Textos na Categoria 'Alma Coletiva'

A Reserva Comum De Energia Espiritual

Dr. Michael LaitmanNão importa o quão difícil pareça ser a realização espiritual; na realidade, não há nada mais simples. Imagine um sistema que seja completamente unificado, saudável, conectado entre todas as suas partes, nos mínimos detalhes. Tudo funciona em harmonia absoluta e aspira a uma única meta – tudo se destina à conexão, a fazer uma análise comum; em outras palavras, ao Criador que existe entre nós.

Nós O revelamos como uma consequência da harmonia que surge entre nós, através de nossos esforços constantes para nos conectar harmoniosamente. Como resultado do encontro da harmonia dentro de nossos desejos, nós revelamos a Luz que os preenche.

O Criador está em nós! Nós estamos no mundo do Infinito. Portanto, vamos pelo menos revelar o primeiro grau deste estado perfeito, o menor e mais fácil dos graus. Revelá-lo significa corresponder-se a ele, tornarem-se iguais em qualidades, atingir o equilíbrio com a Luz que preenche pelo menos o primeiro grau: Nefesh de-Nefesh de-Nefesh do mundo de Assiya.

Para isso é necessário atingir a igualdade de todas as partes do vaso comum. Mas como isso pode ser alcançado quando a igualdade não pode ser medida? A única coisa que pode ser medido é a diferença entre um e outro, o delta. Mas quando as coisas são idênticas, nós não conesguimos avaliá-las, porque perdemos a escala para medi-las. Como pode duas cores absolutamente pretas ser comparadas, ou como alguém pode comparar branco com branco? Nós precisamos de certa diferença para avaliar as coisas.

No entanto, nós devemos verificar a nossa igualdade, porque se eu não sou completamente igual a outro, eu não posso considerá-lo meu amigo, eu não estou conectado a ele por uma conexão mútua, aberta. É por isso que precisamos de duas qualidades: recepção e doação. Eu devo doar ao grupo como alguém grande em relação àqueles que são pequenos, dando-lhes a grandeza da meta, o reconhecimento da importância do Criador e amigos. Por outro lado, eu devo me rebaixar na mesma medida em relação a eles, a fim de receber a influência e apoio deles, à medida que os percebo como os maiores da geração.

Em outras palavras, eu alcanço o máximo de doação e o máximo de rebaixamento de mim mesmo. Esses dois extremos levam a minha igualdade. Eu não posso construir a igualdade sozinho, apenas considerando-me igual: esta igualdade não vale nada. A igualdade só é revelada como conseqüência de dois estados extremos: o mais alto e o mais baixo.

Quando todos no grupo agem da seguinte maneira: no máximo e no mínimo, dando tudo para o grupo e recebendo a força, o despertar, e a inspiração deles, então, é como se eles estivessem se conectando por um único tubo (canal) aberto. Antes, nós estávamos acostumados a nos conectar uns com os outros através de tubos, através dos quais fluia a energia, mas agora, todos eles se fundem e nós temos um grande lago; um reservatório comum está sendo descoberto.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 15/05/12, Escritos do Rabash

Sentir-se Feliz Com Todas As Oportunidades De Conexão

Dr. Michael LaitmanAo agir contra o nosso ego e conectando-se mais fortemente, nós passamos por 125 graus de ascensão que são divididos em Sefirot, Partzufim, e mundos. Quanto mais forte nós nos conectamos mais sentimos a força interior que nos conecta, chamada de Criador. Assim, passamos por cinco mundos: Assiya, Yetzira, Beria, Atzilut e Adam Kadmon e subimos para o mundo do Infinito. Nós aprendemos sobre todos esses estados na sabedoria da Cabala e os incorporamos internamente de forma prática.

Para realizar isso com mais eficiência, nós temos as Convenções. É muito bom que existam pessoas de todo o mundo que não se conheçam na Convenção: homens, mulheres, estudantes veteranos que vêm estudando há anos, e aqueles que recém ouviram falar da sabedoria Cabalística e como que “por acaso” vieram a esta Convenção. A conexão entre todos é possível e não requer qualquer preparação prévia.

Se tentarmos nos conectar de forma prática, começaremos a sentir que algo está acontecendo internamente: uma força especial está sendo revelada entre nós, como se ela não existisse antes e nós não a tivéssemos sentido. Essa força só é revelada no nosso mundo quando começamos a trabalhar, ao cumprir realmente o conselho dos Cabalistas, e descobrirmos a força da conexão entre nós.

Portanto, os Cabalistas ficavam felizes com todas as oportunidades de conexão. Eles entendiam que, graças a esta ação, podemos atingir a correção e ver a realidade espiritual que está acima de nós, para descobrir a força que nos controla e nos leva a um determinado objetivo.

É a única maneira de olharmos para nós mesmos de cima, como para aqueles que existem nos órgãos corporais, e descobrir os mundos superiores, os estados que estão acima deste mundo. É a única maneira de vermos que este mundo não é real e recebermos novos atributos, novos sentidos, que nos permitam ver a dimensão espiritual superior que se eleva acima do mundo corporal, e viver nos dois mundos ao mesmo tempo. Nós sentimos que isso de tal forma que uma pessoa começa a sentir a eternidade e perfeição e não tem medo da morte.

Ela não vai se sentir quando seu corpo morre, assim como não sente quando tem o cabelo ou as unhas cortadas. Isto é porque o corpo material pertence ao nível animal, enquanto o cabelo e as unhas pertencem ao nível vegetal, ou seja, a um nível inferior. Então, se nos elevarmos a um nível superior, chamado de nível humano, que é simbolizado pela conexão entre nós, nós deixamos de nos preocupar em perder o corpo animal, o corpo pode viver ou morrer, enquanto nós existimos num nível superior de existência, que alcançamos.

Isto é o que devemos alcançar e este é o objetivo da sabedoria da Cabalá: elevar a pessoa ao próximo nível, a existência eterna, de modo que não vamos viver num corpo animal, mas na vida da alma. A alma é o sentimento que é criado dentro de nossa conexão. Assim, o objetivo de todas estas explicações é atingir o único objetivo: a conexão.

Nós realizamos o ato de conexão nas Convenções, para que através desta conexão, como uma pequena parte da correção geral, sintamos a vida espiritual. Assim, nós criamos o sistema de Adam HaRishon (o primeiro homem), juntando suas partes e descobrindo a vida espiritual na qual o sistema superior, a alma geral, vive.

Da Convenção no Brasil 04/05/12, Lição 1

Um Detector Para Sentir O Criador

Dr. Michael LaitmanA pessoa julga a si mesma de acordo com o que ela sente.

Se eu aceitar as condições: “Não há outro além Dele”, o Criador é absolutamente bom, Ele é o bom e benevolente, Ele preenche totalmente tudo, e eu estou na Luz Superior, então eu O sinto de acordo com a minha equivalência a Ele, segundo a lei da equivalência de forma. E se eu sou contrário a Ele, eu sinto que sou ruim ou sinto que a Luz Superior é ruim; não há diferença. Quem culpa alguém, está, na verdade, culpando a si mesmo e seus próprios atributos.

Mas, se eu aceitei o fato de que “Não há outro além Dele”, o Criador é absolutamente bom, Ele preenche tudo e eu me sinto bem, então eu realmente estou nessa bondade, eu realmente a sinto.

Como? Na conexão com meus amigos. Porém, que detector, que sentido eu uso?

Nós devemos compreender claramente onde sentimos o surgimento do Criador, a revelação da Sua Providência, Sua atitude para conosco!

Se eu a sinto em mim, é um sentimento egoísta, eu simplesmente me sinto bem hoje, estou de bom humor, eu dormi bem, acordei e está tudo bem.

Nós devemos entender como sentimos isso no sentido chamado de “alma”. A “alma” é a adesão, a conexão dos nossos pontos no coração, dos nossos anseios mútuos no grupo, da nossa atitude em relação ao mundo, à humanidade, a tudo.

Da Convenção de Vilnius 25/03/12, Lição 5

Um Em Vez De Bilhões

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que uma pessoa deve fazer para se anular? Como isso pode ser implementado de forma prática no grupo?

Resposta: É por isso que deve haver um em vez de dez. Em vez de milhões ou bilhões, deve haver um. Isto significa que devemos nos sentir como um. Se você não consegue se anular diante dos amigos, você não será capaz de avançar, e permitir que a Luz seja revelada. A primeira restrição (Tzimtzum Aleph) é a condição segundo a qual tudo funciona. Depois, vem a próxima parte, a próxima etapa.

Pergunta: O que devo fazer para me anular? No que devo pensar?

Resposta: Você deve pensar que quer que os amigos alcancem tudo, e esta é a única coisa que faz você feliz. Como é que uma mãe pensa em seu filho? “Eu quero que ele tenha tudo. Não importa o que será de mim, o que importa é que ele fique bem”.

Da Convenção de Vilnius 24/03/12, Workshop 2

A Construção Mágica Da Alma

Dr. Michael LaitmanNós existimos como partes de um sistema, similar aos elementos de um sistema eletrônico. Portanto, tudo o que acontece nos conforma apenas com a forma como todo o sistema atinge o fim da correção.

Diz-se: “Os parias não serão reativados de Mim” e “Tudo vai voltar à sua raiz”. Cada um retorna à sua raiz, e juntos nós retornamos à nossa raiz geral. Mas nós queremos encurtar o caminho, alcançar a meta acelerando o tempo (Achishena), aqui e agora, rapidamente, para compreender e sentir o que estamos fazendo, tanto quanto é possível, a fim de realizar conscientemente essas ações de doação, com compreensão, e não para avançar pelo caminho do sofrimento (Beito, ou em seu tempo).

Há dois problemas. Por um lado, eu tenho que concordar em executar ações de doação. Por outro lado, eu tenho que entender que eu deveria calcular e preparar essas ações altruístas. Estes dois tipos de trabalho são chamados de “trabalho na mente” e “trabalho no coração”, e ambos são opostos à natureza.

Portanto, nós nos esforçamos ao máximo para organizar o sistema correto entre nós, como se estivéssemos conectados, como se nos amássemos, como se nos complementássemos, como se fôssemos engrenagens num sistema geral e estivéssemos conectados com o Criador, a fim de dar-Lhe alegria, e com toda a humanidade, a fim de corrigi-la e trazê-la à mesma ação.

Tudo isso é “como se”. Nós fazemos tudo como se estivéssemos brincando, como uma criança que, tendo reunido as peças da construção, de repente, descobre que ela ainda é um brinquedo. Ela pensou que iria construir um trator, ela deu o seu melhor, reuniu, e daí descobre que não é real, mas feito de plástico e não se move.

Mas em nosso trabalho espiritual, no momento em que construímos esse “modelo”, sabendo que ele é um jogo, mas construindo-o corretamente, de acordo com as exigências dos Cabalistas, a Luz que Reforma influencia-nos imediatamente e o torna real.

Este é todo o truque. Nós só precisamos entender que é assim que funciona. Tentamos reunir as peças, no amor, doação, união, conexão, através da fé acima da razão – não faz diferença como nós chamamos isso em nosso nível. Certamente, tudo é falso. Mas nós tentamos reunir essa construção, e de acordo com os nossos esforços a Luz age e transforma-a numa imagem real.

Da Convenção de Arava 25/02/12, Lição 7

União Acima e Abaixo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós precisamos nos tornar imbuídos pelo desejo do grupo, mas também tomar o desejo das massas. Qual é a diferença?

Resposta: Existe o nosso grupo, Bnei Baruch (BB), e existem as nações do mundo. Mesmo que a união (Σ) das nações surja no futuro, isso só será capaz de gerar um clamor dirigido para cima. Sua união serve para se juntar à nossa união. E a nossa união, por sua vez, se juntará com o Um (1).

Assim, existe a unificação das nações, a unificação entre nós, e a unificação das nações com a gente, onde as massas tornam-se incluídas em nós como as sete Sefirot inferiores de Bina. É necessário ter união interna abaixo e união interna acima, e nós todos nos unimos e fundimos com o Criador num único conjunto.

Desta forma, nós, como as três Sefirot superiores de Bina (GAR de Bina), devemos propiciar a correção de suas sete Sefirot inferiores (ZAT de Bina).

Pergunta: Portanto, há dois níveis de correção: nós nos unimos em prol da doação, enquanto as massas precisam corrigir o egoísmo no nível material?

Resposta: Nós não corrigimos nada há entre as nações. Nós nos conectamos com as pessoas e tomamos o seu desejo, que nos ajuda a nos unir ainda mais firmemente, para estabelecer uma conexão com a força superior, com a Luz. E a Luz age sobre elas através de nós.

Em última análise, nós somos aqueles que estão executando o trabalho, e não as massas. Sem serem capazes de fazer por si próprias, elas nos dão a força para a correção, e não mais do que isso. É verdade que elas também precisam tentar se unir; no entanto, ninguém é capaz da verdadeira união, nem mesmo nós. Só a Luz realiza isso. É por isso que a coisa mais importante é que elas entendam que, sem a união entre si, não haverá uma boa vida. E nós vamos pegar esse pedido, vamos penetrar e absorver a profundidade de sua tristeza amarga e transformá-la em oração.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/04/12, Escritos do Rabash

Dissolver-Se No Grupo

Dr. Michael LaitmanTodos os nossos vários anos de estudo (temos pessoas que já estudam por 10-15 anos) são destinados apenas a fazer você alcançar o estado onde começa a trabalhar no grupo, à medida que você percebe que não há mais nada além dele. E tudo o que você fez ao longo de muitos anos foi destinado apenas para finalmente fazer você entender que a única coisa que pode mudá-lo e revelar-lhe que o que você quer está bem na sua frente, mesmo que este seja o último passo.

Normalmente, nós levamos muito tempo para chegar lá, para convencer a nós mesmos; de alguma forma, nós tentamos nos esquivar disso, tentando ir para algum outro lugar. Nós estudamos a Cabalá, fazemos qualquer coisa que precisamos fazer no que diz respeito à disseminação, tudo mesmo, só para evitar o trabalho no grupo.

E mesmo quando já entendemos que não há outra solução, ainda, no último momento, fugimos encontrando razões para não participar deste processo. Nós não nos permitimos fechar os olhos, joguar-nos dentro do grupo, como na água, e desaparecer completamente nele. Passa-se muito mais tempo, meses, algumas vezes anos, até que a pessoa finalmente entra no grupo.

Mas nós podemos encurtar este tempo com o nosso esforço conjunto, e vamos tentar fazê-lo.

O período de tempo que a pessoa estuda não importa, nem seu conhecimento, se ela é inteligente ou não, forte ou fraca, persistente, estável ou preguiçosa. Quando você entra no grupo e participa de sua força comum, você “desaparece” nele, se dissolve nas qualidades comuns de seus amigos, a tal ponto que adquire a integração de todas as suas habilidades, e todos elas se tornam suas.

Não precisa vir com desculpas, tais como eu ainda sou jovem, não estou pronto para isso, talvez depois de algum tempo, na próxima convenção. Agora! Não deve haver outro pensamento! Não há mais nada além deste lugar e desta ação que devemos tomar.

E a ação é muito simples: tente realizar a chamada Primeira Restrição (Tzimtzum Aleph), suba tanto quanto possível acima do seu egoísmo, sem levar em conta quaisquer das suas persuasões, razões, truques e peculiaridades. Nós devemos entender que isto aponta para as falhas em nossa aspiração, em nossa intenção.

Quando a minha intenção e aspiração não são fortes o suficiente, vou sentir que algo me distrai. E cada perturbação aponta para o que eu preciso adicionar a minha intenção de para dirigi-la de forma séria e torná-la forte o suficiente no seu tamanho e vetor. Em outras palavras, eu preciso ir direto ao objetivo e ter força suficiente para dirigir-me a ele.

É por isso que nós percebemos os distúrbios como um presente. Nós nunca nos ressentimos deles, nunca ficamos com raiva de nós mesmos; pelo contrário, cada vez que eles aparecem, nós subimos acima deles e nos esforçamos ainda mais, nos tornando mais próximos dos outros.

A principal coisa é ter paciência para com os nossos amigos, como somos pacientes com as crianças pequenas, com nosso filho favorito. Não há nada que possamos fazer sobre isso; isso também é o nosso egoísmo, que não nos permite nos conectar com os outros e nos mostra onde devemos nos aproximar e nos posicionar.

Da Convenção de Vilnius 23/03/12, Lição 2

Três Níveis Num Grupo

Dr. Michael LaitmanNós geralmente estamos em um dos três níveis em relação aos nossos amigos:

1. Quando o amigo e o grupo são maiores do que nós; em outras palavras, nós consideramos nossos amigos e o grupo superiores a nós, a fim de sentirmos a sua grandeza;
2. Quando os amigos e o grupo estão abaixo de nós;
3. Quando eles são iguais a nós.

Quando eu os considero como maiores do que eu, eu me coloco num estado em que sou capaz de aprender com eles, receber deles o que eles têm, como alguém pequeno que aprende com aqueles maiores do que ele. Eles são capazes de me influenciar. Eu recebo a sua energia, força e entusiasmo.

Se eu os percebo como sendo menores do que eu, então eu sou capaz de dar a eles como alguém que é grande dá ao pequeno.

De qualquer forma, eu tenho certo tipo de comunicação com eles, quando eu recebo a grandeza do seu objetivo, ou quando a inflamo neles introduzindo meu poder, meu investimento na grandeza da meta, na grandeza da união. Tudo isso é para atingir um estado de equivalência com eles. Então, seremos realmente amigos.

Quando eles estão acima de mim, eles são o meu professor. Quando eles estão abaixo de mim, eles são os alunos. Somente quando somos iguais é que somos amigos. É assim que sintonizamos nossos pensamentos em relação ao grupo. Eu sempre vejo: onde eu posso acrescentar, o que eu posso receber e onde eu posso me tornar completamente igual a eles.

A comparação deve ser sempre a meta. E o estado de estar abaixo ou acima deles é o estado quando eu me ajusto em relação a eles.

Da Convenção de Vilnius 23/03/12, Lição 2

No Meio Entre O Criador E O Mundo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que é tão difícil entender o que significa a conexão em si?

Resposta: É difícil para nós realizarmos essas ações porque, inicialmente, nos relacionamos com elas e as abordamos egoisticamente. Eu não posso impedir a minha mente de perceber o mundo, o grupo e a mim mesmo, e começar a esclarecer a situação usando uma mente fria externa.

Em primeiro lugar devemos entender a razão de nossas ações e o que eu sou obrigado a fazer. O Criador quer que eu realize a correção do mundo. O mundo é toda a realidade que surge diante de mim. Isso significa que eu tenho que me relacionar com ele nesse sentido e ser incluído no público, nas pessoas, que em seu nível de desenvolvimento também estão exiladas no Egito; mesmo que elas não estejam nos estágios finais, elas estão em estágios muito avançados. As pessoas já estão sentindo que chegaram a um beco sem saída; elas estão sentindo que é o fim do mundo, pois têm encontrado problemas ecológicos, guerras, fome, suicídio, desespero, etc. Este é o “exílio no Egito” para elas, um exílio da prosperidade que conheciam antes e do desamparo.

No passado, a pessoa costumava fazer mudanças em sua vida e encontrar alívio nisso. Hoje, não há para onde ir; a pessoa não encontra conforto em nenhum lugar. Não há conforto em casa e na família, e nenhum lugar para descansar. As crianças não mostram qualquer esperança de algo bom; no trabalho, é impossível a pessoa se contentar com o que realmente precisa, juntamente com os outros, pois não há bondade. A esperança de descansar quando nos aposentarmos está se tornando imaginária, e não podemos ter certeza de que quando envelhecermos vamos ter comida e abrigo. As pessoas vivem na incerteza: durante as suas vidas elas economizaram em algum fundo, mas se algum dia elas terão esse dinheiro de volta é uma grande questão. E estes são apenas alguns dos problemas.

Portanto, quando estamos nos aproximando do Criador, não levamos em conta o que Ele quer e o que nós queremos? O Criador quer a correção do mundo. É assim que nos aproximamos das pessoas, pegando os seus desejos e nos preocupando com eles? Eu não tenho certeza. Será que nós nos dirigimos às pessoas o suficiente, àquelas que, por sinal, sentem o exílio muito mais do que nós? Será que estamos incluídos no seu exílio, em suas dificuldades corporais? Será que nós podemos transformar gradualmente seus problemas em problemas espirituais em nosso nível?

Se a Luz influenciar as pessoas através de nós, as pessoas se sentirão bem. Isto é o que a parte do mundo chamada “Israel” deve fazer, tornar-se a “Luz para as nações”. Para todos aqueles que não têm contato com a Luz, eu tenho que ser o “adaptador”, seu enviado. Será que eu devo começar a partir disso?

O Criador quer levá-las à Luz e ao avanço, enquanto eu sou apenas o elo. Eu tenho que pegar a deficiência delas e transformá-la numa necessidade de se conectar no meu nível, a necessidade da Luz que Reforma, e transmitir este pedido para cima, e não os meus desejos pessoais. Isso significa doar.

Nós fazemos isso? Nós valorizamos a disseminação a fim de absorver os desejos das pessoas? A contagem começa desde o inferior e não no meio. A verdadeira deficiência está oculta no mundo, enquanto nós recebemos a nossa deficiência do Criador e só devemos fazer parte do todo.

Ao absorver a deficiência das pessoas, você tem que se conectar com os amigos. Caso contrário, por que você precisa desta conexão? Para quê? A quem se destina a sua futura doação? Sem o mundo não há como você alcançar isto. O Criador não precisa de sua doação, ele não precisa de nenhum favor de você. Você pode Lhe dar alegria se você passar a Sua Luz para baixo, se você conseguir convencer as pessoas que elas precisam mudar. Em seguida, pela discreta mudança nelas, você vai aumentá-la e elevá-la ao Criador e, portanto, atrair a conexão de baixo para cima. Você vai crescer da pequenez até Seu nível superior e terá o seu lugar no meio. Sem a conexão entre os dois extremos, você está brincando com algo que não se baseia em nada, exceto o ego.

Pergunta: Então o que estamos fazendo de errado? Afinal, estamos tentando levar a nossa mensagem ao mundo.

Resposta: Parece que não estamos impressionados com os desejos do mundo o suficiente para agir por eles. No final, nós ficamos apenas com uma impressão “fictícia” formal do trabalho que é feito. Tudo se inverte: nós queremos avançar e, por isso, usamos as pessoas como meio, em vez de sermos o meio para seu avanço e levarmos as pessoas para onde o Criador quer levá-las. Nós estamos virando tudo de cabeça para baixo: em vez de sermos servos, estamos nos tornando os donos da situação. O Criador depende de nós, as nações dependem de nós, enquanto nós olhamos para elas ficando no meio.

A questão não são as ações, mas a nossa atitude interior. A deficiência do Criador e a deficiência do mundo é o que deve ser importante para nós. É a partir destas deficiências que devemos estabilizar a nossa autodeficiência, de modo que ela conduzirá ao resultado desejado. “Israel” pertence ao nível de Bina, e não tem nada próprio. Sua parte superior é Keter e a parte inferior é Malchut. No meio existe apenas uma fenda. Então, como as duas partes podem ser conectadas? Nós é que devemos ser esta conexão e esta é a nossa única propriedade.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 05/04/12, Escritos do Rabash

Um Salto Para A Liberdade

Dr. Michael LaitmanO atributo de doação é atingido no grupo, na sociedade, sob condições especiais que são descritas pelos Cabalistas a partir do estado que foi preparado para nós pela quebra do primeiro homem (Adão HaRishon), a alma geral. Se nós usarmos corretamente o pequeno ambiente que nos foi dado, e nele tentarmos chegar à doação mútua, vamos descobrir que estamos no exílio do Egito.

Nós descobrimos que não há como alcançar a espiritualidade, o Criador, o atributo de doação, se não alcançarmos o amor dos amigos em primeiro lugar. Mas todas as nossas tentativas para chegar à conexão e ao amor dos amigos terminam em fracasso completo, como está escrito, “os filhos de Israel clamaram pela obra”, porque nós descobrimos que nós construímos cidades medíocres, Pitom e Ramsés para o Faraó, o que significa que nós só aumentamos o nosso desejo de receber.

Apesar de nos desesperarmos com este trabalho, nós não o deixamos e gritamos: “Salve-nos!”. Afinal, o nosso ego, o Faraó, não nos deixa conectar, e se isso continuar desta forma, nunca deixaremos o exílio nem alcançaremos a conexão com a força superior.

Este é realmente um grito de desespero do fundo do coração. Em seguida, uma força especial e geral, chamada “Moisés”, é revelada. Ela é revelada no grupo e passa por muitas mudanças. Uma vez revelada é novamente ocultada, até a estabilizarmos e colocarmos contra o nosso ego.

Quando estamos prontos para lutar contra nosso ego coletivo que nos impede de nos conectar, colocando a força coletiva da conexão chamada “Moisés” contra ele, começa a luta de vida ou morte. Nós apoiamos essa força tanto quanto podemos e até mesmo acima de nossas forças! Aqui nós descobrimos em nosso ponto geral coletivo a ajuda do Alto. Neste ponto, o Criador diz: “Venha ao Faraó, vamos enfrentá-lo juntos!”. Isto significa que Ele concorda em se conectar com o nosso ponto coletivo, e este nos tira do Egito.

Durante esse processo, diferentes fenômenos ocorrem, descritos pela Hagadá, e nós temos que passar por tudo isso. Isso se refere apenas às nossas tentativas de chegar à conexão e, de alguma forma, realizá-la. Finalmente, nós saímos deste estado, da nossa incapacidade de nos conectar, e alcançamos o que queríamos. O método de conexão chamado Torá nos é revelado contra o ego e o ódio.

Agora, surge o sistema que podemos usar. Ele é chamado de Torá, a Luz que Reforma, que gradualmente começa a nos influenciar para nos corrigir. Há o Monte Sinai que nos separa, o ego coletivo que fica no caminho da conexão entre nós. Quando a Luz corrige o ódio em conexão, esse monte se torna se a “montanha da Santidade”.

É disso que trata o feriado de Pessach ou Páscoa judaica (da palavra hebraica que significa “escapar”), que simboliza as transições do exílio à liberdade. Exílio é a minha incapacidade de me conectar. Eu não sei como fazer isso, mas anseio por ela e a exijo.

Redenção simboliza o fato de que me foi dada uma chance, um sistema, um método que me permite corrigir o mal em mim, e transformá-lo em bem. Bem significa a garantia mútua, amor dos amigos, onde eu descubro a força que me permite realizar esta atitude e aderir ao Criador. Afinal de contas, Ele é o objetivo pelo qual eu ansiava desde o início.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/04/12, Shamati # 41