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O Estímulo Certo

Dr. Michael LaitmanA ciência da Cabalá tem uma seção interessante sobre a maneira como percebemos o universo, sobre como o homem atinge o mundo em que vive. Por que nós nos sentimos no mundo exatamente desta maneira? O nosso mundo é realmente da maneira como nós o percebemos, ou ele é completamente diferente? Na realidade, depois de passar pelos nossos cinco sentidos, ele adquire uma forma específica em nossa percepção. Nós observamos exatamente este quadro, ao invés de ter uma percepção objetiva e direta do mundo real.

Hoje, os cientistas investigam como o mundo é visto por borboletas, abelhas, cobras e cachorros. Cada criatura o vê da sua própria maneira, em escalas diferentes, através de um esquema de cores ou cheiros, e assim por diante. Cada criatura tem seu próprio tipo de orientação no mundo e vê a sua própria imagem, o que difere do que as outras vêem.

Então, porque a imagem é precisamente desse jeito aos nossos olhos? E como ela realmente é do ponto de vista objetivo? Será que nós podemos alcançar uma visão de mundo realmente objetiva? É disso que fala a seção da Cabalá chamada de “Percepção da Realidade”.

No entanto, a parte mais importante da Cabalá não é a descida de cima para baixo desde o mundo do Infinito até o nosso mundo, mas o que acontece depois. A coisa mais importante para nós é a Machsom e o subseqüente caminho ascendente. Isto é o que estamos enfrentando agora, o que temos que passar agora. Temos que passar por isso na prática, não na teoria, e temos que passar por este caminho juntos.

Temos que implementar isso o mais rápido possível, de modo que a força negativa do desenvolvimento não nos pressione por trás, dando-nos um estímulo negativo. Na Roma antiga, Estímulo significava uma vara afiada usada para cutucar os burros para que pudessem avançar. Assim, é importante que não sintamos esse estímulo em nossa carne, mas aspiremos avançar, com a ajuda da força positiva que nos é dada agora.

Basicamente, esta é a razão pela qual nos reunimos. Nós podemos ficar juntos e nos organizar, e podemos começar a sentir um ao outro internamente, mesmo sem contato físico. Vamos sentir que, unindo-nos, nos tornamos semelhantes à natureza global. Então, dentro da nossa união, revelaremos o campo comum e sentiremos que estamos subindo um pouco mais alto. Isso é realista e espero que você e eu consigamos.

Da 1ª Lição na Convenção de Moscou

Cabalistas Sobre A Natureza Do Homem E A Natureza Do Criador, Parte 1

Dr. Michael LaitmanCaros amigos, por favor, façam perguntas sobre estas passagens dos grandes Cabalistas. Os comentários entre parênteses são meus.

A Essência do Homem é o Desejo de Receber

O desejo (de receber, desfrutar) é a essência (primária, única) da pessoa .
– Baal HaSulam, Shamati (Eu Escutei), Artigo nº 153, ” O Pensamento É O Resultado do Desejo”

A essência de todos os detalhes na realidade é nada mais nada menos do que o desejo de receber (a diferença entre todas as partes da criação em todos os mundos vem apenas das diferenças quantitativa e qualitativa em seu desejo de realização).
– Baal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar“, item 20

A essência da alma é o desejo de receber (prazer, satisfação). E a diferença que podemos distinguir entre um objeto e outro é discernida apenas por seu desejo.
– Baal HaSulam, ” Introdução ao Livro do Zohar“, item 21

O Mundo Está Preparado Para Ouvir

Dr. Michael LaitmanA Cabalá é o método que fala da necessidade de união entre cada um de nós de acordo com o plano da Natureza, a força única que controla o universo inteiro, todos nós, toda a criação. Desde os dias da Babilónia antiga, esta ciência tem sido escondida de toda a humanidade. A Cabalá apenas afirma que este ensinamento seria passado através de um pequeno “fluxo”, de professor para discípulo, por milhares de anos, da Babilónia antiga até ao presente, até que o nosso mundo se tornasse uma Babilónia moderna, isto é, um todo.

Isto significa a interconexão completa, independentemente de fronteiras, países, continentes, nações, raças, grupos e religiões que têm emergido ao longo do curso da história. A nossa interdependência tornar-nos-á tão fortes que irá eliminar todas estas barreiras.

Por outro lado, o nosso egoísmo permanecerá e continuará a se desenvolver. Devido a isto, iremos detestar-nos uns aos outros ainda mais. Iremos repelir-nos uns aos outros automaticamente; iremos pensar apenas em nós mesmos inconsciente e instintivamente. Não consideraremos os outros e apenas os usaremos ao máximo para o nosso próprio benefício. Esta será a nossa natureza durante 3700 anos, dizem as fontes Cabalistas.

Chegaremos a um egoísmo enorme, e será natural para nós. Não iremos sequer reparar que é especial, mas apenas que isto somos nós e esta é a nossa vida. Ainda assim, este egoísmo juntamente com a nossa conexão integral extensiva, com a comunicação que desenvolvemos entre nós, irá entretanto tornar-nos novamente na Babilónia.

Além disso, durante a última fase de desenvolvimento, quando esta sociedade de egoismo enorme se tornar global, iremos esgotar praticamente todos os recursos naturais e recursos energéticos: água, minerais, metais, petróleo, carvão e gás. Tudo se aproxima de um fim. Mesmo que queiramos aumentar o nosso potencial egoísta, não será possível.

A sociedade de consumo que se desenvolveu durante o século XX saturou-se, esvaziando a Terra de todos os recursos, e como resultado, não podemos continuar nesta vida, mesmo fisicamente. Atingimos tal confronto entre cada um de nós e com o ambiente que nos força a fazer algo.

A nossa sociedade irá tornar-se diferente – incontrolável. Recentemente, nós vemos revoluções ocorrendo em diferentes países; vemos como a comunicação, a conexão entre as pessoas encoraja-as a exigir mudança social. Contudo, ainda não percebemos como ou porquê isto ocorre: hoje é lá, amanhã pode acontecer aqui ou noutro local. Não vemos onde isto nos leva.

Nesse estado de confusão, sem conseguir perceber a próxima fase, vemos a ciência da Cabalá sendo revelada novamente para o mundo. Lembro-me quando estudava com o meu professor: costumávamos viajar para locais especiais, locais Cabalísticos e sentávamo-nos juntos, um diante do outro. Durante essas tardes e noites, ele tentou dizer-me que viria um tempo quando a Cabalá fosse revelada.

O que significa “revelada”? “Revelada” significa que não é você que começa a falar, mas as pessoas que querem ouvir começam a vir. Não depende de si, mas daquele que irá ouvir.

Vemos que este tempo chegou porque há muitas pessoas de diferentes países, em continentes diferentes, em várias línguas, que querem ouvir o que a natureza, o Criador, nos pedem. Querem saber com o que devemos assemelhar-nos, como devemos mudar a nós próprios, subir a que nível, como entrar numa dimensão inteiramente diferente, perceber o nível geral da natureza, a eternidade, a perfeição, para sentir isto aqui e agora no nosso mundo. É dito na ciência da Cabalá que tais pessoas surgiriam no fim do século XX.

Eu não acreditei nisso, não via estas condições. Contudo, no fim do século passado, milhares de pessoas tornaram-se interessadas em Cabalá, inconscientemente, sentindo instintivamente esta urgência graças aos seus desejos, que se desenvolveram e atingiram a maturidade. Na próxima fase, uma nova dimensão é concebida neste desejo egoísta finalmente maduro.

Da 1a Lição na Convenção de Moscou 10/06/11

O Divórcio Babilônico

Dr. Michael LaitmanNós não temos a menor idéia sobre a futura ordem mundial, porque nós entramos em um sistema de forças que nunca havia se manifestado em nosso mundo. À medida que a natureza (o Criador) se aproxima de nós, isto se torna cada vez mais claro. Assim, nós temos que começar a revelar o mundo superior, ou seja, o sistema de governo pela força superior, a Luz.

À medida que esta força externa se aproxima de nós, à medida que ela brilha sobre nós, a nossa sociedade e o mundo de forma mais sensível e intensa, nós sentimos nossa oposição a ela. Nós não sentimos a força em si, mas a nossa incapacidade de sossegar mesmo que um pouco.

O mundo se tornou imprevisível. As pessoas estão engajadas em adivinhações e até acreditam em milagres. Como é possível isso acontecer em nossa época esclarecida? Como podemos, de repente, começar a acreditar nisto depois do século XX? Todos os anos, e às vezes algumas vezes por ano, nós temos todos os tipos de datas do fim do mundo e outros eventos apocalípticos.

Além disso, nós nos encontramos sob o abraço forte da natureza que, inesperadamente, gera crises como tsunami, furacão, erupção vulcânica, incêndio, inundação, e assim por diante. Aos poucos, tudo desequilibra, fora do equilíbrio delicado em que estávamos. Isso porque nós estamos atravessando um momento decisivo. Nós já atravessamos este ponto decisivo antes, em uma escala menor, na antiga Babilônia. A humanidade inteira estava concentrada lá, e mesmo assim, ela descobriu que era uma sociedade pequena e fechada.

Hoje, apesar de haver sete bilhões de seres humanos, nós somos uma sociedade fechada. De repente, nós sofremos um “curto-circuito” e nos encontramos dependentes uns dos outros. Por outro lado, nós somos como cônjuges antes de um divórcio. Nós nos odiamos mutuamente, apesar de ainda estarmos em um apartamento. Nós devemos mudar, nós não conseguimos ficar juntos, mas os laços comuns nos mantêm juntos. Este é o “apartamento partilhado” que nos encontramos hoje na Terra.

Antes, isto se tornou evidente em um pequeno território, na Mesopotâmia, há 3.700 anos. Então, pela primeira vez, as pessoas começaram a procurar o que elas poderiam fazer. Por um lado, elas estavam no mesmo lugar e na completa e total interdependência. Por outro lado, odiavam-se e se esforçavam para estar o mais longe possível umas das outras. Duas forças opostas, duas das mais difíceis tendências estavam separando a sociedade. Então, na realidade, dois métodos foram sugeridos.

O primeiro método foi a correção de sua natureza. “Vamos corrigir o egoísmo que separa, distancia, e afasta-nos uns dos outros. Então, nós ganharíamos. Nós nos tornaríamos uma única entidade de apoio mútuo. Nós teríamos um poder enorme, e realmente iríamos erguer uma “torre para o céu “, a torre de amor mútuo, cooperação e união, a força positiva.

Assim, eles se tornariam iguais à natureza, porque tudo na natureza está interligado. Todos os seus níveis – inanimado, vegetal, e animal – agem sempre em harmonia mútua, e apenas o ser humano, com seu egoísmo, se sente acima da natureza, acreditando que pode fazer o que lhe agrada. No entanto, se ele entendesse as leis da natureza e procurasse ter correspondência com ela, ter um relacionamento harmonioso, ele sentiria toda a sua capacidade e poder. Ele entenderia e perceberia a sua finalidade, a sua essência. ”

Isto é o que foi sugerido pelos adeptos da correção humana, mas, infelizmente, a humanidade (cerca de três milhões de pessoas vivendo entre os rios Tigre e Eufrates) escolheram um caminho diferente. Como cônjuges após um casamento fracassado, eles decidiram que seria melhor para eles “sair”, dividir o apartamento compartilhado, e quebrar o contrato. Assim, as pessoas se dispersaram por todo o mundo.

Muitas fontes antigas narraram esta história. Desde aqueles tempos, nós temos o livro sobre a Cabalá chamado O Livro da Criação. Nós o temos em nosso arquivo livre, em língua russa também.

O livro chamado O Grande Comentário surgiu depois. Ele também descreve os eventos que aconteceram na antiga Babilônia e como as pessoas não conseguiram resolver o problema da união. Para fazer isso, elas tiveram que trabalhar no seu egoísmo, e superá-lo por meio de um método especial, que exigiu muito mais esforço interno e moral do que simplesmente separar-se fisicamente uns dos outros e fazer o que todos queriam, cada um em seu próprio canto.

Flávio Josefo descreve onde as pessoas foram, em que lugares. Posteriormente, todas as crenças e religiões foram originadas delas, tudo baseado no egoísmo, tudo o que o egoísmo apoia.

Da 1a Lição na Convenção de Moscou 10/06/11

Uma Pergunta Retórica: “De Quem É A Culpa?”

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que precisa acontecer para que as massas comecem a adotar o método de correção?

Resposta: As massas ainda não compreendem de onde todos os problemas estão vindo. Não tem a ver com o governo, planos, manipulações políticas e econômicas, ou intrigas “por baixo dos panos”. A pressão norte-americana e a mão de obra barata da China são apenas o lado externo do jogo, mas as pessoas pensam que alguém neste mundo ainda tem poder sobre elas, como se os líderes políticos como Ahmadinejad, Obama, ou Merkel pudessem realmente determinar algo.

Qual é o objetivo de ir para as ruas reivindicar alguma coisa em voz alta se isso não está funcionando mesmo assim? Quantos governos precisam mudar para nos mostrar alguma utilidade? Temos que entender de uma vez por todas que as mudanças só podem vir de Cima, pela força da natureza, e não pela vontade de algum governante. Ele é exatamente igual ao seu povo. O que ele sabe? O que ele pode eventualmente fazer no mundo global, onde o bem-estar de cada país depende de todo o resto?

Há uma lógica simples nisto. Existem mais de 250 países do mundo. O que um primeiro ministro pode fazer com determinado país sob condições de total interdependência? Quais as opções que eles têm no mercado comum? A economia global é governada por leis cruéis, e é impossível dar um passo à direita ou à esquerda uma vez que todos estão ligados à sua própria zona de influência. Será que cada chefe de Estado tem direito a uma varinha mágica, juntamente com sua cadeira?

As massas têm esperança de uma mudança de poder, quando, na verdade, isso só vai piorar, não por causa de certos líderes, mas porque eles estão olhando na direção errada. As pessoas ainda estão para perceber quem está realmente no comando da situação. Se nós não disseminarmos a sabedoria da Cabalá no mundo, elas nunca irão saber, embora vão sentir que isso é culpa nossa. Elas não estão cientes da Cabalá, que escondemos em nossas mãos, mas elas estarão apontando o dedo somente para nós.

Então, como é descrita a era de Gog e Magog, o mundo inteiro estará fazendo se queixando de nós. Primeiro, haverá guerras entre as nações, e depois elas se voltarão contra Israel. Isso natural, visto que elas estão em conflito e não têm idéia do que fazer sobre isso.

Eles vão culpar os outros, até começar a entender que todos estão em perigo, todo mundo está desesperado, mas não há salvação em nada. De onde é que veio este infortúnio? De quem é a culpa? Não, não é do Obama, Ahmadinejad, Merkel ou Sarcozy . Eles não têm culpa, mas só os judeus. Como assim? É assim que eles se sentem.

É uma reação natural de um anti-semita: “É tudo culpa sua!”. Francamente, estão eles errados? Não, eles não estão. Isso é como vai ser se não disseminarmos o método de correção no momento certo e mostrar a vontade de dividi-la com o mundo.

Temos de agir à frente de todos os seus protestos e estar prontos para responder ao desejo do mundo. Temos de aplicar o medicamento antes que a doença se torne grave. No entanto, não é porque nós temos medo deles, mas porque essa é a vontade do Criador, que não quer ver ninguém sofrer.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 30/05/11, “A Paz”

Últimas Notícias: Treze Minutos Sobre A Coisa Mais Importante

Dr. Michael LaitmanA crise que envolveu o mundo era muito evidente nas últimas convenções que realizamos, incluindo uma realizada na Itália há três semanas e, especialmente, há uma semana em Madrid, Espanha. Lá, a crise é muito evidente. As massas estão em desordem, e a taxa de desemprego entre os jovens é de 40%. E as coisas só pioram a cada dia. Há manifestações e protestos na rua, e muito mais.

Eu deliberadamente andei pelas ruas lá e conversei com as pessoas. Elas não sabem o que fazer e estão fazendo os protestos em frente a prédios do governo. Mas o governo também não sabe o que fazer. Todo mundo está confuso e ninguém é culpado. E tudo isso porque nós estamos diante de desafios da natureza.

Postos de trabalho não podem ser criados do nada. E para quê? Ao fazer isso nós só esgotamos ainda mais rápido os recursos naturais remanescentes, arruinamos o solo e poluímos o ambiente ainda mais. Nossos recursos hídricos e aéreos vão diminuir ainda mais rápido. Então, por que deveríamos estimular a economia que se deteriora? Só para dar trabalho às pessoas? Com este tipo de conseqüências, é melhor não lhes dar!

Na Espanha eu apareci no canal de TV mais popular no horário nobre. Em vez de falar por alguns minutos, o que foi planejado de acordo com o programa, a entrevista durou 13 minutos. Você pode imaginar – treze minutos nas notícias matinais, entre os relatos dos acontecimentos mais importantes da atualidade! Eles simplesmente não conseguiam terminar a entrevista.

Minha sugestão foi simples tornou-se um conselho prático: nós temos que sentar as pessoas para estudar. Eles devem receber subsídios do desemprego (que também será a estratégia mais eficaz para poupar dinheiro) e devem aprender sobre o tipo de mundo que vivemos, o que existe na nossa frente, e que tipo de desafio a natureza está nos lançando.

Isso não é capricho de alguém ou os interesses de determinado partido ou líderes de governo. Isto não é senão a natureza, que nos desafia. E o desafio é para nós mudarmos. Nós não temos que mudar nada além de nós mesmos.

Temos que nos tornar integrais  e globais, em conformidade com a actual crise. Afinal, a crise é a sensação da própria falta de conformidade com a natureza circundante. Portanto, se nós corrigirmos a nós mesmos dessa forma, tudo se tornará equilibrado e atingirá a harmonia. Isso é o que as pessoas devem aprender.

A entrevista recebeu uma resposta positiva generalizada em toda a Espanha, bem como na América Latina e América do Norte, e isso porque esta realmente é a única forma sensata de sair da situação que foi criada. E a Espanha não está sozinha. Grécia, Islândia, Itália e outros estão em uma situação semelhante, e há muitos outros países gradualmente entrando nesta crise. Em outros lugares a crise está vindo de diferentes maneiras.

É assim que a natureza coloca uma tarefa clara diante de nós: nós temos que mudar. Nós temos que ser parte integrante da natureza como tudo que ela contém: os níveis inanimado, vegetal e animal. O homem não deve pensar que está acima da natureza e que pode fazer tudo que deseja. Sua tarefa mais importante é tornar-se, de forma consciente, parte integrante do todo.

Ao tornar-se parte integrante da natureza, ele começa a entender o que ela é e, de repente, descobre novas profundidades nela: os mundos de Assiya, Beria, Yetzirah, Atzilut, Adam Kadmon, e o mundo do Infinito. Ele já não se esconde da natureza com seu egoísmo, mas começa a senti-la como transparente. Ele finalmente entende e torna-se consciente das forças que controlam tudo, inclusive ele próprio.

Esta é a tarefa que estamos enfrentando hoje. Portanto, se desejarmos isso e usarmos a força da aspiração para frente, que existe em muitas pessoas no mundo, nós realmente aspiraremos à auto-correção, a revelação do mundo, para sair do estado de sonho, do estado de inconsciência. Então, nós atingiremos a igualdade total com a natureza, o nível do Criador.

Da 1ª lição na Convenção de Moscou 10/06/11

Da Separação À União

Dr. Michael LaitmanA sociedade humana é dividida em duas partes. As pessoas cujo ponto no coração já despertou compõem uma pequena parte da humanidade: essa parte é nós. O resto das pessoas não têm o ponto no coração, ainda que um forte desejo egoísta esteja concentrado nelas.

Duas forças (positiva e negativa) agem em nós. Nós avançamos criando uma conexão entre o nosso ego e o desejo de alcançar o mundo espiritual, o qual desenvolvemos através do estudo e das forças recebidas do ambiente. A conexão construída pela combinação dessas duas forças é chamada de linha média.

O resto das pessoas, como a ciência da Cabalá explica, gradualmente se juntam a nós, achando que não há alternativa: o seu egoísmo, exigindo satisfação o tempo todo, vai sofrer. Ao longo do desenvolvimento humano o egoísmo do homem foi constantemente crescendo e esforçando-se para satisfazer-se o máximo possível. Hoje, quando o ego humano perdeu a esperança de obter satisfação, depara-se com uma crise.

Isso incentiva as pessoas a se aproximarem de nós, embora elas não saibam de quem e como se aproximar. Para tornar o caminho delas mais fácil, devemos disseminar a sabedoria da Cabalá e explicar que há um método de correção da crise. Quando elas se juntarem a nós, juntos começaremos a trabalhar na linha média e, assim, alcançar o mundo do Infinito.

O que vamos ganhar, como resultado? Vamos alcançar a eternidade e a perfeição. Nós nos elevaremos acima da nossa realidade, acima do ponto da criação do nosso Universo e do mundo inteiro, até a realidade superior.

Atualmente, o ponto no coração desperta em muitas pessoas: já há milhões delas. E as pessoas cujo ponto no coração ainda não foi revelado sentem a crise, além do egoísmo. Elas sentem que lhes falta a força positiva, sem a qual não podemos viver. Elas sabem que devem corrigir a crise, sentem que a solução está oculta na união, mas não sabem como fazer isso.

Em um mundo global e integral, tudo deve ser unificado; a natureza nos mostra isto. Hoje, ela mostra que devemos alcançar o mundo do Infinito, que somos um todo. É exatamente isso que a crise veladamente nos aponta e dirige.

Nas pessoas que deveriam conduzir a humanidade para este objetivo, a crise revela o ponto no coração, uma força positiva, que elas podem adquirir do grupo e do estudo. Com a ajuda dele, elas podem se mover em direção ao mundo do Infinito de forma independente. E aqueles cuja crise não dá a força de unificação, mas sentem que lhes falta essa força, gradualmente receberão explicações daqueles cujo ponto no coração despertou, se juntarão a eles, e junto com eles aspirarão à meta.

Da Lição 2 da Convenção na Espanha,, 04/06/11

Uma Criança Esperta Brincando De Doação

Dr. Michael LaitmanA criação é apenas o desejo que surge “a partir da ausência” em virtude da Luz e que gradualmente atinge o seu estado. No início, ela simplesmente quer desfrutar, mas depois começa a entender que está completamente sob o domínio do desejo.

É assim que o desejo cresce gradualmente, até que percebe a sua total oposição à Luz. A primeira vez ocorre durante a 4ª fase da expansão da Luz Direta, no estado chamado de Malchut do mundo do Infinito.

A criatura não consegue manter esta condição e se restringe. Isso a força a estabelecer uma nova relação com o Criador. Ela se sente obrigada a ser como Ele e se esforça para fazer isso, até que todas as suas tentativas levam à penetração mútua de um no outro, o que é chamado de “quebra dos desejos”.

Parece-nos que a quebra é algo negativo. Mas, na realidade, é o contrário. Devido a ela, a criatura entende sua total incapacidade de ser como o Criador.

Para se tornar um doador e semelhante ao Criador no estado de quebra, falta-lhe apenas esforços. Mais tarde, ele será capaz de chegar à doação e à ascensão a partir de um estado muito pior. No entanto, em primeiro lugar, ele tem que experimentar a realização do mal, da oração, do trabalho, das boas ações, e até que tenha tudo isso, não será capaz de tornar-se igual ao Criador e ser como Ele.

Até que a criatura tenha obtido o vaso espiritual, ou seja, a compreensão, a sensação do próprio esforço, a realização do desejo, é impossível dizer que ela é semelhante ao Criador. A criança não pode ser uma doadora. Ela pode fazer algo pequeno, brincar com seus brinquedos. Mas se ela realmente quer se tornar como um adulto, deve desenvolver uma variedade de sensações em si mesma.

Assim, depois de todo desenvolvimento histórico e espiritual, que nos foi dado como uma preparação pelo Alto, nós descobrimos que dois desejos co-existem dentro de nós: o nosso próprio e um desejo adicional. O ser humano dentro de nós começa com isso. O próprio desejo natural da pessoa a arrasta para os prazeres que ela vê a sua frente. O desejo adicional a arrasta a tipos especiais e espirituais de prazer; no entanto, ela não pode sentir nada além do prazer.

Nós vemos em uma pessoa do nosso mundo o seu corpo material, físico. Não se trata disso, mas do desejo arrastando-a em duas direções. Um deles é direcionado para o que é revelado à pessoa em seus cinco órgãos sensoriais. O outro é chamado “ponto no coração”, e ainda não está claro para a pessoa para onde esse desejo a arrasta e se vale a pena usá-lo.

A partir do momento em que estes dois desejos se manifestam na pessoa, ela é chamada de ser humano. Devido a estes dois estados, ela pode tornar-se semelhante ao Criador (Edome), ou seja, ser chamada de homem (Adão, da palavra “Domeh“ou similar). A pessoa só precisa saber os meios, para aprender a usar esses dois desejos despertados nela.

Um desejo é antigo e é chamado de “rei velho e insensato”; o outro é novo e crescente como uma “criança esperta (inteligente)” Se a pessoa quiser tratá-los corretamente, isto só é possível com a ajuda da força superior. Assim, ela não pode avançar por conta própria e precisa de um mentor.

Tudo é dada pelo Alto: as pessoas são levadas ao lugar certo para estudar; todas as condições necessárias são criadas para elas, de modo que possam aceitar esta orientação e usá-la. Tudo é dada pelo Alto, exceto o esforço que devemos adicionar a nós mesmos! Estes esforços constroem o ser humano.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 07/06/11, Shamati # 161

Cabalistas Sobre O Amor Ao Próximo E O Amor Ao Criador, Parte 8

Dr. Michael LaitmanCaros amigos, por favor, façam perguntas sobre estas passagens dos grandes Cabalistas. Os comentários entre parênteses são meus.

A Oração da Multidão

É como nossos sábios (sábio é aquele que atingiu o Criador) disseram: “Qualquer pessoa que esteja triste pelo público (como por si mesma e perante si mesma, exatamente por essa razão) é recompensada e vê o conforto do público”. O público é chamado de “A SantA Shechiná (Divindade)”, pois público significa coletivo, ou seja, a assembléia de Israel, uma vez que Malchut é o conjunto de todas as almas. (Isto é, aquele que se esforça pela correção da alma coletiva merece o conforto de vê-la).
– Baal HaSulam, Shamati (Eu Escutei), Artigo nº 35, “Com Respeito à Vitalidade da Kedusha“

Avançando Com Medo Da Morte

Dr. Michael LaitmanPergunta: Pessoas que não têm o ponto no coração podem se associar com a nossa mensagem de união?

Resposta: Sim, elas podem. Há muito conteúdo sério que fala da necessidade de se unir. Pessoas de reflexão entendem que o egoísmo está destruindo a raça humana, enquanto a humanidade está egoísticamente destruindo a Terra, e é por isso que devemos mudar do egoísmo para a união e subir ao altruísmo. Só então aprenderemos a conviver uns com os outros e salvar nosso planeta, o único lar que temos. Afinal, não podemos nos mudar para outro “apartamento”. Muitos autores mundiais descrevem esta imagem com clareza e precisão.

A questão é como fazer essa transição. É evidente que a humanidade está à beira da guerra e enfrenta um futuro sombrio; o ego insaciável a está empurrando para isso. A solução também é óbvia: ser “bons filhos”, “amigos uns dos outros”, restringir o consumo, e aprender a distribuir adequadamente os recursos. Mas como podemos fazer isso do ponto A ao ponto B, se a natureza humana é o desejo de desfrutar? Como podemos  corrigí-lo? Como podemos transformá-lo em doação?

Uma coisa é quando falamos dos instintos básicos, como o amor materno. Mas as pessoas não costumam se sentir desta forma; o amor só aumenta quando a dificuldade vem, como resultado da necessidade. Assim, tente abrir os olhos delas para que elas possam ver como a situação é grave e mostre-lhes uma condição específica: o mundo só vai escapar da morte por meio da união e da participação mútua. Em seguida, sem ter outra escolha, eles concordarão com isso

No entanto, realizar essa transição exige que, a cada momento, em cada detalhe, cada minúscula partícula, cada migalha de pão e gotículas de água, a pessoa sinta claramente: se eu não compartilhar com as outras pessoas, eu estarei morta. Isso deve permear todo sentimento, ação e escolha. Assim deveria ser

E a razão para isso é: em seu desejo egoísta, que está constantemente buscando o prazer, a pessoa sente que vai cair morta se sucumbir ao egoísmo. Se a situação é um pouco diferente e a morte não for instantânea, ela vai roubar. Essa é a natureza do homem. Não podemos pedir ao homem o que está além de seu poder, acima de sua natureza

Assim, parece que todo mundo deve temer isso? É impossível. Na “Introdução ao TES” o Baal HaSulam escreve que nos tempos antigos, os Cabalistas recorriam ao ascetismo, como está escrito: “Viver de pão e água, dormir no chão, e trabalhar na Torá. Se você fizer isso, você será um homem de sorte”. Disso resulta que, mesmo no caminho de tais sofrimentos você precisa do poder da Torá. Caso contrário, você deve sentir constantemente infortúnios que pairam sobre você: unir-se ou perecer.

É por isso que os Cabalistas explicam que ao se submeter a tais estados dolorosos, a pessoa deve “trabalhar na Torá”.Afinal, você ainda tem que atrair a Luz que Corrige. Se não, não há vida, e não há escolha. Qualquer herói neste mundo pode ser facilmente enganado. Vivemos através de  sensações egoístas, e qualquer um pode responder da maneira que desejar. Afinal, o homem é o desejo de receber, não um herói.

Portanto, cabe a nós fornecer a solução para eles. As pessoas vão pensar que encontraram por conta própria, enquanto na realidade, ela será enviada por nós. E quanto mais depressa avançarmos, mais fácil será para nós impedir que elas sejam enganadas.

Nós devemos confiar na lógica e explicar que empregamos a força interior da natureza, o poder da união, a força vivificante que dá vida a tudo o que existe. Todas as nossas definições devem ser levadas um pouco mais perto das pessoas, para que elas não comecem a pensar que estamos falando de alguma força sobrenatural que trabalha além da natureza das coisas. Não, ela é a base da própria natureza e se mantém para nos ajudar.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/05/11, “Prefácio à Sabedoria da Cabalá”