Textos na Categoria 'Crianças'

As Pessoas Da Tela

Dr. Michael LaitmanOpinião (Radah Granovskaya, PhD, Professor do Centro Russo de Emergência e Medicina Radioativa): “Hoje, os jovens percebem mais rapidamente maiores quantidades de material novo. Eles não leem livros e a velocidade com que as mudanças ocorrem em torno deles é 50 vezes maior hoje e com diferentes formas de processamento da informação.

“As crianças veem o mundo de forma diferente. Sua percepção não é consecutiva ou sequencial e não sob a forma de texto. Elas veem uma imagem inteira, percebem a informação de acordo com o princípio de um ‘clipe’ e só precisam do quadro geral.

“A psicologia do clipe também trabalha na escola e os livros didáticos não são mais livros realmente. Os estudantes leem apenas uma pequena parte de um texto e uma semana depois outra parte. Assim, eles leem diversas pequenas partes de diferentes livros didáticos. Isso significa que a escola realmente lhes oferece clipes.

“Há, é claro, crianças que ainda pensam de forma consecutiva, sequencial e que precisam de várias formas de informação. É não é por acaso que as pessoas que ainda pertencem a essse pensamento da velha escola são chamadas de pessoas do livro, enquanto as pessoas que pertencem à nova forma de pensamento são chamadas de pessoas da tela.

“Cinquenta anos atrás, uma máquina era feita de 500 partes e se exigia um verdadeiro especialista para encontrar as peças específicas e necessárias para repará-la. Hoje as coisas são feitas em grupos de componentes e um componente inteiro é substituído quando necessário. Portanto, não há necessidade das antigas habilidades de antigamente. É por isso que o nível de nossas habilidades e conhecimentos caiu. Pessoas com uma orientação de clipe não conseguem analisar e esclarecer coisas de uma maneira profunda, lógica e não podem resolver problemas graves.

“Muito poucos profissionais ricos educam seus filhos em música clássica, vários esportes, deixando assim o computador fora. Isso significa que eles os criam de acordo com os princípios antigos que moldam seu pensamento num pensamento consecutivo, sequencial e não num pensamento de clipe. Na verdade, é uma comunicação direta e ao vivo que fornece algo que é insubstituível.

“Meu conselho para os professores universitários é o de não recomendar livros para seus alunos, mas sim atribuir apenas um capítulo de um livro e, melhor ainda, certo parágrafo. Os vendedores em livrarias têm notado que as pessoas raramente compram livros grossos que têm mais de 300 páginas e que nem sequer os examinam. Elas preferem se envolver em outras formas de entretenimento que não a leitura.

“O pensamento de clipe é o resultado inevitável da sociedade moderna e da direção na qual a civilização está se desenvolvendo, mas aqueles que seguem o caminho do pensamento de clipe nunca vão se tornar a elite. É assim que ocorre a estratificação social. Portanto, aqueles que permitem que seus filhos se sentem na frente da tela do computador por horas não os preparam para um futuro promissor”.

Meu Comentário: Em geral, o nosso futuro está em penetrar a natureza do sistema operacional, sobre o qual a sabedoria da Cabalá nos fala. O sistema educativo está mais próximo da abordagem tradicional, levando a pessoa mais fundo no mundo do escrutínio interno, acima de sua natureza, mantendo-a longe do pensamento em clipe. Um Cabalista tem que adquirir essa forma de pensamento, de modo que vai ser capaz de resumir esse sistema de uma maneira curta e concisa. É desta forma que o público vai ouvir como implementar a sabedoria da Cabalá, a fim de descobrir o sistema em seu nível.

O Último Mito…

Laitman_022Nas Notícias (de 9tv.co.il): “Entre os voluntários que estão prontos para ir para a Jihad na Síria, há dois grupos que são proeminentes (atingindo 40%), que não foram previamente vistos no pano de fundo; meninas e convertidos (aqueles que mudam sua religião). O que os leva a ir para lá é uma percepção distorcida da humanidade.

“A instabilidade nos casamentos modernos, que essas meninas têm testemunhado, simboliza que a ‘eterna’ aliança com o guerreiro pela fé, reúne dentro dela anseios de um relacionamento romântico que não pode ser destruído e o amor que obtém aprovação religiosa. Isso lhes possibilita se livrar das relações de amizade pouco saudáveis ​​entre meninos e meninas no monótono mundo do Ocidente, que é desprovido de violência em grande escala.

“A situação militar, o mito da pureza islâmica que o ISIS (Estado Islâmico) possui, a imagem heroica de homens, e o honrado papel da mãe, todo esse mundo, isso é muito diferente de seu precioso canto onde a violência se tornou entretenimento e se torna um verdadeiro ímã para elas; pelo menos por um tempo”.

Meu Comentário: As mesmas pessoas que também estavam entusiasmadas com Rússia, Cuba e outros países, e depois morreram, mesmo sem envelhecer. As revoluções devoram os corpos dos jovens. O jovem não entende que uma revolução deve ocorrer na alma e não na violência para com os outros, não na violência entre os corpos, mas através de esforços para se elevar acima de nós mesmos, acima do mundo. Enquanto não entenderem isso, eles vão fluir para os campos de batalha que são desprovidos de qualquer sentido. Em última análise, sua energia será direcionada contra os judeus, é claro, porque a outra revolução de verdade tem sido escondida pelos judeus de si mesmos, e deles.

A Separação De Meninos E Meninas Na Escola

Dr. Michael LaitmanNas Notícias (rg.ru): “A separação de meninos e meninas na escola leva a um maior sucesso acadêmico do que quando eles estudam em turmas mistas.

“Os alunos não se sentem envergonhados e não se distraem com o outro sexo, o que significa que podem se concentrar melhor em seus estudos. …

“Mesmo sabendo a resposta, as meninas vão ficar em silêncio e esperar até que alguém responda. Nas aulas gerais, os meninos levantam suas mãos primeiro para responder perguntas do professor.

“Nas aulas das meninas: todas sabiam a resposta, mas não diziam nada, porque estavam com medo de cometer um erro. O professor sentia como se estivesse numa sala de aula vazia. Mas se as alunas forem elogiadas, da próxima vez elas vão responder ativamente. Uma menina deve ser elogiada, mesmo se ela estiver errada, ou então da próxima vez ela voltará a ficar novamente em silêncio. Curiosamente, um menino não entende essa abordagem, e vai perder muito tempo pensando sobre por que ele era conhecido por dar a resposta incorreta

“As meninas são calmas e nunca gritam. …. Em turmas mistas, os professores gritam mais do que nas salas de aula do mesmo sexo. Numa sala de aula do mesmo sexo, houve menos problemas disciplinares nas aulas dos meninos e eles responderam com mais calma aos comentários do professor. Em turmas mistas, os meninos tendem a argumentar mais com o professor, a fim de se mostrar na frente das meninas.

“A grande vantagem das classes do mesmo sexo é que as crianças não estão distraídas e, assim, aprendem melhor o material. Com salas de aula do mesmo sexo em escolas comuns, existem muito poucos inconvenientes”.

Meu Comentário: Eu acho que as crianças devem estudar em salas de aula do mesmo sexo. Além disso, eu acredito que professores do sexo masculino devem ensinar os meninos e professoras devem ensinar as meninas. Essa é a forma como tem sido ao longo da história e eu afirmo que devemos voltar a isso. Na minha opinião, a humanidade vai voltar a isso depois de aprender com todos os estudos, experiências e erros.

Família: Uma Massa De Concessões Mútuas

Laitman_095Pergunta: Se nós quisermos falar com o público em geral sobre o tema da família, por onde é preferível começar a conversa na aula introdutória?

Resposta: É preferível começar a conversa com uma explicação sobre a natureza dos homens e a natureza das mulheres, pois isso proporciona certo fundamento. Mas vale a pena abrir a explicação sobre a sua natureza à distância. Este é um assunto muito sério.

Primeiro de tudo, é preciso explicar que uma família não é construída no amor, mas no respeito mútuo, no complemento mútuo, na amizade e ajuda mútua, no anseio de compreender o outro, e a principal e mais importante coisa na qual a família é construída é a concessão mútua.

A verdadeira conexão entre um homem e uma mulher é construída na concessão mútua. De forma alguma nós vamos corrigir o parceiro; nós não tentamos falar sobre seus defeitos; pelo contrário, nós o aceitamos como ele é, e tentamos nos tornar alguém que o complementa.

Uma pessoa é uma entidade egoísta direcionada ao benefício pessoal dentro de si mesma. Quando alguém está ao lado dela e ela não pode explorá-lo em todos os momentos para o seu próprio benefício, é como se ela acumulasse cargas elétricas e, assim, centelhas começassem a “voar” entre eles, pois o outro é também um egoísta.

Será que nós podemos existir juntos em paz numa situação como esta? Por um período particular, quando o amor nos deslumbra, nós estamos cheios de felicidade e prontos para qualquer coisa. No entanto, quando isso passa e o véu do amor cai de nossos olhos, eu percebo que estou vivendo ao lado de um egoísta como eu, embora pensasse que tudo seria para mim e para o meu bem, e que as coisas seriam boas e agradáveis com a minha outra metade. No entanto, de repente, tudo é o oposto. Por isso, é necessário organizar tudo de maneira diferente, e não sob a influência da insanidade do amor que nos entorpece, mas com a sanidade do conhecimento.

Como nós podemos coexistir pacificamente? Então, gradualmente, nós levamos as pessoas a começar a discutir a relação complicada entre elas de forma neutra, discutindo apenas como fisiologia.

Elas não devem olhar para uma família em particular, mas geralmente esclarecer o que é uma família, o que é um ser humano, e isso as levará para longe de si mesmas, as levará para fora, uma vez que se houver um problema como este com todas, elas estão falando de um problema geral. Elas reduzem a tensão interna entre si e vão para a filosofia, onde falam de maneira geral e descobrem a natureza de um homem e uma mulher.

Elas são semelhantes em alguns aspectos e diferentes em outros. Elas são semelhantes na medida em que ambas são egoístas, e elas são diferentes em que o ego é expresso de um modo diferente em cada uma delas de acordo com cada um dos seus sistemas hormonais e psicológicos.

Depois disso, nós podemos ir ao próximo problema, o problema do casamento. O casamento é uma aliança; é uma aliança complementar: eu preciso dela e ela precisa de mim.

Quando nós entendermos isso, será claro para nós que a essência da nossa natureza é a recepção: eu sempre quero receber do parceiro. É assim que começamos a ensinar às pessoas os fundamentos da sabedoria da Cabalá.

Não há nenhuma provocação aqui! Eu quero roupas limpas, que o jantar esteja pronto, uma habitação arrumada. E o meu parceiro quer ver um homem na casa, um marido e um pai com tudo o que está envolvido nisso. É possível satisfazer as exigências do parceiro? Será que queremos fazer isso?

Visto que em geral nós dois estamos trabalhando, temos filhos, obrigações particulares depois do trabalho (banco, fazer compras, etc.), será que é objetivamente possível exigir do nosso parceiro o cumprimento de todas as nossas demandas?

Se nós vemos a lista de exigências mútuas, entendemos que, de fato, nunca nos conhecíamos. Eu não entendia o que ela queria de mim; afinal de contas, isso não é da minha natureza. Ela nunca me disse nada; em vez disso, esperava que eu achasse isso por mim mesmo.

É assim que mostramos às pessoas que o problema numa família é que somos egoístas: cada um de nós se senta e aguarda que o outro o satisfaço, mesmo quando ele não diz nada sobre isso. Assim, ele está constantemente ferido com antecipação de quando seu parceiro vai finalmente entende-lo.

Esta forma está completamente errada. Não vamos começar a nos aproximar de acordo com a lista de exigências: eu concedo – ela concede; eu faço algo por ela – ela faz algo por mim. Mesmo que vejamos as listas de cada um, não podemos nos prender a elas.

Vamos fazer isso de forma mais simples: nós começamos a conceder e a agradar um ao outro, nos transformamos em amigos que se ajudam mutuamente. Eu penso no que fazer por ela, ela pensa no que fazer por mim; nós começamos a jogar um jogo chamado “o método das concessões mútuas”. Este é um jogo, mas nós entramos nele. Cada um pensa em como dar ao parceiro o que ele agora gostaria de obter de mim.

Se nós nos comunicamos num formato como esse, começamos a educar e a internalizar dentro de nós esse hábito de conexão mútua, e, como resultado disso, algo chamado “amor mútuo” é criado entre nós. Este não é o mesmo amor onde nos beijamos à luz das estrelas, mas o amor que aparece numa base de concessões mútuas. Nós o construímos em nós mesmos e, depois, criamos algo compartilhado, não “ele” e “ela”, mas uma coisa chamada “família” ou “casal”.

A questão principal aqui é mostrar ao parceiro que mesmo que eu esteja fervendo de raiva e discordância com ele, eu faço um esforço para me voltar a ele calmamente, como se nada tivesse acontecido.

As concessões são realizadas subindo-se sobre o meu ego. Eu não escondo isso de forma a ensinar o outro, a dar-lhe um exemplo. E se um dos parceiros não está pronto para subir sobre si mesmo, o outro deve ajudá-lo.

A pessoa deve se transformar em alguém que inclui dentro de si pelo menos duas imagens. Uma imagem é que no presente momento eu estou odiando a minha outra metade. No entanto, por outro lado, apesar disso, eu me identifico com ela de forma correta, boa, suave, e, assim, ela vê que eu estou subindo sobre mim mesmo.

Nós temos que jogar com isso. Não temos outra opção para salvar a família. O ego tem crescido. Se não agora, então em mais alguns anos as pessoas não serão capazes de viver uma com a outra. Elas devem entrar nesta imagem e experimentá-la de modo que uma impressão disso vai permanecer nelas.

Depois disso nós lhes damos a lição de casa: até amanhã não digam uma palavra ruim ao outro, mas sim sorriam e obtenham prazer com a subida interior e a luta consigo mesmo.

Depois de tudo, todos obtêm prazer, primeiro por subjugar a si mesmos; e, segundo, com isso eles se conectam com outras pessoas, que lhes dão prazer adicional que eles não experimentaram antes. Em outras palavras, eles têm um componente espiritual aqui.

A família é uma massa que é criada seguindo as concessões mútuas, e como resultado, elas produzem uma conexão que é chamada de “amor”. O amor é criado somente quando entendemos como depende de nós completar um ao outro e tentar fazer isso.

O que significa “E amarás o teu amigo como a ti mesmo”? Eu tomo seus desejos e tento satisfazê-los. Ela toma os meus desejos e tenta me satisfazer.

Mas nós não falar com eles sobre isso; em vez disso, nós simplesmente os trazemos às concessões mútuas, às ações de acordo com a sabedoria da Cabalá no âmbito da família.

Aos poucos, a nossa antiga natureza desaparece em algum lugar lá dentro e sobre ela é construída uma camada de um novo relacionamento mútuo, que se torna a nossa realização comum, a posse, um tesouro da família. Depois disso, a partir dele o amor nasce. Isso é chamado de amor verdadeiro: “E amarás o teu amigo como a ti mesmo”.

De uma Palestra sobre a “Família” 28/05/14

Não Cave Um Buraco Para Outra Pessoa

laitman_202_0Numa fase particular do seu desenvolvimento, a humanidade finalmente tem a oportunidade de entender a sua natureza egoísta e má. Se olharmos de perto, parece que não há nada de bom em nós. Nós realizamos obras ainda mais sublimes e generosas com o único objetivo de explorar os outros.

Isso também acontece em relação aos nossos filhos amados; nós fazemos tudo só para o nosso próprio benefício e prazer. Uma pessoa é uma grande egoísta, de tal modo que age apenas numa direção: para si mesma. Ela não é capaz de realizar qualquer outra ação. A questão é: por que a natureza nos criou assim?

Em primeiro lugar, cabe a nós estarmos cientes de nosso lugar no enorme mecanismo da criação. Nós estamos nele como crianças que não entendem o que estão fazendo na Terra, a qual é muito pequena em relação às dimensões do universo infinito. Esta Terra é como nossa sala infantil, onde quebramos tudo como crianças desobedientes cujos pais as abandonaram.

De repente, nos lembramos que fora desta sala ainda há uma grande casa e, ao que parece, os pais são aqueles que nos criaram. A natureza não é um ambiente cego e selvagem, porque não pode ser que este mundo surgiu por si só e ao acaso. Parece que existem leis que devemos estudar e sentir, mudando-nos de alguma forma.

O tempo chegou para que deixemos de correr como criancinhas, lutando entre nós o tempo todo. Venham, vamos ao menos parar por um momento e deixar de brigar como inquilinos que vivem no mesmo apartamento. Em vez disso, devemos ver as coisas com uma visão mais ampla, olhando em volta e ver o que está acontecendo. Talvez nós tenhamos sucesso em encontrar mais significado em nossas vidas do que o que fazemos agora.

Afinal de contas, nós estamos sofrendo com os conflitos entre nós e não vemos nada de bom nesta vida. Esta questão ocupa a humanidade cada vez mais e requer uma reflexão. Talvez tenha chegado a hora de abandonar a arrogância e o ódio que não são benéficos para ninguém.

Esta é uma característica típica do nosso tempo. Se anteriormente alguém pensava que poderia alcançar tudo através da força e dominar o mundo inteiro como Gengis Kan, Júlio César, Alexandre da Macedônia, o Faraó ou Nabucodonosor, no nosso tempo não há mais grandes ditadores, nem Hitler nem Stalin.

O homem de hoje vê que não há nada eterno no mundo e que tudo acabou muito rapidamente. Portanto, não há razão para desperdiçar a vida que nos é dada apenas uma vez. A pessoa, inconscientemente, chega a conclusões como essas e entra em desespero.

No entanto, lá no fundo desse desespero, há uma pérola maravilhosa que pode ser tomada; ela é chamada de mês de Elul. É quando nós finalmente começamos a entender que tudo o que está acontecendo é para nos ensinar alguma coisa. Depois de tal descoberta já começamos com um novo desenvolvimento e não permanecemos dentro dos conflitos mútuos que atraem nações inteiras. Em vez disso, subimos para outro nível de existência, um nível sublime.

O mês de Elul é projetado para um pensamento decisivo e renovado sobre as nossas vidas. Nós devemos sentir nosso estado atual como intolerável e entender que não pode ser de outra forma com a nossa natureza egoísta. Cabe a nós ver-nos na estrutura desta enorme e abrangente natureza, que é pura e exaltada, completamente perfeita e infinita, e depois vamos ficar chocados com o nosso estado.

Como é possível que um ser humano com uma emoção e uma inteligência tão desenvolvida, que o coloca acima de toda a criação, se encontra no estado mais baixo, vil e desprezível de todos, prejudicial a si mesmo e ao resto da natureza? Nenhuma outra criatura é tão prejudicial!

Todo o resto não age de acordo com a sua inteligência, mas obedece instintos que estão sempre voltados às melhores situações possíveis. Portanto, um animal não erra. O menor gatinho não vai cair de uma altura porque ele se protege instintivamente, ao passo que uma criança pequena pode cair porque não se sente o perigo.

O que resulta disso é que, juntamente com a nossa emoção e inteligência desenvolvidas, nós também temos liberdade de escolha e a possibilidade de utilizar o nosso maior potencial para nos desenvolvermos correta ou incorretamente. Este é todo o problema.

A natureza inanimada, as plantas e os animais não têm a liberdade de escolha que possibilite a utilização de emoções e inteligência de forma diferente. Com eles, tudo é simplesmente dirigido para o maior benefício pessoal, aqui e agora. Com os seres humanos, não há nada como isso.

Portanto, o ser humano, ao contrário de um cão ou gato, pode prejudicar a si mesmo. Basicamente, isso é o que acontece. Nós possuímos mais inteligência do que o resto das criaturas, e ainda a usamos para o nosso prejuízo e nem sequer conseguimos entender isso. Parece que queremos utilizar essa inteligência para nosso próprio bem e em detrimento de outros. No entanto, em última análise, conclui-se que estamos cavando um poço para nós mesmos.

De KabTV “Uma Nova Vida” 14/09/14

Nas Garras Impiedosas Do Tempo

laitman_561Pergunta: Na idade adulta, a pessoa começa a perceber que seu tempo é limitado. Ela olha para trás e analisa o quanto conseguiu fazer com a sua vida e se ainda há tempo para mudar algo.

De acordo com estudos sociológicos, as pessoas deixam de se preocupar com o seu futuro a partir dos 65 anos de idade e dedicam seus pensamentos às memórias da vida que viveram.

Isto é devido ao medo do futuro, do desconhecido, da incerteza da morte e da nossa existência temporária. Qual é a sua perspectiva em relação à questão da nossa vida limitada e como devemos nos relacionar corretamente com o tempo?

Resposta: O tempo é um conceito muito concreto para nós. Nós não o sentimos tão acentuadamente durante a nossa infância, mas conforme a pessoa cresce e se torna adulta, o tempo se torna cada vez mais importante para ela.

Conforme a criança cresce, ela começa gradualmente a entender o que o tempo significa, como resultado de sua conexão com o ambiente. Crianças pequenas e bebês realmente não sentem o tempo, mas o ambiente as pressiona e coloca em estruturas de tempo: elas têm que se levantar na hora certa, comer na hora certa, ir à escola na hora certa, voltar para casa e ir dormir. A criança não quer estas estruturas, mas não tendo escolha, ela é forçada a aceitá-las de forma gradual. Assim, nós constantemente nos acostumamos a estar sob o domínio de tempo.

Depois nós começamos a estudar e trabalhar e isso nos persegue ainda mais em estruturas de tempo. Nós começamos uma família e assumimos responsabilidades ainda maiores sobre nós mesmos. Por fim, o tempo se torna um fardo pesado para nós que realmente nos escraviza.

Isso continua até que nos aposentamos; enquanto nos sentimos presos ao tempo por muitas obrigações diferentes, o tempo é o nosso grande policial, que constantemente exige a nossa obediência e submissão, e devemos obedecê-lo. Há sempre a opção de nos culpar a partir da perspectiva do tempo: “Onde você esteve por tanto tempo e o que você tem feito? Quando você vai voltar?”, etc.

Mesmo quando criança, uma pessoa sente que o tempo é limitado. Uma criança não quer sentir que está em estruturas de tempo, mas é constantemente obrigada a estar nelas, e a se adaptar a elas. Para uma criança é um problema e ela tenta lutar contra o tempo. Ela quer brincar e não quer estar nas garras do tempo limitada de um ponto no tempo para outro.

Quando ela cresce e se torna um adulto, ela começa a perceber que é inútil lutar contra o tempo e que ela só pode decidir como preenchê-lo. Então ela começa a correr junto com o tempo, tentando dar o seu melhor no tempo que lhe foi dado. Assim, ela valoriza suas conquistas, e de acordo com este critério, se compara aos outros: como ela é bem-sucedida em sua idade em comparação com seus pares.

Nós estamos numa competição constante. O tempo nos aprisiona em sua rede e é um fardo pesado sobre os nossos ombros, tornando-nos, assim, seus escravos.

Mas, depois dos 50 anos de idade, a pessoa começa a desaparecer gradualmente. Ela não tem grandes planos como antes. Seus planos se tornam gradualmente mais modestos; ela percebe que deve haver um equilíbrio e que não deve exigir muito da vida.

Ela sente cada vez mais suas limitações; não pode lutar contra o tempo e suas opções para preencher o tempo se tornam bastante limitadas. Por isso, ela prefere passar mais tempo com sua família e seus filhos, descansar e viajar.

O conceito de tempo se torna importante agora da perspectiva de quão agradável e confortável ela se sente em qualquer ponto do tempo. Ela começa a viver o presente e não mais no futuro, como fazia antes.

Portanto, as pessoas mais velhas se tornam mais como crianças, pois as crianças também vivem o agora.

De KabTV “Uma Nova Vida” 22/04/14

Um Oasis Familiar

Laitman_095Pergunta: Você diz que os membros da família devem sempre fazer concessões. Como isso pode ser implementado?

Resposta: Você deve entender uma coisa: eu não posso dar a ninguém qualquer conselho. Há apenas a expressão correta da condição segundo a qual uma família pode prosperar e isso ocorre somente se o casal faz concessões mútuas constantemente.

Todos entendem que se isso fosse possível, tudo estaria bem. Mas como você pode se manter nesta corrente? Só se nós estivermos rodeados por um ambiente adequado com a atitude social correta constantemente apoiando um ao outro como o calor da lareira da família.

Se nós estivermos constantemente apoiados em exemplos positivos na TV, na Internet, e em conversas com as pessoas, nós também vamos começar a ver relações semelhantes entre os casais na rua e em outros locais públicos, e, depois, vamos sentir a necessidade interior de ser equivalentes e semelhantes à sociedade.

Mas, se em vez disso, vemos imagens de grosseria e falta de respeito, isso não vai levar a nada de bom. Às vezes, em busca de materiais que me interessem, eu mudo para os canais russos na TV e assisto comédias. Eu não as suporto, uma vez que se destinam a humilhar, insultar e oprimir alguém e enfatizar a desigualdade entre as pessoas e os atributos negativos de homens e mulheres. É um mau humor que se destina a degradar a família.

Eu vejo como milhares de pessoas se sentam e riem sem compreender as ideias sobre a família que elas absorvem através disso. A pessoa pensa que está simplesmente se divertindo rindo, mas não sabe que, inconscientemente, recebe uma péssima lição sobre a vida familiar. Ela vê que isso é aceitável e que é possível se comportar dessa forma e que todo mundo age assim, e ela faz o mesmo.

Afinal, nós nascemos vazios e como um computador somos constantemente preenchidos por todos os tipos de programas, de acordo com os quais operamos. Portanto, nós devemos pensar em como podemos criar o ambiente certo para que as pessoas entendam qual é a vida familiar correta. Caso contrário, a taxa de divórcio vai aumentar e nós vemos para onde isso tudo está indo.

Pergunta: Será que isso significa que temos que criar um oásis que nos dará estabilidade no atual fluxo de informações que nos destrói?

Resposta: Claro. Afinal de contas, existem cursos de dieta, de psicologia e outros cursos de apoio onde você entra em um grupo e o grupo orienta você a se comportar de certa maneira. Você vê como os outros fazem e você segue o seu exemplo.

É o mesmo aqui. Mas eu estou em dúvida se um grupo irá ajudar aqui, já que as relações na família mudam de um momento para o outro, a cada segundo, e estamos constantemente submersos nisso. Por isso, precisamos de um ambiente mais amplo, que opere continuamente.

Da Conversa sobre o Assunto “Família” 28/05/14

Um Porão Para O Filho Amado

Dr. Michael LaitmanO que é necessário para se descobrir o bem? Por que alguém que nasce com grande abundância não a aprecia? Você diz aos filhos: “Veja o quanto vocês têm! Quanto eu tenho dado a vocês! Quando eu era criança, não tinha isso”. No entanto, eles rejeitam você e não querem ouvir isso.

Eles não podem apreciar a sua bondade, uma vez que não têm nada com que compará-la. Então, eles não entendem que tipo de gratidão você precisa deles. Eles querem ir ao cinema, podem ir; eles querem um computador, ganham; um novo telefone celular para sair de férias, o que quiserem. Eles têm tudo, e, portanto, também não têm nenhum desejo por nada.

Você lhes diz que quando tinha sua idade, você construía um carro para si mesmo de uma caixa de sapatos e brincava com este carro por dois anos, e eles riem de você. Eles estão certos, porque tudo é medido de acordo com o desejo.

Eles se sentem num determinado nível de saciedade e não se moverão dele em nenhuma direção. Em primeiro lugar a pessoa deve descer para o “menos infinito” para ser capaz de sentir o “mais infinito” posteriormente.

Sobre isso foi dito em “Levítico” 26:26: Quando eu lhes cortar o suprimento de pão, dez mulheres assarão o pão num único forno e repartirão o pão a peso. Vocês comerão, mas não ficarão satisfeitos, ou seja, que nada no mundo muda, exceto a nossa consciência. Mesmo agora, você se encontra em Olam Ein Sof (o Mundo do Infinito), mas, em vez disso, você sente este mundo, porque não tem os Kelim para perceber Ein Sof.

De um lado, há um saco de moedas de ouro, e, do outro lado, há uma montanha de diamantes. Na frente de você está uma mesa posta com várias iguarias, ainda que você esteja morrendo de fome e sofra com o mau cheiro.

Tudo depende do seu Kli de percepção. Você está em Olam Ein Sof, que nunca muda. Tudo depende apenas do desejo, e o desejo é construído acima de um abismo que é constantemente revelado num grau maior.

Por isso, é difícil para os nossos filhos sentirem uma razão para viver, especificamente, porque eles têm tudo. Baal HaSulam conta uma parábola sobre um rei que colocou seu filho num porão por 20 anos e causou-lhe angústia mental mostrando-lhe como todos os outros eram bem sucedidos. Os outros estão sentados num bar ou assistindo a Copa do Mundo, enquanto você está sentado num porão escuro cheio de ratos, amaldiçoando o seu pai.

Isto continuou até que o filho descobriu que seu pai estava agindo com bondade em seu coração e grande amor. Seu pai estava sofrendo porque tinha dado tristeza a seu filho. Enquanto que, se você dá aos seus filhos tudo o que eles querem pela bondade de seu coração, isso significa que você os odeia.

Pergunta: Segue-se que eu devo machucar intencionalmente uma criança, a fim de educá-la?

Resposta: Você a limita porque quer que as coisas sejam boas para ela, e você está disposto a sofrer por fazer isso. Você faz isso por amor a ela, para que ela se beneficie no futuro. Não vai ser bom para ela agora, como seu ego deseja, mas irá beneficiá-la ao longo de sua vida.

Ou você quer se sentir bem com o pensamento do quanto você tem lhe dado. Você pensa consigo mesmo: “Eu não podia pagar nada disso na minha infância, por isso o meu filho deve apreciá-lo”. É isso que você chama de amor?

Amanhã você vai ter que dar-lhe muitas vezes mais porque senão ela não vai sentir que está viva. Você deve construir um “porão” com grande sabedoria e colocar o seu amado filho lá, e você vai sofrer muitas vezes mais do que ele quer. Desta forma, você estará preparando-o para uma vida boa.

Portanto, nós temos um método através do qual é possível avançar no sentido da satisfação, do bem, não por se sentir mal, mas por estar ciente disso. Esta é uma patente muito especial. É necessário apenas entender o princípio e isso é suficiente. Então, não haverá mais necessidade de sofrer. Nós não estamos prontos para percorrer o caminho do sofrimento difícil.

O Criador fez um sistema especial em que é suficiente para nós estarmos cientes do mal que existe em contraste com o bem, a fim de aceitá-lo como uma ferramenta e sentir satisfação com ele. Afinal, não estamos prontos para descer a “menos infinito”.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/06/14, Escritos do Baal HaSulam

Uma Pílula Contra O Amor

Dr. Michael LaitmanNas Notícias (Theory and Practice): “O amor nem sempre é bom; ele pode causar a dor da perda, provocar violência. Em termos da fisiologia cerebral, o amor é apenas um processo hormonal que pode ser controlado pelo desejo!

“O desejo de se livrar do amor ocorre quando esse sentimento é semelhante a uma doença.

“O amor, que pode unir as pessoas e aproximá-las para dar à luz e criar filhos, é a base da sobrevivência da espécie. Ele ativa: 1) o desejo sexual, 2) a simpatia e 3) a conexão.

1) O desejo sexual nos leva a se unir com potenciais parceiros, 2) a simpatia permite que você escolha o mais adequado dentre eles, 3) a conexão ajuda a criar um relacionamento de longo prazo e nos dá a força para trabalhar até que o dever dos pais seja cumprido.

“O trabalho de cada um dos três sistemas é baseado nos hormônios produzidos pelo corpo. A atração sexual é associada ao estrogênio e testosterona – hormônios sexuais nos homens e mulheres.

“A capacidade de avaliar a atratividade vem do prazer e dos hormônios do estresse (dopamina, serotonina, adrenalina), que nos orientam para o objeto do desejo, causando uma sensação de excitação em sua presença.

“O afeto nasce da ação de neuromoduladores (oxitocina e vasopressina); eles nos inspiram com uma sensação de calma e confiança, facilidade nos relacionamentos.

“Porém, visto que estes três subsistemas operam simultaneamente, nós podemos desejar um parceiro, considerar o outro atrativo, manter um relacionamento contínuo com um terceiro.

“A testosterona cria apego, e a ocitocina liga o apego à atração – de modo que o mais favorito é aquele que está mais próximo.

“Nos primeiros meses, o amor se assemelha ao transtorno obsessivo-compulsivo. Mas um ano depois, os níveis de serotonina voltam ao normal, e a idealização do parceiro desaparece.

“Os hormônios que são responsáveis ​​pela fixação e redução do estresse (vasopressina, ocitocina e dopamina) são produzidos durante o toque, abraço, sexo, amamentação. Eles mantêm os casais juntos, as mães e seus filhos”.

Meu Comentário: A principal coisa é não interferir em um processo natural com comprimidos. A educação em sintonia com as boas relações globais, como a sabedoria da Cabalá nos ensina, vai equilibrar a secreção de hormônios e levar a melhores relacionamentos de amizade, amor e família.

Harmonia Dos Opostos Na Natureza

laitman_557Pergunta: Como uma pessoa explica simplesmente a necessidade de conexão entre as pessoas?

Resposta: Nós vemos que há sempre duas forças opostas na natureza, como positivo e negativo, norte e sul; uma não pode existir sem a outra. Em todo fenômeno nós vemos uma integração de duas forças opostas; além disso, a força negativa não é menos vital do que a positiva.

Uma vez houve um caso em que se tentou exterminar todos os lobos que estavam atacando os rebanhos, e isso trouxe resultados catastróficos. Isso criou um desequilíbrio na natureza e todos os tipos de problemas começaram: epidemias entre as ovelhas e outros animais selvagens que os lobos normalmente comiam.

Na natureza não existem forças positivas ou negativas. As duas forças são benéficas: tanto a força positiva como a força negativa devem existir em harmonia mútua.

Apenas no nível humano é que o poder singular de nosso ego opera, uma força negativa contra a qual não há nenhuma força positiva com a qual ela deve estar em harmonia. Portanto, nós precisamos atingir uma conexão entre nós para usar esta força negativa e transformá-la numa força positiva.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/06/14, Escritos do Baal HaSulam