Textos na Categoria 'Crise'

Uma Aventura Na Montanha Das Reflexões

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando nos elevamos acima de nós mesmos, acima da nossa essência egoísta, essa ascensão interior altera a conexão com a natureza externa?

Resposta: Esta subida faz com que seja possível conectar verdadeiramente com toda a natureza.

Quando está no cume do Monte Everest, a pessoa se vê como um grande e forte conquistador que alcançou seu objetivo. Um desejo egoísta de controle foi satisfeito. Agora ela vai ter alguma coisa para falar e lembrar. E agora? Nada. Agora ela começa a descida.

A ascensão espiritual é completamente diferente. Aqui, monte ou montanha (Har – הר) significa dúvidas (Hirhurim – הרהורים). Estou cheio de dúvidas e debato se ascendo ou não, se supero ou não. Este é um processo completo. Para sermos capazes de nos mover através dele, nós recebemos a sabedoria da Cabalá. É um guia que irá nos ajudar.

É importante entender que eu subo acima do nosso mundo, acima do universo, acima de tudo. Então, eu olho para a Terra e vejo tudo isso, toda a natureza, todos os mecanismos e inter-relações dentro dela que não podem ser desconectados. Na lua e no sol, nas estrelas, em nossa galáxia, e em todos os lugares, eu vejo fios de conexão e começo a sentir verdadeira plenitude. Mas eu não controlo nada disso. Eu me identifico com tudo, e me conecto ao sistema.

Por isso, é impossível comparar esta aventura com qualquer coisa. Afinal de contas, nós atingimos uma totalidade não encontrada em nenhuma dos cumes sobre a face da Terra ou profundezas dos oceanos.

Pergunta: Será que um alpinista, quando sobe uma montanha, não supera a si mesmo e olha para o mundo de uma altura acima do mundo inteiro? A ideia aqui é que ele não conquista o cume apenas fisicamente. Como exatamente essa superação difere da superação espiritual?

Resposta: Cada atleta deve superar a si mesmo quando salta uma nova altura, corre para a linha de chegada, levanta peso. Mesmo na vida comum, eu devo superar várias dificuldades e continuar a cada momento. Este é um estado natural para nós.

Mas, na espiritualidade, a superação não é dirigida contra a natureza, mas com ela, acrescentando em todos os momentos equilíbrio, unidade e conexão entre eu e toda a natureza. Então, enquanto eu avanço nessa direção, eu nunca entro em apuros, não fico enterrado sob uma avalanche, ou me afogo num rio turbulento.

Pelo contrário, eu descubro que a natureza é cada vez mais preciosa para mim, porque eu a abordo e me conecto com todos os seus níveis inanimado, vegetal, animal e falante. Especificamente, a questão principal aqui é o nível humano (falante), onde eu devo chegar ao estado de “amar o próximo como a mim mesmo”.

Portanto, dessa maneira eu chego a novas formas de conexão e não tenho mais nada a temer. Nenhum desastre vai acontecer comigo, eu nunca vou causar danos para mim mesmo, para os outros ou para a humanidade como um todo. Este é o caminho para o equilíbrio e harmonia, apesar do heroísmo de cada um que supera os picos das montanhas e desce às profundezas dos oceanos. A superação deles é, basicamente, uma aspiração ao controle, que é a característica do Faraó.

Pergunta: De que maneira os desastres são evitados?

Resposta: Devido ao equilíbrio. Os seres humanos são o maior elo na natureza. Por isso, se eles criam equilíbrio, toda a natureza está em equilíbrio. Pelo contrário, se uma pessoa cria desequilíbrio, a falta de equilíbrio que ela cria na natureza, em última instância prejudica a própria pessoa mais do que qualquer outra coisa.

Pergunta: Como exatamente uma pessoa cria equilíbrio?

Resposta: Através do desejo de que toda a sociedade humana esteja em equilíbrio. Aqui a participação, a conexão, igualdade e interesse mútuo são obrigatórios. É quando o mundo inteiro se torna uma família amorosa. Sem dúvida, o equilíbrio entre as pessoas vai levar à atitude certa em relação a toda a natureza.

Então, vamos atingir seu poder abrangente, a fórmula para a harmonia que a penetra, a lei universal de toda a natureza. Nós atingimos “não há outro além Dele” e que “Ele é o bom e beneficente”. Nós nos identificamos com esta energia global de todo o sistema e a alcançamos em sua totalidade. Este é o objetivo do nosso desenvolvimento.

Nós temos que chegar a isso nos próximos anos, com a ajuda da sabedoria da Cabalá. Eu tenho certeza de que isso vai acontecer em breve, e espero que da melhor maneira.

De KabTV “Uma Nova Vida” 21/10/14

Conquistadores De Cumes Espirituais

Pergunta: Israelenses gostam de aventura. Muitos deles viajam para os confins da terra para caminhar ao longo de trilhas “extremas”. Eles amam o chamado da natureza, seja um rafting arrepiante ou mesmo longas caminhadas no Circuito Annapurna, não as trilhas turísticas mais perigosas, que, de repente, tornam-se uma tragédia, como relatado recentemente no noticiário.

Em geral as pessoas tentam subjugar a natureza, para alcançar seus cumes figurativamente e, literalmente, o que pode até mesmo custar-lhes suas vidas. De onde vem esse desejo?

Resposta: Existem realmente aqueles que são muito atraídos para os desafios da natureza. Por exemplo, alguém realmente acha que deve atravessar o oceano em uma jangada frágil ou navegar ao redor do mundo.

A consciência e a conquista da natureza dá a uma pessoa uma sensação de satisfação interior. Apesar dos obstáculos difíceis no caminho, a natureza não nos esgota mentalmente, mas, pelo contrário, preenche, renova, cura, e nos revive. Afinal de contas, nós somos fisicamente seus filhos, e só no nosso desenvolvimento em um nível humano afastamo-nos dela e queremos estar acima dela.

Em relação às viagens e aventuras, suponho que nenhuma nação pode comparar-se com os israelenses no número de turistas indo em expedições extremas, em “escapadas da civilização” ou na penetração atemporal em lugares onde se pode testar a si mesmo através da natureza. Você pode encontrar os israelenses em todos os confins da terra, e, às vezes, é difícil para as pessoas acreditarem que a nossa população [de Israel] totaliza apenas seis milhões. [Leia mais →]

Como Alguém Vende A Felicidade?

laitman_228Pergunta: Quando eu olho para minha família e meu ambiente imediato, eu me pergunto: “Será que a depressão é resultado de uma falta de vontade de comprar coisas novas ou é criada a partir da falta de dinheiro”?

Pode ser que se houvesse mais dinheiro, a felicidade voltaria, e seria possível continuar a realizar compras. No entanto, eu notei outra coisa: o tédio.

Resposta: O mundo não tem o conteúdo que uma pessoa está buscando agora. No passado, nós nos contentávamos em ver um filme interessante, nos divertir e ter convidados. Nós vivíamos de uma maneira mais natural e pensávamos que isso passaria.

No entanto, a situação mudou. Por um lado, os fabricantes não levam em conta a mudança nas pessoas. Assim, nos desfiles de moda, os designers inventam roupas que estão longe da realidade. Esta é uma arte única através da qual eles querem transmitir os seus pontos de vista sobre a individualidade de uma pessoa. Seus exemplos são apropriados apenas para pessoas que pesam 40 quilos e medem 1,85 m.

Por outro lado, os desejos estão mudando fundamentalmente e mudaram para uma nova qualidade. Em vez de dinheiro, respeito, controle, educação e até mesmo conhecimento, uma pessoa agora quer saber para que ela está vivendo. Ela aparentemente para na meia-idade e começa a refletir sobre as coisas.

Este desejo vem de dentro; não é porque de repente nos tornamos mais inteligentes ou filosóficos. A natureza nos muda de acordo com o seu programa e pensamento, e não somos os mestres disso.

Nós temos que ver esta tendência, mas não temos qualquer possibilidade de mudar, parar ou diminuir a velocidade de alguma forma. Nós temos que concordar que este processo não só continuará, mas também se expandirá. Vamos senti-lo mais profundamente e vai ser difícil para nós resistir a ele.

Se entendermos isso desde o início e reagirmos de forma consciente, os meios de comunicação e publicidade vão gradualmente mudar na direção de uma maior flexibilidade. Então, eles irão junto com a natureza. Na situação oposta, eles são como dois trens, cada um indo na direção oposta.

Nós vemos que o mundo está voltando a uma forma natural e contraindo-se ao seu consumo natural. Isso se expressa mais claramente no setor financeiro. O dinheiro de papel está perdendo o seu valor. Tudo está retornando à igualdade natural.

Em outras palavras, muito em breve o nível de nosso consumo irá corresponder exatamente à quantidade de ouro que temos. Depois, vai ser muito importante entender qual será a nova forma de produção e consumo.

Nós fomos educados pelas propagandas que as coisas supostamente nos deixam bonitos, respeitados e bem-sucedidos. Isso significa que elas estavam nos vendendo prazer. Então, que prazeres podem ser vendidos agora para o novo desejo? É o prazer da conexão e união! Vistam-nas com entretenimento ou criatividade e a pessoa vai senti-las como a fonte de seu prazer.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/10/14

A Nova Barbárie

Dr. Michael LaitmanQuem pensaria que as atrocidades e o antissemitismo que estamos testemunhando hoje pudessem ocorrer no século XXI e levar a humanidade a um estado tão miserável em que parece estar afundando novamente num abismo escuro? É como se o nosso ego estivesse caindo e nossa mente estivesse totalmente perdida, anulando toda a experiência da humanidade e de toda a sua existência por gerações.

A selvageria está levantando sua cabeça novamente. Parecia que houve uma época em que aprendemos alguma coisa depois de tantos séculos e erros! Mas não, a barbárie é novamente revelada e, além disso, está num nível totalmente diferente e desconsidera qualquer outra coisa. Isso está ocorrendo em conjunto com um desenvolvimento sem precedentes de armas que podem destruir toda a humanidade. Será que vamos ser capazes de alcançar a ordem, utilizando-as agora?

Por que é assim? O iluminismo passou e todo mundo viu o caminho para a felicidade futura. Mas hoje nós descemos muito mais baixo no nível de nossos valores e expectativas.

Em cem a cento e cinquenta anos de estudo, a ciência, arte e cultura em geral foram valorizadas e respeitadas. As pessoas com seus sessenta anos ainda se lembram das obras-primas da poesia e da literatura, e das noites de discussões e debates. Se uma pessoa não estava interessada nisso, ela era considerada ignorante. Ela tinha vergonha de admitir que não lia ou participava destas atividades.

Objetivo do jovem era absorver todas as pérolas da humanidade e suas realizações culturais. A ciência pode não ter atraído todos, mas havia uma aceitação geral da demanda por cultura, que apelava a todos.

Além disso, se supunha que a absorção da cultura seria de tal forma que faria de você algo e o educaria para que as pessoas vissem que você era inteligente. Enquanto na década de 1930 isso era vergonhoso, era respeitado na década de 1960.

Ao mesmo tempo, era vergonhoso mostrar que você era forte fisicamente. Pelo contrário, se uma pessoa fosse magra e fraca, mas parecia intelectual, ela era um modelo para os outros. Meninas a admiravam e não outros tipos.

Quando eu era estudante, autores como Vazenski e Yavtushenko ainda eram jovens e novos. A literatura estava em ascensão, e poetas como Akodjeba e Wisotzky nasciam diante de nossos olhos.

Eu também fazia parte de um pequeno grupo em Leningrado e participava de clubes literários, artísticos e musicais. Olhando com esperança para o futuro brilhante da humanidade, não poderíamos imaginar que essa barbárie voltaria e que as pessoas iriam se matar sem sequer contar as vítimas.

Em suma, há pouco tempo tudo era exatamente o oposto, mas as décadas seguintes trouxeram desequilíbrios terríveis. Meio século se passou e tudo mudou totalmente, de uma forma que ninguém jamais poderia ter imaginado.

Vemos que as leis da natureza são fixas. Elas são reveladas a nós alternadamente, exibindo as mesmas imagens para que possamos aprender com todas essas transformações e ver o que é importante: que devemos entender essas leis e usá-las corretamente. Não podemos simplesmente fluir com a corrente, mas devemos aplicar essas leis e não esperar por um futuro melhor e mais brilhante. Nós devemos construí-lo com todos começando consigo mesmos.

De KabTV “Babilônia Ontem e Hoje” 24/09/14

Será Que O Mundo Precisa De Um Novo Einstein?

Dr. Michael LaitmanNós não podemos nos desenvolver individualmente, quer como países individuais ou como uniões de diversos países contra outras uniões. Diante dos nossos olhos, os americanos perdem país após país, e os europeus descem do pedestal de grandeza, tradição, riqueza e cultura.

A Rússia, com seus muitos recursos naturais, se sustenta exclusivamente pelo negócio de armas e petróleo. A China acorda um pouco e cai novamente. O Japão tem estado estagnado por décadas depois de um boom que viveu há vinte anos.

Assim são todos os países. Alguns estão passando por isso hoje, outros passaram por isso ontem, e os outros vão sentir isso amanhã. Não há nenhuma dúvida sobre isso. Além disso, se no início o ritmo das mudanças havia se estendido por dezenas e até centenas de anos, hoje, cada passo leva muito menos tempo e tem uma nova qualidade.

Isso se aplica a todas as pessoas, tanto adultos como crianças. Os jovens não querem se casar, formar uma família e ter filhos. Os adultos não sabem como lidar com isso, porque nada é bem sucedido, mesmo que eles queiram alguma coisa. Devido à inércia, todo mundo continua a jogar o mesmo jogo, mas eu sinto que é apenas um desperdício de tempo. O banco está vazio; não há sentido no jogo.

Anteriormente, filósofos e políticos nos guiavam, como aconteceu por centenas de anos. Havia muitas pessoas assim. Elas eram respeitadas e ouvidas, incluindo a mídia. Hoje, ninguém se levanta e nem tenta se elevar a este Olimpo. Nós gostaríamos de ver um visionário, erudito ou governante, como Churchill, Roosevelt ou Einstein. No entanto, eles não existem e isso é sentido em demasia! A humanidade se sente como uma criança que foi esquecida.

As formas anteriores de percepção eram baseadas no fato de que o ser humano levou o mundo à ordem, estabeleceu a sociedade, e supostamente governou. No entanto, não foi ele quem fez isso, mas sim a natureza, que revelou o desenvolvimento evolutivo nele. Agora, a natureza mostra ao ser humano que ele próprio deve procurar o componente central do desenvolvimento: Para que nós existimos? Sem esse componente, não saberemos como organizar nossas vidas.

Nós recebemos sentimentos e mente da natureza para que possamos receber instruções dela, processá-los e adicionar a eles. Obviamente, se encontrarmos a meta correta, vamos ter tanta energia e conhecimento suficientes para viver e desenvolver, que novamente teremos realização, aspiração, contentamento e a necessidade da vida. Tal como no passado, uma pessoa vivia pelo que ardia dentro dela: dinheiro, poder, honra, conhecimento, sexo e família. Portanto, agora este objetivo deve puxá-la, substituindo todos os espaços vazios. Sem isso, vamos simplesmente ser uma “casa de repouso”.

Quando nos dermos conta de que vivemos dentro da esfera da natureza que nos afeta, veremos que nos tornamos uma sociedade integral onde todos dependem uns dos outros. Isso é claro para muitas pessoas, mas elas não sabem o que fazer com isso. Tudo o que tocamos se transforma em mal para nós.

O fato é que, num mundo global, qualquer ação incompatível com o sistema geral – a pessoa, a humanidade, a natureza – traz prejuízos. Portanto, nós primeiro precisamos aprender a operar, gerir, ou pelo menos existir confortavelmente, com segurança, para nós e para os outros. Assim que chegarmos a isso, vamos sentir uma resposta positiva desde a primeira ação.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/10/14

A Natureza Não É Um Recurso Para O Ego

Laitman_720Pergunta: Vamos falar sobre viagens à natureza, incluindo ir para o estrangeiro para preservar a natureza e todos os tipos de cantos remotos. A pessoa urbana moderna, pelo menos de alguma forma, tenta se conectar com a natureza e receber prazer com isso. Como você se relaciona com isso?

Resposta: Eu viajo muito ao redor do mundo e sempre tento manter alguns momentos para estar na natureza. Meu professor (o Rabash) e eu gostávamos de sair da cidade todos os dias para conversar enquanto caminhávamos pelos bosques e campos. No caminho para Jerusalém, longe das estradas e das pessoas, fazíamos isso em lugares muito bonitos.

Quando eu vou para a natureza, vejo que há um mundo de complementaridade recíproca de todas as suas partes. Eu vejo que tudo nela está em equilíbrio, exceto os seres humanos. Embora existam espécies de animais que se devorem, mesmo que um exista em detrimento do outro, tudo isso é por necessidade e não por maldade. A forma geral de existência e desenvolvimento é assim.

Quando eu estou na natureza, sinto o poder da natureza. Ela não nos eleva; pelo contrário, nos controla. Nós seres humanos não percebemos isso. A natureza inanimada, vegetal e animal é o “envelope” de nossa existência: por um lado, nós nos afastamos dela, mas, por outro lado, devemos abordá-la por entender que é tudo um sistema geral que deve ser unificado.

Na verdade, o ego, a inclinação ao mal, se desenvolve dentro de nós. É especificamente isso que nos separa do mundo animal. Como resultado, nós nos elevamos acima dele através da força má de subjugação. Nós nos tornamos distantes da natureza e queremos controlá-la para explorá-la a qualquer preço. Pior do que isso, nós valorizamos o dano que causamos à natureza através de nossas atividades; não estamos preocupados com isso, mas só com o nosso futuro pessoal. Isso não é de forma alguma a contabilidade exigida de nós.

Isso ocorre porque o nosso papel é o de manter a harmonia da natureza, que é inerente nela desde o início. Mas nós caímos disso porque o desejo egoísta cresceu em nós, o qual atraiu todos os tipos de conflitos e nos obriga a travar uma luta incessante entre nós.

E esta é também a forma como nos relacionamos com a natureza: “O que pode ser roubado dela, que possível prazer pode ser obtido com ela?” Não importa o que aconteça depois disso. A principal coisa é obter o que necessitamos neste exato segundo. Mesmo que no momento seguinte o dano proveniente seja manifestado, não prestamos atenção a isso.

Portanto, segue-se que o crescimento da inclinação ao mal evoca uma atitude destrutiva nos seres humanos que é prejudicial para nós e todas as outras partes da natureza. Como resultado, os seres humanos devem tomar consciência de seu mal e entender que a nossa abordagem egoísta está prejudicando todo o sistema. A principal conclusão é que a pessoa cresce dentro da inclinação ao mal para corrigi-la, para corrigir sua relação com a natureza inanimada, vegetal e animal; e para complementar todo o sistema, ela deve transformá-lo num sistema integral único, unificado, maravilhoso e harmonioso.

Por outro lado, se juntamente com o desenvolvimento da mente e dos sentimentos, a pessoa usa seus recursos de forma incorreta, em última análise ela certamente vai tropeçar em desastres naturais.

Isto é o que continuará a acontecer conosco, contanto que não vejamos que o nosso ego tem crescido a uma escala tal que já não seja possível controlá-lo. Nós derrubamos as “rédeas” da gestão do mundo de nossas mãos, perdendo o controle em todas as áreas: família, trabalho e relação com a natureza em geral…

E já que nos tornamos um fator global ruim para a natureza, e uma vez que somos um único sistema, em reação, a natureza começou a revelar uma atitude apropriada em relação a nós.

Esta é a situação hoje.

De KabTV “Uma Nova Vida” 21/10/14

Todos Juntos No Ponto Do Big Bang

laitman_933Pergunta: Qual é a conexão entre as relações entre as pessoas e as relações entre os vírus?

Resposta: Toda a natureza é como uma sopa, onde todos nós estamos cozinhando juntos, independentemente deles serem corpos grandes ou vírus minúsculos. Tudo o que acontece na sopa é transmitido a tudo que se encontra dentro dela: às pedras, às plantas, aos animais e às pessoas.

Este é o sistema global integral. Um mundo global significa que há um número infinito de conexões mútuas; todo mundo está conectado a tudo o resto. Eles dizem que você se comunica com toda a humanidade através de cinco pessoas que você conhece. Mas os fios que os conectam em toda forma possível, estendendo-se de um para outro, não são apenas entre as pessoas, mas entre todos os componentes da natureza em geral.

O universo inteiro surgiu do ponto do “Big Bang”, de uma fonte, e começou a se expandir e se desenvolver. E todos nós temos permanecido conectados uns com os outros desde então. São como teias de aranha onde não há um único átomo ou partícula elementar que não esteja conectado com toda a criação.

Nós temos que levar isso em conta e informar a geração mais jovem, proporcionando-lhes especificamente essa visão do mundo. Caso contrário, não podemos esperar uma boa vida para eles nesta era da globalização.

Pergunta: O que cada pessoa precisa entender para ser capaz de passar por esse período com sucesso?

Resposta: É necessário entender que eu estou vivendo num sistema no qual estou conectado com todo mundo e todo mundo está conectado a mim com essas conexões estreitas, como barras de ferro, que o meu menor movimento provoca mudanças em todo o sistema em todos os níveis. Uma pessoa não entende isso e acha que está isolada de todos os outros. Mas isso é impossível.

Tudo veio de uma fonte superior de onde o universo veio a existir, a partir do ponto do Big Bang. Depois disso, ele se espalhou, atingindo todos os níveis. Nós temos que levar isso em conta e entender que é como se estivéssemos no próprio ponto do Big Bang.

De KabTV “Uma Nova Vida” 19/10/14

Tabela Periódica Da Natureza

Laitman_709Pergunta: Desde os anos 30 do século passado, o mundo se tornou uma grande aldeia. Será que a partir desse momento nós deveríamos nos relacionar com a humanidade como uma família, com um único governo, um “Ministério da Saúde” mundial?

Resposta: Isso deveria ter sido feito antes mesmo dessa época, a partir dos anos 20! A Primeira Guerra Mundial foi uma reação ao nosso desrespeito pelo regime geral que conecta todos juntos.

Não importa que existam regiões na América do Sul, África e Ásia, onde se vive como se fosse mil anos atrás. Numa família há tanto adultos como crianças, menos desenvolvidos e mais desenvolvidos de acordo com a idade. Mas a nossa atitude em relação a todos deve ser igual.

Essa unidade deveria ter sido alcançada pela humanidade no início do século XX, mas não foi. Assim, ela recebeu a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais e a atual epidemia de Ebola.

Pergunta: E se nos relacionássemos com o mundo inteiro como uma única família, o vírus não se espalharia? Como isso está conectado, e como funciona o sistema de relações entre pessoas, países e nações? Como o vírus Ebola sabe quando precisa se ​​espalhar e quando não?

Resposta: Uma epidemia viral é o resultado de um desequilíbrio. Nós violamos o equilíbrio no sistema, e em cada um de seus níveis surge algum tipo de desvio em relação ao equilíbrio que devemos reconciliar à força. Para reconciliar à força a falta de equilíbrio e restaurar o sistema para um estado de equilíbrio, a epidemia de Ebola surgiu.

O nível humano está acima de todo o sistema, sendo esta a relação entre as pessoas individuais, nações e países. E seu maior estrato é determinado pelo equilíbrio entre o povo de Israel.

Israel se encontra na parte mais alta da pirâmide humana no sentido em que está no interior dela e requer equilíbrio em primeiro lugar; particularmente no Estado de Israel o equilíbrio é necessário. Assim, a remoção do desequilíbrio e, consequentemente, da praga do Ebola é principalmente dependente do povo de Israel.

Pergunta: O que não está claro é qual a relação entre o nível superior, onde nos comunicamos uns com os outros como uma família ou como estranhos, e algum lugar abaixo como ele está infestado de vírus?

Resposta: Bem, este é um sistema unificado que inclui no seu interior todos os níveis inanimado, vegetal, animal e falante. Toda a natureza é um único sistema, fora do qual não há nada.

A Natureza inclui vários níveis da matéria, começando no nível inanimado, onde os átomos se conectam uns com os outros e formam os elementos químicos: carbono, oxigênio, cobre, prata, ouro e afins. Depois vem o nível vegetal com a miríade de diferentes plantas, depois o nível animal, e, depois, o nível humano.

O nível humano não se refere a um mamífero bípede, mas sim à inteligência, o conhecimento, a evolução e a consciência do ser humano, que lhe permite ver que ele pertence inteiramente a um único sistema. O homem começa determinando que ele se encontra dentro de um sistema único e unificado da natureza, que ele depende de tudo e tudo depende dele.

Ele vê que ele percebe um nível superior e através de seu comportamento e relacionamento com as pessoas ele determina tudo o que acontece a todo o resto dos níveis da natureza.

Quando sobe e desce, o ser humano eleva e abaixa toda a natureza inanimada, vegetal e animal junto com ele.

De KabTV “Uma Nova Vida” 19/10/14

A Transição Para Uma Única Família

Dr. LaitmanNós estamos passando por um período único. Se no passado a nossa natureza estava próxima do nível animal e a vida obrigava a pessoa a estabelecer uma família, uma vez que era muito difícil para ela prover a si mesma com as necessidades sem a família, nos dias de hoje, com a ajuda de vários meios e conquistas tecnológicas, nós somos completamente capazes de permanecer solteiros. Se coabitamos, não é sob os termos do casamento, e não como uma família completa.

E nesta época, eu ainda recomendo casar, constituir família e organizar a vida de acordo com o que a natureza exige de nós. Às vezes eles me olham com desconfiança, como se eu estivesse pedindo algo opressivo e indesejável.

Hoje parece ilógico empurrar uma pessoa ao casamento. Afinal de contas, com isso você lhe dá um fardo pesado e debilitante, algo que ela não pode suportar.

Pelo contrário, é tão fácil viver sozinho cercado por aparelhos domésticos eletrônicos que fazem o trabalho que no passado exigia grande força. A pessoa liga um aspirador de pó que se move, coloca suas roupas na máquina de lavar, vai ao supermercado, compra comida preparada, coloca-a na geladeira ou diretamente num forno de microondas, coloca a roupa no secador, e sequer tira o ferro de passar; ela não precisa disso.

A vida diária é agora muito mais fácil do que no passado, mas isso não ajuda a instituição da família. Parece que seria um grande alívio quando todos os tipos de dispositivos fazem a maior parte do trabalho em casa para você, onde você não precisa lavar as fraldas do bebê ou cozinhar mingau para ele… tudo é tão fácil e simples, mas, apesar de tudo isso, tão complicado.

Nós estamos diante de um problema sério aqui, e se quisermos ver um bom futuro para a humanidade e avançar num bom caminho, parece que devemos, antes de tudo, cuidar das próprias pessoas. Elas devem passar por um treinamento básico geral e compreender o que é ser um ser humano, estar conectado a outras pessoas.

Afinal, no passado a nossa conexão com a família, com pais e filhos, com o ambiente de trabalho e a comunidade era mais fácil. As pessoas dirigiam e voavam menos, não mudavam seus empregadores e profissões com tanta frequência. A vida era gasta em “cantos” separados, num lugar pequeno. Era mais estática, relaxada e estável. Em contraste com isso, hoje em dia, com o aumento do ritmo e das muitas mudanças na vida, nós sentimos que a família é muito pesada para nós.

Portanto, primeiro é necessário dar à pessoa a educação correta, mudá-la internamente, de modo que ela vai ver o que está realmente acontecendo. E mesmo que a vida tenha mudado, nós nos desprendemos da natureza que nos encorajou a viver como tribos, famílias, aldeias, cidades, países, o mundo inteiro é como um lugar para que todos possam viver e, apesar de tudo isso, depende de nós compensarmos o que perdemos. Nós já tivemos um sistema de relações naturais com a família e os amigos, com a cidade, com a nação, e agora nós temos que complementar a deficiência.

Sem isso a pessoa permanece negligenciada, abandonada; ela parece estar perdida no meio da multidão. Ela pode fugir de seus pais e quase nunca se comunicar com eles; pode estar em conexão com os amigos principalmente através da Internet. Nosso ambiente tornou-se geralmente virtual. Na internet eu encontro um amigo temporário para mim e muitas vezes me satisfaço com isso.

Em geral, esta é uma fase temporária, uma fase de passagem, que continuará até que a pessoa descubra a diferença entre ela e seu ambiente que ela deve construir por si mesma…

Eu começo a vida no ventre de minha mãe, a continuo em seus braços, depois vou para o jardim de infância, a escola, e todos esses estágios adicionam um “envelope” ambiental em mim onde preciso me desenvolver a tal ponto que vou sentir que sou parte inseparável dele, conectado a todos como estava antes conectado a minha mãe através do cordão umbilical.

Idealmente, qualquer expansão deste ambiente não precisa causar desprendimento. Quando eu vou ao jardim de infância, eu não estou separado de nada; pelo contrário, eles me ensinam sobre uma conexão ainda maior com o novo ambiente, e no jardim de infância eu me sinto como se estivesse em casa, e em casa como se estivesse dentro da minha mãe.

O tempo passa e eu construo uma conexão com o ambiente escolar baseado em boas e amistosas relações de dar e receber que mesmo aqui eu sinto como se estivesse no seio da família, um ambiente de carinho, porque nós estamos soldados tão fortemente com amor e satisfação mútua. Quando eu finalmente entro no resto do mundo, eu continuo a trabalhar com o ambiente com base no princípio da compensação mútua de conexões necessárias, e todos nós nos sentimos como uma família.

Na verdade, a única coisa que falta para mim são esses esforços compensatórios: de minha parte para com o ambiente em expansão, e de seu lado para comigo. Do meu lado uma relação que se expande continuamente com o ambiente – do lado do ambiente para comigo.

De “Uma Nova Vida” do KabTV 7/22/14

Uma Crise Nas Conexões Familiares

Dr. Michael LaitmanEm geral, a natureza nos obriga a ter conexões estendidas a fim de formarmos ambientes estáveis ​​para a pessoa que irá nos acompanhar durante toda a sua vida, independentemente dos processos e situações que experimenta.

No entanto, apesar de entendermos as especificações originais da natureza, também vemos os nossos defeitos que tornam impossível suportar as exigências da natureza e não permitem a construção de uma vida normal, mesmo em termos meramente fisiológicos.

Tanto quanto parece, isso exige um trabalho do nosso lado, trabalho duro que não é fácil, que é inerente somente na liberdade de escolha humana. E a liberdade de pensamento, palavra e ação, que torna possível a construção de uma vida independente, é particularmente expressa na abordagem correta em relação à família. Assim, nós temos que cumprir instintivamente o que não é ativado dentro de nós através da nossa natureza.

Eu devo ser fiel à família, leal ao carinho e educação dos filhos até que eles sejam capazes de se manter e começar a estabelecer suas próprias famílias. De acordo com a tradição judaica, mesmo que uma pessoa atinja a idade adulta com a idade de treze anos e realmente se torne um adulto independente com a idade de vinte anos, mesmo isso é relativo. Até então, a natureza nos obriga a cuidar dela.

Hoje em dia é difícil para as pessoas sustentarem uma família por um longo período de tempo. Este de novo atesta a crise em que nos encontramos.

Cinquenta ou sessenta anos atrás, divórcios pareciam um grande desastre. Pessoas discutiam casos como algo surpreendente e incompreensível, como algo excepcional. Então, enquanto não havia acordo social sobre esta questão, os divórcios não eram fáceis e aceitáveis. As pessoas se divorciavam em casos muito raros. Hoje em dia é difícil até imaginar o que teria que acontecer com as pessoas para estarem prontas para esse tipo de situação.

No entanto, no último meio século, a situação mudou drasticamente. Agora, a maioria dos casais se divorcia, as pessoas se casam algumas vezes e educam os filhos de diferentes casamentos. Isto já não surpreende ninguém. As mulheres às vezes preferem ter filhos sem um marido e, geralmente, não querem se casar.

Quando eu surjo diante de uma plateia, às vezes pergunto para um público de 2000 a 3000, “Quantos solteiros estão presentes nesta sala?” Desta forma eles se tornam conscientes de que até 80% dos participantes não estão num relacionamento familiar. E trata-se de pessoas com idades entre 30 a 40 anos em média.

Depois disso, eu pergunto: “Quem está pronto para se casar?” Então, a maioria dos que respondem positivamente é homens, não mulheres, o que confirma que isso é verdade. Em algum lugar lá dentro, as mulheres não sentem a necessidade de família e filhos. Talvez o que falte seja de alguma forma uma carga para elas, mas decidir se casar e começar a criar relações familiares, sentir-se envolvidas e comprometidas, seja tão difícil para o nosso ego crescente que elas prefiram permanecer solteiras.

Elas podem cuidar de si de forma relativamente fácil. Elas podem prover a si mesmas com todas as necessidades. Especialmente em nossos dias, as mulheres muitas vezes funcionam melhor do que os homens. Além disso, elas sabem como gerir a economia doméstica. Mesmo que estejam ocupadas, elas permanecem suficientemente livres de todos os tipos de obrigações e estão abertas às oportunidades que o mundo moderno oferece.

Por outro lado, isso não é tão fácil para os homens. Eles não têm o cuidado feminino, sentem-se um pouco mais “suspensos no ar” do que as mulheres, e muitas vezes não estão preparados para cuidar de si. No entanto, eles também veem a família como um fardo, um jugo pesado. Se fosse possível, o homem moderno preferiria sua mãe à sua esposa. Família e filhos com todas as suas implicações não são para ele.

De KabTV “Uma Nova Vida” 22/07/14