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Unidade E Oposição De Desejos E Intenções

Dr. Michael LaitmanEm seu artigo “A Paz”, Baal HaSulam escreve: Isto é feito através da lei do desenvolvimento impressa na Criação contra a vontade da humanidade, onde as próprias obras dos ímpios necessariamente instigam as boas ações, como mostramos acima.

Nós estamos todos sob a influência dessa lei que nos impulsiona para frente através do sofrimento.

No entanto, o Criador deu ao homem a mente e o poder, e deixa-o controlar e guiar a lei. É possível acelerar e impulsionar o processo de desenvolvimento livremente, independente do tempo.

Como podemos perceber esta oportunidade que nos foi dada?

Nossos desejos são irrelevantes, pois eles sempre permanecem absolutamente os mesmos, e não podemos diminuir, aumentar ou desenvolvê-los de forma alguma. Nós temos que esquecê-los, como se eles não existissem, porque nós não os controlamos. A Cabalá diz que só podemos controlar as intenções. Não se trata de limitar nossos desejos, nem do que devemos fazer com eles. Está escrito assim, mas o que está implícito nestas palavras é a intenção.

No entanto, se formos capazes de alterar de alguma forma a nossa intenção, como vamos fazer isso? Para isso, este mundo é dado a nós. Nós estamos num estado muito interessante: ao contrário de espiritualidade, nós podemos agir de forma altruísta, dar, conectar e amar com a intenção “em prol de nós mesmos”. Em outras palavras, este mundo permite que nos enganemos.

Este estado interessante está debaixo de todos os mundos espirituais.

Cinco mundos descem do mundo do Infinito até o nosso mundo: Adam Kadmon (AK), Atzilut (A), Beria (B), Yetzirah (E), Assiya (A), e o último, o nosso mundo.

Geralmente nós pensamos que ele é um mundo muito primitivo, sem valor. Na verdade, não é assim. Aqui, nós podemos agir com intenção. Intenção e ação existem em todos os outros mundos espirituais, mas lá elas estão unidas e são iguais; lá, elas atuam apenas na medida da sua intenção de doar.

Unity and Oppositeness of Desires and Intentions-1

Neste mundo, é o oposto: uma pessoa pode agir tanto em prol da recepção e doar simultaneamente. Ao mesmo tempo, as nossas intenções são dirigidas exclusivamente a receber “em prol de nós mesmos”. Em outras palavras, neste mundo, nós podemos realizar ações que são opostas às intenções e ter intenções que contradizem as ações. É um fenômeno muito interessante.

Quando nós vemos uma criança pequena, vemos claramente suas ações simples e intenções muito naturais: ela pega tudo só para si. Os animais agem da mesma maneira. É óbvio. É por isso que nós os amamos, já que eles não mentem para ninguém, suas ações e intenções não se contradizem. Eles carecem totalmente de malícia.

Um homem adulto age externamente com intenções internas. Ele pode ser muito educado, respeitoso e gentil e, ao mesmo tempo, perseguir um objetivo que pode machucar alguém só por causa do seu próprio benefício.

No entanto, esta oportunidade nos é dada só neste mundo em que são possíveis ações e intenções contraditórias, para começarmos nossa subida ao mundo superior de forma independente, objetiva e completa. Nós somos aqueles que escolhem a forma de subir à espiritualidade, porque nos é dada a oportunidade de agir em prol da doação, embora as nossas intenções permaneçam más: em prol de nós mesmos.

Como podemos nos puxar para o mundo superior? É muito fácil. Temos que nos colocar numa comunidade de pessoas que têm a mesma oportunidade de agir e ter intenções de outras pessoas normais, egoístas e astutas neste mundo, ou seja, aquelas que entendem sua natureza pelo menos um pouco. Elas têm um desejo de mudar suas intenções, embora a única coisa que possamos realmente mudar são as ações, e não as intenções.

Se juntarmos este grupo de pessoas e agirmos supostamente em prol de trazer prazer e benevolência uns aos outros, nós desejaríamos nos conectar num todo unificado e fazer da doação mútua o nosso objetivo; neste caso, nós agimos corretamente, em prol da doação, mas nossas intenções estão erradas. Nós não podemos fazer nada sobre elas.

No entanto, se estudarmos a Cabalá juntos, em grupo, aprendemos como a unidade das intenções e ações são implantadas nos mundos superiores. Em seguida, uma iluminação especial desce do mundo superior até nós e muda a nossa intenção.

Nossas ações são normais. Nós estamos orientados um ao outro, a fim de nos conectarmos, ao passo que as nossas intenções permanecem “para o nosso próprio bem” (Lo Lishma).

Sob a influência da Luz Circundante chamada Ohr Makif (O’M), que é uma energia especial, uma força extraordinária, nós começamos a mudar; conforme a nossa transformação, nosso ambiente também se modifica de “em prol de nós mesmos” para “em prol dos outros” ou “em prol dos nossos amigos” e, mais tarde, em prol de algo maior e mais alto. É assim que nos aproximamos do estado de Lishma e começamos a sentir-nos na intenção de doar.

Estar na intenção de doar é existir no mundo superior, porque nesta intenção, nós começamos a perceber propriedades totalmente diferentes, superiores da matéria. Nós começamos a sair de nós mesmos, do nosso estado limitado pelas sensações deste mundo, e como resultado, nós rapidamente avançamos ao mesmo objetivo ao qual a natureza nos leva.

Ao aspirar voluntariamente à frente, nós evitamos o sofrimento. Os nossos sofrimentos são agora chamados de “aflições do amor”, já que agora nós pensamos em como avançar de forma mais eficaz, como acionar melhor a Luz Circundante até nós, e como mudar mais rapidamente nossas intenções.

Nós realizamos ações minimamente necessárias em relação ao grupo e a humanidade, uma vez que a humanidade tem que subir para o mesmo objetivo: mudar da intenção “em prol de si mesma” para “em prol dos outros”. Ações físicas não importam muito. Nós precisamos delas só para mostrar o lugar onde podemos implantar o poder da Luz Circundante, a força da Luz de correção.

Portanto, o estudo da Cabalá, que nos fala sobre o que é percebido com a ajuda das intenções corretas – a chamado Luz de doação (Ohr Hassadim) e a Luz de Retorno (Ohr Hozer) – nos ajuda a mudar nossas intenções e começar a sentir e atingir a governança superior, a força superior.

Ela explica por que precisamos tanto de nossos amigos, porque só entre eles, só entre nós, nós podemos fazer o trabalho interno que corrige nossas intenções.

É por isso que o nosso principal objetivo é chegar ao desejo de alcançar um novo estado que é predestinado, por natureza, e persegui-lo. A natureza quer nos levar para fora do estado chamado “mundo” em que estamos hoje e nos elevar para o mundo do Infinito. Este é o nosso objetivo final.

Se nós entendermos claramente essas coisas, sabemos que é mais urgente e essencial para nós criar grupos que interajam entre si em todas as suas partes, de modo que todas as nossas ações sejam direcionadas para algum tipo de doação. Ao agir desta forma, podemos evocar a correta Luz Circundante até nós durante nossas aulas e corrigir as nossas intenções.

A Cabalá nos diz que tudo o Criador criou foi apenas um desejo, Malchut do mundo do Infinito. Então, nesse desejo surge a intenção que passa pela quebra (shevira) no mundo da Nekudim.

Unity and Oppositeness of Desires and Intentions-2

Além disso, nos mundos de Atzilut (A), Beria (B), Yetzirah (Y), e Assiya (A), aos poucos ela começa a ressuscitar, enquanto neste mundo, desejos e intenções permanecem divididos em 613 partes.

Nosso trabalho consiste na correção da intenção “em prol de nós mesmos” para a intenção “em prol da doação”, “em prol dos outros” em cada um dos nossos desejos. Então, o desejo será considerado corrigido.

Em outras palavras, quando estudamos a ciência da Cabalá, a Luz Circundante desce até as nossas intenções; por sua vez, elas se prendem aos desejos, e os desejos corrigidos entram no mundo superior. É aqui que nós começamos a sentir o mundo espiritual. Assim, corrigindo-nos gradualmente, nós subimos para o nível dos 613 desejos até alcançarmos a correção final.

Da Convenção Virtual em Moscou 13/12/13, Lição 1

Agora É A Sua Vez De Ser Rei E Governar

Dr. Michael LaitmanTodas as mudanças ocorrem no desejo de receber, enquanto a Luz Superior está em um estado de repouso absoluto. Ao mesmo tempo, sabemos que tudo vem do Alto e que não há outro além Dele, o Criador, e que só Ele decide e age. Portanto, como é possível que uma vez digamos que tudo é determinado pela Luz e outra vez que tudo depende do vaso, de nossos esforços, de desejo, do nosso esforço e trabalho?

Nós podemos ver isso de duas maneiras: da perspectiva da Luz ou da perspectiva do desejo. Mas é claro que todos os atributos que fazem parte da Luz agem de forma oculta no desejo e o ativam. Isso é chamado de a “força do operador no operado”.

Nós podemos avaliar a Luz que opera o desejo de acordo com suas ações no desejo. Isto significa que todas as revelações começam a partir do vaso, do desejo. Eu não revelo o Criador que age em mim, mas sim, dentro dos meus vasos, eu descubro o fenômeno pelo qual eu acho que Ele age dentro de mim.

A Luz está sempre lá e eu só descubro sua influência. Então parece que os meus desejos estão cheios e que começam a iluminar como Luzes cintilantes, mas eles só revelam a Luz que já está nelas. Portanto, é melhor olhar para os vasos de fora, uma vez que nos ajuda a focar o trabalho corretamente e não esperar que algo venha de Cima, da Luz.

A Luz Superior não para sua iluminação sobre o inferior sequer por um momento. Isso significa que sua influência não muda porque é boa e benevolente para todos. A força não muda, mas apenas os vasos mudam sob a influência desta força. Eu devo dizê-lo, uma vez que isso me obriga a cuidar dos meus vasos, a pensar na relação com os amigos, e a absorver as deficiências espirituais adicionais deles.

Graças à deficiência adicional que eu recebo a partir da conexão, pela maior importância da meta, eu exijo a Luz! Eu não peço para ela me iluminar mais, mas sim para abrir o meu desejo, e assim a Luz pode me influenciar mais.

Meu desejo se abre e a Luz continua a mesma. Esta é uma diferença significativa na abordagem. Será que basta orar e pedir por misericórdia ou sabemos que tudo depende do nosso trabalho? Nosso desejo é o resultado do nosso trabalho e da conexão entre nós. É desta forma que parece agir a Luz, mas, na verdade, nós só abrimos os canais em nosso desejo de receber onde a Luz pode ser revelada.

Se eu falo do ponto de vista dos vasos, eu me obrigo a me preocupar constantemente com eles. Eu não espero que a Luz mude, e não derramo uma lágrima quando ela não age em mim e não me preenche, e não o culpo pelo que ela fez para mim e para o mundo inteiro no passado. Isso significa que eu não vejo a Luz como responsável por tudo, como as pessoas geralmente fazem quando cometem um erro. Afinal, nada depende da Luz, porque “Ele deu uma lei que não pode ser quebrada”. Ele deu tudo à pessoa, como um cetro, para que ela se seja rei e governe. Portanto, tudo depende apenas de mim e não há ninguém mais com quem eu possa contar.

Portanto, nós devemos sair para disseminar e apoiar o grupo, e não sermos materialistas e místicos que contam com uma força superior oculta. Esta é a grande diferença entre as diferentes religiões e a Cabalá, isto é, entre crenças e ciência. Na Cabalá todas as ferramentas estão em nossas mãos, pois sabemos que o nosso desejo determina tudo e que o Criador não decide nada; Ele realmente nos dá controle total.

Portanto, por que os Cabalistas dizem que tudo depende do Criador? Se descobrirmos que tudo depende de nós, vamos descobrir que tudo depende, de fato, Dele, de acordo com o trabalho que fazemos. Portanto, se diz: “Eu me esforcei e encontrei, acredite!” Mas isso é realmente algo que o mundo não está preparado para aceitar. Só por nossos esforços podemos alcançar algo; de outra forma, podemos continuar orando para sempre. Ao mesmo tempo, dizemos: “se apenas um pudesse orar o dia todo”. Isso significa que nós devemos chegar a uma deficiência em nossa oração que seja constantemente renovada graças ao nosso trabalho na conexão entre nós. Portanto, a oração é o trabalho do coração, acima de nosso desejo. Este é um ponto crítico e é a base de todo o trabalho espiritual. Este é o ponto de discórdia que distingue a sabedoria da Cabalá de todas as outras crenças.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 19/12/13Talmud Eser Sefirot

Uma Lupa Para A Luz Superior

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significa tentar se conectar ao ler o Livro do Zohar?

Resposta: A leitura do Zohar é o momento em que você não deve usar sua mente, mas sua alma. Agora você tem que pensar em como devemos nos conectar a fim de sermos como uma lupa através da qual atraímos os raios do sol, a fim de acender algo que está sob o vidro.

Como podemos nos concentrar e focar este ponto? Se fizermos isso, vamos sentir a Luz que nos influencia ao passar por nós, iluminando nosso desejo de receber e mudá-lo. Então o desejo vai se limitar, adquirir um Masach (tela) e começará a trabalhar.

Todo o nosso trabalho é feito por esta lupa que está se tornando mais poderosa. Nosso trabalho está na crescente concentração do grupo em quantidade e qualidade, para que a Luz mais forte venha e nos leve a uma conexão mais substancial e qualitativa. Então, nós vamos descobrir o estado espiritual na conexão entre nós. O que nós descobrimos é chamado de mundo espiritual.

Pergunta: Eu construo esta lupa pelos meus esforços ou ela é criada pelos esforços de todos?

Resposta: Por todos os nossos esforços. A lupa em si não importa. O que importa é o ponto central na lupa, onde todos os raios de Luz se conectam e descem por ela.

Pergunta: Como sabemos que todos os nossos esforços são bem sucedidos?

Resposta: De acordo com o resultado: Você irá receber a mudança desejada, como se diz: “Eu me esforcei e encontrei”. O esforço está na conexão entre nós, em um só coração e na garantia mútua, e a descoberta é quando descobrimos entre nós o primeiro atributo de doação chamado primeiro nível espiritual.

Pergunta: O que vai mudar em mim depois dessa mudança?

Resposta: Você não só vai querer doar, mas também será capaz de doar.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 08/12/13,O Livro do Zohar

Eu Não Posso Orar Para Mim Mesmo

Dr. Michael LaitmanSerá que eu posso orar por mim mesmo se realmente quero avançar na espiritualidade? Claro que não. Como eu posso ter certeza que estou pedindo poder, mudança de humor, mudança do verdadeiro estado, de modo que vai ser pela doação, pelo Criador?

Só pedindo pelo grupo é que eu posso ter certeza e checar a mim mesmo, como nas palavras da canção: “por meus irmãos e amigos eu peço a paz para eles”. Isso significa que eu estou pedindo pelo grupo, pelos amigos e por isso espero chegar ao pedido certo e deleitar o Criador.

Esta é a ordem certa: do amor dos seres criados ao amor do Criador. Através do amor dos seres criados eu posso ver e ter certeza que estou me dirigindo corretamente e que não estou confuso, nem mentindo para mim mesmo. Então, através do amor dos seres criados, eu tenho que me concentrar no amor do Criador. É impossível alcançar o Criador sem o nível de transição do amor dos seres criados. É por isso que a quebra ocorreu e nosso mundo quebrado foi criado.

Caso contrário, nós nunca poderíamos doar ao Criador, já que Ele está oculto de nós. Se Ele fosse revelado, correríamos para Ele como um ladrão que corre na frente da multidão, gritando: “Pega o ladrão!” Eu ansiaria por Ele como a fonte de prazeres e gostaria de me conectar a Ele para o meu próprio benefício. Mas como ele está oculto, eu não tenho para onde correr e nem sei quem é o Criador.

Este é o motivo para a quebra dos vasos, e de todo o mundo quebrado eu recebi uma pequena parte chamada meu grupo. Se eu pratico corretamente no grupo, tentando me conectar a ele como com o Criador, então eu sempre posso checar a mim mesmo e fazer o que precisa ser feito. No final, eu alcanço o estágio de implementação: a meta da sabedoria da Cabalá e sua adição prática que é a educação integral,

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 23/12/13, Escritos do Rabash

Um Fogão Elétrico: Marca “NRNHY”

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se tudo depende do nosso desejo e do trabalho, e não do Criador, por que pedimos que Ele nos ajude a conectar?

Resposta: Nós tentamos atingir desejos adicionais por conexão, fazemos um esforço, buscamos. E quando nos voltamos ao Criador, isso significa que ativamos mais uma deficiência, e, assim, a Luz age em nós com essa deficiência adicional. Isto ocorre mesmo que a própria Luz seja constante, como uma tensão constante numa tomada.

Se eu tenho uma tomada com uma tensão (voltagem) de 220 ​​volts, eu posso conectar dispositivos de várias resistências e intensidade lá; assim, consequentemente, uma corrente diferente fluirá nelas, mais ou menos: Nefesh, Ruach, Neshamah, Haya, Yechida, de acordo com o desejo que eu conecto a ela. É como se eu tivesse um fogão elétrico e girasse o botão, mudando a intensidade do calor: 1, 2, 3, e cada vez eu ativo uma nova espiral onde uma nova Luz é revelada: 1 – pequeno, 2 – maior, 3 – maior ainda. A “tensão” da Luz é constante, mas a “intensidade da corrente”, ou seja, o meu “NRNHY” depende da força da minha resistência.

Lá fora, nada muda; há uma fonte de energia cheia de energia infinita lá. Conecte nele qualquer coisa que queira! Do Mundo do Infinito ao nosso mundo, a tensão é classificada de acordo com os níveis, como em nosso mundo, onde pode haver diferentes voltagens: 380 volts, 220 volts, 110 volts, 24 volts, 12 volts.

A escala de tensões (voltagens) sai desta forma, mas em todos os níveis a tensão é constante, e tudo depende disso, como você se conecta a ela: Nefesh, Ruach, Neshamah, Haya, Yechida. Você termina este nível, já usou todas as divisões do interruptor em seu “fogão”, e agora pode se mover para um novo “fogão”. Porém, não há mudanças na tomada; ela lhe dá tudo o que você precisa.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 19/12/13, Talmud Eser Sefirot

Controle Sobre A Intenção

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se na minha vida diária um pequeno desejo de dirigir a minha intenção de doar ao Criador aparece e depois desaparece rapidamente, o que eu posso fazer para me concentrar nele? Como posso ajudar a mim mesmo? Eu deveria desenhar algo na minha mão, ou fazer outra coisa?

Resposta: Você me faz lembrar aqueles anos quando eu estava aprendendo com o Rabash. Eu também desenhava um símbolo na minha mão para não esquecer a intenção. Quando eu estava sentado atrás do volante no carro, o símbolo na minha mão estava constantemente piscando diante dos meus olhos, como se para me lembrar que eu tenho que pensar na intenção a fim de doar. Isso é tão natural para nós de tal forma que não pode aparecer na cabeça de uma pessoa sem algum tipo de lembrete externo.

Portanto, faça todo o possível: desenhe algo em sua mão, coloque um despertador, e ative algum sinal no celular para que a cada cinco minutos ele irá lembrá-lo sobre a intenção. Não importa que ações você faz, elas podem ser muito diferentes. A principal coisa é não interrompê-las, mas sim, simplesmente voltar a controlar a intenção.

No momento em que você preferir isso, você vai sentir uma diferença entre o nosso mundo e o mundo espiritual, porque somente a intenção nos diferencia do mundo espiritual. No momento em que alguma inclinação aparecer dentro de você, você vai sentir imediatamente que está entrando numa matriz completamente diferente de sensações; você vai começar a sentir o mundo de forma diferente. De repente, começa a ser como em um filme e, em seguida, uma imagem totalmente diferente aparecerá.

Da Convenção Virtual em Moscou “Unidade Sem Limites” 13/12/13, Lição 1

Uma Oração Em Água Escura

Pergunta: O que uma pessoa pode fazer se ela está constantemente distraída por pensamentos estranhos e não consegue se concentrar durante a leitura do Zohar?

Resposta: A pessoa deve tentar viver com os estados que lemos a respeito. Isso é chamado de “querer saber o que se estuda”, que significa conectar-se com o material e alcançá-lo. Conhecimento significa conexão.

Não importa o que estudamos, se é “vaso redondo e reto (Igulim eYosher)” ou “meia-noite quando o violino de David toca”, quando lemos um determinado artigo devemos querer estar no mesmo estado que os cabalistas mencionam. Devemos nos identificar com o que lemos, e senti-lo. É como se um amigo estivesse falando a você sobre sua vida e você quer realmente entendê-lo e compartilhar seus sentimentos, absorvendo suas palavras, a fim de atingir os seus sentimentos através delas. Através das palavras, você pode chegar à impressão interna e compartilhar os mesmos sentimentos. [Leia mais →]

A Arte De Escrever Com Tinta Invisível

Dr. Michael LaitmanNós temos que lembrar que a espiritualidade é diferente da corporalidade. Na corporalidade, nós sempre queremos ver os resultados imediatamente. Às vezes, é o produto que fizemos: suponha que eu fiz sapatos, vendi-os e recebi dinheiro por eles. Eu vejo os sapatos que fiz, vejo os resultados dos meus esforços, os frutos do meu trabalho. Eu posso avaliar, melhorar, ajustar, corrigir e torná-los melhor se realmente os vejo.

Diz-se: “Não há ninguém mais sábio do que o experiente”, e o experiente ganha com as próprias mãos. Nós aplicamos o esforço em algum lugar, e lá vemos os resultados do nosso trabalho. Assim, ao longo do tempo, através de tentativa e erro, eu me corrijo e me torno um hábil artesão profissional.

Mas a dificuldade é que no trabalho espiritual não podemos ver os resultados. Imagine um músico que tocasse as teclas do piano e não pudesse ouvir nenhum som. Como ele poderia tocar? Quando uma criança aprende a escrever, ela recebe um caderno para inserir letras estritamente entre as linhas. Mas, na espiritualidade, eu não tenho “linhas”, e até mesmo as letras que escrevo são invisíveis!

Como eu posso me ajustar, se não consigo ver nenhuma resposta? Eu me esforço, mas elas desaparecem como água escorrendo na areia. Bem, digamos, eu estou disposto a sacrificar qualquer resultado em benefício próprio. Mas eu ainda tenho que me ajustar de alguma forma, verificar, melhorar meu trabalho e ganhar experiência. Como é possível?

Não funciona dessa maneira na espiritualidade. Nós não obtemos nenhuma resposta, e isso nos enfraquece. Eu não posso fazer um esforço que não cause qualquer reação visível. É como falar com uma parede. Toda a minha energia desaparece.

Mas a reação existe, só que não ocorre dentro do mesmo desejo, ou seja, ocorre num lugar diferente. Se pelo menos uma pequena parte dos nossos esforços estivesse correta, isto é, se tivéssemos a intenção de sair de nós mesmos e nos conectar com os outros, para nos aproximar do Criador e dar-Lhe a oportunidade de Se revelar a nós, para dar-Lhe alegria sem exigir ou antecipar a fim de obter algo em troca, a reação se acumula. Acontece que o lugar do nosso trabalho e os resultados que obtemos estão completamente separados um do outro.

Será que nós devemos pedir para ver os resultados do nosso trabalho? Se víssemos que fizemos algo corretamente, isso iria nos satisfazer, nos trazer satisfação. Isso pode me impedir e dificultar o avanço, porque eu começo a trabalhar por essa gratificação. Portanto, como eu posso analisar o trabalho que faço e verificar que não sou impulsionado por nossos próprios interesses?

Como posso ver a reação, sem apreciá-la egoisticamente? Como posso gerir e aceitar apenas a informação, sem a sensação, sem o desejo de receber prazer? Isso é chamado exigir um desejo de doar. Em outras palavras, eu não quero nem saber se estou doando ao Criador, porque no meu estado atual, eu iria, inevitavelmente, desfrutar e ser consolado. Eu só quero fazer ações, desprendido do prazer e da satisfação, acalmar meus desejos, sentimentos e pensamentos. Isso dá trabalho.

O resultado do nosso trabalho espiritual é chamado de “um achado”. Os resultados surgem exatamente no momento errado e num lugar que não esperávamos. E o próprio resultado é separado do desejo; portanto, é totalmente inesperado.

Isso acontece em todos os níveis espirituais, porque cada vez é um novo mundo. Nossas sensações se abrem para um novo nível, uma nova profundidade e qualidade, numa gama completamente nova que nunca existiu antes. Nossas sensações e critérios de avaliação passam por mudanças revolucionárias; eles são “atualizados”. É por isso que é chamado de “uma descoberta”, “um achado”.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 07/11/13

Um Pedido Que Não Pode Ser Recusado

A nossa oração deve ser focada em linha reta à meta e não acompanhada por quaisquer condição especial com a qual eu possa ultrapassar os obstáculos mais facilmente, ser mais forte, e mais focado. Se eu começo com negociações destas, isso significa que o meu pensamento não está focado exclusivamente na meta e que eu imponho certas condições. No geral, eu preciso apenas de uma coisa: anular-me para atingir o nível inicial da conceção, quando o velho “eu” já não existe.

Eu torno-me numa gota de sémen, tal como a gota de sémen a partir da qual cada um de nós se desenvolveu. Este é o estado que eu quero alcançar, de modo a não deixar mais nada de mim se não o Reshimó (reminiscência), o gene espiritual que desce do nível superior. Este é o único ponto do qual eu quero desenvolver: do ponto no coração, da raíz da minha alma, que não é egoísta como o é agora, que não é quebrada.

Isto quer dizer que eu exijo qualquer forma definitiva: Não exijo mais sabedoria, força, compreensão, sensibilidade ou capacidade para sentir. Peço apenas por uma coisa, a mínima adesão! Sou grato ao superior por me ter criado e pela inclinação que eu tenho, e eu peço para que o Reshimó, esse ponto, se adira a Ele e comece a desenvolver.

Todos os restantes pedidos já serão em excesso e serão sempre errados.

Da preparação para Lição Diária de Cabalá 25/11/13

Você Não Se Esforçou E Não Encontrou

Dr. Michael LaitmanTudo depende da importância do caminho espiritual, e isso é exatamente o que nos falta. Quanto tempo perdemos durante o dia em diferentes coisas que não são importantes? Nós somos incapazes de nos concentrar constantemente na intenção correta, de ansiar em atrair a Luz que Corrige. Afinal, se diz: “Eu não me esforcei, não encontrei”. Portanto, como vamos fazer um esforço para nos esforçar?

As pessoas estão dispostas a se esforçar todos os dias em coisas que parecem importantes: trabalho duro, viagens, preocupações. Portanto, a única coisa que falta é a importância espiritual. Rabash costumava dizer que, infelizmente, é impossível comprar esta receita numa farmácia, um medicamento que, se ingerido, iria imediatamente permitir que você sentisse a importância da espiritualidade. Não existe remédio. Portanto, o que podemos fazer?

O único meio é a influência do ambiente. Diz-se: “o grupo ou a morte”. Se realmente organizarmos um grupo forte que constantemente inspire a pessoa e evoque inveja, luxúria, e honra dentro dela, então ela vai invejar os outros e ver que eles são mais fortes do que ela, o quão especiais eles são; ele irá pressioná-la, não a deixará relaxar, e então ela vai acordar. Se não, não há outra maneira dela ter sucesso.

Tudo é determinado pelo ambiente. Uma vez que você entra num ambiente, você se torna totalmente dependente dele. O ambiente pode elevar uma pessoa ou rebaixá-la. A pessoa avança de acordo com a intensidade do espírito do ambiente em relação à meta, nem mais, nem menos. Obviamente, se ela não desrespeitar o ambiente e se tentar se aderir a ele. Seu trabalho é investir no ambiente, e o ambiente, em resposta, deve investir nela, em cada um dos amigos.

Nós temos que ter certeza disso e constantemente verificar que todos sintam a importância e a grandeza da meta. Agora, por exemplo, estamos sentados na lição, enquanto alguns de nossos amigos estão trabalhando na construção da nossa nova casa. Por isso, temos que nos preocupar com esses amigos e não deixá-los trabalhar dia após dia e perder as lições. Isso também é proibido. Mesmo que a presença da pessoa seja mais importante no canteiro de obras, ainda temos que ter certeza que ela vem às vezes para as lições.

Você não deve deixar as lições completamente. A pessoa deve estar na lição pelo menos duas vezes por semana, a fim de manter o sentimento da importância da meta espiritual, caso contrário, vai cair. Diz-se: “A Torá com o desejado sistema de comportamento é melhor”, ou seja, que precisamos de ambos.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 20/11/13