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Não perca seu tempo com o impossível


Na Cabalá, “proibido” significa “impossível”. Algo é proibido porque contradiz as leis da natureza e não pode ser realizado. No entanto, nós estamos no estado de ocultamento, que nos faz pensar que somos capazes de fazer essa ação e conseguir um benefício dela. Mas, os Cabalistas dizem a você: “Isso é proibido!”, como se falassem a um bebê que está tentando se machucar.

O prejuízo de tal tentativa de fazer uma ação incorreta não necessariamente deve vir diretamente; ele pode vir de uma forma indireta. Desta forma, nos parece que nós agimos corretamente e ainda temos um lucro, enquanto que na realidade estamos desperdiçando nossas vidas em ações que não funcionam e que são, até mesmo, prejudiciais. Vai ser preciso um longo período de tempo e sofrimento para que revelemos isso.

Por isso os Cabalistas nos advertem: “Não desperdice seu tempo e esforço. Você não pode mudar nada dessa forma, porque o sistema da Natureza está organizado de forma diferente da qual você imagina!” Conforme o tempo passa, começamos a ficar para trás e não realizamos o que se espera de nós. No entanto, a força atua de acordo com nosso nível de maturidade, exigindo um grande desenvolvimento de nós.

Desde que nós não avançamos, continuamos a sentir pressão, problemas, e sofrimento. Por isso os Cabalistas nos dizem: “Você não pode fazer isso!”. Eles não estão tentando persuadir você, desde que eles não podem explicar isso a você como um professor explica algo a uma criança, dizendo que você não deveria agir de certa maneira, porque você não pode ver mais alto do que seu nível atual. Por isso é que eles dizem para você firmemente: “Isso é proibido!”. Mas, para escutá-los, você deve entrar em um grupo e encontrar um professor.

Nós Podemos Afetar o Ritmo da Nossa Evolução


Recebi uma pergunta: A Luz Circundante é misticismo?

Minha resposta: Quem pode explicar como uma criança amadurece e se torna um adulto? Por que ela não permanece do jeito que era ontem? Nós simplesmente nos acostumamos a ver que isso acontece, mas na verdade, nós não temos explicação.

A ciência pode nos dizer por quais estágios uma criança passa, bem como qual estágio vem antes e qual vem depois, mas é incapaz de explicar porque isso é assim. Ela pode explicar o que acontece dentro da matéria, mas não vê a causa que existe fora da matéria, empurrando-a para o desenvolvimento.

A resposta é que a criança é influenciada pela mesma Luz Circundante que afeta todas as outras partes da natureza, incluindo os Cabalistas. Cada pessoa deve passar por várias reencarnações para eventualmente alcançar a meta final. É por isso que a Luz Superior atua na matéria e cria a natureza vegetativa, animada, e humana a partir da natureza inanimada. De outra forma, toda a matéria permaneceria morta e invariável.

No entanto, o propósito dessa matéria é se desenvolver. O Governo Superior está também presente como a força no nosso mundo, mas nenhuma das ciências suspeita disso. É por isso que eu deixei a ciência. Eu queria aprender: de onde vem a força da vida? Está dentro dos átomos, moléculas, células, ou em seus subsistemas? No entanto, a ciência não explora essas coisas, e dessa forma, qual o uso que temos para ela, se ela não pode nos ajudar a descobrir a coisa mais importante e nem tenta descobrir o que é?

A Luz Circundante é a Força Superior, que não pode ser capturada por nenhum instrumento físico. Nós somente vemos suas consequências ou efeitos, assim como uma criança se desenvolve ano após ano. Isso é evidente para nós.

A força que nos leva de um estágio a outro é chamada Luz Circundante. No entanto, isso só é verdadeiro em relação à pessoa que atrai essa força por si mesma, conscientemente, desejando se desenvolver. Por outro lado, no nosso mundo essa Luz causa a evolução natural, seguindo o caminho chamado “a seu tempo”. O trem da evolução se arrasta lentamente de acordo com sua própria velocidade, e a Força Superior opera dentro da matéria, empurrando-a para frente em direção à meta.

Se você entra no mundo espiritual, você será capaz de investigar cada estágio da evolução – mesmo os dinossauros, se essa for uma área do seu interesse, desde que todas as formas prévias são predeterminadas. Elas são obrigadas a formar certa combinação de qualidade de recepção e de qualidade de doação.

Só recentemente chegamos a tal estado onde podemos atrair essa força da vida, a Luz Circundante, por nós mesmos.

O Zohar Constrói Nossa Alma


Ao estudar o Livro do Zohar, cada pessoa discerne precisamente o que é necessário para sua alma. Ao ler o Zohar, cada um de nós recebe suas próprias impressões, que são distintas das de outra pessoa.

A narrativa inteira do Livro do Zohar deve passar por nós. No entanto, o desenvolvimento da pessoa não acontece em virtude da influência da narração em si, mas pela Luz que Reforma. A Luz ilumina o desejo da pessoa, sua matéria, que contém genes informativos, Reshimot. É semelhante ao trabalho das células tronco -a base de todas as células do corpo humano.

Como a Luz influencia nossa matéria, ela desperta os Reshimot que estão dentro da matéria e que são únicos e específicos. Com o auxílio da Luz, esses Reshimot constroem certa estrutura, uma parte da alma, fora da matéria. Como resultado, cada pessoa possui sua própria construção de alma.

A Tela Não É Só Uma Divisão, Mas Um Sistema Completo


A pessoa é um mundo pequeno, o que significa que o mundo todo está dentro de mim. Eu estou diante da Luz Superior e do Criador com todas as minhas propriedades e características internas. Sou incapaz de imaginar algo fora de mim.

Nós já passamos por uma preparação suficiente para evitar associar o que está escrito no Livro do Zohar com as imagens do nosso mundo, com a história ou geografia. Podemos agora ver que o texto descreve a nós mesmos, o Criador e a tela entre nós e Ele. Agora temos que tentar ver o sistema e a estrutura do relacionamento que temos que construir entre Ele e nós.

A tela não é só uma divisória entre o Criador e eu, mas um sistema completo. Afinal de contas, eu sou somente um ponto de desejo criado “do nada” e o Criador é também como um ponto, uma centelha de Luz que me criou, o ponto do desejo.

A tela se refere a um imenso sistema que existe entre ambos os pontos: eu (um ponto negro) e o Criador (um ponto de Luz branca). A tela não está posicionada acima do desejo de desfrutar, mas está incluída nesse desejo. Com o auxílio da tela eu posso calcular quão estreitamente posso alinhar meu desejo para ser compatível com a Luz; por isso a tela deveria abraçar completamente meu desejo.

Rosh (a cabeça) do Partzuf é o lugar onde eu decido qual parte do meu desejo deveria se prender à Luz. A parte do meu desejo que sou capaz de alinhar com a Luz é chamada de Toch (a parte interna) do Partzuf. A parte que ainda não sou capaz de alinhar com a Luz é chamada de Sof (o final) do Partzuf.

A tela opera dentro de todas essas partes, sendo um sistema que me conecta com o Criador. O sistema está dividido em três partes:

1. Rosh, a cabeça do Partzuf, que executa o esclarecimento e o cálculo;
2. Toch, a parte do Partzuf, que recebe a Luz e alcança semelhança com ela em ação;
3. Sof, o final do Partzuf, onde um cálculo separado é executado conforme minha habilidade de ser semelhante à Luz.

Não é suficiente para mim simplesmente decidir que parte do meu desejo eu posso tornar semelhante ao Criador e jogar o resto fora. Eu também preciso checar quais partes eu não posso alinhar com o Criador e por quê. O final do Partzuf tem que ser tão claro quanto a parte interior.

O Anfitrião me pergunta sobre cada pequeno detalhe: “Por que você não aceita a Minha Luz? Eu então tenho que checar aquele detalhe e explicar a mim mesmo porque não posso receber dentro dele. Então, a tela é um sistema completo de conexão entre o Criador e eu mesmo; não é simplesmente uma divisão que desenhamos nas nossas ilustrações.

Quando estudamos o Zohar, estamos constantemente aprendendo sobre esse sistema – a conexão entre nós e o Criador. Eu estou abaixo e o Criador está acima, e entre nós existe um sistema inteiro que chamamos “a tela”, que consiste de três partes principais. Esse sistema abarca todos os mundos.

Encontrando Aarão e Seus Filhos Interiormente


O Zohar: Os filhos de Aarão estão embriagados de vinho. Quem os deixou beber vinho? Será que eles foram descarados o suficiente para ficarem embriagados de vinho? Isto significa que eles foram incapazes de suportar a Luz que deviam aceitar em prol da doação.

É claro, eles se embebedaram no vinho que é descrito pelo verso, “Eles trouxeram um fogo estranho ao Criador”.

Mas um verso diferente diz, “Foi para esconder da mulher do outro”. Todavia, é tudo a mesma coisa.
Nós devemos recordar que tudo acontece dentro da pessoa. Aarão é a qualidade de Chesed (misericórdia) que se desenvolve ao superarmos o desejo egoísta que ainda não está corrigido. Contudo, este desejo só desperta na pessoa que estuda Cabalá.

Quando nós o corrigimos, nós elevamos todos os nossos desejos para o alto e desta forma alcançamos maior equivalência com o Criador. Os filhos de Aarão representam o desenvolvimento posterior desta qualidade, que também depende da superação do egoísmo pessoal.

O vinho representa a Luz de Hochma. Beber vinho e ficar embriagado significa atrair a Luz de Chochma de cima para baixo, na linha do meio, na Luz de Chassadim.

Nós precisamos “traduzir” tudo o que foi descrito para a linguagem das nossas qualidades internas. Como podemos nos corrigir e alcançar a qualidade de doação acima do desejo egoísta que cresce continuamente? Como podemos nos elevar mais alto em em direção à doação ao Criador?

À medida que nós lemos, devemos procurar dentro de nós; devemos encontrar os fenômenos e as qualidades em nosso pequeno mundo interno, que são descritas por cada palavra que lemos. Afinal, toda a pessoa é um pequeno mundo.

Noé Realmente Existiu?


Quando a pessoa lê o O Zohar, ela deve sempre pensar em si mesma. A Torah não diz uma palavra a respeito da história. Porém, toda a raiz espiritual deve tocar um ramo material, e é por isso que todos estes acontecimentos também ocorreram em nosso mundo.

As pessoas descritas pela Torah compreendiam quem eram? Esta é certamente uma questão digna de ser perguntada. O Baal HaSulam escreve que houve um tempo em que uma pessoa “acidentalmente” decidiu dar dar o nome à colina que viu de “O Monte das Oliveiras”, porque pensou que era um bom lugar para plantar oliveiras. Porém, na realidade, ela deu este nome à montanha de forma natural, instintivamente, porque cada pessoa age de acordo com sua raiz espiritual. Esta raiz é instigada em toda a pessoa desde o Alto, e nós executamos suas ordens.

Então, Noé realmente existiu? Sim, ele existiu. Ele era a pessoa mais justa de todas as gerações? Ele compreendia o que fazia? Esta é uma boa pergunta, que iremos discutir em determinado momento no futuro. Ele teve filhos, chamados Shem, Cam e Jafé? Sim, ele teve. Eles também eram justos, e compreendiam o Criador, e falavam com Ele? Tudo isto requer uma explicação.

Porém, eu não estou interessado em toda esta história. O mundo espiritual deve ser impremido numa forma material, dentro de mim, de certa forma. Ele foi certamente impresso lá, mas isto não é importante no que me diz respeito. Eu devo organizar tudo isto de uma forma ordeira, para eu próprio, da favorecer o meu próprio avanço.

Todas estas histórias bíblicas falam sobre o mundo interior do homem. Desta forma, eu não quero saber de mais nada. O resto pode muito bem ser inexistente, como se nunca tivesse havido qualquer história, ou Antiga Babilónia, ou este mundo inteiro. Isso não existe até que eu o descubra por mim mesmo, em vez de escutar outra pessoa qualquer que fale sobre ele.

Neste momento eu estou num espaço vazio onde não há nada. Tudo ocorre dentro de mim. Mas quem sou eu, que permanece no meio deste espaço vazio? Eu sou alguém que sente. E o que eu sinto? Eu sinto o que O Zohar me diz – e nada existe além disto.

É assim que eu, um ponto dentro do espaço vazio, estudo O Livro do Zohar, construindo um mundo inteiro a partir do material que absorvo. Este é o único mundo que existe – não o Mundo Superior ou o mundo inferior, mas um único. Eu me esforço para compreender como este mundo está organizado, e onde são encontradas cada qualidade e acção descritas pelo O Zohar neste mundo. É isso que eu sempre tento imaginar. Eu sou apenas um ponto que tenta encontrar estas qualidades.

Cabalá Prática


Cabalá autêntica, prática significa que nós atraímos a Luz da Correcção que faz com que mudemos. O nosso mundo é um mundo de resultados; somos influenciados pelas Forças Superiores que governam toda a vida neste mundo. Então não devemos pensar que podemos mudar algo no nosso mundo com as nossas acções. Não há acções efectivas que possamos fazer no nosso mundo, a não ser uma – elevar o MAN (pedido) para o Alto. Esta é a única coisa que podemos fazer. Elevar o MAN é chamado de Cabalá prática.

Se, por outro lado, a pessoa espera mudar o seu destino e influenciar as Forças Superiores com  suas acções materiais (incluindo a observação de tradições e mandamentos), então a Cabalá diz que isto é impossível. Não o faça – não vai ajudar. Claro, você pode realizar os rituais de forma a se sentir mais relaxado e ter uma ordem na sua vida, mas, ao mesmo tempo, você deve saber que não vai mudar o seu destino ao fazê-lo. Estas acções não lhe permitem revelar o seu egoísmo; elas não fazem com que você o queira corrigir. Elas podem até fazê-lo sentir da maneira oposta – mais relaxado, como se tudo estivesse bem.

Se a pessoa espera mudar o que quer que seja neste mundo ao influenciá-lo directamente, em vez de por meio do Mundo Superior, isto é chamado misticismo. Se ela não pedir para ser similar à Força Superior, para mudar, mas ao invés disso tentar mudar as forças e o mundo que parece estar fora dela, então ela está a empenhar-se em misticismo. Isso significa que a sua visão do mundo é incorrecta. A única coisa na realidade que podemos mudar somos nós mesmos; ou, em vez disso, podemos pedir para ser mudados.

Toda a nossa realidade é o  Criador Único e Singular, o Absoluto, que é Bom e faz o Bem. Não há nada além D’Ele. “Há uma lei e ela não pode ser transgredida”. Isto refere-se a uma lei de ferro que não podemos afectar de forma alguma. Se nós queremos mudar, precisamos apenas pedir a Ele para que faça essas mudanças em nós.

Tudo o que precisamos fazer é discernir como nos diferimos D’Ele, e então pedir-lhe para nos tornar como Ele. Então, nós iremos deslocar todo o nosso destino para o caminho da bondade. Em relação a tudo o resto, não importa o que lhe fazemos, tudo é destinado a nos mostrar que não estamos a agir correctamente. Isso se expressa como sofrimento, para nos dirigir para o “verdadeiro caminho”.

A Diferença Entre Misticismo e Ciência


A ciência clássica deseja penetrar na matéria do mundo espiritual através da matéria física, ao examinar o nosso mundo através dos cinco sentidos e seu assistente, a mente. Porém, isto é impossível, por uma simples razão: a matéria do nosso mundo é percebida sob a condição de que a nossa percepção permaneça egoísta. Entretanto, a matéria espiritual só pode ser sentida através da qualidade de doação.

Em outras palavras, a nossa realização depende das qualidades da pessoa: se elas forem altruístas ou egoístas. Se a pessoa é egoísta (ou seja, suas qualidades são de recepção), é impossível para ela estudar o mundo espiritual, a qualidade de doação. Apenas nos elevando, do nosso egoísmo inato até à qualidade de doação, é que podemos examinar o egoísmo de fora, objectivamente. Então, por que nós fomos originalmente dotados de qualidades egoístas? Porque se a pessoa entrasse na espiritualidade sem antes ter existido dentro de qualidades egoístas, ela não seria capaz de identificá-la ou compreendê-la.

Porém, não há conexão entre estas qualidades; é como fogo e água – um não compreende o outro. É por isso que a descoberta do mundo espiritual é descrita pelo verso, “Eu trabalhei e encontrei” . Se a pessoa se esforça, ela activa o sistema que mais tarde lhe dará a qualidade de doação. Então, ela começa a compreender o que significa isso. Porém, até lá, toda a conversa sobre o mundo espiritual permanecerá sem sentido para ela.

Enquanto nós existirmos no desejo egoísta, nenhuma quantidade de investigação nos permitirá compreender qualquer coisa sobre o mundo espiritual ou a alma. Para realizar isto, primeiro nós devemos mudar as nossas qualidades para altruístas. Contudo, se você tentar investigar o mundo no qual você existe sem mudar a si mesmo, então você entra no reino do misticismo. Você cai no perigo de definir a espiritualidade incorrectamente, pensando que ela não significa a doação, mas certas aventuras “do outro mundo”.

Apenas a qualidade de doação pode ser “do outro mundo”, pois a única coisa que existe no nosso mundo é a matéria – a qualidade de recepção. O mundo espiritual é doação e amor, que existem acima do nosso ego. A sua existência não depende se os nossos corpos animais estão vivos ou mortos, porque ele não está conectado de modo algum ao corpo. Também não depende do quão desenvolvidas estão as nossas mentes.

Tudo depende apenas se a qualidade de doação está ou não presente no desejo da pessoa, e esta qualidade só pode ser adquirida utilizando-se o método Cabalístico, pois ele nos capacita a atrair a Luz da Correcção – a qualidade de doação do nível seguinte, da Força Superior.

Desta forma, estudar o mundo “espiritual” antes de se adquirir a qualidade de doação é misticismo, pois é inventado. Por outro lado, a Cabalá é uma ciência. Na medida em que você alcança a qualidade de doação interiormente, você pode examinar tudo o que acontece em suas qualidades de recepção e doação.

O Intelecto é uma Ferramenta para Trabalharmos com Nossos Desejos


Uma pergunta que recebi: O meu intelecto é capaz de compreender facilmente o que está escrito em O Livro do Zohar?

Minha Resposta: O nosso intelecto pode apenas compreender o que sentimos. Ele é capaz de perceber apenas o que é sentido dentro da nossa matéria, ou do nosso desejo.

Até mesmo na matemática, onde operamos somente com números, estes números estão organizados dentro de nós de acordo com quão pequenos ou grandes são os nossos desejos. Desta forma, tudo deve estar organizado dentro de nós mesmos, dentro da matéria da qual somos compostos – os nossos sentimentos. Não podemos fazer nada em relação a isso, visto que foi assim que o Criador nos fez.

Depois disso, nós ligamos o nosso cérebro e começamos a perceber a diferença entre os números: este parece maior e aquele menor, este é positivo e aquele negativo. É assim que nós agimos, e a razão pela qual a primeira coisa que devemos fazer é desenvolvermos os nossos sentidos – o desejo de receber e todas as suas diferentes formas, assim como o desejo de doar.

O nosso cérebro e o intelecto servem apenas para nos ajudar a construir as conexões entre os diferentes níveis do desejo de receber prazer e do desejo de doar. É para isso que serve o nosso intelecto; ele conecta várias formas de desejo.

Os Canais da Luz


O Zohar: Perscrute no segredo dos graus e você verá como as cores (branco, vermelho e preto) se expandem em todas as direcções: para a direita, para a esquerda e para o meio, até que entram na Malchut debaixo pelo segredo dos vinte e sete canais com portas que ocultam o abismo.

Se nós pudermos mudar as nossas qualidades e torná-las similares às qualidades da Luz de amor e doação, nós nos uniremos à Luz e revelaremos seus canais. Nós existimos no Mundo do Infinito até mesmo agora, mas ele está oculto de nós por cinco mundos. Estes mundos são ocultações que existem dentro de nós, dentro do nosso desejo, pois este é oposto à qualidade do Mundo do Infinito.

Estas ocultações não existem por si mesmas, mas se revelam à medida que estabelecemos contacto com o Mundo do Infinito. A ocultação surge entre nós e o infinito para nos ajudar a formar a revelação necessária. Contudo, se não estamos preparados para isto, o infinito permance oculto de nós. Isto se chama “mundo” (Olam em Hebraico, que vem da palavra “ocultação”), que se oculta e se revela ao mesmo tempo. No final, tudo depende de quão bem sucedidos somos em nos unirmos e transformarmos nossas qualidades.

…Através destes 25 canais a Luz Superior flui para Malchut, e as portas são os canais que ocultam os julgamentos e as restrições, chamadas abismos, que reinam em Malchut.

Nos somos os que constroem estes canais dentro de nós, e as portas são como válvulas que por vezes abrem o caminho para a Luz, e por vezes bloqueiam e ocultam a Luz, dependendo da similiaridade dos nossos desejos ou do contraste com a Luz. Desta forma, os nossos esforços devem buscar aceitar todas as nossas qualidades, usando-as para construir uma similiaridade com a espiritualidade. Assim, receberemos uma porção de Luz.
A Luz é revelada na medida que o nosso egoísmo está ocultado com “modéstia” (O Zohar tem até um capitulo chamado “Livro do Modesto”), e à medida que o nosso egoísmo se torna similar à Luz, este recebe a Luz. Então, nós revelamos as qualidades do Criador e o Pensamento da Criação.

Quando nós concluímos este trabalho de alcançar a similaridade, e nos tornarmos como Ele em todos os aspectos, todos os canais de Luz desaparecem e acabamos num vasto oceano de Luz infinita. Porém, isto só é possível graças à força da nossa tela anti-egoísta.

Então, nós veremos que todas as ocultações eram necessárias. Elas nos ajudaram a compreender o Criador, a nos unirmos ao Seu pensamento ao ascendermos acima das Suas acções. Desta forma nós ascendemos ao nível do Criador e nos unimo com Ele.