Amor: Uma Ponte Acima Do Ódio

Dr. Michael LaitmanToda a realidade é dividida em três partes: eu, a centelha espiritual dentro de mim, não me deixando em paz e querendo descobrir uma outra realidade, e o mundo que me rodeia.

O mundo à minha volta está dividido em pessoas que estão perto ou distantes de mim, a natureza inanimada, a vegetação e os animais. Por trás de tudo isso, reside ainda uma força maior. Por enquanto, eu percebo toda realidade como estranha, não relacionada a mim. No entanto, tudo isso são partes de mim que eu não percebo devido à separação que ocorreu em minha consciência e sentimento.

É como se eu tivesse recebido uma injeção de analgésico no meu braço e, como resultado, perdi completamente a percepção e não sinto que é meu. Ele poderia ser cortado e eu não iria nem perceber, tão poderoso é o anestésico.

É assim que eu percebo o mundo todo, como se ele não pertencesse a mim. E o trabalho é lutar contra esse anestésico, contra este sentimento.

Isso é intencional, porque se eu pensar que este mundo não pertence a mim, como se tivesse sido anestesiado, eu posso me voltar para o meu egoísmo e me relacionar com ele de forma altruísta, doando, como se fosse outra pessoa. Eu posso aprender a amá-la.

Eu não preciso desenvolver amor por mim mesmo, porque eu me amo egoístamente de qualquer maneira. No entanto, agora eu posso aprender a amar os outros que estão separados de mim por meio deste anestésico, desta ilusão da separação. Afinal, o amor é uma qualidade do Criador, e não uma qualidade da criação.

Por meio dessa separação, o Criador nos dá a oportunidade de receber uma qualidade, que não é característica para nós, por natureza, e não nos pertence . Nós não entendemos o que é o amor. Mas quando eu tento aprender a amar aqueles que estão fora de mim como eu faço comigo mesmo, ou seja, me relacionar com o meu próximo da maneira que faço comigo mesmo, isso é chamado de amor. Eu estou trabalhando contra meu egoísmo. Esta é uma força especial dentro de mim que sempre resiste a isso. Assim, existe uma oposição de duas forças que atuam em duas direções diferentes. O desejo atrai para si o prazer, mas acima dele existe uma tela (a força da minha resistência), que afasta este prazer e está pronto para doar-se acima dele.

Então, a partir da interação entre essas duas forças, eu posso entender o que é amar verdadeiramente outra pessoa em vez do meu próprio filho, do meu próprio cão pequeno, ou do meu próprio corpo.

E como eu me desenvolvo mais, o meu ódio contra os meus vizinhos cresce constantemente, mas eu desenvolvo a força do amor acima dele. Isso é chamado de amor somente após se elevar acima do ódio. Como se diz: “O amor cobre todas as transgressões”. Devido à colisão das duas qualidades opostas, a criação é capaz de obter a qualidade do Criador. Caso contrário, seria impossível e permaneceríamos dentro da natureza com a qual fomos criados.

No entanto, se quisermos ser criações (Nivraim), ou seja, personalidades independentes (Bar) do Criador, e ao mesmo tempo, alcançar Suas qualidades e o estado elevado, então somos obrigados a construir tal mecanismo de resistência dentro de nós. Haverá sempre duas forças opostas que agem dentro dele: a força do desejo de desfrutar e o desejo de doar que nós construímos acima do nosso egoísmo por nós mesmos, amor acima do ódio.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/06/12, Escritos do Rabash

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