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Jpost: “Pode Haver Nazismo Na América?”

O The Jerusalem Post publicou o meu novo artigo “Pode Haver Nazismo Na America?”.

No início dos anos 50, Ashlag escreveu: “Não há esperança de que o nazismo pereça com a vitória dos aliados, pois amanhã os anglo-saxões adotarão o nazismo”. Ele poderia estar certo?

Depois de setenta incidentes de ameaças de bomba contra os JCCs (Centros Comunitários Judaicos) em todo os EUA, dois cemitérios vandalizados (um em St. Louis e um na Filadélfia), um professor de escola no Texas que foi demitido por um tweet “matem alguns judeus” e depois que suásticas e insultos raciais foram pintados com spray em carros, um prédio e um parque infantil perto de Buffalo, e um administrador do CUNY queixou-se de ter “muitos judeus” na equipe, podemos dizer oficialmente que há antissemitismo na América. Finalmente, os líderes judeus se sentem confiantes o suficiente para falar sobre uma “pandemia mundial” e não excluir os EUA do quadro.

A intensificação do antissemitismo não é coincidência. É o resultado de um processo natural e obrigatório pelo qual, quanto mais egoísta a sociedade se torna, mais é propensa ao antissemitismo. No livro, Como um Feixe Juncos: Por que a Unidade e a Garantia Mútua são Urgentes Hoje, e no site Internet, “Por Que as Pessoas Odeiam os Judeus”, eu mostro que, independentemente da educação, além de um certo nível de egoísmo, o antissemitismo deve surgir da mesma forma que muito sal pode se dissolver na água antes dele começar a surgir.

Egoísmo versus a Lei da Unidade

Maimônides, o Midrash Rabah, e muitas outras fontes nos dizem que durante o tempo de Abraão, o patriarca, Abraão observava seu povo construindo a Torre de Babel. Ele notou que os construtores eram cada vez mais egocêntricos e alienados uns dos outros, o que o levou a procurar uma explicação. O livro Pirkey de Rabbi Eliezer (Capítulo 24) ilustra como os babilônios “queriam falar uns com os outros, mas não conheciam a linguagem uns dos outros. O que eles fizeram? Cada um pegou sua espada e eles lutaram entre si até a morte. De fato, metade do mundo foi abatido lá, e de lá eles se espalharam por todo o mundo”.

Esse ódio perturbou Abraão e ele se perguntou quem ou o que estava causando essa mudança. De acordo com Maimônides, Abraão “começou a ponderar dia e noite, como era possível que essa roda sempre girasse sem um condutor” (Mishneh Torah, Capítulo 1). Ao fazer isso, ele descobriu uma força unificadora que é a raiz de toda a criação, e chamou essa força de “Deus”.

Abraão percebeu que, a fim de assegurar uma vida boa, as pessoas não precisavam se curvar a este Deus ou oferecer-lhe sêmola, como o seu povo fazia com seus deuses naquela época. Tudo que você precisava fazer para ser feliz e resolver o ódio era subir acima dele e se unir. Mas quando Abraão sugeriu que os babilônios se unissem em vez de lutar, seu rei, Nimrod, o expulsou de seu país.

Enquanto o exilado Abraão caminhava em direção a Canaã, as pessoas “se reuniram em torno dele e lhe perguntaram sobre suas palavras”, escreve Maimônides. ”Ele ensinou a todos … até que milhares e dezenas de milhares se reuniram a sua volta, e eles são o povo da casa de Abraão. Ele plantou este princípio em seus corações, compôs livros sobre isso, e ensinou seu filho, Isaque. E Isaque sentou-se, ensinou e alertou, e informou a Jacó, e designou-o como professor, para sentar e ensinar … E Jacó, nosso Pai, ensinou a todos os seus filhos.

Finalmente, uma tribo que conhecia a lei da unidade foi formada, assim como o ódio por essa lei e aqueles que a adotam.

Alguns séculos mais tarde, Moisés quis fazer o mesmo que Abraão. Ele aspirava a unir seu povo, e enfrentou a feroz resistência do Faraó. Como Abraão antes dele, Moisés fugiu com seu povo, exceto que desta vez eles eram milhões e, portanto, precisaram de uma “atualização” do método de conexão de Abraão.

A atualização foi a Torá – um conjunto de leis que se resume a um único princípio, que o Velho Hillel descreveu muito simplesmente: “O que você odeia, não faça ao seu próximo. Essa é a totalidade da Torá. O resto é comentário, vá estudar” (Shabat, 31a). Sob Moisés, as tribos hebraicas se uniram e se tornaram uma nação, mas somente depois do compromisso de ser “como um homem com um só coração”. A nova nação obteve o seu nome, Israel, de sua vocação de ir Yashar-El (direto ao Criador): de alcançar a mesma unidade que a força que Abraão tinha descoberto.

Imediatamente depois de se tornar uma nação, Israel foi encarregado de completar o que Abraão pretendia alcançar quando começou a falar de unidade acima do ódio – que o mundo inteiro se beneficiaria do método. ”Moisés desejava completar a correção do mundo naquele tempo…. No entanto, ele não teve sucesso por causa das corrupções que ocorreram ao longo do caminho”, escreveu o Ramchal em seu comentário sobre a Torá. Mas uma vez que Israel alcançou a unidade, eles foram encarregados de transmiti-la, ou como a Torá coloca, de ser “uma luz para as nações”.

Quando o Egoismo Espalha Ruína, os Judeus são Culpados por Ela

Após a formação da nação judaica, os judeus conheceram muitos altos e baixos. Quando a unidade prevaleceu entre nós, prosperamos. Quando o egoísmo assumiu, sofremos. Mas quando o egoísmo de nossos antepassados ​​atingiu tais níveis que eles não podiam se tolerar, sina’at hinam (ódio infundado/sem fundamento) irrompeu entre eles e enfraqueceu sua força. Finalmente, o líder da legião romana na Judéia, Tiberius Julius Alexander – ele mesmo um judeu cujo pai tinha revestido as portas do Templo com ouro – destruiu o Templo e exilou os judeus da terra de Israel. Nas palavras do Maharal de Praga: “O Templo foi arruinado por causa do ódio infundado, porque seus corações se dividiram e eles eram indignos de um Templo, que é a unificação de Israel” (Netzah Israel).

O ódio que nos destruiu persiste até hoje. Além disso, a semente da unidade ainda está dentro de nós e ainda é a nossa única fonte de força. Ao longo dos tempos, nossos sábios enfatizaram que a unidade é a chave para a nossa salvação. O livro Maor VaShemesh escreve: “A principal defesa contra a calamidade é o amor e a unidade. Quando há amor, unidade e amizade entre si em Israel, nenhuma calamidade pode vir sobre eles”. Do mesmo modo, o Livro da Consciência escreve: “Somos ordenados a cada geração a fortalecer a unidade entre nós para que nossos inimigos não nos governem”.

Embora a semente da unidade exista dentro de nós, enquanto estivermos desunidos, não podemos ser “uma luz para as nações” e não estamos espalhando a unidade para o mundo, como Abraão e Moisés tinham pretendido. Ao mesmo tempo, a humanidade está se tornando cada vez mais egoísta. Nosso egoísmo hoje é tão intenso que, mesmo sabendo que estamos arruinando o futuro de nossos filhos, contaminando nosso planeta, simplesmente não nos importamos o suficiente para parar. Entendemos que o pluralismo é importante e que o liberalismo é vital para a sociedade, mas todos são tão narcisistas que simplesmente não podemos ouvir uns aos outros, muito menos nos unir acima de nossas diferenças. Nesse estado, o ódio contra os judeus se intensifica porque nós temos a chave para superar o egoísmo, mas o egoísmo dentro de nós rejeita esse remédio, como o Rei Nimrod antes e o Faraó depois dele. É quando a situação se torna perigosa para os judeus.

No auge da monarquia espanhola, por exemplo, quando seu orgulho e confiança estavam no seu ápice, o machado caiu sobre os judeus. Apesar de sua profunda imersão na sociedade espanhola e afastamento de sua própria religião, os judeus foram culpados por todos os problemas da Espanha e foram expulsos, torturados e mortos pela Inquisição sob a liderança de Torquemada, que – como Tiberius – era de descendência judaica. No século anterior, a Alemanha estava no topo do mundo. Mas, ao cair, voltou sua raiva para os judeus. Quando Adolf Hitler não conseguiu expulsar os judeus, porque ninguém os queria, simplesmente os exterminou.

Oscilando entre o Nazismo e a Unidade

Livro do Zohar escreve: “Eis quão bom e agradável é que os irmãos também se sentem juntos. Estes são os amigos que se sentam juntos, e não estão separados uns dos outros. A princípio, eles parecem pessoas em guerra, desejando se matar. Depois eles retornam a estar em amor fraternal. … E vocês, os amigos que estão aqui, como vocês estavam em carinho e amor antes, doravante também não se separarão … E por seu mérito haverá paz no mundo” (Aharei Mot).

Semelhante ao Zohar, seu grande comentarista, o Rav Yehuda Ashlag, escreveu que “a nação israelense tinha sido construída como um portal pelo qual o mundo pode entender a amenidade e a tranquilidade no amor ao próximo”. Como Ashlag, o Rav Kook escreveu: em Israel está o segredo para a unidade do mundo” (Orot Kodesh).

Por mais que possamos odiar o pensamento, somos portadores do método de correção de Abraão para o egoísmo que separa e destrói nosso mundo. Se não implementarmos entre nós este método de união acima das diferenças, as nações nos culparão por suas aflições e nos punirão novamente. Mas se nós o implementarmos entre nós, o mundo inteiro virá aprender. O antissemita mais notório da história americana, Henry Ford, reconheceu o papel dos judeus em relação à sociedade em seu livro, O Judeu Internacional – O Principal Problema do Mundo: “Os reformadores modernos, que estão construindo sistemas sociais modelo, fariam bem em olhar o sistema social sob o qual os primeiros judeus foram organizados”.

Durante décadas, a América tem estado em um caminho de crescente egoísmo, alienação e isolamento social. A depressão tem sido a principal causa de doença no país há anos, e o desespero está crescendo rapidamente. Se um livro intitulado O Narcisismo Epidêmico: Vivendo na Era do Direito Próprio pode chegar ao topo da lista de best-sellers do New York Times, e os Millennials definem seu ambiente como a cultura “Eu, Eu, Eu”, você sabe que o país está no à beira da implosão. E quando a sociedade americana desmoronar, pode facilmente assumir alguma forma de nazismo ou fascismo extremo.

Nós pensamos que a Alemanha nazista foi um evento único. Mas dizer “Nunca mais” não impedirá que a história se repita. Nós estamos esquecendo que não foram os alemães que inventaram o disitntivo amarelo, mas os britânicos, já em 1218.

No início dos anos 50, o Rav Yehuda Ashlag escreveu em Os Escritos da Última Geraçaõ: “O mundo erroneamente considera o nazismo um ramo particular da Alemanha. Na verdade … todas as nações são iguais nisso; não há esperança alguma de que o nazismo perecerá com a vitória dos aliados, pois amanhã os anglo-saxões o adotarão”.

Se os judeus americanos não tomarem suas vidas em suas próprias mãos e forçarem a si mesmos a se unir acima de sua aversão mútua, os americanos vão forçá-los a fazer isso através do derramamento de sangue. Não há mais tempo. Os judeus devem pôr de lado todas as diferenças e se unir porque a unidade é a única salvação do povo judeu, e porque quando nos unimos, somos uma luz para as nações – dando ao mundo o que Abraão pretendia que a humanidade tivesse há quase quatro milênios e o que o mundo tanto necessita hoje.

Correio Expresso: “O Capitalismo Tem Um Futuro?”

Um jornal semanal de língua russa na Flórida Экспресс- Курьер (Correio Expresso) publicou meu artigo “O Capitalismo Tem Um Futuro?”.

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JPost: “Trump deve iniciar a próxima etapa da Política de ‘América Primeiro’”

The Jerusalém Post publicou meu novo artigo “Trump deve iniciar a próxima etapa da Política “América Primeiro”

Os últimos ataques terroristas provam que o Presidente Trump está no topo das coisas. Mas se ele quer fazer a América grande outra vez, ele terá que implementar a próxima fase da “América Primeiro” e unir os “Estados Unidos”.

Apesar da controvérsia sobre se o presidente Donald Trump deveria ter consultado o Congresso antes de lançar o ataque de mísseis, em 07 de abril, sobre a base aérea da síria denominada “Shayrat Airbase”, de cujos aviões aparentemente foram lançadas as bombas de gás sarin, contra civis, apenas três dias antes, o sentimento geral é que era necessária uma resposta militar.

Dois meses atrás, Carl Bildt, ex-PM sueco, zombou do presidente Trump imputando-lhe responsabilidade no ataque terrorista que houve na Suécia perpetrado por imigrantes. O sr. Bildt tuitou, “Suécia? Ataque terrorista? O que ele tem fumado”? Dois meses mais tarde, o primeiro-ministro sueco atual declarou que a Suécia ‘nunca voltará’ aos dias de migração em massa, depois que um imigrante ilegal matou quatro pessoas e feriu 15 em um ataque, batendo um caminhão no centro de Estocolmo .

Depois de meses de escárnio pelas declarações de Trump que a administração Obama espionara-o e seus conselheiros, antes da eleição, Eli Lake da Bloomberg revelou que Susan Rice, ex-conselheira de segurança nacional de Barack Obama, fez precisamente isso. A meu ver, o presidente Trump tem provado que, no mínimo, ele merece uma chance de liderar o país, como o ex-vice-presidente Joe Biden coloca no mês passado. [Leia mais →]

Artigos No Jornal Ucraniano “Evreiskie Vesti” (Notícias Judaicas)

O jornal ucraniano “Evreiskie Vesti” (Notícias Judaicas) publicou o meu artigo sobre a Convenção Mundial da Cabalá que aconteceu em Tel Aviv, Israel, de 21 a 23 de fevereiro de 2017 (pg 12), bem como o artigo sobre Pessach do meu aluno, Oleg Isekson (pg.2).

2017-03-28_evreiskie-vesti

The Jerusalem Post: “Pessach – Uma História De Hebreus Que Queriam Ser Egípcios”

Na minha coluna regular no The Jerusalem Post, o meu novo artigo: “Pessach – Uma História De Hebreus Que Queriam Ser Egípcios

O Faraó escravizou egoisticamente os hebreus; Moisés os libertou abnegadamente. O “rei” do egoísmo ainda escraviza nossos corações. Para nos libertar da escravidão, devemos nos libertar do ódio mútuo.

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Para a maioria de nós, a história do nosso êxodo do Egito não passa de um conto. É uma realmente uma história fascinante, mas é relevante para o nosso tempo? Quando colocados contra os pratos servidos diante de nós na mesa, é um jogo injusto em relação à Hagadá. No entanto, se soubéssemos o que Pessach realmente significa para todos nós, estaríamos “bebendo” a narrativa em vez de esperar que ela dê lugar ao principal evento: a comida.

Debaixo de um conto sobre a luta de uma nação para ser livre encontra-se a descrição de um processo que nós, como judeus, passamos e estamos passamos novamente hoje. É com razão que a Torá nos ordena que nos vejamos todos os dias como se tivéssemos acabado de sair do Egito. As provações dos nossos antepassados ​​devem ser tanto sinais de alerta como sinais de trânsito, dirigindo-nos para onde ir num mundo cheio de incerteza e trepidação.

Acontecimentos de Israel no Egito

Quando os irmãos de José foram para o Egito, eles tiveram tudo. José, o hebreu, foi o governante de fato do Egito. Com a bênção do Faraó, ele determinou tudo o que aconteceu no Egito, como o Faraó disse a José: “Tu estarás sobre a minha casa, e de acordo com o seu comando todo o meu povo fará homenagem. … Eis que tenho te constituído sobre toda a terra do Egito. … Eu sou o Faraó, ainda sem a tua permissão, ninguém levantará a mão ou o pé em toda a terra do Egito “(Gn 41: 40-44).

Graças à sabedoria de José, o Egito não só se tornou uma superpotência, mas também fez suas nações vizinhas escravas do Faraó, tomando seu dinheiro, terras e rebanhos (Gn 47: 14-19). E os principais beneficiários do sucesso do Egito foram a família de José, os hebreus. Faraó disse a José: “A terra do Egito está à sua disposição; instala seu pai e seus irmãos no melhor da terra, deixa-os viver na terra de Goshen [A parte mais rica, mais exuberante do Egito], e se você conhece alguns homens capazes entre eles, coloca-os no comando do meu gado” (Gn 47:6).

Há uma boa razão pela qual José se tornou tão bem-sucedido. Três gerações antes, seu bisavô, Abraão, encontrou um método para curar todos os problemas da vida. O Midrash Rabbah nos diz que quando Abraão viu seus habitantes na Ur dos caldeus lutar entre si, isso o perturbou profundamente. Depois de muita reflexão, ele percebeu que eles estavam ficando cada vez mais egoístas e não podiam mais se dar bem. O ódio entre eles os fazia brigar e lutar, às vezes até a morte. Abraão percebeu que o ego não poderia ser interrompido, mas poderia ser coberto com amor, concentrando-se na conexão ao invés de separação. É por isso que Abraão é considerado o símbolo da bondade, hospitalidade e misericórdia.

Embora Nimrod, rei da Babilônia, tenha expulsado Abraão da Babilônia, a Mishneh Torá de Maimonides (Capítulo 1) e muitos outros livros descrevem como ele vagou pela terra de Israel e reuniu dezenas de milhares de seguidores que entenderam que a unidade acima do ódio é a chave para uma vida bem-sucedida. Quando chegou à terra de Israel, ele era um homem rico e próspero, ou como a Torá o descreve, “E Abrão era muito rico em gado, em prata e em ouro” (Gênesis 13:2).

Abraão passou seu conhecimento a todos os seus discípulos e descendentes. De acordo com Maimônides, “Abraão plantou este princípio [da unidade acima do ódio] em seus corações, compôs livros sobre isso e ensinou seu filho, Isaque. Isaque sentou-se e ensinou a Jacó, e o nomeou professor, para sentar e ensinar … e Jacó nosso Pai ensinou a todos os seus filhos” (Mishná Torá, Capítulo 1). José, da palavra hebraica osef (reunião), foi o principal discípulo de Jacó e se esforçou em implementar o ensinamento de seu pai. No Egito, o sonho de José de unir todos os irmãos sob ele se tornou realidade, e todos se beneficiaram disso. Este foi o auge da permanência dos hebreus no Egito.

Como as Tábuas se Voltaram Contra Nós

Tudo mudou quando José morreu. Como acontece toda vez ao longo de nossa história, quando os judeus são bem-sucedidos, seus egos os superam e eles querem abandonar o caminho da unidade e se tornar como os locais. Este abandono é sempre o começo de uma virada para pior, até que finalmente uma tragédia ou uma provação nos obriga a se reunir. O Egito não era exceção. O Midrash Rabbah (Êxodo, 1:8) escreve: “Quando José morreu, eles disseram: ‘Sejamos como os egípcios’. Por terem feito isso, o Criador transformou o amor que os egípcios mantinham por eles em ódio, como foi dito (Salmos 105), ‘Ele virou o coração deles para odiar o Seu povo, para abusar de Seus servos’ “.

O Livro da Consciência (Capítulo 22) escreve ainda mais explicitamente que se os hebreus não tivessem abandonado seu caminho de unidade, não teriam sofrido. O livro começa citando o Midrash que acabei de mencionar, mas acrescenta: “O Faraó olhou para os filhos de Israel depois de José e não reconheceu José neles”, ou seja, a qualidade da reunião, a tendência de unir-se.

E porque “novos rostos foram feitos, o Faraó declarou novos decretos sobre eles. Você vê, meu filho”, conclui o livro,” todos os perigos e todos os milagres e tragédias são todos de você, por causa de você, e por conta de você”. Em outras palavras, o bom Faraó se virou contra nós porque tínhamos abandonado o caminho de José, o caminho da unidade acima do ódio.

Quando Moisés chegou, ele sabia que a única maneira de salvar seu povo era tirá-los do Egito, do egoísmo que estava destruindo suas relações. O nome Moshe (Moisés), diz o livro Torat Moshe (Êxodo, 2:10), vem da palavra hebraica “moshech“ (puxar), porque ele puxou o povo para fora da inclinação ao mal.

No entanto, mesmo quando os puxou para fora, eles ainda estavam em perigo de cair de volta no egoísmo. Eles receberam seu “selo” como uma nação somente quando reencenaram o método de Abraão de se unir acima do ódio. Uma vez que se comprometeram a se unir “como um só homem com um só coração”, eles foram declarados uma “nação”. Sinai, da palavra sinaa (ódio), os hebreus se uniram e assim cobriram seu ódio com amor. Foi quando eles se tornaram uma nação judaica, como o livro Yaarot Devash (Parte 2, Drush nº 2) escreve: “Yehudi“ (judeu) vem da palavra “yechudi“ (unidos).

O Faraó e Moisés Dentro de Nós

Faz muitos séculos que essa história épica se desenvolveu, mas parece que aprendemos muito pouco. Olhe para nossos valores atuais, somos tão corruptos quanto os hebreus eram depois da morte de José. Por “corrupto”, não estou dizendo que devemos evitar as amenidades da vida. Nem Abraão nem José foram abstinentes de qualquer maneira. Por corrupto, quero dizer que somos descaradamente egoístas, narcisistas, e promovemos esses valores onde quer que vamos. Nós somos arrogantes, individualistas e perdemos completamente o nosso judaísmo, ou seja, nossa tendência a unir-se. Em consequência, assim como os egípcios se voltaram contra os hebreus quando abandonaram o caminho de José, o mundo está se voltando contra nós hoje.

O Faraó e Moisés não são figuras históricas; eles vivem dentro de nós e determinam os nossos relacionamentos a cada momento. Cada vez que deixamos o ódio governar nossos relacionamentos, nós coroamos novamente o faraó dentro de nós. E cada vez que fazemos um esforço para nos unir, revivemos Moisés e o juramento de nos esforçar para sermos “como um só homem com um só coração”. Andrés Spokoiny, presidente e CEO da Jewish Funders Network, descreveu nossa situação de forma muito linda em um discurso que ele deu no ano passado: “Nos últimos anos, vimos uma polarização sem precedentes e uma feiura na comunidade judaica. Aqueles que pensam de forma diferente são considerados inimigos ou traidores, e aqueles que discordam de nós são demonizados”. Essa é precisamente a regra do Faraó.

Ser judeu não implica necessariamente observar costumes específicos ou viver em um país específico. Ser judeu implica colocar a unidade acima de tudo. Por mais feroz que seja o nosso ódio, devemos nos elevar acima dele e nos unir.

Até mesmo o Livro do Zohar escreve explicitamente sobre a importância suprema da unidade acima do ódio. Na porção Aharei Moto Zohar escreve: “Eis quão bom e agradável é que os irmãos também se sentem juntos. Estes são os amigos que se sentam juntos, e não estão separados uns dos outros. A princípio, eles parecem pessoas em guerra, desejando se matar. Depois eles retornam a estar em amor fraternal. … E vocês, os amigos que estão aqui, como vocês estavam em carinho e amor antes, doravante também não se separarão … E por seu mérito haverá paz no mundo. ”

Aprendendo com o Passado

Versões da história do Egito ocorreram ao longo de nossa história. Os gregos conquistaram a terra de Israel porque queríamos ser como eles, adorar o ego. Nós até lutamos por eles como judeus helenizados quando lutamos contra os Macabeus. Menos de dois séculos mais tarde, o Templo foi arruinado por causa de nosso ódio infundado para com o outro. Nós fomos deportados e assassinados na Espanha quando queríamos ser espanhóis e abandonamos nossa unidade e fomos exterminados na Europa pelo país onde os judeus queriam esquecer a nossa unidade e assimilação. Em 1929, o Dr. Kurt Fleischer, líder dos Liberais na Assembleia da Comunidade Judaica de Berlim, expressou com precisão o longo problema de nossos séculos: “O antissemitismo é o flagelo que Deus nos enviou para nos unir e nos fundir”. Que tragédia os judeus naquela época não terem se unidos.

Como se fôssemos incapazes de aprender, hoje estamos nos colocando na mesma posição de sempre. Nós nos tornamos escravos de nossa arrogância, e não queremos ser judeus, isto é, unidos. Nós estamos deixando o Faraó governar tudo de novo. Que bem podemos esperar que possa sair disso? Não devemos voltar a ficar cegos; nós devemos saber melhor agora.

Em cada um de nós há um Moisés, um ponto que moshech (puxa) para a unidade. No entanto, devemos coroá-lo de boa vontade. Devemos escolher nos libertar- dos grilhões do ego e se unir acima de nosso ódio. Isso pode parecer uma montanha intransponível para escalar, mas não se espera que sejamos bem-sucedidos, apenas que concordemos e façamos um esforço. Assim como os hebreus foram declarados uma nação e foram libertados do Egito quando concordaram em se unir, também precisamos apenas concordar em se unir, e o resto seguirá. Nós encontraremos dentro de nós o poder e a capacidade de nos unir.

Neste Pessach, nós realmente devemos transpor o ódio infundado, a praga de nosso povo, e restaurar nossa fraternidade. Façamos deste Pessach uma aproximação, reconciliação e acordo. Vamos transformar este feriado em um novo começo para a nossa nação. Coloquemos algum seder (ordem) nas relações entre nós e sejamos o que devemos ser, uma “luz para as nações”, espalhando o brilho da unidade em todo o mundo e aos nossos irmãos. Se apenas tentarmos, eu sei que teremos um feliz Pessach, um Pessach de amor, unidade e fraternidade.

Haaretz: “Trinta E Cinco Séculos Mais Tarde, Ainda É Faraó Versus Moisés”

Na minha coluna regular no jornal Haaretz foi publicado o meu novo artigo: Trinta E Cinco Séculos Depois, Ainda É Faraó Versus Moisés

De governantes do Egito nos tornamos seus escravos porque não queríamos ser judeus – unidos acima ódio.

A história da libertação dos hebreus da escravidão tem capturado a imaginação de milhões de pessoas através da história. O Êxodo chegou a encarnar a luta do homem pela liberdade da opressão e injustiça. Mas há algo estranho no Êxodo: A Torá ordena que todos nós vejamos cada dia como se tivéssemos acabado de sair do Egito. Porque essa história é tão importante? Pode ser que debaixo do conto épico exista um significado mais profundo, enigmático?

Se olharmos para os textos dos nossos sábios ao longo dos tempos, na verdade vamos descobrir que o Êxodo do Egito detalha um processo que nós, como judeus, passamos, estamos passando novamente hoje, e que afeta a vida dos judeus e não-judeus no mundo inteiro. Se entendermos este processo melhor, vamos encontrar respostas para muitas das perguntas urgentes de hoje para os judeus: tais como a essência do judaísmo e por que há antissemitismo.

O Segredo de Abraão

Quando os irmãos de José foram para o Egito, eles tinham a melhor vida que alguém poderia imaginar. Com a bênção de Faraó, José era o governante de fato do Egito. “Tu estarás sobre a minha casa, e de acordo com o seu comando todo o meu povo fará homenagem”, disse Faraó a José. “Vê, eu tenho te constituído sobre toda a terra do Egito. …Eu sou o Faraó, ainda sem a tua permissão, ninguém levantará a mão ou o pé em toda a terra do Egito “(Gn 41: 40-44).

Sob a liderança de José, o Egito não só se tornou uma superpotência, mas também fez suas nações vizinhas escravas do Faraó, tomando seu dinheiro, terras e rebanhos (Gn 47: 14-19). No entanto, os principais beneficiários do sucesso do Egito foram os hebreus. Sabendo a quem ele devia sua riqueza e poder, disse o Faraó a José: “A terra do Egito está à sua disposição; instala seu pai e seus irmãos no melhor da terra, deixa-os viver na terra de Goshen [A parte mais rica, mais exuberante do Egito], e se você conhece alguns homens capazes entre eles, coloca-os no comando do meu gado” (Gn 47:6).

O segredo do sucesso de José foi sua linhagem. Três gerações antes, seu bisavô, Abraão, viu seus habitantes da cidade de Ur dos Caldeus perder sua estabilidade social devido ao ódio crescente entre seu povo. Em toda a antiga Babilônia, as pessoas estavam se tornando cada vez mais egocêntricas e alienadas umas das outras. Isso se manifestou de forma mais evidente nos esforços para construir a ambiciosa torre de Babel. O livro Pirkei de Rabbi Eliezer descreve como os construtores da torre de Babel “empurram para cima os tijolos [para construir a torre] a partir do leste, depois, desciam pelo oeste. Se um homem caísse e morresse, eles não lhe prestariam qualquer atenção. Mas se um tijolo caísse, eles se sentariam e se lamentariam, ‘Ai de nós; quando outro virá em seu lugar?’” Finalmente, o livro continua, os Babilônios “queriam falar um com o outro, mas não sabiam a língua do outro. O que fizeram? Cada um pegou sua espada e eles lutaram entre si até a morte. Na verdade, metade do mundo foi morto lá, e de lá eles se dispersaram por todo o mundo”.

Atormentado, Abraão refletiu sobre a situação dos seus conterrâneos e percebeu que a intensificação do egoísmo não poderia ser interrompida. Para superá-lo, ele sugeriu a seus conterrâneos aumentar a coesão de sua sociedade em sincronia com o crescimento do ego. No Mishneh Torah (Capítulo 1), Maimônides descreve isso com Abraão começando “a fornecer respostas ao povo de Ur dos Caldeus”.

O sucesso de Abraão chamou a atenção do rei da Babilônia, Nimrod, quem, de acordo com o Midrash (Bereshit Rabá 38:13) confrontou Abraão e tentou provar que ele estava errado. Quando o rei Nimrod falhou, expulsou Abraão da Babilônia. Conforme o expatriado vagou rumo à futura Terra de Israel, continuou a dizer às pessoas sobre sua descoberta e a juntar seguidores e discípulos. De acordo com a Mishneh Torah de Maimônides (‘Regras de Idolatria’, Capítulo 1:3), “milhares e dezenas de milhares reuniram-se em torno de Abraão. Ele estabeleceu esse princípio [da unidade como um antídoto para o egoísmo] em seus corações, compôs livros sobre isso, e ensinou seu filho Isaque. Isaque sentou-se e ensinou e informou Jacó, e designou-lhe um professor, para sentar e ensinar … E Jacó nosso Pai ensinou a todos os seus filhos”. No momento em que José chegou, ele tinha um método bem estabelecido para fomentar a estabilidade social e prosperidade através da unidade em face do crescente egoísmo e alienação.

Como As Tábuas Se Voltaram Contra Nós

Como vimos acima, o Faraó apoiou a unidade dos hebreus. Ele deu-lhe o melhor da terra do Egito exclusivamente para eles cultivarem a sua forma única de viver –incrementando continuamente a união – não só ininterrupta, mas com o seu total apoio. No final, aquela união única tornou-se a essência do judaísmo. Como o livro Yaarot Devashi (Parte 2 Drush no. 2) nos diz, a palavra “Yehudi” (judeu) vem da palavra “yihudi“, ou seja, unido.

Os problemas começaram quando José morreu. O Faraó, diz o livro Noam Elimelech, “é chamado de ‘a inclinação ao mal’”. Faraó não é simplesmente o egoísmo; é o epítome dele. Ele vai ser bom para você só enquanto você o servir. Quando ele disse a José, “Eu sou o Faraó, ainda assim, sem a sua permissão, ninguém levantará a mão ou o pé em toda a terra do Egito”, ele quis dizer que José governaria o Egito porque o Faraó sabe que a união compensa. Sem união, ele não teria nenhuma razão para dar qualquer favor especial aos parentes de José.

No entanto, após a morte de José, os hebreus não mantiveram sua unidade. Eles quiseram ser como os egípcios: egoístas. Mas eles não tinham a consciência de que ao fazê-lo, perderiam o seu favor aos olhos do Faraó e se tornariam o que os judeus sempre foram: párias. O Midrash Rabá (Êxodo 1:8) escreve: “Quando José morreu eles disseram: ‘Vamos ser como os egípcios’. Porque eles fizeram isso, o Criador transformou o amor que os egípcios possuíam por eles em ódio, como foi dito (Salmos 105), ‘Ele virou o coração deles para odiar o Seu povo, para abusar dos Seus servos’”.

O Livro da Consciência (Capítulo 22), escreve ainda mais explicitamente que se os hebreus não tivessem abandonado o caminho da unidade, não teriam sofrido. Depois de citar o Midrash que acabei de mencionar, o livro acrescenta: “O Faraó olhou para os filhos de Israel depois de José e não reconheceu José nelas”, ou seja, a tendência de se unir. E porque “novos rostos foram feitos, o Faraó declarou novos decretos sobre eles. Você vê, meu filho” o livro conclui, “todos os perigos, milagres e tragédias são todos provenientes de você, por causa de você, e por sua conta”.

Em outras palavras, o Faraó se voltou contra nós porque tínhamos abandonado o nosso caminho, o caminho da unidade acima do ódio, e queríamos deixar de ser hebreus. Ao longo da nossa história, as piores tragédias se abateram sobre nós quando queríamos deixar de ser judeus e abandonar o caminho da unidade. Os Gregos conquistaram a terra de Israel porque queríamos ser como eles e adorar o ego. Nós até fizemos a guerra por eles como judeus helenizados lutamos contra os Macabeus. Menos de dois séculos depois, o Templo foi arruinado por causa do nosso ódio infundado para com o outro. Nós fomos deportados e assassinados na Espanha quando queríamos ser espanhóis e abandonamos nossa unidade, e fomos exterminados na Europa pelo país onde os judeus queriam esquecer nossa unidade e se assimilar. Em 1929, o Dr. Kurt Fleischer, líder dos Liberais na Assembleia da Comunidade Judaica de Berlim, expressou com precisão nossos problemas de séculos: “O antissemitismo é o flagelo que Deus nos enviou, a fim de nos levar juntos e nos soldar juntos”. Que tragédia os judeus naquela época não terem se unido apesar da observação verdadeira de Fleischer.

Êxodo

Quando Moisés surgiu, ele sabia que a única maneira de salvar os hebreus era tirá-los do Egito, do egoísmo, que estava destruindo suas relações. O livro Keli Yakar (Êxodo 6: 2) escreve sobre Moisés: “O espírito do Senhor falou à filha do Faraó, para chamá-lo de Moshe (Moisés) da palavra ‘Moshech’ (‘puxar’), porque ele é quem puxaria Israel do exílio. “Isto é, como José antes dele, Moisés uniu as pessoas ao seu redor e, assim, os tirou do Egito.

Assim mesmo, após a sua saída, os hebreus estavam em perigo de cair de volta no egoísmo. Eles receberam seu “selo” como uma nação somente quando reencenaram o método de Abraão de se unir acima de ódio. Uma vez que se comprometeram a se unir “como um homem com um só coração”, eles foram declarados uma “nação”. No sopé do Monte Sinai, da palavra “sinaa” (ódio), os hebreus se uniram e cobriram desse modo seu ódio com amor.

Por sua unidade, Moisés restabeleceu o compromisso dos Hebreus com a unidade como um antídoto para o egoísmo. Essa tem sido a essência do judaísmo desde então, ou como o Velho Hillel coloca no Talmude: “O que você odeia, não faça a seu próximo; esta é toda a Torá” (Shabbat 31a). Ao cobrir seu egoísmo com amor e unidade, os judeus conseguiram superar as inúmeras provações e tribulações que suportaram desde o Êxodo e até a ruína do Segundo Templo. O Rei Salomão sucintamente formulou o princípio do judaísmo com um pequeno versículo em Provérbios (10:12): “O ódio suscita contendas, e o amor cobre todos os crimes”.

Faraó e Moisés dentro de Nós

Quando lemos a Hagadá, é uma boa ideia manter em mente que Faraó, José, Moisés, e todos os outros personagens não são mais do que partes da nossa história. Nós somos ordenados a lembrar o Êxodo do Egito todos os dias porque eles são, na verdade, partes de nós! Nós todos temos o Faraó, a inclinação ao mal, mas não temos suficiente Moisés e José dentro de nós, as forças da unidade. Nós somos arrogantes, individualistas e egoístas ao ponto do narcisismo. Nós perdemos nosso judaísmo, nossa tendência a se unir.

Em consequência, assim como os egípcios se voltaram contra os hebreus quando abandonaram o caminho de José, o mundo está se voltando contra nós hoje devido à nossa desunião. Não vamos encontrar soluções para o antissemitismo na supressão da falação antissemita. Isso não vai erradicar o ódio. Como O Livro da Consciência escreve na citação que acabamos de mencionar, “Você vê, meu filho, todos os perigos e todos os milagres e tragédias são todos de você, por causa de você, e por sua conta”. A nossa desunião cria, alimenta e sopra as chamas do antissemitismo.

Quando Abraão encontrou o seu caminho para superar o egoísmo, ele queria compartilhá-lo com todos. Da mesma forma, assim que os hebreus se tornaram uma nação, receberam a tarefa de ser “uma luz para as nações”. Dito de outro modo, lhes foi ordenado trazer unidade ao mundo e completar o que Abraão tinha começado. Mas para conseguir isso, é preciso primeiro sair do nosso Egito interior, a regra do Faraó dentro de nós, e escolher o caminho de José e Moisés, o caminho da unidade. Moisés sabia o que Abraão queria ter alcançado e tentou fazer o mesmo. Ramchal escreveu em seu comentário sobre a Torá que “Moisés desejou completar a correção do mundo naquela época. No entanto, ele não teve sucesso por causa das corrupções que ocorreram ao longo do caminho”. Assim, no final do dia, ser judeu significa seguir o caminho de Abraão e Moisés, o caminho da unidade, responsabilidade mútua e fraternidade. Quando buscamos a unidade, somos judeus. Quando buscamos outros objetivos, não somos.

A Festa da Liberdade

Pessach é a festa da liberdade. No entanto, não podemos ser livres, já que somos escravos de nossos egos. A libertação do Faraó significa liberdade da inclinação ao mal: do desejo de prejudicar, de ser arrogante, e de oprimir os outros. Nós estamos muito longe disso. Enquanto permanecermos desta maneira, não devemos esperar que o antissemitismo diminua. Pelo contrário, ele só vai crescer, porque, como eu disse acima, o nosso egoísmo cria, alimenta e admira-o.

Se quisermos celebrar um Seder adequado, devemos colocar nossas prioridades na ordem certa: a nossa unidade vem em primeiro lugar, e todo o resto segue. Que possamos discordar sobre política, questões LGBT, Israel ou assuntos de família. Mas se não nos juntarmos acima de nossas divergências, estamos errados, independentemente da nossa posição. Assim como uma mãe ama seus filhos, independentemente de seus traços, crenças e ações, temos que encontrar uma maneira de começar, pelo menos, a marchar em direção uns dos outros. Este será o início de nossa libertação do Faraó interior.

Este ano, enquanto discutimos a história de nossos antepassados, vamos também pensar nos antepassados ​​dentro de nós, as forças do egoísmo ou conexão e fraternidade –  a qual delas estamos atendendo, e a qual delas devemos estar atendendo.

Eu desejo a todos feliz e kosher (livre de ódio) Pessach.

Haaretz: “Conexão: Algo Novo No Menu Do Seder”

Na minha coluna regular no Haaretz, o meu novo artigo: “Conexão: Algo Novo No Menu Do Seder

Este ano, enquanto nos sentamos ao redor da mesa durante o Seder e falamos sobre liberdade, vamos falar sobre a liberdade do ódio.

Quanto mais fundo entramos em 2017, mais caótico o mundo aparece. Hoje, a única coisa que a maioria das pessoas pode concordar é que o trem da sociedade humana está descarrilhando e o assento do motorista está vazio.

Donald Trump está lutando para colocar sua administração em movimento contra os leias ao governo anterior nos meios de comunicação e no sistema judiciário. Mesmo em seu próprio partido, Trump está lutando contra a crítica que soa como se viesse diretamente de um discurso de Bernie Sanders. Na Europa, o Reino Unido começou o processo do Brexit, ninguém está certo sobre os resultados da dissolução, nem ninguém está certo sobre a direção desejada para a UE.

Arrumando A Mesa no Seder de Pessach

Hoje, a maioria dos líderes da União Europeia e dos eurodeputados concordam que o bloco perdeu o seu caminho. Gianni Pittella afirmou: “Precisamos de uma nova direção para a Europa que vise um forte pilar social”. De igual modo, Rosa D’Amato disse: “Existe a UE dos bancos, das grandes empresas e dos lobbies, e a UE dos cidadãos, aqueles que perderam seus empregos e não têm direitos”.

Parece que a principal tendência na arena política é “cada país por si”. O Brexit está em andamento, a política de Trump é “a América em primeiro lugar”, Marine Le Pen, na França, e a AFD na Alemanha estão obtendo apoio e a maioria dos suecos está apoiando um Swexit. No entanto, se a UE desmoronar e cada país tiver que se defender, quem será o adulto responsável por acalmar as coisas quando surgirem conflitos? Em tal estado, a distância entre uma disputa relativamente menor e uma guerra explícita poderia ser uma questão de dias.

Natureza vs. Natureza Humana

O Prêmio Nobel de Física Dennis Gabor escreveu em 1964: “Até agora, o homem enfrentou a natureza; de agora em diante, ele enfrentará sua própria natureza”. De fato, durante várias décadas temos sido tecnologicamente capazes de fornecer a cada ser humano todas as necessidades básicas para nos sustentar. Se quiséssemos, poderíamos fornecer a todos água e comida fresca, saneamento adequado, eletricidade, comunicação e educação.

O problema é que não temos o desejo de fazer isso. Nosso ódio mútuo está fazendo com que a era tecnologicamente mais avançada da história humana produza a fome mais difundida desde a Segunda Guerra Mundial, que em si foi a exibição mais satânica do ódio humano.

Tudo ao nosso redor, incluindo nossos próprios corpos, é o resultado de forças, órgãos e vetores diferentes, muitas vezes conflitantes, complementando-se para criar o universo em que vivemos e do qual fazemos parte. Cada parte na rede que é o nosso mundo contribui com a sua estabilidade e prosperidade do sistema que é o nosso mundo. Além disso, quanto mais alta a cadeia evolutiva que escalamos, mais complexo o sistema de interconexão e interdependência que encontramos, exigindo um maior nível de comunicação e conexão entre as partes.

No entanto, nós seres humanos somos completamente opostos à natureza. Nós nos esforçamos em nos separar de tudo, como se não dependêssemos do mundo que nos rodeia. Em todos os níveis da existência humana, nos esforçamos em criar “Brexits”. Mesmo a nossa saúde é afetada por nossa aversão mútua. Em uma entrevista para o canal 2 em Israel, Thomas Friedman, do The New York Times, disse que perguntou ao cirurgião-geral Vivek Murthy: “Qual é a doença mais prevalente na América: câncer, diabetes ou doenças cardíacas? Ele disse: ‘Nenhuma dessas; é o isolamento!’”

Acontece que a nossa alienação mútua está provocando nossas crises pessoais, sociais e globais, tentando ir contra a natureza conectada da realidade. De fato, essa tensão entre nosso isolacionismo e narcisismo versus a conexão da realidade cresceu tão intensamente que, com toda a probabilidade, deveria ter terminado agora. Nós vemos a onda global de terrorismo como uma tragédia, mas por todas as suas consequências trágicas, o terrorismo é uma maneira de exalar o ódio étnico e religioso de maneiras menos prejudiciais do que uma guerra total. No entanto, certamente, esse tipo de “válvula de alívio de pressão” é insuportável e, a menos que nos apressemos a descomprimir essa bomba de tempo, ela explodirá em uma guerra total.

Quanto mais nos desenvolvemos, mais conectados e interdependentes nos tornamos. Ironicamente, nosso narcisismo está dirigindo a globalização ainda mais rápido porque nos faz querer explorar todos para nosso próprio benefício e, portanto, nos obriga a se conectar com outras pessoas ainda mais fortemente do que antes, a fim de usá-las. No entanto, uma vez que o nosso narcisismo também cresce, a nossa conexão forçada está se tornando tão dolorosa que estamos perdendo a nossa capacidade de se conectar uns aos outros corretamente. Ou evitamos completamente a conexão através do suicídio ou abuso de substâncias, ou a atacamos por ser abusiva, agressiva e às vezes até homicida.

Os Brexits fermentando em todo o mundo são os ajustes necessários para aliviar a pressão de nossa conexão forçada. Romano Prodi, antigo Primeiro-Ministro italiano, concluiu corretamente que “a UE não tem estratégias e não há líder a seguir. A Europa que eu sonhei está morta”. Ele também estava certo ao dizer: “Quem lidera uma coalizão política e um grupo de países deve considerar os interesses de todos os membros”. Uma vez que essa consideração não é a situação na UE, esta deve ser desmantelada antes que nos exploda em pedaços.

Mutuamente Responsável

Apesar da necessidade de uma separação temporária, no final teremos que nos juntar ao curso da natureza. A conexão correta será o próximo grande desafio da humanidade. Nossa “fronteira final” não é o espaço, como pensávamos nos anos 1960. Nossa fronteira final é a nossa conexão com as pessoas com quem vivemos. Nossas conexões com as pessoas ao nosso redor e as conexões entre sociedades e países determinarão o destino da humanidade.

O primeiro passo para a construção de uma sociedade sustentável é entender que, quer queiramos quer não, há uma responsabilidade mútua entre nós. Na década de 1930, o maior comentarista do Livro do Zohar, Rav Yehuda Ashlag, escreveu um ensaio intitulado “Paz no Mundo“, onde observou que somos todos interdependentes. Em suas palavras: “Não podemos mais falar ou tratar de condutas justas que garantam o bem-estar de um país ou de uma nação, mas somente do bem-estar do mundo inteiro, porque o benefício ou dano de cada pessoa no mundo depende e é medido pelo benefício de todas as pessoas no mundo”. O que era verdade na década de 1930 é muito mais hoje, mas ainda temos que chegar a um acordo com o fato de que a dependência mútua implica responsabilidade mútua.

Na verdade, o judaísmo é construído sobre a educação das pessoas para a conexão. Agora que estamos nos aproximando de Pessach, é um bom momento para nos lembrar de que fomos declarados uma nação somente depois que concordamos em se unir “como um só homem com um só coração”.

Ao longo de nossos anos de formação como uma nação, nós nos esforçamos para melhorar a nossa conexão sobre o ódio que irrompeu entre nós. Transformamos a conexão acima do ódio em uma ideologia que sobreviveu ao longo das gerações. O rei Salomão disse: “O ódio agita a contenda, e o amor cobre todos os crimes” (Pv 10:12). Da mesma forma, o livro Likutey Etzot (Conselhos Variados) escreve: “A essência da paz é conectar dois opostos. Portanto, não se assuste se você vir uma pessoa cuja opinião é completamente oposta à sua e achar que nunca será capaz de fazer as pazes com ela. Além disso, quando você ver duas pessoas que são completamente opostas entre si, não diga que é impossível fazer a paz entre elas. Pelo contrário, a essência da paz é tentar fazer a paz entre dois opostos”. Além disso, O livro Cartas do Raiah declara que “A grande regra sobre a guerra de opiniões, quando cada visão vem a contradizer outra, é que não precisamos contradizê-la, mas sim construir acima dela, e assim subir”. Finalmente, apenas no ano passado, Andrés Spokoiny, presidente e CEO da Jewish Funders Network disse: “Respeito e desacordo têm sido historicamente uma parte importante de quem somos. Somos um povo que acredita que o desacordo é uma maneira de refinar nossa bússola moral. Somos o povo que ensinou ao mundo a abraçar a diversidade e a celebrar a diferença”.

Na Vanguarda da Conexão

Recentemente, como o Sr. Spokoiny também observou durante seu discurso, vimos “uma polarização sem precedentes e feiura na comunidade judaica. Aqueles que pensam de forma diferente são considerados inimigos ou traidores, e aqueles que discordam de nós são demonizados”.

Uma vez que compreendemos que nosso problema é nossa separação e ódio mútuo, devemos nos esforçar em relação ao oposto. Quando nós judeus nos unimos ao pé do Monte Sinai, fomos imediatamente incumbidos de estabelecer um exemplo de unidade para que o mundo pudesse se unir também. Em outras palavras, nos ordenaram a ser “uma luz para as nações”. Nós não sabíamos como, mas estávamos dispostos a tentar. Isto é tudo o que é exigido de nós hoje.

Da mesma forma, no ensaio que mencionei anteriormente, “Paz no Mundo“, Rav Ashlag escreve que não saberemos como se conectar até que tentemos. Em suas palavras, “Tal é a conduta do desenvolvimento na natureza – o ato vem antes da compreensão, e somente as ações provarão e empurrarão a humanidade para a frente”.

Nós, judeus, estamos na vanguarda da ciência, tecnologia e finanças. No entanto, o que o mundo precisa é que estejamos na vanguarda da conexão. Como disse o Sr. Spokoiny, “O colapso da civilidade não é apenas um problema judaico. Nós, como judeus, somos como todo mundo, só um pouco mais”. No entanto, nós, como judeus, somos os únicos de quem se espera que seja um modelo de unidade e civilidade, e não um exemplo oposto. A severidade com que a ONU julga Israel em comparação com todos os outros países do mundo combinados não é meramente uma expressão de antissemitismo. Debaixo do ódio está a expectativa dos judeus de serem “uma luz para as nações”, ou seja, liderar o mundo na direção oposta: do ódio ao amor. Quando essa expectativa encontra a dura realidade de nossa separação, ela resulta em raiva por nós, que então se transforma em ódio. Nós chamamos isso de antissemitismo. O que inflama isso não é se somos globalizadores esquerdistas ou isolacionistas conservadores de linha dura. Em vez disso, seu combustível é o nosso tratamento para com nossos correligionários, independentemente de suas opiniões políticas ou econômicas.

Nós devemos usar todas as oportunidades à nossa disposição para tentar inverter a tendência ao isolamento. Na próxima semana, enquanto nos sentamos ao redor da mesa durante o Seder e falamos sobre liberdade, vamos falar sobre a liberdade do ódio. Vamos realmente pensar no que significa ser “uma luz para as nações” e por que existe o antissemitismo. Se fizermos isso, isso pode muito bem tornar a nossa noite de Pessach mais significativa e memorável do que nunca!

Apenas no mês passado, o Presidente da UE, Antonio Tajani, afirmou perante o Parlamento Europeu: “Hoje mais do que nunca precisamos mostrar que estes desafios só podem ser superados se estivermos unidos”. Todos compreendem que a unidade é imperativa, mas apenas a nossa nação tem uma chave escondida para fazer o amor cobrir todos os crimes, como disse o rei Salomão. Se “o ato vem antes do entendimento”, como escreveu Ashlag, então vamos agir sobre a unidade e ver o que ela produz. O que quer que aconteça, se nós visamos à unidade, não podemos ir mal.

JPost: “Êxodo – O Segredo De Nossa Nação”

O The Jerusalem Post publicou meu novo artigo, “Êxodo – O Segredo de Nossa Nação

Nesse Pessach vamos dar um golpe final na separação e egoísmo; vamos nos esforçar em nos conectar uns com os outros no coração.

O prato do Seder de PESSACH – nesta Páscoa vamos dar um golpe final na separação e egoísmo.

Em cada Pessach, concentramos nossa atenção na luta histórica entre Moisés e o Faraó, e a escravização dos hebreus. No entanto, a história do nosso povo no Egito é mais do que uma memória coletiva; é uma descrição precisa da nossa situação atual.

O Êxodo é o ápice de um processo que realmente começou quando uma autoridade babilônica chamada Abraão descobriu a razão das desgraças da humanidade e tentou contar isso ao mundo. A Mishneh Torah de Maimonides narra que Abraão era um jovem inquisitivo cujo pai, Terah, possuía uma loja de ídolos no centro de Ur, uma cidade movimentada na antiga Babilônia.

Vender ídolos e amuletos era um bom negócio, mas Abraão estava descontente. Ele percebeu que seus habitantes estavam ficando cada vez mais infelizes. Noite após noite, Abraão ponderou o enigma dos sofrimentos dos babilônios até que descobriu uma verdade profunda: os seres humanos são desprovidos de bondade. De acordo com o livro Pirkei de Rabbi Eliezer (Capítulo 24), Abraão observou os construtores da Torre de Babilônia e viu-os brigando. Ele tentou persuadi-los a parar de lutar e cooperar, mas eles apenas zombaram dele. Por fim, eles lutaram até a morte entre si, e a torre nunca foi concluída.

O aflito Abraão começou a dizer aos seus concidadãos que deixassem seus egos e o ódio de lado e se concentrassem na conexão e na fraternidade. Ele sugeriu que eles se elevassem acima de seus egos detestáveis ​​e se unissem.

Abraão começou a reunir seguidores até que Nimrod, rei da Babilônia, ficou infeliz com a crescente popularidade de Abraão e expulsou-o com sua comitiva da Babilônia.

Vagando para o que viria a ser a Terra de Israel, Abraão e sua esposa, Sara, falavam a qualquer um que quisesse escutar. Depois de algum tempo, a companhia de Abraão contou com dezenas de milhares de discípulos e seguidores.

Maimônides escreve que Abraão doutrinou seu filho Isaque na noção da conexão acima do ódio, Isaque ensinou a Jacó exatamente o mesmo princípio e, depois de algumas gerações, uma única assembleia de pessoas foi criada. Eles ainda não eram uma nação, mas tinham uma forma única de unidade.

Sua “cola” era a ideia de que o ódio só pode ser triunfado ao aprofundar a unidade e o amor mútuo.

O povo de Abraão não tinha afinidade biológica, mas sua solidariedade se fortaleceu dia após dia graças aos esforços de união.

O êxodo dos hebreus do Egito foi a etapa final na forja da nação israelense. Quando eles saíram do Egito, ficaram diante do monte Sinai, cujo nome deriva da palavra hebraica “sinah” (ódio). Moisés, que uniu os israelitas no Egito, escalou a montanha para trazer de volta a Torá – o código da unidade – enquanto o povo de Israel se preparava para recebê-la, se comprometendo a se unir “como um só homem com um só coração”. Com esse compromisso, eles passaram seu teste. Eles foram declarados não apenas uma nação, mas uma encarregada de ser um modelo de unidade, “uma luz para as nações”.

A formação da nação israelense parece narrar a improvável forja de uma nação de completos estranhos.

No entanto, essa história retrata a batalha que todos nós enfrentamos entre o nosso inato ódio ao próximo, e a necessidade de conexão.

O Faraó, a inclinação do mal, transformou o nosso mundo do século XXI em um Egito contemporâneo, onde o egoísmo é rei e o narcisismo é a tendência. Nosso mundo poluído e ferido pela guerra, a sociedade polarizada, a depressão ubíqua e as tendências doentias, como as transmissões ao vivo de suicídio no Facebook, indicam que o Faraó é o rei do nosso planeta e o nosso mundo é o Egito.

Como temos nosso faraó interior, também temos nosso Moisés interior, mas ele não pode ter sucesso sozinho. Sem dirigir todas as nossas forças e desejos para a conexão, permaneceremos no Egito, escravos de nossos egos, e o mundo continuará indo de mal a pior.

Atualmente, nós estamos tão divididos que se tivéssemos que voltar a nos comprometer a ser “como um só homem com um coração” e, assim, nos tornar uma nação, seríamos unanimemente recusados. Nós somos escravos voluntários de nossos egos. O livro Yaarot Devash escreve que a palavra “judeu” (Yehudi) vem da palavra “unida” (yihudi).

Enquanto permanecermos separados, não seremos judeus, assim como não éramos judeus antes de nos unirmos e concordarmos em nos esforçar para amar nossos vizinhos como a nós mesmos.

Este Pessach nos dá um golpe final na separação e egoísmo. Vamos nos esforçar em nos conectarmos uns com os outros em coração. Em tempos difíceis como o nosso, nossa unidade é vital. Ela restaurará a nossa humanidade, nos tornará “uma luz para as nações”, um exemplo de solidariedade e coesão, e nos libertará do flagelo do narcisismo e do resto de nossos males sociais.

Feliz e kosher Pessach, querido povo de Israel.

Jewish Business News: “O Ódio Judaico De Si Mesmo É O Fermento Que Devemos Limpar”

Em minha coluna regular no Jewish Business News, meu novo artigo: “A Ódio Judaico De Si Mesmo É o Fermento que Devemos Limpar”

Se há algum ódio mais enigmático do que o antissemitismo, é o antissemitismo judaico. Nosso ódio de si mesmo é uma fonte sinistra e imortal, mas não secará até que encontremos seu gatilho e o desarmemos.

A história está repleta de exemplos de judeus que odiavam seu povo com tanta veemência que dedicaram toda a sua vida à sua destruição. A rebelião dos Macabeus, por volta de 160 a.C., foi antes de mais nada contra os judeus helenizados do que contra o Império Selêucida. Da mesma forma, o comandante dos exércitos romanos que conquistaram Jerusalém e exilaram os judeus foi Tiberius Julius Alexander, um judeu alexandrino cujo próprio pai tinha doado ouro e prata para os portões do templo que Alexander quebrou. De fato, antes da ruína de Jerusalém, Julius Alexander aniquilou sua própria comunidade judaica de Alexandria, fazendo com que “todo o distrito fosse inundado de sangue quando 50.000 cadáveres foram amontoados”, segundo o historiador judeu-romano Titus Flavius Josephus. Da mesma forma, durante a Inquisição espanhola, O principal inquisidor Tomás de Torquemada era de ascendência judaica recente, mas isso não diminuiu seu zelo em expulsar e matar os judeus. E só neste século passado, a Associação dos Judeus Alemães Nacionais apoiou e votou por Hitler e pelo Partido Nazista.

De fato, George Soros e Noam Chomsky não inventaram o ódio judaico de si mesmo, também conhecido como antissemitismo judeu. Na verdade, a semana passada tem visto um desfile espalhafatoso dessa mania. Primeiro, aprendemos que a maioria das ameaças de bomba em JCCs (Centro Comunitários Judaicos) tinha um único perpetrador e que o criminoso não era um fanático de direita ou um extremista muçulmano, mas um israelense-americano de 19 anos de Ashkelon, uma pequena cidade no sul de Israel. Depois, vimos as dezenas de judeus moralistas protestando contra o discurso do vice-presidente Mike Pence no AIPAC, afirmando que se não houver paz para os palestinos (que declaram todos os dias que não querem paz com Israel, mas sua destruição), não haverá paz para Israel. E em terceiro lugar, enquanto o Estado de Israel e algumas organizações judias finalmente reuniram apoio internacional suficiente para realizar uma conferência anti-BDS na Assembleia Geral das Nações Unidas, o movimento BDS em si é repleto de ativistas judeus e Organizações judias que o apoiam, tais como J Street, Jewish Voice for Peace, e Jews for Justice for Palestine.

Na verdade, o ódio judeu de si mesmo parece ser uma fonte imutável de uma ingenuidade sinistra. Se houver algum ódio mais enigmático do que o antissemitismo, é o antissemitismo judaico.

Como nos Tornamos uma Nação

Em setembro de 2014, eu escrevi um artigo no New York Times intitulado ” Quem É Você Povo de Israel“, que falava sobre a origem única do povo judeu e a razão para o antissemitismo. Após inúmeros pedidos de reflexão sobre a ideia de unidade judaica como a solução para o antissemitismo e as fontes que invoquei para sustentar a minha opinião, eu escrevi um ensaio mais elaborado intitulado “Por Que As Pessoas Odeiam Israel”. O ensaio rapidamente se tornou um mini-site da Internet que contém, além do ensaio, um videoclipe explicando as ideias e uma cópia gratuita do meu livro, Como um Feixe Juncos: Por que a Unidade e a Garantia Mútua são Urgentes Hoje. Sob as limitações de uma coluna de jornal, eu só posso oferecer uma breve explicação, mas você está convidado a seguir qualquer um dos links acima para obter mais detalhes.

Nossa nação é única. Não foi fundada na afinidade étnica ou biológica, mas em torno de uma ideia. O livro Pirkei De Rabbi Eliezer (Capítulo 24) escreve que Abraão, o pai da nação, estava muito preocupado com os Babilônios entre os quais ele vivia. Ele notou que eles estavam se tornando cada vez mais hostis uns com os outros e se perguntou o que causou isso.

Ao refletir sobre o ódio deles, escreve Maimonides em Mishneh Torah, ele percebeu que em toda a natureza existe um equilíbrio perfeito entre luz e escuridão, expansão e contração, construção e destruição. Tudo na natureza tem uma contrapartida equilibrada. Ao mesmo tempo, ele percebeu que, ao contrário do resto da natureza, a natureza humana está completamente fora de equilíbrio. Entre as pessoas, o egoísmo, o interesse próprio e a maldade reinam alto. O ódio que Abraão descobriu em sua pátria de uns pelos outros o fez perceber a verdade sobre a natureza humana, que “a inclinação do coração do homem é má desde a sua juventude” (Gênesis 8:21).

Abraão percebeu que se as pessoas não introduzissem o equilíbrio da natureza na sociedade humana por vontade própria, elas se destruiriam a si mesmas e à sua sociedade. Ele começou a circular entre os Babilônios a ideia de que, quando o ódio entra em erupção, eles não precisam combatê-lo, mas sim aumentar seus esforços para unir-se. A ideia de Abraão começou a reunir seguidores, mas como sabemos de Maimônides, Midrash Rabá e outras fontes, Nimrod, Rei de Babilônia, não estava feliz com o sucesso de Abraão e o expulsou da Babilônia.

Abraão começou a vagar rumo à terra de Israel e a falar de sua ideia com as pessoas que iria encontrar ao longo do caminho. Sua noção era simples: quando o ódio entra em erupção, cubra-o com amor. Séculos mais tarde, o rei Salomão resumiu isso com o verso: “O ódio suscita a contenda e o amor cobre todos os crimes” (Prov. 10.12)

Os discípulos de Abraão ficaram cada vez mais unidos, mas não foi até que alcançassem um nível profundo de unidade e solidariedade que eles foram oficialmente considerados como uma nação. O nome Monte Sinai vem da palavra Hebraica “sinaa” (ódio). Somente quando o povo de Israel se uniu ao pé do Monte Sinai e juraram ser “como um só homem com um só coração” se tornaram dignos do título, “nação”. Nesse mesmo tempo, também lhes foi dada a tarefa de continuar a espalhar o método de conexão, assim como Abraão e seus discípulos tinham ensinado a eles. Nas palavras da Torá, eles foram encarregados de ser “uma luz para as nações”.

O povo judeu continuou a desenvolver seu método de conexão e adaptá-lo às necessidades mutáveis ​​de cada geração, mas o princípio de cobrir o ódio com o amor permaneceu o mesmo. Quando um homem veio ao Velho Hillel e pediu-lhe para ensinar-lhe a Torá, ele simplesmente disse: “O que você odeia, não faça ao seu próximo; Esta é a totalidade da Torá “(Masechet Shabbat, 31a).

Antissemitismo Judaico – Uma Profunda Rejeição do Nosso Papel

Ao longo das gerações, as facções do povo Judeu que não podiam manter o princípio do amor que cobre o ódio se retiraram da nação. Essas pessoas assimilaram ou desenvolveram formas menos exigentes de Judaísmo, que atendiam a sua crescente auto-absorção.

Enquanto a maioria dessas facções e indivíduos desapareceu entre as nações, alguns deles, como os Helenistas, tornaram-se inimigos férreos do Judaísmo. Ka’ab al-Aḥbār, por exemplo, não era apenas Judeu, mas um rabino proeminente do Iêmen que se converteu ao Islã e se tornou uma figura importante no estabelecimento da denominação Sunita. Acompanhou Khalif Umar em sua viagem a Jerusalém. Quando Umar lhe pediu conselho a respeito de um local para um lugar de culto, Ka’ab apontou para o Monte do Templo. Em consequência, a Abóbada da Rocha hoje está  situada precisamente onde o Segundo Templo estêve antes.

Quando o ódio judaico de si mesmo se torna antissemita, não é simplesmente uma rejeição de uma fé. É mais uma objeção profunda ao papel que os Judeus devem desempenhar no mundo: para circular o método de conexão de Abraão com o mundo inteiro. Ser “uma luz para as nações” significa dar um exemplo de unidade acima do ódio. Esta é uma grave responsabilidade de carregar porque significa que se não formos um exemplo, o mundo não terá maneira de alcançar a paz e as pessoas nos culparão pelo seu ódio uns pelos outros. Já podemos ver isso acontecendo em muitos lugares e em muitas situações, mas à medida que o ódio e o egoísmo se intensificam em nossas sociedades, esse fenômeno se tornará cada vez mais comum e perigoso, a menos que forneçamos o antídoto dando um exemplo de desarmar o ódio trabalhando na unidade

Por mais que possamos tentar mostrar que não somos diferentes de qualquer outra nação, somos sempre tratados como estranhos. Recentemente, o Dr. Andreas Zick, da Universidade de Bielefeld na Alemanha, revelou que o antissemitismo ainda está desenfreado na Alemanha. Mas o mais importante é que o Dr. Zick atribui a onipresença do ódio aos Judeus ao fato de que os Judeus “não são vistos como parte integrante da sociedade, mas como estrangeiros”.

Na verdade, continuaremos sendo párias até restaurarmos nossa responsabilidade mútua, nosso senso de unidade e amor aos outros, e tornar-nos uma luz de unidade para as nações. Então, e só então, seremos bem-vindos em todos os lugares. O antis-semita mais notório da história americana, Henry Ford, expressou essa demanda específica em seu livro O Judeu Internacional – O Principal Problema do Mundo: “Os reformadores modernos, que estão construindo sistemas sociais modelo, fariam bem em examinar o sistema social sob o qual os primeiros Judeus foram organizados “.

O Fermento Entre Nós

Durante esta época do ano, quando as famílias estão se unindo para celebrar a Páscoa, a festa da liberdade, devemos lembrar que a única escravidão que ainda temos de jogar fora é o ódio de nossos irmãos. O hametz [fermento] é nosso ódio infundado, e removê-lo, mesmo que apenas por uma semana de ffestividades, será a nossa maior operação de limpeza. Será também o maior serviço que podemos fazer por nós mesmos, nossa nação e o mundo.

Ser “luz para as nações” significa dar um exemplo de unidade e fraternidade. Com o ódio judaico de si mesmo, estamos colocando o exemplo oposto. Biur hametz [removendo o fermento] simboliza a limpeza de nossos corações do ódio e prepará-los para a unidade e o estabelecimento de nossa nação. É por isso que a festa da liberdade, a Páscoa, vem antes do festival da recepção da Torá (Matan Torah), que como dissemos é “ama o teu próximo como a ti mesmo”, e que começou a nossa humanidade.

Numa época de conflito e alienação, sejamos verdadeiros Kudeus – unidos no amor que cobre todos os crimes, e ligados na fraternidade e na responsabilidade mútua.

Feliz e Kosher Páscoa (sem ódio).

Haaretz: “Nossos Próprios Piores Inimigos”

Em minha coluna regular no Haaretz, meu artigo novo: “Nossos Próprios Piores Inimigos

Os judeus que se tornaram antissemitas rejeitam não só sua herança, mas principalmente sua tarefa de trazer o método de conexão ao mundo inteiro.

Depois de um silêncio prolongado em relação às ameaças de bomba dos JCCs, o FBI divulgou a impressionante notícia de que a maioria das ameaças tinha um único perpetrador e que o criminoso não era um zelote ou um extremista muçulmano, mas um israelense de 19 anos, americano de Ashkelon, uma pequena cidade no sul de Israel. Na verdade, o ódio de si mesmos dos judeus parece ser uma fonte imutável de ingenuidade sinistra.

Outro exemplo de ódio de si mesmos é o envolvimento judaico com o movimento BDS. Hoje, a ONU está finalmente reconhecendo a natureza antissemita do BDS e está realizando uma conferência anti-BDS na Assembleia Geral da ONU. Mas enquanto o Estado de Israel e várias organizações judaicas finalmente reuniram apoio internacional suficiente para lutar contra o BDS, muitos judeus e ex-israelenses estão entre os líderes do movimento, e várias organizações judaicas o apoiam, como J Street, Jewish Voice for Peace, e o Jews for Justice for Palestine..

O ódio judaico de si mesmo não começou com o BDS. Nem começou com George Soros ou Noam Chomsky. Ao longo de nossa história, tivemos que enfrentar disputas internas que muitas vezes irromperam em guerras completas. A rebelião dos Macabeus, por volta de 160 a.C., foi antes de mais nada contra os judeus helenizados do que contra o Império Selêucida. Da mesma forma, o comandante dos exércitos romanos que conquistaram Jerusalém e exilaram os judeus foi Tiberius Julius Alexander, um judeu alexandrino cujo próprio pai tinha doado ouro e prata para os portões do templo que Alexander quebrou. De fato, antes da ruína de Jerusalém, Julius Alexander aniquilou sua própria comunidade judaica de Alexandria, fazendo com que “todo o distrito fosse inundado de sangue quando 50.000 cadáveres foram amontoados”, segundo o historiador judeu-romano Titus Flavius Josephus. Da mesma forma, durante a Inquisição espanhola, O principal inquisidor Tomás de Torquemada era de ascendência judaica recente, mas isso não diminuiu seu zelo em expulsar e matar os judeus. E só neste século passado, a Associação dos Judeus Alemães Nacionais apoiou e votou por Hitler e pelo Partido Nazista.

A história é repleta de exemplos de judeus que odiavam seu povo com tanta veemência que dedicaram toda a sua vida à sua destruição. Se há algum ódio mais enigmático que o antissemitismo, é o antissemitismo judeu.

Quem É Você, Povo de Israel

Um par de anos atrás, eu escrevi um artigo no New York Times intitulado ” Quem É Você Povo de Israel“, que falava sobre a origem única do povo judeu e a razão para o antissemitismo. As respostas que recebi de leitores me fez escrever um ensaio mais elaborado intitulado “Por Que As Pessoas Odeiam Israel”, que eu transformou em um mini-site da Internet, que também contém uma cópia gratuita do meu livro, Como um Feixe Juncos: Por que a Unidade e a Garantia Mútua são Urgentes Hoje. Sob as limitações de uma coluna de jornal, eu só posso oferecer uma breve explicação, de modo que você está convidado a seguir qualquer um dos links acima.

Se procuramos uma origem específica para os judeus, não encontraremos uma. Nossa nação é baseada em uma ideia, não em parentesco familiar ou afinidade étnica ou biológica. O “progenitor” da nação judaica foi Abraão, por isso nos referimos a ele como “Abraão nosso Pai”. O livro Pirkei De Rabbi Eliezer (Capítulo 24) diz que Abraão estava muito preocupado com os babilônios entre os quais ele vivia. Ele os via cada vez mais hostis uns com os outros e se perguntava por que isso estava acontecendo.

Ao refletir sobre a situação, escreve Maimonides em Mishneh Torah (Capítulo 1), ele percebeu que em toda a natureza há equilíbrio perfeito entre o bem e o mal, conexão e separação, força e fraqueza. Tudo na natureza é equilibrado pelo seu oposto. Ao mesmo tempo, ele percebeu que a natureza humana, ao contrário do resto da natureza, está completamente fora de equilíbrio. Entre os humanos, o mal reina. O ódio dos camponeses de Abraão uns para com os outros revelou-lhe a verdade sobre a natureza humana: “A inclinação do coração do homem é má desde a sua juventude” (Gênesis 8:21).

Abraão percebeu que se as pessoas não replicassem o equilíbrio da natureza por sua própria vontade, elas se destruiriam e sua sociedade iria desmoronar. Ele começou a falar de sua ideia para quem quisesse ouvir e começou a coletar seguidores. Infelizmente, como sabemos a partir de Maimonides, Midrash Rabah, e de outras fontes, Nimrod, o rei de Babilônia, não estava feliz com o sucesso de Abraão e o expulsou da Babilônia.

Como um expatriado vagando em direção ao que se tornou a terra de Israel, ele continuou falando de sua ideia de que a sociedade humana deve cultivar a unidade e a fraternidade como um antídoto para o egoísmo humano e o ódio. Com o tempo, Abraão reuniu milhares e até dezenas de milhares de seguidores, que ele e seus discípulos doutrinaram com um método de conexão que tinha um princípio simples: Quando o ódio irromper, cubra-o com amor. Séculos mais tarde, o rei Salomão resumiu-o com o verso: “O ódio suscita a contenda e o amor cobre todos os crimes” (Pv 10.12).

Apesar de seus esforços em se unir, os discípulos de Abraão não foram considerados como uma nação até que atingiram um nível profundo de unidade e solidariedade. No pé do Monte Sinai, eles prometeram ser “como um só homem com um só coração”. Então, e somente então, foram oficialmente declarados uma nação. Nesse mesmo tempo, também lhes foi dada a tarefa de difundir seu método de conexão com o mundo, ou, como afirma a Torá, de ser “uma luz para as nações”.

Ao longo das gerações, o povo judeu desenvolveu seu método de conexão e adaptou-o às necessidades de mudança de cada geração. Durante o tempo de Moisés, o simples princípio que Abraão tinha ensinado não era suficiente para conduzir uma nação inteira em um caminho de unidade acima do ódio, então Moisés deu-lhes a Torá. Mas o princípio de cobrir o ódio com o amor permaneceu o mesmo. Quando um homem veio ao Velho Hillel e pediu-lhe para ensinar-lhe a Torá, ele simplesmente disse: “O que você odeia, não faça ao seu próximo; essa é toda a Torá” (Talmude Babilônico, Masechet Shabat, 31a).

Judeus Antissemitas

Apesar de todos os seus esforços, o ódio e o egoísmo entre os judeus estava (e está) crescendo da mesma forma que em todas as outras nações. À medida que as facções do povo judeu se tornavam demasiado egocêntricas para manter o princípio de Hillel, elas se afastavam do povo judeu e assimilavam ou desenvolviam formas menos exigentes de judaísmo, que atendiam a sua autoabsorção crescente. Por fim, estas facções desapareceram entre as nações.

No entanto, às vezes, como com os helenistas, essas facções desonestas se tornaram inimigas férreas do judaísmo. Ka’ab al-Aḥbār, por exemplo, não era apenas judeu, mas um rabino proeminente do Iêmen que se converteu ao Islã e se tornou uma figura importante no estabelecimento da denominação sunita. Ka’ab acompanhou Khalif Umar em sua viagem a Jerusalém. Quando Umar lhe perguntou onde pensava que o califa deveria construir um lugar de adoração, Ka’ab apontou para o Monte do Templo. É por isso que hoje a Cúpula da Rocha está localizada onde o Segundo Templo estava antes.

Ao ressentir-se de suas origens, os judeus transformados em antissemitas estão rejeitando não apenas sua herança, mas antes de mais nada seu papel como portadores do método de conexão para o mundo inteiro.

No entanto, gostem ou não, os judeus são tratados como diferentes, apesar de seus esforços intermináveis ​​de se misturar e assimilar na cultura local. Recentemente, o Dr. Andreas Zick, da Universidade de Bielefeld na Alemanha, revelou que o antissemitismo ainda é extremamente comum na Alemanha. Além disso, o Dr. Zick atribui isso aos judeus “não sendo vistos como parte integrante da sociedade, mas como estrangeiros”.

Nós seremos considerados estrangeiros até reconhecermos que fomos formados através da unidade e que nossa vocação é compartilhar o método para alcançar a unidade com o mundo acima do ódio. Todas as nossas fontes afirmam que o Templo que o convertido Ka’ab al-Aḥbār transformou em uma mesquita foi arruinado pelo nosso ódio mútuo e que é por isso que fomos exilados e dispersos. Nós continuaremos sendo párias até restaurarmos nossa responsabilidade mútua, nosso senso de unidade e amor ao próximo. Quando fizermos isso, seremos bem-vindos em todos os lugares. O antissemita mais notório da história americana, Henry Ford, expressou essa exigência específica em seu livro O Judeu Internacional – O Problema Principal do Mundo: “Os reformadores modernos, que estão construindo sistemas sociais modelo, fariam bem em olhar para o sistema social sob o qual os primeiros judeus foram organizados”.

Apagando o Ódio

Durante esta época do ano, quando as famílias estão se reunindo para celebrar Pessach, a festa da liberdade, devemos lembrar que a única escravidão que ainda temos que nos livrar é o nosso próprio ódio de nossos irmãos à tribo. O hametz é o nosso ódio infundado, e removê-lo, mesmo que apenas por uma semana de férias, será a maior operação de limpeza de nossas vidas. Será também o maior serviço que podemos fazer por nós mesmos, nossa nação e o mundo.

Ser “uma luz para as nações” significa dar o exemplo de unidade e fraternidade. Com nosso ódio atual, estamos dando o exemplo oposto. Biur hametz [limpar o fermento] simboliza o esclarecimento de nossos corações de ódio e prepará-los para a unidade e o estabelecimento de nossa nação. É por isso que na Torá, Pessach vem antes da recepção da Torá, que como dissemos é “ama o teu próximo como a ti mesmo”, e que começou nosso povo.

Numa época de conflito e alienação, sejamos verdadeiros judeus: unidos no amor que cobre todos os crimes, e ligados na fraternidade e na responsabilidade mútua.

Feliz e kosher (sem ódio) Pessach.