“Da Esquerda Para A Direita, Tentamos Todos Os Regimes, Mas Nunca Tentamos Cuidar”

Dr. Michael Laitman

Da Minha Página Do Facebook Michael Laitman 02/09/20

O século anterior foi repleto de experimentos sociais, que nos custaram muito. Duas vezes a humanidade se envolveu em guerras mundiais, dezenas de milhões de vidas foram perdidas, enquanto centenas de milhões perderam seus entes queridos e seu sustento. Na segunda década do século anterior, nós nos inclinamos para a extrema esquerda, com a Rússia comunista. Cerca de duas décadas depois, grande parte da Europa deu uma guinada brusca para a direita, com o surgimento da Alemanha nazista e da Itália fascista.

Na metade do século, depois de duas guerras mundiais terem provado que nenhum dos extremos funciona, partimos para o capitalismo e os Estados Unidos tornaram-se o líder mundial. Com o capitalismo, pensamos ter encontrado a resposta. Basicamente, ele ignorou as ideologias e permitiu que a América democrática e a China comunista se tornassem superpotências capitalistas. Em vez de consagrar ideologias, ele venera o dinheiro. E como todo mundo adora dinheiro, aprendemos a trabalhar juntos.

No entanto, agora mesmo o capitalismo está falhando. As lacunas entre os que têm e os que não têm, e a incapacidade das pessoas de sair da pobreza tornaram o capitalismo mais um tipo de tirania: uma tirania de magnatas em vez de governantes.

As tensões sociais de hoje na América e em outras partes do mundo, particularmente na Europa, significam que o capitalismo também chegou ao fim. Não temos mais opções de governo; nós tentamos de tudo. Agora, ou introduzimos um novo ingrediente para mitigar a gravidade da situação, ou tudo entrará em colapso.

Se tentarmos localizar o elemento que falta em todos os regimes anteriores, veremos que é o cuidado, o simples cuidado humano uns pelos outros. Todas as ideologias anteriores tentavam encontrar a melhor estrutura social em uma realidade onde as pessoas não se importam e exploram umas às outras. Em suma, as ideologias anteriores tentaram encontrar uma maneira de controlar a natureza humana obscena e egocêntrica. Mas como aqueles que dirigiam os países eram eles próprios produtos da natureza humana, seus esforços estavam fadados ao fracasso. Agora, pela primeira vez na história, estamos percebendo que não é a sociedade que precisamos mudar, mas as pessoas que a fazem.

Se aprendermos a cuidar uns dos outros, não importará que forma de governo tenhamos sobre nossas cabeças. Nossa sociedade será boa, independentemente do governo, pois cuidaremos uns dos outros. Se a ferida é a natureza humana, não podemos enfaixá-la ou contê-la com gesso; temos que curá-la.

E a primeira coisa que precisamos aprender é que a diversidade não enfraquece. Pelo contrário, não apenas fortalece, mas possibilita vida e evolução. Imagine o que aconteceria conosco se um órgão em nosso corpo tentasse forçar ou eliminar qualquer órgão que não fosse como ele. É o que tentamos fazer sempre que excluímos outra pessoa, fé ou ideologia. Se reconhecermos o fato natural de que a diversidade enriquece e fortalece, descobriremos que mesmo as ideias mais extremas têm mérito, desde que não levem as pessoas a se exterminarem fisicamente. As ideias, mesmo as mais radicais, levam as pessoas a questionar suas próprias crenças, polir seus pensamentos e aprender mais sobre si mesmas. Sem diferenças, seríamos robôs.

Certamente, há muito a aprender aqui, mas se começarmos concordando que somos todos partes de uma família humana, aprenderemos como abraçar o diferente, como aprender uns com os outros e ficar mais fortes, mais sábios, mais saudáveis e mais ricos juntos.

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