“Em Que Idioma A Bíblia Foi Originalmente Escrita? Qual Foi A Precisão Da Tradução?” (Quora)

Dr. Michael LaitmanMichael Laitman, no Quora: “Em Que Idioma A Bíblia Foi Originalmente Escrita? Qual Foi A Precisão Da Tradução?

De acordo com a sabedoria da Cabalá, a Torá descreve o método completo para a realização do Criador.

A palavra “Torá” vem de duas palavras hebraicas, “Ohr“, que significa “luz” e “Hora’ah“, que significa “ensino” ou “instrução”.

A Torá é escrita na linguagem dos ramos. É uma linguagem que dá nomes às forças espirituais de acordo com suas correspondentes manifestações no mundo corporal. Portanto, embora muitos pensem que a Torá descreva eventos que ocorreram em nosso mundo, de uma perspectiva Cabalística, a Torá de fato descreve processos, estruturas e interações no que é chamado de “mundo espiritual” ou “mundo superior” onde existem apenas forças imateriais.

Por que os Cabalistas fizeram tais representações escritas de forças espirituais?

Para que os alunos que desejam alcançar a espiritualidade possam atrair a influência do mundo espiritual sobre si mesmos, lendo. Na Cabalá, essa ação é chamada atrair a Ohr Makif (luz circundante).

Ao atrair a luz circundante, passamos por correções de nossa natureza egoísta, transformando-a gradualmente na natureza espiritual altruísta. Assim, ficamos cheios da luz espiritual e percebemos o mundo espiritual conforme a correção do nosso ego.

Perceber o mundo espiritual significa sentir a eternidade e a perfeição que provêm da obtenção da equivalência de qualidades com o Criador. Em outras palavras, como o Criador é a qualidade de amor e doação, assim, atraindo a luz circundante sobre nós mesmos, nos tornamos mais parecidos com essa qualidade, mudando (ou “corrigindo”) nossa natureza egoísta oposta para nos tornarmos mais doadores como o Criador.

Se não tivéssemos esse método, permaneceríamos no nível animal da existência, onde nascemos, tentaríamos sobreviver e prosperar o máximo que pudéssemos enquanto vivos, e finalmente morreríamos – repetidamente.

Não alcançaríamos nenhum senso de eternidade, perfeição e conhecimento do Criador.

A linguagem dos ramos, que descreve as forças espirituais (“raízes”) com a ajuda de suas manifestações corporais (“ramos”), tem quatro variações. Em outras palavras, existem quatro tipos de linguagem dos ramos:

Tanach – uma linguagem de narração histórica,
Halacha – uma linguagem de leis,
Hagadá – uma linguagem de lendas,
Cabalá – uma linguagem científica mais próxima das raízes espirituais.

O Cabalista Yehuda Ashlag (Baal HaSulam) explica mais detalhadamente a linguagem dos ramos em seu artigo, “A Essência da Sabedoria da Cabala”. A seguir, um trecho:

A LINGUAGEM DOS CABALISTAS É UMA LINGUAGEM DE RAMOS

“Isso significa que os ramos indicam suas raízes, sendo seus moldes que necessariamente existem no Mundo Superior. Isso ocorre porque não há nada na realidade do mundo inferior que não provenha de seu mundo superior. Tal como acontece com o carimbo e a marca, a raiz no Mundo Superior obriga seu ramo no inferior a revelar toda a sua forma e característica, como disseram nossos sábios, de que a fortuna no mundo Acima, relacionada à grama no mundo abaixo, golpeia-a, forçando-a a completar seu crescimento. Por isso, todos os ramos deste mundo definem bem seu molde, situado no Mundo Superior.

“Assim, os Cabalistas encontraram um vocabulário definido e anotado, suficiente para criar uma excelente linguagem falada. Isso lhes permite conversar entre si sobre as relações nas raízes espirituais nos mundos superiores, apenas mencionando o ramo inferior e tangível neste mundo que é bem definido para nossos sentidos corporais.

“Os ouvintes entendem a Raiz Superior à qual esse ramo corporal aponta porque está relacionado a ele, sendo sua marca. Assim, todos os seres da criação tangível e todas as suas instâncias tornaram-se para eles como palavras e nomes bem definidos, indicando as Altas Raízes Superiores. Embora não possa haver uma expressão verbal em seu lugar espiritual, como está acima de qualquer imaginação, eles conquistaram o direito de serem expressos pela expressão através de seus ramos, organizados diante de nossos sentidos aqui no mundo tangível.

“Essa é a natureza da língua falada entre os Cabalistas, pela qual eles transmitem suas realizações espirituais de pessoa para pessoa e de geração em geração, tanto boca a boca quanto por escrito. Eles se entendem completamente, com toda a precisão necessária para negociar na pesquisa da sabedoria, com definições precisas que não podem falhar. Isso ocorre porque cada ramo tem sua própria definição natural e única, e essa definição absoluta indica sua raiz no mundo superior”.

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