Como Um Feixe De Juncos

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Posfácio

A humanidade merece estar unida numa única família. Nessa altura todas as discussões e a má vontade que derivam das divisões das nações e suas fronteiras cessarão. Contudo, o mundo necessita de mitigação, através da qual a humanidade será aperfeiçoada através das características únicas de cada nação. Esta carência é o que a Assembleia de Israel complementará.

– O Rav Kook, Orot HaRaaiah [Luzes do Raaiah], Shavuot, p. 70

Não foi fácil escrever este livro. Eu escrevi dezenas de livros, mas nenhum foi tão emocionalmente exigente ou intelectualmente desafiante. Durante muitos anos até então, eu conheci a tarefa que se encontra perante nós, mas sempre hesitei acerca de escrever diretamente aos meus irmãos Judeus. Não desejo ser percebido como condescendente ou arrogante, e ser tediosamente enfadonho ou repreensivo não está propriamente na minha lista de “coisas a fazer”.

Todavia, os meus estudos de Cabalá com o Rabash ensinaram-me que a direção na qual o mundo está se movendo está alinhada para acabar em mutilação. Foi por isso que o pai do Rabash, o Baal HaSulam, bem como seu filho, estavam mais propensos a circular a sabedoria oculta como uma cura para o crescente egoísmo da humanidade que qualquer outro Cabalista anterior.

Baal HaSulam estava ansioso com a crescente interdependência global no princípio dos anos 1930, quando poucas pessoas no mundo sequer estavam conscientes do processo. Ele sabia que isso conduziria a uma crise insolúvel se a humanidade não apoiasse essa dependência mútua com garantia mútua, que a natureza humana não seria capaz de tolerar o contraste entre interdependência e aversão mútua.

Ao mesmo tempo, até na fase inicial da nossa globalização, Baal HaSulam percebeu que o processo era irreversível, que porque somos partes de uma única alma, um único desejo, estamos naturalmente conectados. Ele também sabia, como todos os sábios citados neste livro, que a meta para a qual fomos criados não foi para que as pessoas fossem estranhas e odiosas, mas para se conectarem e se unirem através da qualidade de doação.

Hoje vemos quão certo ele estava. Nós estamos desesperadamente conectados de forma enferma, e veementemente rancorosos acerca disso. Nossos sistemas sociais, tais como a economia, saúde e educação, assumem que a má vontade é a base das relações humanas, e desta forma cada entidade cobre  a si mesma através de regulamentações, legislações e solicitadores.

Mas este modus operandi é insustentável. Como as boas famílias assumem a boa vontade entre membros da família, todos os membros da humanidade têm que aprender a confiar uns nos outros.

Contudo, como demonstrado no decorrer do livro, como nossos egos evoluem constantemente e enfatizam nossa singularidade em vez de nossa união, nós precisamos de um método para nos ajudar a alcançar a união acima de nossa disparidade, sem suprimir ou anulá-la. Esse método está enraizado no património espiritual de nosso povo, e é a dádiva dos Judeus à humanidade, a salvação que todas as nações esperam dos Judeus.

A dádiva que pode ser entregue através da sabedoria da Cabalá, através da Educação Integral, pelo meio que Baal HaSulam sugeriu em A Nação, ou por qualquer outro meio que renda uma mudança fundamental na natureza humana da divisão para a união, da animosidade para a empatia e preocupação. Se alcançarmos essa união, então quanto mais diferirmos na nossa personalidade, mais forte e quente será nosso laço. Como Rabi Nathan Sternhertz o descreveu, “Depende principalmente do homem, que é o coração da Criação, e do qual tudo depende. É por isso que ‘Ama teu próximo como a ti mesmo’ é a grande klal [“regra”, mas também “coletivo”] da Torá, para incluir nela união e paz, que é o coração da vitalidade, persistência, e correção do todo da criação, pelas pessoas de visões diferentes sendo incluídas juntas em amor, união e paz”. [i]

Certamente, a beleza de nosso povo está na sua união, sua coesão. Nossa nação começou como um grupo de indivíduos que compartilharam um desejo comum: de descobrir a força essencial da vida. Nós descobrimos que ela era, numa palavra, “amor”, e nós a descobrimos porque desenvolvemos essa qualidade dentro de nós. Essa força de amor nos uniu, e no espírito do amor, procuramos compartilhar nossa descoberta com qualquer um que o quisesse.

Com o tempo, perdemos nossa conexão, primeiro uns com os outros, depois com a força que havíamos descoberto através de nosso laço. Mas agora o mundo precisa que reacendamos esse laço, primeiro entre nós, e posteriormente entre toda a humanidade.

Nós somos uma nação privilegiada, uma nação com a dádiva do amor, que é a qualidade do Criador. Receber esta dádiva é a meta para a qual a humanidade foi criada, e nós somos o único canal pelo qual este amor pode fluir a todas as nações. Desde a aurora da humanidade, “nunca tão poucos deveram tanto a tantos”, para parafrasear as palavras de Winston Churchill. Contudo, nunca tão poucos foram capazes de dar tanto a tantos.

Certamente, como Baal HaSulam diz, “Cabe à nação Israelita qualificar a si mesma e a todas as pessoas do mundo… a se desenvolverem até que tomem sobre si mesmas essa obra sublime do amor ao próximo, que é a escada para o propósito da Criação, que é Dvekut [equivalência de forma] com Ele”. [ii]

[i] Rabino Nathan Sternhertz, Likutey Halachot [Regras Sortidas], “Regras de Tefilat Arvit [Oração da Noite]”, Regra n.4.

[ii] Rav Yehuda Leib HaLevi Ashlag (Baal HaSulam), Os Escritos do Baal HaSulam , “O Arvut [Garantia Mútua]”, item 28 (Instituto de Pesquisa Ashlag, Israel, 2009), 393.

Comente