Saída Do Estado “Egito”

Pergunta: Como é que passaremos do “49° Portão de impureza” para o 50° portão?

Resposta: Em primeiro lugar, eu tenho que sentir meu estado, entender que a minha natureza não me permite fazer nada. O ego pode facilmente matar-me e controlar-me. Não há misericórdia de nisto – este é o meu mais amargo inimigo, como Haman e Faraó.

Precisamos decidir que o nosso desejo de desfrutar não se ajusta a nossa vida em tudo, que não é aceitável em qualquer pensamento, aspiração, ou ação, que não podemos usá-lo em qualquer forma e nem mesmo em menor quantidade. É preferível não fazer nada! Porque qualquer movimento que acontece é apenas no sentido do ego, e é isso que eu não posso permitir. Ainda mais, eu preciso entender que eu não posso esconder-me dele. Eu anseio viver na qualidade de doação! Eu entendo que esta atração também deriva do desejo de receber, porque por enquanto eu estou no Egito, mas eu quero subir acima disto.

Estou na escuridão, reconhecendo minha total impotência e não vendo quem pode me ajudar, se não a Luz que vem de cima, com a qual eu não tenho nenhuma conexão e relação, e eu não tenho nenhuma possibilidade de despertá-la. Se esta força vier em meu auxílio, isso vai ser realmente um milagre que eu não esperava que pudesse acontecer.

Estou disposto a continuar a permanecer no Egito, tanto quanto necessário. A sensação de exílio no Egito, da escuridão, é preferível para mim do que ver o Egito no tempo de sete anos de saciedade. Aprecio muito a espiritualidade que eu sinto agora do lado oposto. De dentro de escuridão, de dentro da forma oposta, posso imaginar a Luz – o que é chamado de “santidade”.

Esses estados são completamente opostos. Duas linhas são reveladas. Investimos enormes esforços para conectar, para doar, e para estar na “linha certa.” Em oposição a isto revela-se que não somos capazes de fazê-lo, e então caímos e não conseguimos nenhum resultado. Tudo o que conseguimos ontem desmorona-se hoje, e o que fazemos hoje vai desintegrar-se no dia seguinte.

Nós saímos para a disseminação, tentamos ter sucesso de qualquer maneira possível, preparar as convenções, e aonde já chegamos? Não há nada para mostrar. A pessoa estuda há 10 anos, mas parece que ela começou ontem. Como pode isso? Todos os resultados passam em um momento, como água na areia, e nada é deixado. Isso significa que estamos na escravidão e não recebemos nada de nossos esforços. Mesmo que nós sejamos o maior sucesso, estamos nos aproximando do Criador, nós acreditamos nos sábios que nos disseram para progredir acima da mente e do sentimento; isso é tudo o que temos e estamos dispostos a trabalhar assim.

Essas duas linhas precisam ser reveladas de forma clara e temos que ansiar pelo certo – para a conexão, para a difusão, para investir todas as forças nisto e não para calcular a partir do nosso estado interior.

É semelhante a uma mãe com crianças pequenas, que está doente, e, embora ela se sinta mal, deve levantar-se e tomar conta deles. Ela não se importa o quanto vai sofrer, porque as crianças são mais importantes para ela. Essa é também a forma como temos de agir; o principal é o trabalho e não é importante o que se sente por dentro.

A principal razão para todas as queixas é que as pessoas não podem concordar com o trabalho que acontece na escuridão. Além disso, quando o Criador for revelado, o nosso trabalho na escuridão continuará. Isso significa que eu concordo com a escuridão e me relaciono com ela como uma grande condição para continuar meu trabalho. Portanto escuridão torna-se Luz para mim.

Eu obtenho uma tela e quero que a força de restrição me controle e me dê possibilidade de trabalhar acima da restrição (Tzimtzum) e da tela, e eleve a Luz de Retorno a partir do estado completamente escuro do desejo de receber. A partir disso, construo o meu desejo de doar. Tomo todos os recipientes vazios do Egito e deixo lá apenas a abordagem egoísta do Faraó.

Mas o desejo de receber permanece em trevas e eu tomo cuidado para que a escuridão do Egito permaneça lá. A partir desse estado, a partir da escuridão em todos os meus desejos, apenas um desejo, que é o meu, o desejo de doar, deve sair e crescer. Isso é chamado de “saída dos filhos de Israel do Egito”.

E os grandes desejos de prazer permanecem na escuridão do Egito, e eu construo o novo degrau acima deles na fé acima da razão.

Eu quero que a escuridão fique, e que os desejos de receber nunca sejam realizados em sua forma regular. Isto é como eu construo uma nova atitude para com o mundo e com o Criador – acima do meu desejo interior. Dentro de mim eu estou morto, doente, não importa o que eu sinto; acima disto construo a forma de doação. Como uma mãe que cuida de seu bebê e faz tudo o que ele precisa, mesmo que não se sinta bem.

Precisamos entender o que é realmente a nossa saída do Egito –ascensão de um estado chamado de “Egito”.

Esta é a nossa nova abordagem para o desejo de receber e a possibilidade de doar.

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Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala 9/4/14, Shamati # 54

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