Textos na Categoria 'Educação Integral'

Esclarecer A Relação

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como é que as relações interpessoais mudam durante o processo de interação integral?

Resposta: Isso decorre, naturalmente, das mudanças que a pessoa sofre. Nós não definimos quaisquer limitações; não exigimos que os nossos ouvintes respeitem quaisquer condições ou convenções, exceto durante a aula. Para que uma pessoa tenha uma percepção correta do que material estudamos, nós nos limitamos a um único tema ou vários temas que possam surgir do tópico principal da lição.

Em geral, existem diversas situações em que os participantes sentem de rejeição à aceitação, e isso se repete alternadamente, em ondas. Tudo tem que ser estudado e discutido. Nós estamos realmente interessados em realizar as aulas na forma de um processo no tribunal para que as pessoas se revelem ao máximo.

Suponha que duas pessoas que não conseguem se olhar venham para a aula. Elas admitem isso e eu quero esclarecer a sua relação. Caso contrário, elas não avançarão e atrasarão outras pessoas, o seu grupo. Elas serão punidas por isso, por assim dizer, sob a forma de uma resposta muito mais forte de parte da natureza porque prejudicam a unidade do grupo, por não serem capazes de trabalhar a relação entre elas.

Talvez, sob certa pressão dos membros do grupo (dependendo do tipo de descida em que se encontrem), os esclarecimentos comecem. Nós ficamos muito felizes quando encontramos tais casos, quando tudo pode ser decifrado, pesquisado e corrigido.

Da “Discussão sobre a Educação Integral” # 13, 18/12/11

Integração Ou Derrota

Dr. Michael LaitmanOpinião (Marc-Olivier Padis, editor-chefe do Esprit): “As dificuldades na Europa residem no fato de que agora ela deve se unir ainda mais, mas isso é quase impossível por causa da desconfiança da população. Hoje, ou a integração será mais profunda, ou seremos ameaçados com a derrota total”.

Meu comentário: Tudo está correto, exceto que não há meio de integração no nosso mundo, porque para fazer isso nós precisamos substituir o egoísmo pela doação, o ódio pelo amor, e isso só é possível através do método da educação integral.

Uma Pílula Doce Ou Amarga? A Escolha É Sua

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você pode descrever a imagem ideal para uma pessoa comum de como ela vai se sentir bem se começar a estudar no curso de educação integral?

Resposta: Primeiro, o nosso curso principal inclui a explicação sobre a evolução humana: para onde estamos sendo conduzidos, por que agora há a necessidade de libertar o homem de qualquer trabalho desnecessário, e por que não podemos continuar o nosso desenvolvimento egoísta no qual todos falhamos. Temos nos desenvolvido em uma curva ascendente, e no século XX houve um salto repentino: de repente sentimos uma saturação excessiva, e agora não queremos mais nada e não temos idéia do que fazer.

Agora, estamos diante de duas opções: uma forte queda e colapso ou a diminuição gradual do nosso consumo, livrando-nos de luxos e excessos até chegarmos ao nível do consumo razoável, mas não inferior ao nível das necessidades básicas. Quando você explica todos esses problemas, incluindo problemas com o meio ambiente, recursos naturais, a imensidão do ego, a pessoa começa a entender tudo, vê que não há outra escolha. Hoje, quando ela lê ou ouve algo sobre os problemas na Europa ou na América, sente que não há saída.

Hoje todo o mundo moderno – Estados Unidos, Europa e China – estes três grandes países e continentes, estão em tamanha crise que não há saída. Em nenhum lugar do mundo existe alguém que possa se orgulhar de estar na fase oposta de desenvolvimento. Isto significa, que vemos que não há outra maneira. Temos que mostrar à pessoa a necessidade de uma forma diferente de desenvolvimento. A saída da crise só ocorerá através de mais integralidade, em equivalência com a natureza.

Comentário: Mas, ainda assim, quando você fala da integralidade, você deve adoçar esta explicação, dar à pessoa um “doce”…

Resposta: Tudo que é mais agradável, saudável, integral, bom e seguro se origina do nosso equilíbrio com a natureza. Hoje a natureza nos oferece apenas uma imagem, a foto de uma conexão completa, mútua e integral, entre nós e com ela. A negação dessas condições que a natureza apresenta trará resultados negativos e desagradáveis, incluindo guerras, destruição, pragas, etc. Portanto, não temos outra escolha. Tudo isso pode ser mostrado e explicado às pessoas.

O ponto é que a humanidade não tem escolha. O processo de disseminação da sabedoria da Cabalá, o método de estabilizar a integralidade da pessoa, é longo. Nós temos que realizá-lo pacientemente em todos os continentes, e então, gradualmente, a humanidade vai ver isso. Isso acontecerá em conjunto com os golpes necessários; caso contrário, as pessoas não vão perceber o que oferecemos.

Mas nós não temos que esperar pelos golpes. Nós temos de apresentar e aproximar o remédio das pessoas. Se elas continuarem a ignorá-lo, um pequeno golpe virá, ao qual elas vão prestar atenção. Então, golpes mais duros não serão necessários.

Da “Discussão sobre Educação Integral” #14, 18/12/11

O Sistema Depende De Cada Um

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”, Item121: Por isso, ele diz que se um indivíduo realiza um mandamento, ou seja, após o arrependimento por temor, então falta-lhe apenas um mandamento, e “ Ele está feliz porque condenou a si mesmo e o mundo inteiro a uma escala de mérito”. Assim,  ele não só é recompensado, através de seu arrependimento por amor, ao sentenciar-se a uma escala de mérito, como diz o versículo, mas lhe é até concedido sentenciar o mundo inteiro a uma escala de mérito…

Mesmo depois de sentenciar o mundo inteiro a uma escala de mérito, a pessoa ainda não deve acreditar em si mesma até dia de sua morte. Se ela falhar numa única transgressão, ela perderá imediatamente todas as suas realizações maravilhosas, como está escrito, “Um só pecador destrói muitos bens”.

Observe isso sistematicamente. Na medida em que a pessoa assume fazer parte da doaçõa ao ansiar ser semelhante ao Criador, ela se eleva através dos degraus da escada espiritual e, portanto, torna-se parte ativa, eficaz e determinante do sistema.

De acordo com a medida do seu desejo de ser equivalente ao Criador, de acordo com seus Kelim (vasos), ela descobre que se tornou a parte mais importante do sistema, que se tornou um representante do Criador, como está escrito , “um reino de sacerdotes e uma nação santa”, no aspecto de Israel. Todo mundo depende dela e está sujeito a ela.

Cada um sente essa realização e não há contradição, porque estamos falando de um sistema em que cada alma tem Keter (coroa), Malchut (reino) e Sefirot próprias, que estão localizados entre doação e recepção. Assim, quando a pessoa adquire a importância do sistema, já que doa a todo o ambiente para agradar o Criador, então, continuamente, ela “se sentencia a uma escala de mérito”.

Ela faz isso em ocultação e em fases através de atos na solidão da doação. Então, ela começa a sentir o sistema integral e opera dentro dele em plenitude, de uma forma abrangente e geral. É assim que funciona.

Com cada oportunidade, ela sentencia não apenas a si mesma a uma escala de mérito, mas o mundo inteiro. Assim, no caso de uma queda, ela perde todas as suas “entradas” no sistema, todas as doações ativas do sistema e “perde em favor de muitos”.

Baal HaSulam descreve isso com o exemplo do palácio do rei. Ele se ergue na montanha que precisa ser escalada, mas, se cairmos com um novo desejo egoísta, um desejo não corrigido que só agora tornou-se revelado, então caímos da montanha e perdemos tudo o que alcançamos.

Anteriormente, esse desejo estava “funcionando”, mas agora o mal que estava escondido dentro dele se revela muito maior do que se sabia anteriormente e muito maior do que o bem que alcançamos por trabalhar em nós mesmos. Este desejo grande e mau nos lança para baixo, a fim de preparar o material para a ascensão ao próximo nível.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 27/03/12, “Introdução ao Estudo da Dez  Sefirot

Informação Sobre O Mais Sagrado

Dr. Michael LaitmanPergunta: Uma pessoa normal vivendo no mundo de hoje está apenas preocupada com questões corporais. O que a fará se juntar aos cursos de educação integral se ela tem dificuldade de estudar? Afinal, ela tem que adquirir uma grande quantidade de conhecimento diferente. O que podemos fazer para que a pessoa fique interessada?

Resposta: Eu não penso que isso deva ser difícil, pois estamos ensinando a pessoa sobre ela mesma, sua vida, e a sociedade em que vive. Nós apresentamos a ela um ensino prático sobre o que ela vê e sobre onde ela existe. Nós não ensinamos nada teórico.

Na educação, um problema surge quando você ensina uma pessoa teoricamente sobre as leis e ações que ela não vê ou que não têm nada a ver com ela. Ela até pode perceber isso quando você lhe mostra certo dispositivo e explica como ele funciona, mas ela não entende.

No nosso caso, você mostra tudo para a pessoa de forma simples e clara, como a uma criança: esta é a mãe, este é o pai, a criança, a avó, o supermercado, o trabalho, e assim por diante. Você mostra a ela a interação de todo o sistema, quão corrupto ele é, e como a natureza exige de nós integralidade e globalização. Você lhe ensina sobre o corpo: como o corpo opera, onde estão os problemas, quando o corpo se desequilibra (a causa de todas as doenças), e como trazê-lo de volta ao equilíbrio com a ajuda de certos produtos químicos porque, em última análise, nós somos simplesmente “sacos de elétrons”.

Você explica à pessoa onde ela existe e o que ela é. Qualquer pessoa pode entender isso, e é por isso que eu não acho que alguém vai ter dificuldade com os cursos de educação integral. Mesmo os nossos filhos são capazes de perceber este conhecimento como algo natural e compreendê-lo rapidamente.

Aqui estamos falando sobre a alma da pessoa. Esta é a coisa mais próxima e sagrada para ela. Se nós mostrarmos corretamente a imagem da natureza da própria pessoa, ela sente e compreende.

Ela entende que algo importante está sendo descrito, que isso tem a ver com ela. Além disso, está sendo explicado a ela como se livrar de todas as sensações negativas e dos problemas, para alcançar algo que não pode ser obtido com dinheiro ou esforço, mas só através da conexão com a formação integral – não educação, mas formação.

Formar significa revisar o material de estudo numa discussão aberta com perguntas e respostas recíprocas. Isso ocorre num ambiente descontraído, na forma de uma discussão aberta.

Duvido que haja alguém no mundo que não seja capaz de aprender algo sobre si mesmo através desse tipo de interação. Além disso, estamos preparando uma grande quantidade de informações diferentes para estes cursos, como música, poesia, livros, novelas, filmes e vídeo clipes, que carregam curtas explicações verbais e escritas.

Eu não vi nenhum exemplo onde uma pessoa não fosse capaz de perceber isso. Pelo contrário, em contraste com outros ensinamentos e ciências, esta informação será percebida pelas pessoas como algo que se relaciona pessoalmente com elas.

Da “Discussão sobre Educção Integral” #14, 18/12/11

O Método De Recuperação

Dr. Michael LaitmanNós desenvolvemos programas especiais de educação e formação, porque precisamos levá-los a todas as pessoas que saem do mercado de trabalho e ficam desempregadas. Nós devemos reunir essas pessoas, uni-las, e em vez de emprego, supri-las com a educação que se tornará seu novo emprego.

Isto é, a pessoa deve trabalhar duas horas por dia (se isso) e o resto do tempo se dedicar a estudar. Todos nós devemos nos sentar novamente atrás da mesa e nos tornar alunos. Nossos seguros desemprego não deveriam ser chamados assim, mas sim bolsa de estudos, e devemos nos esforçar para que todos possam ter um nível suficiente de vida.

Em geral, essa é a sociedade que devemos alcançar muito em breve, senão movimentos de protesto se tornarão um enorme obstáculo no mundo. Os jovens, especialmente em países com elevadas taxas de desemprego, como a Espanha (onde a taxa de desemprego entre jovens atingiu 50%), não podem mais voltar ao trabalho e voltar a estudar. Eles rapidamente perdem o interesse na vida, no resto do mundo, e tornam-se inertes. Cidades inteiras, tais como Detroit nos EUA, aonde as indústrias foram à falência, simplesmente tornam-se cidades fantasmas: pobreza, vandalismo e drogas e florescem lá. Essas cidades não são poucas no mundo.

O problema é que hoje a humanidade ainda não entende que tem que se reeducar para se elevar ao nível integral, global, oferecido a nós pela natureza. Nós temos que alcançar um estado de equilíbrio mútuo com ela, onde vamos sentir uma grande liberação de energia e oportunidades. Cada pessoa e toda a humanidade vai realmente alcançar o estado de realização. Este é o objetivo hoje da humanidade. Isto é o que é ensinado pelo método de formação integral, que é aplicável tanto a crianças e adultos.

Uma parte do método de estudos integrais é chamada de “Educação Integral”. Ela descreve o estado integral de uma família: como as famílias, a dinâmica familiar e a formação deveriam ser organizadas.

Nós criamos os filhos sem nem mesmo saber como educá-los corretamente. Os jovens que têm filhos não sabem o que fazer com eles. Só muitos anos depois é que eles começam a perceber quantos erros cometeram como jovens pais.

A economia familiar e todo o processo de desenvolvimento histórico, o egoísmo como base da nossa sociedade, o egoísmo corretamente formado e a correta interação entre as pessoas como a base da nova sociedade de interação integral entre nós, tudo isso compreende parte do método chamado “Educação Integral”.

A outra parte do método, a “Formação Integral”, preocupa-se com a mudança do próprio homem, transformando-o de um ser humano egoísta e limitado num ser humano que pode integralmente se relacionar com a sociedade, as pessoas e o ambiente.

O fato é que a pessoa é formada sob a influência do ambiente; seu único livre arbítrio reside na escolha de qual grupo ou sociedade participar. Assim, quando ela se junta a determinada sociedade, ela começa a mudar; isso é o que nos transforma. A única coisa que podemos fazer por nós mesmos é mudar a nós mesmos sob a influência de certa sociedade que nos rodeia.

Quando criamos em torno de uma pessoa um grupo de pessoas que querem mudar integralmente, estas exercem sobre ela certa influência. Junto com elas, a pessoa começa a se transformar e ver o que significa viver numa sociedade integral, global, que a natureza oferece como condição para nossa existência futura.

Acontece que o homem nesta pequena sociedade, neste pequeno grupo começa a revelar forças totalmente novas da natureza. Através da conexão entre nós, nós começamos a sentir a força oculta da natureza, a força de doação, a força de cooperação, uma força adicional. Nós começamos a sentir a natureza através do nosso novo órgão sensorial integral.

Da Convenção de Vilnius 22/03/12, Lição Preliminar

Humanidade Como Um Sistema Integral

Dr. Michael LaitmanPodemos falar muito sobre a nossa interconexão, que em tempos recentes nos obriga a ter contacto uns com os outros ao nível emocional. Precisamos começar a nos conectar entre nós não apenas de acordo com as leis ecológicas, os processos de manufatura, o sistema bancário, a educação mútua e a saúde, mas pessoalmente. Correspondentemente, todas as nações precisam se comprometer com boas relações entre elas.

No processo de evolução da natureza, o desenvolvimento atravessou os níveis inanimado, vegetal e animal antes de atingir o nível do homem (humano). A civilização humana também se desenvolveu através das mesmas etapas, levando-nos ao ponto onde começamos a adquirir a imagem de um homem. Precisamente este estado é chamado Adão, Humano.

E aqui surge a questão: Como iremos alcançar isto? É impossível existir de outra forma uma vez que o nosso desenvolvimento adicional requer uma boa relação mútua, e sem ela, não seremos capazes de corrigir as leis da economia, indústria, e comércio. O mundo está num beco sem saída, confuso; não percebe o que fazer a seguir. As pessoas perderam todas as suas interconexões porque no nosso tempo é-nos exigida uma conexão sincera, emotiva, algo que nunca existiu entre nós.

Nós podíamos desprezar-nos uns aos outros, trocar bens ou colaborar como resultado do desespero na fabricação e comércio. Mas não era exigido de um indivíduo ou de um governo ter uma boa relação com o seu parceiro. Contudo, agora também nos são exigidos exercer esforços internos, psicológicos em relação a um estranho, e o nosso desenvolvimento consiste apenas nisso.

Podemos sentir que sem tais relações, não conseguimos existir correctamente, mesmo na nossa própria casa. Se eu partilho um apartamento com algumas pessoas, encontramos um jeito de nos dar bem enquanto que cada um tenha o seu próprio espaço. Mas agora mesmo, estamos tão dependentes uns dos outros – cada um com todos – que sem relações correctas entre nós, a nossa vida torna-se simplesmente horrível.

Por isso é necessário chegarmos a um acordo, e este acordo é chamado garantia mútua. Por outras palavras, as nossas relações precisam ser de tal forma que cada um sinta que a sua vida depende dos outros. É assim como os soldados da mesma unidade sabem que a sua vida depende de todos os outros, e se cada um deles não suportar e se preocupar com o resto, todos eles vão perder.

Tais sistemas de dependência mútua existem na natureza e na tecnologia: eles são chamados sistemas integrais ou analógicos. Dentro deles, todas as partes estão tão interconectadas que se qualquer peça falha, o mecanismo inteiro deixa de funcionar. Evidentemente, como a sociedade humana se desenvolveu, crescemos ao ponto de alcançar este tipo de ligação.

De KabTV, “Uma Nova Vida” Episódio 5, 2/1/12

Vamos Construir Um Telhado Comum Para O Mundo

Dr. Michael LaitmanMesmo que sejamos diferentes, nós ainda progredimos de alguma forma como em uma família. É verdade, não é fácil. Digamos que eu tenho uma mãe e pai, minha esposa também tenha, e cada um de nós tem irmãos e irmãs de ambos os lados, seus filhos, os nossos filhos. Temos de levar em consideração o outro, já que somos mutuamente dependentes, tanto na forma positiva quanto na negativa. É por isso que não temos intenção de mudar e reformar o outro.

É compreensível que, se no passado eu conheci uma mulher que possivelmente difere de mim em sua personalidade, mas de acordo com outras considerações, decidimos ficar juntos, então, nesta decisão de estar juntos, nós basicamente aceitamos e concordamos, mesmo sem falar isso, que estaremos levando uma vida compartilhada que nem sempre estará indo bem. Nós teremos que fazer concessões mútuas e concordar com a opinião do outro, parcial ou totalmente, e assim por diante. Mas nós nos conectamos com o outro, não tendo outra escolha, porque queremos criar uma família, aumentar a nossa prole e apoiar um ao outro.

Casais jovens não têm esse tipo de educação, que ensina como se dar bem entre si apesar das diferenças. Mesmo que nós pensemos que escolhemos livremente o parceiro de vida mais adequado para nós, na realidade, nós ainda somos muito diferentes. Para os animais, o acasalamento acontece instintivamente, mas as pessoas, já que seus cálculos estão corrompidos, procuram algo de especial, talvez até mesmo raro, não percebendo que, exatamente por causa disso, terão dificuldades de comunicação.

A falta de educação, compreensão e formação com relação à vida em comum, bem como a incapacidade de se submeter ao outro nos leva a uma crise da instituição familiar. Em nossos dias, mais da metade da população da terra, especialmente os jovens, são solteiros. Eles não estão prontos para se casar e não querem ter filhos porque se sentem incapazes de cuidar de alguém.

Esta crise já se arrasta há décadas, e hoje também somos obrigados a resolver problemas semelhantes entre os países. Afinal, cada um de nós, pelo menos em relação aos países vizinhos, está tanto dando quanto recebendo, assim como um casal. É por isso que é necessário aprender também como fazer concessões a nível internacional para se conectar acima de todas as diferenças e divergências. No entanto, nós também nunca fomos ensinados a fazer isso.

Então, como isso pode realmente ser feito? Qual é a técnica de fazer concessões, pois somente através da concessão que demonstramos a nossa boa intenção?

Por falta de outras opções, nós atualmente nos encontramos na crise que nos ensina as coisas mais urgentes. E as pessoas sentem essa urgência de tal forma (e é aí que reside a nossa esperança) que se recusam a aceitar o “divórcio”, pois o “divórcio” entre os países é a guerra.

Espero que nós percebamos que não temos uma escolha e que devemos exercer a moderação. É por isso que nós criamos a ONU, um lugar onde supostamente todos podem se reunir e discutir a cooperação pacífica, bem como muitas outras organizações que lidam com educação e saúde.

Por exemplo, em Genebra, há organizações internacionais que eu nunca sequer percebi que existiam. Há uma comissão sobre frequências de radiodifusão que assegura que cada estação de rádio e televisão no mundo tenha sua própria freqüência e não interfira nas outras. Há um conselho de fabricação de medicamentos, produtos médicos, e serviços, que determina normas neste domínio. Isto nos permite compreender uns aos outros e, assim, um médico, ao enviar seu paciente para tratamento em um país diferente, é capaz de explicar ao seu colega todas as nuances de procedimentos necessários.

Há ainda organizações que monitoram as bandeiras de cada país para que, de repente, não surjam duas bandeiras idênticas. Existem padrões em todos os campos, porque estamos nos tornando tão interligados e próximos uns dos outros que é preciso estabelecer leis para regular todas as áreas da nossa interação.

Assim como o parlamento de cada país, que define as leis para a interação dos seus cidadãos, isso também é feito em uma escala global hoje, para o mundo inteiro. Essas organizações foram criadas há algumas décadas, e sem elas as coisas seriam muito difíceis para nós.

Mas hoje o problema não está no estabelecimento de um lugar para todos. A situação atual nos obriga a construir uma “teto” comum que consiste na compreensão mútua e sensação de que estamos na mesma sala, por assim dizer. Nestas circunstâncias é muito difícil para nós estarmos juntos se não tivermos uma boa conexão entre nós.

Nós devemos sentir não só a proximidade, mas a interdependência que exigirá que todos mudem sua atitude para com os outros. Quer queiramos ou não, somos interdependentes, estamos conectados e unidos em diferentes níveis: alimentação, vestuário, educação, cultura, tecnologia, suprimentos de energia, água e até mesmo ar.

Se a indústria de alguém polui a atmosfera, não temos nada para respirar. Estamos todos familiarizados com o Protocolo de Kyoto que estabelece limites para as emissões de derivados de resíduos e poluição atmosférica.

Eu acho que vale a pena apresentar uma lista de organizações internacionais e as questões com as quais trabalham. Então, nós vamos sentir o escopo de nossa conexão. Parte destas organizações está localizada em Paris, Londres e Nova York, mas a maioria delas está em Genebra.

Isto é muito importante porque dá às pessoas uma idéia de dependência mútua, de tal forma que é difícil de acreditar. É muito maior do que numa família. Em uma família, eu posso parar de falar, discutir e até mesmo me distanciar por algum tempo.

Mas aqui, isso é impossível. Acontece que todos os países existentes já estão dentro de um mosaico único, e ninguém é capaz de sair dele ou se comportar da forma que agrada a si. Vemos que sempre que alguém tenta fazer algum movimento independente, nunca consegue. Depois de algum tempo eles regridem, ou talvez nem sequer vão além das tentativas verbais, nunca chegando a quaisquer ações práticas, porque no nosso tempo isso não é possível.

De KabTV “Uma Nova Vida” Episódio 5, 02/01//12

Dificuldades Do Período De Transição

Dr. Michael LaitmanAs transições para novos níveis de desenvolvimento sempre foram induzidas por pequenas crises: os sistemas educacional, social, financeiro e outros, gradualmente começaram a quebrar. Casamentos começaram a desmoronar-se, de forma lenta mas progressiva a propagação do uso de drogas ilícitas aumentou e superou o  alcoolismo. De repente o terrorismo veio à tona.

O nervosismo da humanidade se revela. Ele é o resultado da fraqueza e dificuldades em todas as esferas da vida, que foram construídas de acordo com as regras egoístas que fizeram com que todos se concentrassem somente em si: isto é seu, aquilo é meu, não cruze a linha!Todo mundo defende a sua liberdade e espaço pessoal. Agora, a natureza destrói fronteiras entre nós, quebra paredes, e arrasta-nos para algum tipo de vida em comunidade que nós tentamos evitar porque não estamos ainda prontos para isso.

Quando os nossos egos ainda eram muito pequenos, nós estávamos abertos a tudo. Naquela época, nós não nos importávamos se vivíamos como uma família em uma aldeia. As pessoas não trancavam as portas e eram muito simpáticas umas com as outras. Uma grande família (pais, filhos e netos) compartilhava um quarto e não ficávamos envergonhados uns com os outros.

Hoje em dia, a coisa é diferente. Nós estamos separados por nosso enorme egoísmo: Todo mundo quer uma sala separada, se esforça para se esconder atrás do computador ou telefone, e tende a contactar outros o mínimo possível. As pessoas não se unem mais em famílias, mas se reúnem para fazer sexo e depois ir embora.

Mas, de repente, a Natureza começa a destruir as divisórias e, ao fazê-lo, anula a nossa separação. A crise atual é a maior já experimentada por nós até agora. Fazemos de tudo para atrasar, deturpá-la, mas ela se manifesta em níveis mais baixos, onde todos ainda estão interligados.

Atualmente, não há tal coisa como uma crise familiar, já que as famílias estão simplesmente quebradas. Mais da metade das famílias não pode ser considerado uma família por si só e não tem vontade de reviver e reconstruir-se. O número de pessoas que não desejam se casar chegou a 70%! Hoje, isso é normal; uma boa família onde os seus membros tratam uns aos outros com amor e respeito tornou-se um anacronismo.

O segundo grande problema são as drogas. Estamos em conformidade com este fenômeno feio; nossa luta com ele é leve e suave. Sabemos que é uma coisa terrível que não podemos evitar, porque a sociedade em que vivemos e a própria vida nos obrigam a procurar maneiras de escapar.

O próximo problema é como criar a nossa juventude. Atualmente, dados demográficos são pobres, a população não cresce muito, e as pessoas não sabem como cuidar de seus filhos. Os pais concordam em deixar as crianças, tanto durante a noite quanto durante o dia. As crianças não estão mais ligadas aos seus pais, o fosso entre as gerações cresce. Estamos prestes a perder a próxima geração, mas ninguém se preocupa muito com isso. Nós dizemos: “Que diferença faz se a educação de nossos filhos é boa ou má, o que isso muda?”. Esta é a forma como pensamos. Nem mesmo remotamente percebemos a essência do problema.

Parece que todas as crises anteriores não foram golpes muito grandes para nós, nem acionaram o nosso entendimento que falimos em todos os aspectos de nossas vidas. O processo de desenvolvimento sempre flui a partir do pequeno e fraco até influenciar os grandes. Isto é semelhante à punição de crianças, ou seja, em primeiro lugar começamos convencendo-os e depois progredimos ameaçando com maiores problemas. Neste ponto, todos nós estamos passando por um processo muito sério; é uma questão de vida ou morte.

Estamos passando por dois ciclos graves de discrepâncias entre nós e a natureza. A integralidade nos permite perceber que somos opostos à Natureza e contrários a todos os seus sistemas, o que significa que originalmente tínhamos de estar completamente interligado, mas fazemos tudo o que pudermos para evitar ficar unidos.

Entendemos que ficar junto seria bom para nós, mas não sabemos como alcançar este estado. Todo mundo percebe que, se as pessoas se unirem para fins educacionais, técnicos, pedagógicos e culturais, isso facilitará toda a situação. Mas como podemos agir contra o nosso ego? Nós não somos capazes de fazê-lo!

Aqui está o problema: se não formos capazes de nos unir, vamos ficar com fome. Muito simples! Nós não seremos capazes de fornecer as necessidades básicas: alimentação, segurança, calor, habitação e saúde física. Estas são cinco necessidades básicas que têm de ser cumpridos a fim de sobreviver.

Neste momento, a Natureza está pressionando-nos tanto que se não correspondermos a suas exigências, não seremos capazes de fornecer nossas cinco grandes necessidades. Uma noção de como a ecologia faz parte de nossa necessidade de segurança. Vamos deixar de fornecer alimentos e manter uma boa ecologia; ambos estão interligados, visto que um influencia o outro.

Preocupação, medo, dificuldade, acabarão por forçar a humanidade a tomar medidas drásticas. Se não fizermos nada, a nossa resistência e oposição á Natureza nos levará à aflição, guerras, devastação e obliteração. Em algum momento, vamos reavaliar nossas chances de sobrevivência e chegar à conclusão de que temos que nos unir e alcançar o quarto nível de desenvolvimento: o  nível Humano.

Da “Discussão sobre Educação Integral” #12, 16/12/11

A Linguagem De Uma Nova Cultura

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós esperamos que o método de educação integral seja disseminado em todo o mundo. Como você vê a interação do grupo de Moscou com os grupos da América do Sul, por exemplo? Será que faz sentido eles manterem uma relação um com o outro?

Resposta: Se nos livrarmos da barreira da língua através da tradução simultânea, as pessoas vão se entender perfeitamente. Elas vão entender os sentimentos, as canções, as danças e expressões diferentes. Você verá que, de repente, elas têm os mesmos movimentos corporais.

Quando falamos em integração, as pessoas começam a se expressar da mesma maneira, independentemente de quem elas são. As diferenças nacionais, étnicas e raciais derretem-se.

Por exemplo, os nativos da América do Sul e África, que têm movimentos de dança completamente diferentes, começam a se mover em sincronia, tentando sentir o outro. Sua dança já não se assemelha a dança moderna, onde todos estão a dois metros de distância um do outro e ninguém vê ninguém, enquanto dançam e pulam por conta própria. Pelo contrário, eles tentam ficar juntos, para entrar em contato, para estar mais perto, talvez até mesmo parar de se mover, mas para sentir-se fisicamente e, mais importante, internamente.

Eles adquirem uma linguagem corporal completamente nova e eu diria, uma nova cultura, comunicação e comportamento. Mas não é apenas uma cultura, é uma nova forma de arte, a arte da dança e da expressão que provém precisamente da sensação integral.

Espero que esta cultura surja e seja revelada, e talvez por ela a humanidade se adapte ao mundo integral. Isto é chocante e mostra-nos que realmente estamos nos aproximando da única imagem de “Adão”.

Esta é uma linguagem que não existia durante a separação de pessoas que viviam na antiga Babilônia, durante a sua dispersão por todo o mundo (se aceitarmos a lenda da Bíblia como um fato). É uma linguagem inserida na fundação da nossa raiz, mesmo antes dos seres humanos surgirem, e vem de nossa fundação espiritual antes dela se materializar.

Se tomarmos todas as canções, danças, qualquer tipo de música, ou quaisquer outras formas de expressão de vários grupos de diferentes continentes, vamos descobrir um denominador comum em todos eles. E as diferenças entre eles serão muito menores.

 Da “Discussão sobre a Educação Integral” # 11, 16/12/11