Textos com a Tag 'Desejo'

Não Mais Distâncias

Pergunta: De repente eu entendo que estamos em uma convenção todos os dias. É esta a Luz Circundante? Como podemos passá-la para os amigos que estão ao redor do mundo?

Resposta: Todos são ligados entre si e eles sentem. Estou em contato com muitas pessoas e me dizem sobre impressões muito fortes, sobre grandes esperanças, sobre a preocupação, sobre as suas intenções … e é bom.

Estou feliz com a nossa abordagem séria em relação ao que é esperado. É diferente de qualquer convenção anterior. Hoje ela assume uma forma totalmente diferente. É trabalho duro, incluindo o tempo de preparação. Nós temos que fazer grandes esforços sérios, e estar ciente da responsabilidade especial que temos. A convenção está se tornando mais um lugar para exercitar a nós mesmos do que um lugar para entretenimento, e estou muito feliz com isso.

Todo mundo sente isso. Centenas de amigos estão chegando do exterior para os três dias da convenção em Arava. Não é sobre o número de dias, mas sobre a qualidade e a essência da actividade designada. Estou muito impressionado e comovido com esta resposta. Há ainda uma semana e devemos usá-la para a preparação. Temos que levar todas as esperanças em conjunto, tão claramente quanto possível.

Na verdade, não é a participação física que conta. Não importa onde os amigos estão, pois eles vão tentar perceber a freqüência geral e não terão que comprar bilhetes de avião. Nós ainda sentimos que nos reunimos em um único lugar, porque um “lugar” é um desejo. Se ele é verdadeiramente um, você não sente a distância física. Você vai esquecer o seu corpo, assim como você o esquece em raros momentos de pavor, quando só o espírito permanece.

Eu realmente espero que nós vamos nos ligar, e vai parar apenas em função dos quilómetros que separam nossos corpos. Em cada lugar do mundo você pode dançar com a gente no deserto e estar conosco em seu coração e alma. É realmente assim. Não existem distâncias. Tudo é determinado pelo desejo.

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Da 4 ª parte da Lição Diária de Cabala 15/02/12,”Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”

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A Aspiração Deve Ser Conquistada

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu posso saber que o desejo que desperta em mim, será creditado a mim? Afinal, todos os meus desejos chegam de fora, e a razão de eu pensar desta ou daquela maneira é porque alguém está me forçando?

Resposta: Se você vem para o grupo contra a sua vontade e recebe um despertar dos outros, isso será creditado a você. Isso significa que você atraiu este despertar, conquistou com seus próprios esforços. Você o extrai de seu ambiente pela força, e ele é considerado seu, seu vaso espiritual.

Afinal, foi você que se esforçou para se unir com os amigos. A unificação é sentida dentro de seu desejo, na aspiração que você recebeu. Esta aspiração será a adição de seu desejo.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/02/12, Escritos do Rabash

Observar A Si Mesmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como a pessoa encontra um equilíbrio entre os desejos corporais e o desejo pelo Criador?

Resposta: Eu tenho um ponto no coração do qual observo tudo o que está acontecendo. Em primeiro lugar, eu sinto o meu corpo. Posso até olhá-lo a partir deste ponto no coração; eu posso observar os seus órgãos e partes. A partir deste ponto no coração eu posso observar meu corpo e os sistemas que agem no seu interior.

O Criador me deu esta sensação corporal; é o sistema mais próximo de mim. No entanto, eu não pertenço a este sistema, eu simplesmente o observo do ponto no coração que está no interior, onde o meu “eu” vive.

Além do meu corpo, eu também tenho pessoas que me estão próximas, como a família. Há também influências mais prolongadas, como toda a natureza. Tudo isso são coisas que influenciam o meu ponto no coração, o ponto que tenta analisar e identificar-se: “Quem sou eu?”.

Do ponto do meu “eu” (‘Ani’ em hebraico - Aleph-Nun-Yod), eu tenho que ir ao ponto do “não” (‘Ain’ em hebraico – Aleph-Nun-Yod), que está acima de mim mesmo. Por um lado, eu quero conquistar o mundo, destruir os meus inimigos e controlar a todos. Isso é o que o meu ponto egoísta quer.

No entanto, eu trabalho em anular-me, para que eu possa existir a partir deste ponto e comece a sentir a força superior, que existe fora de mim.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 07/02/12, Escritos do Rabash

Como Renunciar Aos Desejos Destrutivos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se uma pessoa vai para o caminho errado, por exemplo, mergulha no alcoolismo, como regra, ou ela atinge o fundo do poço e se destrói, ou alguma transformação interior ocorre. Basicamente, toda a humanidade está indo por esse caminho agora. A nossa tarefa nos cursos de educação integral é fornecer à pessoa uma ferramenta que a impeça de se destruir, de destruir em pedaços a sua vida. Será que pode ocorrer uma virada no meio do processo e não no seu final?

Resposta: Uma das qualidades do homem é a empatia. Se nós mostrarmos a alguém que está partindo para um caminho vicioso (digamos, abuso de drogas) um outro indivíduo cuja vida está por um fio devido a estas mesmas drogas, eu acho que isso vai ter um forte impacto sobre ela, independentemente dela querer parar ou não.

Se levarmos pessoas a uma enfermaria de câncer num hospital, elas verão o que fumo faz. Pessoalmente, eu fumo, muito moderadamente (na minha opinião), mas mesmo assim eu fumo. Então, eu sei por mim mesmo que se eu tivesse andado por tais lugares no meu tempo, isso teria me afetado fortemente. E se eu me encontrasse num ambiente que desdenha o fumo e manifestasse o seu desprezo para com os fumantes, eu teria naturalmente uma sensação que me obrigaria a perceber o vício desta ação.

É por isso que tudo depende do quanto eu posso absorver do meu ambiente a quantidade de realização do mal que me falta, a fim de romper com o estado de transição, onde eu ainda estou recebendo prazer e não destruí totalmente a mim mesmo.

Para isso eu preciso de um ambiente sério, uma comunidade, um grupo ou uma classe onde eu estudo. Nós sabemos que, se a opinião pública de um grupo de pessoas segue certa tendência ou adere a alguns princípios especiais, todo mundo está involuntariamente obrigado a segui-la. O instinto de rebanho é inerente às pessoas, porque uma pessoa avalia a si mesma somente em relação a outras. Ela não se permiti ser melhor ou pior do que o resto. O que importa para as pessoas é a sua importância aos olhos da sociedade, mas em que direção (positiva ou negativa), não faz diferença. Portanto, se nós criarmos um determinado padrão social, todas as pessoas serão obrigadas a lhe obedecer; assim nós somos criados.

Da “Discussão sobre a Educação Integral” # 5, 13/12/11

Um Grama De Desejo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como podemos pedir o desejo de doar, se a nossa natureza é o desejo de receber que só quer ser satisfeito?

Resposta: Esse é exatamente todo o nosso trabalho. Nós devemos entender que a satisfação está sempre lá e isso nunca muda. Ela não é transferida a nós, não devido a alguma ação por parte do Criador. Tudo já está dentro de mim, e eu só tenho que descobrir os desejos adequados para a revelação da satisfação.

Essa satisfação é a doação. O Criador quer nos dar o atributo de doação que nos preencherá da mesma forma que O preenche.

O Criador criou o desejo de receber “a partir da ausência”, mas é apenas “um grama” de desejo. Exceto por esse um grama, não há mais desejo de receber. Tudo o resto se desenvolve dentro dele sob a influência da Luz, a força de doação. Assim, quando a criatura sente a satisfação em sua quarta e última fase de desenvolvimento, ela é preenchida com a atitude do Criador em relação a ela. Em seguida, ela se limita porque sente vergonha…

A criatura não obtem satisfação maior do que um grama dentro do desejo de receber. Isso ocorre porque dentro do desejo de receber, há somente um grama. Todas as outras coisas nele são adicionadas graças ao atributo de doação.

O atributo de doação transforma o desejo de receber, que quer satisfazer a si mesmo, em um desejo de satisfazer os outros. Este atributo da doação é a única adição à “existência a partir da ausência”. Portanto, tudo depende e é medido em relação ao atributo de doação, em relação ao Criador.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 15/01/12, Escritos do Rabash

Quando Vencido Pelo Sono Mortal

Dr. Michael LaitmanSe não há desejo no coração de uma pessoa, ela adormece e é considerada morta na espiritualidade. Afinal de contas, a espiritualidade começa quando o desejo a desperta. O desejo nunca vem sozinho.

Mesmo que a pessoa seja despertada pelo Alto, e de repente sinta um desejo em seu coração, um desejo estranho, é tudo por conta do Superior. Somente isso virá até nós do Alto. Embora possa parecer à pessoa que ela avança com o único desejo que lhe foi dado como um presente do Alto, ela não pode avançar por si mesma. O desejo vai embora da mesma forma que veio, deixando quase nenhum vestígio.

Nós temos que tentar e precisamos esclarecer exatamente de onde vem o nosso desejo. Ele pode vir do grupo, de um amigo, de uma impressão, de determinado evento, ou de certa memória. A pessoa atribui tudo isso a si mesma porque não sabe e não pode sentir que ele vem de fora. Mas ela deve calcular e verificar se estava procurando por ele um momento antes disso; sob tensão, ela tentou alcançar esse desejo? Se não há nada que una o momento anterior ao surgimento do desejo, isso significa que ele não é seu, mas que simplesmente passou por ela e não foi registrado em sua conta.

Este desejo não a leva à correção, mas é um pouco como um exercício dado a uma criança de modo que ela aprenda. Mas não é considerado parte do próprio desenvolvimento pessoal. Enquanto que um exemplo em conjunto com a sua participação é suficiente para a criança, para nós é insuficiente. Todo o nosso avanço é apenas graças ao nosso próprio desejo.

Isso significa que eu tenho que me esforçar com relação ao meu ambiente e os livros em situações onde não posso fazer isso e não tenho qualquer desejo anterior. É de tais situações que eu tenho que tentar, de alguma forma, despertar.

Aqui, o hábito de trabalhar de acordo com um programa claro é muito importante, pois agora eu sei o que tenho que fazer. Então, eu vou me lembrar e me obrigar a fazê-lo. Isso também pode ser graças à garantia mútua no grupo, que sempre me faz lembrar da minha obrigação para comigo e os outros.

Eu posso obter suporte adicional se construir um sistema em torno de mim que constantemente me lembre como é importante a espiritualidade e me faz procurar novamente.

Mas mesmo se sou lembrado do Alto de uma maneira que não entendo, por “influência direta e indireta do Criador”, nos caminhos ocultos em que o Criador age – depois eu ainda tenho que continuar sozinho, até descubrir meu próprio desejo.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 11/01/12, O Zohar

Vendo O Mundo Através Do Desejo

Dr. Michael LaitmanQuando nós chegamos à sabedoria da Cabalá através de diferentes eventos em nossas vidas, nós pensamos que o mundo espiritual tem uma forma externa, semelhante a este mundo, onde há diferentes objetos que têm um volume, e que não há movimento e tempo lá. É assim que a pessoa imagina o mundo espiritual, com base nas impressões que ela tem desse mundo, que ela está acostumada a ver, o que significa dizer, que ela está acostumada a sentir. Ela acha que pode sentir o mundo espiritual desta maneira.

Ao estudar a sabedoria da Cabalá, nós estudamos a “percepção da realidade”, segundo a qual toda a imagem da realidade é revelada dentro do nosso desejo. Todas as imagens que vemos e a sensação de movimento, espaço, tempo e volume são todos discernimentos do desejo.

Certo desejo nos dá a sensação de tempo, outro desejo nos dá a sensação de mudança e um terceiro desejo nos dá a sensação de volume, e assim por diante. Cores, sons, altura e largura são todos diferentes desejos ou vetores que, juntos, representam o mundo para nós, tanto este mundo quanto o mundo espiritual.

A única diferença é que em nosso mundo nós imaginamos que estamos entre as figuras que realmente existem no exterior, enquanto no mundo espiritual, sentimos e entendemos que nossas forças internas são aquelas que criam a realidade dentro de nós. Nós sentimos e compreendemos isto de acordo com nosso controle sobre essas forças ou desejos.

Se eu não controlo as forças do meu próprio desejo, essas forças externas parecem como se não estivessem sob meu controle. No entanto, se eu começo a controlá-las com a ajuda da restrição e das Masachim (telas), como resultado de minha tentativa de controlá-las, eu as revelo como forças internas sob meu controle.

Assim, aos poucos nós começamos a perceber o mundo em sua verdadeira forma, até mesmo este mundo que estamos acostumados a ver como externo é gradualmente sentido mais como um mundo interno que está dentro de nós. Então, nós entendemos como os escritores do Livro do Zohar olharam para a realidade, como sentiram a realidade, e como transmitem isso para nós quando a descrevem em palavras deste mundo, em termos Cabalísticos, na linguagem do Midrash, ou da moral.

Na verdade, tudo o que eles falam é das forças internas de uma pessoa e dos desejos nos quais a Luz traz todas as formas e impressões. É apenas sobre como os desejos são impressionados pela Luz.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 05/01/12, O Zohar

Os Desejos Que Eu Não Escolho

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quão detalhado e amplo deve ser o curso básico sobre “Evolução como Desenvolvimento do Egoísmo”?

Resposta: Ele deve ser o mais detalhado e extenso possível, porque todos os outros cursos vão derivar e fazer parte do curso principal.

Depois disso virá um curso sobre o livre arbítrio: será que ele existe, o que ele realmente é. Este curso é muito amplo e contém muitos tópicos. Nós não apenas estudamos se o livre arbítrio existe ou não, e como e onde ele pode ser realizado, mas também exatamente em quais elementos da natureza ele existe, será que o ser humano o possui, em qual nível de desenvolvimento, como fazer a diferença entre o livre arbítrio e o determinismo, e assim por diante.

Afinal, nós não sabemos de onde surgem os nossos desejos. Parece-me que eles são meus, mas, na realidade, eles vêm de fora. De onde? Por quê? Os desejos surgem comigo sob a influência da sociedade circundante: eu assisto TV e, de repente, começo a desejar o que está sendo mostrado a mim, e isso é percebido inconscientemente por mim como o meu próprio desejo. No dia seguinte, eu já quero adquirir o que eu vi na TV ontem, e acredito que estou realizando o meu próprio desejo. Todos nós entendemos que é assim que nós somos comprados e como as coisas são vendidas para nós.

Tudo isso deve ser explicado porque está ligado à tomada de decisão, à consciência de onde reside o meu livre arbítrio, e se eu posso ser livre de todas as possíveis idéias e valores impostos sobre mim, que na verdade não são nem valores, nem idéias, mas simplesmente negócios.

Cada tópico que nós desenvolvemos e ensinamos fornece à pessoa uma vasta área de atividade, e é por isso que a informação deve ser transmitida usando um monte de exemplos e discussões. Às vezes, quando você acabou de oferecer o material a uma pessoa do púlpito e de frente, ela não o absorve. No entanto, através de algumas explicações, jogos e situações, ela começa a entender o que estava sendo dito.

Da “Palestra sobre a Educação Integral” 12/12/11

Suposto Desejo, Suposta Luz

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como é que eu, sendo quebrado e tendo apenas pedidos egoístas, serei capaz de doar?

Resposta: Você não é capaz de doar, e ninguém espera isso de você. Espera-se que você faça o que você é capaz de fazer: exigir a correção.

Naturalmente, isso será falso e você está mentindo quando diz que deseja a verdadeira correção. Mas quanto mais você desejar esta falsa correção, insista como se você realmente a quisesse! Isso é chamado de jogo, através do qual nós crescemos, aprendemos, nos tornamos sábios e avançamos.

É claro que eu não quero isso, mas eu atuo como se quisesse. Não há escolha – de que outra eu vou querer estar nesse estado sem estar nele? É por isso que você recebe essa transição através do “como se” – uma oportunidade.

Mais tarde, nós entenderemos porque este mundo foi criado dessa maneira específica, sem estar no espaço espiritual, com a gente tendo que subir a partir dele. Alcançar a percepção do mundo superior é um jogo. É claro que tudo é uma mentira se estivéssemos observando isso de uma forma sã.

Porém, de que forma uma criança brincando com um carrinho de plástico não é uma farsa? Mas é assim que ela cresce. Nosso mundo foi criado dessa forma por uma razão, e isso reflete exatamente o fato de que a criatura foi intencionalmente criada oposta ao Criador e deve distanciar-se Dele para se sentir como uma criatura. Por outro lado, ela deve se tornar semelhante ao Criador.

Essa transição de alguém que está separado, mas ao mesmo tempo torna-se semelhante, só pode ser feita desta forma: atue como se você estivesse num estado de semelhança, embora você comece separado.

Isso ajuda você a descobrir o quanto você “supostamente” quer isso! E este “suposto” desejo atrai a Luz circundante para você. Esta Luz não é ainda a Luz verdadeira, é a “suposta” Luz! Desta forma, nós estabelecemos uma conexão com ela.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 27/12/11, “Estudo das Dez Sefirot

A Tela É Um Cálculo Para O Trabalho Com O Desejo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Do que é composta a tela e como ela é capaz de impedir que a Luz neutralize o desejo?

Resposta: A tela não é o desejo, mas a força de resistência. A tela é sentida como um cálculo para o trabalho no desejo.

Como eu posso superar o desejo se estou nele? Eu recebo uma força especial do lado de fora (do ambiente ou da Luz, isto é, de algum fator externo), que permite que eu me separe do meu desejo.

Então, eu não me afundo no meu desejo e nem me identifico com ele. Eu não estou sob seu controle quando penso apenas em satisfazê-lo, semelhante a um escravo que recebe ordens de seu mestre e sai correndo para procurar como realizar o que o patrão pediu. Eu recebo um tipo diferente de força do Alto, um cálculo diferente, que acontece tanto por meio de grandes sofrimentos ou através da iluminação intelectual.

Antes disso, eu só me preocupava com o meu desejo e queria satisfazê-lo, isto é, eu era um grande egoísta. Este grande egoísta não existe mais dentro do seu pequeno desejo. Ele está separado dele e, de lado, examina como é possível satisfazê-lo mais e mais.

Mas ao me separar do egoísmo em prol de maior satisfação, eu começo a realizar um cálculo fora do meu ego. Um tipo de divisão é criado entre o meu ego e eu na tomada de decisão: a mente e o meu desejo estão como que divididos. Então, eu começo a entender que o desejo sempre escraviza a mente e me transforma em seu escravo.

Muitas pessoas no mundo experimentam isso, como, por exemplo, os alcoólatras ou viciados em drogas. Se alguma coisa provoca dano óbvio, a pessoa compreende que ela se tornou um escravo do seu desejo, do hábito vicioso.

Mas se eu olhar para o meu desejo de lado (obviamente, um ego grande e desenvolvido é necessário aqui: tanto a mente quanto o desejo), eu começo a ter pena que eu sempre o obedeço. Eu gostaria de certo alívio dele, e é aqui que começa o desenvolvimento do homem.

Eu começo a refletir se é possível alterar de alguma forma os meus desejos, limitar alguns deles e aumentar os outros? Isto é possível através do ambiente. Se a quebra não tivesse ocorrido e o ambiente não tivesse surgido, não teríamos qualquer chance de sair de nossos desejos. Mas, visto que eu estou conectado ao ambiente que me desperta e me dá valores diferentes, como resultado disto, eu mudo gradualmente.

Eu os comparo com meus valores e vejo que estou interessado apenas na boa comida, e se o ambiente fala de música, teatro e ópera, eu começo a sentir vergonha e começo a fazer cálculos que me distanciam do meu desejo. No mínimo eu começo a criticá-lo e, assim, um problema é criado: eu já não estou mais satisfeito comigo mesmo e sou obrigado a mudar para me ajustar ao ambiente.

Assim, a influência do ambiente nos leva a tal cálculo, quando estamos preparados para mudar completamente – apenas para que os outros nos respeitem. Mas, por enquanto, eu atuo de forma puramente egoísta, sem qualquer tela. Por enquanto, é a tela egoísta. Eu quero ser magro e bonito; assim, eu limito a minha ingestão de alimentos. Embora isso também não seja fácil, as pessoas fazem isso de qualquer maneira. Tudo depende do que é mais importante para mim e o que me dá maior prazer: a minha aparência exterior ou a comida.

Tudo depende do meu cálculo, quando com a ajuda do ambiente eu posso aumentar a importância de uma coisa em detrimento de outra. Assim, quem estiver interessado em perder peso ou em ser reabilitado de um hábito nocivo deve ser incluído numa sociedade que valoriza a vida sem esse hábito.

Mas se você quer adquirir a tela antiegoísta, isso é outra coisa. Para isso você precisa de um ambiente que faça você sentir a importância da doação. Deve lhe doer que você não seja capaz de doar. Você vai sentir que é menosprezado por causa disso, que não vale nada e está desperdiçando sua vida; que, em geral, não há razão para viver se você não atinge o atributo de doação.

A influência do ambiente precisa ser muito forte, até o ponto onde você sente que preferiria morrer do que viver assim. Então, você começará a exigir, pedir, orar, realizar todos os tipos de cálculos e ações a fim de adquirir a tela. Quando você perceber que não há como alcançá-la, você começará a pedir a Luz que Reforma. Isto é o que o levará ao reconhecimento do mal.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 15/12/11, TES