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Perguntas Sobre Minha Esposa E A Revelação Da Cabalá

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu gostaria de saber por que sua esposa não comparece às Convenções. Sua esposa e filhos estudam Cabalá?

Resposta: Ela está acostumada a estudar e estar sempre presente através da conexão virtual. Ela acredita que dessa forma ela pode ver, ouvir e participar muito mais como mulher.

Pergunta: Como devo preparar um lugar para o Criador ser revelado?

Resposta: Você tem que preparar um desejo por ele, isto é, o desejo de obter a qualidade de doação. Isso porque o Criador, a qualidade de doação e amor, é revelada na pessoa quando ela anseia por isso. Todo o nosso trabalho é desejar. O grupo, o professor e o estudo são designados para formar um desejo em si mesmo.

Pergunta: Na convenção em St. Louis você disse que os americanos devem dizer ao mundo sobre a Cabalá, enfatizando seu papel especial em revelá-la ao mundo. Mas, depois, você disse o mesmo sobre o povo russo, que sofreu mais do que os outros e, com isso adquiriu uma especial sensibilidade para revelar e divulgar a Cabalá. Além disso, a principal parte na revelação da Cabalá para a humanidade é atribuída aos judeus, que devem se tornar a Luz para as nações do mundo.

Eu estou confuso. Afinal, através de quem a Cabalá será revelada ao mundo?

Resposta: Ela será revelada através de cada nação e pessoa, na medida de seus esforços para se conectar com os outros e de acordo com seus talentos naturais e faculdades.

A Fruta Amadureceu

Por que precisamos da ciência da Cabalá? Qual a necessidade disso?

Percebemos o mundo através dos cinco sentidos. Nós vemos a “imagem” deste mundo, vivemos nele, e organizamos nossas vidas nele. Nós desenvolvemos as ciências, a fim de atingi-lo. Temos mente suficiente e sensação para isso. Nós estudamos o mundo e nos acomodamos a ele tempos alegres e difíceis. Então, por que precisamos da ciência da Cabalá, mesmo se não for fantasias ou mentiras? É para saber quantos anjos existem no céu? Ou se familiarizar com a força superior, o mundo superior? …. Talvez seja hora de ir visitar um médico?

 

Não entendemos por que precisamos disso. Mesmo as pessoas que admitem que a Cabalá fala sobre o mundo espiritual ainda não sentem uma necessidade para ela. Algumas pessoas tem um pouco de medo dela, alguns sentem repulsa por ela e estão negativamente dispostas a isso. Há uma abundância de obstáculos. E ninguém os coloca lá deliberadamente. É que é assim que somos construídos, esta é a nossa natureza. Erguemos os obstáculos no caminho nós mesmos: nós negligenciamos, não desejamos, e rejeitamos. Afinal de contas, somos movidos pelo desejo egoísta, que está longe do mundo espiritual e oposto a ele.

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A Cabalá Para O Mundo

Dr. Michael LaitmanHoje, um paradigma completamente novo, uma nova visão de mundo e uma nova abordagem estão surgindo diante de nós que nunca existiram antes. No passado, nós mudamos o mundo, mas agora o mundo é invariável e nós temos que mudar a nós mesmos.

Estas mudanças internas na pessoa só podem vir por sua escolha, pelo seu desejo, por uma decisão consciente que ela faz a cada passo. E a Cabalá é essencialmente o método, o plano de ação neste caminho.

Por definição, a ciência da Cabalá é a revelação do Criador para a criação. Ao mudar, a pessoa alcança a semelhança com a natureza. Ser semelhante à natureza significa ser semelhante ao Criador. Uma pessoa (Adam) é aquela que é similar (Domeh) ao superior. Isto é o que devemos constantemente descobrir no processo que está envolvendo o mundo.

Por termos um método Cabalístico e sermos seus representantes em nosso mundo, nós devemos ajudar toda a humanidade revelando este método de todas as formas. Obviamente, isso deve ser feito com o entendimento de que as pessoas resistem às mudanças, não as querem, e as desprezam. Isso é verdade, mas, no entanto, é assim que tudo deve ser. Da nossa parte, nós devemos melhorar a apresentação, a fim de levar o método às pessoas de forma confortável e agradável.

Caso contrário, o mundo irá, naturalmente, sofrer cada vez mais de um dia para o outro, imergindo em confusão, desamparo e perplexidade. As pessoas podem ficar tão confusas que questões se expandirão para uma guerra. Afinal, quando você está confuso e desorientado sob uma saraivada de golpes, seus nervos podem não resistir.

Então, você estará disposto a fazer qualquer coisa para parar o caos. Mesmo a guerra parecerá a salvação, porque ela parece colocar tudo em seu lugar. Assim como uma pessoa pode ter raiva, a humanidade também pode, e nos nossos dias nós entendemos que isso significa uma guerra mundial.

Depende de nós: quão rapidamente assimilaremos a ciência da Cabalá e a disponibilizaremos em uma apresentação clara e correta para o mundo inteiro? Todos nós juntos devemos nos tornar uma organização de educação e instrução que ajuda as pessoas e explica como mudar, a fim de estabelecer a correta interconexão e, assim, alcançar equivalência com a natureza ou com o Criador, que é a mesma coisa.

Se não conseguirmos alcançar o equilíbrio e a harmonia com a natureza, então, além dos fracassos sociais, sentiremos golpes devastadores, que nos liquidarão. Afinal, mesmo na atual sociedade humana, nós somos incapazes de qualquer coisa até que mudamos a nós mesmos. O egoísmo está atraindo uma enorme quantidade de problemas sociais, mas não podemos parar.

A sociedade de consumo está esgotando a terra. Duzentos anos de era industrial esgotaram todos os seus recursos e em breve eles secarão completamente. Água potável, petróleo e outros recursos estão todos chegando ao seu fim. Finalmente, não seremos nem mesmo capazes de levar uma vida normal, para não mencionar os excessos. Mesmo assim, nós somos incapazes de nos conter, de limitar a produção e a poluição.

E nós não conseguiremos fazer isso até mudarmos a natureza do homem. Nenhuma solução artificial nos ajudará. Nós ainda colocamos nossas esperanças nos métodos antigos, mas a natureza não aceita mais de nós “o pagamento por crédito” (por mérito). Ela aceitará apenas uma coisa de nós: a harmonia com ela, a homeostase com este sistema global.

A necessidade de mudar o homem está obrigando a nós, Cabalistas, a sair dos limites anteriores e começar a fazer ações na escala global. E nós não temos outra escolha. Como o Baal HaSulam escreve no artigo “A Ciência da Cabalá e sua Essência”: Como um todo, a Cabalá é a revelação do Criador. Onde? Na pessoa. De acordo com o quê? Com Sua equivalência de forma. A pessoa adquire semelhança com o Criador, a natureza envolvente e global, tornando-se um único todo com ela.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 22/07/11, “O Ensino da Cabalá e sua Essência”

Definir Os Termos É A Chave Para O Estudo Da Cabalá

Dr. Michael LaitmanNo final de “A Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”, Item 156, o Baal HaSulam escreve que a adopção das definições certas é de importância primordial e fundamental no estudo da Cabalá. Elas devem estar à nossa disposição, colocadas em nossa mente como se estivessem em prateleiras de livros, para que possamos escolher o termo certo, sem sequer pensar como precisamos entender, sentir e imaginar o significado escondido por trás de cada palavra no texto.

Caso contrário, eu vou me confundir, gerando em mim a impressão e a percepção errada, que não corresponde à verdade. Esta é uma chave muito importante para estudar a sabedoria da Cabalá. Se você não decifrar corretamente o que está escrito, você vai ficar completamente confuso.

Nós não estamos estudando com a finalidade de conhecer quantos anjos há no céu e quais os  seus nomes, e não vamos memorizar quais os objetos espirituais (Partzufim) que existem em algum lugar lá fora. Precisamos entender que tudo o que tem sido escrito sobre isto está dentro de nós, dentro de nossa alma, que ainda não revelamos.

Deixe que este sistema espiritual seja escondido de nós, por agora, mas é dentro de nós e não em algum lugar lá fora. Nós não estamos falando sobre os anjos no céu, mas sobre as forças internas do homem. Tudo está dentro do homem, e não há mais nada além dele.  Só nos parece que existem outras pessoas ao redor dele, mas na realidade, todas são partes dele mesmo. É por isso que a frase “amar ao próximo como a si mesmo” parece estar falando de outra pessoa até que você venha a compreender que este é realmente você, você mesmo, e tudo pertence a você.

Os termos Cabalísticos precisam ser conhecidos de cor, o que significa que você precisa estar ligado ao seu verdadeiro significado espiritual e não imaginá-lo em sua percepção atual. Quando me deparo com palavras como “sol”, “Lua”, “para cima”, “para baixo”, “entrar” e “sair” da Luz, todos os termos mais técnicos, mesmo os que são pouco relacionados com este mundo, eu ainda preciso verificar em relação a mim como estou me mantendo em relação às definições certas. Isto irá eliminar 99% de toda a confusão e erros.

Além disso, não vou precisar de um monte de longas explicações se eu adotar as definições corretas. É por isso que é tão importante estudar os apêndices de cada capítulo de O Estudo das Dez Sefirot: “Tabela de Perguntas e Respostas para o Significado das Palavras”. Isto é ainda mais importante do que estudar o texto principal do livro.

Mesmo que ainda não consigamos lembrar, compreender e sentir todas essas definições, precisamos pelo menos ver como essas definições espirituais diferem daquelas dentro de nós, porque, normalmente, já temos uma determinada imagem material sobre cada uma das palavras e conceitos.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/06/11, Talmud Eser Sefirot

Recuperando A Consciência

Dr. Michael LaitmanA sabedoria da Cabalá não é revelada por si mesma, porque as pessoas a revelam em seu desenvolvimento. Ela declara que de acordo com a estrutura do universo, nós precisamos chegar ao nosso ponto inicial outra vez.

Inicialmente, um desejo foi criado, e esse primeiro estado é chamado o mundo do Infinito. Nesse estado, o desejo e a Luz que criou o desejo existem em absoluta semelhança, fusão, e complementação mútua. Ali, o desejo é preenchido com a Luz, mas esse é somente o estado concebido da futura criatura. Ela ainda não sente nada.

Assim, no começo, ela deve se tornar oposta ao Criador, oposta à Luz. Para se separar completamente da fonte, a criatura passa por cinco estados especiais de desenvolvimento chamados mundos. Assim, ocorre a descida desse desejo, isto é, o consistente distanciamento do seu estado original.

O primeiro mundo é chamado de Adam Kadmon. Adão é o protótipo do futuro ser humano. Depois, vem o mundo de Atzilut (o mundo da emanação), seguido por Beria (o mundo da criação), Yetzira (o mundo da formação) e Assia (o mundo da ação). Esses são os cinco mundos, cinco descidas consecutivas, espessamentos, ocultações, e saída da Luz do desejo que ela preenche. Cada estado seguinte é como o mundo do Infinito, exceto que a Luz lá existe numa forma mais oculta.

Mesmo agora, nós estamos no mundo do Infinito porque não existe mais nada. Acontece que esse estado está oculto de nós atrás de muitas telas internas. Nós temos que abri-las, descascá-las, e então, gradualmente, começaremos a nos sentir na forma verdadeira.

É semelhante ao estado de uma pessoa que está inconsciente. Esse é nosso estado número dois, aqui nesse mundo. Nós estamos em completa ocultação aqui, como se tivéssemos perdido a consciência e existíssemos em certas flutuações internas, imaginando algo.

Se nos esforçarmos numa forma particular e recuperarmos a consciência, iremos subir para nosso estado inicial. Este é chamado de terceiro estado. Esse também é o mundo do Infinito. Nós o alcançamos subindo exatamente os mesmos degraus dos mundos, pelos quais passamos em nossa descida quando perdemos o sentido da perfeição, a presença completa da Luz. Ao subir gradualmente os mesmos degraus, experimentaremos a realização, a transição do nosso estado inconsciente para o consciente.

A primeira saída do estado inconsciente para o consciente é chamada de barreira (Machsom). A coisa mais importante para nós é cruzar essa Machsom, sair do estado de separação completa da percepção da natureza global.

Agora, nós sentimos a natureza somente na forma do nosso mundo e não a percebemos através dos desejos espirituais. Nós experimentamos o mundo enquanto estamos num estado totalmente desconectado, sem usar as ferramentas que temos totalmente à nossa disposição. 

Nós nos sentimos através de nossos cinco órgãos sensoriais: olfato, tato, visão, audição, paladar. Assim, nosso sentido de identidade é passado através de nosso corpo animal. Então, dentro, surge um quadro específico em nossa mente. Na parte posterior do nosso cérebro, temos um tipo de “tela”, na qual é projetado tudo que percebemos. Tudo isso compõe um único quadro do mundo.

Isso não é o que vemos durante a saída do estado inconsciente. Tão logo atravessamos a Machsom, nós começamos a sentir estados completamente diferentes. Começamos a sentir a Luz interiormente. Nosso desejo recebe o prazer da satisfação, do conhecimento sobre o mundo real, e um quadro preciso é desenhado dentro de nós.

Assim, o plano do Criador, a intenção original da Luz, é criar o desejo (a Luz é primária, o desejo é secundário), para que esse desejo, isto é, a criatura, se torne igual à Luz em status, poder e sensações. Naturalmente, esse estado está acima do nosso mundo, ou seja, acima do tempo, espaço, movimento, e acima da divisão em vida, nascimento, e morte. Acima de tudo isso.

Ao descobrir esse novo sentimento dentro de nós, iremos nos sentir existindo eternamente como toda a natureza. Nós iremos parar de nos identificar com um “animal” que existe aqui nesse mundo. É como se ele desaparecesse de nossa percepção como a menor de nossas sensações.

Portanto, com respeito à consciência, a pessoa pode de alguma forma imaginar e lembrar o que aconteceu com ela. Essa sensação permanece em algum lugar, mas é tão pequena, tão insignificante, que é suprimida pela consciência da existência num mundo grande, novo, infinito, eterno, e perfeito. Essa é a Machsom que precisamos cruzar.

Da 1a Lição na Convenção de Moscou 10/06/11

O Nível Humano Não Encolhe

Dr. Michael LaitmanO Baal HaSulam disse que estava feliz por ter nascido numa geração onde era possível disseminar a sabedoria da Cabalá. A Cabalá nos ensina como combinar as duas forças (de doação e recepção) em uma, como adicioná-las uma na outra para que a soma (Σ) se torne um “humano”.

Esta é realmente uma ciência, uma sabedoria. Isto não é fácil, é difícil. Nós estamos acostumados a seguir a corrente e, de repente, surge uma outra força, levando-nos para algum lugar. Para onde?

A integração das duas forças conduz a um resultado único. No mundo que nós vemos e sentimos há formas das naturezas inanimada, vegetal e animal. Nós pertencemos ao nível animal e ainda não alcançamos nada mais elevado. O nível humano, que começamos a descobrir dentro de nós, é um nível espiritual que abre um novo mundo à nossa frente.

Na natureza, um nível dá vida a outro. Os animais se alimentam de plantas e as plantas absorvem a força da natureza inanimada. No entanto, o nível inanimado não sabe o que significa crescer, desenvolver-se, viver, consumir, excretar, e sentir o ambiente. O nível vegetal, por sua vez, não entende o que significa ser um animal, mover-se, gerar descendentes, e viver em grupos, sem falar das sutilezas da existência dos “animais desenvolvidos”, as pessoas que vivem uma vida muito complicada.

O nível inferior não é capaz de entender o superior; é um mundo completamente diferente. Por enquanto, nós existimos no nível animal e somos governados pelos nossos desejos. Nós não entendemos o que é o nível humano. É impossível mostrar ou demonstrá-lo, do mesmo modo que um animal não pode demonstrar a sua visão de mundo a uma planta.

Além disso, a pessoa que integrou as duas forças (o ponto do coração e o coração, o desejo de prazer e o desejo de doar) e ascendeu ao nível humano do desenvolvimento não pode transmitir a sua sensação para aqueles que ainda o alcançaram. É possível dizer uma coisa: ela sente acima de todas as limitações do corpo físico, porque subiu para um nível diferente. Ela existe em conexão com todos os níveis anteriores e se alimenta deles; no entanto, ela está no seu nível.

Ao ascender ao nível humano (esperamos que isso ocorra o mais rápido possível), nós também preservaremos a relação com este mundo, com todas as suas formas de vida . No entanto, além disso, teremos sensações e intenções completamente diferentes. Nós sentiremos a eternidade e a perfeição no primeiro nível espiritual.

Todo o nosso problema é que queremos receber o prazer, a Luz Superior, embora ela não possa existir em nós, e desaparece imediatamente devido a um “curto circuito”, quando o positivo e o negativo se anulam. Assim, nós devemos trabalhar corretamente na terceira linha, entre essas duas forças.

Nós criamos uma combinação correta: nós colocamos uma espécie de “resistência” (R) no meio, através da qual o positivo e o negativo funcionam corretamente. Isso nos dá os resultados de seu trabalho, e nós recebemos a força deles. Na linguagem da Cabalá, a resistência entre o ponto no coração e o egoísmo é chamada de “tela” (Masach). Neste lugar nós recebemos e sentimos uma nova vida no nível humano (Adão).

Então, nós ficamos livres da morte. Toda vez que eu quero receber a Luz, eu não consigo me adaptar a ela. O prazer com o desejo desaparece, e eu provo um pouco da morte. Eu não tenho mais nada para apreciar e caio em desespero. Eu não quero nada e  recuo. No final, a pessoa “seca totalmente” por causa deste trabalho, e vê que não é bem sucedida. Ela começa a “desaparecer”. As naturezas animal, vegetal e inanimada diminuem gradualmente nela até que ela morre.

No entanto, se entendermos como unir corretamente as forças de doação e recepção dentro de nós mesmos, o positivo e o negativo, atingiremos um sentido da vida no nível humano, uma vida eterna e perfeita.

Da  Lição 1 da Convenção na Espanha, 03/06/11

Cabalá Para Os Tempos Modernos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você está familiarizado com os escritos do Cabalista Isaac, o Cego (rabino Yitzhak Saggi Neor, 1160-1235, Provença, França)?

Resposta: Nós estudamos três fontes principais da sabedoria da Cabalá: O Livro do Zohar, os escritos do ARI (principalmente seu livro “A Árvore da Vida”, e as obras do Baal HaSulam, o grande cabalista do século XX). O Baal Há Sulam nos transmitiu a sabedoria da Cabalá sob a forma mais adequada para sua publicação e disseminação ao mundo inteiro.

Dentre todos os grandes Cabalistas, começando com a Babilônia e até hoje, cada geração produziu vários outros Cabalistas. Mas alguns deles se ocultaram e outros escreveram muito pouco, já que até recentemente, apenas 30 anos atrás, para revelar uma parte da Cabalá, a pessoa tinha que receber uma permissão especial do Alto. Por isso, os Cabalistas raramente escreveram, e quando o faziam, era de uma forma secreta.

E só no século XX, quando chegou o momento da revelação da Cabalá às massas, de modo a corrigir o ego coletivo, o Baal HaSulam escreveu aquilo que foi autorizado a divulgar. Essa parte específica da Cabalá nós estamos oferecendo ao mundo.

Da Palestra em Roma, 20/05/11

A Cabalá Sem Um Traço De Misticismo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como é que os primeiros mestres da sabedoria da Cabalá receberam esse conhecimento? Onde está a sua origem? As pessoas pensam que a Cabalá é algo próximo da magia, e muitos mitos a cercam.

Resposta: Adão foi o primeiro Cabalista e viveu há 5772 anos. Ele foi o primeiro de toda a humanidade que descobriu que existe um sistema integral da natureza e é possível revelá-lo.

Pessoas viveram antes dele, mas ele foi o primeiro homem na história que questionou: “Para que eu vivo? Qual é o segredo da vida? Onde está a sua origem?”. Ele escreveu um livro sobre isso; ele chegou até nós e é chamado de O Anjo Secreto (Raziel HaMalach). Um anjo é uma força. O “anjo secreto” significa a “força oculta”. É um livro pequeno, com algumas dezenas de páginas.

O próximo livro foi escrito por Abraão há cerca de 3700 anos e é chamado de O Livro da Criação (Sefer Yetzirah). Pela primeira vez, de forma sistemática, este livro explica: as “Sefirot“, as 32 forças que descem até nós e estão conectadas entre si.

Ao mesmo tempo, vários Cabalistas escreveram juntos mais um livro Cabalístico, O Grande Midrash (Midrash HaGadol), que significa explicação, comentário. Muitos mais livros foram criados depois desse, até o surgimento do maior livro Cabalístico, O Livro do Zohar, escrito por volta de 2.000 anos atrás.

Depois disso, muitos livros foram escritos, até a época do Ari, que viveu no século XVI. O principal livro do Ari foi “A Árvore da Vida” (Etz Chaim), que fala sobre as Sefirot e os mundos e é cheio de desenhos e diagramas.

Do imenso número de livros que surgiram depois dele, os mais importantes para nós são os livros do Baal HaSulam, escritos no século XX.

Todos estes livros não eram conhecidos do público em geral. Eles eram mencionados apenas ocasionalmente, como se ocorresse uma “fuga de informação”. Isso formou uma aura misteriosa em torno da Cabalá, como se ela estivesse envolvida em misticismo, forças secretas, ajudasse a realizar milagres e prever o futuro através das cartas de Tarô. Na realidade, isso não tem qualquer relação com a Cabalá!

É claro que a Cabalá usa símbolos, diagramas, gráficos, desenhos, Gematria (o valor numérico das palavras). A Cabalá estuda a alma e suas fases de crescimento. Mas não há nada de místico nisso. Eu diria que é simplesmente a física da dimensão superior.

A Cabalá não está associada com a religião e as práticas místicas. É uma ciência para as pessoas que querem saber. Naturalmente, elas têm que trabalhar e corrigir-se. Eu gostaria de comparar isso com o ato de sintonizar o aparelho de rádio, o qual é cercado por muitas ondas de rádio de freqüências variadas. Se eu sintonizar o aparelho de rádio e criar a onda que corresponde à onda existente fora, eu recebo essa onda externa e posso ouvir o sinal.

A ciência da Cabalá nos ajuda a criar essas ondas dentro de nós, e começamos a sentir a força existente fora de nós, a perceber e estudá-la. Nós desenvolvemos os sentidos internos da audição e da visão. O sentido interno da audição é chamado de nível de Biná (Sefira Biná), e o sentido interno da visão é chamado de nível de Hochmá (Sefira Hochma).

Da Palestra em Roma , 20/05/11

A Física De Um Mundo Mais Amplo

Dr. Michael LaitmanPergunta: É possível adquirir a alma, revelar o mundo espiritual e o Criador, sem a sabedoria da Cabalá?

Resposta: A pessoa começa a explorar a natureza e descobre nela uma determinada lei, uma conexão particular entre os fenômenos. Por exemplo, eu lanço um objeto no chão, calculo a aceleração da sua queda e desenho uma lei a partir desta experiência. Ao mesmo tempo, outras pessoas não estudam os fenômenos naturais, mas aprendem sobre eles numa forma preparada.

Há pessoas que descobrem as leis da natureza, e há aquelas que as aprendem e assim fazem uma revelação, sempre pessoal, individual.

Os fenômenos que estão sendo descobertos pelos cientistas existiram antes na natureza. Não caiam maçãs sobre as cabeças antes de Newton descobrir a lei da gravidade? Desta forma, não há nada de novo; nós revelamos o que já existe, o que já acontece. No entanto, há os pioneiros e aqueles que aprenderam com eles e tentam usar corretamente os conhecimentos adquiridos.

O mesmo pode ser aplicado à sabedoria da Cabalá, a física de um mundo mais amplo, não percebido pelos nossos órgãos sensoriais. Para senti-la, temos de desenvolver um órgão sensorial adicional chamado “a propriedade de doação”, em que vamos revelar os fenômenos espirituais: Sefirot, os mundos, Partzufim. No entanto, continuamos a trabalhar como cientistas.

É dito: “Por Suas ações Lhe conheceremos”. É claro que tudo decorre de uma ação, de uma investigação. “A pessoa julga apenas aquilo que os seus olhos conseguem ver”. A “Fé” é a força de doação que você conquista. Você não fecha os olhos e aceita cegamente a opinião de alguém como fato; isso não existe em nenhuma ciência, incluindo a ciência da Cabalá. Pelo contrário, foi dito: “Conheça o Criador e sirva-O”. Conhecimento, análise e revelação é o alicerce de tudo.

Há pessoas que já fizeram essa descoberta e viram certos padrões, que transmitem a você o conhecimento sobre essas leis, o método de pesquisa para facilitar o seu caminho. Estas leis se aplicam a todos, pois nós estamos em um único mundo.

Então, não veja a Cabalá como um animal desconhecido. Ela é a raiz de todas as outras ciências do mundo, porque revela as raízes da criação, e ela deve ser tratada como uma ciência. A Cabalá não está relacionada com a religião. Quando nós caímos do grau do amor dos amigos para o do amor-próprio e ódio mútuo, perdemos a Cabalá e paramos de perceber o mundo superior, espiritual. Então, a religião nasceu.

Assim, a “religião” é a ciência da Cabalá permanecendo no exílio, na separação do Criador, no isolamento do mundo superior, separada do objeto de estudo. Fora da percepção real, sem o conhecimento e a compreensão, a interpretação das ações e a relação com a verdadeira realidade, com a força superior, ela se transformou no Judaísmo. Ele existe no período entre a destruição e a redenção do Templo, após o qual voltamos à sabedoria da Cabalá. É por isso que foi dito: “Todos Me conhecerão, do menor ao maior”.

É claro que não devemos desprezar nada. Nós avançamos com a ajuda dos meios disponíveis, mas cada um deles tem sua própria aplicação.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 27/05/11, “A Liberdade”

Cabalistas Sobre A Abordagem Ao Estudo Da Sabedoria Da Cabalá, Parte 7

Dr. Michael LaitmanCaros amigos, por favor, façam perguntas sobre estas passagens dos grandes Cabalistas. Os comentários entre parênteses são meus.

A Importância da Intenção durante o Estudo

Se ele pretende estudar a Torá para receber a recompensa da Torá, chamada “Luz que Corrige”, então seu estudo é benéfico. No entanto, quando ele esquece o objetivo de estudar a Torá, a Torá não é instrumento para completar o trabalho de criar um desejo de doar … Este é o significado das palavras, “Qualquer Torá sem trabalho (sobre a intenção de ser corrigido pela Luz da Torá) acaba em anulação” (sem sua Luz).
- Rabash, Os Degraus da Escada, “O Que é a Torá e o Trabalho no Caminho do Criador”

Uma das maravilhas de se estudar os segredos da Torá é que quando a pessoa estuda os seus conceitos de amor, mesmo que não seja capaz de perceber as questões com o intelecto, eles elevam sua essência, apesar de tudo; portanto, estes conceitos brilham sua Luz sobre ela.
- Rav Raiah Kook, Orot HaTorah (Luzes da Torá), Capítulo 10, seção 10