“A Raiz Espiritual E Os Ramos Corporais Dos Judeus” (Tiomes Of Israel)

O The Times of Israel publicou meu novo artigo: “A Raiz Espiritual E Os Ramos Corporais Dos Judeus

A sabedoria da Cabalá é um método estabelecido por Abraão cerca de 3.800 anos atrás, que guia um processo de conexão positiva entre as pessoas em relação à semelhança com a força superior da natureza, uma de amor e doação.

A Cabalá ensina que, ao tentar se parecer com a força do amor e doação através de nossos esforços para nos conectar, a atraímos para nossas vidas e ela nos corrige.

“Correção”, na sabedoria da Cabalá, significa alcançar a percepção da singularidade da força de amor e doação, e quando atingimos essa percepção, vemos como nenhuma outra força opera no mundo.

Em oposição à força do amor e doação está a força de recepção – a força que age nos seres criados.

A força de recepção, que é a natureza dos seres criados, nos dá a capacidade de diferenciar entre a recepção e a sua força oposta de amor e doação, pois através do oposto de um determinado fenômeno, a existência de seu oposto pode ser percebida.

Ao existir em uma natureza receptiva oposta à natureza doadora, podemos nos conectar despertando a força de doação e amor acima da força de recepção e, assim, alcançar o equilíbrio com a natureza, uma sensação de harmonia, perfeição e eternidade.

De acordo com as duas naturezas opostas de dar e receber, a humanidade se divide em dois grupos gerais: um é um pequeno grupo originário daqueles que estudaram com Abraão, que se dirigiu a conectar e alcançar a força do amor e doação. O outro é muito maior, mantendo crenças em inúmeras formas corporais, objetos e imagens.

O grupo de Abraão recebeu o nome “Israel” (“Yashar El” [“direto a Deus”]), por sua orientação para alcançar a força de amor e doação, e nas gerações posteriores recebeu o nome de “judeus”, da palavra “unidos” (“yihudi“). Pessoas sem essa inclinação receberam o nome de “nações do mundo”.

De acordo com a origem da nação judaica – a unificação em uma tendência comum em relação à força de amor e doação -, essa mesma tendência deve permanecer como seu principal compromisso. Em outras palavras, a nação de Israel não precisa conduzir inúmeras ações físicas, mas precisa se concentrar apenas na conexão “como um homem com um coração”. Esse é o método de Abraão em poucas palavras.

Durante seus anos de exílio, a nação de Israel se misturou às nações do mundo. Muitos descendentes do grupo de Abraão acabaram funcionando apenas com a força de recepção, distanciados da força de amor e doação. Enquanto isso, algumas das nações do mundo que se sentiam atraídas pela unidade se juntaram ao grupo de Israel.

Aqueles de Israel que falharam em se unir acima do crescente desejo egoísta que agia neles se tornaram idólatras, infundindo formas, objetos e ações corporais com importância espiritual.

Os dois grupos existem em certa mistura até hoje.

A mudança, de ser uma nação unificada que sente a força superior para se desapegar da sensação de unidade e se concentrar apenas em receber, ocorreu principalmente durante a ruína do Primeiro e Segundo Templos e intensificou-se no exílio que os seguiu.

Muitas pessoas da nação judaica começaram a realizar uma série de ações, parecendo sinais de movimentos espirituais que existem separados do corpo humano e do mundo material. Elas pensaram que, dessa maneira, seriam capazes de se proteger de alguma maneira em uma estrutura comum e não se dispersariam.

Meu professor, o Rabash, chamou essas ações de “costumes”. Os costumes têm seu lugar, até que estejamos prontos o suficiente para entender o que é mais importante: o trabalho do coração, isto é, o trabalho interior da unidade com os outros, em uma tendência comum à força de amor e doação.

O que fazemos com as mãos, pernas e bocas é, em última análise, para nos levar a realizar ações internas sobre a nossa atitude para com os outros: uma mudança interna de se preocupar apenas conosco mesmos para se preocupar com os outros, a um ponto em que os amamos.

Até hoje, a humanidade acha difícil absorver a ideia de que o Criador é uma força. É compreensível, pois toda a nossa percepção é baseada em sentidos corporais.

No entanto, de acordo com a sabedoria da Cabalá, não há nada sagrado em uma árvore ou pedra, nem em sangue ou carne. A santidade só pode estar na conexão entre nós, diferenciada e acima da força egoísta que nos separa. A santidade existe no equilíbrio entre duas forças fundamentais no fundamento da natureza: recepção e doação, sem cancelar a qualidade ou a inclinação.

É por isso que os princípios da sabedoria da Cabalá parecem complicados e difíceis de absorver, mesmo que o princípio principal seja fácil de entender: que precisamos alcançar uma conexão positiva entre todas as pessoas, uma conexão que inclua cada pessoa igualmente. Além disso, no coração de nossa conexão, o amor se revela, que é uma força positiva que cobre toda divisão, ódio e conflito, e ao alcançar esse estado, descobrimos nada menos que perfeição e eternidade.

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