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O Ponto De Escolha: Rumo Ao Criador

571.01Os estados pelos quais uma pessoa passa não são tão importantes em si mesmos. Claro, é possível dizer que são análogos a receber um golpe num momento, um doce no seguinte, depois um golpe mais forte e, novamente, um doce. Mas a “cenoura e o chicote” não formam um Kli (vaso) na pessoa. O seu fortalecimento contínuo no caminho rumo ao objetivo é exatamente o que constrói o Kli.

O Kli é a intenção. Nem os golpes, nem Malchut, nem Keter formam o Kli. A intenção que você define, quando realmente decide o que ela é, é chamada de Kli. Somente na escolha da intenção existe a liberdade de escolha.

Observe como o mundo gira e o que acontece: buscamos paz e felicidade, mas nada adianta, pois a busca é feita na direção errada, e só nos deixa mais confusos, gastamos dinheiro e nos afogamos em um mar de sangue. E assim é no mundo todo.

Observe o enorme processo de desenvolvimento pelo qual o mundo precisa passar para finalmente chegar à conclusão de que o desenvolvimento deve seguir apenas uma direção. Todas as conquistas da ciência, engenharia, tecnologia, medicina, cultura e educação são, simplesmente, um erro.

Cometemos um erro; seguimos nossos desejos egoístas e desenvolvemos todo tipo de coisa que é absolutamente desnecessária. Não importa quão magníficas, grandiosas e gratificantes todas as conquistas da civilização possam nos parecer, elas são Klipot.

Poderíamos ter vivido em paz em cavernas e, conectados ao Criador, desfrutar da vida. Que diferença faz onde você mora?

O ponto de escolha está na direção rumo ao Criador. Quando essa questão desperta em mim, devo me fortalecer para não me desviar para outra direção. É como um ponteiro girando em círculo; a cada 360 graus, parece apontar para 360 alvos, mas alinha-se com a direção do Criador apenas uma vez.

É precisamente aqui que devo “pisar fundo no acelerador”. É aqui que devo romper o círculo vicioso. Se não o fizer, todos os tipos de desejos começarão a girar dentro de mim novamente neste círculo.

Da Lição Diária de Cabalá 20/07/26, Rabash, “O Criador e Israel Foram para o Exílio”

Se Eu Não Tiver Apreço Pelo Criador

938.03Pergunta: O ser humano é regido por desejos. Como podemos fazer com que o desejo pelo Criador seja o maior desejo?

Resposta: Suponha que eu tenha que escolher o que vou beber. O médico me disse que me faz bem beber um chá medicinal. Se eu acreditar nele, beberei o chá. Além disso, a Torá diz que um médico tem permissão para curar. Talvez este chá não seja saboroso. Posso não gostar dele e não sentir nele nenhum “sabor de vida”. Mesmo assim, eu o bebo e o aprecio porque sinto a luz da minha saúde futura, pois acredito que ela virá! Em outras palavras, eu mesmo determino o que é agradável para mim e o que não é. Este chá medicinal se torna mais agradável para mim do que um chá comum, mesmo o da melhor qualidade.

A partir desse exemplo, vemos que tudo o que precisamos fazer é atribuir importância ao Criador. Somos capazes de dar importância a nós mesmos ou ao Criador. É a única coisa que podemos fazer.

Pergunta: Mas e se eu não tiver apreço pelo Criador?

Resposta: Isso não importa nada! Entre em um determinado grupo social e ouça atentamente o que as pessoas estão conversando. Desconecte-se de tudo o mais! Desligue a televisão, não assista futebol. Ouça o que está sendo dito no grupo.

É claro que isso por si só ainda não basta. Você precisa trabalhar em conjunto com o grupo e se esforçar para que a opinião dos seus amigos seja levada em consideração. Você precisa se unir a eles de tal forma que os pensamentos deles tenham peso para você.

Afinal, você ouve o que seus filhos dizem. É importante saber o que eles pensam de você. Eu sei disso por experiência própria. Por exemplo, anteontem, minha filha me disse que queria começar a ter aulas de direção. Eu respondi que não tinha dinheiro para isso. No dia seguinte, ela marcou a aula! Então, ontem, depois da aula noturna, corri para casa para poder dar o dinheiro a ela a tempo. Era muito importante para mim que ela conseguisse pagar a aula.

Eu teria feito isso por outra pessoa? Não sei. Por qualquer pessoa? Claro que não. Essa pessoa teria que ser tão importante para mim quanto minha filha. Mas para isso acontecer, eu teria que me esforçar. Não acontece por si só. Para isso, eu teria que investir nessa pessoa tanto quanto investi na minha filha nos últimos vinte anos. Por vinte anos, tenho me dedicado incansavelmente a ela. E agora vejo que tudo em que investi está dentro dela, tudo veio de mim.

Se um bebê fosse tirado de sua mãe imediatamente após o nascimento, então, apesar de tudo, no final ela se esqueceria da criança. Tudo depende de quanto foi investido.

Quanto à minha filha, ontem eu simplesmente não conseguia me acalmar. Ficava pensando que ela já tinha agendado a aula e em como seria desconfortável para ela dizer ao instrutor que não tinha o dinheiro e que pagaria depois. Por isso, era tão importante para eu conseguir o dinheiro para ela a tempo. E quando ela me agradeceu, que grande prazer senti! Posso me identificar com o meu amigo da mesma forma? Não é tão simples.

Da Lição Diária de Cabalá 05/07/26, Rabash, “O que significa ‘Tudo o que se torna holocausto é masculino’ na obra?”

Avance Para Se Tornar Semelhante Ao Criador

252O Criador, a força superior que planeja levar a criação a um bom estado, pretende elevá-la ao Seu próprio nível, ao nível mais alto e melhor, ou seja, transformar o ser criado em um Criador.

A diferença entre eles reside na consciência do próprio estado. É necessário que a pessoa se torne consciente do estado em que se encontra e que se erga de uma completa falta de consciência da espiritualidade, que nos é totalmente oculta.

O que significa dizer que está oculta? Atualmente, acreditamos que a espiritualidade provavelmente existe, mas simplesmente não a percebemos, e isso parece indicar que estamos em uma espécie de estado de inconsciência.

No entanto, ainda nem sequer nos damos conta disso, porque só se pode sentir inconsciência quando se sabe o que significa estar consciente. Ainda não temos essa consciência, mas de alguma forma começamos a pressentir que algo assim existe.

A pessoa deve revelar essa deficiência por si mesma, o que falta entre ela e o Criador. Se a revelar por si mesma, significa que construiu seu próprio Kli e compreende o que significa existir no nível do Criador, em vez de permanecer em nosso nível animado, que na espiritualidade é chamado de “abaixo da existência”. Existe o Machsom (barreira), e o que está abaixo do Machsom é considerado como se não existisse.

Portanto, a cada pessoa são dadas todas as forças (a favor e contra) e o livre-arbítrio, unicamente para avançar nessa única direção. Se você conhecesse todas as qualidades da sua alma, todas as leis da natureza que o cercam, quem você realmente é e o que é a verdadeira realidade, perceberia que é um mero robô. Não há nada que você possa determinar por si mesmo, exceto uma coisa: avançar para se tornar semelhante ao Criador.

Além disso, tudo o mais foi planejado e predeterminado com antecedência; não há escolha envolvida, nada deixado ao acaso; tudo funciona como um relógio. Mas avançar para se tornar semelhante ao Criador é precisamente onde existe o livre-arbítrio — somente aí. Se você se desviar, mesmo que ligeiramente, em direção à conexão com qualquer outra coisa, não há mais livre-arbítrio. Ele existe apenas para esse propósito.

Da Lição Diária de Cabalá 06/07/26, Rabash, “Quando se deve usar o orgulho no trabalho?”

Verifique Sua Atitude Em Relação Ao Criador

283.02Pergunta: Será que eu examino minha atitude em relação ao Criador cada vez que faço uma análise minuciosa?

Resposta: Apenas a atitude. É fácil para eu imaginar que existo. E meu desejo por espiritualidade também não é um grande problema, apesar de esse desejo constantemente se esvair e desaparecer.

Para alcançar o Criador? Eu capto algum tipo de “imagem interior do Criador” e sou guiado por essa imagem interior. Não importa que ela esteja em constante mudança.

Não sabemos como perceberemos o Criador ao final da correção, mas já consigo estabelecer, de alguma forma, dois pontos de referência sensoriais: eu e Ele. Esses dois pontos estão presentes em todos os meus estados.

O problema em qualquer estado é determinar e verificar o quanto a atitude está direcionada a mim e como fazer com que ela esteja direcionada ao Criador. Assim que eu completar a próxima verificação e análise, recebo o seguinte estado.

Da Lição Diária de Cabalá 03/07/26, Rabash, “O que significa: ‘Não há ninguém tão santo quanto o Senhor, pois não há ninguém além de Ti’, na Obra?”

O Criador Não Existe Fora De Nós

938.05Pergunta: Como uma pessoa pode pedir ajuda ao Criador e desejar apenas dar sem receber nada em troca?

Resposta: É exatamente isso que pedimos. Eu peço ao Criador que me dê a capacidade de doar. Doar ao Criador significa doar ao grupo, como está escrito: “Eu habito no meio do meu povo”. É a mesma coisa.

Não existe outro Criador. “Eu habito no meio do meu povo” significa que Ele se revela dentro do grupo. A força coletiva do grupo é chamada de “O Criador”. Doar ao grupo como um todo é doar ao Criador.

Tendemos a pensar nisso em termos comuns e terrenos, e é assim que nos parece. “O que há de tão especial nesse grupo? O que eu poderia oferecer a eles? Isso é um absurdo!” Mas se você fosse realmente capaz de se desapegar de si mesmo e doar aos outros, revelaria a realidade superior, e não este mundo. Simplesmente ainda não a alcançamos.

Poderíamos perguntar: “Muitos movimentos filosóficos também não promoveram a devoção à sociedade? Não afirmaram que a voz do povo é a voz de Deus?” Mas isso não é a mesma coisa, porque eles não usaram a luz que reforma, a força interior contida no coletivo.

Então, o que a sabedoria da Cabalá nos diz, em última análise? Que você não tem nada além de desejo. Dentro desse desejo reside uma força única chamada “o Criador”, oculta desde o princípio. Você pode despertar essa força dentro do grupo se realmente desejar avançar em sua direção, doando ao grupo. Ali, dentro do grupo, você resolve todos os seus relacionamentos — consigo mesmo, com o grupo e com o Criador. Tudo acontece dentro do grupo, na doação que você adquire fora de si mesmo.

Não há diferença entre doar ao grupo e doar ao Criador. Doar ao grupo refere-se mais a doar aos vasos (Kelim), aos desejos dos outros. Doar ao Criador significa integrar-se mais à força geral de doação que reina nesses desejos.

Precisamos nos libertar de conceitos religiosos, da crença persistente de que existe um Criador que governa em algum lugar nos céus e nos influencia de lá. Perceba como esse estereótipo ainda está profundamente enraizado em nós! Mas não existe uma força superior fora de nós! Essa força existe dentro do grupo, na conexão entre nós. Não há nada além dessa realidade que você revela. Fora da realidade, não há nada.

Ao aprofundar-se nesses conceitos, você começa a entender que esta é, na verdade, uma abordagem muito materialista.

Da Lição Diária de Cabalá de 21/03/11, sobre o Livro do Zohar,Yitro (Jetro)

“Pelas Suas Ações O Conhecemos”

235Devemos compreender qual o propósito de uma pessoa saber que teme a Deus (Rabash, “Quem precisa saber que uma pessoa resistiu à prova?”).

O que significa que uma pessoa precisa passar por uma prova? Quem a está testando e com que propósito? E por que, logo de início, uma pessoa deve dizer sobre tudo o que encontra: “Se eu não agir por mim mesmo, quem me ajudará?” Ou seja, ela deve começar a ação como se tivesse a capacidade de realizá-la por sua própria força, sem a intervenção de qualquer outra força, como se ela mesma estivesse agindo, e não o Criador ou Seu mensageiro.

Então, depois de concluir a obra, tenha ela tido sucesso ou não, mas tenha feito tudo o que pretendia fazer, ela deverá dizer: “Não há outro além Dele”.

O que significa dizer isso antes e depois da ação? Como o simples ato de proferir essas palavras pode ajudar? Aqui, estamos falando do estado espiritual de uma pessoa antes de realizar a ação e depois de concluí-la.

Sabemos que a luz constrói o Kli ­(vaso) e realiza todas as ações dentro dele. O Kli é o resultado da luz. Está inteiramente sob a influência da luz e é incapaz de tomar decisões independentes. Não lhe resta outra opção senão concordar ou discordar do que está acontecendo, de acordo com a profundidade de sua percepção do que a luz está fazendo com ele.

Sem dúvida, o Criador realiza tudo. No entanto, é preciso que a pessoa compreenda que tudo o que faz, tudo o que lhe acontece, é ação do Criador. Essa é a essência da nossa correção: curar a cegueira dos nossos sentidos, da nossa percepção.

Portanto, quando uma pessoa profere uma bênção ou oferece uma oração, isso não significa que algo acontecerá depois por causa disso. Pelo contrário, tanto a bênção quanto a oração são sentidas apenas em relação ao resultado que a pessoa já alcançou por meio da influência da luz sobre ela.

A luz influencia o Kli, e o Kli começa a sentir o que a luz está fazendo com ele. De Aviut Aleph a Aviut Dalet, ele recebe impressões das luzes de NRNHY, de acordo com a ordem de Nefesh, Ruach, Neshama, Haya e Yechida.

Isso continua até que a pessoa alcance a plena compreensão da intenção do Criador para com ela e entenda tudo o que o Criador deseja realizar. Assim, o Kli realmente atinge um estado em que compartilha da mesma ação e da mesma consciência que o Criador. Então, surge nele uma oração genuína ou uma gratidão genuína.

O que isso significa? Significa que a pessoa realmente alcançou um estado em que compreende o que o Criador está fazendo com ela, como está escrito: “Pelas Suas ações O conhecemos”. Ela então sabe precisamente quais ações ocorreram sobre ela, quem as realizou, com que propósito e o que elas concretizaram dentro dela. Na medida em que sua estrutura espiritual permite, ela completou sua obra: examinou e sentiu a influência do Criador.

Como resultado de sentir e compreender plenamente a ação do Criador sobre si, ela se torna semelhante ao Criador nessa mesma ação e a aceita completamente. Isso significa que ela justifica a ação e se iguala a ela, ou seja, torna-se semelhante ao Criador por meio de Suas ações. E por meio dessa consciência, a correção vem. Assim, ela completa essa etapa.

Então o Criador age sobre ela mais uma vez, e novamente ela deve dizer: “Se eu não for por mim, quem será por mim?” Isso significa que ela deve examinar pessoalmente tudo e levar adiante. Dessa forma, ela chega a conhecer a ação do Criador sobre si. Então, depois de alcançar um estado em que compreendeu tudo, ela diz: “Não há outro além Dele”.

Ela realmente vê e sabe que somente o Criador age. Agora, tendo compreendido completamente cada uma de Suas ações, isto é, tendo alcançado o estado em que sente, dentro dessa ação, que o Criador é “Bom e faz o bem”, ela mesma adquire a intenção de ser boa e de fazer o bem.

É isso que significa: “Pelas Suas ações O conhecemos”. Através das ações que revelam o que o Criador faz, a pessoa chega a conhecê-Lo com os próprios sentidos. Com base nesse conhecimento, ela transforma seus próprios sentimentos para que se tornem semelhantes aos do Criador. Isso se chama adesão, equivalência de qualidades e intenções. O fato de, ao final de sua obra, a pessoa dar graças significa que completou aquele passo, examinou-o, corrigiu-se, tornou-se semelhante ao Criador e está pronta para a próxima ação.

Portanto, tudo começa com: “Se eu não for por mim, quem será por mim?” Este é todo o trabalho dos “espiões”, o trabalho de exame e escrutínio. Uma pessoa lamenta, concorda, luta e continua buscando até compreender a essência da ação do Criador. Quando finalmente a aceita como boa, justifica-a, coloca-se em equivalência com ela e, por fim, torna-se como a própria ação.

Da Lição Diária de Cabalá 17/07/26, Rabash, “Quem Precisa Saber que uma Pessoa Resistiu à Prova?”

Desconexão Com O Criador

232.05Pergunta: A desconexão da divindade também vem do Criador?

Resposta: Sim, qualquer estado vem do Criador, mas a desconexão da divindade é recebida como castigo. Como uma pessoa deve reagir a tal estado? Uma pessoa deve abençoar o bem assim como abençoa o mal, e o mal assim como abençoa o bem.

A desconexão da capacidade de progredir, da capacidade de atingir a equivalência de forma com o Criador, é verdadeiramente o único castigo que existe na realidade espiritual.

Para nós, isso se expressa até mesmo no nível corpóreo por meio de maiores dificuldades, experiências mais negativas, doenças e guerras; afeta nossos corpos físicos. Todo bem vem do Criador, e todo mal vem de Seus “Achoraim” (costas), da ocultação. O problema não está na ocultação em si, mas em como uma pessoa deve aceitá-la e se relacionar com ela.

Punição é punição, e não há como fugir disso. Contudo, na medida em que uma pessoa sente a ocultação, nessa mesma medida ela discorda dela. É possível corrigir a ocultação através da qualidade de Hassadim, na medida em que a pessoa se desapega de suas sensações pessoais, se eleva acima delas, atinge o estado de Hafetz Chesed e, assim, realiza a correção.

No entanto, qualquer degrau inferior à correção final é, em última análise, uma punição.

Da Lição Diária de Cabalá 03/07/26, Rabash, “O que significa: ‘Não há Ninguém tão Santo quanto o Senhor, pois não há outro além de Ti’, na Obra?”

Toda A Torá São Os Nomes Do Criador

256Pergunta: Por que Rabash usa palavras que nos são familiares em seus artigos?

Resposta: Rabash não pode usar outras palavras desconhecidas. Não é culpa dele que você esteja confuso. Toda a Torá consiste nos nomes do Criador. A luz reveste o Kli (vaso), e o Kli recebe percepções dela a respeito do que Ele faz e quais propriedades Ele possui.

Por exemplo, o que significa: “Assim como Ele é misericordioso, você também deve ser misericordioso”? À medida que aprimoro minha misericórdia, sinto que Ele também é misericordioso. Isso significa que alcancei o conhecimento, a revelação do santo nome “Misericordioso”.

Assim, toda a Torá são os nomes do Criador. As luzes me revestem e me dão uma noção de quem é o Criador, porque o Criador é a totalidade da luz, enquanto eu recebo essa totalidade de luz em porções, de acordo com a medida da minha correção. Como resultado, uma vez que recebi toda a Torá, eu sinto o Criador. Na totalidade de todas as luzes, eu O sinto plenamente. Esta é a essência dos mandamentos, da Torá e do Criador. E aquele que os revela é chamado Israel.

A única coisa que se diz é: “Toda a Torá são os nomes do Criador”. Em outras palavras, é apenas sobre isso que está escrito em todos os livros sagrados. Livros sagrados são aqueles escritos além do Machsom, que significa “sagrado”, e se refere à separação deste mundo.

Se você lê a Torá como um romance que narra os acontecimentos entre homens, mulheres e crianças, quem foi aonde, quem matou quem e o que lhes foi feito por isso, esse é o seu problema. Devemos ler a Torá como os nomes do Criador.

Hoje me perguntaram na internet: “Mas diz que toda semana você tem que ler um capítulo do Pentateuco com o comentário de Rashi: leia o capítulo duas vezes e o comentário uma vez.” Aliás, existem muitos outros comentários mais aprofundados, e você pode incluí-los. Todos foram escritos por grandes Cabalistas.

Então, o que devo fazer, ler ou não ler? Respondi que existe uma proibição estrita na Torá: “Não fará para si imagem esculpida”. Ou seja, não imagina algo material em vez de espiritual. Se estiver imaginando um romance histórico enquanto lê um capítulo semanal, não o leia.

Esta é a proibição mais rigorosa da Torá, pois torna impossível alcançar a espiritualidade. E não se preocupe. Ao violá-la, você não está fazendo nada de errado, nem prejudicando o Criador ou o mundo. Contudo, ao mesmo tempo, você permanece o “animal” que é hoje. Portanto, devemos tratar a Torá como os verdadeiros nomes do Criador, e então ela o conduzirá à meta.

Moisés escreveu a Torá neste idioma porque não encontrou outro. Em todas as outras línguas — Hagada, Midrash, Halacha, Cabalá — é muito mais difícil expressar todos os pontos e detalhes que ele queria descrever. Isso é quase impossível em outros idiomas. Por isso ele escolheu este idioma, o idioma em que todas as histórias são escritas.

Comentário: Existe uma contradição aqui. Afinal, ainda cumprimos os mandamentos e fazemos tudo o que é necessário.

Minha Resposta: Você está na Terra em um corpo terreno, portanto, cumpre os mandamentos: usa Tefilin, Talit, faz uma bênção, come comida kosher, etc. Se você não estivesse no corpo, não teria a oportunidade de realizar essas ações. Mas essas não são as ações pelas quais você alcança os nomes sagrados. Você alcança os nomes sagrados corrigindo o desejo, colocando uma tela sobre ele e recebendo luz nele. A luz que se revela no desejo corrigido é chamada de nome sagrado.

Da Lição Diária de Cabalá 02/07/26, Rabash, “O que significa que a Torá foi dada a partir da escuridão na Obra?”

Que Isso Não Seja Trivial Aos Seus Olhos

232.09O que significa “que isso não seja insignificante aos seus olhos”? Significa que é muito difícil chegar a um estado em que uma pessoa se considere inferior aos outros. Ela pensa que merece mais do que os demais e que precisa de condições especiais, pois só assim será capaz de trabalhar.

Ele pensa que o Criador deve se relacionar com ela de forma diferente; caso contrário, ela não conseguirá sair do lugar. Quando olha para outras pessoas, pensa que talvez elas consigam trabalhar sem essas exigências, mas ela não.

Sempre que ela impõe condições preliminares, quer admita isso para si mesma ou não, ela demonstra orgulho. Mas se ela exige que só então poderá realizar algum trabalho, isso significa que ela tem orgulho, e enquanto não se livrar dessa exigência, não conseguirá progredir.

O “orgulho” é um estado que a pessoa geralmente não quer admitir e não consegue definir claramente. Parece-lhe que está tudo bem, que é igual a todos os outros.

Mas se o seu trabalho depende de precondições, sem as quais ela não pode entregar todo o seu coração, literalmente a sua alma, e se dedicar a avançar em direção ao objetivo, se ela estabelece condições que o Criador supostamente deve primeiro cumprir, então ela pode esperar muito tempo, e até que anule todas essas condições, não será capaz de avançar.

Contudo, raramente uma pessoa admite isso para si mesma. É um estado interior peculiar em que, sem se dar conta, ela se senta e espera por algo, para só depois planejar começar a trabalhar. Nesse estado, ela não tem nenhuma conexão com o Criador. Esse estado é chamado de “orgulho”, e o Criador também veste uma máscara de orgulho e não quer ter nenhuma conexão com uma pessoa que impõe condições.

Não é por acaso que está escrito que se deve relacionar com o trabalho “como um boi com o fardo e um jumento com a carga”, sem precondições e independentemente do estado em que o Criador colocou a pessoa. Assim que ela, após ter determinado seu estado, concorda em aceitar o trabalho sem pensar e sem fazer cálculos adicionais, isso significa que ela se desfez do seu orgulho. Mesmo que esteja no pior estado possível, o Criador está presente, está conectado com ela e a auxilia.

Só é possível eliminar o orgulho e sair do estado em que se criam as condições preliminares para o progresso quando se conhece a grandeza do Criador.

Quando uma pessoa deseja sentir a Sua grandeza e remover o seu orgulho — como deve acontecer, visto que não há outra força que a obrigue a fazê-lo — ela diz ao Criador: “Revela-Te a mim, e eu poderei livrar-me do meu orgulho e não imporei condições na obra”. Se ela pedir sinceramente, o Criador a ajudará e Se revelará a ela.

Da Lição Diária de Cabalá de 15/07/26, Rabash, Artigo 24, 1989 “O que significa ‘Não despreze a bênção de um leigo’ na obra?”

Revele A Atitude Do Criador

276.02Pergunta: Como se dá a revelação da face do Criador como benevolente em Seu governo? Afinal, tudo o que se conquista é conquistado pela fé acima da razão, como se não desejássemos revelá-Lo diretamente.

Resposta: Se uma pessoa se concentra em revelar a atitude do Criador para com ela, e não apenas para com ela, então, de acordo com a intensidade de seu anseio e desejo, ela evoca a resposta do Criador.

Assim, ela se volta ao Criador com uma pergunta a fim de conhecer a atitude do Criador para com ela, e recebe uma resposta.

Da Lição Diária de Cabalá 02/12/25, Baal HaSulam “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”