O Domínio Do Um

235Pergunta: Como posso trazer à tona a consciência da grandeza da meta para que eu tenha energia para o trabalho?

Resposta: Não cessando a análise crítica do que está acontecendo com você. Isso é muito difícil. Requer um grande esforço mental. Afinal, a mente só funciona se lhe faltar algo. Se não houver falta de nada, se a mente não vir possibilidade de ser preenchida por nada, ela não trabalha nessa direção. E se ela não trabalha nessa direção, como você pode utilizá-la?

Se você não tem um Hisaron (desejo não realizado), não consegue envolver a mente, pois ela só é capaz de trabalhar em algo quando você tem necessidade desse objeto. Isso significa que você precisa de divulgação — deixe que todos digam constantemente que isso é importante, então você começará a procurar onde está e pensará que lhe falta.

Pergunta: O que é essa análise crítica de fora? Devo sentir meu estado atual, pois não se pode fugir do estado que estamos vivenciando, e ao mesmo tempo olhar para si mesmo como se fosse de fora, como se não fosse eu. Como se pode sair de si mesmo?

Resposta: Você é capaz de transcender a si mesmo se entrar no Criador. Há apenas duas possibilidades: ou o domínio do homem ou o domínio do Criador. Se uma pessoa decide que este é o seu domínio, chamado de “domínio de muitos”, isso é ruim.

É chamado de “domínio de muitos” porque você tem muitos desejos, cada um puxando em uma direção diferente. Assim você é impulsionado em direção ao dinheiro, à honra, ao conhecimento, a uma paixão ou outra. Isso é o que se chama de “domínio de muitos”.

Por outro lado, existe o domínio do Um: apenas para satisfazer o Seu desejo. O o domínio do Um é chamada de mundo de Atzilut. Se permanecermos incondicional e constantemente apenas no desejo de satisfazer o Criador, nós estamos no mundo de Atzilut, acima da Parsa. Se não permanecermos apenas nesse desejo, estamos nos mundos de BYA (Beria, Yetzira, Assia).

Da Lição Diária de Cabalá de 16/08/26, Rabash, Artigo 2, 1991 “O que significa ‘Retorna, ó Israel, ao Senhor teu Deus’ na Obra?”

O Que Significa Proibição Na Cabalá?

249.03O conceito de “proibição” na Cabalá implica uma “impossibilidade”. O que significa que “não se deve ensinar a Torá aos adoradores de ídolos”? A Torá refere-se às luzes que preenchem os vasos de doação. A Torá consiste em atos de doação.

Um idólatra é definido como o desejo de receber [em hebraico, o acrônimo “AKUM” (referindo-se a um pagão ou idólatra) significa literalmente “aquele que adora as estrelas e o destino”].

A intenção de um idólatra não se dirige ao Criador, mas a várias outras forças, aquelas que estão dentro do desejo de receber, porque não há nada além do Criador e do desejo de receber.

Um idólatra é aquele que adora o desejo de receber. É impossível ensiná-lo a Torá, simplesmente porque ele tem uma intenção diferente. Ele não percebe o conceito de “intenção em prol de doar”, e, portanto, é impossível que a luz superior resida nele. Mas o termo “impossível” é expresso em nossa língua pela palavra “proibido” ou “não deve”.

Mas por que “não deve”? Por que não chamar o impossível de “impossível”?

Como os sábios estão falando sobre o caminho da correção, eles querem dizer o seguinte: “Não faça isso porque nada resultará disso. Não terá sucesso”. Em resumo, fica assim: “Não deve ser feito”. “Não deve” serve como conselho: “Não faça isso porque não pode ser realizado”.

Da Lição Diária de Cabalá 28/07/26, Rabash, “Qual é a proibição de ensinar a Torá a adoradores de ídolos no trabalho?”

Ocultando Os Segredos Da Torá

961.2Pergunta: No contexto da quebra dos Kelim (vasos), falamos sobre os Kelim do “coração de pedra” (Lev HaEven), AHP de AHP, que não podemos corrigir.

Somente ocultando-os é que conseguimos corrigi-los, para que posteriormente possamos realmente receber um Masach (tela) para eles e trabalhar com eles em prol da doação.

Podemos afirmar que é precisamente nesses Kelim do “coração de pedra” que adquirimos as luzes das três primeiras Sefirot (Ohr de Gar), ao chegarmos aos segredos da Torá e à intenção do Criador?

Resposta: Sim, e isso não é tudo. Podemos colocar desta forma. O oitavo, nono e décimo milênios representam a descida do mundo de Atzilut para o lugar dos mundos de Beria, Yetzira e Assia. Isso marca o início da obra e da correção do coração de pedra. Esta não é toda a história, mas digamos que seja esse o caso.

Sua pergunta é a seguinte: se eu não trabalhar com o coração de pedra em cada um dos graus, isso significa que, ao fazê-lo, oculto os segredos da Torá e não os toco? A resposta é: também isso.

Da Lição Diária de Cabalá de 16/08/26, Rabash, Artigo 2, 1991 “O que significa ‘Retorna, ó Israel, ao Senhor teu Deus’ na obra?”

Luz Através Das Fendas Na Parede

424.02O superior revela-nos a Sua parte inferior, Malchut, como vazia e negra; não nos promete nada de bom.

O mundo espiritual, o mundo superior, é apresentado a nós de uma forma particularmente desagradável. Contudo, nesse mundo, percebido dentro de Keter do inferior, existe ao menos algum prazer.

Estou num estado em que nem mesmo este mundo me atrai, mas o estado do mundo superior parece ainda pior.

Afinal, sinto falta da satisfação em meu desejo de receber egoísta, e o superior me sobrecarrega ainda mais, sugerindo: “Mas você queria estar em um estado de doação!” Não tenho nada para comer, e ainda assim me dizem: “Vá em frente, compartilhe com os outros!”

Portanto, as condições impostas pelo superior só podem ser aceitas sem razão, sem quaisquer condições, e não pela própria força, mas pela força da luz, sem planos e sem esperança de satisfazer o próprio egoísmo e obter lucro neste mundo.

O principal é alcançar o estado de doação, e então você terá tudo, mas somente depois de ter renunciado a tudo! Você receberá a plenitude (satisfação), não por receber, mas por doar.

É assim que devemos encarar o mês de Elul antes do início do novo ano, o começo da jornada espiritual. “ ELUL” significa: “Eu sou para o meu Amado, e o meu Amado para mim”.

O superior me apresenta essas condições desesperadoras que não prometem nenhuma realização, de modo que, precisamente através delas, poderei me libertar do meu estado egoísta.

Se Ele tivesse me prometido algo bom, eu jamais teria conseguido me libertar do meu egoísmo, acorrentado como estou aos prazeres.

Como se diz: “O Criador coloca a mão de uma pessoa sobre o bom destino”, mergulha sua vida na escuridão e no vazio e, por outro lado, revela um pequeno raio de luz que mostra à pessoa para onde ela pode se voltar para escapar da escuridão.

O raio de luz não se trata de ganhos egoístas e materiais. O Criador me auxilia no caminho espiritual, conduzindo-me a um grupo Cabalístico, um lugar onde posso escolher livremente o ambiente adequado, e iluminando o meu caminho; ou seja, Ele me dá a sensação de que a doação é a luz. A luz transcende o egoísmo, quando não importa se o espaço está vazio ou preenchido, mas sim com quem você está conectado.

O Criador deixa claro: se você está sofrendo em seu estado corpóreo, não busque a satisfação material; em vez disso, olhe para cima a partir desse estado e considere a possibilidade de uma vida diferente, baseada em outros valores, na doação e em outra dimensão (de felicidade).

Isso significa que um raio brilha para mim através das frestas na parede que me separa do mundo superior, um mundo de tranquilidade (livre de egoísmo e da busca incessante pela realização) e perfeição (encontrada na aspiração de doação e amor).

Da Lição Diária de Cabalá 06/09/10, Baal HaSulam, “O que é o Acrônimo Elul (Eu sou para o Meu Amado, e o Meu Amado é para Mim) na Obra?”

Da Maldição À Bênção

938.01Em nosso mundo, existe um estágio intermediário entre uma maldição e uma bênção. Nosso mundo é definido como al menat lekabel (para receber) e o mundo futuro como al menat lehashpia (para doar).

Esses dois fatores não se tocam; a única transição de um para o outro existe dentro da pessoa, que parece ser capaz de alternar entre um estado e outro. Digo “parece” porque isso ainda não ocorre na realidade, mas sim em um nível abaixo de Kedusha (santidade) e Klipa (forças impuras).

De cima para baixo, até o  Maschsom (barreira), existem duas linhas: a verdadeira santidade e a verdadeira força impura, a verdadeira bênção e a verdadeira maldição. Abaixo do Machsom, os papéis dos verdadeiros conceitos de “maldição” e “bênção” são desempenhados pelo que pode ser chamado de “conjunto de exercícios”, este mundo, que nos é dado para nos prepararmos um pouco, nos esforçarmos e começarmos o verdadeiro trabalho.

Assim, aqui não temos santidade (a intenção de doar) e, falando estritamente, também não temos a força impura (a intenção de receber), a maldição. Não temos nem uma nem outra. Portanto, o que fazemos pode ser feito. Não fazemos nada inerentemente mau nem inerentemente bom aqui. Tudo nos é permitido, como às crianças pequenas, para que possamos aprender algo com a experiência.

Se uma pessoa realmente deseja se aproximar de ações genuínas que ela mesma determina e realiza, e almeja deixar a infância, como os adultos deste mundo, deve passar por estágios de aprendizado, preparação, compreensão e um certo nível de consciência.

Esse processo é chamado de “De Lo Lishma à Lishma” (da intenção para o próprio benefício à intenção para o benefício do Criador). Este é o estado diante do Machsom que devemos alcançar. Independentemente das circunstâncias, uma pessoa deve buscar a ascensão e o despertar, o desejo de fazer algo pelo Criador, pela força superior, mesmo em estado de ocultação (tanto dupla quanto simples).

Uma pessoa só pode adquirir esse desejo por meio do grupo. Não há outro lugar de onde obtê-lo, pois, quando em ocultação, não se vê o Criador. Ao interagir com o ambiente, anulando-se a si mesma e reconhecendo a importância do Criador, compreendendo que vale a pena se anular perante o grupo para perceber a importância do Criador, a pessoa demonstra, assim, quão importante e necessário isso é para ela.

Para isso, a pessoa está pronta para se sacrificar e é verdadeiramente capaz de encontrar constantemente a motivação para agir e se impressionar com o ambiente, de modo que os esforços investidos no grupo, com o objetivo de receber dele a consciência da importância do Criador, se tornem um sinal de quão importante é para cada um se aproximar do Criador, da espiritualidade.

Na ação que se realiza em relação ao grupo, anulando-se a si mesma para alcançar o Criador, estão presentes todas as ações contrárias ao próprio desejo em relação ao Criador e ao grupo. Tudo em uma só ação.

A consciência da importância do Criador é semelhante à atitude que se tem em relação a um grande rabino que é recebido por uma multidão de admiradores no aeroporto, quando uma pessoa encontra energia suficiente para carregar suas malas. Mas se uma pessoa comum desembarca do avião, ninguém jamais pensaria em fazer algo tão “insensato” quanto ajudá-la com a bagagem.

Portanto, não há mais nada em que possamos trabalhar, exceto a consciência da importância através da qual passamos da maldição à bênção.

Da Lição Diária de Cabalá 18/08/26, Rabash, “O que são “Bênção” e “Maldição” na Obra?”

“Proibido” Significa “Impossível”

253Pergunta: Qual é o perigo inerente aos segredos da Torá?

Resposta: Se existe uma proibição de se envolver nos segredos da Torá, então, aparentemente, eu poderia fazê-lo. E se eu puder, como? Afinal, estamos falando dos vasos (Kelim) e das luzes (Orot) das três primeiras Sefirot, com as quais não tenho a menor ligação.

A questão é que uma proibição significa uma impossibilidade. Mas se é impossível, por que é proibido?

Imagine que um objeto perigoso esteja a dois metros de altura. Eu não consigo alcançá-lo porque tenho apenas 1,7 metros de altura. Então, peço a alguém que o pegue para mim. Na espiritualidade, não funciona assim. Lá, se eu não consigo alcançar, simplesmente não consigo. Então, o que significa que é impossível de alcançar, mas, ainda assim, é proibido?

A proibição aplica-se à intenção: não tenha a intenção de alcançá-lo ou tocá-lo. Mesmo que não possa alcançá-lo, e saiba disso, você ainda pode se esforçar para alcançá-lo ou desejá-lo. É-lhe dito: “Não! Você não deve tocar nisto, você não deve desejar isto. Mesmo aqueles que estão à frente devem ocultar estes vasos e luzes.”

Portanto, existe a obrigação de corrigir a própria atitude em relação aos segredos da Torá, ocultando-os intencionalmente. Ainda não sabemos exatamente do que se trata aqui. Essa correção ocorre acima da razão.

Portanto, “proibido” significa “impossível”. E “impossível” significa que você realiza uma ação que confirma essa impossibilidade. Apesar do seu desejo, você realiza uma ação definida como “impossível”. Na espiritualidade, cada palavra denota uma ação — construindo minha atitude espiritual interna em relação a um assunto. Daí a proibição, que também implica que eu realizarei a ação correspondente. Assim, meu ser se tornará perfeito.

Existem desejos em mim que exigem que essa proibição seja cumprida, que eu estabeleça uma atitude específica em relação às três primeiras Sefirot: eu não as toco nem as desejo. Mesmo que eu sinta o impulso, estruturo minha atitude como se não quisesse ou pretendesse fazê-lo, e efetivamente oculto as três primeiras Sefirot desses desejos.

Isso constitui a correção. Isso não significa que eu não preste atenção ao assunto, tal coisa não acontece na espiritualidade.

Da Lição Diária de Cabalá 16/08/26, Rabash, “O que é ‘Retorna, ó Israel, ao Senhor teu Deus’ na Obra?”

Como Uma Pessoa É Ensinada?

231.02Mas quando uma pessoa está em ascensão, ela pensa que não precisa mais da ajuda do Criador, pois agora possui uma base de sentimento, que ela chama de “conhecimento”. Em outras palavras, agora ela sabe para que propósito está trabalhando. Seu trabalho não é mais acima da razão porque ela tem uma base na qual se apoiar, ou seja, esse sentimento de que esse estado lhe faz bem. Com base nisso, ela determina o trabalho (Rabash , ‘O que significa: “Volta, ó Israel, para o Senhor teu Deus”, na obra?”).

Rabash não especifica aqui a que tipo de ascensão se refere: uma ascensão de acordo com os sentimentos, de acordo com o estado verdadeiro ou de acordo com o que se apresenta à pessoa. Talvez esteja falando de alguém que ultrapassou o Machsom, para quem a ascensão consiste em receber em prol de doar, quando o prazer e a definição intrínseca de uma ascensão são determinados por uma compreensão do conceito completamente diferente da nossa atual.

Mas quando uma pessoa está em ascensão, ela pensa que não precisa mais da ajuda do Criador. Podemos perceber que estamos falando de sentimentos, e não do estado verdadeiro. A pessoa alcançou certa plenitude e não precisa do Criador porque seu Kli está satisfeito com essa plenitude. Isso significa que ela não está acima do Machsom, mas abaixo dele. Pois acima do Machsom, a plenitude de uma pessoa é o estabelecimento de uma conexão com o Criador, enquanto abaixo do Machsom, a plenitude depende do grau em que seu Kli está preenchido.

Abaixo do Machsom, eu “faço uma leitura” do meu Kli, enquanto acima do Machsom eu “faço uma leitura” do vaso Dele, verificando até que ponto O preenchi, em vez de a mim mesmo. Essa é a diferença entre estar abaixo do Machsom e estar acima dele.

Comentário: Acontece que é exatamente o contrário.

Minha Resposta: Claro, o oposto. Tudo depende de onde estou, de onde está meu coração: se estou verificando dentro de mim o quanto meu próprio “interior” está preenchido, ou se estou verificando no Criador até que ponto O tenho preenchido.

Mas quando uma pessoa está em ascensão, ela pensa que não precisa mais da ajuda do Criador, pois agora possui uma base de sentimentos. “Eu me preenchi, então do que mais preciso? Dê-me plenitude e não precisarei de nenhum Criador”.

Que ela chama de “conhecimento”, quando pensa: “Eu sei disso. Isso é o que eu tenho. Isso é meu”.

Agora ela sabe para que propósito está trabalhando. Seu trabalho não é mais acima da razão. Ela, seu coração, suas intenções, tudo está em seu ventre, em seu Kli. Ela tem uma base na qual se apoiar: “Eu me preenchi, e isso basta”. Esse sentimento de que esse estado lhe faz bem. Com base nisso, ela determina o trabalho.

Nesse momento, assim que ela atinge esse estado, é imediatamente lançada de cima, e é como se lhe perguntassem: “Onde está a sua sabedoria? Você disse que já sabia em que se baseia o trabalho”.

Assim, por meio disso, a pessoa aprende que jamais deve abandonar sua intenção, sua conexão com o Criador ou seu autoexame em relação a Ele: Onde exatamente estou em relação a Ele e o que estou preenchendo? Jamais se deve, Deus nos livre, desconectar-se disso e se isolar em si mesma. É assim que uma pessoa é ensinada.

Como ela é ensinada? Ela é preenchida, e ao fazer isso, é desviada do caminho: “Chega de falar do Criador. Para que você precisa Dele? Você já tem tudo”. Se a pessoa realmente se desvia do caminho, então seus sentimentos se abatem, e ela cai, sentindo-se amargurada e mal. Então ela começa a clamar ao Criador; através de seu clamor, ela renova sua conexão com Ele e gradualmente se eleva novamente em direção à conexão com Ele, preenchendo-se.

Assim que ela abandona o Criador novamente, seus sentimentos se abatem mais uma vez, e ela clama novamente, até compreender que a conexão com o Criador em si deve ser sua plenitude, sua satisfação. A conexão com o Criador, e não o grau de plenitude do meu Kli.

Assim, a pessoa começa a sentir o vaso do Criador: o que Ele dá e o que Ele preenche. A pessoa vive por meio Dele, “pois Nele o nosso coração se alegrará”.

Da Lição Diária de Cabala 16/08/26, Rabash, Artigo 2, 1991 “O que significa ‘Retorna, ó Israel, ao Senhor teu Deus’ na Obra?”

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 216

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 216

Como podemos criar um movimento na espiritualidade?

Um movimento se dá por meio de uma mudança de forma. Se nos tornarmos um pouco mais semelhantes ao Criador do que éramos antes, é um sinal de que fizemos um movimento. Em outras palavras, o movimento ocorre por meio do esforço que fazemos sobre nós mesmos. Na medida em que nossas qualidades mudam em relação às qualidades do Criador, nessa mesma medida avançamos em direção a Ele. A distância da barreira até o Criador é medida em 125 graus. De acordo com o grau em que conseguimos alcançar a equivalência de forma com o Criador, esse é o lugar em que nos encontramos nessa escada de graus entre nós e o Criador, movendo-nos sempre para cima nela.

Nesta obra, nunca nos encontramos em pior estado do que o atual. Só podemos avançar. Às vezes, parece-nos que recuamos, como se nos “afastássemos”, mas essa é apenas a nossa percepção. Acontece para nos despertar, para nos fazer tropeçar, para nos dar diversas oportunidades de sentir novas percepções. Normalmente, as perturbações vêm para que as aprofundemos e nos vejamos com mais clareza, pois é precisamente através das perturbações que mais tarde sentiremos uma atitude especial do Criador. O lugar onde somos atingidos é o próprio lugar onde se desenvolve uma relação especial, tanto agora como no futuro. O mal é substituído pelo bem.

Sob Controle Constante

231.04Todos os estados de espírito pelos quais passamos podem e certamente devem ser vivenciados; contudo, precisamos mantê-los sob constante controle e não sucumbir a sensações negativas ou positivas. Devemos controlar constantemente nossos sentimentos com a razão. Dessa forma, a razão e os sentimentos se equilibram, de modo que um não se sobreponha ao outro.

Se o intelecto prevalece sobre os sentimentos, significa que você se torna um “sábio”: “Por que eu deveria fazer tudo isso, se não vou conseguir mesmo? O Criador é maior do que eu, então que Ele faça. E se não, que assim seja”. E assim por diante, nesse mesmo espírito. Mas se os sentimentos prevalecem, a pessoa imersa neles é incapaz de usar a cabeça.

Então, qual é a solução? Devemos encontrar forças no grupo que nos ajudem a nos libertar desse estado e alcançar o equilíbrio. Não há outra saída.

Da Lição Diária de Cabalá 13/08/26, Rabash, “O que significa Não Adicionar e Não Tirar na Obra?”

Uma Boneca De Corda

417Pergunta: Que exemplo você daria de uma pessoa que está em desenvolvimento?

Resposta: Uma boneca se move por meio de um pequeno motor, sob o qual se encontra um reostato. Conforme o reostato é ajustado, o desenvolvimento da boneca começa. A boneca se transforma, tornando-se cada vez mais movida pelo consumo, depois pelo desejo de conhecimento e, finalmente, pelo desejo de compreender a causa raiz do sofrimento, sofrimento que nem o desenvolvimento do consumo, nem o conhecimento, nem as tentativas de escapar do sofrimento foram capazes de resolver. Tudo isso leva a boneca a desejar entender de onde vem o sofrimento. Tudo isso acontece de acordo com o programa embutido na boneca.

E a pessoa passa a compreender que o sofrimento tem um propósito; ele a força a mudar. O Criador começa a “incomodar” aqueles que Ele deseja atrair para mais perto de Si.

O Criador mostra à pessoa, por meio disso, que ela mesma precisa mudar, em vez de tentar mudar o ambiente ao seu redor ou seu modo de vida para se adequar a si mesma. Não há como escapar do sofrimento por meio disso, e nada pode ser verdadeiramente alcançado dessa maneira. Assim, o Criador força a pessoa à mudança.