A Fórmula Da Valência Dos Desejos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que o Criador não criou o desejo de desfrutar que pudesse doar imediatamente? Por que Ele não criou somente a doação sem recepção? Por que nós mesmos devemos revelar essa propriedade de doação, exercendo nossa liberdade de escolha? Por que nós precisamos dessa atitude “dupla” para com a criatura, onde a matéria em si, o desejo de desfrutar, é egoísta e mau, e a forma que ela deve adquirir é boa?

Resposta: Se eu trato essas duas formas opostas apropriadamente, é graças a elas que eu estabeleço uma atitude correta para com o Anfitrião. A atitude correta não pode surgir se eu não comparo uma com a outra, isto é, o desejo de doar que posso desenvolver dentro de mim em relação ao desejo de receber que está embutido em mim na forma negativa, oposta à doação.

Assim, eu agradeço tanto pela qualidade negativa quanto pela positiva, pelo mau estado quanto pelo bom estado. Afinal, a forma negativa é necessária e correta; juntas, elas se combinam em uma forma única que nos conduz para a uma única meta.

Nós vemos o mundo corporal onde os átomos são construídos pela combinação de duas cargas opostas (a positiva e a negativa) e a partícula neutra. Assim acontecem as conexões entre elementos diferentes, opostos.

Então, átomos se combinam em várias estruturas, moléculas, e cristais. Elementos químicos se conectam de acordo com sua valência, isto é, o número de elétrons (as partículas negativas) existentes na órbita que estão livres para fazer a conexão.

Toda a vida está apoiada na unificação e separação, na conexão de todos os tipos de formas. Tudo isso são manifestações do desejo de desfrutar. Se uma molécula tem dois elétrons que estão livres para fazer uma conexão com outros, isso indica sua habilidade de se conectar. Nós sempre falamos do desejo que nós medimos tanto pelo número de elétrons livres ou com relação às forças ou algumas outras qualidades, tais com as forças de atração e repulsão.

Como resultado, é sempre sobre o desejo. Luzes amarelas e verdes, sons diferentes, água, e o céu são vários tipos de desejos. Nós estamos dentro desse desejo. Nada exceto o desejo foi criado.

Porém, dentro desse desejo, eu tenho a sensação do eu e do mundo exterior: os níveis inanimado, vegetal, animal, e falante, ou em termos de qualidades espirituais: “raiz, alma, corpo, vestimentas, palácio”, que também são desejos. Eu tenho que unir e manejar todos eles para que assim eu possa doar com a ajuda deles.

Toda a imagem da realidade, os bilhões de pessoas, o universo, e os mundos espirituais que se revelam na conexão entre nós, são formas de desejo. Eu não posso fazer nada além de revelar cada vez mais o que está dentro desse sistema, dessa esfera. Isso me é revelado dependendo do quanto sou capaz de doar com a ajuda de todas essas formas de desejo.

Nós vivemos em nossas sensações e por isso não entendemos o que significa o desejo em si. Mas, nós entendemos: “eu sinto”, “eu quero”. O desejo não existe separadamente, mas somente quanto o sinto. O desejo percebido já é o “eu”.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 21/06/11, “Prefácio à Sabedoria da Cabalá”

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