O Pico Da Vida E Seu Desvanecimento

760.4Pergunta: Baal HaSulam escreve em seus artigos que uma pessoa chega a uma sensação de vazio interior no final da vida e deixa este mundo em desespero e desesperança interior: “O que foi tudo isso, para quê?”

E o que acontece com essa percepção depois que seu corpo morre?

Resposta: Nada. Ele fica desesperado. Além da habitual existência animal, surge nele a pergunta: “Para quê, por quê?” Esse sentimento de fim está conectado ao ponto no coração, ao microdesejo que temos, e ao desenvolvê-lo, podemos sentir o próximo mundo superior, o universo geral.

Pergunta: Ter esse desejo é que dá à pessoa o medo da morte?

Resposta: Não, os animais também temem a morte. Eles também tentam evitá-la, lutam com todas as suas forças para sobreviver. Afinal, os animais, assim como os humanos, gradualmente enfraquecem e morrem. Quando sentem a morte se aproximando, deliberadamente se distanciam dos outros, vão embora e morrem. No deserto, praticamente não vemos essas cenas, mas é assim que acontece.

É o mesmo com o homem. Ele quer se afastar do mundo todo porque na sua velhice ele não percebe mais, quer viver sossegado em seu canto até que desapareça completamente.

Isso acontece porque ele está perdendo gradativamente o contato com este mundo. Seus órgãos sensoriais não funcionam mais como antes.

Pergunta: Por que tudo está organizado dessa forma? Por que o curso da vida está piorando?

Resposta: Depois de quarenta anos, a vida começa a desaparecer. Seu pico está no período entre trinta e quarenta anos. Até os trinta anos, tentamos nos identificar de alguma forma, e dos trinta aos quarenta nos realizamos.

Não estou falando de cientistas, compositores ou personalidades criativas que continuam a se realizar. Há até pessoas entre eles que, por meio de suas qualidades especiais, alcançam o maior desenvolvimento aos sessenta anos. Os cientistas, por exemplo, acumulam uma enorme massa de informações e conhecimentos durante 60 anos de suas vidas. Para onde eles iriam? Não há aposentadoria para eles.

Mas uma pessoa comum empenhada apenas em cuidar de seu corpo, de sua vida comum, ela sente depois de quarenta anos que não há praticamente nada pelo que se esforçar, ela tem que pensar em como continuar existindo com calma, simplesmente existindo e gradualmente desaparecendo.

De KabTV, “Close-up. Mistério da Esfinge”, 05/02/10

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