Como Um Feixe De Juncos — Viver Num Mundo Integrado, Parte 5

Like a Bundle of ReedsComo um Feixe de Juncos, Por que Unidade e Garantia Mútua são Urgentes Hoje, Michael Laitman, Ph.D.

Capítulo 10: Viver Num Mundo Integrado

Um Mundo Integrado Exige Educação Integral

As Chaves Para A Unidade

Para conceber uma sociedade mais coesa, cujos membros são responsáveis uns pelos outros, as pessoas precisam cultivar algumas regras básicas.

1) Comida e outras necessidades: primeiro e mais importante, as pessoas devem ter segurança alimentar. Sem a confiança de que possam alimentar seus filhos e a si mesmas, as pessoas não irão sentir que são partes integrais da sociedade, elas estarão constantemente lutando por comida (se não fisicamente, mentalmente).

Além disso, é imperativo que as pessoas tenham segurança suficiente sobre educação, habitação, vestuário e serviços médicos. Tudo o acima irá variar dependendo do nível médio de vida em cada localidade, mas o sustento básico deve ser fornecido para todos em um nível que preserve sua dignidade como seres humanos e como membros integrais da sociedade.

Em troca de garantir sustento básico, todos os membros da sociedade vão passar por alguma forma de treinamento, que irá ajudá-los a compreender a natureza interconectada e interdependente de nosso mundo — por isso é que estão recebendo esses serviços. Eles vão aprender que uma sociedade que garante seu bem-estar implica também alguns deveres. Isto vai se relacionar com as atitudes das pessoas entre si, bem como sua contribuição de tempo ou de serviços para o bem comum.

Por exemplo, a certeza de que todas as crianças recebem educação básica não tem que custar ao estado um centavo. Pode ser feito através de professores desempregados que voluntariamente trabalham em troca de um sustento básico. Esta medida contribuirá significativamente para a coesão social da comunidade e juntamente com a formação acima mencionada será percebida como participando na formação de um mundo melhor, dando assim às pessoas mais um incentivo positivo para para se esforçar pela comunidade.

2) A formação (treinamento): nós já mencionamos a formação que vai ajudar as pessoas a entender a natureza do nosso mundo interconectado e interdependente. O paradigma social da Educação Integral sugere que todos os cidadãos, inclusive todos os residentes do país vão participar nesta formação.

A formação tem uma dupla finalidade: social e econômica. A finalidade econômica, que é mais um benefício suplementar do que uma meta real em si, é fornecer às pessoas o conhecimento necessário para se sustentar em tempos de parcos rendimentos. Essa parte da formação irá incluir a educação do consumidor (finanças pessoais), para que as pessoas possam gerenciar suas famílias em uma maneira economicamente viável utilizando recursos limitados.

A outra parte do curso, mais extensa, irá incluir tópicos referentes à percepção de si mesmo como parte de um todo maior que compartilha um objetivo comum. Essa percepção é fundamental para a coesão da sociedade. Sem ela, vai ser cada um por si mesmo, uma sociedade do salve-se quem puder.

A dissonância crescente entre este tipo de sociedade e a direção agregada da realidade de hoje vai sem dúvida aumentar a já excessiva pressão sobre o funcionamento social das pessoas, e o resultado será o colapso da sociedade. Se isso acontecer, como prova a história, e conforme descrito nos capítulos anteriores, os Judeus serão responsáveis, cujas consequências ninguém sabe.

Portanto, abaixo estão os tópicos que eu acredito que devem ser incluídos na formação (treinamento) em EI para conduzir as pessoas a uma visão de mundo mais coesa e, portanto, sustentável:

•Interconectividade em economia, cultura, sociedade, e o que isso significa para cada um de nós. Este tópico irá detalhar a evolução dos desejos e como, no quarto nível, queremos desfrutar a riqueza, poder e fama, prazeres egoístas e que esses desejos nos levam a nos conectar, embora negativamente, a fim de usar um ao outro.

•Interdependência — por que nos tornamos interdependentes e como isso deve afetar as nossas relações nos níveis pessoais, sociais e políticos. Este tópico deve continuar a explicação da evolução dos desejos e mostrar por que nossos desejos de explorar uns aos outros nos fazem mais dependentes um do outro. Na medida em que esses desejos nos levam a nos envolver em relações cada vez mais estreitas, enquanto abrigam intenções mútuas inerentemente doentes, nós estamos cada vez mais interligados porque queremos usar um ao outro. Ainda assim, estamos igualmente interdependentes porque somos dependentes dos outros para a satisfação de nossos desejos.

•Melhorar as capacidades sociais, emocionais e mentais:

•Melhorar as capacidades sociais, emocionais e mentais:

◦Aprender como lidar com o desemprego e a resultante insuficiência financeira, estresse e depressão.

◦Habilidades de comunicação tais como aprender como ouvir, como expressar claramente as emoções e necessidades, respeitar um ao outro e como ler a linguagem corporal. O objetivo aqui é neutralizar a agressividade e estabelecer melhor compreensão recíproca.

◦Resolver conflitos internos de uma forma não-violenta.

◦Socialização como meio de aprendizagem, enriquecimento, suavizando tensões e restaurando a autoestima.

•Consumo de mídia: como dito acima, a mídia de massa é a mais poderosa ferramenta para moldar nossas opiniões e valores. Por esta razão, o sábio consumo de mídia pode reduzir as tendências agressivas, incentivar o comportamento pró-social e fornecer informações essenciais, a compreensão do mundo e nosso lugar nele. Para ter certeza, o termo “mídia” refere-se não só à TV e rádio, mas também a Internet, jornais e algumas formas de cultura pop, como filmes e música popular.

•Habilidades de gestão do tempo: aprender a usar o tempo para enriquecimento pessoal, laços de expansão dos círculos sociais, aquisição de competências profissionais novas ou melhoradas, e alimentar a laços familiares mais fortes e sólidos.

•Qualificação de estagiários como formadores de futuros cursos e treinamentos.

Além disso, onde a presença física for possível, o treinamento será dado através de atividades sociais, simulações, trabalhos de grupo, jogos e apresentações multimídia. A aprendizagem não será no formato tradicional, professor-classe frontal. Em vez disso, o professor e os alunos irão sentar-se em círculo e conversar como iguais, aprendendo por meio do enriquecimento e compartilhamento mútuo. Onde a presença física não for possível, o quadro educacional será em grande parte interativo, com exemplos e atividades projetadas principalmente para eLearning.

Os resultados de tal formação devem ser duplos: 1) compreensão de como gerir a vida pessoal no volátil ambiente social e instabilidade econômica de hoje; 2) compreensão de que há uma lei natural estimulando esse desdobramento, que essa lei é tão severa e inexorável como a gravidade, e, portanto, nós devemos dominar esses novos meios de lidar para nosso próprio bem.

Embora todos nós tenhamos que saber como lidar conosco mesmos sob a Lei da Interdependência, imposta sob nós pela Lei da Doação, o Criador, isso não significa que todos terão que estudar Cabalá. Aqueles que desejam estudar podem fazê-lo, mas aqueles que não têm desejo de alcançar o Criador irão contribuir tanto quanto o “superorganismo vivo da humanidade”, para usar as palavras de Christakis e Fowler, simplesmente vivendo as leis da garantia mútua sem atingir o funcionamento interno da Criação.

Assim como você não precisa ser um eletricista qualificado para ligar a luz com sucesso e com segurança, nem todo mundo deve ser um Cabalista, ou um “perito no funcionamento da lei de doação”, para usar um fraseado mais contemporâneo, para aplicar com sucesso e segurança a lei da doação nas suas vidas. Afinal, esta lei existe a fim de fazer o bem às Suas criações, como aprendemos no capítulo 2. Portanto, tudo o que precisamos aprender é como usá-la corretamente, assim como aprendemos como usar a eletricidade, magnetismo, gravidade e qualquer outra lei natural ou força para nosso benefício.

Dito isso, assim como eletricistas constroem os sistemas que todo mundo usa com segurança sem qualquer conhecimento profissional, os Cabalistas terão que construir os sistemas social e de aprendizagem que insiram a qualidade da doação na sociedade, de modo que todos possam usar estes sistemas beneficamente, mesmo sem qualquer conhecimento da Cabalá.

3) A mesa-redonda: um meio de primordial importância e que, portanto, merece um item para si, é o formato de discussão em mesa redonda. Neste tipo de discussão, todos os participantes têm o mesmo status e representam diferentes pontos de vista, muitas vezes se opondo sobre assuntos que são essenciais para o bem-estar e a solidez da comunidade, cidade, estado ou país.

O objetivo da deliberação é conciliar as diferenças, não induzir o compromisso. Pelo contrário, o objetivo é encontrar um denominador comum que se destaque acima dos conflitos e disputas. O resultado de encontrar esse elemento é que os temas em disputa de repente parecem muito menos importantes do que antes e pálidos em comparação com a unidade e o calor que os participantes agora sentem em relação um ao outro. Posteriormente, as soluções são facilmente encontradas para conflitos anteriormente persistentes num espírito de boa-fé, devido ao interesse comum recém descoberto.

Em Israel, vários movimentos e organizações têm implementado o formato de discussão em mesa redonda. O movimento Arvut (garantia mútua), por exemplo, implementou este meio de deliberação centenas de vezes, e cada vez que este formato foi utilizado, foi relatado como um grande sucesso pelos próprios participantes. Dessa maneira, problemas que não tinham sido resolvidos há anos foram resolvidos em questão de horas.

Até agora em Israel, isso já foi tentado em grandes cidades, aldeias e kibutzim, em aldeias Árabes e Druzes, reunido a extrema direita de colonos da Judeia e Samaria com árabes da Cisjordânia, no Knesset (Parlamento israelense) , e em populações em dificuldades como imigrantes da Etiópia e da antiga União Soviética. Esses eventos terminam com um profundo senso de unidade e calor em sua totalidade. Para depoimentos gravados em vídeo e mais detalhes sobre as discussões em mesa redonda, visite http://www.arvut.org/en/round-table.

Discussões em mesas-redondas também foram realizadas ao redor do mundo. Nova York e São Francisco (EUA), Toronto (Canadá), Frankfurt e Nuremberg (Alemanha), Roma (Itália), Barcelona (Espanha), São Petersburgo e Perm (Rússia), são apenas alguns dos muitos lugares onde essa forma de discussão tem sido implementada, todos apreciando o mesmo sucesso retumbante como em Israel.

O espírito de igualdade, as deliberações reais também envolvem a plateia, e seguem este procedimento: um painel de indivíduos de origens e agendas diversas e muitas vezes  conflitantes se sentam na mesa principal. Os palestrantes expressam suas opiniões sobre um tema declarado pelo anfitrião do evento.

Em seguida, o público faz perguntas aos palestrantes, as quais um ou mais deles responde. É uma regra inquebrável que os palestrantes não devem reprovar outros palestrantes ou interferir com suas palavras. Críticas pessoais também são proibidas. Desta forma, o público conhece uma variedade de pontos de vista que não se opõem, mas sim se complementam.

Posteriormente, o público se divide em várias mesas-redondas e discute questões colocadas pelo anfitrião na mesma forma e espírito demonstrado pelo painel. Finalmente, as mesas se reúnem em uma assembleia geral e cada mesa apresenta suas conclusões, bem como compartilha suas impressões do evento como um todo.

Recentemente, até mesmo algumas discussões de mesa-redonda online têm sido tentadas, e elas também foram muito bem sucedidas. Naturalmente, cada lugar tem sua mentalidade única, e cada veículo — um evento ao vivo, uma reunião online ou uma transmissão de TV — tem suas vantagens e desvantagens. Portanto, não há dois eventos iguais. Ainda assim, o espírito de camaradagem e o compromisso de garantia mútua que estão na base de cada discussão garantem o sucesso destas deliberações únicas. Embora a grande maioria das sociedades ainda esteja bem distante de viver conceitos de garantia mútua, estas discussões, como demonstram as gravações de vídeo, conseguem induzir um sentimento genuíno do será viver em garantia mútua.

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