“O Capitalismo Está Devorando A Própria Cauda”

Dr. Michael LaitmanNas Notícias (inosmi.ru): “O mundo pode em breve entrar numa era em que será possível ser rico só por causa de seu nascimento. O capitalismo moderno está cada vez mais parecido com o feudalismo. …

“De acordo com os cálculos da British Charity Oxfam, no próximo ano 1% das pessoas mais ricas do planeta estará acumulando mais dinheiro do que os 99% restantes. …

“Se o crescimento médio da produção mundial é de 1-1,5%, enquanto a renda de investimento de capital  chega a 4-5%, ao especular mo mercado, você pode ganhar muito mais do que produzir algo útil para a economia. A maior chance de enriquecimento é para aqueles que têm capital suficiente e podem se dar ao luxo de entrar em especulação financeira. Então, eles acumulam cada vez mais dinheiro e estão cada vez mais alienados em termos de propriedade do resto da sociedade e de seus problemas. …

“‘Por isso, as circunstâncias do nascimento são mais importantes do que talento e esforço”, – escreveu o economista americano e Prêmio Nobel, Paul Krugman.

“A nova aristocracia – não é tanto a aristocracia da indústria, uma vez que é um círculo de pessoas que retêm o dinheiro. Muitos economistas há muito tempo apontaram para a especulação financeira como uma fonte de crescente estratificação. …

“Grande parte dessa riqueza de papel pode evaporar como resultado da turbulência financeira, assim como em algumas semanas em junho e julho de 2015, 2,8 trilhões (o valor é próximo ao do PIB nominal da França) evaporaram-se nas Bolsas Chinesas. O problema é que os grandes especuladores financeiros não ficaram pobres por causa do colapso. São os pequenos apostadores que perdem as suas poupanças nos mercados, não podem contar com qualquer apoio. Bancos nestas situações também podem contar com ajuda do Estado. …

“O aumento da estratificação também leva a uma diminuição da mobilidade social, acesso limitado à educação. No longo prazo, a economia menos ‘igual’ também sofre com a maior probabilidade de altos cargos serem tomados por pessoas não muito talentosas, mas por aquelas que compensam a falta de talento pelo nascimento em uma família rica ou conhecidos em cargos importantes. …

“O crescimento da disparidade de renda no longo prazo também pode levar a consequências políticas desastrosas. Por um lado, leva para o modo oligárquico, por outro lado, aumenta a simpatia pelos movimentos radicais que buscam eliminar a ordem sócio-política existente. …

“É possível observar um prenúncio de países que se encontram na periferia da Zona do Euro. Há cada vez mais uma geração que nunca teve uma chance num emprego normal. ‘O nível de estratificação financeira na Europa têm ameaçado o equilíbrio social. Quando a taxa de desemprego é alta (entre os jovens na Grécia e em Espanha é de 50%), a geração mais jovem não tem perspectivas “, – indica Janusz Shevchak. …

“‘Piketty escreve em seu livro que, se o nível de retorno sobre o capital exceder de forma consistente o nível de crescimento econômico (que ele prevê em suas obras), isso pode levar à destruição dos alicerces sobre os quais se constrói o capitalismo democrático, isto é, a ideia de que o trabalho permite ficar rico, e que seu efeito material depende das habilidades individuais e do esforço. Como resultado, o fenômeno exacerbado de deslegitimação do capital é seguido de um movimento ativado “de irritação”, levando ao poder partidos populistas (tanto de esquerda quanto de direita), inteligentemente encontrando o acesso ao público descontente”, – lembra Sobochinsky. …

“… na Europa, princípios semelhantes apoiaram a formação de radicais durante a Grande Depressão dos anos 30: o Partido Comunista, o Partido Nazista Alemão, facistas, e os movimentos radical-socialista e nacional-radical. A história mostra que a radicalização da sociedade pode ser acelerada se uma crise econômica impuser uma crise de identidade da nação e a crise de imigração. …

“‘A resposta à crise dos anos 1930 foi a introdução de impostos muito elevados no âmbito da política do New Deal, de modo que no período pós-guerra conseguiu-se estabelecer relativo equilíbrio entre trabalho e capital, como resultado, a desigualdade de renda diminuiu significativamente’”.

Meu Comentário: Os capitalistas não são corajosos o suficiente para elevar os seus próprios impostos. Hoje já não há uma correlação clara e precisa entre o trabalho duro e os resultados do trabalho. Os países não estão fechados em suas fronteiras e os negócios tornaram-se globais.

Portanto, as pessoas não sentem que dependem do capital dentro de seus países e as corporações internacionais não sentem que dependem dele. A fim de sentir isso, elas têm que sentir o ambiente, a atitude para com os outros. O mundo chegou a um beco econômico sem saída e a única saída é através de novas relações sociais. Consulte “A Última Geração”.

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