O Egoísmo Envenena Nossas Vidas

115.06Todos nós temos que passar por duas etapas em nosso caminho, e a primeira é o exílio da espiritualidade. Este estágio é muito longo porque primeiro as naturezas inanimada, vegetativa e animada se desenvolvem.

Então aparece o nível humano que também tem que passar por quatro níveis de desenvolvimento: inanimado, vegetativo, animado e falante dentro do humano, até que ele comece a perceber que está sob o controle do desejo de receber para seu próprio benefício. O egoísmo nos mantém em escravidão, impedindo-nos de ser livres. Portanto, o próprio ser humano define seu estado como um exílio da força de doação, a força de amor e conexão.

Ao longo da história, apenas algumas pessoas chegaram a esta conclusão, mas em nosso tempo entramos no período que é chamado de “última geração”, quando a natureza empurra toda a humanidade para revelar que estamos no exílio do desejo de doar, do amor mútuo.

O egoísmo nos mantém nesta terrível escravidão. Quando percebermos isso, entenderemos que só há uma saída: gritar, pedir, exigir com todas as nossas forças, a força superior, que nos colocou neste exílio, para nos trazer à liberdade. A diferença entre exílio e redenção é apenas uma letra: “Aleph – א”, que simboliza a revelação da força superior, o Criador, em nosso mundo.

Se o Criador for revelado em nossas vidas, sentiremos que estamos saindo do exílio, fora do controle do nosso egoísmo, que já não nos tranca no canto escuro de toda a vasta realidade. Portanto, o mais importante para começar é perceber que somos escravos do nosso egoísmo, o nosso Faraó, que trabalhamos para ele com devoção e amor, e cumprimos obedientemente todos os seus caprichos. Não nos desligamos dele, tanto que somos solidários com ele. Só quando começamos a receber golpes por nos associarmos ao egoísmo é que reconhecemos que ele se preocupa com o seu próprio benefício, e não com o nosso benefício.

Essa revelação vem somente por meio de uma iluminação especial de cima, do Criador, que desperta em nós o sentimento de que existe outro governo no mundo, não só o desse terrível egoísmo. Existe outra governança no mundo das forças de conexão e amor.

Agora nos sentimos entre essas duas forças lutando entre si, e queremos pertencer à força do amor, à força do bem. A força do mal que nos controla é egoísta e, portanto, não está relacionada com a força superior. Acontece que, em vez de desfrutar do nosso egoísmo, começamos a percebê-lo como mal e pedimos ao Criador que nos tire do controle da força do mal.

É assim que nos tornamos gradualmente livres da escravidão de nosso egoísmo, saímos do Egito, do controle do Faraó, a inclinação ao mal, e caímos sob o controle da boa força de doação e amor. Estamos sempre sob o controle de uma dessas duas forças, é impossível de outra forma: uma ou outra. Se uma delas sobe, a outra cai e vice-versa.

Portanto, olhando o processo histórico pelo qual a humanidade passou, podemos dizer que tudo se chama exílio egípcio, a partir dos primeiros dias da criação do mundo. Ainda não havia nem ser humano, mas o desejo de receber já dominava o mundo. Só não havia ninguém para identificá-lo e querer mudar este domínio.

Quando uma pessoa descobre o controle do egoísmo sobre ela, ela tenta sair dele, e ela entra no próximo estágio já fora do Egito, na terra de Israel.

Não há nada mais do que esses dois estados: ou o Egito ou a terra de Israel, e agora estamos bem na fronteira entre eles, entre esses dois desejos. Esperemos que possamos descobrir rapidamente o controle da inclinação ao mal sobre nós e que não queiramos permanecer sob ela, definamos o egoísmo como mal, e passemos para o controle do desejo bom.

Portanto, existem apenas dois estados na história: Egito e Israel. Até hoje, toda a humanidade existiu no Egito, com exceção de indivíduos escolhidos, os Cabalistas, que já emergiram dele e estão iluminando nosso caminho. Todo o resto da natureza está sob o controle do egoísmo, mas em nosso tempo já somos capazes de alcançar a doação.

Quanto mais cedo descobrirmos que estamos sob o odiado controle do Faraó e desejarmos escapar dessa escravidão, mais perto estaremos do êxodo do Egito. Essa descoberta será feita por toda a humanidade, com a compreensão do mal do egoísmo que envenena nossas vidas, e todos nós sairemos para a liberdade.

Da Lição Diária de Cabalá 23/03/21, “ Pesach

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