O Vírus Amolece Nossos Corações

laitman_565.02Nós estamos em um período especial de preparação para deixar o Egito. Esta é uma preparação multilateral porque precisamos perceber que estamos sendo mantidos na escravidão egípcia sob o domínio do Faraó, o nosso egoísmo, que nos envolve e nos impede de escapar.

Precisamos nos sentir conectados, como se estivéssemos de camisa de força, no cativeiro de nosso próprio egoísmo, que domina todos os nossos pensamentos, desejos e movimentos. Quanto mais sentirmos esse poder estranho, mais poderemos avançar em direção à saída e alcançar um desejo de escapar do egoísmo.

Todos os dias sentiremos cada vez mais o poder do egoísmo. O coronavírus nos ajudará a perceber que sempre fomos escravos do Faraó, mesmo que não percebêssemos. Toda a nossa vida passada foi organizada de acordo com as leis, regras de conduta e programa do Faraó.

O mundo inteiro é o Egito, mas as pessoas não se sentem escravas de um governante maligno. Em vez disso, consideram suas vidas normais sob um bom rei que se importa com elas. O Faraó não exige nada de nós, exceto honrar suas leis e adorar seus valores.

É assim que as coisas costumavam ser. De repente, uma potência estrangeira chamada coronavírus apareceu e nos mostra quão repugnantes são nossos relacionamentos e quão insuportável é o poder do Faraó. Isso se torna evidente se a pessoa sai dele e o olha de fora, em vez de aceitá-lo como algo inevitável e uma lei da natureza.

É necessário revisar todos os laços industriais e familiares que construímos antes, bem como nossas atitudes em relação à vida e à morte. Não devemos voltar aos nossos velhos hábitos. Este vírus está nos dando a oportunidade de resolver nosso estado passado. Vamos analisá-lo e descobrir se queremos continuar com nossas vidas como se nada tivesse acontecido.

Gostamos desse tipo de vida? Que tipo de alegria experimentávamos viajando de um lugar para outro o tempo todo comprando tudo o que os anúncios nos incentivavam a comprar? Toda a nossa vida foi construída de acordo com o modelo imposto a nós pela mídia e pelos anúncios que ditavam como pensar, o que comprar e como agir.

Uma revisão completa é o primeiro passo em nossa correção. Vamos tentar avaliar o que era bom e o que era ruim. Então, imaginaremos um novo estado, uma nova vida e como poderíamos mudá-lo. Afinal, mesmo antes da epidemia, nossas vidas não eram uma maravilha.

Nós não escolhemos como viver; nosso egoísmo nos escolheu e nos levou a construir o tipo de sociedade, meio ambiente e mundo mais convenientes para ele. Isso nos transformou nos inimigos da natureza. Nós a destruímos; queimamos e matamos plantas e animais para que não haja mais nenhum lugar na Terra onde possamos viver normalmente.

Construímos casas de concreto nas quais nos escondemos de todos e temos medo um do outro. Nossos filhos foram ainda mais longe e se escondem dentro dos computadores para que não tenham mais nada além do mundo artificial que criamos para eles.

O coronavírus, que nos abalou tanto, nos dá a oportunidade de ver onde estamos, onde chegamos e quem somos, tão orgulhosos de nossas mentes, iluminação e liberdade, que poderiam construir um tipo de vida diferente para nós mesmos.

Talvez sejamos apenas animais se desenvolvendo de acordo com o programa egoísta da natureza instalado em nós? O egoísmo nos obriga a construir relacionamentos que levam à guerra, destruição e crise global.

Há muito que esperávamos uma crise. Mas, de repente, o coronavírus apareceu em seu lugar. Isso é algo novo: não uma crise financeira nem uma guerra, mas uma crise de nossas relações. Primeiro de tudo, o vírus está rompendo nossos laços, está forçando todos a se isolarem e a temer uma ameaça comum. Hoje, todos os habitantes deste mundo têm medo de uma coisa comum. É bom que não tenhamos medo um do outro, mas de um inimigo comum.

Talvez, em meio ao medo do coronavírus, possamos nos conectar melhor, ajudar um ao outro, aproximar-nos e sentir que pertencemos a uma humanidade? Acontece que o coronavírus é nosso amigo e assistente, o ponteiro do Criador de cima? Afinal, ele foi capaz de resolver nossa discórdia e nos unir!

Imagine que você tem muitos filhos que brigam constantemente, brigam e xingam, e não sabem como acalmá-los. Agora, de repente, algo aparece que resolve a briga, afasta as crianças umas das outras e, em vez de reclamações mútuas, algo externo lhes dá um alarme geral. Um infortúnio comum nos une e nos dá uma razão para pensar em uma coisa e nos sentir em uníssono.

Vamos ver neste vírus um meio de nos aproximarmos um do outro; ele amolece nossos corações. Embora associamos isso a privações e medos, não é assim, provém do amor. Ele chega até nós com amor, não com um pedaço de pau, ódio ou ameaça.

Em vez de nos separarmos, o vírus nos dará a oportunidade de construirmos novos relacionamentos entre nós. O vírus expressa nosso egoísmo porque se estabelece onde existe egoísmo. Acontece que precisamos procurar não um vírus, mas sim o egoísmo, e assim revelaremos cada vez mais nosso mal e nos afastaremos dele. Tendo transformado nossa atitude em boa, curaremos tudo com essa atitude.

Poderemos nos abraçar sem medo de infecções ou vírus. O mundo inteiro estará conectado com laços bons e amigáveis. Cada um vai pensar, antes de tudo, sobre o que significa bom aos olhos do outro e depois abordá-lo de acordo.

Isto é, eu me elevo acima do meu egoísmo, descubro o que é bom na opinião de outras pessoas e construo conexões com elas nessa base. Isso se assemelha à ordem do trabalho espiritual: autorrestrição, tela (recusa em trabalhar com os desejos) e a luz refletida (o desejo de doar de acordo com a percepção pessoal de bem).

Acontece que toda crise foi dada em nosso benefício. Está escrito que “ninguém é cruel no domínio do rei”. Só é preciso avançar rapidamente dia após dia, e o mais importante não são as ações físicas, mas as espirituais.

Caso contrário, a oportunidade de correção que esse vírus nos fornece se dissipará. Então a natureza nos empurrará com medidas mais duras, e não devemos esperar por elas. Vamos avançar na direção dela e ajudá-la por vontade própria.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 18/03/20, Lição sobre o Tópico “Pessach”

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