Determine Exatamente O Que O Criador Exige
No artigo “O que significa que o óleo é chamado de ‘boas ações’ no trabalho?”, Rabash enfatiza repetidamente que, à medida que uma pessoa avança na espiritualidade, a ocultação aumenta.
Sabemos disso pela história do exílio no Egito e do êxodo. “E o povo de Israel suspirou pela escravidão”, e então eles compareceram perante Faraó e sofreram as dez pragas, os dez golpes, até que foram recompensados com a saída do Egito.
Tudo isso nos indica que a ocultação aumenta e os obstáculos se multiplicam. Precisamos de muita paciência para perceber essas coisas como o resultado correto de nossos esforços. Sabemos por natureza que quanto mais investimos, mais recebemos. Contudo, aqui, como precisamos emergir do desejo de receber, quanto mais nos esforçamos, mais a sensação de vazio dentro desse desejo cresce, para que possamos, finalmente, nos livrar dele.
Portanto, de acordo com o intelecto de cada um, é possível compreender, e talvez até justificar, esse caminho, esse processo de desenvolvimento espiritual em uma pessoa que não guarda nenhuma semelhança com o que estamos acostumados neste mundo. Quanto mais uma pessoa se aproxima da espiritualidade, mais se vê distante dela.
Quanto mais energia investe, mais percebe que perde. Consequentemente, sente-se exausta. Isso vai contra a minha natureza: como posso me esforçar apenas para receber no final? Mais esforço e outro golpe? Quem se daria ao trabalho de trabalhar se o único resultado fosse uma série de golpes?
No final, a pessoa cai em desespero e não sabe o que fazer. Baseando-se no que lê e ouve, pode até concordar, em certa medida, com esse processo, acreditando que seja o caminho para se libertar do desejo de receber e alcançar a segunda natureza. Mas o que fazer?
Está dito de forma bela e correta, mas será realmente viável? O que uma pessoa com o desejo de receber deve fazer?
Na verdade, não há nada que uma pessoa possa fazer além de reconhecer a grandeza do Criador. Ela é incapaz de fazer isso sozinha, pois a natureza humana não possui tal força. A pessoa só pode ser auxiliada pelo grupo ao ouvir o quanto o Criador é grande, que tudo depende Dele, que esta é a Sua vontade e que Ele é capaz. Isso se refere ao ambiente — o grupo, o Rav e os livros — tudo que cerca a pessoa. As forças internas de uma pessoa são incapazes de realizar qualquer coisa.
“E os filhos de Israel suspiraram por causa da escravidão”. Aqui, é preciso chegar a um estado em que verdadeiramente seja “eu e não um mensageiro”. Ou seja, é preciso voltar-se diretamente ao Criador, clamar e suspirar. Mas não está nas forças de uma pessoa fazer isso sozinha, a menos que seja virtuosa, receba auxílio divino ou tenha a sorte de encontrar força entre os amigos, no grupo, nos livros e no Rav.
Só então eles se voltam verdadeiramente ao Criador, reconhecendo que fizeram tudo o que era possível e percebendo sua própria impotência. Chegam a um estado de desespero. É somente através desse desespero que a pessoa se entrega completamente à vontade do Criador e permite que Ele faça o que Lhe apraz. Até que a pessoa compreenda exatamente o que o Criador exige e o que Ele deseja, ela não pode atravessar o Machsom (barreira).
A essência da nossa escolha reside em encurtar o caminho enquanto estamos na escuridão e no exílio, um estado em que, quanto mais avançamos, mais vazios nos sentimos. Rabash escreve que, durante o exílio egípcio, uma pessoa podia encher o Kli (vaso), mas o vaso ficava cheio de buracos e todo o conteúdo vazava. A pessoa o enchia novamente e, mais uma vez, o vaso se esvaziava.
Uma pessoa se esforça, mas nada recebe desse trabalho. Quando percebe que não tem mais forças para fazer nada com esse corpo, a única opção que resta é se voltar ao Criador para que Ele corrija a situação.
Como os furos em um vaso perfurado são selados? Por meio de uma tela usada em prol da doação. Então o vaso se torna inteiro e completo. Em outras palavras, um “coador” se transforma em uma “concha”.
Da Lição Diária de Cabalá 30/07/26, Rabash, “O que significa que o óleo é chamado de ‘boas ações’ no trabalho?”