desses limites. Afinal, quando disseminamos, nos unimos aqui, e isso se espalha por todo o mundo.

Baal HaSualm diz na “Introdução ao Livro Panim Meirot uMasbirot“, “Quando os filhos de Israel forem complementados com o conhecimento completo, as fontes da inteligência e conhecimento fluirão para além das fronteiras de Israel e irrigarão todas as nações do mundo… “.

Além disso, Rabash diz na Carta 18, “O Senhor concederá abundância às nações do mundo pela nação de Israel, que é mais capaz do que todas as nações do mundo de chegar perto do Senhor”.

Portanto, não podemos ir às nações do mundo com todas as queixas, não importa como elas nos tratam. Isso é outra coisa. Não vão a qualquer um com suas queixas. São vocês quem dão à luz a Hitler e todos os nossos outros inimigos por suas ações.

Nós somos os únicos que pendem a balança de um lado para o outro, e esse é um assunto muito sério. Portanto, nosso trabalho é apenas se conectar. Se os judeus estivessem conectados e unidos, não teria havido perseguições, e ninguém os teria expulsado da Espanha ou de outros países, e sua vida poderia ter sido totalmente diferente, mesmo no exílio.

Cada movimento que uma pessoa faz neste mundo é como um movimento de uma carga elétrica num campo de força ou de uma barra de ferro num campo magnético. A Luz me opera, e, portanto, eu consigo tudo na minha vida.

Tudo o que precisamos é de conexão, e a partir dessa conexão se voltar ao Criador. Ele também atua na política, na economia, em todas as áreas. Graças a isso, vamos trazer ordem ao mundo inteiro. Então, vamos começar a entender as razões para o antissemitismo e a crescente pressão geral que sentimos.

A questão é que não é a OLP ou o Hamas, ou Teerã. Tudo depende de nós. Quando desrespeitamos a conexão, trazemos essas aflições.

Essas forças não são uma punição, mas uma ajuda para que possamos melhorar nossos caminhos, nos unir, nos conectar, e agir corretamente. Portanto, nós devemos justificá-las e usá-las o mais rápido que pudermos, de acordo com o nosso objetivo.

Quando começarmos a nos conectar aqui, dentro das fronteiras de Israel, vamos sentir como todas as coisas ruins se derretem e desaparecem como nuvens que desaparecem do céu.

Da 5ª parte da Lição Diária de Cabala 05/01/14, Escritos do Baal HaSulam

O Caminho Para A Doação

Pergunta: O que leva uma pessoa a avançar, impureza ou santidade?

Resposta: A pessoa que ainda está na intenção de “a fim de receber”, que é chamada o Egito, é conduzida para avançar pela impureza. Afinal, ela não tem, ainda, desejos “a fim de doar“. Ela não valoriza a outorga, uma vez que não parece atraente, e por isso, só avança porque vê uma perda corporal e um ganho espiritual.

Eu posso dizer-lhe como a espiritualidade é maravilhosa indefinidamente, mas você não pode senti-la, porque você não tem nenhuma indicação da essência da característica disto. Então, você vai concordar que parece muito tentador, mas você não vai percebê-la, a fim de entender que é atraente, de acordo com os prazeres que você está acostumado: comida, sexo, família, dinheiro, respeito e conhecimento, ou pelo menos parte disto!

Assim, são dados problemas a uma pessoa, a fim de empurrá-la para a espiritualidade, mas eles são intencionais. Eventualmente é o Faraó que sofre os golpes, mas antes disso, a nação de Israel sofre durante os sete anos de fome. Não lhes são dados tijolos, mas são forçados a prepará-los por si mesmos, e trabalhar de manhã à noite, sem descanso. Tudo está de acordo com o caminho do sofrimento, e tudo depende dos sofrimentos que escolhemos. Os sofrimentos espirituais são resultado do meu afastamento da espiritualidade. Quanto mais avançamos, mais qualitativos os sofrimentos se tornam, até que, finalmente, chegamos ao êxodo, mas estes ainda são sofrimentos. Uma pessoa não pode avançar vivendo uma vida confortável. Se ela sente prazer, o prazer imediatamente preenche-o e para-o. Isso acontece em todo o mundo. Dê às pessoas abundância e elas viverão sem pensar em nada, como animais.

Somente se a deficiência cresce nelas, elas são forçadas a procurar uma maneira de preenchê-la ou fugir da dor, pois não só falta-lhes alguma coisa, mas que isto realmente dói. Nesse caso, elas alcançam o preenchimento. Guiando o ser criado por golpes e sofrimentos é a forma mais segura, porque a natureza da criação é o desejo de receber e não o de doação.

Temos que aumentar a sensação de deficiência no desejo de receber ou aumentar a tentação de receber. Uma pessoa é uma máquina que sente o vazio em sua barriga. Em vez disso, podemos preparar uma mesa cheia de iguarias e, assim, despertar o apetite de uma pessoa, mesmo que ela não esteja realmente com fome.

Isso significa que podemos aumentar a deficiência de duas maneiras, mas ambas operam sob o aspecto da recepção e não a partir do aspecto de doação. Podemos atrair uma pessoa pela força de doação somente através do grupo. Se eu estiver incorporado ao grupo, começo a entender que o meu progresso não depende do vazio que sinto na minha barriga e nem no prato maravilhoso diante de mim. O progresso ocorre em uma dimensão mais sublime, e começa com a falta de doação, avançando para uma capacidade cada vez maior de doar.

Então, começo a trabalhar com o grupo, ignorando o que sinto na minha barriga ou o prato que está diante de mim, e passo para uma nova dimensão. Até agora eu tenho avançado em uma dimensão de acordo com o caminho no nível baixo. Escapei do vazio que sinto na minha barriga para o enchimento.

Os portões de impureza, de recebimento, estão no nível mais baixo e as portas da santidade, da doação, estão no nível superior.

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Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala 28/4/14, Escritos do Rabash

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