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Uma Centelha Viva Da Criação

Dr. Michael LaitmanUma centelha surge especificamente da explosão, colisão, como na batida de uma pedra contra o aço. Uma centelha é algo completamente novo, é o resultado de uma colisão entre dois opostos intransigentes que lutam entre si.

Nada desse tipo existiu antes; a matéria sempre esteve sob controle do Criador. De repente, acontece uma colisão e ela produz uma centelha. Esta centelha também não existe no Criador ou na matéria: tanto na propriedade de doação quanto na propriedade de recepção. Ela é o resultado de uma batida e cria a base que nos permite crescer e nos tornar independente.

Apenas devido a esta centelha é que chamamos a força superior de “Criador”, que fez algo que não existia antes na natureza. A centelha é, de fato, a criação.

Tudo começa com uma grande ruptura, uma colisão, uma faísca. Nosso trabalho é moldar nossa vida em torno dela. Esta centelha é um ponto independente a partir do qual começa o nosso desenvolvimento, à semelhança de um feto na Mãe Superior.

A mãe possui duas forças: Hochma e Hassadim, mas nós ainda precisamos de uma centelha para começar a crescer usando essas duas forças. Caso contrário, a criação não vai existir. Só este tipo particular de sêmen “impregna” a Mãe Superior.

Você realmente acha que qualquer pedaço de matéria colocado Nela pode finalmente se transformar num ser humano? Ela não vai aceitar nada, exceto isso. Ela consiste de duas forças: doação e recepção, que estão separadas por um abismo, um hiato: o terço médio da Sefira Tifferet. É exatamente aí que devemos inserir nossa centelha, uma vez que ela também surgiu como resultado da colisão entre duas forças contraditórias. Quando nós somos colocados dentro da mãe, bem no meio das duas forças opostas de Hochma e Hassadim, na Klipat Noga, nós começamos a crescer lá, o que é chamado de “a semente da pessoa também é abençoada”.

Se eu escolher o desejo de desfrutar na medida em que sou capaz de criar uma tela (a intenção de doar) para ele e os conecto junto, isso significa que eu criei a mim mesmo. Claro, eu faço isso com a ajuda do superior: o grupo, o ambiente e Bina. Assim, a entidade formada lá dentro é chamada de homem ou Adão.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/03/12, TES

Tornando-se Parte Merecedora Da Criação

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Paz”: Tudo na realidade, bom e mau, e até mesmo os mais prejudiciais do mundo, tem o direito de existir e não deve ser erradicado do mundo e destruído. Nós só precisamos consertar e reforma-lo, porque qualquer observação da obra da Criação é suficiente para nos ensinar sobre a grandeza e perfeição do seu Operador e Criador.

Gradualmente, ao longo dos estados do seu desenvolvimento, a humanidade começa a entender isso. Antes queríamos corrigir o mundo e pensávamos que entendíamos algo nele e que poderíamos fazer melhor. Agora, nós não estamos mais tão seguros de nós mesmos, e estamos ainda começando a perceber que é impossível brincar com a natureza.

Deve ser entendido que a natureza é perfeita. Este sistema desceu de cima, e se queremos nos sentir bem nele, temos que nos imaginar estar dentro da natureza, e não maior do que ela. Nós somos apenas uma pequena parte integrante dela, sensível e fraca, graças à nossa sensibilidade extra. É por isso que vale a pena estudar a natureza para descobrir como alcançar o equilíbrio com ela da maneira mais correta.

A coisa mais importante é entender que estamos localizados num mundo perfeito, eterno e corrigido! Mas se nós o vemos como algo mais, então isso é só porque nós estamos olhando através das qualidades não corrigidas, como é dito: “Cada um julga por suas próprias falhas”.

Só esta visão correta do mundo pode construir relacionamentos corrigidos em nós em relação ao ambiente e a nós mesmos, e nos permitirá viver bem e com confiança, com esperança de um bom futuro.

Nós tivemos que chegar a esta conclusão por meio do sofrimento por milhares de anos, recebendo golpe após golpe, até que finalmente nos tornamos mais inteligente e vimos que é assim.

Hoje, está finalmente se tornando claro para o homem o que os Cabalistas escreveram cerca de três a quatro mil anos atrás.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/12/11, “A Paz”

Entre O Céu E A Terra

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Arvut (Garantia Mútua)”, (versão resumida): O propósito da Criação recai sobre os ombros de toda a raça humana. Mas devido à descida da natureza humana ao seu grau mais inferior, que é o amor próprio que domina sem limitação toda a humanidade, não havia outra maneira de negociar com eles e persuadi-los em concordar em tomar para si, a fim de sair do seu mundo estreito para os espaços amplos do amor pelos outros.

A exceção foi a nação de Israel, porque eles foram escravizados no reino selvagem do Egito. Por causa destes dois prólogos, eles foram qualificados para isso, como está escrito: “e lá Israel acampou diante da montanha”, como “um homem em um só coração”. Isto porque cada pessoa da nação se separou completamente do amor próprio, e quis somente beneficiar seu amigo, pois só assim eles estariam qualificados para receber a Luz que Corrige.

A correção do mundo é feita de forma gradual. Ela não pode ocorrer numa única pessoa, mas deve ser dividida entre muitas almas. Ela não pode ser realizada de uma só vez, numa geração, mas sim numa seqüência de gerações. A correção não pode ocorrer se todos forem iguais. Pelo contrário, deve haver diferentes tipos de pessoas. Todas estas condições foram destinadas a facilitar o caminho.

A correção é sempre feita por duas forças: A força do sofrimento que empurra por trás e a força da Luz que nos puxa pela frente. Não faz nenhuma diferença que tipo de pessoas está envolvido. Assim, nós podemos entender porque as almas não são iguais. Algumas começam a correção primeiro – elas são chamadas de Israel, ou seja, aquelas que aspiram “direto ao Criador” (Yashar-El). Elas se corrigem antes que todas as almas participem do processo.

Pessoas que pertencem à categoria de Israel sentem o mal do seu egoísmo crescente, que é chamado de “escravidão do Egito”. Elas desejam adquirir o mundo espiritual, mas encontram resistência: elas são jogadas para trás, e pesos são presos aos seus pés, o que as impede de subir. Isso é chamado de Israel, que sente muitas interrupções no seu caminho espiritual.

Assim, elas recebem uma centelha ardente do desejo espiritual. Finalmente, elas se encontram entre duas forças opostas que puxam para frente e para trás, praticamente partindo-as em duas. Num lado, elas sentem uma atração para o alto e, no outro lado, o exílio Egípcio.

Este contraste é acompanhado de condições difíceis em um processo histórico difícil, em relações hostis por parte do mundo, etc. No entanto, tudo isso nos ajuda a cumprir a correção mais rapidamente do que outros e, em seguida, ajudá-los. Se não fosse pela meta final, para executar as ações do Criador em nosso mundo, a pessoa só poderia ter pena de nós. Nós só podemos justificar dessa maneira se entendermos a missão que nos foi dada.

Existem forças que nos empurram para frente, e há outras forças que não nos deixam avançar. Nós experimentamos um desenvolvimento muito desagradável, “entre o martelo e a bigorna”, mas devemos entender que estamos na verdade no centro das correções, e tudo depende de nós. A humanidade já precisa de nós.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/11/11, “A Arvut (Garantia Mútua)”

Participação Pessoal Obrigatória

Dr. Michael LaitmanExiste um desejo de receber e um desejo de doar. Toda a criação nada mais é que a oposição de um em relação a outro. O desejo de doar manipula o desejo de receber a fim de levá-lo ao reconhecimento de si mesmo e torná-lo equivalente ao desejo de doar. Esse é o programa inicial do desejo de doar.

A natureza do bem, segundo a ciência da Cabalá, é a benevolência (fazer o bem). Como o Criador é perfeito, ele tem um programa para aperfeiçoar a criação. E só há um caminho rumo à perfeição: a criação tem que sentir o estado do Criador. Ele criou a criação oposta a Ele, separada Dele, e Ele guia a criação através de uma seqüência de estados, nos quais a criação alcança a sabedoria do Criador e sente o que há no Criador.

Mas não basta apenas compreender e sentir. A criação alcança a natureza do Criador por si mesma, incluindo tudo que está na criação e sua supervisão. Portanto, a força de doação é chamada de  ”Luz” e a força de recepção é chamada de “vaso”. A equivalência em suas qualidades é chamada de “intenção de doar” ou “tela”. Devido à intenção altruísta e à natureza de sua ação, o desejo de receber se torna aquele que doa. Se ele recebe para agradar alguém, ele, de fato, realiza um ato de recepção utilizando a doação como meio: não há outra maneira dele estabelecer contato e dar algo a alguém.

Como nós podemos participar do processo? Como nós ganhamos mais entendimento? Como nós alcançamos o grau do Criador? Como nós sentimos Suas ações? Em suma, como nos tornamos como Ele? Afinal, este é o objetivo: tornar-se como Ele.

Nós ainda não entendemos o que significa “dar prazer ao Criador”, mas a “equivalência com o Criador” está mais perto de nossa atual compreensão egoísta. Ser como Ele significa doar, entender a doação, assumir a responsabilidade, governar a criação… Tudo se resume nisso.

Na verdade, ser como Ele significa entender, em primeiro lugar, todo o programa e o curso completo das ações presumidas, do início ao fim. Tal entendimento requer que o todo seja desmembrado e depois juntado novamente. Desta maneira, nós revelamos a distância entre o Criador e a criação, junto com a conexão que os leva à equivalência. Com isso, a Luz e a escuridão, o positivo e o negativo, se conectam em cada nível.

No processo do nosso desenvolvimento, sob influência constante da Luz, o vaso adquire várias formas até atingir a “última parada”: a equivalência completa de qualidades com o Criador. Mas o vaso deve atravessar esses estados de mudanças seqüenciais com compreensão, em concordância, desejando-os, e até mesmo agindo independentemente.

Assim, nós precisamos perceber nossa oposição ao Criador, desejar mudar e nos tornar como Ele, compreender o programa que nos mudará, aplicá-lo por vontade própria e realizar toda a cadeia de ações seqüenciais, em nós mesmos e ao mesmo tempo em todos os níveis da criação abaixo de nós: inanimado, vegetal, e animal.

Nós devemos realizar esta subida da quebra à correção com nossa total participação pessoal. Conforme as mudanças exigidas no momento, nós temos que conquistar a mente e o sentimento, ser incluídos no programa comum, e fazer as ações para invocar e guiar as forças necessárias.

Somente desta maneira nós chegaremos à equivalência de forma com o Criador e nos tornaremos como Ele em força, compreensão e tudo mais. Este é o maior grau do nosso desenvolvimento.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 07/11/11, ” Matan Torah (A Entrega da Torá) “

Todos Escrevem O Livro Da Criação

Dr. Michael LaitmanO Criador está agora nos mostrando um sistema comum, integral e perfeito, onde todos estão conectados uns aos outros: na economia e na vida cotidiana, nos bens de consumo e em tudo. Este sistema é tão bem amarrado e todas as suas partes são tão interligadas que não podemos mudar nada no seu interior, independentemente do quanto tentemos influenciá-lo. Por outro lado, qualquer interferência ou tentativa de mudar esse sistema de nossa parte leva à sua reação negativa, tudo a fim de dirigir-nos adequadamente para atingir a mente (inteligência) do Criador.

Nós devemos fazer todos os tipos de ações dentro de nós a fim de alcançar a equivalência com este sistema. Este sistema superior é exatamente o sistema da mente e das emoções; é o programa que o Criador se mostra como Ele mesmo. É o sistema da garantia mútua, amor para com os outros e doação comum, o sistema da mente do Criador.

E nós devemos nos tornar semelhantes a Ele, aproximando cada vez mais todas as nossas qualidades em correspondência plena com este sistema, até que nos vejamos incluídos e unidos com ele e esse processo, que deve ocorrer sem qualquer diferença entre nós. Isto significa que alcançamos a plena integração com a “mente (inteligência) em ação”.

Nesse processo, nós alcançamos a mente, o sentimento e o conhecimento do Criador, Sua altura. Ao nos tornarmos semelhantes ao sistema superior, às conexões entre todos os seus elementos, nós construímos a nossa alma comum: uma sociedade especial. Como resultado, de repente nós nos descobrimos como nos fundindo com o Criador em nossas qualidades.

As qualidades do Criador são as primeiras nove Sefirot projetadas em Malchut. Malchut é o nosso desejo de receber, que se torna semelhante ao Criador pela conquista destas nove primeiras Sefirot e adotando suas qualidades

O Criador se apresenta através destas nove primeiras Sefirot. Por isso, imitando e imprimindo esta matriz em Malchut do nosso desejo, nós construimos dez Sefirot da Luz Refletida de baixo para cima, como uma resposta às dez Sefirot da Luz Direta vindo de cima para baixo. Através disso nos tornamos totalmente iguais ao Criador

Na impressão de Malchut, estas dez Sefirot se divididem em “613″ desejos individuais, isto é, correções ou mandamentos, e sete mandamentos adicionais chamados “de Rabanan“, que é um nível espiritual particularmente elevado (GAR de um grau). No caminho rumo à adesão completa com o Criador, nós revelamos diferentes Luzes correspondentes aos desejos corrigidos e, assim, cada vez revelamos sempre novos nomes do Criador, ou seja, como Ele se revela em nossos desejos. O nome do Criador é a forma de Sua revelação.

Através da construção de novos níveis espirituais (Partzufim), nós criamos matrizes de HaVaYaH, onde o Criador é revelado, enchendo-as com a Luz, ou seja, com vários recheios: “Aleph” (Hassadim) ou “Yod” (Hochma). Assim, os nomes do Criador nos são revelados através do TANTA (letras, pontos e coroas acima de letras).

Então, nós vemos que, ao fazer correções em nós mesmos, nós estudamos todo o texto da Torá: da primeira palavra, “Bereshit” (no princípio), até a última palavra, “Israel. Todas as palavras com todos os seus recheios (pontos, isto é, Luzes), na mesma seqüência, como está escrito na Torá, todos esses estados passam por nosso desejo de receber, adquirindo a forma dessas letras e palavras.

Assim, gradualmente, nós nos corrigimos, até alcançarmos a mente atuante, como resultado deste processo. Assim, a Torá, o Criador, a Luz superior, a criatura corrigida, os nomes sagrados, e as 620 ações de correção chamadas de 620 mandamentos, todos se fundem num só.

Por esta razão, o Criador criou todo o processo para que possamos alcançá-Lo plenamente e alcançar Seu nível. Isso significa: “Para trazer contentamento aos seres criados”.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/10/11, “A Mente Atuante”

Os Blocos De Construção Da Criação

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar, Capítulo Pekudei (Contas)“, Item 157: As águas sobem e descem nos tronos, iluminando de baixo para cima e de cima para baixo. Aqueles que descem escavam nas profundezas e as rompem. Aqueles que sobem entram por esses buracos nas pedras, na Masach de Peh de Rosh de ZA, subindo e preenchendo por sete dias, que são as sete Malchuts de Chazeh e acima.

O Zohar fala apenas da conexão dos desejos: como eles se juntam, quais combinações de conexões são criadas como resultado disso e que luzes são reveladas de acordo com a equivalência de forma entre as conexões dos desejos e da Luz, com a Luz sendo o atributo de doação que eles descobrem entre si.

À medida que você corrige o sistema geral e conecta diferentes desejos e seus grupos em conjunto, você anima o sistema. Você descobre que o atributo de doação (a Luz), a vitalidade, a vida, estão fluindo nele. Não há mais nada além disso. Fora deste sistema, nem o Criador nem a criatura existem; tudo está dentro dele. Ele nos parece quebrado porque é assim que nós o descobrimos dentro de nossos atributos não corrigidos. Isso é para que nós atinjamos, através da nossa conexão, seus atributos, tendências, partes, e como eles agem em conjunto.

Nós lidamos com “blocos de construção” vivos: você junta as partes separadas, elas se tornam vivas. Assim, gradualmente, à medida que você junta cada vez mais partes, você revive todo o sistema. Ele começa a agir e você descobre vários fenômenos nele.

Nós não temos outro trabalho. Agora, neste momento, nós nos aproximamos do trabalho prático de unir nossos desejos, nossos pensamentos. Eles se revelam diante de nós cada vez mais conectados, dia a dia. Assim, parece-nos que o mundo está confuso, mas somos nós que estamos confusos. Nós não entendemos que o mundo está se tornando mais conectado do que nós. É revelada uma ruptura entre nós, uma crise.

Nós devemos entender que essa ruptura está na nossa percepção. Nós temos que começar a nos conectar, unir nossos desejos. Os Cabalistas nos falam somente disso, de um único lugar que precisa ser corrigido: os laços entre nós.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/10/11, O Zohar

Nós Vivemos Em Um Mundo Que Não Existe

Dr. Michael LaitmanTodos os mundos superiores, a quebra e a descida de Cima até esse mundo, e depois o desenvolvimento nesse mundo até a nossa época, tudo isso não pode ainda ser chamado de criatura. Somente agora, quando nós finalmente começamos a revelar algo e a suprir o nosso desenvolvimento prévio, pode-se dizer que estamos nos aproximando do começo da existência da criatura. Os graus que agora estamos começando a realizar estão se transformando em certo tipo de realidade verdadeira.

Tudo que aconteceu antes: as quatro fases da Luz Direta, Malchut do mundo Infinito, toda a expansão dos mundos até nosso mundo, o nascimento do nosso universo, a Terra, e a humanidade, toda sua história até hoje, tudo isso é como um grão que contém todo o programa, todo o processo em potencial. Afinal, ninguém ainda realizou sua liberdade de escolha! Ainda não existe criatura! Ninguém fez algo por desejo próprio, por seu livre arbítrio, separado do Criador.

Esse processo especial está começando somente hoje. Até agora tudo vinha do Alto. E mesmo quando nós lemos sobre certas ações, tais como telas, cálculos, tudo isso se refere ao futuro. Além disso, as pessoas que já alcançaram isso de baixo para cima nos contam sobre isso. E somente o programa superior é realizado de Cima para baixo.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/09/11, Talmud Eser Sefirot

E O Segredo Será Descoberto

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu não consigo entender o significado da criação e da existência do nosso mundo. Este é um erro da criatura ou desígnio do Criador? Quem é o culpado por este mal-entendido?

Resposta: Ninguém tem culpa aqui. Nós estamos em um estado onde em vez do mundo do Infinito, imenso e perfeito, nós vemos o nosso mundo e a nós mesmos como imperfeitos. Então, vamos nos esforçar para ver tudo à luz da doação e não à luz da recepção. Então, veremos que, na realidade, estamos completamente corrigidos, em uma ampla e perfeita esfera preenchida com a Luz, o Criador.

Não havia mais nada. Foi apenas um mal-entendido de onde nós existíamos. Agora, nós existimos neste reino bonito, assim como no início. Então, vamos nos esforçar para tornar isto uma realidade.

Da série Lição Virtual aos Domingos 10/07/11

Cabalistas Sobre A Natureza Do Homem E A Natureza Do Criador, Parte 15

Dr. Michael LaitmanCaros amigos, por favor, façam perguntas sobre estas passagens dos grandes Cabalistas. Os comentários entre parênteses são meus.

O Sujeito do Propósito da Criação é o Homem

E a coisa mais importante em toda esta realidade diversa é a sensação dada aos animais: que cada um deles sente a sua própria existência. E a sensação mais importante é a sensação mental, dada somente ao homem, através da qual a pessoa também sente o que há no outro, as dores e confortos. Assim, é certo que se o Criador tem um propósito nesta Criação, seu sujeito é o homem. Diz-se sobre ele: “Todas as obras do Senhor são para ele”.
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Baal HaSulam, “O Ensino da Cabalá e sua Essência”

A capacidade de sentir os outros se manifesta apenas no nível “falante”, depois de estudar a Cabalá, quando eles invertem o seu desejo de receber para o desejo de doar, e chegam à equivalência de forma com o Criador. …Por que eles se tornam aptos a receber o propósito do Pensamento da Criação.
- Baal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar”, Item 39

A Insuportável Diferença Do Criador

Dr. Michael LaitmanSe o Criador, alinhado com Seu pensamento da Criação, não tivesse a intenção de nos elevar ao mais alto grau da evolução, Ele não teria criado em nós a sensação de sermos diferente d’Ele. A questão não é a diferença entre o Doador e o receptor. Está claro que o Criador está na direção. Ele é o bom que faz o bem. Ele é o Absoluto, e, sendo o Doador, Ele nos criou como receptores “à revelia”. Nós certamente não nos sentiremos envergonhados enquanto recebemos d’Ele. Qual seria o problema em receber d’Aquele que Doa? Afinal, é assim que Ele nos fez.

Porém, a vergonha resulta somente da sensação de ser diferente, que foi determinada pelo Criador, a sensação de separação entre Ele e nós, que nos leva a começar a sentir a recepção como falha. Essa regra também foi projetada em nosso mundo, onde nos sentimos desconfortáveis quando recebemos prazer de alguém com quem temos um relacionamento especial, onde o outro tem um status mais elevado.

Aqui existe um problema adicional. Comparado à espiritualidade, isso toma formas opostas com relação a nós e levanta uma questão: Será que eu posso parar de sentir vergonha? Na espiritualidade, porém, minha questão é como eu posso aumentar a vergonha, porque ela se torna um instrumento para eu me analisar, um veículo para elevar minha consciência do meu mal.

Como sabemos, além da consciência do mal, nós não precisamos de nada mais. Todo o resto é dado pela Luz superior. O que é o mal, afinal? Não é o fato de eu ser um receptor por natureza. Eu compreendo quão mau eu sou quando descubro quão verdadeiramente grandes são as diferenças entre minhas qualidades e as do Criador.

Eu desejo muito aumentar essa sensação, essa consciência, uma vez que é o que me leva a pedir pela correção. Nós consideramos tal oração como “o portão das lágrimas”. Os detalhes necessários da percepção são reunidos em mim até que a consciência do meu mal finalmente me faça gritar, porque eu não posso suportar essa discrepância entre o Criador e eu.

Assim, o mal não é uma mera distinção entre o receptor e o Doador. Evidentemente, o Criador dá, enquanto eu recebo. Tal disposição permanece em todos os níveis espirituais, no final da correção e depois dele. O problema está em se tornar consciente da distinção interna e qualitativa entre minhas as quelidades e as d’Ele. É isso que me faz sentir vergonha.

Da 5a parte da Lição Diária de Cabalá 26/06/11, “Matan Torah  (A Entrega da Torá)”