Textos na Categoria 'Livros'

Como Um Feixe De Juncos — Viver Num Mundo Integrado, Parte 1

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 10: Viver Num Mundo Integrado

Um Mundo Integrado Exige Educação Integral

No capítulo anterior, nós citamos as palavras de Baal HaSulam do seu ensaio, “A Liberdade”, afirmando que estamos “obrigados a pensar e examinar como eles [o ambiente social] sugerem”, e que nós somos “desprovidos de qualquer força para criticar ou mudar”. [i] Baal HaSulam concluiu que para evitar um destino predeterminado, nós podemos mudar o ambiente, que por sua vez mudará a nós e nossos destinos. Nas suas palavras, “Aquele que se esforça em escolher continuamente um bom ambiente é digno de louvor e recompensa… não devido aos seus bons pensamentos e ações… mas devido aos seus esforços em adquirir um bom ambiente, que traz… bons pensamentos”. [ii]

Para colocar em termos mais contemporâneos, em prol de canalizarmos nossas vidas e as vidas dos nossos filhos numa direção mais positiva, nós precisamos nutrir valores sociais que promovam a direção positiva que desejamos instar. Nós precisamos educar a nós mesmos, nossos filhos e a sociedade como um todo em direção à garantia mútua, responsabilidade mútua e, por fim, à união e coesão. Como foi demonstrado pelo livro, essa é nossa vocação enquanto Judeus.

Não precisamos conceber qualquer novo meio de educação para alcançar esta meta. Tudo o que precisamos é mudar o meio que já usamos — os meios de comunicação de massa, a Internet, o sistema de educação, nossos laços sociais e familiares — com o objetivo de promover a afinidade e mútua responsabilidade ao invés de prevalecer a narrativa de separação e alienação.

Embora mais frequente que o inverso, os traços de união e afinidade – e acima de tudo, de responsabilidade mútua – estão dormentes dentro de nós Judeus; é nosso dever, certamente nossa vocação, despertar e oferecê-los como nossa dádiva ao mundo. Como foi demonstrado repetidamente neste livro, a unidade é a dádiva dos Judeus, a qualidade que nos torna únicos, e a qualidade que devemos doar ao resto do mundo. Ela é a qualidade que o mundo precisa hoje, e somos nós que estamos obrigados a nutri-la internamente, e assim entregá-la ao mundo.

Há duas maneiras de transmitir responsabilidade mútua e a qualidade de doação. A primeira, dirigida àqueles com “pontos no coração”, como mencionado anteriormente no livro, é o estudo direto da Cabalá. De acordo com o nosso nível de interesse, isso pode ser feito em variados níveis de intensidade, desde assistir programas de TV a estudar atentamente (e intensamente) com um grupo e um professor. A outra maneira é o método de educação direcionada à unidade com a intenção de induzir coesão e um sentido de responsabilidade mútua dentro da sociedade. Eu elaborarei sobre estas maneiras uma de cada vez.

[i] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “A Liberdade”, 419.

[ii] ibid.

Como Um Feixe De Juncos —Pluralmente Falando, Parte 9

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 9: Pluralmente Falando

Afetando a Coesão Social Através do Ambiente Social

Quatro Fatores De Influência

No seu ensaio, “A Liberdade”, [i] Baal HaSulam discute extensamente a estrutura da psique humana, e no que nós precisamos nos concentrar para alcançar uma mudança duradoura nas nossas sociedades. Através de uma longa análise da ação recíproca entre a herança e o ambiente, Ashlag explica que quatro fatores se combinam para nos fazerem quem nós somos:

1. Genes;

2. A maneira como nossos genes se manifestam durante a vida

3. O ambiente direto, tal como família e amigos

4. O ambiente indireto, tal como a mídia, a economia ou os amigos dos amigos.

Uma vez que não escolhemos nossos pais, não conseguimos controlar o conjunto genético. Mas nossos genes são meramente o “nós potencial,” não o “nós real” que no final se manifesta quando somos adultos. O “nós” real consiste de todos os quatro fatores. Além do mais, os últimos dois, que se relacionam ao ambiente, afetam e mudam nossos genes para se adequarem ao ambiente.

Vamos examinar o seguinte exemplo maravilhoso de como o ambiente muda os genes, como é relatado por Swanne Gordon da Universidade da Califórnia num ensaio intitulado, “Evolução Pode Ocorrer em Menos De Dez Anos”, publicado no Science Daily. “Gordon e seus colegas estudaram guppies — peixes pequenos de água doce… Eles introduziram os guppies próximo ao Rio Damier, numa seção acima da cascata de barreira que excluía todos os predadores. Os guppies e seus descendentes também colonizaram a porção inferior do rio, abaixo da cascata de barreira que continha predadores naturais. Oito anos mais tarde…, os investigadores descobriram que os guppies no ambiente de baixa predação… haviam se adaptado a seu novo meio ao produzir maior ou menor descendência com cada ciclo de reprodução. Tal adaptação não foi vista nos guppies que colonizaram o ambiente de elevada predação… ‘Fêmeas de elevada predação investem mais recursos na atual reprodução porque uma elevada taxa de mortalidade, impulsionada pelos predadores, significa que estas fêmeas podem não ter outra chance de se reproduzir’, explicou Gordon. ‘Fêmeas de baixa predação, por outro lado, produzem embriões maiores porque bebês maiores são mais competitivos nos ambientes com recursos limitados, típicos de espaços de baixa predação. Além do mais, fêmeas de baixa predação produzem menos embriões não só porque têm embriões maiores, mas também porque investem menos recursos na atual reprodução’”. [ii]

O Dr. Lars Olov Bygren, um especialista de saúde preventiva, documentou um exemplo ainda mais surpreendente de como os genes mudam através dos efeitos ambientais. John Cloud da Time Magazine descreveu a pesquisa do Dr. Bygren sobre os efeitos a longo prazo que os anos de fome e fartura tiveram sobre os residentes da aldeia Sueca isolada de Norrbotten. Contudo, Dr. Bygren observou não só os efeitos das oscilações dietéticas tinham sobre as pessoas que as realizaram. Ele também examinou “se esse efeito podia começar ainda antes [ênfase acrescentada] da gravidez: Podiam as experiências dos pais no princípio de suas vidas de algum modo mudar os traços que eles passavam a seus descendentes?” [iii] “Era uma ideia herege”, escreve Sr. Cloud. “Afinal, tivemos um acordo prolongado com a biologia: sejam quais forem as escolhas que tomemos durante nossas vidas que arruínem nossa memória a curto-prazo ou nos tornem gordos ou acelerem a morte, elas não mudarão nossos genes — o nosso próprio DNA. Isso significava que quando todos tivéssemos filhos nossos, a lousa genética estaria limpa.

“Além disso, quaisquer efeitos da criação (ambiente) sobre a natureza de uma espécie (genes) não era suposto acontecer tão rapidamente. Charles Darwin, cujo Sobre a Origem das Espécies… nos ensinou que as mudanças evolucionárias tomam lugar durante muitas gerações e durante milhares de anos de seleção natural. Mas Bygren e outros cientistas agora haviam amassado a evidência histórica sugerindo que condições ambientais mais poderosas … conseguem de algum modo deixar uma impressão sobre o material genético em ovos e esperma. Estas impressões genéticas conseguem dar um curto-circuito na evolução e transmitir novos traços numa única geração”. [iv]

Baal HaSulam, regressando ao seu ensaio, “A Liberdade”, sugeriu um conceito muito semelhante que se alinha com os achados do Dr. Bygren. Na seção, “O Ambiente como um Fator”, ele escreve (ênfase acrescentada), “É verdade que o desejo não tem liberdade. Em vez disso, ele é operado pelos mencionados quatro fatores [Genes; como eles se manifestam, ambiente direto, ambiente indireto]. E a pessoa está obrigada a pensar e a examinar como eles sugerem, desprovida de qualquer força para criticar ou mudar”… [v]

Na seção subsequente, “A Necessidade de Escolher um Bom Ambiente”, Baal HaSulam acrescenta, “Como nós vimos, é uma coisa simples, e deve ser observada por todo e cada um de nos. Pois embora cada um tenha a sua própria origem, as forças são reveladas abertamente somente através do ambiente em que a pessoa se encontra”. [vi]

Isto pode soar determinista porque se somos completamente governados pelos nossos ambientes, pareceria que não teríamos livre arbítrio. Todavia, escreve Baal HaSulam, nós podemos e devemos escolher nosso ambiente muito cuidadosamente. Nas suas palavras, “Há liberdade para a vontade de inicialmente escolher tal ambiente … que concede à pessoa bons conceitos. Se ela não fizer isso, mas está disposta a entrar em qualquer meio que apareça…, esta pessoa está destinada a cair num mau ambiente… Como consequência, será forçada a conceitos imundos…” Tal pessoa, conclui ele, “certamente será punida, não devido aos seus maus pensamentos ou ações, nos quais não tem livre arbítrio, mas por não escolher estar num bom ambiente, pois nisso há definitivamente uma escolha. Desta forma, aquele que almeja continuamente escolher um ambiente melhor é digno de louvor e recompensa. Mas aqui, também, não é devido aos seus bons pensamentos e ações, …mas devido aos seus esforços para adquirir um bom ambiente, que traz … bons pensamentos”. [vii]

Desta forma, nós vemos que todos somos potencialmente demoníacos, da mesma forma que somos potencialmente angélicos. A escolha de agirmos de um extremo ou outro, ou qualquer mistura dos dois, não depende se escolhemos ser de uma maneira ou da outra, mas do ambiente social no qual nos colocamos, ou que formamos para nós mesmos.

Como pais, nós instintivamente alertamos nossos filhos a se afastarem de crianças maldosas no bairro, e de maus estudantes na escola. Assim, a consciência da influência do ambiente é inerente nos nossos genes parentais, por assim dizer. Agora devemos expandir essa consciência e perceber que não basta ver que nossos filhos andam com as crianças “certas”. Nós devemos começar a desenhar um novo paradigma de pensamento para nós mesmos, bem como para nossos filhos. É um paradigma no qual a responsabilidade mútua representa o papel principal, preocupação mútua e camaradagem assumem a ribalta, e o discurso público muda correspondentemente.

Em outras palavras, a máxima conhecida do Rabi Akiva, “Ama teu próximo como a ti mesmo” deve tomar forma e ser moldada como um modo de vida para a sociedade. Esse paradigma social é o DNA do nosso povo, nosso legado para o mundo, e é o que o mundo, até inconscientemente, espera que transmitamos.

Numa era de consecutivas e sobrepostas crises globais, o mundo está numa necessidade desesperada de uma corda salva-vidas, uma lasca de esperança. Nós Judeus somos os únicos que lhes podemos oferecer essa esperança, que é chamada “garantia mútua”. O próximo capítulo esboçará os conceitos básicos da implementação da garantia mútua como o paradigma social predominante.

[i] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam , “A Liberdade” (Israel: Instituto de Pesquisa Ashlag, 2009), 414.

[ii] “A Evolução Pode Ocorrer em Menos de Dez Anos”, Science Daily (15 de Junho de 2009), http://www.sciencedaily.com/releases/2009/06/090610185526.htm

[iii] John Nuvem, “Por que seu DNA não é o Seu Destino”, Time Magazine (06 de janeiro de 2010), url: http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,1952313, 00.html.

[iv] ibid.

[v] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam , “A Liberdade”, 419.

[vi] ibid.

[vii] ibid.

Como Um Feixe De Juncos — Pluralmente Falando, Parte 7

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 9: Pluralmente Falando

Afetando a Coesão Social Através do Ambiente Social

Coesão Numa Escala Global

Regressando por um momento ao nosso antepassado comum monoteísta, depois da expulsão da Babilônia, Abraão estabeleceu uma sociedade isolada que se movimentou como um grupo e agia em garantia mútua. Ele criou um meio social que reforçava a conexão, a união e a coesão, e anexava todos esses elementos à aquisição da qualidade de doação, o Criador. Nossa tarefa hoje é fazer exatamente isso, mas numa escala global.

Como nós realmente temos que nos tornar conscientes de que somos um superorganismo, certamente temos que agir como um: em reciprocidade e responsabilidade mútua. Mas, uma vez que não conseguimos ensinar ao mundo inteiro como agir desta maneira, nós precisamos mostrar ao mundo um exemplo, e o mundo fará o resto através de nossa capacidade de ter empatia, ou como o Dr. Herrero colocou, pela “imitação e influência”. Afinal de contas, quando as pessoas veem uma boa ideia, elas a abraçam naturalmente.

Desta forma, quando as pessoas virem que os Judeus têm algo que pode funcionar também para elas, e que os Judeus desejam partilha-la, elas não só nos apoiarão, mas se juntarão a nós. Foi assim, como mencionado na Introdução, que Abraão reuniu mais e mais pessoas para sua companhia enquanto viajava da Babilônia a Canaã, na medida em que “milhares e dezenas de milhares se reuniram ao seu redor, e eles são o povo da ‘casa de Abraão’”. [i]

[I] Maimonides, Yad HaChazakahA Mão Poderosa), Parte 1, “O Livro da Ciência”, Capítulo 1, Item 3.

Como Um Feixe De Juncos —Pluralmente Falando, Parte 6

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 9: Pluralmente Falando

Afetando a Coesão Social Através do Ambiente Social

Por Que Formar Uma Sociedade Que Promove A Coesão?

No Capítulo 1, nós discutimos o conceito de “equivalência de forma” dizendo que se você é semelhante a algo, você consegue vê-lo, identificá-lo, revelá-lo. Será mais fácil para nós compreendermos esse conceito se considerarmos como os rádios funcionam. Um rádio consegue captar ondas somente quando ele cria ondas idênticas dentro dele. Da mesma forma, nós detectamos coisas que existem de modo aparente no exterior, mas somente de acordo com o que criamos internamente. É assim que descobrimos o Criador, a qualidade de doação, ao formar essa qualidade dentro de nós, assim também a descobrindo fora de nós.

Foi este princípio, “equivalência de forma” que tornou o método de Abraão tão bem sucedido. Seu grupo criou essa qualidade entre eles mesmos e assim descobriu o Criador. Isto é, ao mudar do modo “eu” para o modo “nós”, eles descobriram o modo “um”, o Criador, o único modo que realmente existe.

No mundo de hoje, obter coesão social é de suprema importância para nossa sobrevivência. Nós podemos considerar que a revelação do Criador é um tipo de “acessório”, se não fosse o fato do Criador ser a qualidade de doação, um traço sem o qual nunca alcançaremos união, e assim nunca remendaremos o abismo global que ameaça dobrar o mundo numa confrontação global. É por isso que é vital acelerarmos a divulgação do método de Abraão para alcançar união através da equivalência de forma.

Para fazer isso, primeiro devemos abandonar uma crença comum da nossa sociedade, a ideia de que temos “livre arbítrio”. A ciência demonstra que não há tal coisa, pelo menos não da maneira que pensamos normalmente, de que fazemos o que queremos pela nossa própria livre escolha. Nos últimos anos, dados que provam a nossa dependência da sociedade têm sido acumulados. Estes estudos demonstram que não só nosso sustento depende da sociedade, mas até nossos pensamentos, aspirações e chances de sucesso na vida. Na realidade, até a própria definição de sucesso é sujeita às vontades da sociedade. E por último, mas não menos importante, em grande medida, nossa saúde física é significativamente afetada pela sociedade.

Em 10 de setembro de 2009, O New York Times publicou uma história chamada, “Seus Amigos Estão Fazendo Você Engordar?” Por Clive Thompson. [i] Na sua história, Thompson descreve uma experiência fascinante realizada em Framingham, Massachusetts. Na experiência, que mais tarde foi publicada no celebrado livro, Conectados: O Surpreendente Poder das Nossas Redes Sociais e Como Elas Moldam as Nossas Vidas – Como os Amigos dos Amigos dos Amigos dos Seus Amigos Afetam Tudo o Que Você Sente, Pensa e Faz — as vidas de 15.000 pessoas foram documentadas e registadas periodicamente durante quinze anos. A análise dos dados dos professores Nicholas Christakis e James Fowler revelou descobertas surpreendentes sobre como nos afetamos uns aos outros em todos os níveis (físico, emocional e mental) e como ideias podem ser tão contagiosas como vírus.

Christakis e Fowler haviam descoberto que havia uma rede de interrelações entre mais de 5000 dos participantes. Eles descobriram que na rede, as pessoas se afetavam reciprocamente umas às outras. “Ao analisar os dados de Framingham”, Thompson escreveu, “Christakis e Fowler dizem que pela primeira vez conseguiram descobrir certa base sólida para uma teoria potencialmente poderosa na epidemiologia: que bons comportamentos, como deixar de fumar ou estar em forma ou ser feliz — passam de amigo para amigo praticamente como se fossem um vírus contagiosos. Os participantes de Framingham, sugerem os dados, influenciaram a saúde uns dos outros só ao socializar. E o mesmo foi verdadeiro sobre maus comportamentos — aglomerações de amigos pareceram se ‘infectar’ uns aos outros com obesidade, infelicidade e tabagismo. Ficar saudável parece não ser só uma questão dos seus genes e sua dieta. Boa saúde é também um produto, em parte, da sua clara proximidade com outras pessoas saudáveis”. [ii]

Ainda mais surpreendente foi a descoberta dos pesquisadores de que estas infecções podiam “saltar” conexões. Eles descobriram que pessoas podiam se afetar mesmo sem se conhecer! Além do mais, Christakis e Fowler descobriram provas destes efeitos até em três graus de distância (amigo de um amigo de um amigo). Nas palavras de Thompson, “Quando um residente de Framingham se tornou obeso, seus amigos eram 57 por cento mais propensos a se tornarem obesos, também. Ainda mais surpreendente… isso parecia saltar elos. Um residente de Framingham era aproximadamente 20 por cento mais propenso a se tornar obeso se o amigo de um amigo se tornasse obeso, até se o amigo conector não tivesse ganho um único quilo. Certamente, o risco de obesidade de uma pessoa subia cerca de 10 por cento se um amigo de um amigo ganhasse peso”. [iii]

Citando o Professor Christakis, Thompson escreveu, “Em certo sentido podemos começar a compreender as emoções humanas como a felicidade da maneira que podemos estudar a debandada dos búfalos. Você não pergunta a um búfalo individual, ‘Porque você corre para a esquerda’? A resposta é que a manada inteira corre para a esquerda”. [iv]

Mas há mais sobre o contágio social do que observar a condição de peso ou o coração de uma pessoa. Numa palestra na TED, o Professor Christakis explicou que nossas vidas sociais, e logo — julgando pelos parágrafos anteriores — muito das nossas vidas físicas, dependem da qualidade e força das nossas redes sociais e o que corre pelas veias dessa rede. Nas suas palavras, “Nós formamos redes sociais porque os benefícios de uma vida conectada superam os custos. Se eu fosse sempre violento com você… ou o deixasse triste… você cortaria os laços comigo e a rede se desintegraria. Então o espalhar de coisas boas e valiosas é necessária para sustentar e nutrir redes sociais. Da mesma forma, redes sociais são necessárias para a difusão de coisas boas e valiosas como amor, gentileza, felicidade, altruísmo e ideias. … Eu penso que as redes sociais estão fundamentalmente relacionadas à bondade, e o que penso que o mundo mais precisa agora é de mais conexões”. [v]

Mas nós não somos somente afetados pelas pessoas ao nosso redor. Nós somos significativamente afetados pela mídia, pela política, tanto nacional como internacional, e pela economia. Em Mundo em Fuga: Como a Globalização Está Reformando Nossas Vidas, o reconhecido sociólogo Anthony Giddens exprime sucintamente, embora com exatidão, nossa atual conectividade e confusão: “Para o melhor ou para o pior, estamos sendo impulsionados para uma ordem global que ninguém compreende totalmente, mas que está fazendo seus efeitos serem sentidos sobre todos nós”. [vi]

Nos últimos anos, o mundo corporativo captou a noção, e cursos e treinamentos abundantes surgiram na Internet, oferecendo alavancar a partir da nova tendência: o contágio social. Em Homo Imitans: A Arte da Infecção Social: Mudança Viral em Ação, o psiquiatra e consultor de liderança de negócios, Dr. Leandro Herrero, oferece um sumário astuto da natureza humana com respeito à influência do ambiente social: “Nós somos máquinas copiadoras intelectualmente complexas, racionalmente elegantes, altamente iluminadas e simples”. [vii] E para completar sua ironia sobre os méritos da natureza humana, ele escreve, “Os cordéis da rica tapeçaria de comportamentos do Homo Sapiens são feitos de imitação e influência”. [viii]

Contudo, o problema não está em nosso comportamento de uns com os outros ou com a Terra, não que haja muito a nos orgulharmos com respeito ao nosso tratamento de uns com os outros e com a Mãe Terra. Todavia, nosso comportamento é um sintoma de uma mudança profunda, uma explosão de egoísmo no nível do desejo, para a qual ninguém tem uma solução.

Com isso dito, muitas pessoas já compreendem que a mudança tem que vir de dentro de nós. Pascal Lamy, Diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), afirmou que “O verdadeiro desafio hoje é tentar mudar nosso pensamento, não apenas nossos sistemas, instituições ou políticas. Nós precisamos da imaginação para perceber a imensa promessa – e desafio – do mundo interconectado que criamos. …O futuro reside em mais globalização, não menos, mais cooperação, mais interação entre os povos e culturas, e ainda maior partilha de responsabilidades e interesses. É a união na nossa diversidade global que nós precisamos hoje”. [ix]

Certamente, Lamy está certo em muitos aspectos. Nos últimos anos os neurocientistas têm estado ativos a respeito de uma descoberta relativamente nova, neurônios-espelho. Abreviadamente, neurônios-espelho são células localizadas numa região entre os córtices pré-frontal e motor do cérebro, e estão envolvidas em preparar e executar o movimento dos membros. Contudo, de acordo com uma história publicada no Psychology Today, eles também representam um papel vital na nossa interconexão social. “Em 2000, Vilayanur Ramachandran, o carismático neurocientista, fez uma previsão audaz: ‘neurônios-espelho farão pela psicologia o que o DNA fez pela biologia’. …Durante muitos anos, eles chegaram a representar tudo o que nos faz humanos.

“Para o seu livro de 2011, O Cérebro Contador de Histórias, Ramachandran levou suas afirmações mais longe. …ele argumenta que neurônios-espelho subjazem à empatia, permitindo que imitemos outras pessoas, que eles aceleraram a evolução do cérebro, que eles ajudam a explicar a origem da linguagem, e mais impressionante de tudo, que eles promoveram o grande salto na cultura humana que aconteceu há cerca de 60.000 atrás. ‘Nós poderíamos dizer que os neurônios-espelho tiveram o mesmo papel na evolução humana inicial como a Internet, Wikipedia e os blogs fazem hoje’, conclui ele.

“Ramachandran não está sozinho. Escrevendo para o The Times (Londres) em 2009 sobre o nosso interesse nas vidas das celebridades, o eminente filósofo, A.C. Grayling, rastreou tudo de volta a esses neurônios-espelho. ‘Nós temos uma grande dádiva pela empatia’, escreveu ele. ‘Esta é uma capacidade biologicamente evoluída, demonstrado pela função dos ‘neurônios-espelho’’. No mesmo jornal este ano, Eva Simpson escreveu sobre porque as pessoas ficaram tão emocionadas quando o campeão de Ténis Andy Murray se desfez em lágrimas. … ‘Culpem os neurônios-espelho, células cerebrais que nos fazem reagir da mesma maneira que alguém que estamos observando’. Num artigo do New York Times em 2007, sobre as ações heroicas de um homem para salvar outro, essas células apareceram novamente: ‘as pessoas têm ‘neurônios-espelho’’,  escreveu Cara Buckley, ‘que as fazem sentir o que outra pessoa está experimentando’”. [x]

De acordo com Jarrett, parece que “neurônios-espelho desempenham um papel causal (enfatizando a origem) em nos permitir compreender as metas por trás das ações das outras pessoas. Ao representar as ações de outras pessoas no movimento-vias do nosso próprio cérebro, assim ocorre o raciocínio, estas células nos fornecem uma simulação instantânea das suas intenções, uma base altamente eficaz para a empatia”.  [xi]

Embora existam muitos dissidentes para as teorias que rodeiam os neurônios- espelho, está claro que nossos cérebros dedicam porções do cérebro explicitamente para a comunicação com os outros, sem ter contato físico com eles, mas somente contato visual. Num sentido, estas células validam as palavras de Christakis e Fowler, “O grande projeto do século XXI – compreender como o todo da humanidade vem a ser maior que a soma de suas partes – é só o princípio. Como uma criança que desperta, o superorganismo humano está se tornando autoconsciente, e isto seguramente nos ajudará a alcançar nossas metas”. [xii]

[i] Clive Thompson, ” Seus Amigos Estão Fazendo Você Engordar?”, The New York Times (10 de setembro de 2009), http://www.nytimes.com/2009/09/13/magazine/13contagion-t.html?_r=1&th&emc=th

[ii] ibid.

[iii] ibid.

[iv] ibid.

[v] “Nicholas Christakis: A Influência Oculta das Redes Sociais” (uma conversa televisionada, citações retiradas do minuto 17:11), TED 2010, http://www.ted.com/talks/nicholas_christakis_the_hidden_influence_of_social_networks.html

[vi] Anthony Giddens, Mundo em Fuga: Como a Globalização está Reformulando Nossas Vidas (NY, Routledge, 2003), 6-7.

[vii] Dr. Leandro Herrero, Homo Imitans: A Arte da Infecção Social: Mudança Viral em Ação (UK: Meetingminds Publishing, 2011), 4.

[Viii] ibid.

[ix] Pascal Lamy “Lamy sublinha a necessidade de ‘unidade na nossa diversidade global’”, Organização Mundial do Comércio (OMC) (14 de Junho de 2011), http://www.wto.org/english/news_e/sppl_e/sppl194_e. htm

[x] Christian Jarrett, Ph.D, “Neurônios Espelho:? O Conceito Mais Sensacionalista em Neurociência?”. Psychology Today (10 de dezembro de 2012), url: http://www.psychologytoday.com/blog/brain-myths/201212/mirror-neurons-the-most-hyped-concept-in-neuroscience

[xi] ibid.

[xii] Nicholas A. Christakis, James H. Fowler, Conectado: O Poder Surpreendente de Nossas Redes Sociais e como Elas Moldam nossa Vida – Como Os Amigos dos Amigos dos Seus Amigos Afetam Tudo O Que Você Sente, Pensa e Faz (EUA, Little, Brown and Company, em 12 de janeiro de 2011), 305.

Como Um Feixe De Juncos —Pluralmente Falando, Parte 5

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 9: Pluralmente Falando

Afetando a Coesão Social Através do Ambiente Social

O Legado Do Guerreiro Deixado À Sua Descendência

Hoje, um número suficiente de pessoas compreende que o único modo de evitar uma catástrofe global é se unir. Isso pode ser chamado por outros termos, tais como “colaboração”, “coordenação”, ou “consideração”, mas qualquer que seja o termo, é justo dizer que já compreendemos que somos interdependentes e interconectados. Esta realidade cria uma situação onde estamos de fato unidos em todos os nossos sistemas globais. Contudo, na medida em que estamos conectados, estamos também emocionalmente alienados e rancorosos com a situação.

Uma maneira de resolver este contraste é tentar nos “desglobalizar”. Embora não haja dúvida que desmontar a corrente de abastecimento dos países em desenvolvimento e produzir tudo nacional causaria enormes desafios econômicos e financeiros, alguns dizem que valeria o preço. Talvez, mas valendo a pena ou não, ninguém nega que o isolacionismo teria um preço robusto. Além do mais, aos olhos de alguns, esta noção é completamente irrealista. O economista Mark Vitner, pessoalmente, descreveu a tentativa de desatar a interconexão global como “tentar reconstituir ovos mexidos. Não pode ser feito facilmente”. [i]

A opção contrária à desglobalização é abraçar a globalização, expandi-la, coordena-la, aperfeiçoa-la, e ao mesmo tempo aprender a se gostar para que todos se beneficiem da prosperidade. Tudo o que nós precisamos para alcançar isso é do método pelo qual mudamos nossos padrões de pensamento de eu (concentrado em mim mesmo), para nós (concentrado em todas as outras pessoas), para um (concentrado na sociedade como uma única entidade).

Hoje, praticamente 4000 anos depois da fuga de Abraão da Babilônia o mundo está pronto para escutar. Nós sofremos o suficiente, e nos tornamos demasiado espertos para pensar que podemos fazer isso sozinhos, que podemos mostrar à Mãe Natureza (ou a Deus) que não precisamos dela porque somos mais fortes e espertos.

[i] Associated Press, “A recessão provavelmente será a mais longa na era pós-guerra”, MSNBC (março de 2009), http://www.msnbc.msn.com/id/29582828/wid/1/page/2/

Como Um Feixe De Juncos —Pluralmente Falando, Parte 4

Como um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 9: Pluralmente Falando

Afetando a Coesão Social Através do Ambiente Social

Lembre o Primeiro “Guerreiro do Ego”

Quando o nível falante dos desejos irrompeu primeiramente como egoísmo, a Babilônia estava no seu auge, e Abraão foi aquele que estava diante da tentativa de resolver o mistério do declínio da evolução social de seu povo. O povo de sua nação estava tão imerso na construção de sua torre que ele abandonou completamente sua camaradagem. Eles não eram mais “de uma mesma língua e de uma mesma fala” (Gênesis 11:1); tudo o que importava era a torre”.

O livro, “Pirkey de-Rabbi Eliezer” (Capítulos do rabino Eliezer),retrata o desespero de Abraão com a nova paixão de seu povo: Rabi Pinhas diz que não havia pedras lá [na Babilônia] para construir a cidade e a torre.

O que eles fizeram? Eles conseguiram produzir tijolos e os queimaram como artesãos até que eles construíram-na [a torre] sete milhas de altura. Aqueles que deveriam levantar os tijolos, subiram a partir do leste, e aqueles que deveriam descer, desceriam no oeste.

E se um homem caísse e morresse eles deveriam ignorá-lo. Mas se um tijolo casse, eles iriam sentar e lamentar dizendo: ‘Quando chegará o outro em seu lugar? Quando Abraão, filho de Tera, passou, e viu-os a construir a cidade e a torre, amaldiçoou-os em nome de Deus.”[I] [Leia mais →]

Como Um Feixe De Juncos —Pluralmente Falando, Parte 3

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 9: Pluralmente Falando

Afetando a Coesão Social Através do Ambiente Social

De Eu, a Nós, a Um

Com nosso conhecimento atual da natureza humana, não podemos evitar esta atitude competitiva e alienante porque ela vem de dentro de nós, uma ditadura do quarto nível falante do desejo, e não conseguimos parar a evolução dos desejos, assim como não conseguimos parar a evolução do todo da Natureza. Além do mais, se vamos alcançar o propósito da criação de nos tornarmos semelhantes ao Criador, precisamos de um desejo robusto como combustível que nos empurra para frente, o que significa que não devemos diminuir ou oprimir nossos desejos, ou não alcançaremos a meta da nossa vida.

Todavia, não ser capaz de parar a elevação de nossos desejos egocêntricos não significa que devemos render a uma tendência de piorar as relações humanas em todos os níveis. Nossa sociedade não tem que declinar até a um ponto em que tudo o que conseguimos fazer é acumular mantimentos, procurar abrigo e nos deitar esperando que certo milagre nos salve de nossos semelhantes.

Na realidade, mesmo se escolhermos tentar nos proteger, a fúnebre história de nossa nação indica, e a lei da Natureza dita que as nações não nos permitirão permanecer passivos. Quando problemas se acumulam, está garantido que os Judeus serão culpados por isso uma vez mais e consequentemente atormentados, talvez pior que nunca. Contudo, contrários às provações passadas, há muito que podemos fazer para prevenir que isso se revele.

Como Um Feixe De Juncos —Pluralmente Falando, Parte 2

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 9: Pluralmente Falando

Afetando a Coesão Social Através do Ambiente Social

O Impulso Pela Superioridade

No Capitulo 2 nós apresentamos as palavras de nossos sábios a respeito dos desejos fundamentais e a base da Criação, e os quatro níveis que perfazem o desejo de receber. Abreviadamente, dissemos que a realidade consiste de um desejo de doar prazer e um desejo de receber. Aprendemos desses sábios que o desejo de receber prazer está dividido em quatro níveis, conhecidos como “inanimado”, “vegetal”, “animal” e “falante”. Contudo, ele ainda é essencialmente um desejo que veste uma roupa diferente em diferentes níveis de desenvolvimento.

Por exemplo, o desejo mais básico da existência é o de sustentar a si mesmo. No nível humano, esse desejo apareceria como estar contente com um abrigo, seja esse até uma pequena cabana, e o meio para se manter aquecido, vestido e alimentado. Este é o nível inanimado do desejo. Tal como os materiais inanimados que mantêm seus átomos e moléculas juntos, mas fazem muito pouco além disso, tal pessoa só desejará sustentar a si mesma, aparentemente “mantendo seus átomos e moléculas juntas” e muito pouco além disso.

No nível vegetal do desejo, a pessoa desejará sustentar a si mesma no mesmo nível que todos os outros. Como todas as plantas de certo tipo florescem e murcham ao mesmo tempo, tal pessoa desejará fazer o mesmo que todos na sua cidade ou aldeia ou seguir a última tendência vista na TV.

Se todos são pobres, essa pessoa não se sentirá pobre enquanto seu padrão de vida estiver em pé de igualdade com aquele do ambiente social. E se a nova tendência em roupa for usar o sapato esquerdo no pé direito, e vice-versa, a pessoa do nível vegetal estará mais confortável ao usar o sapato errado no pé errado, desde que esteja alinhada com a tendência prevalecente na moda.

A pessoa do nível animal difere da do nível vegetal onde ela procura buscar uma expressão própria. Tal pessoa não se interessa mais em ser como todas as outras, mas precisa estabelecer a sua individualidade. Para a maioria, este nível conduz à criatividade aumentada e distinção no assunto da escolha da pessoa.

O nível falante (humano) é o mais complexo e enganador. Aqui não basta se expressar. Neste nível, o desejo é ser superior. Este é o desejo que faz as pessoas desejarem ser reconhecidas como especiais, até únicas. Em outras palavras, nesse nível nós constantemente nos comparamos aos outros.

Além do mais, hoje nós não nos contentamos em ser os melhores em algo, almejamos ser os melhores sempre. Pense nas estatísticas desportivas sobre as quais escutamos constantemente: a ambição de Michael Phelps de quebrar o recorde de Mark Spitz de sete medalhas de ouro em natação nos Jogos Olímpicos de 1972, ou os jogadores de basquetebol se compararem a Michael Jordan, ou o impulso de Roger Federer de continuar vencendo títulos do tênis, embora já tenha ganho mais torneios Grand Slam que qualquer outro antes dele. Todavia, ele ainda fica incomodado com o fato de não ter vencido uma medalha de ouro Olímpica.[i]

Os esportes podem ser um exemplo notável, mas certamente não é a exceção, mas sim a norma. O filme que ganhou mais dinheiro na sua primeira semana, o álbum que vendeu mais cópias, a empresa que vende mais telefones/computadores/automóveis: competição e comparações estão por todos os lados. Pergunte a um estudante do ensino médio, “Você vai bem na escola?” E provavelmente vai obter uma resposta dentro das linhas de, “Eu estou entre os 5% melhores da minha turma” (assumindo que você perguntou a um bom estudante). Assim, ser bom já não é o suficiente; a superioridade se tornou  o lema de nossas vidas. A isso chamamos de “ser alguém”. Ser eu mesmo, não é bom o suficiente, se não sou alguém, sou ninguém.

Há um conto Chassídico sobre o Rabi Meshulam Zusha de Hanipol (Anipoli), irmão do reconhecido Rabi Elimelech de Lizhensk, um dos fundadores da Chassidut. Rabi Zusha costumava dizer, “Quando eu for para os céus, se me perguntarem, ‘Porque não foste tu Elimelech (o irmão estimado de Zusha), eu saberei o que dizer. Mas se me for perguntado ‘Porque não foste tu Zusha’, eu não saberei o que dizer”. [ii] A moral é clara: seja você mesmo e atualize o seu potencial; isto é o que você precisa fazer na vida.

Mas o Rabi Zusha viveu no século XVIII. Hoje, tal moral seria inaceitável porque o que importa é não quem você é, mas quem você é em comparação aos outros, sua posição na percentagem divisória das classes. Quando o principal lema na sociedade é tão alienante e antissocial, não é de se admirar que nossa sociedade esteja se desmoronando.

[I] “Roger Federer: Possibilidade dos Jogos de 2016”, Associated Press, 26 de julho de 2012, url: http://espn.go.com/olympics/summer/2012/tennis/story/_/id/8202865/roger-federer-leaning-competing-rio-2016-body-holds-up.

[Ii] Escola de Educação Cultural, Programa Be’eri, Instituto Hartman Shalom, 26 de junho de 2011. url: http://www.school.kotar.co.il/KotarApp/Viewer.aspx?nBookID=98518913#24.9572. 4.fitwidth. url: http://medaon.org/files/zehutariel.pdf.

Como Um Feixe De Juncos —Pluralmente Falando, Parte 1

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 9: Pluralmente Falando

Afetando a Coesão Social Através do Ambiente Social

Perseguição e antissemitismo, ou no seu termo mais contemporâneo, Judeufobia, tem sido o destino do nosso povo (pelo menos) nos últimos dois milênios. Além disso, como temos visto ao longo do livro, o ódio aos Judeus não brota do nada. Isso está enraizado na demanda fundamental, embora geralmente inconsciente, de cada ser humano, sendo que os Judeus devem e vão conduzi-los à realização do propósito da vida: receber deleite sem limite e prazer.

Até agora nós discutimos o objetivo e o papel da nação Judaica e a razão da nossa angústia ao longo dos tempos. De agora em diante vamos discutir os princípios que precisamos seguir para alcançar nosso objetivo, que coincide com o objetivo da humanidade.

Como Um Feixe De Juncos – Juntos Para Sempre, Parte 4

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 8: Juntos Para Sempre
Unidade, Unidade e Unidade Novamente

Unidade Significa Redenção

Elias vem somente para corrigir a carência que estava presente no tempo de sua chegada. É por isso que Elias vem principalmente para resolver a disputa, pois isso certamente une e ata Israel como um, até que eles sejam dignos de redenção do exílio. É assim porque Israel não é redimido do exílio até que seja completamente como um, como se diz no Midrash, que Israel não é redimido até que seja como um.

Judah Loewe ben Bezalel (o Maharal de Praga), Inovações de Lendas, Parte 4, Masechet Matrimônio, pg. 63

É uma coisa maravilhosa que dois profetas profetizaram uma profecia muito significativa a respeito do tempo da redenção: “E Eu lhes darei um coração” (Jeremias, 32:39, Ezequiel, 11:19). Certamente, eles sabiam o que estavam profetizando; o diabo da separação do coração tem espreitado a nossa nação desde tempos imemoriais.

Avraham Kariv, Atará LeYoshná [Restaurando a Glória Antiga], “O Estado e o Espírito”, pg. 251

É também claro que o imenso esforço necessário de nós na estrada acidentada à frente exige união tão forte e sólida como o aço, de todas as facções da nação sem quaisquer exceções. Se não sairmos com fileiras unidas para as poderosas forças que se encontram no nosso caminho então estamos condenados antes de sequer termos começado.

Rav Yehuda Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam, “A Nação”, pg. 487