“Dia E Noite” Na Obra Do Criador

962.3Estamos dentro de nosso próprio desejo egoísta, o que naturalmente nos faz cuidar apenas de nós mesmos. Portanto, se quisermos sentir e compreender o Criador, ascendendo à existência espiritual, devemos resistir ao nosso egoísmo e lutar contra ele para seguir a opinião da Torá, a opinião do Criador em vez de nossa própria opinião.

Esse trabalho de nos menosprezar, de curvar nosso desejo egoísta ao desejo do Criador, deve ser realizado continuamente, e dessa forma construiremos um mundo superior sobre esse mundo.

Esse trabalho é chamado de fé acima da razão porque colocamos o desejo do Criador acima do nosso desejo, elevamos as forças de doação sobre as forças de recepção. Apesar de nosso desejo de nos distanciarmos dos outros, precisamos nos anular perante nossos amigos. E assim moldamos as propriedades do Criador em nós e começamos a senti-Lo de acordo com a equivalência de nossas propriedades.

Esse trabalho está se tornando mais claro, mais focado e preciso. Repetidamente, voltamos ao nosso desejo de prazer para que possamos reformatá-lo e organizá-lo de uma nova maneira. Agora sentimos tudo dentro do nosso egoísmo: toda a realidade, todo este mundo, todo o universo. Mas se trocarmos nosso desejo pelo desejo de doar ao Criador, então, em vez deste mundo, veremos o mundo espiritual superior, verdadeiro e eterno.

Para fazer isso, fazemos a transição do conhecimento para a fé acima da razão. Por que isso é chamado de fé e não apenas a opinião do superior? Porque cada vez que construímos a propriedade de doação do Criador sobre o nosso desejo de receber prazer, sobre a propriedade de recepção, e acontece que isso não é simplesmente fé ou simplesmente doação, a opinião do Criador, mas fé acima da razão, isto é, Bina, que governa Malchut.

Somente dessa forma ascendemos cada vez mais alto até que saímos da sensação desse mundo para a sensação do mundo superior, e continuamos até adquirirmos toda a propriedade de Bina. Primeiro, começamos a nos separar de Malchut e entrar em Bina, então Malchut é incluída em Bina, e assim alcançamos Keter.

Através desse trabalho, revelamos o Criador e o mundo superior, cada vez mais e mais. Gradualmente, iniciamos o caminho trilhado que nos leva a compreender o que é a criação, como a humanidade, todo o universo, toda a natureza e todos os mundos são construídos. Nosso caminho deve incluir tudo que nos permite explorar melhor a conexão entre todas as partes e nos sentirmos dentro da criação.

Ao mesmo tempo, inevitavelmente cairemos e ficaremos confusos. Se mudarmos de estado para estado, de estágio para estágio, tudo o que havia antes é apagado e perdemos todas as sensações ao entrar em um novo estágio. Afinal, percebemos a realidade em dez Sefirot, e quando elas são renovadas, quando um novo desejo surge com novas nove Sefirot superiores acima dele, uma mudança fundamental ocorre em todo o nosso Kli no qual sentimos a realidade. Portanto, há uma separação do estado anterior, da percepção e sensação espiritual, e uma transição para um novo estado.

É preciso se acostumar com essas transições, chamadas de “dia e noite” na obra do Criador. Um novo dia não chega sem a noite, sem a revelação de novos Kelim ainda não corrigidos. E quando nos encontramos nesses novos desejos, não entendemos onde estamos e ficamos confusos. Essa é a noite no trabalho espiritual.

Você precisa se acostumar com esse trabalho à noite, com a sensação de escuridão, a perda das sensações e da compreensão, e perceber a necessidade de tais estados porque é impossível chegar a um novo estado, a um novo estágio, sem eles. É o trabalho na escuridão que nos ajuda a ver o que falta para que a noite se iguale ao dia, a escuridão brilhe como luz e chegue ao estado de que tudo é como o dia.

Todo esse caminho, do início ao fim, é feito às custas de nos dobrarmos, baixando nosso egoísmo, até que comecemos a trabalhar com ele cada vez mais. De Malchut à Bina, escondemos nosso desejo e quando alcançamos o grau de Bina, o grau de doação, começamos a despertar o desejo de receber prazer e ascender de Bina à Keter.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/09/21, “Humildade e Subjugação”

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