Textos com a Tag 'Criação'

Uma Criança Esperta Brincando De Doação

Dr. Michael LaitmanA criação é apenas o desejo que surge “a partir da ausência” em virtude da Luz e que gradualmente atinge o seu estado. No início, ela simplesmente quer desfrutar, mas depois começa a entender que está completamente sob o domínio do desejo.

É assim que o desejo cresce gradualmente, até que percebe a sua total oposição à Luz. A primeira vez ocorre durante a 4ª fase da expansão da Luz Direta, no estado chamado de Malchut do mundo do Infinito.

A criatura não consegue manter esta condição e se restringe. Isso a força a estabelecer uma nova relação com o Criador. Ela se sente obrigada a ser como Ele e se esforça para fazer isso, até que todas as suas tentativas levam à penetração mútua de um no outro, o que é chamado de “quebra dos desejos”.

Parece-nos que a quebra é algo negativo. Mas, na realidade, é o contrário. Devido a ela, a criatura entende sua total incapacidade de ser como o Criador.

Para se tornar um doador e semelhante ao Criador no estado de quebra, falta-lhe apenas esforços. Mais tarde, ele será capaz de chegar à doação e à ascensão a partir de um estado muito pior. No entanto, em primeiro lugar, ele tem que experimentar a realização do mal, da oração, do trabalho, das boas ações, e até que tenha tudo isso, não será capaz de tornar-se igual ao Criador e ser como Ele.

Até que a criatura tenha obtido o vaso espiritual, ou seja, a compreensão, a sensação do próprio esforço, a realização do desejo, é impossível dizer que ela é semelhante ao Criador. A criança não pode ser uma doadora. Ela pode fazer algo pequeno, brincar com seus brinquedos. Mas se ela realmente quer se tornar como um adulto, deve desenvolver uma variedade de sensações em si mesma.

Assim, depois de todo desenvolvimento histórico e espiritual, que nos foi dado como uma preparação pelo Alto, nós descobrimos que dois desejos co-existem dentro de nós: o nosso próprio e um desejo adicional. O ser humano dentro de nós começa com isso. O próprio desejo natural da pessoa a arrasta para os prazeres que ela vê a sua frente. O desejo adicional a arrasta a tipos especiais e espirituais de prazer; no entanto, ela não pode sentir nada além do prazer.

Nós vemos em uma pessoa do nosso mundo o seu corpo material, físico. Não se trata disso, mas do desejo arrastando-a em duas direções. Um deles é direcionado para o que é revelado à pessoa em seus cinco órgãos sensoriais. O outro é chamado “ponto no coração”, e ainda não está claro para a pessoa para onde esse desejo a arrasta e se vale a pena usá-lo.

A partir do momento em que estes dois desejos se manifestam na pessoa, ela é chamada de ser humano. Devido a estes dois estados, ela pode tornar-se semelhante ao Criador (Edome), ou seja, ser chamada de homem (Adão, da palavra “Domeh“ou similar). A pessoa só precisa saber os meios, para aprender a usar esses dois desejos despertados nela.

Um desejo é antigo e é chamado de “rei velho e insensato”; o outro é novo e crescente como uma “criança esperta (inteligente)” Se a pessoa quiser tratá-los corretamente, isto só é possível com a ajuda da força superior. Assim, ela não pode avançar por conta própria e precisa de um mentor.

Tudo é dada pelo Alto: as pessoas são levadas ao lugar certo para estudar; todas as condições necessárias são criadas para elas, de modo que possam aceitar esta orientação e usá-la. Tudo é dada pelo Alto, exceto o esforço que devemos adicionar a nós mesmos! Estes esforços constroem o ser humano.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 07/06/11, Shamati # 161

O Mestre E Sua Criação Divina

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Prefácio à Sabedoria da Cabalá”, Item 1: Rabi Hanania Filho de Akashia diz: “O Criador quis limpar Israel; portanto, Ele lhes deu abundante Torá e Mitzvot (mandamentos), … É como os nossos sábios disseram: “As Mitzvot só foram dadas para a purificação de Israel”. (Bereshit Rabba, Parasha 44). Devemos entender esta limpeza, que alcançamos através da Torá e Mitzvot, e o que é a Aviut (espessura/ grossura/desejo de receber) dentro de nós, que devemos limpar com a Torá e Mitzvot.

Nós sabemos que só uma força age no mundo além da qual não há mais nada. Mas, nesse caso, ela parece estar fazendo algumas coisas realmente “tolas”. Por que ela nos faz egoístas, grosseiros, escuros, insensíveis, e, basicamente, ruins?

É realmente uma boa criação? Se o Criador é perfeitamente bom, como podemos obter algo de ruim Dele? Se a criatura é má, devemos culpar o Criador que a criou. De onde mais pode vir a falha, se não de sua raiz? Além disso, se o Criador criou tal vício e, intencionalmente, nos criou imperfeitos e egoístas, por que Ele mais tarde nos deu um remédio chamado Torá e Mitzvot (mandamentos) e nos força a corrigir o que Ele corrompeu e tornou mal em nós?

Estas questões são profundas. Na verdade, nós só começamos a compreendê-las quando começamos a subir os degraus espirituais. É aí que chegamos a perceber que a vantagem da Luz só pode ser aprendido na escuridão. Se não tivéssemos esta escuridão, em primeiro lugar, não seríamos capazes de alcançar a Luz. Ela não pode ser encontrada de outra forma.

Não pense que ela é um pagamento pelo seu trabalho e que alguém precisa de você para fazer o seu trabalho primeiro e ser recompensado por isso depois. É só você que precisa dela, porque se não fosse por essa escuridão que você se dirige à Luz, você não teria nenhuma chance de sentir o que é a Luz!

Nós começamos a percebê-la apenas quando entramos no mundo espiritual e começamos a executar os atos de correção, transformando a escuridão na Luz com a ajuda da Torá e Mitzvot, uma seqüência específica de atos espirituais que precisamos executar com precisão perfeita.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 23/05/11, “Prefácio à Sabedoria da Cabalá”

Um Ponto Que Contém O Infinito

Dr. Michael LaitmanTudo começa com um ponto negro “criado a partir da ausência”, sobre o qual a Luz superior age e desenvolve a criatura. Todo o desenvolvimento, com exceção desse ponto de “Yesh Mi Ain” (existência a partir da ausência) é feito pela Luz, a força que atua na criatura, na parte que está sendo “guiada”.

Portanto, onde nós conseguimos tais qualidades especiais como indivíduos? Da Luz! O ponto da criação “a partir da ausência” é um mero ponto. Mas o Criador divide Sua relação em bilhões de criaturas e depois as reune e amarra juntas, de todas as formas possíveis, para que cada uma esteja conectada com as outras sete bilhões. Assim, Ele deseja se expressar dentro da matéria da “existência a partir da ausência”.

Ele não seria capaz de expressar isso de outra forma, exceto através de tal número elevado de pequenas criaturas, cada uma delas criada de uma maneira única e especial, diferente de qualquer outra. Toda criatura alcança sua correção individual ao renunciar a parte do “Yesh Mi Ain” (existência a partir da ausência) em si mesma e adquire o desejo de ser formada pelas qualidades de “Yesh Mi Yesh” (existência a partir da existência), que podem ajudá-la a unir-se com as demais. Assim, ela aumenta sua “Yesh Mi Yesh” a partir de um pequeno ponto fornecido pelo Criador até o Infinito, até o estado elevado do Criador.

Como eu, este ponto minúsculo que surgiu do nada, que foi criado com praticamente zero de conexão com o Criador, alcanço a Sua revelação? Eu me uno com todos os outros pontos (desejos), anulando a minha “existência a partir da ausência”, o que permite com que a minha “existência a partir da existência” cresça até o tamanho de toda a criação, a qual eu uno a mim.

Em outras palavras, conectando-se assim, eu crio a partir deste ponto todo o vaso espiritual (“Yesh Mi Yesh“), preenchido com a conexão infinita com o Criador (“Yesh Mi Yesh“) em relação a todos. Isso só pode ser feito multiplicando essas pequenas partes, cada qual unida com o restante, e assim, todas elas se entrelaçam com as demais como várias camadas.

A pessoa se une com outra; então, as duas anteriores, que se tornaram uma, unem-se  a uma terceira e se entrelaçam interiormente, e depois as três se unem com mais uma, e assim por diante. Então, não é apenas a minha conexão com todos os outros, mas sim um sistema multidimensional de conexão. Este é o único meio para o Criador se expressar dentro da criação em geral até a conclusão deste trabalho, no final da correção (Gmar Tikun).

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/05/11, Talmud Eser Sefirot

Os Dois Lados Do Pensamento Da Criação

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é a diferença entre o Pensamento da Criação e o Criador?

Resposta: Tudo o que dizemos é em referência (relação) a nós. Nós não sabemos nada, exceto as coisas que acontecem dentro do nosso desejo. E mesmo quando revelamos a existência da Luz (“a existência a partir da existência”), que criou o desejo (“a existência a partir da ausência”), também baseamos isso no desejo que nos revela o que supostamente aconteceu diante de nós desta maneira. Todas as nossas conquistas vêm da sensação da matéria em nosso desejo.

Por esta razão, quando falamos de percepção, uma sensação dentro do desejo, dividimos toda a nossa percepção em três componentes:

  • aquele que percebe (eu sou o sujeito que percebe),
  • o que está sendo percebido ( o que eu percebo do Criador),
  • de quem isso está sendo percebido (a origem da sensação, o Criador).

À medida que eu descubro a minha capacidade de mudar a percepção do Criador, a quem eu sinto em termos daquilo que Ele quer com base em uma conexão comigo, eu começo a ter um vínculo com Ele e mudo o nosso relacionamento. Como sei que estou mudando? Isso vem das minhas sensações. Como eu sei o que Ele sente e como Ele reage ao mesmo tempo? Isso também vem das minhas sensações. Tudo é baseado apenas em minhas sensações; eu não tenho nenhuma outra qualidade de percepção. Tudo existe apenas dentro do desejo.

É por isso que dizemos que HaVaYaH (o nome de quatro letras do Criador , “Yod-Key-Vav-Key“) são os quatro estágios do desenvolvimento do desejo. A revelação do Criador no homem (Criador ou ” Bo-Reh” refere-se a “venha e veja”) ocorre apenas depois disso.

Os mundos também existem apenas em nossa percepção, sob a forma de revelações e ocultações (“mundo” ou ” Olam” vem da palavra “Alama” ou “ocultação”). A escada de níveis espirituais também existe dentro do homem. O grupo, a humanidade, toda a realidade, o mundo do Infinito, tudo está dentro de nós.

Mas o que eu alcanço através de todos os meus esforços em querer saber quem sou e o que sou, quem é o Criador, o que Ele quer de mim, e qual é a minha conexão com Ele? Como resultado de todos estes esforços e de uma longa jornada, quando nos damos conta de todas as possibilidades que recebemos, nós alcançamos uma percepção única, um entendimento único, uma sensação única, chamada de “o Pensamento da Criação é dar alegria às criaturas”. Este plano inclui tudo: Quem é Aquele que agrada as criaturas, que tipo de prazer é esse, quem são estas criaturas, tudo.

O estado em que atingimos o Pensamento da Criação é chamado “o ponto de adesão” ou “uma gota de adesão”, porque em nossa percepção tudo se concentra em um ponto do Pensamento da Criação. Nós o alcançamos através de nossos esforços, à medida que desejamos unir-nos com o Criador, e é por isso que chamammos de “uma gota de adesão”.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/05/11, Talmud Eser Sefirot

Precursores Da Crise Moderna: Um Breve Estudo Desde O Início Da Criação

Dr. Michael LaitmanA sabedoria da Cabalá falá-nos sobre a realidade inteira. Começando no início do desenvolvimento, leva-nos através de todas as suas etapas até a conclusão.

O ponto inicial é a força superior chamada “natureza” ou “o Criador”. Não tendo nenhuma idéia sobre o que a precedeu, passamos a conhecê-la como uma mãe. Não havia nada antes delea. Nossa história começa a partir do momento em que a força superior começou a criar os níveis de matéria:inanimada, vegetal, animal e falante.

Em primeiro lugar, ela usou sua própria força para formar a forças de suporte que a compõem e criam. Estas forças imediatamente dividiram-se em duas: a matéria da criação e a força do Criador, em outras palavras, mais e menos, luz e escuridão que afectam a matéria para a desenvolver. Sob a influência dessas duas forças, a matéria começou a reagir, responder, experimentar sensações, e assim evoluir.

Uma dessas duas forças, chamada “linha direita”, é preenchida com a natureza do Criador (amor e doação)e, como resultado, é capaz de dar vida à matéria. A outra força é a força do egoísmo, oposta ao Criador e agindo de tal forma, a despeito Dele. No entanto, na realidade, ambas as forças operam de acordo com o programa superior.

O Criador age de cima com a sua única força que está dividida em duas: as forças de doação e recepção. Nossa matéria está entre elas. Assim, estas duas forças colocam-nos em movimento. Elas afetam a matéria e estimulam o seu desenvolvimento nos niveis inanimado, vegetal, animal e falante.

Forerunners Of The Modern Crisis_01

No início, este desenvolvimento afeta apenas as forças que gradualmente formam a matéria, até que a matéria não atinja a fase final. Então, a matéria explode. Graças a esta explosão, um único evento ocorre. As duas forças, pólos positivo e negativo, misturam-se. Anteriormente, elas trabalhavam na matéria de ambos os lados, e agora alcançam a quebra, tornam-se incluídas uma na outra e coexistem na matéria, misturadas de tal forma que é impossível distingui-las, como numa grande confusão.

Até agora, o processo ocorreu apenas no nível das forças, do pensamento e do programa. No entanto, agora a força transforma-se na matéria deste mundo. Primeiramente, o lugar para o nosso espaço surgiu como resultado do Big Bang. Anteriormente, não havia espaço para o nosso universo. Depois, a matéria começou a desenvolver-se a partir da centelha de energia espiritual, a partir de um pequeno ponto de Luz. Essa minúscula partícula de Luz espiritual foi suficiente para criar a matéria para todo o universo.

Além disso, durante o seu desenvolvimento, a matéria criou as galáxias, o Sistema Solar, e a Terra, onde estamos crescendo no mesmo sentido, nos niveis inanimado,vegetal, animal, e falante, paralelamente ao desenvolvimento espiritual.

Forerunners Of The Modern Crisis_02

Como resultado, no quarto nível de desenvolvimento, a força do Criador e a sua força oposta finalmente misturam-se, e encontramo-nos na situação atual.

A preparação está concluida. A partir de agora, temos que verificar o que fazer a seguir. Temos duas forças misturadas uma com a outra. Elas completaram o seu desenvolvimento e chocam-se entre si dentro de nós, tanto que não sabemos o que fazer. Sentimo-nos mal.

Aqui, encontramos a sabedoria da Cabalá, o método que nos permite equilibrar e unir estas duas forças, que estabelece o equilíbrio e a harmonia entre elas.

Da 2ª Lição na Convenção de Roma, em 21/05/11

Movimento Perpétuo Da Criação

Dr. Michael LaitmanO nosso desejo de desfrutar está constantemente mudando e crescendo. Há um motor interno nele que continua girando e, assim, revelando o nosso desejo de desfrutar, uma camada após a outra.

Se eu não estou em sintonia com este motor e não corrijo meu desejo de receber, para que ele seja preenchido com a Luz, esse desejo revela a escuridão para mim, e eu me sinto pior. Entretanto, o motor continua girano, enquanto eu, não tendo corrigido o meu desejo anterior, estou atrasado e tampouco posso corrigir o meu estado atual. Isso torna a minha vida muito mais difícil e decepcionante. Dia a dia estou me sentindo mais infeliz.

Portanto, se a pessoa entende que nada há de vir do Criador, e que é a criatura quem deve fornecer tudo, se ela percebe que a natureza foi concebida de modo a revelar-nos todo o nosso desejo de receber e tudo que devemos fazer é alcançar a correção, somente então ela percebe a realidade da maneira correta. Tudo depende de nós. A bola está conosco.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/05/11, “Introdução ao Prefácio à Sabedoria da Cabalá”

Não Seja Um Burro No Banquete Do Rei

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se o Criador primeiro criou tudo com perfeição, por que nós devemos corrigir algo?

Resposta: Sim, mas nós ainda não estamos no estado que Ele criou. Nós estamos fora dele, atrás de todo tipo de véus, ocultações. Essas telas só têm a ver conosco, uma vez que somos os únicos que sentimos a ocultação.

O Criador criou somente um estado, considerado o mundo do Infinito. Porém, para sentir que estamos realmente nesse Infinito, precisamos acumular toda sorte de experiências.

Suponha que alguém queira me convidar para algum prato de comida exótico, mas para que eu aprecie seu estado, eu preciso ter um desejo por ele. Eu presumo que tenho uma ideia do que ele é e como deve ser comido. De outra forma, eu não vou conseguir, como o fazendeiro mencionado no Livro do Zohar que viveu numa fazenda toda sua vida, cultivou trigo, e, até que visitou a cidade, nunca havia suspeitado quantas coisas deliciosas podiam ser feitas com o trigo. Tudo que ele conhecia era o grão duro.

Assim, enquanto estivermos na Luz do Infinito, nós a sentimos somente como um burro sente, mastigando o grão duro. À excessão do “grão” simples e da “água”, nós não desejaremos nada mais. Nós não sentimos na Luz do Infinito todas as delícias que o Criador preparou para nós.

Portanto, como começamos a desejar a Luz que preenche o Infinito e sentimos nela todas suas manifestações, em toda sua profundidade, com total clareza? Nós não temos tal necessidade. Nós precisamos criá-la dentro de nós mesmos.

Para construir um desejo para sentir o aroma da torta mais doce, ao invés do grão duro, para sentir o Infinito ao invés da mínima Luz de Nefesh de Nefesh, enquanto permanecemos no mesmo estado e na mesma Luz, nós precisamos cultivar o desejo. O desejo cresce através da ocultação, quando me mostram um pouquinho da Luz e, então, ela se oculta novamente, expondo- se e ocultando-se. Isso é considerado “flertar”, brincar.

Esse é um jogo muito sério, uma vez que a ocultação aumenta o desejo. É assim que a Luz joga conosco, expondo- se e ocultando-se. Por isso, nós nos retiramos do mundo do Infinito e nos separamos dele através de numerosas ocultações, até terminarmos nesse mundo, nessa total ocultação.

Tudo que precisamos é do desejo. No instante que eu o conseguir, eu receberei a “torta” preciosa. Tão logo ele cresça um pouco mais, receberei uma delícia maior. Em cada novo passo, eu preciso aumentar meu desejo, e a Luz superior começa a me iluminar com força total. Meu desejo permite que eu me conecte com Ela e que Ela entre em mim.

O Criador criou todos esses estados desde o início, mas de fora de todo o Infinito, você agora só pode sentir a mínima Luz de Nefesh. Isso ocorre porque você não tem um desejo próprio de querer especificamente isso e sentir dor porque lhe falta isso.

Esse desejo tem que ser totalmente novo, diferente do seu desejo instintivo. Você o recebe ao se obrigar, anular a si mesmo e lutar com toda sua natureza. Quando você começa a desejar a Luz dessa maneira, este será um desejo autêntico. Em outras palavras, você precisa desejar doar!

Atualmente, isso parece algo totalmente estúpido, certa doação estranha e amor. No entanto, essa são palavras simplesmente familiars que significam um novo tipo de desejo que ainda não existe em nós.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/05/11, Talmud Eser Sefirot

O Criador É Conhecido Por Suas Ações

Dr. Michael LaitmanOs Cabalistas começam nos contando sobre a criação, dizendo que “antes das criaturas serem criadas, a Luz superior simples preenchia toda a existência” (palavras iniciais do livro do Ari, A Árvore da Vida). Em outras palavras, a realidade já existia, a qual é o desejo da criatura de sentir prazer que foi preenchido com  Luz.

O plano da criação é deleitar os seres criados. E este presente que o Criador deseja doar só pode ser aceito com duas condições: a criatura deve se tornar como o Criador e, ao mesmo tempo, ser independente Dele.

O melhor estado de existência é sentir a presença do Criador. É o maior prazer, e ele deve ser sentido independentemente de qualquer outra pessoa. O ser criado deve ser completamente autônomo e igual ao Criador.

Portanto, a força superior está oculta. Neste momento, estamos rodeados por varias ondas de rádio, mas a unica pessoa quem tem conhecimento delas é a que possui um rádio capaz de receber algo que possa reproduzi-la interiormente, com as  propriedades delas. Estamos cercados por uma luz branca, mas nós a percebemos como azul, vermelho e todas as outras cores. Enquanto a luz em si não tem cor, a cor é criada por aquele que a recebe, absorvendo apenas certas ondas através de um prisma próprio.

Assim, a luz nos parece amarela, azul e vermelha. Na verdade, a razão para isto é o vidro que pára e reflete essas ondas que se parecem com cores. Mas não há sombras na luz em si.

Desta mesma forma nós percebemos o Criador. Na medida em que pudermos nos igualar a Ele, Sua propriedade de doação, em cada um dos 613 desejos, nestes muitos desejos e níveis, nós  perceberemos o Criador. Então, gradualmente, começaremos a conhecê-Lo em pequenas porções.

No homem, há sempre 613 desejos atuando, que são a base da nossa percepção. No entanto, podemos fortalecer o poder deste vaso espiritual ao nos elevarmos nos 125 degraus da equivalência com o Criador, até que todos os nossos 613 desejos se tornem totalmente idênticos a Ele. Assim, nós alcançamos o Criador, e isto é considerado como “conhecê-Lo por Suas ações”.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 08/04/11, Escritos do Rabash

O Pior Pesadelo Da Criação

Dr. Michael LaitmanNós precisamos unificar Israel, a Torá e o Criador como um (a pessoa  esforcando-se diretamente à Luz e o Criador). Cada parte deve se esforçar para se unir com os outros, para que no final ela possa doar à Luz. É como no início, a Luz era a única a doar, tendo dotado Malchut com a sensação de Seu amor, levando-a a todas as ações que começaram com a Primeira Restrição (Tzimtzum Aleph) e revelaram-se mais abaixo.

Mas quando, depois de todas esses correções, Malchut retorna ao mesmo estado de perfeição, plenitude e unidade, no seu amor e doação em relação a Luz do Infinito, nós começamos a ver que tudo isso é apenas uma criatura, que passou por todos os tipos de “sofrimentos”.

Estas “situações difíceis” são consideradas como os “mundos”, da palavra “ocultações” em hebraico. São ocultações do estado perfeito do Infinito, de maneira a retirar-se desta sensação de realização e se submeter a todos os tipos de experiências interiores,  impressões, escolhas e guerras, para construir dentro uma relação idêntica com a Luz, ao atravessar os estados de separação dela e, depois, aproximando-se do mundo do Infinito,  para finalmente chegar à adesão total.

Em todo este processo, existem infinitos detalhes, cada um dos quais está relacionado com o início e o fim do processo. Afinal, nós também participamos deste emaranhado de sentimentos que Malchut experimenta, causado pela colisão da Luz e do vaso, o prazer e o desejo, a força do Criador e a da criatura. Nós atravessamos os mesmos estados individualmente, como partes de Malchut, de modo que no final nós nos sentimos como uma única alma.

Afinal, há apenas uma criatura: Malchut do mundo do Infinito. E cada um de nós deve se unificar com todos os outros, tendo superado este terrível pesadelo e nossa separação ilusória, essa ocultação de um estado perfeito e eterno. Então, todos vão ver que estão incluídos em todos os outros com seus sentimentos, pensamentos, amor e doação.

Portanto, precisamos fazer tudo o que pudermos para acelerar o nosso despertar deste sonho. Está escrito que o Criador nos trará de volta “fora de Sião”, isto é, que há uma saída (Yetzia) desta realidade, deste sono. Então, vamos ver que estávamos em um estado de sonho e iremos nos unificar em uma só alma.

Espero que a próxima convenção nos ajude a dar um enorme salto adiante, para que acordemos e nos sintamos como uma só alma.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/03/11, Preparação para a Convenção NÓS!

A Criação Multidimensional

Dr. Michael LaitmanO Criador criou um único desejo que, inicialmente, estava em total união com a Luz que o concebeu, em uma adesão sustentada pelo poder da Luz. Esse é o primeiro e, da parte do Criador, totalmente perfeito estado; somente a criatura não o sente. Isso é porque esse estado foi criado pelo Criador, e lhe falta a consciência da criatura. Essencialmente, não há criação ainda, há somente algo que foi criado e existe por causa da força que o gerou.

Assim, o ser criado precisa passar por um longo processo para ganhar autoconhecimento, e existem vários estágios nesse caminho. Primeiro, ele parece não existir de forma alguma, como “existência a partir da ausência” (Yesh Mi Ain). Porém, no final, a criatura é preparada para se tornar “existência a partir da existência” (Yesh Mi Yesh), isto é, como o Criador.

A criatura supera essa discrepância, de “Yesh Mi Ain” a “Yesh Mi Yesh”, gradualmente, pelo seu desenvolvimento passo a passo, adquirindo finalmente uma segunda natureza: a natureza do Criador. Porém, para alcançar isso, ela tem que agir independentemente, para alcançar por si mesma: o que a criação, “Yesh Mi Ain”, e o Criador, “Yesh Mi Yesh”, são e como eles diferem.

Ela tem que acessar constantemente esses dois estados ao concordar ou discordar com eles, isto é, ao declarar seus desejos, tendo recebido livre arbítrio. Assim, a criatura se aproxima ainda mais da forma do Criador e a aceita não porque ela seja mais prazerosa e benéfica (isto é, não por causa da sua aspiração egoísta), mas porque, de fato, ela adquire as qualidades do Criador, os atributos da doação pura.

Em geral, a realização só é possível através da equivalência de forma. De outra forma, nada pode ser alcançado. Nem o Criador nem Suas qualidades podem ser compreendidos se a pessoa não os possui. Assim, para que o ser criado alcance o Criador completamente e se torne semelhante a Ele, o Criador divide o estado que Ele partilha com o ser criado em múltiplas partes, estados consecutivos, e vários desejos e pensamentos.

Isso pode ser visualizado como a construção de blocos ou como um quebra-cabeça, mas não como um uni ou tridimensional, mas como a construção de blocos em um sem número de dimensões. Qualquer parte desse quebra-cabeça tem um número infinito de lados com os quais se liga a todos os outros, para que assim ninguém tenha nada de si mesmo, mas sempre sua parte superior se conecte com a superior, e sua parte inferior se conecte com a outra parte abaixo dela.

Todos estão todas conectados de tal maneira que ninguém tem nada que pertença a si mesmo, exceto uma coisa: o ponto central no Tabur (umbigo). É o lugar onde cada um decide o quanto quer participar de forma independente, com sua própria realização e consciência, e alcançar essa interconexão onde, contra sua vontade, encontra a si mesmo para dar toda sua força e desejo para sustentar a ligação.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 15/03/11, Escritos do Rabash