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Entendendo Os Limites Dos Desejos

Dr. Michael LaitmanPor que depois que a alma (Nukva) completa uma etapa do seu desenvolvimento, ela ainda recebe limitações? A análise dos desejos (realização do mal) ocorre em todos os desejos (Kelim), e a correção, isto é, a aplicação dos desejos em prol da doação, ocorre quando esta for possível, ist´é, apenas em alguns desejos. A Nukva restringe os outros desejos, limitando-se.

Nós sabemos que alguns desejos pertencem ao “coração de pedra” (Lev HaEven), e eles não podem ser usados para se receber em prol da doação até o fim da correção (Gmar Tikkun). No entanto, por que é necessário esperar? Por que este “coração de pedra” não pode ser corrigido agora, juntamente com os outros desejos?

O fato de nós sempre corrigirmos apenas parte do desejo (deixando de lado o “coração de pedra”), nos impulsiona a obter um desejo adicional e, portanto, essa limitação age em nosso benefício. A pessoa é forçada a separar seus desejos, tomando uma decisão em relação a cada desejo e cada detalhe. Onde está GE (Galgalta ve Eynaim)? Onde está o AHP? Qual desejo é para a recepção em prol da doação, e qual desejo é para a doação em prol da doação?

A pessoa percebe tais diferenças em todos os desejos, exatamente devido ao fato do “coração de pedra” estar parcialmente presente nos mesmos, e isso ajuda a pessoa a determinar os limites do desejo. Exatamente no limite de esclarecermos nossas capacidades é que adquirimos a sensação, o contraste das qualidades, de acordo com a lei do “preferir uma Luz na escuridão”.

Estas limitações, quando nós sentimos que só conseguimos prosseguir até este limite e não conseguimos atravessá-lo, dá-nos a capacidade de perceber as diferentes qualidades e suas combinações (inclusões). Nós revelamos novas qualidades, o Criador acima da criação, no limite entre os desejos.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabala 21/09/10, Talmud Eser Sefirot

Como Se Tornar Um Rei?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Na caminhada espiritual são descritos estados, mas como a pessoa vai de um estado a outro? Qual é o método de transição?

Resposta: O método é muito simples: nada muda na realidade. Existe apenas uma realidade imutável, e como a minha atitude muda, a realidade muda nas minhas sensações.

O Doador na natureza imutável é imutável. Todas as mudanças ocorrem com o homem mudando sua atitude perante o mundo. Mesmo os psicólogos não aconselham esperar para que o mundo mude, mas mudar a si mesmo.

A Luz Superior pode lhe dar uma nova atitude perante a realidade, e você verá por si mesmo que tudo depende de você. Basta não tomar isso como um trabalho indesejável e difícil, mas, pelo contrário, tratá-lo como uma chance de controlar sua vida. Afinal, se tudo depende de você, e você tem a força com a qual pode implementar mudanças reais à sua disposição, então isso é maravilhoso! Naturalmente, certos esforços são esperados de você, mas através deles você se torna o centro do universo!

Uma pessoa pequena, que pensa que depende da natureza e dos demais, começa a mudar e muda sua percepção da realidade. Tudo está em suas mãos.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabala 20/09/10, “A Grandeza da Pessoa Depende de Sua Fé no Futuro”

Um Espaço Comum Entre Nós

Dr. Michael LaitmanVocê não visa a meta se não estiver olhando para ela através do grupo. O grupo é como uma lente que coleta todos os raios da visão e os dirige ao alvo. Sem ele, você não será capaz de focar os olhos na meta. Apenas no grupo, na relação coletiva dos amigos, você será capaz de descobrir a obra do Criador .

Se nós não construirmos uma área comum entre nós, um “espaço comum”, onde exista apenas a doação e a nossa união, nós não teremos o “lugar” onde o Criador pode ser revelado. Eu preciso ao menos de uma outra pessoa, pois o número mínimo em um grupo é duas pessoas. Eu decido unir-me com o grupo, e agora eu penso constantemente nisso. Na união que nós criamos, no “lugar comum”, ocorre tudo o que O Zohar e a Torá falam. Mas se eu não estou conectado com os outros, eu não tenho um lugar para revelar o que está descrito no Zohar.

Se eu me uno aos outros, todas as histórias na Torá, no Zohar, no Estudo das Dez Sefirot, e no Talmude falam sobre sobre os tipos da nossa conexão e o que é revelado nela. Através de minhas próprias ações dirigidas a uma maior conexão, eu desperto a revelação do Criador. Isso é chamado de “Israel (Eu), a Torá (textos cabalísticos, estudos e grupo), e o Criador são  um”, e eu os unifico desde o início da minha correção até o seu fim.

Não é nada difícil concentrar-se em um ponto. Senão, o alvo imediatamente desaparece, e você deve se concentrar de novo. Existem obstáculos, e o desafio está em focar-se na meta através da união.

Primeiro, nós precisamos criar um espaço comum entre nós. E O Zohar nos dirá o que ocorre nele, como anular-se a fim de trazer a nossa união à correção completa, e revelar o Criador nela de acordo com a lei da equivalência de forma.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabala 20/09/10, Talmud Eser Sefirot

Não Confie Na Mente

A Sabedoria da Cabalá não é aprendida através da mente. A Luz nos afeta, e a Cabalá gradualmente cria dentro de nós a sensação da imagem dos atos do Criador. A partir desse quadro, nós gradualmente absorvemos a sabedoria da Cabalá e nosso mundo espiritual interno.

Nós revelamos dentro de nós mesmos uma nova realidade que não pode ser entendida pela mente terrena (corporal). No começo, o desejo de receber foi criado, seguido pelo desenvolvimento da mente necessária para alcançar o que foi desejado. Desta forma, se nós ainda não possuímos as vasilhas (desejos) de doação, nós também não temos a mente para compreender os textos Cabalísticos.

Todas as recomendações dos Cabalistas são destinadas somente para preparar e causar dentro de nós a troca das propriedades de recepção pelas de doação. Além disso, de acordo com nossos desejos, nós começaremos a sentir. Dos sentimentos, nós começaremos a entender.

Toda a sabedoria da Cabalá está direcionada para conhecer o Criador. Se eu me fixo na meta de simplesmente entender o texto, eu corto a mim mesmo da habilidade de sentir o alcance espiritual. Isso é porque eu começo trabalhando com o mente corporal que se torna a mais importante para mim.

Isso coloca um obstáculo no meu caminho da revelação do Criador. Minha mente corporal bloqueia minha habilidade de avançar para o quadro das propriedades espirituais. Por isso Baal HaSulam se sentiu muito zangado quando ele se encontrou com os “Cabalistas de Jerusalém” que memorizavam mecanicamente o texto do Zohar.

Como Podemos Desejar A Coisa Mais Importante No Mundo?

Depois de passar por muitos ciclos de vida, a pessoa alcança um ponto onde experimenta o despertar espiritual inicial – o ponto no coração (Reshimo). Ele é composto de duas forças.

– Vazio com relação à futilidade de sua vida transitória e perecível, e do desespero de não ser capaz de encontrar satisfação nesse mundo.

– Uma “chispa” interior que a empurra a um lugar desconhecido que está além desse mundo.

Por um lado, o desespero a empurra para baixo, e por outro lado, a chispa a empurra para cima. Eventualmente a pessoa escolhe seu caminho. Essas duas forças como um todo induz a formação de um Reshimo dentro dela ou uma nova direção para sua existência.

Esse Reshimo a leva para um professor e para um grupo de pessoas que estudam a Cabalá. Depois disso, ela gradualmente compreende que somente ao se unir com outros Reshimot que são semelhantes a ela será capaz de construir, junto com eles, a força da doação que é semelhante ao Criador. Nisto se situa sua única liberdade de escolha na vida e sua única liberdade de ação.

Seu sucesso depende de quanto ela será capaz de aumentar sua chispa com a ajuda do grupo a despeito de todos os problemas pessoais. Se ela aumenta essa chispa, então ela sentirá a necessidade pela fé (doação) e pelos outros (os meios). Tudo é determinado pela quantidade de influência do ambiente espiritual (a orientação do seu professor e da opinião geral do grupo) que ela pode receber (ou absorver).

O ambiente não é só o grupo ou os amigos, mas a Shechina. A conexão com eles que eu adquiro é minha conexão com a Shechina, Malchut do Mundo de Atzilut, a alma comum de Adão.

Quando os amigos se unem para anular seu egoísmo e para alcançar a qualidade da doação, sua união evoca uma reação da Shechina e eles recebem dela a Luz da Correção (Ohr Makif). É assim que a pessoa começa a interagir com a Luz Circundante (Ohr Makif), que a leva para perto da revelação da qualidade de doação (fé) dentro dela mesma, e da Luz Interna (Ohr Pnimi) dentro dessa qualidade.

Todo o nosso trabalho vem para aumentar nosso desejo pela qualidade da doação e aumentar sua importância; o jeito de se fazer isso é com a ajuda do ambiente correto. É impossível se aprender a fazer isso. Isso só pode ser feito de acordo com o versículo: “Nós faremos e nós escutaremos”.

A pessoa se esforça para se conectar com o grupo mesmo que ela não sinta a necessidade disso, e em resposta ela recebe suporte e a necessidade geral. Ela é um desejo que os amigos acumulam entre eles – a necessidade da fé ou da doação.

Uma Conversa Honesta Com O Criador

Pergunta: O que significa “falar com o Criador”?

Resposta: “Falar com o Criador” antes de tudo significa fazer tudo o que você pode para tentar revelar Sua imagem dentro de você. Tente imaginar: Ele é a razão de tudo o que eu sinto. Meus pensamentos, desejos, e sensações tudo é Ele, o Único que planejou minha base e me forma.

Quando eu decido que minha realidade atual é estabelecida por Ele, então como eu lido com tudo o que acontece comigo? Existem duas possibilidades:

1. Diretamente estruturar minha atitude para minha realidade interna como minha atitude para com Ele. Mas, essa abordagem não é precisa, é incorreta, e instável. Não há habilidade para testá-la ou verificá-la porque eu certamente serei guiado pelo meu ego e erro.

2. Inicialmente, eu me fortaleço através da minha conexão como outros como eu, e então eu estruturo minha atitude para com a realidade interior passando sua imagem através dessa conexão. Nesse caso, eu já estou definitivamente em alguma qualidade de doação, e minhas qualidades são adaptadas à imagem do Criador. Assim, ao invés de mudar a imagem, eu mudo minha atitude para com ela. Este é o significado de “falar com o Criador”.

Saia Da Sua Casa Confortável E More Numa Tenda

Antes do feriado do Ano Novo (Rosh Hashanah), durante o período de penitência (Selichot), nós clarificamos todo o nosso desejo egoísta estabelecido como mal. Então, nós o cortamos desde o ano passado e desejamos subir ao próximo ano, para novas mudanças (Rosh Hashanah).

Nós também compreendemos que não somos capazes de fazer nada por nós mesmos; esse estado chamado o Dia da Reparação (Yom Kippur). Decidimos que não há outra solução: aumentar a importância da qualidade de doação, que é desprezada por nós em nosso egoísmo. Decidimos aumentar a importância da espiritualidade, não empregando nossos desejos egoístas. E aumentando o desejo da doação. Isso simboliza o feriado de Sukkot.

Tome o desejo de doar, que parece sem importância, como “desperdício” para você hoje, e o eleve de acordo com a avaliação de sua importância. Não se comprometa com seus egoístas desejos receptivos, mas venha para a “morada temporária”, dentro do desejo de doar.

Você precisa sair da sua familiar “casa” egoísta e construir uma nova estrutura assim o seu mais importante detalhe, o telhado, será a qualidade da doação. Isso mostra em que medida você pode se harmonizar com a Luz que está situada acima do telhado da Sukkah .Ela brilhará para você na medida em que você será capaz de aceitá-la. Esse é o significado do feriado de Sukkot.

A Alegria É Um Sinal De Doação

Pergunta: Por que se precisa estar alegre no Sukkot?

Resposta: A alegria é um sinal de concordância com o Criador para adquirir Suas propriedades. Eu (a alma) obtenho as propriedades de doação, a Luz de Hassadim (Misericórdia), sob a influência da Ohr Makif (a Luz Circundante) que “vem a mim através do telhado do tabernáculo” graças à tela que eu construo desde a “eira e do lagar”.

Numa eira, o grão (Luz de Hassadim) é obtido, e a casca permanece. O vinho é feito no lagar, e o bagaço é deixado. Assim, do resíduo que não tem valor para meu egoísmo, eu construo a coisa mais preciosa para minha vida: a cobertura. Isto é, eu elevo o significado da propriedade da doação por sobre a recepção particularmente nessas duas Luzes ou forças da natureza: Hassadim e Hochma (Sabedoria).

Eu mudo a intenção no desejo por essas duas Luzes (preenchimentos) de receber para doar. Eu vejo o valor no “resíduo da eira e do lagar”, subo acima do meu egoísmo, meu mal, e prefiro existir no que preenche os desejos dos outros do que no que preenche os meus. Eu faço isso para subsequentemente revelar o Criador.

Alegria significa que eu estou no estado de doação. Ela é o resultado da minha completa fusão com o Criador e a justificação de todas as Suas ações.

Através Do Buraco De uma Agulha Para Dentro De Um Novo Mundo

Tudo vem como resultado do esforço. Não espere que algo mude por si só. Somente através de nosso esforço de união nós atraímos a Luz para nós. Quanto maior o esforço, mais forte a influência da Luz, e vice versa. A Luz permanece em absoluto repouso, e somente quando nós aspiramos à união nós A forçamos a nos unir.

Nós nos puxamos para mais perto uns aos outros, e fazendo isso nos acercamos mais da Luz. Tal como nos distanciamos uns dos outros, nos distanciamos da Luz. Mas, nossos esforços nunca são desperdiçados, e de “tostão em tostão” eles são acumulados em um grande capital. Toda vez que tentamos nos unir, a Luz nos influencia, e mesmo que nos distanciemos uns dos outros um pouco depois, a correção feita pela Luz permanece, nada é desperdiçado, e nos movemos adiante.

Esses processos de “compressão” e “expansão” são como entrada-saída ou como o trabalho do coração. Nós nos unimos, a Luz nos influencia, corrige nossa conexão e imediatamente evoca o próximo grau não corrigido. De novo precisamos nos esforçar, dando à Luz a oportunidade de nos unir mais uma vez, e de novo a correção nos dá o próximo estado não corrigido. E assim vai até que as 125 correções se completem.

Cada vez eu subo acima de meu desejo não corrigido, e então o levo à correção. O primeiro passo é quando meu ponto no coração cruza o Machsom. Então, ele puxa uma parte dos desejos por sobre o Machsom, a parte que pode ir acima (fé acima da razão, Bina acima de Malchut). E assim por diante, até que eu gradualmente transfiro para cima do Machsom todo o meu desejo, parte por parte, para estar acima dele, tendo adquirido as qualidades de doação acima das de recepção. É o grau de Hafetz Hesed ou Bina, doar por doar. Agora meus erros se tornaram méritos, e meus pecados em erros.

Então, eu continuo até a próxima fase. Através de um minúsculo buraco na próxima barreira eu atravesso para o campo do amor aos outros. Meu ponto no coração é o primeiro a fazer isso, e então, todas as partes do meu desejo são transferidas para esse grau. Na medida em que eu possa usá-los para o propósito do amor (realização) aos outros, eu transformo meu ego no desejo de receber para o bem do Criador.

Toda vez que trabalhamos com nosso ego em direção a uma união maior, atraímos a Luz através da nossa aspiração pela equivalência de forma. Eu desejo, e o Criador responde ao meu desejo, realizando todas as ações.

Cabalistas Sobre A Linguagem Da Cabalá, Parte 3

Queridos amigos, por favor, façam perguntas sobre essas passagens dos grandes Cabalistas. Os comentários entre parênteses são meus.

A Sabedoria da Cabalá Não Fala Sobre Nosso Mundo Corporal

Com respeito à anotação, Adam Kadmon, eu estava chocado em ver que aquela forma corporal foi descrita para o conceito de Adam Kadmon da Cabalá, o que é somente um conceito metafísico, um conceito religioso. Deus não queira que permitamos a nós mesmos materializar esses conceitos sagrados, mesmo como uma forma de estudo. (Não existe forma na espiritualidade, somente forças; desta forma, somente nos é permitido fazer correlações entre elas. (Ver esboços de Baal HaSulam Sefer HaElan).

– Rav Kook, Cartas, Volume 1, pg. 162

Ai daquela pessoa (um desafortunado ignorante homem) que diz que a Torah tem a intenção de contar histórias literais (que supostamente acontecem em nosso mundo), e nas palavras ignorantes de Essau Laban, etc., pois se esse fosse o caso, mesmo hoje nós poderíamos tornar as palavras de um ignorante em palavras da Torah, e mesmo mais bonitas do que aquelas. Se a Torah tem a intenção de mostrar matérias mundanas, mesmo as regras do mundo possuem boas coisas entre elas. Deixe-nos segui-las e converte-las em Torah também. Mas, (esse não é o caso de forma alguma, e nem uma única palavra da Torah fala sobre nosso mundo, pelo contrário), todas as palavras da Torah são segredos sublimes.

-O Livro do Zohar com o Comentário Sulam (Escada), Parashat BeHaalotecha, item 58.