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O Que Distingue A Família Do Futuro?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é a força final da natureza que vai agir na família do futuro? Ela está relacionada com a religião?

Resposta: Não se trata de religião, mas do fato de que estamos todos conectados uns aos outros acima do nosso egoísmo. Está escrito que a Shechina (presença divina) habita entre o marido e a mulher.

O futuro da família se encontra na ação da força superior da natureza sobre ela, a força do amor, unidade e doação mútua. Em tal família nós estaremos conectados pelos laços que estão acima do nosso nível animal.

Devido à família, a pessoa vai ter mais do que um ninho familiar acolhedor e confortável onde ela se sente segura e recebe ajuda em caso de doença e velhice. Nós vamos construir uma rede de relacionamentos entre nós, dentro da qual vamos revelar a força de doação e amor que existe acima da nossa natureza.

Pergunta: Por que existem famílias que aparentemente desfrutam completa prosperidade material, mas sentem que carecem de calor familiar?

Resposta: É por esta razão que as pessoas se divorciam. Elas sentem um vazio que não pode ser preenchido por nada. A família não tem o que eu quero. E o que eu quero, eu não sei.

As pessoas sentem que precisam de uma nova forma de laços familiares, mas não sabem onde procurar ou como encontrá-los. E, assim, elas se divorciam.

A família do futuro terá uma nova conexão que leva um casal a um propósito mais elevado para o qual é vantajoso estar junto. Na verdade, se não fosse por isso, qual a razão de se ter uma família?

Você pode comprar alimentos preparados num supermercado, lavar a sua roupa numa máquina de lavar automática, de modo que pode convidar uma mulher por mais uma noite. As crianças podem ser visitadas uma vez por semana e, na verdade, nós não as vemos muitas vezes, porque trabalhamos muito. Quais os benefícios que a família acrescenta à nossa vida totalmente organizada e confortável?

Pergunta: O que está faltando na família de hoje?

Resposta: A família não tem um propósito maior que não seja um bem-estar animal convencional, material. Nós somos obrigados a revelar o grau humano em nossa família, a fim de descobrir a Shechina entre nós, revelar a força superior, e ter uma vida eterna e perfeita. E isso realmente pode ser alcançado através da conexão dentro da família, com outras famílias e, finalmente, com o mundo inteiro.

A força superior é a força de amor e doação. É chamada de “superior” porque está acima de nós, acima dos egoístas, que são opostos a ela, amam apenas a si mesmos, e não amam os outros.

Pergunta: O que vamos sentir na família do futuro que não temos hoje?

Resposta: Nós vamos sentir uma vida sem restrições e preenchida com todos os sabores. Vamos precisar de todo o mundo. Nossa família vai estar em tal conexão com as outras famílias que nos sentiremos confiantes, alegres, sem restrições. As crianças vão crescer neste ambiente e serão criadas de acordo com ele. Nós devemos chegar a isso.

De KabTV “Uma Nova Vida” 15/02/15

A Revolução Familiar

Laitman_198Pergunta: Por que eu preciso de uma família?

Resposta: Não é por acaso que a família está em crise hoje. Isto deve nos levar a verificar e estudar a nossa vida de forma crítica. Como resultado, devemos chegar à conclusão de que todo o mundo deve ser como uma família.

Em todo o mundo ocorre a crise da família. E ela vai ser mais intensa, enquanto não decidirmos que o geral e individual devem ser iguais.

Isto é, nós precisamos cuidar de uma grande família em todo o mundo, unir todos os bilhões de pessoas numa única família. Só então poderemos entender os princípios de como construir a nossa família individual e como essas famílias devem estar conectadas entre si.

Nós temos que passar por uma crise, a fim de perceber que precisamos de uma nova abordagem ideal, integral e global. Vamos nos agarrar à família não por causa da conveniência e nem por causa da comida e os costumes que estamos acostumados desde a infância.

A família irá receber um valor superior adicional porque vamos estabelecer boas relações nela e entre famílias, reunindo-as numa família cada vez mais extensa, uma comunidade. Por causa disso, vamos avançar para uma nova vida, com a revelação da força superior da natureza entre nós.

Um homem está conectado a sua esposa através de seus filhos, hábitos, dívidas, e a vida doméstica. Mas agora nós precisamos sentir que estamos conectados com todas as outras famílias da mesma forma: por dívida compartilhadas, vantagens e desvantagens. Afinal de contas, nós entramos num mundo integral, e temos uma conta conjunta no que diz respeito às forças superiores da natureza. Nós somos obrigados a conectar todas as famílias numa família.

Ou nós chegamos à compreensão por nós mesmos, ou vamos ter de passar por uma série de golpes por meio dos quais acabaremos por entender que a crise atual é projetada para nos obrigar a estabelecer uma nova conexão entre nós. Não basta melhorar as conexões dentro de uma família. Nós não seremos capazes de manter laços familiares, criar os filhos adequadamente, e viver em harmonia dentro da família se não decidirmos que temos que obter o consentimento da atmosfera geral de uma família ao redor do mundo, ou pelo menos dentro da nação.

Esse princípio vai determinar a educação que damos às crianças em casa, nas escolas e jardins de infância, e determinará os valores da nossa sociedade. Ele vai estar no ar como uma opinião comum.

Assim, eu penso que a instituição da família terá que passar por uma grande revolução para nos levar a um novo nível, para um novo olhar sobre a natureza humana e a nossa vida na terra. Nós temos que mudar a nós mesmos completamente.

A família é a base mais antiga que acompanha o ser humano ao longo de sua evolução. Mesmo quando o macaco ainda não tinha descido das árvores, a família já existia. Mas agora é hora de grandes mudanças qualitativas, após as quais vamos subir para um novo grau, na verdade, para o nível do ser humano.

De KabTV “Uma Nova Vida” 15/02/15

Solteiros Versus Famílias

Dr. Michael LaitmanNas Notícias (Presz Pospolita): “Nos países ocidentais havia uma forma de responsabilidade que funcionava anteriormente que levava em conta a possibilidade de que um permitia que outro utilizasse parte de sua liberdade em troca de permitir a possibilidade de reciprocidade. Agora, a liberdade é opcional, pertence à categoria de ser um direito.

“Uma pessoa livre é alguém que revela uma prontidão para subjugar a si e àqueles a sua volta na busca de alcançar algo melhor. A cooperação anterior é transformada em forte concorrência. A liberdade torna-se egoísmo, o altruísmo se torna subjugação. Os progressistas chamam uma família baseada no altruísmo mútuo entre os seus membros de escravidão patriarcal.

“As diferenças entre os papéis de homens e mulheres tornaram-se menos rígidas. A concorrência agressiva leva à falta de objetivos comuns, à falta de proximidade e apoio. Uma pessoa solteira é mais feliz quando sente que está vivendo corretamente, então entra em guerra em todos os lugares contra a família e sua fundação.

“As pessoas solteiras são um produto do estado de bem-estar social que entrou em colapso, criado na sequência de uma luta competitiva pela sobrevivência. Quanto mais solteiros existem, mais rígida e nítida a luta. Eles são a razão para o colapso da sociedade, como um edifício em que o bem comum perdeu o seu valor, e em seu lugar, vêm os interesses egoístas das pessoas solteiras.

“O egoísmo é uma característica que tipifica a falta de maturidade e infantilidade. É fácil manipular as pessoas imaturas. A flexibilidade e a retidão de suas ações, que se desenvolveram após uma falta de obrigações familiares, é uma grande vantagem.

“A pessoa solteira em seu espaço fechado não é tão feliz quanto parece, mas não está pronta para reconhecer isso. Se ser solteiro é uma escolha consciente, isso não pode ser considerado um sinal de felicidade e um desejo de ser livre. Pelo contrário, indica a existência de problemas emocionais, já que as pessoas não foram criadas para ser solteiras e viver na solidão”.

Meu Comentário: Eu acho que a destruição das famílias é o resultado do egoísmo crescente, como é crescente a violência dos povos e das nações. Tudo isso nos leva a necessidade de repensar a essência do nosso desenvolvimento e a necessidade de encontrar uma solução. Essa solução é aplicar o princípio da unidade acima de todos os defeitos e contradições em todos e na sociedade como um todo.

Família: Uma Massa De Concessões Mútuas

Laitman_095Pergunta: Se nós quisermos falar com o público em geral sobre o tema da família, por onde é preferível começar a conversa na aula introdutória?

Resposta: É preferível começar a conversa com uma explicação sobre a natureza dos homens e a natureza das mulheres, pois isso proporciona certo fundamento. Mas vale a pena abrir a explicação sobre a sua natureza à distância. Este é um assunto muito sério.

Primeiro de tudo, é preciso explicar que uma família não é construída no amor, mas no respeito mútuo, no complemento mútuo, na amizade e ajuda mútua, no anseio de compreender o outro, e a principal e mais importante coisa na qual a família é construída é a concessão mútua.

A verdadeira conexão entre um homem e uma mulher é construída na concessão mútua. De forma alguma nós vamos corrigir o parceiro; nós não tentamos falar sobre seus defeitos; pelo contrário, nós o aceitamos como ele é, e tentamos nos tornar alguém que o complementa.

Uma pessoa é uma entidade egoísta direcionada ao benefício pessoal dentro de si mesma. Quando alguém está ao lado dela e ela não pode explorá-lo em todos os momentos para o seu próprio benefício, é como se ela acumulasse cargas elétricas e, assim, centelhas começassem a “voar” entre eles, pois o outro é também um egoísta.

Será que nós podemos existir juntos em paz numa situação como esta? Por um período particular, quando o amor nos deslumbra, nós estamos cheios de felicidade e prontos para qualquer coisa. No entanto, quando isso passa e o véu do amor cai de nossos olhos, eu percebo que estou vivendo ao lado de um egoísta como eu, embora pensasse que tudo seria para mim e para o meu bem, e que as coisas seriam boas e agradáveis com a minha outra metade. No entanto, de repente, tudo é o oposto. Por isso, é necessário organizar tudo de maneira diferente, e não sob a influência da insanidade do amor que nos entorpece, mas com a sanidade do conhecimento.

Como nós podemos coexistir pacificamente? Então, gradualmente, nós levamos as pessoas a começar a discutir a relação complicada entre elas de forma neutra, discutindo apenas como fisiologia.

Elas não devem olhar para uma família em particular, mas geralmente esclarecer o que é uma família, o que é um ser humano, e isso as levará para longe de si mesmas, as levará para fora, uma vez que se houver um problema como este com todas, elas estão falando de um problema geral. Elas reduzem a tensão interna entre si e vão para a filosofia, onde falam de maneira geral e descobrem a natureza de um homem e uma mulher.

Elas são semelhantes em alguns aspectos e diferentes em outros. Elas são semelhantes na medida em que ambas são egoístas, e elas são diferentes em que o ego é expresso de um modo diferente em cada uma delas de acordo com cada um dos seus sistemas hormonais e psicológicos.

Depois disso, nós podemos ir ao próximo problema, o problema do casamento. O casamento é uma aliança; é uma aliança complementar: eu preciso dela e ela precisa de mim.

Quando nós entendermos isso, será claro para nós que a essência da nossa natureza é a recepção: eu sempre quero receber do parceiro. É assim que começamos a ensinar às pessoas os fundamentos da sabedoria da Cabalá.

Não há nenhuma provocação aqui! Eu quero roupas limpas, que o jantar esteja pronto, uma habitação arrumada. E o meu parceiro quer ver um homem na casa, um marido e um pai com tudo o que está envolvido nisso. É possível satisfazer as exigências do parceiro? Será que queremos fazer isso?

Visto que em geral nós dois estamos trabalhando, temos filhos, obrigações particulares depois do trabalho (banco, fazer compras, etc.), será que é objetivamente possível exigir do nosso parceiro o cumprimento de todas as nossas demandas?

Se nós vemos a lista de exigências mútuas, entendemos que, de fato, nunca nos conhecíamos. Eu não entendia o que ela queria de mim; afinal de contas, isso não é da minha natureza. Ela nunca me disse nada; em vez disso, esperava que eu achasse isso por mim mesmo.

É assim que mostramos às pessoas que o problema numa família é que somos egoístas: cada um de nós se senta e aguarda que o outro o satisfaço, mesmo quando ele não diz nada sobre isso. Assim, ele está constantemente ferido com antecipação de quando seu parceiro vai finalmente entende-lo.

Esta forma está completamente errada. Não vamos começar a nos aproximar de acordo com a lista de exigências: eu concedo – ela concede; eu faço algo por ela – ela faz algo por mim. Mesmo que vejamos as listas de cada um, não podemos nos prender a elas.

Vamos fazer isso de forma mais simples: nós começamos a conceder e a agradar um ao outro, nos transformamos em amigos que se ajudam mutuamente. Eu penso no que fazer por ela, ela pensa no que fazer por mim; nós começamos a jogar um jogo chamado “o método das concessões mútuas”. Este é um jogo, mas nós entramos nele. Cada um pensa em como dar ao parceiro o que ele agora gostaria de obter de mim.

Se nós nos comunicamos num formato como esse, começamos a educar e a internalizar dentro de nós esse hábito de conexão mútua, e, como resultado disso, algo chamado “amor mútuo” é criado entre nós. Este não é o mesmo amor onde nos beijamos à luz das estrelas, mas o amor que aparece numa base de concessões mútuas. Nós o construímos em nós mesmos e, depois, criamos algo compartilhado, não “ele” e “ela”, mas uma coisa chamada “família” ou “casal”.

A questão principal aqui é mostrar ao parceiro que mesmo que eu esteja fervendo de raiva e discordância com ele, eu faço um esforço para me voltar a ele calmamente, como se nada tivesse acontecido.

As concessões são realizadas subindo-se sobre o meu ego. Eu não escondo isso de forma a ensinar o outro, a dar-lhe um exemplo. E se um dos parceiros não está pronto para subir sobre si mesmo, o outro deve ajudá-lo.

A pessoa deve se transformar em alguém que inclui dentro de si pelo menos duas imagens. Uma imagem é que no presente momento eu estou odiando a minha outra metade. No entanto, por outro lado, apesar disso, eu me identifico com ela de forma correta, boa, suave, e, assim, ela vê que eu estou subindo sobre mim mesmo.

Nós temos que jogar com isso. Não temos outra opção para salvar a família. O ego tem crescido. Se não agora, então em mais alguns anos as pessoas não serão capazes de viver uma com a outra. Elas devem entrar nesta imagem e experimentá-la de modo que uma impressão disso vai permanecer nelas.

Depois disso nós lhes damos a lição de casa: até amanhã não digam uma palavra ruim ao outro, mas sim sorriam e obtenham prazer com a subida interior e a luta consigo mesmo.

Depois de tudo, todos obtêm prazer, primeiro por subjugar a si mesmos; e, segundo, com isso eles se conectam com outras pessoas, que lhes dão prazer adicional que eles não experimentaram antes. Em outras palavras, eles têm um componente espiritual aqui.

A família é uma massa que é criada seguindo as concessões mútuas, e como resultado, elas produzem uma conexão que é chamada de “amor”. O amor é criado somente quando entendemos como depende de nós completar um ao outro e tentar fazer isso.

O que significa “E amarás o teu amigo como a ti mesmo”? Eu tomo seus desejos e tento satisfazê-los. Ela toma os meus desejos e tenta me satisfazer.

Mas nós não falar com eles sobre isso; em vez disso, nós simplesmente os trazemos às concessões mútuas, às ações de acordo com a sabedoria da Cabalá no âmbito da família.

Aos poucos, a nossa antiga natureza desaparece em algum lugar lá dentro e sobre ela é construída uma camada de um novo relacionamento mútuo, que se torna a nossa realização comum, a posse, um tesouro da família. Depois disso, a partir dele o amor nasce. Isso é chamado de amor verdadeiro: “E amarás o teu amigo como a ti mesmo”.

De uma Palestra sobre a “Família” 28/05/14

Um Oasis Familiar

Laitman_095Pergunta: Você diz que os membros da família devem sempre fazer concessões. Como isso pode ser implementado?

Resposta: Você deve entender uma coisa: eu não posso dar a ninguém qualquer conselho. Há apenas a expressão correta da condição segundo a qual uma família pode prosperar e isso ocorre somente se o casal faz concessões mútuas constantemente.

Todos entendem que se isso fosse possível, tudo estaria bem. Mas como você pode se manter nesta corrente? Só se nós estivermos rodeados por um ambiente adequado com a atitude social correta constantemente apoiando um ao outro como o calor da lareira da família.

Se nós estivermos constantemente apoiados em exemplos positivos na TV, na Internet, e em conversas com as pessoas, nós também vamos começar a ver relações semelhantes entre os casais na rua e em outros locais públicos, e, depois, vamos sentir a necessidade interior de ser equivalentes e semelhantes à sociedade.

Mas, se em vez disso, vemos imagens de grosseria e falta de respeito, isso não vai levar a nada de bom. Às vezes, em busca de materiais que me interessem, eu mudo para os canais russos na TV e assisto comédias. Eu não as suporto, uma vez que se destinam a humilhar, insultar e oprimir alguém e enfatizar a desigualdade entre as pessoas e os atributos negativos de homens e mulheres. É um mau humor que se destina a degradar a família.

Eu vejo como milhares de pessoas se sentam e riem sem compreender as ideias sobre a família que elas absorvem através disso. A pessoa pensa que está simplesmente se divertindo rindo, mas não sabe que, inconscientemente, recebe uma péssima lição sobre a vida familiar. Ela vê que isso é aceitável e que é possível se comportar dessa forma e que todo mundo age assim, e ela faz o mesmo.

Afinal, nós nascemos vazios e como um computador somos constantemente preenchidos por todos os tipos de programas, de acordo com os quais operamos. Portanto, nós devemos pensar em como podemos criar o ambiente certo para que as pessoas entendam qual é a vida familiar correta. Caso contrário, a taxa de divórcio vai aumentar e nós vemos para onde isso tudo está indo.

Pergunta: Será que isso significa que temos que criar um oásis que nos dará estabilidade no atual fluxo de informações que nos destrói?

Resposta: Claro. Afinal de contas, existem cursos de dieta, de psicologia e outros cursos de apoio onde você entra em um grupo e o grupo orienta você a se comportar de certa maneira. Você vê como os outros fazem e você segue o seu exemplo.

É o mesmo aqui. Mas eu estou em dúvida se um grupo irá ajudar aqui, já que as relações na família mudam de um momento para o outro, a cada segundo, e estamos constantemente submersos nisso. Por isso, precisamos de um ambiente mais amplo, que opere continuamente.

Da Conversa sobre o Assunto “Família” 28/05/14

Saír Para Estabelecer Conexões Interpessoais

Pergunta: O que uma família forte, uma casa forte, significa para um Cabalista?

Resposta: Uma família forte é uma família que vive em um ambiente forte, e visto que um ambiente como este é bom para ela, esta é uma forte casa para ela.

A casa é um ambiente humano, não as paredes de pedra ou estrutura física. Hoje em dia, o conceito de uma casa mudou gradualmente o seu significado, e entende-se que as paredes de pedra não podem nos proteger de nenhuma coisa e não fornecem qualquer sensação de segurança. Isto é porque a segurança é encontrada nas boas relações e incorporação em todos os círculos da sociedade humana.

Hoje, sociedade é o próximo círculo para uma casa de família forte, e para a sociedade, um círculo mais amplo é a nação, e assim por diante.

Isso significa que o conceito de uma casa como uma caverna, barraca, tenda, apartamentos, etc., não existe mais. A casa é de onde saímos para estabelecer conexões interpessoais.

Então, aqui, todas as fronteiras físicas foram destruídas e apenas o contato interno entre as pessoas permanece. Paredes, mares e oceanos não podem separar-nos, à medida que devemos ser conectados. O desenvolvimento da Internet nos mostra isto claramente.

Pergunta: Pode a Europa, que abriu as fronteiras entre as nações da União Européia, servir de exemplo para nós?

Resposta: Infelizmente, a Europa tomou esta medida a partir do ponto de vista do benefício egoísta por si mesmo, para ganhar mais dinheiro, evitar a guerra, e explorar as nações mais fracas.

As nações da União Européia conectaram apenas os bancos. Em seu programa, a integração de toda a humanidade e a penetração mútua das culturas, uns com os outros, não entraram no plano. Só hoje eles estão começando a entender como eles estão longe da integração.

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De KabTV “Estórias Curtas” 23/10/14

De Uma Família Pastoral Para Uma Unidade Espiritual Da Sociedade

laitman_745_01A vida está nos mostrando que o modo de vida baseado numa vida familiar forte desapareceu e foi engolido pelo passado. As famílias já não permanecem onde o marido é o chefe e provedor da família, onde a mulher está envolvida com a economia doméstica, a casa está cheia de crianças, e no quintal está cheia de animais de estimação, cães e gatos, correndo em volta. Isso não existe mais e não é necessário se arrepender disso.

Agora, surgiu uma sensação totalmente diferente de família. Ela deve se ver e perceber como parte de um macrocosmo sem limites, se sentir como um elemento que foi corretamente integrado num imenso sistema, como uma engrenagem que deve encontrar o lugar preparado apenas para ela, e entrar nele com sua conexão.

Assim, cada família se transforma numa unidade familiar e trabalha sobre si mesma dentro dela, começando a sentir, apesar de si mesma, o tipo de ambiente que é apropriado para ela. A criação de um ambiente como este será realizada de forma gradual, até que a partir de muitas pequenas células integrais, um imenso campo integral, um sistema integral seja criado.

Portanto, nós temos que estar constantemente envolvidos em educação, tanto de crianças como de adultos, em todas as direções. Pois o nosso papel e missão é fazê-los sentir sua unidade familiar como um todo que se fundiu num único conjunto com toda a sociedade, toda a humanidade.

Nós temos que organizar oficinas familiares para os pais, as crianças e os avós, direcionando-os à integração mútua entre si. Precisamente nesta integração correta eles vão começar a sentir essa força da natureza que nós chamamos de Criador, o poder de doação e amor. E só a educação correta pode levar uma pessoa a este nível, não o seu conhecimento e nem vários graus académicos.

De KabTV “Contos” 23/10/14

A Transição Para Uma Única Família

Dr. LaitmanNós estamos passando por um período único. Se no passado a nossa natureza estava próxima do nível animal e a vida obrigava a pessoa a estabelecer uma família, uma vez que era muito difícil para ela prover a si mesma com as necessidades sem a família, nos dias de hoje, com a ajuda de vários meios e conquistas tecnológicas, nós somos completamente capazes de permanecer solteiros. Se coabitamos, não é sob os termos do casamento, e não como uma família completa.

E nesta época, eu ainda recomendo casar, constituir família e organizar a vida de acordo com o que a natureza exige de nós. Às vezes eles me olham com desconfiança, como se eu estivesse pedindo algo opressivo e indesejável.

Hoje parece ilógico empurrar uma pessoa ao casamento. Afinal de contas, com isso você lhe dá um fardo pesado e debilitante, algo que ela não pode suportar.

Pelo contrário, é tão fácil viver sozinho cercado por aparelhos domésticos eletrônicos que fazem o trabalho que no passado exigia grande força. A pessoa liga um aspirador de pó que se move, coloca suas roupas na máquina de lavar, vai ao supermercado, compra comida preparada, coloca-a na geladeira ou diretamente num forno de microondas, coloca a roupa no secador, e sequer tira o ferro de passar; ela não precisa disso.

A vida diária é agora muito mais fácil do que no passado, mas isso não ajuda a instituição da família. Parece que seria um grande alívio quando todos os tipos de dispositivos fazem a maior parte do trabalho em casa para você, onde você não precisa lavar as fraldas do bebê ou cozinhar mingau para ele… tudo é tão fácil e simples, mas, apesar de tudo isso, tão complicado.

Nós estamos diante de um problema sério aqui, e se quisermos ver um bom futuro para a humanidade e avançar num bom caminho, parece que devemos, antes de tudo, cuidar das próprias pessoas. Elas devem passar por um treinamento básico geral e compreender o que é ser um ser humano, estar conectado a outras pessoas.

Afinal, no passado a nossa conexão com a família, com pais e filhos, com o ambiente de trabalho e a comunidade era mais fácil. As pessoas dirigiam e voavam menos, não mudavam seus empregadores e profissões com tanta frequência. A vida era gasta em “cantos” separados, num lugar pequeno. Era mais estática, relaxada e estável. Em contraste com isso, hoje em dia, com o aumento do ritmo e das muitas mudanças na vida, nós sentimos que a família é muito pesada para nós.

Portanto, primeiro é necessário dar à pessoa a educação correta, mudá-la internamente, de modo que ela vai ver o que está realmente acontecendo. E mesmo que a vida tenha mudado, nós nos desprendemos da natureza que nos encorajou a viver como tribos, famílias, aldeias, cidades, países, o mundo inteiro é como um lugar para que todos possam viver e, apesar de tudo isso, depende de nós compensarmos o que perdemos. Nós já tivemos um sistema de relações naturais com a família e os amigos, com a cidade, com a nação, e agora nós temos que complementar a deficiência.

Sem isso a pessoa permanece negligenciada, abandonada; ela parece estar perdida no meio da multidão. Ela pode fugir de seus pais e quase nunca se comunicar com eles; pode estar em conexão com os amigos principalmente através da Internet. Nosso ambiente tornou-se geralmente virtual. Na internet eu encontro um amigo temporário para mim e muitas vezes me satisfaço com isso.

Em geral, esta é uma fase temporária, uma fase de passagem, que continuará até que a pessoa descubra a diferença entre ela e seu ambiente que ela deve construir por si mesma…

Eu começo a vida no ventre de minha mãe, a continuo em seus braços, depois vou para o jardim de infância, a escola, e todos esses estágios adicionam um “envelope” ambiental em mim onde preciso me desenvolver a tal ponto que vou sentir que sou parte inseparável dele, conectado a todos como estava antes conectado a minha mãe através do cordão umbilical.

Idealmente, qualquer expansão deste ambiente não precisa causar desprendimento. Quando eu vou ao jardim de infância, eu não estou separado de nada; pelo contrário, eles me ensinam sobre uma conexão ainda maior com o novo ambiente, e no jardim de infância eu me sinto como se estivesse em casa, e em casa como se estivesse dentro da minha mãe.

O tempo passa e eu construo uma conexão com o ambiente escolar baseado em boas e amistosas relações de dar e receber que mesmo aqui eu sinto como se estivesse no seio da família, um ambiente de carinho, porque nós estamos soldados tão fortemente com amor e satisfação mútua. Quando eu finalmente entro no resto do mundo, eu continuo a trabalhar com o ambiente com base no princípio da compensação mútua de conexões necessárias, e todos nós nos sentimos como uma família.

Na verdade, a única coisa que falta para mim são esses esforços compensatórios: de minha parte para com o ambiente em expansão, e de seu lado para comigo. Do meu lado uma relação que se expande continuamente com o ambiente – do lado do ambiente para comigo.

De “Uma Nova Vida” do KabTV 7/22/14

Uma Crise Nas Conexões Familiares

Dr. Michael LaitmanEm geral, a natureza nos obriga a ter conexões estendidas a fim de formarmos ambientes estáveis ​​para a pessoa que irá nos acompanhar durante toda a sua vida, independentemente dos processos e situações que experimenta.

No entanto, apesar de entendermos as especificações originais da natureza, também vemos os nossos defeitos que tornam impossível suportar as exigências da natureza e não permitem a construção de uma vida normal, mesmo em termos meramente fisiológicos.

Tanto quanto parece, isso exige um trabalho do nosso lado, trabalho duro que não é fácil, que é inerente somente na liberdade de escolha humana. E a liberdade de pensamento, palavra e ação, que torna possível a construção de uma vida independente, é particularmente expressa na abordagem correta em relação à família. Assim, nós temos que cumprir instintivamente o que não é ativado dentro de nós através da nossa natureza.

Eu devo ser fiel à família, leal ao carinho e educação dos filhos até que eles sejam capazes de se manter e começar a estabelecer suas próprias famílias. De acordo com a tradição judaica, mesmo que uma pessoa atinja a idade adulta com a idade de treze anos e realmente se torne um adulto independente com a idade de vinte anos, mesmo isso é relativo. Até então, a natureza nos obriga a cuidar dela.

Hoje em dia é difícil para as pessoas sustentarem uma família por um longo período de tempo. Este de novo atesta a crise em que nos encontramos.

Cinquenta ou sessenta anos atrás, divórcios pareciam um grande desastre. Pessoas discutiam casos como algo surpreendente e incompreensível, como algo excepcional. Então, enquanto não havia acordo social sobre esta questão, os divórcios não eram fáceis e aceitáveis. As pessoas se divorciavam em casos muito raros. Hoje em dia é difícil até imaginar o que teria que acontecer com as pessoas para estarem prontas para esse tipo de situação.

No entanto, no último meio século, a situação mudou drasticamente. Agora, a maioria dos casais se divorcia, as pessoas se casam algumas vezes e educam os filhos de diferentes casamentos. Isto já não surpreende ninguém. As mulheres às vezes preferem ter filhos sem um marido e, geralmente, não querem se casar.

Quando eu surjo diante de uma plateia, às vezes pergunto para um público de 2000 a 3000, “Quantos solteiros estão presentes nesta sala?” Desta forma eles se tornam conscientes de que até 80% dos participantes não estão num relacionamento familiar. E trata-se de pessoas com idades entre 30 a 40 anos em média.

Depois disso, eu pergunto: “Quem está pronto para se casar?” Então, a maioria dos que respondem positivamente é homens, não mulheres, o que confirma que isso é verdade. Em algum lugar lá dentro, as mulheres não sentem a necessidade de família e filhos. Talvez o que falte seja de alguma forma uma carga para elas, mas decidir se casar e começar a criar relações familiares, sentir-se envolvidas e comprometidas, seja tão difícil para o nosso ego crescente que elas prefiram permanecer solteiras.

Elas podem cuidar de si de forma relativamente fácil. Elas podem prover a si mesmas com todas as necessidades. Especialmente em nossos dias, as mulheres muitas vezes funcionam melhor do que os homens. Além disso, elas sabem como gerir a economia doméstica. Mesmo que estejam ocupadas, elas permanecem suficientemente livres de todos os tipos de obrigações e estão abertas às oportunidades que o mundo moderno oferece.

Por outro lado, isso não é tão fácil para os homens. Eles não têm o cuidado feminino, sentem-se um pouco mais “suspensos no ar” do que as mulheres, e muitas vezes não estão preparados para cuidar de si. No entanto, eles também veem a família como um fardo, um jugo pesado. Se fosse possível, o homem moderno preferiria sua mãe à sua esposa. Família e filhos com todas as suas implicações não são para ele.

De KabTV “Uma Nova Vida” 22/07/14

Correção Da Família: A Chave Para Correção Do Mundo

Dr. Michael LaitmanNós esperamos que todos nós descubramos a necessidade da unificação total, com a regra geral, “Amarás o próximo como a ti mesmo”. Primeiro de tudo, é realmente possível descobrir e compreender este estado.

Apesar de tudo, há pessoas que entendem a razão da grande crise mundial. Ela não se desenvolveu em algum lugar. Pelo contrário, foi especificamente dentro da pessoa, no seu ego. Portanto, nós devemos nos preocupar com o nosso ego que cresceu. Esta é a verdadeira causa de todos os nossos problemas.

O primeiro deles é a incapacidade de criar uma família, a falta de uma conexão natural, mútua, que é imprescindível para a continuação da vida. Se adaptarmos as chaves para esse problema, certamente seremos capazes de corrigir todo o resto das manifestações das crises que são derivadas dessa causa essencial. A valorização da família é uma indicação desse centro onde nós resolvemos o resto das crises, adicionando cada vez mais novos círculos ao território de influência saudável.

Portanto, segue-se que o principal problema é o problema da educação de uma pessoa, uma educação que lhe oriente a criar uma conexão natural, como existia há algumas décadas atrás. Assim, todos entendem que é necessário se casar, gerar filhos e preservar a família.

No entanto, desde então, uma transição muito forte aconteceu para o estado oposto que temos hoje. Não há mais qualquer compromisso. As pessoas se divorciam facilmente, não querem ter filhos, e, em geral, não exigem relações familiares. Esta é a verdadeira crise, uma inversão polar da natureza original latente na espécie humana.

Sem dúvida, a correção do mundo deve primeiro ser concentrada e voltada para a correção da conexão familiar mútua. Sem dúvida, há uma infinidade de razões que podem ser resumidas por esse imperativo primordial que uma pessoa necessita de uma família e quer continuar a existência da espécie.

Se pudéssemos dar às pessoas o direito a educação, a capacidade de manter bons relacionamentos para manter o amor mútuo, elevando-as para manter relações sexuais limpas no nível humano, o respeito mútuo entre os membros do casal para que eles realmente se apoiem mutuamente e sejam fiéis um ao outro, então, certamente eles veriam que há mais benefícios do que danos nisso. É assim que podemos ter sucesso e estabelecer uma base para a correção de todo o mundo.

De KabTV “Uma Nova Vida” 22/07/14