Dinheiro: Passado, Presente, Futuro

laitman_202_0As pessoas sempre acreditaram que os judeus têm um segredo especial para “atrair dinheiro”. Os Cabalistas foram particularmente acusados disso. Os alquimistas tentaram criar uma “fórmula dourada” baseada na aprendizagem de antigos ensinamentos místicos judaicos.

Em alguns aspectos, essas pessoas estavam certas. Os Cabalistas realmente sabem o “segredo do dinheiro”. E o segredo é a sua doação.

Apenas crianças pequenas não entendem que tudo no mundo físico tem o seu próprio valor, o seu preço: a quantidade necessária de esforço investido para adquirir o que é desejado. O dinheiro é uma medida. Mas como é possível medir os esforços internos de uma pessoa, sua felicidade, tristeza, importância?

Nós precisamos medir constantemente a nossa conexão com o outro. As pessoas trocam ativamente os resultados do seu trabalho. O surgimento do dinheiro como equivalente universal de nossos esforços substituiu a troca de mercadorias.

O dinheiro também é o equivalente dos desejos humanos universais. Se eu quero alguma coisa, estou pronto para dar tudo por ela. Pode não ser um valor significativo (por exemplo, a memória de uma avó amada), mas eu pagaria materialmente por isso. Tudo depende de pedidos individuais.

A sabedoria da Cabalá sempre estudou e investigou a fonte, a nossa própria natureza. É necessário pagar (com dinheiro ou esforço) pelo prazer. A palavra “dinheiro” (Kesef, em hebraico) tem a mesma raiz que a palavra “desejo” (Kisuf), que significa uma cobertura (Kisui) do meu egoísmo. Eu cubro meus desejos para satisfazê-los, colocando um Masach (tela) sobre eles através de sua utilização correta. Em nossa sociedade, a recepção direta baseada no egoísmo é impossível.

Portanto, o conceito de dinheiro (Kesef) está ligado ao Masach que a pessoa coloca sobre seus desejos. Graças ao Masach e aos desejos, ela pode levar a cabo o que quer de acordo com o tamanho do Masach, ou seja, de acordo com o valor do dinheiro.

Quando uma pessoa quer adquirir alguma coisa, ela deve pagar uma quantia equivalente de dinheiro que o vendedor estipula. Essa é a versão das relações entre nós em uma sociedade egoísta. Como isso é disposto em altruísmo, quando o esquema de troca – dinheiro por mercadoria – não funciona, e nós compramos não o que nos convém, mas o que dá prazer a outra pessoa?

O mundo está gradualmente alcançando uma nova economia: o dinheiro não funciona mais. Já há países no mundo onde você pode tomar um empréstimo bancário com juros zero e até mesmo negativo. Isto é, você devolve menos do que tomou. Essa é uma evidência de que o dinheiro deixa de desempenhar o papel como o equivalente universal para a recepção e, gradualmente, está começando a desempenhar um papel como equivalente geral de doação.

Aqui um princípio puramente Cabalístico está agindo: receber a fim de doar. Toda a humanidade está gradualmente se movendo rumo a esse modelo. Essa transformação não é entendida por nosso intelecto egoísta.

Os banqueiros mundiais estão pensando seriamente em dar mais dinheiro à população para que a economia seja estimulada. A sociedade de consumo está chegando ao fim. Anteriormente, éramos encorajados a consumir, e agora, ao contrário, a dar.

A sociedade atingiu um estado em seu desenvolvimento em que é possível prover a todos com o que é necessário e o dinheiro já não desempenha um papel. Ele perdeu o seu valor.

Tomando a frente estão os relacionamentos entre as pessoas, e as pessoas estão começando a procurar satisfação e prazer na sociedade na conexão com outras pessoas, não em termos materiais, porque nos tornamos muito dependentes uns dos outros.

O mundo está avançando para a produção geral. E o produto mais importante dessa sociedade é as relações mútuas corretas. O dinheiro está perdendo o seu valor perante os nossos olhos.

Nós vemos viciados em drogas supridos com 10 gramas de drogas para que não anseiem por dinheiro, ou desempregados que não estão tentando ganhar dinheiro vivendo do bem-estar proporcionado pelo Estado para cobrir suas necessidades mínimas.

Dessa forma, do prazer corporal nós estamos nos movendo para a realização espiritual. A sociedade ainda não pode pesar e entender isso, então as pessoas ficam deprimidas. Na verdade, o que antes era o equivalente universal puramente egoísta – moedas de ouro, joias, escravos – está acima da matéria, o equivalente espiritual.

O quanto uma pessoa pode conectar as pessoas entre si é o que será apreciado. Ela será julgada por sua participação direta na disposição da sociedade, na “fábrica” pública.

Portanto, a próxima forma do dinheiro será o próprio Masach, ou seja, as relações corretas entre as pessoas. Por meio da conexão, trazendo a sua parte, e dando a seus companheiros, cada um de nós “paga” o próprio “dinheiro espiritual (Kesef)” e cobre (Mekaseh) o desejo comum por realização. Quanto eu posso oferecer, dar e doar ao outro, essa é a medida que também serei capaz de receber.

É exatamente assim que o comércio será no futuro, porque o elemento mais importante no processo é trocar a participação da pessoa na “produção” geral dos desejos comuns pela satisfação global coletiva.

Nós vivemos num mundo onde a Luz é ilimitada. Mas o tamanho do nosso Kli (vaso) depende do grau de conexão entre nós. Se a conexão for negativa, o vaso não tem satisfação, nós vivemos na materialidade e lutamos constantemente pela realização pessoal, como um animal.

Se a conexão for zero, nós estamos quase no nível de transição entre um ser humano e os animais. Quando a nossa conexão é positivA, nós atingimos um grau completo, chamado Homem (Adam, da palavra “Domeh” – semelhante ao Criador). Nós passamos para uma função completamente oposta do dinheiro, medida não pelo quanto eu posso conseguir, mas por quanto posso dar.

O problema é como nós nos movemos do estado material para o estado espiritual. Essa é a transição que precisamos fazer com o dinheiro, onde ele vai se transformar em um equivalente de doação em vez de recepção.

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Nesse mundo, as coisas que nos preenchem estão sempre em mãos de outra pessoa. Assim, a fim de me satisfazer, eu tenho que pagar pelos prazeres. Esse mundo é apenas um jogo. No estado eterno estão os prazeres absolutos, satisfações, que também estão nas mãos do Mestre, o Criador, a natureza.

Como podemos obter esses prazeres? A sabedoria da Cabalá ensina isso. Essa sabedoria é nomeada da palavra “Lekabel” – “receber”. No entanto, receber é muito interessante. A Cabalá nos ensina que, assim como nesse mundo onde pagamos por aquilo que queremos, no mundo espiritual nós temos que pagar por aquilo que temos. Nada é dado de graça!

Então, com o que vamos pagar? Nós pagamos com os nossos desejos. O Criador define o preço para “infinitos prazeres” que estão disponíveis apenas sob uma condição: ser capaz de receber eternamente Dele. Em outras palavras, o tamanho do nosso desejo não deve ter limites. Até chegarmos a esse nível, o nosso desejo de receber é preenchido ou não preenchido, há prazer ou a ausência de prazer.

A lei nos leva a obter perpétua satisfação da existência além dos parâmetros desse plano material. “Eu quero dar-lhe todo o universo, meu caro hóspede, se você poder consumir tudo isso!” – como se o anfitrião, o Criador, nos dissesse. Mas como podemos tornar os nossos desejos infinitos?

Em algum momento, depois de satisfazer todos os nossos desejos materiais, nós começamos a lidar com uma evolução qualitativa do desejo, ascendendo às necessidades e prazeres espirituais. Nesse ponto, a lei da equivalência de propriedades intervém.

Inicialmente, nós somos criados com “pequenos desejos”, os desejos deste mundo. Eles são limitados porque o preenchimento é limitado. Mas quando nos conectamos com a natureza, utilizando a metodologia da Cabalá, adquirimos grandes desejos, uma vez que conseguimos abraçar o Infinito. Eu sou satisfeito em prol de satisfazê-Lo.

Eu recebo para preenchê-Lo. Pois não há outro além Dele. Onde está o dinheiro na foto? Ela reflete vários estados entre nós. É uma enorme tela colocada entre as pessoas. O que nós pagamos ao Criador pelos imensos prazeres que Ele nos dá? O nosso pagamento é a nossa intenção de satisfazê-Lo ao aceitar Seus persentes. Tudo o que podemos fazer é retribuir-Lhe com a nossa atitude positiva para com ele.

No futuro, o dinheiro irá funcionar em sentido inverso; ele será usado para a doação. Nós vamos compartilhar realizações uns com os outros. Vamos investir plenamente na sociedade, que será o “banco” de esforços mútuos para prover uns aos outros a garantia mútua. Esse tipo de banco é chamado de alma. Nela nós vamos sentir o Criador mutuamente satisfazendo o outro sem parar.

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Do Webinar 27/03/16

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