“Pelas Suas Ações O Conhecemos”

235Devemos compreender qual o propósito de uma pessoa saber que teme a Deus (Rabash, “Quem precisa saber que uma pessoa resistiu à prova?”).

O que significa que uma pessoa precisa passar por uma prova? Quem a está testando e com que propósito? E por que, logo de início, uma pessoa deve dizer sobre tudo o que encontra: “Se eu não agir por mim mesmo, quem me ajudará?” Ou seja, ela deve começar a ação como se tivesse a capacidade de realizá-la por sua própria força, sem a intervenção de qualquer outra força, como se ela mesma estivesse agindo, e não o Criador ou Seu mensageiro.

Então, depois de concluir a obra, tenha ela tido sucesso ou não, mas tenha feito tudo o que pretendia fazer, ela deverá dizer: “Não há outro além Dele”.

O que significa dizer isso antes e depois da ação? Como o simples ato de proferir essas palavras pode ajudar? Aqui, estamos falando do estado espiritual de uma pessoa antes de realizar a ação e depois de concluí-la.

Sabemos que a luz constrói o Kli ­(vaso) e realiza todas as ações dentro dele. O Kli é o resultado da luz. Está inteiramente sob a influência da luz e é incapaz de tomar decisões independentes. Não lhe resta outra opção senão concordar ou discordar do que está acontecendo, de acordo com a profundidade de sua percepção do que a luz está fazendo com ele.

Sem dúvida, o Criador realiza tudo. No entanto, é preciso que a pessoa compreenda que tudo o que faz, tudo o que lhe acontece, é ação do Criador. Essa é a essência da nossa correção: curar a cegueira dos nossos sentidos, da nossa percepção.

Portanto, quando uma pessoa profere uma bênção ou oferece uma oração, isso não significa que algo acontecerá depois por causa disso. Pelo contrário, tanto a bênção quanto a oração são sentidas apenas em relação ao resultado que a pessoa já alcançou por meio da influência da luz sobre ela.

A luz influencia o Kli, e o Kli começa a sentir o que a luz está fazendo com ele. De Aviut Aleph a Aviut Dalet, ele recebe impressões das luzes de NRNHY, de acordo com a ordem de Nefesh, Ruach, Neshama, Haya e Yechida.

Isso continua até que a pessoa alcance a plena compreensão da intenção do Criador para com ela e entenda tudo o que o Criador deseja realizar. Assim, o Kli realmente atinge um estado em que compartilha da mesma ação e da mesma consciência que o Criador. Então, surge nele uma oração genuína ou uma gratidão genuína.

O que isso significa? Significa que a pessoa realmente alcançou um estado em que compreende o que o Criador está fazendo com ela, como está escrito: “Pelas Suas ações O conhecemos”. Ela então sabe precisamente quais ações ocorreram sobre ela, quem as realizou, com que propósito e o que elas concretizaram dentro dela. Na medida em que sua estrutura espiritual permite, ela completou sua obra: examinou e sentiu a influência do Criador.

Como resultado de sentir e compreender plenamente a ação do Criador sobre si, ela se torna semelhante ao Criador nessa mesma ação e a aceita completamente. Isso significa que ela justifica a ação e se iguala a ela, ou seja, torna-se semelhante ao Criador por meio de Suas ações. E por meio dessa consciência, a correção vem. Assim, ela completa essa etapa.

Então o Criador age sobre ela mais uma vez, e novamente ela deve dizer: “Se eu não for por mim, quem será por mim?” Isso significa que ela deve examinar pessoalmente tudo e levar adiante. Dessa forma, ela chega a conhecer a ação do Criador sobre si. Então, depois de alcançar um estado em que compreendeu tudo, ela diz: “Não há outro além Dele”.

Ela realmente vê e sabe que somente o Criador age. Agora, tendo compreendido completamente cada uma de Suas ações, isto é, tendo alcançado o estado em que sente, dentro dessa ação, que o Criador é “Bom e faz o bem”, ela mesma adquire a intenção de ser boa e de fazer o bem.

É isso que significa: “Pelas Suas ações O conhecemos”. Através das ações que revelam o que o Criador faz, a pessoa chega a conhecê-Lo com os próprios sentidos. Com base nesse conhecimento, ela transforma seus próprios sentimentos para que se tornem semelhantes aos do Criador. Isso se chama adesão, equivalência de qualidades e intenções. O fato de, ao final de sua obra, a pessoa dar graças significa que completou aquele passo, examinou-o, corrigiu-se, tornou-se semelhante ao Criador e está pronta para a próxima ação.

Portanto, tudo começa com: “Se eu não for por mim, quem será por mim?” Este é todo o trabalho dos “espiões”, o trabalho de exame e escrutínio. Uma pessoa lamenta, concorda, luta e continua buscando até compreender a essência da ação do Criador. Quando finalmente a aceita como boa, justifica-a, coloca-se em equivalência com ela e, por fim, torna-se como a própria ação.

Da Lição Diária de Cabalá 17/07/26, Rabash, “Quem Precisa Saber que uma Pessoa Resistiu à Prova?”